sábado, 25 de maio de 2013

Azul.CA 24.05

Daily News



Usinas do Centro-Sul têm dívidas de R$ 56 bi        

As usinas de açúcar e etanol do Centro-Sul do Brasil elevaram seu endividamento total em pelo menos 7,7% no ciclo 2012/13, encerrado em março. Segundo cálculos do Itaú BBA, a dívida líquida do segmento.
sucroalcooleiro alcançou R$ 56 bilhões na última safra, ante R$ 52 bilhões na temporada anterior.
O aumento do endividamento se deu, em boa medida, por uma geração de caixa insuficiente para pagar juros e investimentos de manutenção da operação (Capex), conforme explica o diretor comercial do banco de
investimento, Alexandre Figliolino.
Considerando uma amostra de 68 grupos com moagem total de 390 milhões de toneladas, o Itaú BBA estimou para o segmento um lucro operacional (Ebitda) de R$ 14,4 bilhões, despesas financeiras de R$ 5,5 bilhões e investimentos (Capex) de R$ 13,4 bilhões, o que gerou um potencial de aumento do endividamento de R$ 4,5 bilhões.
Assim, a dívida líquida de R$ 56 bilhões alcançada ao fim do ciclo 2012/13 já equivale ao faturamento bruto do segmento, estimado também em R$ 56 bilhões pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). No
mercado, estima-se que entre 18% e 25% da dívida total do segmento seja com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES ), somente nas operações diretas de crédito. Nas operações indiretas, o risco é transferido a instituições financeiras parceiras.
A maior parte do endividamento é reflexo dos numerosos investimentos feitos durante o "boom" do etanol, iniciado em 2006, e que teve seu ápice dois anos depois, quando em um único ano (2008) foram inauguradas 30 novas usinas processadoras de cana-de-açúcar.
Grande parte desse movimento teve o suporte do BNDES que, entre 2008 e 2012, desembolsou R$ 30,5 bilhões para projetos de construção de novas usinas, cogeração de energia a partir do bagaço de cana-de-açúcar e outros investimentos.
Contudo, desde o estouro da crise, em 2008, o setor sucroalcooleiro do Centro-Sul perdeu capacidade de moagem de 48 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, resultado do fechamento de cerca de 50 usinas. Em torno de 38 usinas entraram em recuperação judicial nesse período. Algumas delas entram nas estatísticas das que pararam de operar, enquanto outras continuam moendo cana.
Diferentemente das muitas usinas que já carregavam problemas anteriores à crise de 2008, a Usina São Fernando, localizada em Mato Grosso do Sul e pertencente ao empresário José Carlos Bumlai, foi a primeira unidade industrial construída pós-2008 a entrar em dificuldades financeiras. A usina, que tem uma capacidade de moagem de 4,5 milhões de toneladas, tem dívidas estimadas em R$ 1,2 bilhão.
"O que acontece é que os preços recebidos por essa indústria estão muito próximos dos custos. Pesa muito o fato de que, além de plantio de cana, as usinas precisam investir em maquinário e infraestrutura para se adaptar às novas exigências das legislações trabalhistas, ambiental, etc. Ou investe ou morre. Por isso, a geração de caixa livre é muito pobre", diz Figliolino.
De forma geral, dizem gestores de bancos, a taxa de inadimplência do setor sucroalcooleiro é baixa, pois inserir esse devedor na estatística de crédito não recebido é o último recurso do banco.
Mas, de fato, essa indústria está com grandes dificuldades de pagar suas dívidas, e grande parte opta por rolar vencimentos. "Além de postergar pagamentos, muitas vezes emprestamos mais capital de giro para as empresas conseguirem atravessar a entressafra. Depende de cada caso", diz o gestor de uma instituição financeira.
Figliolino destaca que a relação entre o endividamento e os indicadores operacionais do setor também aumentou. Segundo o Itaú BBA, por tonelada de capacidade de moagem instalada, a dívida líquida subiu em 2012/13 para R$ 87, ante os R$ 81 da safra 2011/12. Considerando o endividamento líquido por moagem realizada no ciclo passado, esse valor sobe para R$ 107 por tonelada, ante R$ 105,5 da temporada anterior, segundo o banco de investimento.
A projeção da instituição é de que grupos que representam 10,5% do setor estejam sem condições de gerar caixa para se manter na atividade. Por isso, precisam passar por fusão ou aquisição para conseguirem sobreviver. Uma outra parcela do setor, equivalente a cerca de 18% da moagem do Centro-Sul, está em melhor condição, no entanto, ainda tem alavancagem elevada.
"Mantidas as condições atuais, extremamente severas, em que os custos são muito próximos dos preços de venda, a tendência é que uma parte não desprezível do setor pare de operar", acredita Figliolino.

