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Absa eleva presença na rota SP-AM
Valor 02.12.2011 - Especializada em importação e exportação, a Absa tomou nos últimos anos uma decisão para não ver sua receita ser drasticamente influenciada pela queda da demanda internacional por movimentação de cargas. Em meio à crise de 2009, a subsidiária brasileira do grupo chileno LAN resolveu abrir uma rota aérea regular de transporte entre Manaus e São Paulo para aproveitar a expansão do mercado interno. Dois anos depois, a rota já responde por 15% do faturamento da empresa, que está fazendo novos investimentos para ampliação da capacidade nesse trajeto. Um novo terminal de cargas, de US$ 500 mil, foi inaugurado na capital do Amazonas nesta semana. Além disso, nos próximos anos a empresa planeja comprar mais um avião cargueiro, ao custo de US$ 180 milhões.
O trajeto entre Manaus e São Paulo movimentou no terceiro trimestre deste ano 17,3 mil toneladas - mais que o triplo das 5,6 mil toneladas registradas no fim do segundo trimestre de 2009. A empresa aproveita a demanda das indústrias, principalmente de eletroeletrônicos, que pipocam pela capital do Amazonas. O crescimento justifica os investimentos, embora o novo terminal ainda não opere com 100% da capacidade. "Os investimentos não atendem somente a uma demanda atual, mas também às projeções futuras de movimentação", diz Rodrigo Medel, diretor comercial.
Os voos acontecem em todos os dias úteis. O primeiro, às 5h30, parte de São Paulo com destino a Manaus. O avião carrega carga geral, principalmente natural (como frutas e verduras). A aeronave volta a São Paulo com nova carga - eletroeletrônicos, peças, produtos para o varejo e até motocicletas.
O rápido crescimento fez a empresa abrir uma segunda rota doméstica em 2010, entre o Nordeste (capitais Fortaleza e Recife) e São Paulo. Embora haja boas perspectivas nas rotas do mercado doméstico, atualmente mais de 70% das receitas da empresa ainda são oriundas do mercado internacional de exportação e importação.
A participação no mercado nacional enfrenta a concorrência da líder VarigLog e de empresas como a Rio Linhas Aéreas e a Total Linhas Aéreas. Há ainda a força de companhias de passageiros que também movimentam cargas - como Gol e TAM. Antes de enfrenta-las, há ainda uma questão a se resolver: a fusão entre LAN e TAM. Como subsidiária do grupo chileno, a Absa poderia ser incorporada às operações das duas companhias no segmento de cargas. A LAN possui a LAN Cargo e a TAM, a TAM Cargo. Os executivos dizem que a questão está sendo analisada (ainda que concordem que a tendência é a integração operacional), mas funcionários da empresa dão como certa a mudança das operações para uma só marca - a TAM Cargo. "Não há nada definido", afirma Medel.
Petrobras capta € 1,85 bilhão com emissão no exterior
Brasil Econômico 02.12.2011 - A conclusão da operação está prevista para ocorrer em 9 de dezembro de 2011. Estatal petrolífera capta € 1,85 bilhão (R$ 4,46 bilhões) no exterior, para financiar os investimentos previstos no Plano de Negócios 2011-2015.
A Petrobras informou na noite de quinta-feira (1/12) a precificação dos títulos (Global Notes), no valor total de € 1,85 bilhão, com vencimentos de seis e dez anos, emitidos através da sua subsidiária integral Petrobras International Finance Company (PifCo). A oferta foi realizada em duas tranches e registrada na SEC, órgão regulador do mercado americano e equivalente a CVM brasileira.
A conclusão da operação está prevista para ocorrer em 9 de dezembro de 2011.
O montante correspondente a emissão dos títulos com vencimento em março de 2018 foi de € 1,25 bilhão, com cupom de 4,875% e rendimento ao investidor de 5,066%.
Já a emissão dos títulos com vencimento em março de 2022 perfazem o valor de € 600 milhões, com cupom de 5,875% e rendimento ao investidor de 5,977%.
Segundo a estatal, os recursos captados serão utilizados para o financiamento dos investimentos previstos no Plano de Negócios 2011-2015, sendo mantidos a estrutura adequada de capital e o grau de alavancagem financeira em linha com as metas da companhia. A operação foi conduzida pelo Banco Bradesco BBI, Banco Santander, BB Securities, Crédit Agricole, Deutsche Bank, London Branch e HSBC Securities, como coordenadores líderes, e contou com a participação do Banca IMI e Mitsubishi UFJ Securities International, como co-managers.
