Daily News
Biosev fecha
empréstimo de US$210 mi
Reuters
24.07.2012 - A Biosev, empresa do setor de açúcar e etanol no Brasil
subsidiária da Louis Dreyfus Commodities Bioenergia International, firmou um
contrato de empréstimo de 210 milhões de dólares com um sindicato de bancos.
O
contrato foi fechado em 13 de julho, antes de a Biosev suspender na semana
passada por tempo indeterminado sua oferta pública inicial de ações no país,
com a qual poderia levantar até mais de 1 bilhão de reais.
A
segunda maior processadora de cana-de-açúcar do Brasil contratou empréstimo em
duas etapas. Uma delas de 126 milhões de dólares, amortizáveis em sete
parcelas, com vencimento final em 31 de janeiro de 2015; a segunda de 84
milhões de dólares referem-se a uma parcela rotativa, com vencimento final em
31 de janeiro de 2015, sendo que o prazo de repagamento de cada desembolso é de
no máximo de um ano.
Segundo
o diretor financeiro da Biosev, Serge Stepanov, "a parcela amortizável de
referido contrato de empréstimo não aumentará o endividamento da Biosev, na
medida em que será utilizada para substituir dívidas de curto prazo com taxas
médias de juros superiores, melhorando, dessa forma, o custo médio do nosso
endividamento".
A
parcela rotativa, por sua vez, traz flexibilidade na gestão de nosso capital de
giro, explicou ele.
Os bancos envolvidos
na operação são Crédit Agricole Corporate and Investment Bank, London Branch,
Natixis, ABN AMRO Bank N.V., ING Bank N.V., Standard Chartered Bank e Israel Discount
Bank of New York.
Votorantim contrata
Tito Martins como diretor-superintendente
Brasil
Econômico 24.07.2012 - A contratação de Martins tem como objetivo a aceleração
do crescimento da empresa na área de mineração.
O
profissional ocupava o posto de diretor financeiro da Vale, onde ingressou em
1985.
A
Votorantim contratou Tito Botelho Martins para o cargo de
diretor-superintendente da Votorantim Metais.
O
executivo chegará em agosto para um programa de transição com João Bosco Silva,
que ocupa atualmente o cargo. Em outubro, Tito Martins assumirá o posto,
reportando-se a Raul Calfat, diretor-presidente da holding da Votorantim. Anteriormente, Martins ocupava a função de
diretor financeiro da Vale, onde ingressou em 1985.
De
acordo com a Votorantim, a contratação de Martins tem como principais objetivos
a aceleração.
Governo estima que
operadoras voltem a vender em 15 dias
Valor
24.07.2012 - Depois de se reunir por cerca de duas horas com a presidente Dilma
Rousseff, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse nesta terça-feira
que os problemas nos serviços das operadoras de telefone não devem ser
resolvidos nas próximas duas semanas. Mas que o governo espera que, em 15 dias,
elas apresentem um plano investimentos para que possam voltar a vender chips e
serviços de internet.
Desde
zero hora da segunda-feira, as operadoras Claro, Oi e TIM estão proibidas de
comercializar nas localidades onde houve maiores índices de reclamações sobre a
qualidade dos serviços. A TIM chegou a entrar na Justiça para tentar continuar
vendendo, mas teve o pedido negado. Entre os três processos, o dela é o mais
severo, com vendas suspensas em 18 estados e no Distrito Federal por
determinação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Para
terem as vendas liberadas, essas empresas precisam não apenas apresentar um
plano de investimentos, mas também que eles sejam aprovados pela agência
reguladora. Segundo o ministro, a presidente Dilma está "muito
interessada" em uma saída para o problema.
“Falei
resumidamente que não temos a expectativa de que em 10 ou 15 dias esses
problemas estarão solucionados. Nós achamos que, em 15 dias, por exemplo, é um
prazo razoável para apresentar (os planos) e garantir que os problemas sejam
resolvidos em um cronograma que vai ser seguido”, afirmou.
De
acordo com ele, a venda de novas linhas estará condicionada ao cumprimento dos
compromissos das operadoras, que deverão ser fiscalizados pela Anatel a cada
dois ou três meses. Ele observou que os consumidores também poderão acompanhar
se as promessas estão sendo cumpridas, já que os planos de melhorias serão
publicados no site da Anatel. O ministro ressaltou que não adianta os diretores
das empresas de telefonia ficarem ligando para autoridades de governo. “A
negociação será feita com os técnicos da Anatel”, enfatizou.
Na
avaliação do ministro, a medida foi "dura", porém
"inevitável". Ele considerou que a Anatel agiu corretamente ao punir
as empresas. “Tínhamos um volume de reclamações muito grande e era preciso dar
um freio de arrumação no setor”, disse.
GM suspende
atividades em oito fábricas em São José dos Campos
MonitorMercantil
24.07.2012 - A General Motors concedeu hoje licença remunerada por tempo
indeterminado aos empregados de oito fábricas da montadora, em São José dos
Campos, no Vale do Paraíba. A medida surpreendeu a diretoria do Sindicato dos
Metalúrgicos da cidade e região que preferiu cancelar o ato previsto para hoje
à tarde contra possíveis demissões na empresa.
Por
meio de nota, a montadora justificou que a decisão tem como objetivo
"proteger a integridade física dos colaboradores" enquanto continuam
as discussões com os representantes sindicais. No comunicado, a empresa avaliou
o momento como delicado, razão pela qual argumentou que não iria "expor
seus empregados a eventuais incitações e provocações comuns". Foi marcada para
amanhã (25) uma nova reunião entre os representantes da GM, dos funcionários e
do Governo Federal, na sede da prefeitura daquela cidade.
Segundo
o sindicato da categoria, até os empregados terceirizados foram dispensados. Os
que estavam dentro da fábrica receberam ordens para sair antes do término do
expediente e aqueles que entrariam em serviço logo depois ficaram sabendo da
medida já a caminho do trabalho.
Também
por meio de nota, o sindicato condenou a atitude da montadora, ao classificá-la
de "antidemocrática" e inconstitucional por caracterizar paralisação
patronal. Segundo a entidade, essa atitude da empresa só faz aumentar "a
insegurança entre os trabalhadores" diante do risco de demissões em massa.
Às
17h haverá assembléia na sede do sindicato, na Rua Maurício Diamante. As
incertezas quanto à manutenção dos trabalhadores em seus postos começaram após
o anúncio da intenção da empresa em desativar parcialmente a atividades,
atingindo as linhas de montagem dos modelos Corsa hatchback, Meriva, Zafira e
Classic. Em duas etapas do Plano de Demissão Voluntária (PDV), em junho e neste
mês, houve a adesão de 356 metalúrgicos.
Lucro do Itaú cai 3%
no segundo trimestre, para R$ 3,3 bilhões
Folha
24.07.2012 - Venda da participação de 18,9% no Banco Português de Investimento,
em abril, foi uma das transações que impactaram negativamente o resultado. O
Itaú Unibanco anunciou lucro líquido de R$ 3,3 bilhões no segundo trimestre do
ano, queda de 8,2% ante o mesmo período do ano passado e de 3% na comparação
com o primeiro trimestre de 2012.
O
banco também anunciou lucro recorrente de R$ 3,585 bilhões no segundo
trimestre, expansão de 8% em 12 meses.
A
diferença entre os dois lucros ocorre por conta de alguns eventos
extraordinários. Um deles é a venda da participação de 18,9% que o Itaú tinha
no Banco Português de Investimento, feita em abril. Esta transação impactou
negativamente o resultado em R$ 205 milhões, líquido de impostos, e
positivamente o patrimônio líquido em R$ 106 milhões, de acordo com o
demonstrativo de resultados.
Entre
outros pontos não recorrentes está a provisão que o banco fez para causas na
Justiça questionando planos econômicos do passado e ajuste a valor de mercado
da participação que o Itaú tinha no Banco Português de Investimento.
O
Itaú registrou retorno sobre o patrimônio líquido anualizado de 17,9%, abaixo
dos 22,2% do segundo trimestre do ano passado. O retorno sobre o lucro
recorrente foi de 19,4%, ao passo que era de 20,4% no segundo trimestre de
2011.1º trimestre
O
Itaú Unibanco anunciou lucro líquido de R$ 6,7 bilhões no primeiro semestre de
2012, queda de 5,6% ante o mesmo período do ano passado. As operações de
crédito totais, incluindo avais e fianças, fecharam junho em R$ 413,4 bilhões,
expansão de 14,8%.
Em
ativos totais, o Itaú encerrou junho em R$ 888,8 bilhões, crescimento de 12% em
12 meses. O patrimônio líquido ficou em R$ 75,6 bilhões, 14,5% maior que no
mesmo semestre do ano passado.
Arrecadação federal
de impostos em junho chegou a R$ 81,107 bilhões
Valor
24.07.2012 - A arrecadação federal de impostos totalizou R$ 81,107 bilhões em
junho, queda real (corrigida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo
– IPCA) de 6,55% em relação a junho do ano passado, de acordo com dados
divulgados nesta terça-feira pela Receita Federal. No ano, a arrecadação somou
R$ 508,5 bilhões, avanço real de 3,66%, na comparação com o mesmo período de
2011.
Nominalmente,
a receita com impostos e contribuições teve queda de 1,9% no mês e alta de 9,2%
no primeiro semestre, em relação a iguais períodos em 2011.
A
arrecadação administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB),
que representa a maior parcela dos recolhimentos, totalizou R$ 79,2 bilhões em
junho, queda real de 6,8%. No ano, as receitas administradas totalizaram R$
489,6 bilhões, avanço real de 3% na comparação com os seis primeiros meses de
2011.
Já
a receita própria de outros órgãos federais totalizou R$ 1,86 bilhão em junho e
subiu, em termos reais, 7,1% na comparação com o mesmo mês de 2011. No ano, as
receitas de outros órgãos somaram R$ 18,9 bilhões no ano, com alta real de
22,4%.
Em
termos nominais, as receitas administradas pela RFB tiveram queda de 2,2% em
junho, na comparação com junho de 2011, e subiram 8,5% no ano. As receitas
próprias de outros órgãos, na mesma comparação, avançaram 12,3% em junho, em
relação a junho de 2011 e aumentaram 29% no acumulado dos seis primeiros meses
de 2012.