Santa Catarina recebe habilitação para exportar carne suína in natura ao Japão

Agência Brasil 24.05.2013 - Autoridades japonesas informaram ao governo brasileiro a decisão de habilitar o estado de Santa Catarina para exportar carne suína in natura ao Japão. O processo de abertura do mercado do país asiático durou alguns anos e, segundo o Ministério de Relações Exteriores, o fato “reitera a conhecida qualidade e sanidade do produto brasileiro”, além de ser um passo importante na ampliação e diversificação de destinos dos produtos do agronegócio nacional.
Atualmente, os exportadores brasileiros exportam para o Japão apenas derivados de carne suína processados. O governo acredita que a abertura do mercado para Santa Catarina vai fortalecer a cadeia produtiva do setor no estado, gerando emprego e renda, principalmente para os pequenos produtores. De acordo com o governador Raimundo Colombo, cerca de 50 mil famílias catarinenses criam suínos.
O mercado japonês de carne suína é estimado em 1,8 milhão de toneladas, sendo quase metade abastecido por produtos importados. Em 2012, o japão importou o equivalente a R$ 5,2 bilhões em carne suína.
Em 2013, os Estados Unidos também autorizaram a habilitação de frigoríficos de Santa Catarina para exportação de carne suína. O estado é, atualmente, o único no Brasil com status reconhecido pela Organização Internacional de Saúde Animal (OIE) como livre de febre aftosa sem vacinação.

CPFL Renováveis terá garantia em oferta de ações       

Valor 24.05.2013 - A CPFL Energias Renováveis retomou os planos para sua oferta pública inicial de ações. A operação deverá movimentar entre R$ 500 milhões e R$ 800 milhões. O Valor apurou que o BTG Pactual, um dos coordenadores da oferta, dará garantia firme de colocação. Essa garantia é necessária porque sócios da Ersa, uma das criadoras da CPFL Renováveis, têm um preço mínimo para a concretização da operação, abaixo do qual poderiam vetar a concretização da distribuição, conforme antecipou ontem o Valor PRO.
Procurado, o BTG não deu entrevista. A minuta do prospecto da oferta informa que a garantia firme ocorrerá se não houver demanda do mercado pela totalidade dos papéis. Se for exercida, o preço das ações na oferta será no mínimo da faixa sugerida. O prospecto esclarece ainda que o prestador de garantia poderá revender as ações até a data do encerramento da oferta por preço não superior ao definido na operação. Após o encerramento, as vendas poderão ser a preço de mercado.
A CPFL Renováveis chegou a dar início aos procedimentos para o IPO ano passado, mas interrompeu o processo em outubro por conta das condições de mercado. Naquele momento, o setor elétrico também vivia incertezas sobre a renovação das concessões no Brasil. A operação repete algumas características de ofertas que os bancos têm levado a mercado neste ano. A empresa é um dos negócios de uma outra companhia já listada, a CPFL Energia, assim como ocorreu com Smiles, controlada pela Gol; e BB Seguridade, do Banco do Brasil. Além disso, a garantia de colocação já ocorreu em Biosev e também será dada, pelo BTG, em oferta programada pela MPX.
A CPFL Renováveis surgiu em agosto de 2011, quando a CPFL Energia e a Ersa uniram suas operações de energia alternativa. Uma oferta era esperada, uma vez que o bloco acionário da empresa abriga investidores  financeiros. A CPFL tem 63% da empresa e o restante do capital está distribuído entre antigos sócios da Ersa: Pátria (9,4%), FIP Brasil Energia, gerido pelo BTG Pactual (7,63%), Bradesco BBI FIP Multisetorial Plus (4,99%); DEG, banco de desenvolvimento do grupo financeiro alemão KfW, (2,48%) e GMR Empreendimentos Energéticos (2,23%), além de três integrantes da família Sahade, cada um com 0,33%.

