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Usinas
do Centro-Sul têm dívidas de R$ 56 bi
As usinas de açúcar e etanol do Centro-Sul do Brasil
elevaram seu endividamento total em pelo menos 7,7% no ciclo 2012/13, encerrado
em março. Segundo cálculos do Itaú BBA, a dívida líquida do segmento.
sucroalcooleiro alcançou R$ 56 bilhões na última
safra, ante R$ 52 bilhões na temporada anterior.
O aumento do endividamento se deu, em boa medida, por
uma geração de caixa insuficiente para pagar juros e investimentos de
manutenção da operação (Capex), conforme explica o diretor comercial do banco
de
investimento, Alexandre Figliolino.
Considerando uma amostra de 68 grupos com moagem total
de 390 milhões de toneladas, o Itaú BBA estimou para o segmento um lucro
operacional (Ebitda) de R$ 14,4 bilhões, despesas financeiras de R$ 5,5 bilhões
e investimentos (Capex) de R$ 13,4 bilhões, o que gerou um potencial de aumento
do endividamento de R$ 4,5 bilhões.
Assim, a dívida líquida de R$ 56 bilhões alcançada ao
fim do ciclo 2012/13 já equivale ao faturamento bruto do segmento, estimado
também em R$ 56 bilhões pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). No
mercado, estima-se que entre 18% e 25% da dívida total
do segmento seja com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES ), somente nas operações diretas de crédito. Nas operações indiretas, o
risco é transferido a instituições financeiras parceiras.
A maior parte do endividamento é reflexo dos numerosos
investimentos feitos durante o "boom" do etanol, iniciado em 2006, e
que teve seu ápice dois anos depois, quando em um único ano (2008) foram
inauguradas 30 novas usinas processadoras de cana-de-açúcar.
Grande parte desse movimento teve o suporte do BNDES
que, entre 2008 e 2012, desembolsou R$ 30,5 bilhões para projetos de construção
de novas usinas, cogeração de energia a partir do bagaço de cana-de-açúcar e
outros investimentos.
Contudo, desde o estouro da crise, em 2008, o setor
sucroalcooleiro do Centro-Sul perdeu capacidade de moagem de 48 milhões de
toneladas de cana-de-açúcar, resultado do fechamento de cerca de 50 usinas. Em
torno de 38 usinas entraram em recuperação judicial nesse período. Algumas
delas entram nas estatísticas das que pararam de operar, enquanto outras
continuam moendo cana.
Diferentemente das muitas usinas que já carregavam
problemas anteriores à crise de 2008, a Usina São Fernando, localizada em Mato
Grosso do Sul e pertencente ao empresário José Carlos Bumlai, foi a primeira
unidade industrial construída pós-2008 a entrar em dificuldades financeiras. A
usina, que tem uma capacidade de moagem de 4,5 milhões de toneladas, tem
dívidas estimadas em R$ 1,2 bilhão.
"O que acontece é que os preços recebidos por
essa indústria estão muito próximos dos custos. Pesa muito o fato de que, além
de plantio de cana, as usinas precisam investir em maquinário e infraestrutura
para se adaptar às novas exigências das legislações trabalhistas, ambiental,
etc. Ou investe ou morre. Por isso, a geração de caixa livre é muito
pobre", diz Figliolino.
De forma geral, dizem gestores de bancos, a taxa de
inadimplência do setor sucroalcooleiro é baixa, pois inserir esse devedor na
estatística de crédito não recebido é o último recurso do banco.
Mas, de fato, essa indústria está com grandes
dificuldades de pagar suas dívidas, e grande parte opta por rolar vencimentos. "Além
de postergar pagamentos, muitas vezes emprestamos mais capital de giro para as
empresas conseguirem atravessar a entressafra. Depende de cada caso", diz
o gestor de uma instituição financeira.
Figliolino destaca que a relação entre o endividamento
e os indicadores operacionais do setor também aumentou. Segundo o Itaú BBA, por
tonelada de capacidade de moagem instalada, a dívida líquida subiu em 2012/13
para R$ 87, ante os R$ 81 da safra 2011/12. Considerando o endividamento
líquido por moagem realizada no ciclo passado, esse valor sobe para R$ 107 por
tonelada, ante R$ 105,5 da temporada anterior, segundo o banco de investimento.