Real valorizado
distorce comércio internacional, diz Vera Thorstensen
Valor
24.07.2012 - A valorização do real em relação ao dólar, quando somada à
desvalorização da moeda de países com quem o país mantém relações comerciais,
cria uma “distorção brutal” no comércio internacional, segundo Vera Thorstensen,
professora da Fundação Getulio Vargas (FGV).
De
acordo com o Observatório do Câmbio, lançado nesta terça-feira pela FGV, a
moeda brasileira, em junho, estava 15% valorizada em relação à meta para a taxa
de câmbio calculada a partir do equilíbrio da balança de ativos e passivos do
país.
O
resultado de junho, segundo Vera, representa melhora em relação a 2011, ano em
que a moeda brasileira estava 40% valorizada nessa mesma comparação. “Mais importante que esses índices é a soma
da valorização do real em torno de 15% à desvalorização da moeda de seus
parceiros comerciais. Isso é mortal quando olhamos o comércio bilateral”,
explica Vera.
Para
a professora da FGV, oito anos de câmbio valorizado no Brasil anularam o efeito
das medidas de proteção comercial e de outros instrumentos, resultado de 60
anos de negociação na OMC.
Brasil
vai liderar debate cambial , diz embaixador
O
embaixador do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevedo,
reforçou nesta terça-feira que o país tem liderado o movimento para trazer as
discussões sobre câmbio para dentro do órgão, mas enfrenta resistências.
“Existe a percepção de que o problema [distorções cambiais] é sério. Precisamos
sugerir uma resposta, mas alguns países não gostam do sentido em que as conversas
estão caminhando”, diz.
Segundo
Azevedo, o Brasil fará uma apresentação na OMC ainda neste ano, em que abordará
as questões recentes que estão sendo discutidas pelo órgão, tentando mostrar
como assuntos relativos ao câmbio e os desalinhamentos provocados por ele
sempre estiveram, de maneira mais ou menos direta, na pauta da organização.
O
embaixador diz que medidas como o antidumping, salvaguardas e direitos
compensatórios não são suficientes para resolver questões trazidas pelo
desalinhamento cambial. Azevedo afirma que está sendo pensado um mecanismo para
medir esse desalinhamento cambial e como os países prejudicados poderiam ser
ressarcidos, levantando questões como o tempo de validade desse desalinhamento
e se ele valeria para um produto, setor ou país. “Um desalinhamento que dura 20
anos não é mais desalinhamento cambial, já se tornou uma nova realidade
estrutural daquele país.”
Justiça manda
bloquear R$ 100 mi do Banco Rural
Folha
24.07.2012 - TST vê fraude em negócio entre instituição e empresa de Wagner
Canhedo, da Vasp.
O
Banco Rural sofreu recente derrota na Justiça do Trabalho, que considerou que
houve "fraude de execução" em negócio realizado entre a instituição
financeira e uma das empresas de Wagner Canhedo, dono da Vasp e campeão de
dívidas trabalhistas, segundo lista divulgada pela Folha.
A
decisão não tem relação com o julgamento do esquema do mensalão, do qual o
Rural é considerado o núcleo financeiro, segundo a acusação da
Procuradoria-Geral da República.
No
âmbito trabalhista, o TST (Tribunal Superior do Trabalho) cassou liminar que
havia sido concedida no início do ano pelo presidente da corte, João Oreste
Dalazen, determinando assim que seja cumprida decisão de primeira instância que
bloqueou mais de R$ 100 milhões, em valores atualizados, para pagar dívidas contraídas
pela Vasp em favor do Sindicato Nacional dos Aeroviários.
O
Banco Rural, por meio da Rural Agroinvest S.A., comprou, em 2004, bois da
Agropecuária Vale do Araguaia, propriedade de Canhedo, quando o seu grupo já
não podia mais se desfazer de seus bens, por conta das dívidas trabalhistas
contraídas já reconhecidas definitivamente pela Justiça e nunca pagas.
Na
prática, o Sindicato dos Aeroviários passou a cobrar do Banco Rural o que
deveria receber de Canhedo, já que os bens bloqueados que passaram a ser da
instituição financeira serviriam para pagar parte dos débitos trabalhistas.
A
Justiça chegou a tentar bloquear algumas contas do Banco Rural, que argumentou
não ter dinheiro, e que tal penhora poderia comprometer o desenvolvimento
regular de suas atividades.
A
Folha não conseguiu contato com o Banco Rural nem com o empresário Wagner
Canhedo.
Diretor da Área
Internacional da Petrobras renuncia
Brasil
Econômico 23.07.2012 - Presidente da Petrobras, Maria das Graças Silva Foster,
irá acumular a função.
Jorge
Luiz Zelada será substituído pela presidente da estatal, Maria das Graças Silva
Foster; empresa não forneceu mais informações.
A
Petrobras informou nesta segunda-feira (23/7) que o diretor da Área
Internacional da empresa, Jorge Luiz Zelada, renunciou ao cargo.
Em
reunião, o Conselho de Administração designou a presidente da estatal, Maria
das Graças Silva Foster, para acumular a função.
Procurada
pela redação, a estatal não forneceu mais detalhes sobre as mudanças, nem
informou quando haverá a eleição de um novo diretor.
O
comunicado da empresa à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) dizia apenas que
a Petrobras.
SuperClubs sai do
único hotel que tinha no país
Valor
24.07.2012 - A rede jamaicana de hotéis SuperClubs anunciou ontem o
encerramento do contrato de administração do seu único hotel no país, no dia 10
de agosto, o Breezes Búzios Resort & Spa, em Búzios, no Rio de Janeiro. Com
isso, a SuperClubs deixa de ter empreendimentos no Brasil, mas informa que
pretende continuar por aqui.
Por
meio de comunicado, a SuperClubs acrescenta que a decisão de encerrar o
contrato é consequência da falta de aporte financeiro no resort por parte dos
proprietários do empreendimento.
A
rede jamaicana informa que o investimento dos donos do hotel, cujos nomes não
foram divulgados, estava previsto no contrato e que era necessário para manter
a administração. A SuperClubs permanece com seis resorts com a bandeira Breezes
em destinos como Bahamas, Curaçao e Jamaica. A rede também conta com um resort
de hedonismo e a bandeira Rooms, ambos na Jamaica.
"Pretendemos
continuar no Brasil desenvolvendo novos produtos com a bandeira Breezes, o
sistema super inclusive (refeições, bebidas e programas de lazer incluídos na
diária) e, ainda, com a possibilidade de trazer novas marcas para o país
(...)", disse, na nota, o diretor-geral da rede, no Brasil, Luís Eduardo
Calle.
O
sócio-diretor da consultoria de investimentos em hotéis HotelInvest, Diogo
Canteras, conta que o imóvel do resort em Búzios tem propriedade pulverizada,
com centenas de investidores pessoa física, o que dificulta a administração do
resort.
"O
problema dos resorts é um problema de mercado, que não vai bem. E a SuperClubs
era a empresa que entregava os melhores resultados. Com o câmbio valorizado, os
hóspedes internacionais não vêm para o país e os brasileiros preferem cruzeiros
marítimos ou ir para a Disney", afirma Canteras.
No
fim de agosto de 2010, a SuperClubs fechou um acordo com o fundo de pensão dos
funcionários do Banco do Brasil (Previ) para deixar a administração do
SuperClubs Breezes no complexo hoteleiro Costa do Sauípe, litoral da Bahia, a
partir de janeiro de 2011. A Previ é a proprietária do Costa do Sauípe, onde
investiu R$ 30 milhões, em maio de 2010, para o seu relançamento.
Em
setembro de 2008, a própria rede jamaicana chegou a negociar a aquisição do
Costa do Sauípe, por R$ 200 milhões, associada ao bilionário espanhol Enrique
Bañuelos, mas a crise financeira internacional, naquela época, impediu o
fechamento do negócio.
Grupo Pão de Açúcar
fecha 2o trimestre com lucro de R$159 mi
Reuters
24.07.2012 - O Grupo Pão de Açúcar encerrou o segundo trimestre com lucro
líquido de 159 milhões de reais, praticamente em linha com o esperado pelo
mercado e um salto sobre o ganho de 91 milhões de reais do ano anterior. O
resultado exclui receita bruta de 98 milhões de reais de área de empreendimentos
imobiliários.
Conselho do Pão de
Açúcar aprova Hidalgo como diretor
Estadão
24.07.2012 - O conselho de administração do Pão de Açúcar aprovou a indicação
do francês Christophe Hidalgo para assumir o cargo de Diretor de Finanças e
Serviços Corporativos da companhia, conforme antecipou o jornal O Estado de S.
Paulo na edição desta segunda-feira.
Hidalgo
vai substituir a José Antonio Filippo, que deixou o grupo em maio deste ano
para assumir a vice-presidência financeira da Embraer, a terceira maior
fabricante de aviões do mundo. Com a saída, o diretor de Relações com Investidores
do GPA Vitor Fagá passou a acumular a função.
Segundo
fontes próximas à empresa, o Casino, que desde o mês passado é o controlador do
GPA, indicou para o cargo o atual diretor Financeiro da rede colombiana Éxito,
Christophe Hidalgo. O grupo francês também é controlador da rede, a maior da
Colômbia, com 418 lojas e 35 mil funcionários.
Vale anuncia novo
diretor financeiro
Reuters
24.07.2012 - A mineradora Vale anunciou nesta segunda-feira a nomeação de
Luciano Siani como o seu novo diretor financeiro, no lugar de Tito Martins, que
deixa a companhia.
De
acordo com o comunicado enviado ao mercado, Siani também terá responsabilidades
em relações com investidores, serviços compartilhados, suprimentos e projetos
de capital.
Formado
em engenharia mecânica, o executivo está na Vale desde 2008, período em que foi
diretor global de planejamento estratégico e de recursos humanos.
Siani
já passou pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES),
onde exerceu funções executivas nas áreas de finanças e mercado de capitais, e
também fez parte dos conselhos de administração da Telemar, Suzano e Valepar,
segundo comunicado. Martins trabalhava na Vale desde 1985 e deixa a companhia
para "seguir uma nova etapa em sua bem sucedida carreira profissional",
afirmou a mineradora.