Edemir comemora 'presente de Natal'
Valor 02.12.2011 -O presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, comemorou o fim do IOF sobre as aplicações de estrangeiros em bolsa. "No mês do Natal, foi um presente para o mercado e para as empresas, pois vem em um momento em que se abre uma janela de oportunidade para a bolsa", afirma ele. Segundo Edemir, a crise europeia já está quase totalmente embutida nos preços das ações brasileiras e, em 2012, a expectativa é de uma melhora no cenário externo que aumente o interesse pelos papéis. "Teremos também o efeito das medidas tomadas pelo governo brasileiro para garantir o crescimento local", lembra.
Essa melhora deverá abrir espaço para um grupo de 40 a 45 empresas que aguardam, algumas desde 2010, para abrir seu capital. "Em 2010 as ofertas foram adiadas por causa da megaoperação da Petrobras, que concentrou os negócios, e, neste ano, houve a piora da Europa, especialmente no segundo semestre", lembra ele.
Para Edemir, o fim do IOF vai permitir que diversas empresas venham a mercado no ano que vem, com a volta dos investidores estrangeiros, que em média ficaram com 70% dos papéis nas ofertas anteriores.
Entre as ofertas previstas para o ano que vem, três setores se destacam, afirma Edemir. O principal, consumo, pelo crescimento do mercado interno brasileiro, seguido pelo de petróleo e gás, que teria duas operações importantes vindo a mercado, e infraestrutura, também com uma empresa importante. "E temos ainda, do centro do Brasil para cima, mais 20 grandes grupos do agronegócio se estruturando para abrir capital, talvez não no ano que vem, mas em 2013", afirma o presidente da BM&FBovespa. Ele lembra da Copersucar, que tentou abrir o capital este ano e desistiu. "Teria sido uma das maiores ofertas do ano", afirma.
Edemir não espera uma redução de estrangeiros nas ofertas, mesmo com a crise na Europa. "O que pode mudar é o perfil desse investidor", afirma. Segundo o presidente da bolsa, o maior comprador de ações brasileiras nas ofertas é hoje o americano, e não mais o europeu. "O americano conhece melhor o Brasil e, a menos que fracasse a esperada recuperação da economia dos EUA, deve continuar como principal investidor", diz, acrescentando que a situação da economia americana é muito mais importante para o mercado do que a crise europeia.
Já os europeus devem perder o segundo lugar para os asiáticos. "Estamos inclusive fazendo road shows na Ásia, junto com o governo brasileiro, para levar nosso mercado para lá", diz.
Outro impacto no mercado deve ser o aumento do volume negociado pela volta dos investidores estrangeiros de curto prazo, avalia Edemir. A crise e os problemas que ocorreram este ano provocaram uma retração do volume de negócios muito grande, admite. "E isso tem impacto negativo na formação de preços das ações e também na participação do investidor local, inclusive da pessoa física", afirma. Quando o governo tira um custo de 2% na intermediação, isso deve trazer um fluxo maior e abre espaço para uma melhor formação de preços e para o investidor local também aumentar seus negócios.
Edemir está otimista com 2012. Para ele, as medidas tomadas pelo governo e pelo Banco Central ao longo de 2011 devem garantir um crescimento robusto da economia brasileira. "No mercado, já tinha analista prevendo 3,5% a 4% para o ano que vem e, com essas novas medidas de hoje, de incentivo ao consumo, o mercado vai se animar ainda mais", explica.
Só vai faltar, segundo ele, a janela de oportunidade da melhora do cenário internacional, o que deve ocorrer até o fim do primeiro trimestre. "O movimento desta semana dos bancos centrais mostra a seriedade das autoridades e a disposição em resolver os problemas", diz.
Acordo cria líder latina em anúncios na web
Folha 02.12.2011 - Empresa brasileira de publicidade na internet boo-box fecha parceria com argentina. A empresa brasileira desenvolvedora de tecnologia para publicidade na internet boo-box e a companhia argentina Popego anunciaram nesta semana uma parceria. O acordo criou a Grupo 42, que passa a ser a maior da América Latina nessa área. A Popego tem entre seus clientes o Mercado Libre, importante site de compras on-line de origem argentina, que tem versões em outros países latino-americanos. Entre suas principais criações está o Zenzey, um sistema que analisa em tempo real conversas em redes sociais, como o Twitter, e investiga quais os tópicos de preferência dos usuários.