A projeção da instituição é de que grupos que
representam 10,5% do setor estejam sem condições de gerar caixa para se manter
na atividade. Por isso, precisam passar por fusão ou aquisição para conseguirem
sobreviver. Uma outra parcela do setor, equivalente a cerca de 18% da moagem do
Centro-Sul, está em melhor condição, no entanto, ainda tem alavancagem elevada.
"Mantidas as condições atuais, extremamente
severas, em que os custos são muito próximos dos preços de venda, a tendência é
que uma parte não desprezível do setor pare de operar", acredita
Figliolino.
Santa
Catarina recebe habilitação para exportar carne suína in natura ao Japão
Agência Brasil 24.05.2013 - Autoridades japonesas
informaram ao governo brasileiro a decisão de habilitar o estado de Santa
Catarina para exportar carne suína in natura ao Japão. O processo de abertura
do mercado do país asiático durou alguns anos e, segundo o Ministério de
Relações Exteriores, o fato “reitera a conhecida qualidade e sanidade do
produto brasileiro”, além de ser um passo importante na ampliação e
diversificação de destinos dos produtos do agronegócio nacional.
Atualmente, os exportadores brasileiros exportam para
o Japão apenas derivados de carne suína processados. O governo acredita que a
abertura do mercado para Santa Catarina vai fortalecer a cadeia produtiva do
setor no estado, gerando emprego e renda, principalmente para os pequenos
produtores. De acordo com o governador Raimundo Colombo, cerca de 50 mil
famílias catarinenses criam suínos.
O mercado japonês de carne suína é estimado em 1,8
milhão de toneladas, sendo quase metade abastecido por produtos importados. Em
2012, o japão importou o equivalente a R$ 5,2 bilhões em carne suína.
Em 2013, os Estados Unidos também autorizaram a
habilitação de frigoríficos de Santa Catarina para exportação de carne suína. O
estado é, atualmente, o único no Brasil com status reconhecido pela Organização
Internacional de Saúde Animal (OIE) como livre de febre aftosa sem vacinação.
CPFL
Renováveis terá garantia em oferta de ações
Valor 24.05.2013 - A CPFL Energias Renováveis retomou
os planos para sua oferta pública inicial de ações. A operação deverá
movimentar entre R$ 500 milhões e R$ 800 milhões. O Valor apurou que o BTG Pactual,
um dos coordenadores da oferta, dará garantia firme de colocação. Essa garantia
é necessária porque sócios da Ersa, uma das criadoras da CPFL Renováveis, têm
um preço mínimo para a concretização da operação, abaixo do qual poderiam vetar
a concretização da distribuição, conforme antecipou ontem o Valor PRO.
Procurado, o BTG não deu entrevista. A minuta do
prospecto da oferta informa que a garantia firme ocorrerá se não houver demanda
do mercado pela totalidade dos papéis. Se for exercida, o preço das ações na
oferta será no mínimo da faixa sugerida. O prospecto esclarece ainda que o
prestador de garantia poderá revender as ações até a data do encerramento da
oferta por preço não superior ao definido na operação. Após o encerramento, as
vendas poderão ser a preço de mercado.
A CPFL Renováveis chegou a dar início aos
procedimentos para o IPO ano passado, mas interrompeu o processo em outubro por
conta das condições de mercado. Naquele momento, o setor elétrico também vivia
incertezas sobre a renovação das concessões no Brasil. A operação repete
algumas características de ofertas que os bancos têm levado a mercado neste
ano. A empresa é um dos negócios de uma outra companhia já listada, a CPFL
Energia, assim como ocorreu com Smiles, controlada pela Gol; e BB Seguridade,
do Banco do Brasil. Além disso, a garantia de colocação já ocorreu em Biosev e
também será dada, pelo BTG, em oferta programada pela MPX.
A CPFL Renováveis surgiu em agosto de 2011, quando a
CPFL Energia e a Ersa uniram suas operações de energia alternativa. Uma oferta
era esperada, uma vez que o bloco acionário da empresa abriga investidores
financeiros. A CPFL tem 63% da empresa e o restante do capital está
distribuído entre antigos sócios da Ersa: Pátria (9,4%), FIP Brasil Energia,
gerido pelo BTG Pactual (7,63%), Bradesco BBI FIP Multisetorial Plus (4,99%);
DEG, banco de desenvolvimento do grupo financeiro alemão KfW, (2,48%) e GMR
Empreendimentos Energéticos (2,23%), além de três integrantes da família
Sahade, cada um com 0,33%.