Se tiver problemas
para vender CSA, Thyssen pode optar por Steel Europe
Vale
24.07.2012 - Hiesinger, primeiro presidente-executivo da ThyssenKrupp sem
histórico no setor siderúrgico, estaria pressionando para a venda das operações
europeias de aço.
Se
a ThyssenKrupp não encontrar um comprador para os ativos siderúrgicos nas
Américas, o grupo pode considerar a opção politicamente desagradável de vender
as operações de produção de aço na Europa, disseram fontes do setor financeiro.
A venda das operações de aço pode focar o grupo nas próprias divisões de
tecnologia, que produzem desde fábricas industriais e elevadores a submarinos,
o que deixaria a empresa menos exposta a ciclos econômicos. A Thyssen disse, em
maio, que considerava a venda ou parceria para a Steel Americas - formada pela
Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) e por usina nos Estados Unidos - para
gerar recursos e reduzir dívidas, mas o interesse pelos ativos tem sido morno.
"O
plano B é buscar solução para toda a área de aço", disse fonte do setor
bancário, citando dificuldades em encontrar comprador ou mesmo parceiro para a
Steel Americas, em um setor afetado por excesso de capacidade produtiva.
"A
administração está considerando opções no caso (de um acordo) para Steel
Americas não der certo", disse a fonte. "Eles simplesmente têm que
fazer isso. A resposta inicial de possíveis compradores é muda, e a
administração não pode ficar em uma posição de negociação em que um comprador
remanescente pode chantageá-la em um acordo", disse a fonte.
Potenciais
compradores para as usinas da Thyssen nas Américas incluem a sul-coreana Posco,
Vale e ArcelorMittal, mas elas não pagariam nada parecido com os quase € 11
bilhões que a ThyssenKrupp investiu nas usinas. "Se a venda correr bem,
eles poderiam obter € 4 bilhões", disse uma das fontes.
Duas
outras fontes do setor bancário com conhecimento da estratégia da Thyssen
afirmaram que uma venda da divisão europeia de aço seria possível no próximo
ano, no caso de uma recuperação da economia, e acrescentaram que o grupo pode
buscar um comprador alemão para evitar dificuldades políticas decorrentes da
vendas de uma divisão responsável por 29 mil empregos.
A
venda da divisão europeia de aço seria possível em 2013, no caso de uma recuperação
da economia
A
Thyssen negou ontem que esteja considerando vender as operações siderúrgicas na
Europa, mas fontes afirmaram que os escalões mais altos do grupo estão
avaliando a operação. "[O presidente-executivo Heinrich] Hiesinger e [o
diretor financeiro Guido] Kerkhoff estão pressionando para a venda das
operações europeias de aço. Isso provavelmente deve ocorrer em 2013",
disse uma das fontes. A outra fonte afirmou que "a venda da Steel Americas
é apenas o primeiro passo. O segundo será a venda dos negócios de aço na
Europa".
Outra
fonte no setor bancário, que trabalhou com a Thyssen no passado, disse que a
companhia poderá obter um preço maior se as operações de aço na Europa e nas
Américas forem vendidas em um só pacote. "O processo de venda da Steel
Americas tem sido complicado e vai continuar muito difícil", disse a
fonte. "A venda da Steel Europe deve ser tão difícil quanto",
acrescentou.
Hiesinger,
primeiro presidente-executivo da Thyssen sem histórico no setor siderúrgico,
tem liderado esforços do grupo para reduzir o tamanho do conglomerado. Ele
afirmou em maio que a companhia poderia vender ativos não essenciais que geram
vendas de € 10 bilhões (US$ 12 bilhões), com a área de aços inoxidáveis sendo a
maior deles, até setembro.
O
analista Rochus Brauneiser, da Kepler Markets, afirmou que a venda da Steel
Americas reduzirá dívida para nível mais aceitável, mas somente a completa
saída do setor poderia criar espaço de manobra para o crescimento das
atividades de produção de bens de capital. "Consideramos esta decisão de
rever os negócios da Steel Americas como primeiro passo para uma retirada do
grupo do aço."
No
ano passado, a Steel Europe teve lucro antes de juros e impostos (Ebitda, na
sigla em inglês) de € 1,13 bilhão e vendas de € 12,81 bilhões, quase um quarto
do faturamento total do grupo, excluindo a área de inoxidáveis.
As
fontes afirmaram que a companhia já está considerando os impactos políticos da
venda da maior produtora de aço da Alemanha. "É uma questão muito
política. É o coração da Thyssen [aço na Europa], é a origem da
companhia", disse Dirk Schlamp, analista do DZ Bank. Ele definiu o valor
da unidade atualmente em € 3,5 bilhões, com um melhor cenário chegando aos €
6,5 bilhões.
Um
representante do sindicato, que pediu para não ser identificado, informou que a
companhia afirmou aos trabalhadores que a Steel Europe não seria vendida e
acrescentou que os metalúrgicos "vão lutar contra, se necessário".
Para
tornar a venda aceitável para trabalhadores e políticos, a Thyssen poderia buscar
compradores potenciais dentro da Alemanha ou um controlador que compartilhe das
mesmas raízes culturais, afirmaram as fontes.
Elas
afirmaram que a Salzgitter, segunda maior siderúrgica da Alemanha e
parcialmente controlada pelo Estado federal da Baixa Saxônia, poderia ter um
papel importante. "O fato da Salzgitter ser parcialmente controlada pelo
Estado ajudaria a criar uma solução alemã", disse uma das fontes.
Fundo reduz
participação no JBS
Brasil
Econômico 23.07.2012 - A liquidação do PROT-FIP decorre do fim do seu prazo de
duração.
O
PROT-FIP, que era titular de uma participação de 6,93% das ações da JBS, passou
a ser titular de 3,47% dos papéis da companhia.
A
JBS informou nesta segunda-feira (23/7)
que, em decorrência do fim do prazo de duração, o PROT - Fundo de
Investimento em Participações (PROT-FIP) iniciou seu processo de liquidação
neste mês de julho.
Dois
dos cinco cotistas do PROT, que eram titulares de 24,98% do fundo cada um, optaram
por receber, no processo de liquidação, os ativos do próprio fundo, entre eles
as ações do JBS correspondentes às suas respectivas participações.
Desta
forma, tais cotistas passarão a ser acionistas diretos do JBS. Os cotistas
remanescentes terão um prazo de 180 dias para liquidar suas parcelas no
PROT-FIP a contar de 13 de julho de 2012.
De
acordo com o JBS, a liquidação do PROT-FIP decorre do fim do seu prazo de
duração, que foi estabelecido no momento de sua constituição, e não significa a
venda a mercado das ações que compõem seu patrimônio.
Com
essas alterações, o PROT-FIP, que era titular de uma participação de 6,93% das
ações da JBS, passou a ser titular de 3,47% das ações da companhia.
Fama compra ações da
T4F e vende papéis da Magnesita
Brasil
Econômico 23.07.2012 - Após venda de ações, Fama passou a deter 4,75% do
capital votante da Magnesita.
Gestora
de recursos atingiu participação de 5,08% na empresa de entretenimento e de
4,75% na produtora de refratários.
A
gestora de recursos Fama Investimentos alterou as aplicações de seus fundos,
alienando participação na Magnesita Refratários e adquirindo ações da T4F -
Time for Fun.
Em
correspondência à Magnesita, a Fama informou ter vendido ações ordinárias
através de operações realizadas em bolsa de valores, passando a deter 4,75% do
capital votante da empresa, ou 13.891.034 papéis ordinários.
Já
à T4F, a gestora informou ter adquirido ações ordinárias da companhia, passando
a deter uma fatia de 5,08% de seu capital votante, ou 3.522.900 papéis.
De
acordo com a correspondência enviada à T4F, a Fama ressalta "que as
recentes aquisições de ações da companhia têm o exclusivo objetivo de
investimento, não havendo qualquer interesse em alterar a composição do
controle ou estrutura administrativa".
As
alterações foram informadas por cada empresa em comunicado à Comissão de Valores
Mobiliários (CVM).
Ambev busca sócios
para plano de futebol
Valor
24.07.2012 - João Castro Neves, presidente da Ambev, diz que já é normal
colocar TV em bar para torcedor: o futuro exige inovações .
A
Ambev, maior empresa de bebidas do Brasil, busca parceiros para lançar em
outubro um programa de descontos em supermercados e lojas de conveniência para
torcedores de futebol. O projeto faz parte do plano de marketing da cerveja
Brahma, a segunda mais vendida no país, atrás da Skol, também da Ambev.
Mas
não é só isso. A companhia tem a meta de fazer crescer os negócios em torno do
futebol, de melhorar a situação financeira dos clubes, para que estes, por
exemplo, não tenham que vender bons jogadores para reduzir suas dívidas. Para
isso, é necessário ir além de carimbar o nome do patrocinador na camisa do
jogador - a modalidade de marketing mais usada no futebol brasileiro.
Ricardo
Tadeu, vice-presidente comercial da Ambev, observa que o futebol ainda
representa pouco do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. "Na Espanha,
1,2% do PIB vem do futebol, sendo que lá os negócios se concentram em dois
clubes [Real Madrid e Barcelona]. Por aqui, [a participação do futebol na economia]
oscila entre 0,2% e 0,3%, sendo que 35% da verba de patrocínio vai para a
seleção."
A
Ambev já fechou acordos com seis clubes paulistas (Corinthians, Santos,
Palmeiras, São Paulo, Ponte Preta e Portuguesa) e quatro cariocas (Flamengo,
Fluminense, Vasco e Botafogo). Também já assinou contratos com as redes
varejistas Extra (do Grupo Pão de Açúcar), Carrefour, Prezunic, Guanabara,
Mundial e Princesa. E negocia com AMPM, de lojas de conveniência em postos de
gasolina.
A
ideia básica é que o torcedor pague uma mensalidade, entre R$ 25 e R$ 40, ao
clube. Se estiver em dia com sua mensalidade, tem direito a comprar
determinados produtos, expostos numa gôndola especial dentro de supermercados e
lojas de conveniência, com descontos. Uma lata da Brahma, por exemplo, será
vendida com desconto de R$ 0,10. Para o torcedor que já tem seu cartão de
fidelidade - como o Fiel Torcedor, do Corinthians, ou o Avanti, do Palmeiras -
esse programa de descontos seria um benefício adicional. Mas Tadeu observa que
o programa tem potencial para atrair novos torcedores.