Latrocínios crescem 55% na cidade de SP em abril

Estadão 24.05.2013 - Foram 14 casos, ante 9 no mesmo mês do ano passado; em todo o Estado, crescimento foi de 9%.
Os casos de latrocínio (roubo seguido de morte) cresceram 55% em abril deste ano na capital paulista, em relação ao mesmo mês do ano passado – foram 14 registros, ante 9. No Estado, o total em abril foi de 36 latrocínios, ante 33 no mesmo período de 2012, um aumento de 9%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 24, pela Secretaria de Estado da Segurança Pública.
Já os casos de homicídios dolosos registraram queda de 7,7% na cidade de São Paulo: foram 103 em abril de 2012 e 95 no mês passado. No Estado, a queda foi de 4,2%  – de 379 para 363 ocorrências.
Os roubos registraram aumento no mês passado, segundo balanço do governo do Estado. Na capital paulista, a alta foi de 8,2%, com mais de 10,3 mil registros. Em abril de 2012, foram 9.600 casos. Em todo o Estado, os casos de roubo cresceram 4,6% – saltaram de 20,4 mil casos em abril de 2012 para 21,3 mil registros no último mês.

Líder em importação de suínos, Japão abre mercado para carne do Brasil com SC

Folha 24.05.2013 - Após anos de negociação, o governo do Japão reconheceu Santa Catarina como Estado livre de febre aftosa sem vacinação, o que torna a região habilitada a exportar carne suína para aquele país --o principal mercado do mundo para o setor.
É a primeira autorização de compra dada pelo governo japonês à carne suína "in natura" produzida no Brasil.
No ano passado, o Japão importou cerca de US$ 5,2 bilhões em carne suína. Quase metade do consumo japonês, estimado em cerca de 1,8 milhão de toneladas, é atendido por produtos de fora. Os maiores fornecedores são os Estados Unidos, responsáveis por 40% das importações, Canadá (22%), Dinamarca (15%) e México (5,7%).
O Brasil, agora, passa a disputar esse cobiçado mercado.
"É o primeiro reconhecimento econômico do status livre de aftosa sem vacinação. Serve de estímulo para outros Estados trilharem o mesmo caminho", diz Pedro de Camargo Neto, ex-presidente da Abipecs (Associação Brasileira dos Exportadores de Suínos) que comandou as negociações com o Japão.
"Essa decisão conclui um ciclo de muito trabalho."
Santa Catarina é o maior produtor de carne suína do país, responsável por uma fatia entre 20% e 30% das exportações brasileiras, que somam aproximadamente 600 mil toneladas anualmente.
A tendência é que o volume vendido pelos catarinenses ao exterior agora seja integralmente voltado ao Japão.
"Se os embarques ao Japão atingirem 100 mil toneladas em 2014 já será um sucesso", diz Camargo Neto, que prevê uma expansão gradual para os embarques àquele mercado.

Banco do Chile compra unidade do Bankia nos EUA

Exame 24.05.2013 - De acordo com fontes, o Banco do Brasil (BB) também estava na disputa pela unidade.
Bankia: a compra, que deve ser concluída no primeiro trimestre de 2014, será financiada por meio da emissão de novos bônus ou ações do BCI.
O chileno Banco de Crédito e Inversiones (BCI) anunciou nesta sexta-feira em um relatório enviado para a autoridade reguladora do mercado de ações local que chegou a um acordo com o espanhol Bankia para comprar a unidade do grupo nos Estados Unidos, o City National Bank of Florida, por US$ 882,8 milhões. De acordo com fontes, o Banco do Brasil (BB) também estava na disputa pela unidade.
A compra, que deve ser concluída no primeiro trimestre de 2014, será financiada por meio da emissão de novos bônus ou ações do BCI. O City National Bank tem mais de 20 agências, enquanto o BCI tem um escritório em Miami que gerencia um total de US$ 3 bilhões em ativos. As ações do banco chileno caíram 2,9% após o anúncio do acordo.