Por meio da análise, é possível recomendar a anunciantes onde está um potencial público para seus produtos. A boo-box também atua na área de investigação de audiência por meio de softwares. "Nosso foco é entender a segmentação do público e indicar ao anunciante o local certo para mostrar seu produto, com retorno praticamente garantido", afirma Marco Gomes, 25, presidente da boo-box. "As pessoas dizem que é difícil ganhar dinheiro na internet. Isso é um mito. Hoje existe tecnologia para resolver o problema. É só saber aplicá-la", complementa.
Segundo o empresário, a boo-box atinge 65 milhões de internautas no Brasil, por meio de sites de grandes, pequenas e médias empresas. Seus clientes incluem Itaú, Unilever e Fiat, entre outros. Para Santiago Siri, 28, o sócio argentino, os dois países estão começando a se destacar no desenvolvimento local de softwares e é preciso vender melhor essa ideia.
"Hoje em dia, quando se fala em 'made in Latin America', isso não tem muito valor. Mas daqui a dez anos será diferente. Na Argentina, a quantidade de jovens programadores trabalhando é imensa, mas falta investir mais em inovação", diz Siri.
Desde 2006, o presidente da boo-box passou a trabalhar com o apoio do Monashees, fundo brasileiro focado em empresas de internet. A parceria com a empresa argentina é o começo da expansão da boo-box pelo mercado latino-americano. Há planos de entrar em outros países, como Chile, Venezuela, Colômbia e México.
As ações que ganham com o “pacotão” do governo para estimular a economia
Exame 02.12.2011 - Medidas da Fazenda atingem papéis de 8 setores da bolsa, dizem analistas. O pacote do governo para incentivar a economia divulgado na quinta-feira pode afetar positivamente ações de empresas que fazem parte de 8 setores na bolsa brasileira (Varejo, Consumo, Shoppings, Construção Civil, Autopeças, Bancos, Bolsas e Alimentos)apontam os analistas da Ativa Corretora Armando Halfeld, Artur Delorme, Julia Monteiro e Luciana Leocadio. “Estas medidas, anunciadas um dia após a decisão de mais um corte de juros pelo BC, evidenciam o grande esforço promovido pelo governo para estimular o crescimento econômico em 2012, diante do cenário internacional conturbado”, explicam eles em um relatório.
As 4 medidas: 1 - O decreto do ministro da Fazenda, Guido Mantega, eliminou a alíquota de 2% do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para o investimento estrangeiro em ações, em títulos privados de longo prazo com duração acima de quatro anos, e de 3% para 2% ao ano para o crédito para pessoa física.
2 - Além disso, foi reduzido o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para a linha branca (fogão, geladeira, congelador, lavadoras de roupas e tanquinhos). O IPI também caiu de 10% para 5% sobre esponja de aço e de 15% para zero o sobre papel sintético (papel de plástico), destinado à impressão de livros e periódicos.
3 - A classificação de imóvel popular para ingresso no Regime Especial de Tributação (RET) da Construção Civil aplicável às incorporadoras imobiliárias com projetos no âmbito do Programa Minha Casa Minha Vida subiu de 75 mil para 85 mil reais.
4 – A alíquota de PIS/Cofins reduziu de 9,25% para zero sobre massas até junho do ano que vem e até dezembro de 2012 a desoneração sobre trigo, farinha de trigo e pão comum.
Varejo: “Acreditamos que estas medidas deverão impulsionar as vendas no varejo neste fim de ano e no 1T12, cabendo destacar Magazine Luiza, B2W, Grupo Pão de Açúcar, Lojas Americanas como as companhias mais afetadas pela a redução de IPI para linha branca”, afirma a Ativa. Mantega indicou ainda que o setor têxtil seria beneficiado, mas não enumerou as medidas. As ações que seriam impactadas por elas são são Lojas Renner e Marisa. “Destacamos ainda a Natura, BR Malls, Iguatemi e Multiplan, se beneficiando direta ou indiretamente das medidas”, continuam.