A
Ambev quer montar o portfólio da gôndola especial com diferentes itens de largo
consumo como artigos de higiene pessoal, produtos de limpeza, alimentos. Não
haverá produtos concorrentes na gôndola. Na categoria desodorante, por exemplo,
apenas o Rexona, da Unilever, apareceria. Além de estarem reunidos na gôndola
especial, cada produto receberá um selo com uma bola de futebol dourada
estampada. A PepsiCo, que já é parceira da Ambev na distribuição de produtos, já
confirmou a participação. No setor de serviços, a Ambev acredita que bancos
possam se interessar - o correntista teria reduzido o valor que paga todo mês
em tarifas e taxas, por exemplo.
No
geral, os produtos devem ter entre 5% e 10% de desconto, como antecipou o Valor
em 29 de maio. No fim de maio, a cervejaria lançou o plano de futebol para os
seis times paulistas. Na época, a ideia era lançar o cartão em agosto, mas o
projeto atrasou por causa da demora em instalar o programa de desconto no
sistema das grandes redes de supermercado.
A
Ambev, que tem na Brahma a marca para temas notadamente brasileiros, como
futebol e carnaval, busca formas diferentes de se relacionar com o consumidor.
"Existem casos em que a gente oferece colocar no bar uma TV com programação
paga para os clientes assistirem uma partida de futebol. Isso já é
normal", diz João Castro Neves, presidente da Ambev. "Outra frente é
como você pensa o futuro no quesito inovações."
Neste
mês a Ambev promoveu dois eventos: festa de torcedores durante as finais das
copas do Brasil e Libertadores da América, patrocinadas pela Brahma.
"Eventos como esses vão ser supernormais daqui até a Copa do Mundo e a
Olimpíada", diz Neves.
Diversificar
modalidades de patrocínio no futebol é algo defendido por especialistas.
"O patrocinador no Brasil está viciado em aparecer na camisa" e
"isso vai ter que mudar", diz Amir Somoggi, diretor de consultoria de
gestão da BDO Brazil. Para ele, "existe aqui um cenário de pouca
eficiência mercadológica, que é forte na Europa". Os estádios europeus
exploram bar, restaurante, lojas, museu e recebem eventos corporativos. "O
[time inglês] Arsenal tem 300 eventos por ano, sendo só 30 de jogo de
futebol".
Além
dos descontos em supermercados, a Ambev constituiu um fundo, administrado pela
própria companhia, cujo objetivo é investir na infraestrutura de clubes de
futebol. O fundo é formado com cerca de 1% das vendas da cerveja Brahma.
No
Rio, o projeto da Ambev para o futebol começou há mais de um ano. Parte do
dinheiro foi investida em um centro de treinamento do Flamengo, em um placar
eletrônico do Vasco, em um vestiário do Fluminense e uma placa de iluminação
para o gramado de São Januário, o estádio do Vasco. A Ambev designou
funcionários para acompanhar como a verba é empregada.
Além
dos clubes paulistas e cariocas, a Ambev olha para os de Minas Gerais e Rio
Grande do Sul, diz Marcel Marcondes, diretor de negócios do esporte da Ambev.
Nesses Estados, os principais times são Atlético-MG e Cruzeiro (MG) e Grêmio e
Inter (RS).
Comil
Folha
24.07.2012 - A direção da montadora de ônibus Comil assina hoje protocolo de
intenções para instalar uma fábrica em Lorena (a cerca de 200 quilômetros de
São Paulo).
O
orçamento da obra, que em dezembro do ano passado previa R$ 90 milhões em
investimentos, aumentou.
A
estimativa atual é que a nova planta receba aporte de R$ 110 milhões.
A
unidade irá concentrar a produção de ônibus urbano. Serão montados no local 20 veículos
por dia.
O
terreno da fábrica terá cerca de 400 mil metros quadrados e a planta contará
com 25 mil metros quadrados de área construída.
Com
a unidade, a empresa pretende ficar mais próxima dos principais mercados.
A
outra fábrica da empresa, em Erechim (RS), continuará produzindo, mas passará a
ter como foco os ônibus rodoviários.
Crise de crédito
imobiliário não é descartada no Brasil
Brasil
Econômico 23.07.2012 - O FMI alerta para a forma de concessão de crédito à
baixa renda e ao endividamento das famílias. FMI destaca possível bolha
imobiliária no país e compara com os Estados Unidos que, em 2008, tinha pequena
parte da população com dívidas no setor.
O
Fundo Monetário Internacional (FMI), em relatório divulgado na sexta-feira
(20/7), afirmou que o crédito no Brasil cresceu rapidamente nos últimos anos,
mas os empréstimos em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) estão diminuindo
desde 2008 e deve continuar relativamente baixo em relação aos padrões
internacionais.
O
documento aponta que a concessão de crédito ao consumidor tem aumentado
fortemente, o que corresponde hoje a 46% do total, contra 23% em 2002. Diante
deste avanço, o Fundo alerta para o endividamento dos consumidores, que excede
40% da renda.
O
FMI destaca ainda os empréstimos imobiliários para a baixa renda e a forma de
concessão, questionando se essas famílias conseguirão quitar as dívidas.
"Vejo
que o FMI está fazendo esse alerta para o futuro, pois está comparando com o
que já aconteceu nos Estados Unidos e na Europa. Aqui no Brasil, os empréstimos
imobiliários respondem por apenas 5,5% do PIB, mas nos Estados Unidos, em 2008,
o nicho também era pequeno e quando estourou a crise da dívida imobiliária, nem
US$ 3 trilhões ajudaram e vários bancos quebraram", explicou Manuel
Enriquez Garcia, presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon) e da
Ordem dos Economistas do Brasil.
Apesar
do número ser baixo, Garcia diz que a política deveria ser modificada. "O
governo não está dando ênfase ao investimento público e o privado está
reduzindo porque a expectativa com o futuro está cada vez pior. Ao invés de
estimular a poupar, o governo incentiva a gastar e é isso que chama a atenção
do FMI".
A
falta de estímulos à poupança está preocupando diversos economistas desde o
início do ano. "O que cria riqueza ao país é o investimento. Alavancar os
gastos só é bom no curto prazo", conclui.
De
acordo com Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, este ponto ainda não
preocupa a economia brasileira. Para ele, antes dos consumidores de baixa renda
deixarem de pagar o imóvel, eles vão parar de pagar outros bens, como os
carros. Isso já vem acontecendo, com alguns deles tendo que devolver o veículo,
mas é pontual.
"Um
fato que prejudicaria o setor imobiliário seria o aumento do desemprego. Por
enquanto, o crédito imobiliário é muito baixo e os bancos são criteriosos, não
dão crédito a qualquer pessoa, como foi nos EUA", ressalta o economista.
No
entanto, Vale aponta para possível afrouxamento por parte dos bancos públicos,
que estão afoitos em estimular a economia. "No futuro, isso pode
acontecer. Sempre acreditei que uma crise possível no Brasil viria do
afrouxamento da regulação bancária, mas ainda estamos longe de qualquer coisa
parecida com isso", completa.
Já
a sondagem feita pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) sobre o mercado
de crédito é positiva. A entidade antecipa os resultados que serão anunciados
pelo Banco Central nesta quinta-feira (26/7). Segundo a Febraban, se os números
se confirmarem poderá indicar que o esperado processo de retomada da economia
já está em andamento.
A
Federação mostra que o crescimento dos empréstimos para pessoa física deverá
ser 1,2% em junho, em relação a maio. Já em relação à pessoa jurídica, a alta
alcançará 2,7% na mesma base de comparação.
Analistas recomendam
ações do setor
Valor
24.07.2012 - As recomendações dos analistas que acompanham as ações das
empresas do setor de etanol na Bolsa de Valores não são unânimes. De modo
geral, são neutras ou favoráveis às companhias de capital aberto - Cosan
(Raízen), São Martinho e Tereos (Guarani). As avaliações levam em conta o
caráter cíclico e volátil do setor e também as perspectivas macroeconômicas,
como a demanda promissora para o álcool e os preços atraentes para o açúcar em
época de câmbio favorável, mesmo com as dificuldades que o mercado vem
enfrentando em relação à baixa produtividade dos canaviais envelhecidos e ao
regime meteorológico conturbado dos últimos anos.
No
caso do mercado de etanol, "o setor está exposto à quebra, mas a longo
prazo tem perspectiva promissora", diz o analista da CLW, Erick Scott. Por
enquanto, no entanto, a barreira do preço atrelado à gasolina não permite tanto
otimismo nesta área. Para Ricardo Corrêa, da Ativa Corretora, a política
oficial de preços da gasolina provoca a perda de atratividade de investimentos
no setor. "A recomendação é neutra. Mas uma queda forte nos preços pode
abrir uma oportunidade de longo prazo", avalia.
A
situação do açúcar é mais favorável neste momento. Está mantendo preço entre 20
e 22 centavos a libra peso, bem acima da média histórica em torno de 12
centavos. Como o Brasil é responsável por metade das exportações mundiais do
produto - e não prevê expansão significativa -, enquanto o atraso das monções
fez a Índia reduzir sua previsão para a safra que começa em outubro de 26
milhões para 25 milhões de toneladas e há perspectivas de migração de
cana-de-açúcar para arroz na Tailândia, tudo indica que os preços permanecerão
elevados.
"No
mercado internacional de açúcar, a expectativa é de superávit entre 8 milhões e
10 milhões de toneladas nesta safra", registram os analisas Rodrigo
Fernandes e Hering Shen, da Fator Corretora. "O preço do açúcar já mostrou
sinais de recuperação após a forte queda no início de junho", dizem os
analistas.
No
ano passado, os papéis do setor acompanharam o desempenho negativo da Bolsa de
Valores. A Cosan perdeu 0,1%, a São Martinho, 36% e a Tereos caiu 13%. Este ano
o quadro melhorou, principalmente para a as ações da São Martinho, que
avançaram 22,6% até o dia 9 de julho. No mesmo período, os papéis da Cosan
registraram variação positiva de 15,5%. A exceção ficou por conta das ações da
Tereos, com variação negativa de 4,83%. No mesmo período, o Ibovespa caiu 2,4%.