Braskem pode cooperar em indústria petroquímica da Bolívia

Exame 24.05.2013 - Não haverá uma sociedade porque é o projeto estará sob o controle do Estado boliviano.
Fábrica da Braskem: há vários anos, a Braskem estudou encarar um projeto próprio para instalar um complexo petroquímico na cidade boliviano de Puerto Suárez.
A Braskem pode ajudar a Bolívia a desenvolver sua indústria petroquímica, mas não fará uma sociedade porque é o projeto estará sob o controle do Estado boliviano, afirmou nesta sexta-feira à imprensa um executivo da firma.
O diretor superintendente da América do Sul da Braskem, Sergio Thiesen, explicou aos meios de comunicação que está sendo analisada com a companhia petrolífera estatal boliviana YPFB a melhor forma de ajudar na área de comercialização, na construção de uma usina petroquímica e no treinamento dos funcionários.
"Agora estamos discutindo com a YPFB como trabalhar juntos. Não é factível que a Braskem seja sócia de um projeto do Estado", apontou o executivo da multinacional brasileira que lidera a produção de resinas termoplásticas do continente.
"Sem a necessidade de sermos sócios diretos, podemos ter contratos e acordos de cooperação mútua que eu acho que são positivos", disse.
A produção de polietilenos projetada pela Bolívia, segundo Thiesen, terá no futuro um mercado no Brasil, onde atualmente a demanda está equilibrada com a produção.
O Governo boliviano contratou a empresa Maire Tecnimont, da Itália, para fazer os estudos de engenharia básica conceitual na perspectiva de instalar uma usina petroquímica que deve estar funcionando em 2017 na região sulina de Tarija, fronteiriça com a Argentina.
Em Tarija também está sendo construída uma fábrica de separação dos líquidos de gás, que fornecerá substâncias para uma instalação petroquímica que produza etileno, polietileno, propileno e polipropileno.
Este é um projeto do Governo de Evo Morales para dar um uso industrial à produção de gás natural de seu país.
Há vários anos, a Braskem estudou encarar um projeto próprio para instalar um complexo petroquímico na cidade boliviano de Puerto Suárez, fronteiriça com o Brasil, mas já não considera o assunto.
Thiesen falou do tema com a imprensa após participar do III Congresso Internacional Gás e Petróleo organizado pela companhia petrolífera estatal boliviana YPFB.

BNDES anuncia 117 empresas habilitadas para disputar recursos do Inova Energia

Agência Brasil 24.05.2013 - Um total de 117 empresas líderes está habilitado a concorrer aos recursos disponibilizados pelo Plano de Apoio à Inovação Tecnológica no Setor Elétrico (Inova Energia), do governo federal, lançado em abril deste ano. O programa é uma parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Agência Brasileira da Inovação (Finep) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
O resultado preliminar foi anunciado hoje (24) pelo BNDES e representa uma seleção sobre as 373 empresas que se inscreveram para disputar os recursos do programa. O diretor de Inovação da Finep, João De Negri,  comemorou o fato de a demanda ter atingido cerca de R$ 12 bilhões, superando o volume inicial de recursos disponibilizado para o programa, de R$ 3 bilhões. Esse modelo de apoio do governo é feito em diversos países, entre os quais os Estados Unidos e na Europa, informou.
“O resultado foi extremamente exitoso e mostra que o Brasil tem uma enorme demanda por projetos de inovação. Foram disponibilizados para as empresas em torno de R$ 3 bilhões e nós recebemos uma demanda quatro vezes superior aos recursos ofertados. Isso significa que há uma dinâmica de longo prazo do processo inovador das empresas industriais brasileiras que estão dispostas a tomar riscos e a apostar no futuro”, disse à Agência Brasil.
De Negri destacou que projetos de inovação costumam amadurecer entre cinco e dez anos, o que reforça a percepção de que as empresas estão pensando no longo prazo e que “as atividades de longo prazo da economia brasileira estão aquecidas”.
Após a filtragem das propostas que não se enquadravam às regras e objetivos do programa, a demanda das empresas habilitadas atingiu R$ 7,8 bilhões. O diretor da Finep esclareceu, porém, que isso não significa que não sejam bons projetos. “Esses projetos são bons, podem ser financiados com critérios do governo federal, em nova linha de financiamento do Inova Energia, em uma segunda fase”.
As empresas cujos projetos foram homologados na primeira etapa apresentarão agora seus planos de negócios detalhados à equipe formada por técnicos do BNDES, Finep e Aneel. As três instituições indicarão os instrumentos financeiros de incentivo mais adequados a cada projeto, que englobam crédito, apoio não reembolsável, subvenção e participação acionária.
O diretor estimou que, até novembro próximo, todos os projetos habilitados deverão estar contratados. As linhas temáticas do Programa Inova Energia são redes elétricas inteligentes (smart grids) e transmissão em ultra-alta tensão (UAT); geração de energia por meio de fontes alternativas; veículos híbridos; e eficiência energética veicular.       