Consumo: Para a Ativa, a desoneração do IOF do crédito ao consumo, que somará 130 milhões de reais, e o IPI da linha branca, mais 164 milhões de reais, pode ajudar os bancos de uma forma geral, apontam.
“Os bancos também deverão ser beneficiados pelo estímulo ao crédito, de forma geral. Itaú e Bradesco são nossas preferências, embora acreditemos que BB poderá ser mais agressivo na concessão de crédito ao consumo”, dizem. Bolsa: As ações da BM&FBovespa (BVMF3) dispararam 6,68% na sessão de ontem com a notícia da redução do IOF para os investidores estrangeiros em ações. Para a corretora, a medida “minimiza um dos entraves para entrada de estrangeiros no mercado brasileiro, porém lembramos que as demais medidas de cunho cambial estão mantidas”.
Imobiliário: A mudança no Regime Especial de Tributação (RET) traz impacto para diversas empresas de construção, expicam. As mais expostas ao Minha Casa Minha Vida são MRV, Direcional e Rodobens.
Bens de Capital: Para bens de capital e automotivo, a Ativa vê a Weg como a mais beneficiada. “Paralelamente, estímulos como a queda do IOF beneficiam o financiamento a pessoa física e um setor diretamente beneficiado e com elevada dependência de crédito é o setor automotivo, com destaque para Tegma e Iochpe-Maxion”, ressaltam.
Accor já tem garantidos R$ 720 milhões para 57 unidades da rede ibis
Valor 02.12.2011 - A rede de hotéis Accor inaugura hoje o 60º hotel da bandeira ibis no país, em São Luis (Maranhão), consolidando a liderança no segmento econômico. O investimento nessa unidade, feito por parceiros da Accor, é de R$ 18 milhões. Na próxima quinta-feira, será a vez do 61º empreendimento com a mesma marca, em Lages (Santa Catarina).
Até 2015, a rede de origem francesa planeja inaugurar 57 hotéis ibis no país, o que vai significar um investimento de R$ 720 milhões por parte de investidores. A Accor, no Brasil, tem como prioridade a administração de empreendimentos. Todos os projetos estão garantidos, pois os contratos já foram assinados.
"Cada vez mais a franquia será um meio de desenvolvimento de negócios", afirma o diretor de operações da marca ibis para a América Latina, Steven Daines. Como exemplo, ele conta que dos 14 hotéis que serão inaugurados em 2012, oito serão franquias. Em 2013 estão previstos 29 unidades. No ano seguinte, mais 11 empreendimentos. Em 2015, mais três.
A estratégia da bandeira ibis no mercado brasileiro tem duas frentes. A primeira é inaugurar hotéis em capitais onde a rede não tinha empreendimentos econômicos, ou poucos. O segundo foco da Accor é abrir empreendimentos em cidades de médio porte.
Ano que vem, o plano é inaugurar hotéis em capitais como Rio de Janeiro, Recife e Porto Velho. Cidades de médio porte como Canoas (RS) e Presidente Prudente (SP) também contarão com hotéis da marca ibis. "Em cidades de médio porte muda o perfil dos investidores. São famílias que estão investindo no seu primeiro hotel, além de profissionais liberais", conta Daines. O executivo afirma que a estratégia de preços da bandeira Ibis muda conforme a localização. Nos hotéis da Avenida Paulista e do Rio, a diária média está em torno de R$ 200. Já em cidades menores o preço da tarifa cai quase pela metade. Dentro de São Paulo a tarifa também varia conforme o endereço.
Os hotéis da marca ibis deverão encerrar 2011 com taxa de ocupação média de 80%. De acordo com Daines, isso representa 5% de aumento na comparação com o ano passado. A diária média, por sua vez, deverá registrar crescimento de 15% em relação a 2011, estima o executivo. A rede Accor registrou, em 2010, volume de negócios de US$ 696 milhões, um crescimento de 28,9% diante do ano anterior.
Energia renovável
Folha 02.12.2011 - A insuficiência de capital para as empresas de energia renovável é apontada como o risco mais grave do setor.
Problemas com clima, políticas regulatórias e velocidade com que as tecnologias ficam obsoletas também foram apontados como riscos.