"Todas estão com comportamento volátil em 2012. O mercado está sem
tendência este ano", afirma William Castro Alves, analista da XP.
A
concordância dos analistas em relação às tendências do mercado é menor quando
entram em cena análises específicas para as empresas, graças aos movimentos
particulares de cada uma delas. A Cosan é a preferida do HSBC, cujo analista
Pedro Herrera observa também o baixo preço da ação da Tereos. São Martinho tem
a simpatia do Itaú BBA. Alessandro Baldoni, executivo do Deutsche Bank, também
coloca o papel como primeira indicação, seguida por Tereos e Cosan. Correia, da
Ativa Corretora, lembra que a ação da Tereos está barata - embora seja indicada
só para quem não busca liquidez.
A
diversificação da Cosan para áreas além do açúcar e do etanol gera pontos de
vista opostos. A empresa é a maior do setor e tem as ações mais líquidas. A
estratégia de diversificar permite maior estabilidade, mas ainda não tem
sinergia reconhecida no mercado e aumenta muito a alavancagem da empresa, que
ainda espera a aprovação de sua oferta de quase R$ 900 milhões por 49% de
participação no bloco de controle da ALL e quer absorver a Comgás por R$ 1,8
bilhão. "A aquisição vai resultar em uma estrutura de capital mais
eficiente. Nenhum segmento da Cosan vai apresentar mais de 35% a 40% do fluxo
de caixa", escreveu Herrera em relatório no final de junho.
"A
empresa neste momento virou mais holding do que empresa operacional. Holding
tem desconto", diz Baldoni, que mudou sua indicação para o papel de
"comprar" para "manter". Ele lembra que apesar do resultado
favorável em 2012, o comportamento ficou estável a partir da oferta pela ALL e
caiu em torno de 6% desde o anúncio do interesse na Comgás, em maio - com a
aprovação do negócio, açúcar e álcool devem passar a compor 21% no Ebitda
(lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia.
"O mercado só paga quando vê o valor aparecendo. As iniciativas anteriores
em distribuição tinham sinergia. Agora é só ativo diversificado e o investidor
diversifica melhor que a empresa", afirma.
A
Raízen cortou em 20% seu projeto de chegar a uma capacidade de moagem de 100
milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2016. "A indústria de forma
geral está sofrendo com baixo uso de capacidade, canaviais velhos e queda no
rendimento agrícola, com menor diluição de custo", diz Giovana Araújo, do
Itaú BBA. "As mais alavancadas são mais impactadas", diz. Segundo
ela, as que sofrem menos com o canavial entregam melhor - o que coloca a São
Martinho, com terra própria, na posição de benchmark do setor, graças também ao
fato de ser menos alavancada, estar gerando caixa e ter capacidade de entregar
resultado, o que levou a analista a indicar a compra do papel em maio.
"Quando
chamei a atenção para quão barata a empresa estava em fim de maio, seu valor
era de 57 dólares por tonelada. Hoje está em 72 dólares", destaca Giovana.
Única a manter-se só no negócio de açúcar e álcool, melhorou sua flexibilidade
de transitar entre a produção de um e outro com a aquisição de 32% da Santa
Cruz, cuja opção de aumento para 88% deve ser exercida agora. A sinergia será
advinda principalmente do canavial - a usina é próxima da São Martinho, que
está no Centro-Sul de São Paulo e sofreu menos com a seca, mais concentrada no
Norte do Estado. A analista observa, porém, a questão da liquidez. "A
companhia tem 50% na mão da família. O float de 34,8% é interessante, mas não
efetivo", afirma.
A
falta de liquidez também compromete a Tereos. Com a recente reestruturação de
capital promovida para adequação aos critérios do Novo Mercado, as cooperativas
de cereais que antes detinham 23,2% da Tereos Agro-Industrie (TAI) passaram a
deter 19,7% das ações da Tereos Internacional. "A tendência é de as
cooperativas não negociarem", diz Baldoni, do Deutsche Bank.
Operacionalmente
o horizonte é favorável. A companhia promoveu aumento de capital para obter até
R$ 369 milhões, caso todos os acionistas subscrevam os papéis no valor de R$
2,60. A empresa se mantém capitalizada graças aos R$ 1,6 bilhão em
investimentos da Petrobras, dos quais metade já foi efetivada.
Sem IPO, Biosev busca
financiamento
Valor
24.07.2012 - Depois de uma tentativa frustrada de abrir o capital, a Biosev,
companhia de açúcar e álcool controlada pelo grupo francês Louis Dreyfus, está
costurando um financiamento com bancos privados de cerca de R$ 500 milhões para
investir na expansão de seus canaviais, apurou o Valor. Os controladores
franceses também não descartam fazer um aporte de capital para dar maior fôlego
à subsidiária brasileira, que pretendia levantar no mercado entre R$ 680
milhões a R$ 850 milhões para garantir sua expansão, se o IPO (oferta pública
de ações) fosse bem-sucedido.
Os
executivos da companhia tentaram de todas as maneiras fazer com que a abertura
de capital desse certo, mas concluíram durante o "road show" nos
Estados Unidos, Ásia e até América Latina, que seus papéis tinham pouco apelo
no mercado. Ao mesmo tempo, a companhia tentou encontrar parceiros
estratégicos, já considerando que a abertura de capital poderia ser descartada.
Fontes familiarizadas com a operação informaram que o grupo tentou se associar,
sem sucesso, à Petrobras e a fundos soberanos, como o asiático Temasek, que tem
pesados investimentos em infraestrutura no Brasil. Procurada, a Petrobras não
comenta o assunto. Um porta-voz da Temasek informou que apenas foram visitados
durante o "road show". A Biosev informou que não vai comentar o
assunto por estar em período de silêncio.
Se
não bastasse o fracasso da operação, o malsucedido processo de IPO ainda vai
forçar a "convivência" por mais dois anos entre a controladora com
seus acionistas minoritários - entre os quais as famílias Biagi e Junqueira
Franco -, cuja relação já não estava boa há alguns meses. A Biosev é resultado
da fusão, realizada em 2009, entre a Louis Dreyfus Commodities Bioenergia com a
Santelisa Vale, então controlada pelos Biagi e Junqueira Franco, dois dos mais
tradicionais grupos sucroalcooleiros do país. De acordo com o prospecto da
companhia, as duas famílias, representadas pela Santa Elisa Participações,
somam participação de 10,1% na empresa. Os controladores têm fatia de cerca de
60% e fundos de investimentos estrangeiros e credores ficam com o restante.
Em
acordo de acionistas firmado em outubro de 2009, os acionistas minoritários,
além de credores como os bancos Bradesco, Itaú BBA, Santander, Votorantim,
HSBC, teriam direito garantido de exercer a opção de venda de suas ações à
companhia no dia 28 de agosto, caso a abertura de capital não fosse
bem-sucedida. Mas os bancos que participaram do processo de IPO podem pedir um
"waiver" (espécie de perdão) de até dois anos para que a empresa
tente novamente abrir seu capital (ver quadro ao lado).
A
Biosev planejava fazer a emissão de um lote inicial de 41,212 milhões de ações
ordinárias em oferta primária e estimou uma faixa de preço entre R$ 16,50 e R$
20,50 por papel, o que possibilitaria levantar R$ 680 milhões a R$ 845 milhões.
Caso houvesse excesso de demanda, a Biosev poderia oferecer mais 6,182 milhões
de ações ordinárias em lote suplementar e 8,242 milhões de ações em lote
adicional, podendo alcançar de R$ 1,14 bilhão.
No
entanto, a baixa receptividade desses papéis no mercado levaram os acionistas a
pedir para que o IPO fosse suspenso, uma vez que o valor da empresa poderia
derreter. "Além das incertezas criadas pela crise global, as indústrias do
setor sucroalcooleiro no Brasil não estão passando por um bom momento",
disse uma fonte. "O mercado não quer comprar papéis que ofereçam riscos,
como seria o caso dessa empresa."
Os
investimentos de expansão da empresa são considerados estratégicos para que a
companhia ganhe maior liquidez quando tentar ir novamente ao mercado. Seu plano
é saltar dos 30 milhões de toneladas para 40 milhões de toneladas. Na safra
2011/12, a companhia processou 27,5 milhões de toneladas, recuo de 18% sobre o
ciclo anterior. A capacidada total de suas unidades soma 40 milhões de
toneladas.
A
má fase do setor nos últimos anos tem abatido diversas usinas. As incertezas
globais, além dos fundamentos baixistas para esse segmento, também levaram a
Copersucar a desistir de iniciar o processo de abertura de capital. Com a morte
do principal acionista global, Robert Louis-Dreyfus, há três anos, aumentaram
os rumores de que os ativos de bionergia do grupo no Brasil fossem vendidos por
conta da crise do setor e alto endividamento da empresa.
Em
prospecto, divulgado na CVM, a Biosev informou que possuía um endividamento
bruto de R$ 5,471 bilhões no dia 31 de março deste ano, dos quais 67,1%
correspondiam a empréstimos e financiamentos de longo prazo. No mesmo período
do ano passado, o endividamento estava em 3,628 bilhões, dos quais 71,1%
correspondiam a empréstimos e financiamentos de longo prazo.
Com
13 unidades produtoras, cuja capacidade atinge 40 milhões de toneladas, a
companhia francesa começou a operar em cana-de-açúcar no Brasil em outubro de
2000, com a compra da usina Cresciumal, em Leme (SP). Nos últimos anos, a
companhia foi expandindo seus negócios no Brasil por meio de importantes
aquisições, como a compra dos ativos do grupo Tavares de Mello. A grande tacada
foi a associação com a Santelisa Vale, fusão que permitiu à empresa saltar para
os tão sonhados 40 milhões de toneladas por ano. No mesmo ano da fusão entre
Santelisa e Louis Dreyfus, as famílias Biagi e Junqueira Franco tinham unido
forças por conta da crise pela qual passavam. Um ano antes, o grupo Cosan,
capitaneado pelo empresário Rubens Ometto Silveira Mello, tinha feito uma
oferta hostil para comprar os ativos dos Junqueira Franco, a Vale do Rosário,
que foi recusada. Mesmo após se unirem, a situação financeira da Santelisa Vale
estava delicada, levando as famílias a aprovarem a fusão com os franceses.