Latrocínios
crescem 55% na cidade de SP em abril
Estadão 24.05.2013 - Foram 14 casos, ante 9 no mesmo
mês do ano passado; em todo o Estado, crescimento foi de 9%.
Os casos de latrocínio (roubo seguido de morte)
cresceram 55% em abril deste ano na capital paulista, em relação ao mesmo mês
do ano passado – foram 14 registros, ante 9. No Estado, o total em abril foi de
36 latrocínios, ante 33 no mesmo período de 2012, um aumento de 9%. Os dados
foram divulgados nesta sexta-feira, 24, pela Secretaria de Estado da Segurança
Pública.
Já os casos de homicídios dolosos registraram queda de
7,7% na cidade de São Paulo: foram 103 em abril de 2012 e 95 no mês passado. No
Estado, a queda foi de 4,2% – de 379 para 363 ocorrências.
Os roubos registraram aumento no mês passado, segundo
balanço do governo do Estado. Na capital paulista, a alta foi de 8,2%, com mais
de 10,3 mil registros. Em abril de 2012, foram 9.600 casos. Em todo o Estado,
os casos de roubo cresceram 4,6% – saltaram de 20,4 mil casos em abril de 2012
para 21,3 mil registros no último mês.
Líder
em importação de suínos, Japão abre mercado para carne do Brasil com SC
Folha 24.05.2013 - Após anos de negociação, o governo
do Japão reconheceu Santa Catarina como Estado livre de febre aftosa sem
vacinação, o que torna a região habilitada a exportar carne suína para aquele
país --o principal mercado do mundo para o setor.
É a primeira autorização de compra dada pelo governo
japonês à carne suína "in natura" produzida no Brasil.
No ano passado, o Japão importou cerca de US$ 5,2
bilhões em carne suína. Quase metade do consumo japonês, estimado em cerca de
1,8 milhão de toneladas, é atendido por produtos de fora. Os maiores
fornecedores são os Estados Unidos, responsáveis por 40% das importações,
Canadá (22%), Dinamarca (15%) e México (5,7%).
O Brasil, agora, passa a disputar esse cobiçado
mercado.
"É o primeiro reconhecimento econômico do status
livre de aftosa sem vacinação. Serve de estímulo para outros Estados trilharem
o mesmo caminho", diz Pedro de Camargo Neto, ex-presidente da Abipecs
(Associação Brasileira dos Exportadores de Suínos) que comandou as negociações
com o Japão.
"Essa decisão conclui um ciclo de muito
trabalho."
Santa Catarina é o maior produtor de carne suína do
país, responsável por uma fatia entre 20% e 30% das exportações brasileiras,
que somam aproximadamente 600 mil toneladas anualmente.
A tendência é que o volume vendido pelos catarinenses
ao exterior agora seja integralmente voltado ao Japão.
"Se os embarques ao Japão atingirem 100 mil
toneladas em 2014 já será um sucesso", diz Camargo Neto, que prevê uma
expansão gradual para os embarques àquele mercado.
Banco
do Chile compra unidade do Bankia nos EUA
Exame 24.05.2013 - De acordo com fontes, o Banco do
Brasil (BB) também estava na disputa pela unidade.
Bankia: a compra, que deve ser concluída no primeiro
trimestre de 2014, será financiada por meio da emissão de novos bônus ou ações
do BCI.
O chileno Banco de Crédito e Inversiones (BCI)
anunciou nesta sexta-feira em um relatório enviado para a autoridade reguladora
do mercado de ações local que chegou a um acordo com o espanhol Bankia para
comprar a unidade do grupo nos Estados Unidos, o City National Bank of Florida,
por US$ 882,8 milhões. De acordo com fontes, o Banco do Brasil (BB) também
estava na disputa pela unidade.
A compra, que deve ser concluída no primeiro trimestre
de 2014, será financiada por meio da emissão de novos bônus ou ações do BCI. O
City National Bank tem mais de 20 agências, enquanto o BCI tem um escritório em
Miami que gerencia um total de US$ 3 bilhões em ativos. As ações do banco
chileno caíram 2,9% após o anúncio do acordo.