A pesquisa mostra ainda que 70% dos entrevistados conseguem identificar os problemas, mas só 61% conseguem reduzi-los. Um dos principais obstáculos a uma gestão mais eficiente dos riscos é a falta de dados sobre a indústria, segundo o levantamento. A maioria das empresas opta por adquirir seguros para transferir os riscos a terceiros. O mercado de capitais também é usado, através de "títulos catástrofes". Para a realização da pesquisa, 284 pessoas foram ouvidas. O levantamento estudou a produção de energia renovável na Europa ocidental, nos Estados Unidos e na Austrália.
MSC e CMA CGM fecham acordo de cooperação
Valor 02.12.2011 - Os armadores MSC e CMA CGM - respectivamente segundo e terceiro maiores transportadores de contêineres do mundo - surpreenderam o mercado ao anunciarem ontem um acordo de cooperação em nível mundial. A parceria é uma forma de enfrentar o excesso de capacidade nos tráfegos entre a Ásia e o Norte da Europa, Ásia e África do Sul e nas rotas que envolvem a América do Sul. Por conta da crise mundial, as trocas comerciais estão declinando, pressionando os fretes marítimos para baixo. O anúncio foi feito pela francesa CMA CGM. O armador afirma que a parceria tem como objetivo o ganho de "sinergias operacionais", mas não entra em detalhes. A nota não menciona fusão ou compra. "O atual excesso de capacidade, combinado com a menor demanda, está impactando nosso desempenho financeiro", disse o diretor financeiro do grupo, Michel Sirat. Somam-se a isso os altos custos de combustível. Principal gasto do navio em uma viagem, o preço do óleo subiu 40% na comparação entre novembro deste ano e de 2010, segundo dados do mercado. No último dia 17, a tonelada do tipo mais nobre estava cotada em US$ 962, contra US$ 684 em 2010. A parceria com a MSC integra um vigoroso plano de redução de custos anunciado pela CMA CGM em setembro. A meta é cortar US$ 400 milhões anuais. O acordo começa a valer em março de 2012 e inicialmente será por dois anos. Juntas, MSC e CMA CGM somarão uma frota de 3,6 milhões Teus (contêiner de 20 pés), ultrapassando os 2,5 milhões de Teus da líder dessa indústria, a APM Maersk, segundo dados da consultoria Alphaliner. Em número de navios, o acordo entre MSC e CMA CGM totalizará 877 embarcações, contra 654 da Maersk.
Nos tráfegos que envolvem as trocas com o Brasil, a MSC é a segunda colocada e a CMA CGM, a quinta. Nos nove primeiros meses do ano, a MSC, com base na Suíça, movimentou 734 mil Teus cheios nas rotas que envolveram os países da Costa Leste da América do Sul. A CMA CGM operou 333 mil Teus no período. O ranking é da empresa Datamar, que compila dados de movimentação de cargas nos países da Costa Leste da America do Sul, por meio de convênios com o Centro Nacional de Navegação (Centronave) e com entidades e empresas dos demais países. Além da cooperação com a MSC, a CMA CGM anunciou a renegociação de taxas de afretamento e a implantação de medidas para elevar a eficiência do combustível.
Também ontem a empresa divulgou os resultados financeiros. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) dos nove primeiros meses foi menor que o de 2010, mas positivo: US$ 672 milhões. E o lucro líquido ficou em US$ 13,2 milhões, sinalizando que um resultado ruim no último trimestre pode deixar a companhia no vermelho.
Barnes & Noble planeja reforçar área digital
Valor 02.12.2011 - William Lynch, executivo-chefe da Barnes & Noble: perspectivas positivas. A rede americana de livrarias Barnes & Noble informou, ontem, que pretende investir mais fortemente em seu leitor de livros eletrônicos, o Nook, e na mídia digital. Isso apesar de a empresa ter registrado um prejuízo no terceiro trimestre, devido à contínua queda nas vendas de livros físicos. Os resultados ficaram aquém das expectativas dos analistas, o que fez com que as ações da empresa chegassem a registrar declínio de 24%, sob intenso volume de transações. Mas a companhia de Nova York, que está se concentrando em mídia digital para neutralizar os efeitos da competição mais intensa e as violentas mudanças na maneira como os americanos consomem livros, lançou um indício animador sobre a temporada de fim de ano. "Com base no início das vendas e nos resultados do movimento nas lojas, nos sentimos estimulados por nossas perspectivas para o período de festas que se aproxima", disse o executivo-chefe da rede de livrarias, William Lynch. A receita das lojas que estão em funcionamento há pelo menos um ano, um indicador importante da saúde fiscal de uma varejista, cresceu 10,9% durante o fim de semana prolongado que se sucedeu ao Dia de Ação de Graças (comemorado neste ano em 24 de novembro). Essa é uma boa notícia, uma vez que as varejistas obtêm até 40% de sua receita anual durante o período de festas de novembro e dezembro.