Brasil ainda é oportunidade para alguns

Reuters 24.05.2013 - Quanta diferença três anos podem fazer. Em 2010, o Brasil ainda era saudado como quase uma China, com uma economia que oferecia sedutora taxa de crescimento ao estilo asiático, em torno de 7 por cento, e geograficamente mais perto da casa de investidores ocidentais.
Hoje, a maior parte da empolgação se foi. O crescimento econômico caiu a menos de 1 por cento no ano passado e 2013 não está se mostrando muito melhor.
No entanto, entrevistados durante o Reuters Latin American Investment Summit nesta semana disseram que ainda veem muitas oportunidades na maior economia da região.
Embora não seja como no passado recente, o dinheiro ainda está disponível para setores específicos, tais como infraestrutura, tecnologia e educação, alguns dos quais ainda estão se comportando como se os anos de boom não tivessem terminado.
Para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a situação agora não é tão ruim como alguns dizem, mas também nunca foi tão boa como outros disseram.
"Houve uma espécie de confiança demasiada em que o impulso que tinha sido dado pela estabilidade e pelo mundo (...) tinha sido suficiente para assegurar o bem-estar 'ad aeternum'", disse Fernando Henrique, agora da oposição e uma das vozes mais respeitadas do Brasil em círculos de negócios.
Como necessidades urgentes do país, o ex-presidente citou projetos rodoviários e ferroviários para atacar os gargalos de transporte do país. Ele avalia que ainda há oportunidades de investimento em infraestrutura diante dos preparativos para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
Fernando Henrique e outros entrevistados expressaram frustração de que o Brasil não está fazendo o melhor que poderia. O Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer em torno de 3 por cento em 2013, enquanto a inflação pode fechar o ano em 5,8 por cento, segundo a média das projeções de economistas.
O mercado acionário local acumula queda de perto de 8 por cento no ano até aqui, com o Ibovespa --que reúne as principais ações brasileiras-- um quinto abaixo de seu pico histórico de 2008, com parte dos investidores se dando conta de que não haviam apostado em um tigre asiático. Outros têm expressado descontentamento com a ativa presença do governo da presidente Dilma Rousseff na economia.
Mas esses números fracos têm ficado em segundo plano por outros que sugerem apostas contínuas em um futuro brilhante no longo prazo. A taxa de desemprego subiu ligeiramente em abril, mas ainda ficou em 5,8 por cento, o menor nível em pelo menos uma década, com empresas se posicionando para uma recuperação moderada da atividade econômica.
O investimento estrangeiro direto foi, em média, de cerca de 5 bilhões de dólares por mês neste ano, mais que o dobro dos níveis em 2010.
A Kroton Educacional, que está se unindo à Anhanguera para formar a maior empresa de capital aberto do mundo de educação, avalia que seu negócio depende "muito mais" dos níveis de desemprego do que do crescimento do PIB, segundo seu presidente-executivo, Rodrigo Galindo.
No ano passado, a Kroton teve um crescimento orgânico da receita líquida de cerca de 25 por cento, apesar da fraca expansão da economia.
Oportunidade? Olhe os gargalos: De fato, as maiores oportunidades parecem estar precisamente nas áreas em que o Brasil mais depende para voltar aos trilhos.
Pegue a educação: muitos economistas culpam a queda da produtividade pela recente desaceleração do crescimento no Brasil, e dizem que melhores escolas são a única resposta viável no médio prazo.
Infraestrutura tem sido atraente, também, porque o governo sabe que a economia não pode crescer muito mais rápido sem vultosos investimentos da iniciativa privada em portos, aeroportos, rodovias e ferrovias --que estão sobrecarregadas após a expansão econômica da última década.
O governo tem feito roadshows na Europa e nos Estados Unidos para promover os planos de concessões de logística. Diplomatas norte-americanos, em especial, reportam um fluxo constante de delegações empresariais para o Brasil em busca de oportunidades.
"O mercado está animado desde o lançamento (dos programas de concessões)", disse o presidente da estatal Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, durante o Reuters Summit.
Enquanto os gargalos não são resolvidos, Galindo, da Kroton, acredita que previsões de 3 por cento de crescimento do PIB para este ano são razoáveis, uma opinião que foi ecoada pela maioria dos entrevistados.
"Eu acho que é o máximo que podemos ter agora", disse o gestor de fundos do grupo de private equity BlackRock na América Latina, Will Landers, que administra 6 bilhões de dólares em ações na região.
Para quem tem memória longa, esse nível de expansão é realmente bastante normal no Brasil. O crescimento médio da economia de 2003 a 2012 foi de 3,6 por cento ao ano.
O fundamental, para a maioria dos entrevistados, é que o PIB realmente chegue a esse nível de 3 por cento, diferentemente de 2011 e 2012, quanto analistas foram cortando sucessivamente suas projeções para a economia durante o ano. Uma grande pista virá na próxima quarta-feira, quando serão divulgados os dados de crescimento do primeiro trimestre.
O presidente-executivo da Embraer, Frederico Curado, disse ter visto previsões tanto para 3 por cento como para 1,5 por cento de crescimento do PIB para 2013. Para ele, o país está num "momento delicado" na economia.
Uma questão fundamental é se investidores vão ficar mais confortáveis com a presidente, que na ânsia por criar um ambiente melhor para negócios acabou levantando críticas pela excessiva mão do Estado na economia. Por exemplo, o plano de Dilma para reduzir a conta de luz forçou as empresas elétricas a abrirem mão de bilhões de reais em receita, com tombo de suas ações na bolsa.
Curado, como muitos executivos brasileiros, delicadamente reconhece que há certa apreensão, mas disse que as políticas do governo ainda podem dar frutos.
"Se eles fizeram o certo ou o caminho errado, eu não tenho o conhecimento técnico para lhe dar uma opinião", disse Curado. "Mas eles realmente estão tomando as iniciativas corretas. Na teoria, deveríamos estar vendo a economia acelerar agora."