Braskem
pode cooperar em indústria petroquímica da Bolívia
Exame 24.05.2013 - Não haverá uma sociedade porque é o
projeto estará sob o controle do Estado boliviano.
Fábrica da Braskem: há vários anos, a Braskem estudou
encarar um projeto próprio para instalar um complexo petroquímico na cidade
boliviano de Puerto Suárez.
A Braskem pode ajudar a Bolívia a desenvolver sua
indústria petroquímica, mas não fará uma sociedade porque é o projeto estará
sob o controle do Estado boliviano, afirmou nesta sexta-feira à imprensa um
executivo da firma.
O diretor superintendente da América do Sul da
Braskem, Sergio Thiesen, explicou aos meios de comunicação que está sendo
analisada com a companhia petrolífera estatal boliviana YPFB a melhor forma de
ajudar na área de comercialização, na construção de uma usina petroquímica e no
treinamento dos funcionários.
"Agora estamos discutindo com a YPFB como
trabalhar juntos. Não é factível que a Braskem seja sócia de um projeto do
Estado", apontou o executivo da multinacional brasileira que lidera a
produção de resinas termoplásticas do continente.
"Sem a necessidade de sermos sócios diretos,
podemos ter contratos e acordos de cooperação mútua que eu acho que são positivos",
disse.
A produção de polietilenos projetada pela Bolívia,
segundo Thiesen, terá no futuro um mercado no Brasil, onde atualmente a demanda
está equilibrada com a produção.
O Governo boliviano contratou a empresa Maire
Tecnimont, da Itália, para fazer os estudos de engenharia básica conceitual na
perspectiva de instalar uma usina petroquímica que deve estar funcionando em
2017 na região sulina de Tarija, fronteiriça com a Argentina.
Em Tarija também está sendo construída uma fábrica de
separação dos líquidos de gás, que fornecerá substâncias para uma instalação
petroquímica que produza etileno, polietileno, propileno e polipropileno.
Este é um projeto do Governo de Evo Morales para dar
um uso industrial à produção de gás natural de seu país.
Há vários anos, a Braskem estudou encarar um projeto
próprio para instalar um complexo petroquímico na cidade boliviano de Puerto
Suárez, fronteiriça com o Brasil, mas já não considera o assunto.
Thiesen falou do tema com a imprensa após participar
do III Congresso Internacional Gás e Petróleo organizado pela companhia
petrolífera estatal boliviana YPFB.
BNDES
anuncia 117 empresas habilitadas para disputar recursos do Inova Energia
Agência Brasil 24.05.2013 - Um total de 117 empresas
líderes está habilitado a concorrer aos recursos disponibilizados pelo Plano de
Apoio à Inovação Tecnológica no Setor Elétrico (Inova Energia), do governo
federal, lançado em abril deste ano. O programa é uma parceria do Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Agência Brasileira
da Inovação (Finep) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
O resultado preliminar foi anunciado hoje (24) pelo
BNDES e representa uma seleção sobre as 373 empresas que se inscreveram para
disputar os recursos do programa. O diretor de Inovação da Finep, João De
Negri, comemorou o fato de a demanda ter atingido cerca de R$ 12 bilhões,
superando o volume inicial de recursos disponibilizado para o programa, de R$ 3
bilhões. Esse modelo de apoio do governo é feito em diversos países, entre os
quais os Estados Unidos e na Europa, informou.
“O resultado foi extremamente exitoso e mostra que o
Brasil tem uma enorme demanda por projetos de inovação. Foram disponibilizados
para as empresas em torno de R$ 3 bilhões e nós recebemos uma demanda quatro
vezes superior aos recursos ofertados. Isso significa que há uma dinâmica de
longo prazo do processo inovador das empresas industriais brasileiras que estão
dispostas a tomar riscos e a apostar no futuro”, disse à Agência Brasil.
De Negri destacou que projetos de inovação costumam
amadurecer entre cinco e dez anos, o que reforça a percepção de que as empresas
estão pensando no longo prazo e que “as atividades de longo prazo da economia
brasileira estão aquecidas”.