Fontes ouvidas pelo Valor afirmam que a relação das duas famílias com os
controladores já não estava muito boa e o IPO seria a chance para que parte
deles deixasse a Biosev. No entanto, com os papéis pouco atraente no mercado,
os próprios minoritários concordaram em suspender a abertura de capital, na
expectativa de uma liquidez maior futura. Procurados, os minoritários não
comentaram o assunto.
Usinas de São Paulo
avançam para banir queimada no campo
Valor
24.07.2012 - Ricardo Bergamasco: para aumentar a renda, ele decidiu dedicar
parte de seu tempo ao curso de mecânico da usina.
Nos
últimos cinco anos, a indústria do etanol sofreu uma transformação que já pode
ser sentida no ar. O avanço da mecanização nas lavouras de cana reduziu as
queimadas e aliviou os centros produtores da chamada "neve negra",
formada por flocos de cinzas que se espalham com o vento durante o inverno. A
colheita da cana crua é benéfica para o ambiente, proporciona melhores
condições para os trabalhadores rurais, preserva o solo e estica o prazo para
renovação dos canaviais.
Transferir
o trabalho manual para o mecanizado exigiu investimentos e disciplina para
quebrar o paradigma da cultura. "Foram 500 anos de queimadas. A cadeia
produtiva teve de aprender a trabalhar com a planta crua", lembra Daniel
Lobo, assessor da área de responsabilidade ambiental e corporativa da União da
Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).
No
Estado de São Paulo, o uso das colhedeiras ganhou força com a assinatura, em
2007, de um protocolo agroambiental pelos produtores. Os signatários respondem
por 90% da produção estadual, ou 50% da nacional de etanol. O documento
estipula que a queima é permitida nas áreas mecanizáveis até 2014, e nas áreas
não mecanizáveis (com declive superior a 12%), até 2017.
Desde
então, a evolução é medida pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SMA). De
acordo com o órgão, na safra 2011/2012, do total colhido, 65,2% corresponderam
à cana crua. Esse índice indica que as usinas já cortaram 82% em área
mecanizável sem queima - a meta era de 70%. Com o avanço, a lavoura economizou
água e reduziu a emissão de gases. Balanço da SMA mostra que 16,7 milhões de
toneladas de poluentes (monóxido de carbono, hidrocarbonetos e material
particulado) e mais de 2,7 milhões de CO2 deixaram de ser lançados na
atmosfera.
O
bom resultado deve-se ao fôlego das usinas que aplicaram, nas contas da Unica,
cerca de R$ 3 bilhões em equipamentos de colheita (somando colhedoras,
transbordos e tratores) nos últimos cinco anos, período no qual a frota de
colhedoras, estimada em 753 na safra 2006/2007, saltou para 2.890. Para atingir
o patamar de 100% de mecanização, os investimentos ainda devem continuar
acelerados. Lobo acredita que serão necessários entre R$ 3 e 4 bilhões para
compra de máquinas e formação de recursos humanos para zerar a queima. A
sistematização da lavoura e a de mão de obra são custos embutidos no processo.
O maior desafio, na opinião do assessor, está na inclusão dos fornecedores de
cana às usinas - em geral propriedades de menor porte e que não conseguem
investir em máquinas. "Para áreas pequenas, o custo de compra é muito
alto. É preciso estabelecer uma política pública eficiente para garantir que a
mecanização chegue em toda a plantação", argumenta.
O
custo médio de uma colhedeira está em R$ 800 mil, criando barreiras para os
pequenos produtores. Além da cortadora de cana, é preciso agregar tratores e
transbordos, ampliando a frota. Tanto que, no balanço da SMA, os fornecedores
de cana deveriam chegar a 30% de automação nas áreas mecanizáveis na safra
2011/2012, mas chegaram a menos de 25%.
Uma
solução está na utilização do equipamento em sistema de cooperativa, ou de
condomínio, como apelidou a secretaria, permitindo a utilização de um conjunto
de máquinas para colheita em diversos produtores. "Outra solução é
terceirizar o corte, por meio da contratação de empresas especializadas",
lembra Luis Carlos Veguin, diretor de recursos humanos para as áreas de etanol,
açúcar e bioenergia da Raízen.
Na
nova fronteira da cana, que avançou sobre os Estados de Mato Grosso, Mato
Grosso do Sul e Goiás, a mecanização é um dado que chegou junto com a cultura.
Genésio Lemos Couto, diretor de pessoas e organização da ETH Bionergia, explica
que os novos empreendimentos não contam com o corte manual. "Mesmo em
ativos adquiridos, já conseguimos mudar a realidade e temos, nas nove unidades,
100% de colheita mecanizada. Também utilizamos máquinas para o plantio",
afirma. A ETH investiu R$ 8 bilhões em construção e ampliação de unidades.
O
Grupo São Martinho apostou na mecanização mesmo antes da legislação. A grande
motivadora foi a greve ocorrida em 1984 na região de Ribeirão Preto (SP), que
parou as moendas e afetou os negócios do grupo. "A melhora das condições
de trabalho e a modernização da lavoura tornaram-se imperativas a partir da
paralisação", conta Agenor Cunha Pavan, superintendente agroindustrial da
Usina São Martinho. Hoje, a média de mecanização do grupo é de 85,7% e deve
chegar a 100% até 2014. A frota é composta por 89 colhedoras, 151 tratores e
266 transbordos.
Enquanto
no Centro-Sul, o desafio é incluir as propriedades de menor porte, no Nordeste
é lidar com os terrenos acidentados, que dificultam a mecanização. De acordo
com Renato Cunha, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no
Estado do Pernambuco (Sindaçucar), apenas 5% da lavoura de cana pernambucana
está mecanizada. "Nossa alternativa está no desenvolvimento
tecnológico."
Segunda geração já
perto de ganhar escala industrial
Valor
24.07.2012 - Bernardo Gradim: "Uma nova fronteira tecnológica que pode
adicionar valor agregado à produção existente".
Com
um investimento de R$ 300 milhões, a GraalBio, empresa de soluções em
biotecnologia industrial do Grupo Graal, faz a primeira investida no país, em
escala industrial, na produção de biocombustíveis de segunda geração, ou seja,
o etanol feito a partir de biomassa e não por meio da fermentação do açúcar da cana.
A
construção da primeira planta de etanol celulósico do Brasil começa em setembro
no município alagoano de São Miguel dos Campos, distante 68 quilômetros de
Maceió. Terá 160 empregados e começará suas operações no final do ano que vem
com uma produção de 82 milhões de litros de etanol a partir do bagaço e da
planta de cana de açúcar.
Em
relação ao total da produção brasileira de etanol, algo em torno de 24 bilhões
de litros por ano, a produção da fábrica da GraalBio é uma fração ainda ínfima.
Mas é uma iniciativa pioneira, avalia Bernardo Gradim, presidente da empresa.
"Em termos de escala, a produção é muito pequena, mas a importância é
muito grande. Representa uma oportunidade de uma nova fronteira tecnológica,
que pode adicionar valor agregado à produção existente", diz ele. "Se
a tecnologia funcionar, como esperamos, as chances de aumentar a capacidade
produtiva de etanol de primeira geração são muito grandes. Podemos aumentar em
até 45% a produção sem precisar aumentar a área plantada", destaca.
A
planta em Alagoas será a primeira de um elenco de cinco usinas que a GraalBio
espera implantar no Brasil para produzir biocombustíveis de segunda geração,
informa Gradim. Uma segunda planta está sendo estudada para ser construída na
Bahia. Os recursos serão financiados em parte pelo Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e bancos privados e outra parte
proveniente de capital próprio. A fábrica utilizará inicialmente bagaço e palha
de cana adquirida de produtores da região. "O modelo associativo trará
complementaridade de eficiência operacional com usinas de primeira geração e
ganhos de sinergia", indica Gradim.
Para
dar suporte tecnológico ao desenvolvimento dos projetos, a GraalBio se associou
à BetaRenewables e à Chemtex, afiliadas do grupo italiano Mossi&Ghisolfi,
que desenvolveu uma tecnologia única de pré-tratamento e conversão de biomassa,
batizada como Proesa, capaz de converter vários tipos de matéria-prima em
diversos bioquímicos e biocombustíveis. A própria BetaRenewewables, de acordo
com Gradim, vai implantar uma biorrefinaria em Crescentino, na Itália, de porte
semelhante à brasileira, para produzir 70 milhões de litros de etanol/ano, com
a mesma tecnologia Proesa, prevista ainda para este ano.
Na
planta de Alagoas, a GraalBio deve contar também com outros dois parceiros - a
Novozymes, que vai fornecer uma avançada geração de enzimas, e a DMS,
responsável pelo fornecimento das leveduras geneticamente modificadas que
fermentarão o etanol de segunda geração. A Novozymes, segundo Pedro Luiz
Fernandes, presidente regional para a América Latina, tem planos de construir
uma unidade industrial no Brasil, especificamente para fornecer enzimas de
última geração para o desenvolvimento de etanol de segunda geração.
"Depende de uma definição da GraalBio, onde serão instaladas as suas
outras unidades, mas também pode ser em São Paulo, Estado que concentra a
maioria das 400 usinas de cana-de-açúcar, que também poderão ser usadas para a
produção de biocombustíveis de segunda geração", diz Fernandes.
A
DMS, corporação global com faturamento de € 9 bilhões em 2011, que opera em
várias áreas de negócios, como nutrição humana, nutrição animal, enzimas
especiais para nutrição humana e para alimentos, produtos para cuidados
pessoais, plásticos de engenharia, resinas, fibras intermediárias e fármacos,
está investindo US$ 150 milhões em parceria com a POET na construção de uma
planta comercial para produzir 95 milhões de litros de etanol celulósico,
baseada em resíduos de milho, a partir do final de 2013. "Estamos vendo a
possibilidade de replicar o modelo americano no Brasil", conta Eduardo
Estrada, presidente da empresa.
Com
24 unidades produtores de açúcar, etanol e bioenergia, e capacidade estimada
para produzir 80 milhões de toneladas de cana na safra 2016/2017, a Raízen
também tem planos de investimento no mercado de biocombustíveis de segunda
geração.