Leilão de telefonia divide  governo em duas faixas
O laboratório de decisões  do Palácio do Planalto está  diante de uma escolha de Sofia.  O dilema diz respeito ao  timing  do leilão das licenças  de telefonia na frequência de  700MHz, que promete uma  das mais acirradas disputas  do setor  desde a privatização  do Sistema Telebrás, em 1998.  A questão é como harmonizar  a licitação e o calendário eleitoral. No governo, há dois sistemas  distintos de pesos e  medidas para se aferir os possíveis  ganhos e riscos inerentes  à   operação. Uma corrente  defende a realização do leilão  antes do pleito de outubro. A  própria presidente Dilma Rousseff    estaria inclinada a antecipar  o leilão. Ressalte-se o "inclinada",  até porque se ela já  tivesse se decidido nem sequer    haveria facção contrária.  Dilma trabalharia com o raciocínio  de que o leilão traz a  reboque uma mais-valia econômica  e política com impacto  eleitoral positivo. Seguindo  esta linha, o governo usaria e  abusaria do direito de capitalizar  os   benefícios gerados  pela licitação, alardeando o  papel do Estado como indutor  de pesados investimentos  em   infraestrutura e de um  salto qualitativo nos serviços  de telecomunicações.     Por esta ótica, as cifras da  operação também seriam um  trunfo eleitoral. Às vésperas  do pleito de outubro, a presidenta    poderia propagandear a  arrecadação de mais de US$  22 bilhões para os cofres públicos.  Este é o valor estimado  pelo   Ministério das Comunicações  caso todas as licenças  sejam arrematadas. A  nova frequência é tratada no  governo como   uma espécie de  "pré-sal das telecomunicações".  A licitação é considerada  a derradeira porta de entrada  para   importantes grupos  internacionais sem presença  no Brasil, caso, por exemplo,  de Vodafone, Verizon e  Sprint. As   grandes operadoras  de telefonia móvel do país  - Vivo, Claro, Oi e TIM -  também deverão desembarcar  com tudo na   disputa. A faixa  de 700MHz é fundamental para  a expansão do 4G.     No entanto, alguns dos  assessores mais próximos de  Dilma Rousseff tentam demovê-  la dessa ainda tênue preferência    pelo leilão da faixa de  700MHz antes das eleições.  Para a turma do "não mexe  nisso agora", os possíveis ganhos  com   esta decisão seriam  residuais se comparados  à taxa de risco político embutida  na licitação. A concessão  das   novas   licenças pressupõe  que o governo dê ordem  de despejo aos canais  de TV aberta e UHF que hoje  operam na faixa de   700MHz.  Ou seja: as principais emissoras  do país, notadamente  Globo, Record, Band e SBT,  teriam de acelerar a   migração  para um novo espectro. Isso,  ressalte-se, justamente no  momento em que elas pressionam  o governo a adiar   de  2016 para 2020 o prazo final  para a transferência da TV  analógica para a TV digital.  Por que Dilma Rousseff, que    já não conta com a simpatia  da grande mídia, compraria o  risco de cutucar os mais poderosos  grupos de comunicação    do país apenas para antecipar  o leilão em alguns  metros? Realmente, por quê?
 