Após a filtragem das propostas que não se enquadravam
às regras e objetivos do programa, a demanda das empresas habilitadas atingiu
R$ 7,8 bilhões. O diretor da Finep esclareceu, porém, que isso não significa
que não sejam bons projetos. “Esses projetos são bons, podem ser financiados
com critérios do governo federal, em nova linha de financiamento do Inova
Energia, em uma segunda fase”.
As empresas cujos projetos foram homologados na
primeira etapa apresentarão agora seus planos de negócios detalhados à equipe
formada por técnicos do BNDES, Finep e Aneel. As três instituições indicarão os
instrumentos financeiros de incentivo mais adequados a cada projeto, que
englobam crédito, apoio não reembolsável, subvenção e participação acionária.
O diretor estimou que, até novembro próximo, todos os
projetos habilitados deverão estar contratados. As linhas temáticas do Programa
Inova Energia são redes elétricas inteligentes (smart grids) e transmissão em
ultra-alta tensão (UAT); geração de energia por meio de fontes alternativas;
veículos híbridos; e eficiência energética veicular.
Brasil
ainda é oportunidade para alguns
Reuters 24.05.2013 - Quanta diferença três anos podem
fazer. Em 2010, o Brasil ainda era saudado como quase uma China, com uma
economia que oferecia sedutora taxa de crescimento ao estilo asiático, em torno
de 7 por cento, e geograficamente mais perto da casa de investidores
ocidentais.
Hoje, a maior parte da empolgação se foi. O
crescimento econômico caiu a menos de 1 por cento no ano passado e 2013 não
está se mostrando muito melhor.
No entanto, entrevistados durante o Reuters Latin
American Investment Summit nesta semana disseram que ainda veem muitas oportunidades
na maior economia da região.
Embora não seja como no passado recente, o dinheiro
ainda está disponível para setores específicos, tais como infraestrutura,
tecnologia e educação, alguns dos quais ainda estão se comportando como se os
anos de boom não tivessem terminado.
Para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a
situação agora não é tão ruim como alguns dizem, mas também nunca foi tão boa
como outros disseram.
"Houve uma espécie de confiança demasiada em que
o impulso que tinha sido dado pela estabilidade e pelo mundo (...) tinha sido
suficiente para assegurar o bem-estar 'ad aeternum'", disse Fernando
Henrique, agora da oposição e uma das vozes mais respeitadas do Brasil em
círculos de negócios.
Como necessidades urgentes do país, o ex-presidente
citou projetos rodoviários e ferroviários para atacar os gargalos de transporte
do país. Ele avalia que ainda há oportunidades de investimento em
infraestrutura diante dos preparativos para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de
2016.
Fernando Henrique e outros entrevistados expressaram
frustração de que o Brasil não está fazendo o melhor que poderia. O Produto
Interno Bruto (PIB) deverá crescer em torno de 3 por cento em 2013, enquanto a
inflação pode fechar o ano em 5,8 por cento, segundo a média das projeções de
economistas.
O mercado acionário local acumula queda de perto de 8
por cento no ano até aqui, com o Ibovespa --que reúne as principais ações
brasileiras-- um quinto abaixo de seu pico histórico de 2008, com parte dos
investidores se dando conta de que não haviam apostado em um tigre asiático.
Outros têm expressado descontentamento com a ativa presença do governo da
presidente Dilma Rousseff na economia.
Mas esses números fracos têm ficado em segundo plano
por outros que sugerem apostas contínuas em um futuro brilhante no longo prazo.
A taxa de desemprego subiu ligeiramente em abril, mas ainda ficou em 5,8 por
cento, o menor nível em pelo menos uma década, com empresas se posicionando
para uma recuperação moderada da atividade econômica.
O investimento estrangeiro direto foi, em média, de
cerca de 5 bilhões de dólares por mês neste ano, mais que o dobro dos níveis em
2010.
A Kroton Educacional, que está se unindo à Anhanguera
para formar a maior empresa de capital aberto do mundo de educação, avalia que
seu negócio depende "muito mais" dos níveis de desemprego do que do
crescimento do PIB, segundo seu presidente-executivo, Rodrigo Galindo.
No ano passado, a Kroton teve um crescimento orgânico
da receita líquida de cerca de 25 por cento, apesar da fraca expansão da
economia.
Oportunidade? Olhe os gargalos: De fato, as maiores
oportunidades parecem estar precisamente nas áreas em que o Brasil mais depende
para voltar aos trilhos.