TV por assinatura
atinge 14,5 milhões de domicílios no Brasil
Brasil
Econômico 23.07.2012 - Net/Embrater continua liderando em participação no mercado,
com 7,8 milhões de assinaturas.
Dados
da Anatel mostram alta de 1,7% na comparação com maio; Net lidera em
participação no mercado, com 53,8% do total de assinantes.
A
base de domicílios com TV por assinatura no Brasil cresceu 1,68%, com 239,6 mil
adições líquidas entre maio e junho de 2012, alcançando um total de 14,5
milhões de assinantes.
Em
relação a junho de 2011, o aumento na base de assinantes foi de 30,85%, o que
representa mais de 3,4 milhões de novas assinaturas.
A
Net/Embrater continua liderando em participação no mercado, com 7,8 milhões de
assinaturas, seguida pela Sky/Directv, com 4,5 milhões. Telefônica/Abril, Oi,
GVT, Algar e ViaCabo possuem menos de 1 milhão cada uma.
Os
dados foram divulgados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) nesta
segunda-feira (23/7).
De
acordo com a agência, os serviços prestados via satélite (DTH) são responsáveis
por uma fatia de 58,1% do total, enquanto os serviços a cabo representam 40,6%
das assinaturas.
As
proporções mostram redução de 6,3 pontos percentuais na participação dos
serviços a cabo e aumento de 7,5 pontos percentuais nos via satélite em
comparação com o mesmo período de 2011.
Em
termos regionais, a Anatel informou que Nordeste, Norte e Centro-Oeste
registraram índices de crescimento na base anual de 42%, 49,7% e 39,9%,
respectivamente, acima da média nacional (30,85%). Sudeste e Sul cresceram
27,9% e 27,6%, nesta ordem.
"Entretanto,
das 3,4 milhões de novas assinaturas registradas nos últimos 12 meses, quase
2,5 milhões ocorreram nas regiões Sul e Sudeste", notou a agência
reguladora.
A
Anatel estima que os serviços de TV por assinatura terminaram junho presentes
em 24,5% dos domicílios do Brasil. No Sudeste, essa taxa é a mais alta (35,5%),
enquanto no Nordeste é a mais baixa (10,8%).
Brasil tem 60% da
banda larga móvel 3G da AL
Folha
24.07.2012 - O Brasil foi responsável por 60% das assinaturas de banda larga
móvel 3G na América Latina, segundo levantamento feito no primeiro semestre
pela 4G Americas, que reúne provedores de serviços e fabricantes do setor. O país alcançou 58,6 milhões de assinaturas
de um total de 98,2 milhões estimadas na região. Em seguida estão México com
11%, Argentina (7%) e Chile (5%).
Ainda
há espaço no mercado brasileiro. Entre os 265 milhões de celulares no país até
junho de 2012, apenas 30% utilizam a banda larga móvel.
Os
números dão a dimensão do impacto que a suspensão da Anatel pode ter sobre as
operadoras, segundo especialistas.
"O
Brasil tem 29,6% de penetração para a banda larga móvel. Com o mercado saturado
em voz, onde está a maior parte do problema, os impactos da medida devem também
recair sobre os dados", afirma Erasmo Rojas, da 4G Americas.
"O
tráfego de dado também cai, mas o reflexo em voz é maior pois representa mais
sobre a receita de empresas", diz Elia San Miguel, do Gartner.
Na
Oi, estima-se que os cinco Estados suspensos respondam por 5% das vendas
mensais da companhia, o que inclui voz e dados.
"Nossa
projeção para o mercado de telefonia móvel em 2012 foi reduzida de 15,5% para
12% ante 2011. O impacto para banda larga móvel também é relevante", diz
Camila Saito, da Tendências.
Sonae Sierra põe R$
1,6 mi em Batalha Verde por liquidação
Brasil
Econômico 23.07.2012 - Os preços e os números de votos não serão divulgados
durante a campanha e as peças estarão à venda durante a sétima edição da
Liquidação Código Verde.
Em
uma espécie de leilão, os itens mais votados pelos consumidores terão desconto
de até 70%.
O
bom resultado que a Sonae Sierra conseguiu em sua estreia na bolsa em fevereiro
de 2011, quando captou R$ 478 milhões, deu segurança para a empresa investir em
novas campanhas, inclusive no Brasil, onde ocorrerá a Batalha Verde, uma
espécie de leilão, no qual o item que receber mais lances é o vencedor.
A
ação funciona assim: os consumidores devem entrar nos blogs dos shopping para
votarem nas roupas e nos acessórios que mais gostam. Ao final da temporada, que
vai desta segunda-feira (23/7) a 30 de julho, os itens mais votados terão
desconto de até 70%.
Os
preços e os números de votos não serão divulgados durante a campanha e as peças
estarão à venda durante a sétima edição da "Liquidação Código Verde",
marcada para agosto.
De
acordo com a gerente de Marketing Corporativo da Sonae Sierra Brasil, Laureane
Cavalcanti, o investimento total na campanha é de mais de R$ 1,6 milhão.
"Esta
é uma ação diferenciada que irá ampliar a expectativa para a Liquidação e
engajar os consumidores", disse Laureane.
Serão
10 shoppings participantes: Boavista, em Campo Limpo; Penha e Plaza Sul, em São
Paulo; Metrópole, em São Bernardo do Campo; Parque Dom Pedro Shopping, em
Campinas; Tivoli Shopping, em Santa Bárbara D'Oeste; Franca Shopping, em
Franca; Manauara Shopping, em Manaus e Uberlândia Shopping, em Uberlândia.
Além
da Batalha Verde, os visitantes poderão participar do "Quiz Atitude
Verde", no qual vão responder perguntas sobre meio ambiente para
descobrirem se têm atitudes verdes no dia a dia. O resultado será compartilhado
nas redes sociais.
Governo negocia
proposta de bebidas para o Brasil Maior
Valor
24.07.2012 - Heloísa Menezes, secretária de Desenvolvimento da Produção:
"Estamos na etapa de construir propostas com eles".
Os
empresários do setor de bebidas estão dispostos a investir, entre 2012 e 2015,
R$ 8,8 bilhões na ampliação de sua capacidade produtiva e R$ 2 bilhões em
distribuição e logística, o que criará demanda para compra de 580 mil novos
equipamentos de refrigeração no período. Em troca, esperam ter do governo
benefícios do Plano Brasil Maior, de estímulo a indústria, entre eles o
cancelamento do aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)
previsto para outubro.
As
propostas do setor de bebidas estão sendo apresentadas ao Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). O Ministério da Fazenda,
consultado pelo Valor, informou que aceita discutir benefícios do Brasil Maior
com a indústria, mas descarta mudar seus planos de aumento do IPI a partir de
outubro.
"Os
empresários falam em valores significativos, que estão sendo checados e
demonstram intenção de investimento robusto nos próximos anos", diz a
secretária de Desenvolvimento da Produção do MDIC, Heloísa Menezes. Ela
confirma os valores da proposta do setor de bebidas. "Mas incluímos o
grupo na discussão do Brasil Maior dentro da perspectiva de política
industrial, e não de política tributária".
Heloísa
diz que as discussões sobre tributos ainda serão tratadas pelos empresários com
o Ministério da Fazenda. "Estamos discutindo uma agenda que passa pela
ampliação de investimentos produtivos de comprometimento com compras locais de
equipamentos."
A
discussão com os fabricantes das bebidas frias - cerveja, refrigerantes, água,
mate e sucos - entrará em agosto na "agenda formal" do Plano Brasil
Maior, o que significa submeter as demandas da indústria ao comitê executivo de
ministros. Este decide os benefícios a serem concedidos em troca dos
compromissos das empresas no setor de agronegócios. "Ainda não criamos um
cronograma para o setor de bebidas, estamos na etapa de construir propostas com
eles", informou a secretária.
Ao
Valor, o presidente da Ambev, João Castro Neves, disse que as propostas estão
sendo levadas ao governo pelas principais entidades do setor - CervBrasil (que
reúne Ambev, Schincariol, Heineken e Itaipava), Abrabe (onde estão cervejarias
de menor porte, entre outros fabricantes de bebidas) e Abir (fabricantes de
sucos, águas e refrigerantes, como Coca-Cola, PepsiCo, Danone e Nestlé Waters).
"A gente está procurando mostrar ao governo que ele pode arrecadar igual
ou mais sem aumentar o imposto", diz o executivo.
O
decreto 7.742 de 31 de maio deste ano, republicado em 4 de junho, indicou que o
aumento do IPI sobre cerveja será de 20,75% em 1º de outubro. Isso pode gerar
um aumento no preço da bebida de 4%. "Nossa ideia é que o governo reveja o
aumento da carga tributária, que tem grande impacto no volume", diz Castro
Neves.
"Temos
de separar a ideia de política industrial dessa expectativa de tributo mais
baixo", diz Heloísa Menezes. Ela reconhece, porém, que a agenda discutida
com outros segmentos do setor de alimentos envolve medidas tributárias, como
acontece com o da carne, que já está em discussão no comitê do agronegócio.
Os
produtores de carne querem receber a desoneração da folha de pagamento (pela
qual as empresas deixam de contribuir à previdência com 20% sobre a folha e
passam a pagar 1% do faturamento) e se inscrever no Reintegra, que concede aos
exportadores a devolução de impostos pagos na cadeia produtiva, no equivalente
a 3% do faturamento. "Isso está sendo analisado e, se tiver espaço fiscal,
as demandas podem ser incorporadas ao Brasil Maior", diz a secretária.
O
Ministério da Fazenda confirma que há interesse em estender certos benefícios
do Brasil Maior, como a desoneração de folha e o Reintegra ao máximo de
setores, a partir de 2013. E há, por enquanto, avaliação de que as restrições
fiscais não serão problema.
No
caso do IPI de bebidas, porém, o aumento faz parte da estratégia do governo de
reduzir o imposto de produtos de consumo durável, como eletrodomésticos, e é
considerado, pelos técnicos, apenas uma "correção" dos valores, que
não teriam acompanhado a evolução crescente da rentabilidade do setor.
Para
a equipe econômica, são boas as perspectivas do setor de bebidas, e o reajuste
aplicado sobre o IPI traz os valores reais da tributação a um patamar próximo
ao realizado no último reajuste.