A empresa lançou o Nook Tablet, vendido a US$ 249, um tablet mais desenvolvido que o Nooks anterior, em 7 de novembro. Ela também vende os leitores digitais Nook Color, por US$ 199, e Nook Simple Touch, por US$ 99.A Barnes & Noble tem se mostrado reservada sobre o número exato de aparelhos que vendeu, mas disse que as vendas de todos os negócios ligados ao Nook, inclusive de conteúdo digital, aparelhos e acessórios, aumentaram 85%. "Prevemos vender milhões de aparelhos no nosso terceiro trimestre, elevando os milhões de atuais clientes do Nook", disse Lynch.
A companhia concorre com a Amazon.com, que lançou o tablet Kindle Fire ao preço de US$ 199, e com o iPad 2, da Apple, que custa a partir de US$ 499, para ganhar participação de mercado em tablets. A expectativa é de que o período de festas de fim de ano seja um campo de batalha muito relevante. Para o resto deste ano, a empresa diz prever investir pesadamente em atividades que a ajudarão a conquistar usuários para o Nook, como promoções e publicidade. O prejuízo líquido no trimestre encerrado em 29 de outubro foi de US$ 6,6 milhões (US$ 0,17 por ação). No mesmo período do ano passado, a companhia registrou perdas de US$ 12,6 milhões (US$ 0,22 por ação). Os analistas previam lucro de US$ 0,03 por ação.
Conversão de casco atrai cinco grupos
Valor 02.12.2011 - Cinco empresas tendem a apresentar propostas, dia 16, para transformar cascos de quatro navios petroleiros em plataformas de produção que vão operar nos campos da cessão onerosa, no pré-sal. A Petrobras, que está encomendado a obra, convidou 19 empresas para a licitação, segundo fontes do setor. Mas a aposta no mercado é que devem apresentar ofertas a Keppel, Jurong, Andrade Gutierrez, Setal e Estaleiro Enseada do Paraguaçu (Odebrecht, OAS e UTC. Estimativas indicam que a obra pode custar mais de US$ 2 bilhões (média de US$ 500 milhões por unidade). O valor considera investimentos que o ganhador da licitação terá que fazer para reformar o antigo estaleiro Ishibrás, no Rio, que foi arrendado pela Petrobras e batizado como Estaleiro Inhaúma.
A Petrobras prevê assinar o contrato no primeiro semestre de 2012. A empresa também vai abrir outra licitação, no primeiro semestre de 2012, para a construção dos módulos de produção e processamento de petróleo e gás, bem como a integração desses módulos. A companhia disse que as plataformas da cessão onerosa terão alto índice de conteúdo nacional.
O primeiro dos quatro navios a serem convertidos em plataformas que produzem, armazenam e escoam petróleo, conhecidas no jargão do setor pela sigla em inglês FPSO, está ancorado no porto do Rio. A unidade, vinda da Indonésia e que foi renomeada como P-74, será instalada na área de Franco, no pré-sal, e terá capacidade para processar 150 mil barris de petróleo por dia. Vai ser a primeira plataforma destinada aos campos da cessão onerosa, na Bacia de Santos. A cessão onerosa é um conjunto de áreas localizadas no pré-sal, que foram transferidas de forma onerosa pela União à Petrobras. De acordo com o estabelecido em lei, a companhia terá o direito de explorar e produzir até 5 bilhões de barris de óleo equivalente nestas áreas. A Petrobras remunerou a União pelo direito de exercício das atividades de pesquisa e produção de petróleo e gás natural destas áreas.