Pegue a educação: muitos economistas culpam a queda da
produtividade pela recente desaceleração do crescimento no Brasil, e dizem que
melhores escolas são a única resposta viável no médio prazo.
Infraestrutura tem sido atraente, também, porque o
governo sabe que a economia não pode crescer muito mais rápido sem vultosos
investimentos da iniciativa privada em portos, aeroportos, rodovias e ferrovias
--que estão sobrecarregadas após a expansão econômica da última década.
O governo tem feito roadshows na Europa e nos Estados
Unidos para promover os planos de concessões de logística. Diplomatas
norte-americanos, em especial, reportam um fluxo constante de delegações
empresariais para o Brasil em busca de oportunidades.
"O mercado está animado desde o lançamento (dos
programas de concessões)", disse o presidente da estatal Empresa de
Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, durante o Reuters Summit.
Enquanto os gargalos não são resolvidos, Galindo, da
Kroton, acredita que previsões de 3 por cento de crescimento do PIB para este
ano são razoáveis, uma opinião que foi ecoada pela maioria dos entrevistados.
"Eu acho que é o máximo que podemos ter
agora", disse o gestor de fundos do grupo de private equity BlackRock na
América Latina, Will Landers, que administra 6 bilhões de dólares em ações na
região.
Para quem tem memória longa, esse nível de expansão é
realmente bastante normal no Brasil. O crescimento médio da economia de 2003 a
2012 foi de 3,6 por cento ao ano.
O fundamental, para a maioria dos entrevistados, é que
o PIB realmente chegue a esse nível de 3 por cento, diferentemente de 2011 e
2012, quanto analistas foram cortando sucessivamente suas projeções para a
economia durante o ano. Uma grande pista virá na próxima quarta-feira, quando
serão divulgados os dados de crescimento do primeiro trimestre.
O presidente-executivo da Embraer, Frederico Curado,
disse ter visto previsões tanto para 3 por cento como para 1,5 por cento de
crescimento do PIB para 2013. Para ele, o país está num "momento
delicado" na economia.
Uma questão fundamental é se investidores vão ficar
mais confortáveis com a presidente, que na ânsia por criar um ambiente melhor
para negócios acabou levantando críticas pela excessiva mão do Estado na
economia. Por exemplo, o plano de Dilma para reduzir a conta de luz forçou as
empresas elétricas a abrirem mão de bilhões de reais em receita, com tombo de
suas ações na bolsa.
Curado, como muitos executivos brasileiros,
delicadamente reconhece que há certa apreensão, mas disse que as políticas do
governo ainda podem dar frutos.
"Se eles fizeram o certo ou o caminho errado, eu
não tenho o conhecimento técnico para lhe dar uma opinião", disse Curado. "Mas
eles realmente estão tomando as iniciativas corretas. Na teoria, deveríamos
estar vendo a economia acelerar agora."
Leilão de telefonia divide
governo em duas faixas
O laboratório de decisões do Palácio do Planalto está diante de uma escolha de Sofia. O dilema diz respeito ao timing do leilão das licenças de telefonia na frequência de 700MHz, que promete uma das mais acirradas disputas do setor desde a privatização do Sistema Telebrás, em 1998. A questão é como harmonizar a licitação e o calendário eleitoral. No governo, há dois sistemas distintos de pesos e medidas para se aferir os possíveis ganhos e riscos inerentes à operação. Uma corrente defende a realização do leilão antes do pleito de outubro. A própria presidente Dilma Rousseff estaria inclinada a antecipar o leilão. Ressalte-se o "inclinada", até porque se ela já tivesse se decidido nem sequer haveria facção contrária. Dilma trabalharia com o raciocínio de que o leilão traz a reboque uma mais-valia econômica e política com impacto eleitoral positivo. Seguindo esta linha, o governo usaria e abusaria do direito de capitalizar os benefícios gerados pela licitação, alardeando o papel do Estado como indutor de pesados investimentos em infraestrutura e de um salto qualitativo nos serviços de telecomunicações. Por esta ótica, as cifras da operação também seriam um trunfo eleitoral. Às vésperas do pleito de outubro, a presidenta poderia propagandear a arrecadação de mais de US$ 22 bilhões para os cofres públicos. Este é o valor estimado pelo Ministério das Comunicações caso todas as licenças