 Agrenco
A Agrenco parece ter sido contaminada pela "Síndrome de  Manguinhos". O principal sintoma é o mesmo que, por longo  tempo,  acometeu a refinaria de Ricardo Andrade Magro: a cada lua cheia,  uma nova "informação" de parceria capaz de   salvar o negócio. No  caso da Agrenco, a bola da vez que quica no mercado é a de uma  possível associação com a   Amaggi, de Blairo Maggi. Tá bom...
 
Tivit
A Tivit está disposta  a fazer o download do controle  da BRQ, uma das  maiores empresas nacionais  de TI, com
faturamento  anual na casa dos  R$ 500 milhões. Recentemente,  a companhia  anunciou a disposição de  fazer seu IPO   ainda neste  ano, o que, aliás, teria  levado a Tivit a precipitar  os fatos. Consultada, a  BRQ negou a venda do  controle.   A Tivit, por sua  vez, não se pronunciou.
 
 Despejo
O falecimento de Dona Dirce Camargo pode ter selado o destino da Camargo  Corrêa Desenvolvimento  Imobiliário   (CCDI).  Os genros da saudosa  matriarca não morrem de amores pelo negócio. Nem  mesmo a cirurgia plástica  feita no   ano passado, que  interrompeu uma sequência  de pesados prejuízos,  reduziu a antipatia.
 
The Sun of Pará
O empresário paraense  Rômulo Maiorana Jr.  quer ser uma espécie de  "Murdoch no Tucupi". Dono  do Grupo ORM,   entre outros  negócios repetidor da  Rede Globo no Pará, Maiorana  tem se movimentado  para comprar emissoras  de   rádio e TV no Amazonas  e no Tocantins. 

Pelo avesso
A CVM, que já negou o  pedido de registro de companhia  aberta da ECTX,  holding que está sendo  criada pelos Maluf, acompanha  com lupa, microscópio  e olho mágico o processo  de reestruturação  societária da Eucatex.  Todo o patrimônio da Eucatex  já foi transferido para  ECTX, numa operação repleta  de pequeníssimos  detalhes que, como se  sabe, é onde mora o diabo.
Aço derretido
O investidor Lírio Parisotto,  considerado por  muitos o minoritário  mais cricri do Brasil,  estaria comprando gradativamente  novos lotes  de ações da Usiminas.  Promessa de dias ainda  mais difíceis para a Techint,  controladora da  siderúrgica, com quem  Parisotto vive às turras.

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