Os outros três navios a serem convertidos também virão da Malásia e vão receber os nomes de P-75, P-76 e P-77. A expectativa é de que as quatro unidades sejam entregues entre 2015 e 2016. Uma fonte disse que foram definidas as obras que a Petrobras fará no estaleiro e que incluem compra de guindastes novos, reparo do dique e dos sistemas de utilidades como água, gás e energia. Essas obras devem exigir da Petrobras investimentos de R$ 250 milhões no estaleiro. O vencedor da licitação terá que se encarregar da reforma de todas as oficinas de fabricação. Procuradas para comentar a licitação, Andrade Gutierrez, Setal, Keppel, Estaleiro Paraguaçu e Jurong não se pronunciaram.
A voz da minoria
Brasil Economico 02.12.2011 - O nome é feio de doer — tag along — e não tem tradução para o português. Mas esse mecanismo pode jogar água fria na fervura de um dos principais negócios anunciados nos últimos meses no Brasil. Conforme reportagem de Denise Carvalho, publicada na edição de ontem do Brasil Econômico, a Previ (o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) pretende reivindicar seus direitos de acionista minoritário e recorrer à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A ideia é contestar a venda de quase 28% das ações ordinárias da Usiminas ao grupo argentino Techint. Conforme o tag along, o investidor que adquirir ações do grupo de controle de uma sociedade anônima tem algumas obrigações a cumprir para com os donos de participações menores.
Entre elas está a de pagar pelas ações dos minoritários 80% do preço oferecido pelos papéis que pretendam adquirir do bloco de controle. A intenção desse mecanismo (relativamente novo no mercado mobiliário brasileiro) é dar aos minoritários o direito de decidir se querem ou não querem conservar sua participação numa empresa que mudou de mãos.
Faz sentido: afinal, faz parte das regras de um mercado civilizado dar aos investidores o direito de escolher de quem desejam ser sócios.
O tag along, bem como a certeza de que ele será acionado em caso de necessidade, é importantíssimo.
Ainda mais num momento em que a bolsa de valores se esforça para ampliar seu papel e reforçar sua imagem pública como espaço para negócios relevantes. Negócios na Bolsa são como a mulher de César. Não basta que sejam sérios. Têm que parecer sérios. Ao fazer sua oferta pelas ações, os argentinos da Techint deram a entender que o tag along não se aplicava àquela transação. Se a CVM entender que não é bem assim, pode haver uma reviravolta na venda. Na prática, a Techint pode ser obrigada a gastar mais do que pretendia pelo controle da Usiminas - ou, no limite, abrir mão de um negócio que faz sentido sob o ponto de vista estratégico e foi muito bem recebido no interior da siderúrgica mineira. Mas não foi bem-visto pela Previ e pelos outros minoritários.
Até o momento, a Previ não anunciou o caminho que pretende seguir - mesmo porque, seus movimentos precisam se guiar pelas regras da CVM, que cobra discrição dos envolvidos. Mas dá a entender que alguma providência será adotada. Em nota distribuída ontem, limitou-se a afirmar que "pautará eventuais posicionamentos tendo como base a defesa de seus direitos e a preservação dos recursos de seus participantes".
Como um sinal de que o movimento foi bem recebido no mercado, as ações da Usiminas tiveram alta expressiva no pregão de ontem, superior a 10%. O sinal de que o mercado tem regras e que elas devem ser seguidas por todos é, com certeza, tão positivo para o investidor estrangeiro que pretenda por dinheiro no país quanto a decisão anunciada ontem pelo governo de reduzir o IOF sobre operações dessa natureza.
Nos próximos dias, parte dos investidores que hoje procuram um lugar para seu dinheiro certamente verão no mercado mobiliário brasileiro um ponto promissor. E o tag along, por mais estranho que seja esse nome, será responsável por parte desse interesse.
Executivos de Wall Street recomendaram ação de BCs
Valor 02.12.2011 - Dudley, presidente do Fed de Nova York: encontro com representantes do setor privado para colher informações.
Executivos de Wall Street, num encontro privado, no fim de setembro, com um oficial de alto escalão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), recomendaram um esforço coordenado de bancos centrais para solucionar a crise financeira da Europa, de acordo com documentos federais recebidos numa solicitação de abertura dos registros.
O encontro, encabeçado por Louis Bacon, fundador do fundo de hedge Moore Capital Management, precedeu uma ação conjunta na quarta-feira por parte dos maiores bancos centrais do mundo, que se agruparam para oferecer liquidez aos mercados via empréstimos baratos em dólares.