sejam arrematadas. A nova frequência é tratada no governo como uma espécie de "pré-sal das telecomunicações". A licitação é considerada a derradeira porta de entrada para importantes grupos internacionais sem presença no Brasil, caso, por exemplo, de Vodafone, Verizon e Sprint. As grandes operadoras de telefonia móvel do país - Vivo, Claro, Oi e TIM - também deverão desembarcar com tudo na disputa. A faixa de 700MHz é fundamental para a expansão do 4G. No entanto, alguns dos assessores mais próximos de Dilma Rousseff tentam demovê- la dessa ainda tênue preferência pelo leilão da faixa de 700MHz antes das eleições. Para a turma do "não mexe nisso agora", os possíveis ganhos com esta decisão seriam residuais se comparados à taxa de risco político embutida na licitação. A concessão das novas licenças pressupõe que o governo dê ordem de despejo aos canais de TV aberta e UHF que hoje operam na faixa de 700MHz. Ou seja: as principais emissoras do país, notadamente Globo, Record, Band e SBT, teriam de acelerar a migração para um novo espectro. Isso, ressalte-se, justamente no momento em que elas pressionam o governo a adiar de 2016 para 2020 o prazo final para a transferência da TV analógica para a TV digital. Por que Dilma Rousseff, que já não conta com a simpatia da grande mídia, compraria o risco de cutucar os mais poderosos grupos de comunicação do país apenas para antecipar o leilão em alguns metros? Realmente, por quê?
O laboratório de decisões do Palácio do Planalto está diante de uma escolha de Sofia. O dilema diz respeito ao timing do leilão das licenças de telefonia na frequência de 700MHz, que promete uma das mais acirradas disputas do setor desde a privatização do Sistema Telebrás, em 1998. A questão é como harmonizar a licitação e o calendário eleitoral. No governo, há dois sistemas distintos de pesos e medidas para se aferir os possíveis ganhos e riscos inerentes à operação. Uma corrente defende a realização do leilão antes do pleito de outubro. A própria presidente Dilma Rousseff estaria inclinada a antecipar o leilão. Ressalte-se o "inclinada", até porque se ela já tivesse se decidido nem sequer haveria facção contrária. Dilma trabalharia com o raciocínio de que o leilão traz a reboque uma mais-valia econômica e política com impacto eleitoral positivo. Seguindo esta linha, o governo usaria e abusaria do direito de capitalizar os benefícios gerados pela licitação, alardeando o papel do Estado como indutor de pesados investimentos em infraestrutura e de um salto qualitativo nos serviços de telecomunicações. Por esta ótica, as cifras da operação também seriam um trunfo eleitoral. Às vésperas do pleito de outubro, a presidenta poderia propagandear a arrecadação de mais de US$ 22 bilhões para os cofres públicos. Este é o valor estimado pelo Ministério das Comunicações caso todas as licenças sejam arrematadas. A nova frequência é tratada no governo como uma espécie de "pré-sal das telecomunicações". A licitação é considerada a derradeira porta de entrada para importantes grupos internacionais sem presença no Brasil, caso, por exemplo, de Vodafone, Verizon e Sprint. As grandes operadoras de telefonia móvel do país - Vivo, Claro, Oi e TIM - também deverão desembarcar com tudo na disputa. A faixa de 700MHz é fundamental para a expansão do 4G. No entanto, alguns dos assessores mais próximos de Dilma Rousseff tentam demovê- la dessa ainda tênue preferência pelo leilão da faixa de 700MHz antes das eleições. Para a turma do "não mexe nisso agora", os possíveis ganhos com esta decisão seriam residuais se comparados à taxa de risco político embutida na licitação. A concessão das novas licenças pressupõe que o governo dê ordem de despejo aos canais de TV aberta e UHF que hoje operam na faixa de 700MHz. Ou seja: as principais emissoras do país, notadamente Globo, Record, Band e SBT, teriam de acelerar a migração para um novo espectro. Isso, ressalte-se, justamente no momento em que elas pressionam o governo a adiar de 2016 para 2020 o prazo final para a transferência da TV analógica para a TV digital. Por que Dilma Rousseff, que já não conta com a simpatia da grande mídia, compraria o risco de cutucar os mais poderosos grupos de comunicação do país apenas para antecipar o leilão em alguns metros? Realmente, por quê?
Agrenco
A Agrenco parece ter sido contaminada pela "Síndrome de Manguinhos". O principal sintoma é o mesmo que, por longo tempo, acometeu a refinaria de Ricardo Andrade Magro: a cada lua cheia, uma nova "informação" de parceria capaz de salvar o negócio. No caso da Agrenco, a bola da vez que quica no mercado é a de uma possível associação com a Amaggi, de Blairo Maggi. Tá bom...
A Agrenco parece ter sido contaminada pela "Síndrome de Manguinhos". O principal sintoma é o mesmo que, por longo tempo, acometeu a refinaria de Ricardo Andrade Magro: a cada lua cheia, uma nova "informação" de parceria capaz de salvar o negócio. No caso da Agrenco, a bola da vez que quica no mercado é a de uma possível associação com a Amaggi, de Blairo Maggi. Tá bom...
Tivit
A Tivit está disposta a fazer o download do controle da BRQ, uma das maiores empresas nacionais de TI, com
faturamento anual na casa dos R$ 500 milhões. Recentemente, a companhia anunciou a disposição de fazer seu IPO ainda neste ano, o que, aliás, teria levado a Tivit a precipitar os fatos. Consultada, a BRQ negou a venda do controle. A Tivit, por sua vez, não se pronunciou.
A Tivit está disposta a fazer o download do controle da BRQ, uma das maiores empresas nacionais de TI, com
faturamento anual na casa dos R$ 500 milhões. Recentemente, a companhia anunciou a disposição de fazer seu IPO ainda neste ano, o que, aliás, teria levado a Tivit a precipitar os fatos. Consultada, a BRQ negou a venda do controle. A Tivit, por sua vez, não se pronunciou.
Despejo
O falecimento de Dona Dirce Camargo pode ter selado o destino da Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI). Os genros da saudosa matriarca não morrem de amores pelo negócio. Nem mesmo a cirurgia plástica feita no ano passado, que interrompeu uma sequência de pesados prejuízos, reduziu a antipatia.
O falecimento de Dona Dirce Camargo pode ter selado o destino da Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI). Os genros da saudosa matriarca não morrem de amores pelo negócio. Nem mesmo a cirurgia plástica feita no ano passado, que interrompeu uma sequência de pesados prejuízos, reduziu a antipatia.
The Sun of Pará
O empresário paraense Rômulo Maiorana Jr. quer ser uma espécie de "Murdoch no Tucupi". Dono do Grupo ORM, entre outros negócios repetidor da Rede Globo no Pará, Maiorana tem se movimentado para comprar emissoras de rádio e TV no Amazonas e no Tocantins.
O empresário paraense Rômulo Maiorana Jr. quer ser uma espécie de "Murdoch no Tucupi". Dono do Grupo ORM, entre outros negócios repetidor da Rede Globo no Pará, Maiorana tem se movimentado para comprar emissoras de rádio e TV no Amazonas e no Tocantins.
Pelo avesso
A CVM, que já negou o pedido de registro de companhia aberta da ECTX, holding que está sendo criada pelos Maluf, acompanha com lupa, microscópio e olho mágico o processo de reestruturação societária da Eucatex. Todo o patrimônio da Eucatex já foi transferido para ECTX, numa operação repleta de pequeníssimos detalhes que, como se sabe, é onde mora o diabo.
A CVM, que já negou o pedido de registro de companhia aberta da ECTX, holding que está sendo criada pelos Maluf, acompanha com lupa, microscópio e olho mágico o processo de reestruturação societária da Eucatex. Todo o patrimônio da Eucatex já foi transferido para ECTX, numa operação repleta de pequeníssimos detalhes que, como se sabe, é onde mora o diabo.
Aço derretido
O investidor Lírio Parisotto, considerado por muitos o minoritário mais cricri do Brasil, estaria comprando gradativamente novos lotes de ações da Usiminas. Promessa de dias ainda mais difíceis para a Techint, controladora da siderúrgica, com quem Parisotto vive às turras.
O investidor Lírio Parisotto, considerado por muitos o minoritário mais cricri do Brasil, estaria comprando gradativamente novos lotes de ações da Usiminas. Promessa de dias ainda mais difíceis para a Techint, controladora da siderúrgica, com quem Parisotto vive às turras.
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