A medida envolveu uma coordenação entre os bancos centrais para conceder empréstimos aos bancos europeus, e não se pôde determinar o que exatamente propulsionou a ação do Fed e dos outros bancos centrais. Na reunião de setembro, os executivos de Wall Street sugeriram um tipo diferente de arranjo por parte dos bancos centrais, turbinando a economia global por meio da compra de títulos de dívida ou outros métodos para injetar liquidez. O empréstimo coordenado para os bancos europeus não estava entre as sugestões.
Entretanto, analistas dizem que o grande salto das bolsas de quarta-feira foi, em parte, alimentado pelas expectativas dos investidores de que os bancos centrais farão mais para aliviar a crise, como a coordenação recomendada no encontro de setembro. Bacon é um dos 12 representantes de Wall Street num painel do Fed de 14 membros formado durante a crise financeira para dar ao presidente da regional de Nova York do Fed, William Dudley, um canal de acesso sobre o que se passa na mente dos investidores. A reunião de 27 de setembro, com Dudley, exemplifica os encontros privados que alguns investidores de Wall Street têm tido com figuras do alto escalão do Fed, em que ganham acesso adiantado a possíveis pistas sobre os passos do banco central americano. Os fundos de hedge têm pressionado para obter mais informações sobre as atividades internas do Fed, de acordo com pessoas a par da situação, conforme detalhado em artigo recente do Wall Street Journal. As reuniões do Fed com representantes de Wall Street apresentam uma situação delicada para a autoridade monetária. Eles precisam equilibrar a necessidade de informação dos investidores sobre os mercados com a política interna do Fed que desencoraja seus funcionários a agendarem encontros com investidores que poderiam usufruir de vantagens comerciais.
Dudley, do Fed, não quis comentar. Num comunicado, Bacon defendeu os encontros: "O Fed e o Tesouro extensivamente pesquisam as opiniões de mercado por meio de uma variedade de comitês do setor privado, contatos e mesas de operações na missão de financiar a explosiva carga da dívida nacional, estabilizar os mercados e otimizar os resultados econômicos."
Entre os membros do Comitê Consultivo em Mercados Financeiros estão alguns dos maiores nomes de Wall Street, tais como Keith Anderson da Soros Fund Management, Mohamed El-Erian da Pacific Investment Management Co. (da Allianz SE), Peter Fisher da BlackRock Inc., Joshua Harris da Apollo Management LP, Alan Howard da Brevan Howard Asset Management, Deryck Maughan, ex- presidente executivo da Salomon Brothers, que agora está na Kohlberg Kravis Roberts & Co., e David Tepper da Appaloosa Management LP.
Não há indicação de que a reunião tenha tido qualquer impacto nos investimentos dos participantes. A ata da reunião obtida pelo The Wall Street Journal inclui anotações feitas por membros da equipe do Fed, mas nenhum registro de comentários de Dudley ou outros funcionários do Fed. Dudley anteriormente havia dito num comunicado que está numa "postura de ouvir" durante as reuniões e que é cauteloso no sentido de não fornecer "dicas de nossa linha de pensamento" nos encontros com os investidores.
Ele também disse que é importante que o Fed entenda o que os investidores estão pensando em períodos de estresse e que evita sugestões de investidores sobre política monetária que reflitam os interesses deles próprios. Os membros do comitê declararam que as perguntas feitas antes da reunião pelo Fed podem dar algumas pistas sobre o pensamento do Fed.
A maior parte do encontro de três horas com Dudley em 27 de setembro na regional de Nova York do Fed girou em torno dos efeitos da crise na Europa. Bacon, encarregado pelo Fed de comandar as discussões, começou dizendo que sentia que era "possível" que a Grécia deixaria de pagar suas dívidas e que ele acreditava que havia um "risco considerável de uma corrida acelerada aos bancos gregos", de acordo com os registros da ata.
Os membros do comitê também disseram acreditar que a inadimplência da Grécia levaria ao aumento da pressão sobre os já enfraquecidos bancos franceses, criando tensão no finaciamento dos bancos europeus, segundo a ata. O grupo sugeriu estratégias para lidar com a crise europeia, inclusive "o relaxamento coordenado do crédito e/ou um afrouxamento quantitativo" por parte do BCE. O grupo também exortou "garantias dos bancos centrais para dívidas soberanas", "investimentos em dívida soberana e bancos europeus", "a implementação de controles de capital", assim como a recapitalização do FMI".
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