Herculano
Anghinetti, diretor da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerante e
de Bebidas Não Alcoólicas (Abir), informou que as entidades que representam o
setor de bebidas solicitaram à PricewaterhouseCoopers um estudo sobre os
principais números do setor para apresentar ao governo - foi quando a indústria
descobriu que representa 3% do PIB nacional. "Agora, estamos na fase de
detalhamento desses números, como é o plano de investimento de cada empresa,
quantos empregos cada uma deve gerar, expectativa de renovação da frota, de
construção de fábricas, entre outras iniciativas", diz o executivo.
O
trabalho das entidades em ingressar no Plano Brasil Maior não está apenas na
tentativa de revisão do aumento da carga tributária, diz Anghinetti. "O
imposto é apenas uma parcela da discussão", diz. "Ao participar do
Brasil Maior, queremos ter acesso a um fórum de discussões mais elevado".
Ele diz que os técnicos do MDIC ficaram surpresos com a capacidade de geração de
riqueza do setor. Um exemplo está no tamanho da frota: mais de 10 mil unidades,
entre veículos próprios e de terceiros. "Uma renovação em peso dessa frota
pode movimentar muito a economia".
Dívida pública cresce
em junho e atinge R$ 1,97 tri
Folha
24.07.2012 - A dívida pública federal, que inclui os endividamentos interno e
externo, cresceu 2,53% em junho na comparação com maio, ficando em R$ 1,97
trilhão. Os dados foram divulgados ontem pelo Tesouro Nacional.
O
aumento ocorreu principalmente por causa de uma emissão para que o BNDES (Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) possa ampliar seus
financiamentos às empresas.
A
dívida interna registrou um aumento de 2,65% em maio, para R$ 1,881 trilhão. Já
a dívida externa registrou crescimento de 0,16% em junho, para R$ 89,05
bilhões. A dívida externa é resultado da emissão de bônus do Tesouro no mercado
mundial.
Estrangeiros ou
nacionais, fundos reforçam negócios
Valor
24.07.2012 - "O Brasil é o último peru com farofa na mesa dos investidores
fora do Dia de Ação de Graças". A afirmação, muitas vezes repetida pelo
economista e ex-ministro da Fazenda Antonio Delfim Netto, ilustra a forma como
fundos de investimento de tecnologia veem o mercado brasileiro. Grupos que já
atuavam no Vale do Silício reforçaram recentemente suas carteiras e avaliam
outras novatas para investir. Um sinal desse interesse é o aumento no número de
"startups" que receberam recursos: em 2011 foram 65, ante 16 em 2010
e seis em 2009, compara Anderson Thees, sócio da Redpoint e.ventures.
A
Redpoint e.ventures é uma joint venture entre os grupos do Vale do Silício
Redpoint Ventures e o e.ventures (antigo BV Capital), que juntos administram
US$ 4 bilhões em fundos. A companhia lançou, ontem, um fundo de US$ 130 milhões
para "startups" de internet que tenham como foco o mercado
brasileiro. A Redpoint e.ventures investirá de US$ 1 milhão a US$ 10 milhões
por companhia e será sócia minoritária por até dez anos. O fundo tem em sua
carteira o Grupo Xangô, a ViajaNet, a Shoes4You, a 55Social e a Sophie &
Juliette. "A estimativa é chegar a 20 empresas. Neste ano ainda devemos
fechar algum acordo", afirma Thees. A companhia não descarta o lançamento
de um segundo fundo, em quatro a cinco anos, para o mercado brasileiro.
"O
Brasil tem se mostrado um lugar muito bom para investir", afirma Haroldo
Korte, diretor de investimentos do grupo Atomico, fundado por Niklas Zennström,
cofundador do Skype. O grupo investiu nas brasileiras Connect Parts e Bebê
Store e comprou participação nas novatas Restorando, Cinefis, PedidosJá e
Wrapp, que não são nacionais, mas têm o Brasil como alvo.
Sequoia
Capital, que investiu no Google, na Apple e no LinkedIn, recentemente abriu um
escritório no país
Korte
afirma que o fundo investe em companhias já desenvolvidas, com valor de mercado
entre US$ 30 milhões e US$ 40 milhões, e que precisam acelerar sua expansão. O
Atomico administra um fundo de US$ 160 milhões e não há um orçamento específico
para o Brasil. "Há muitas oportunidades no país, principalmente em
comércio eletrônico e serviços de internet. Devemos fechar outros acordos neste
ano", afirma.
A
Flybridge Capital Partners, que administra US$ 560 milhões em investimentos
globais, também reforçou os investimentos no país. A companhia já tinha em seu
portfólio a Shoes4You e a Open English. No mês passado, investiu no site
MadeiraMadeira. Jon Karlen, diretor da Flybridge Capital Partners, finaliza um
novo acordo, que ainda é mantido em sigilo. "As 'startups' de internet
crescem rapidamente no Brasil. As empresas do nosso portfólio vêm excedendo as
expectativas para este ano", afirma Karlen.
O
Sequoia Capital, um dos maiores grupos de investimento do Vale do Silício,
também já anunciou a abertura de um escritório no Brasil. Fontes do setor
afirmam que o grupo vai lançar em 15 dias um fundo com recursos para 'startups'
brasileiras. O grupo tem em carteira empresas como Google, Apple e LinkedIn e
faz aportes de US$ 10 mil a US$ 100 milhões.
A
Kaszek Ventures, gestora de um capital de US$ 100 milhões e liderada por dois
ex-executivos do Mercado Livre, Hernan Kazah e Nicolas Szekasy, tem uma
carteira de 21 'startups', das quais onze estão no Brasil: BelezaNaWeb,
MadeiraMadeira, Eotica, Oppa, OQVestir, PetLove, GetNinjas, HelpSaúde,
VivaReal, NetMovies e Kekanto. Kazah afirma que fará mais quatro novos aportes
neste ano e injetará recursos adicionais nas empresas atuais. "A meta é
acelerar o crescimento das empresas do portfólio atual, sem deixar de procurar
novos negócios", afirma.
O
grupo IG Expansión também reinvestirá na carteira atual enquanto avalia novos
negócios, afirma o sócio José Marín. O IG Expansión já fez aportes nas
"startups" 55Social, Capitalis, Sophie&Juliette e Shoes4You.
"Mantemos a meta de investir em pelo menos uma companhia por ano. Neste ano
fizemos o aporte na Sophie&Juliette, mas é provável que um novo projeto
seja lançado até o fim do ano", diz.
Além
da chegada de investidores internacionais, as "startups" brasileiras
têm sido beneficiadas pela criação de grupos brasileiros que também começam a
apostar no mercado de tecnologia. A Warehouse Investimentos, fundada em 2011 e
que administra o fundo FIP Votorantim Warehouse, de R$ 70 milhões, investiu em
quatro novatas: Gestum, iFood, Terra Cycle e Escolher Seguros. Pedro Sirotsky,
gestor do fundo, afirma já ter fechado acordo com uma corretora de seguros
on-line, cujo nome é mantido em sigilo.
Até
o fim do ano, a expectativa de Sirotsky é realizar de oito a dez investimentos
em "startups" e chegar a um total de 15 aportes até o fim de 2013.
"Procuramos atrelar a participação do fundo à capacidade de geração de
receita da empresa, para negociar preços mais realistas", afirma.
Outra
brasileira recém chegada é a Initial Capital, fundada em 2011 e que já realizou
quatro investimentos no Brasil (Gloombox, Pixy, Preciso Disso e uma empresa
cujo nome é mantido em sigilo). Daniel Carneiro da Cunha, sócio da Initial
Capital, estima encerrar o ano com seis ou sete aportes. A expectativa é que os
investimentos totalizem entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões neste ano.
A
A5 Investimentos, que investe em novatas brasileiras desde 2003, tem em sua
carteira as empresas OQVestir, Mestre dos Concursos, BrandsClub, Completa e
Clickon. Em junho, fez aportes na Lets e na Guiato. Paulo Humberg, sócio da A5,
afirma que há outros dois aportes aprovados em companhias novatas de internet,
que serão anunciados em agosto.
Cresce o número de
projetos a receber 1º aporte
Valor
24.07.2012 - Rodrigo Salvador e André Simões são estudantes de graduação da
PUC-Rio e sentiam falta de ferramentas nas redes sociais para universitários.
Juntos, criaram a Passei Direto, uma rede social para compartilhamento de conteúdo
acadêmico e consultas em tempo real a monitores. Criada há um mês, a rede
social já atraiu 3,5 mil dos 12 mil alunos da PUC-Rio. E ganhou a atenção do
Grupo Xangô, companhia de investimentos que administra recursos das gestoras de
fundos RedPoint Ventures, e.ventures, Index Ventures e Pinnacle Ventures.
"A
meta é atingir, até outubro, 300 mil estudantes das dez maiores universidades
do país", afirma Rodrigo Salvador, sócio da Passei Direto. O aporte do
Grupo Xangô, recebido neste mês, será usado para expandir a rede social, mas
seu valor é mantido em sigilo.
"Em
comparação com o mercado americano, a internet brasileira está pelo menos dez
anos atrasada em termos de oferta de serviços de internet. Há muito espaço para
crescer", afirma Marco de Mello, presidente do Grupo Xangô. Além da Passei
Direto, a companhia já fez aporte na PSafe. A expectativa é fechar um novo
investimento em agosto e outros dois em 2013.
A
Passei Direto é uma das novatas que aproveita o otimismo dos investidores em
relação ao mercado brasileiro de internet.
Outra
"startup" que recebeu aportes em julho é a Guiato. A empresa
desenvolve aplicativos para dispositivos móveis que permitem ao usuário
consultar ofertas em lojas próximas do local onde se encontra. O conceito foi
desenvolvido na Alemanha e adotado pela Guiato, que pretende reunir 1 milhão de
usuários por mês até dezembro, diz Samuel Artmann, executivo-chefe da Guiato. O
serviço recebeu aportes de Christian Gaiser, executivo-chefe do Bonial
International Group, Paulo Humberg, executivo-chefe da A5 Investimentos, e
Flávio Jansen, cofundador do Submarino (pertencente à B2W).
A
55Social, recebeu aportes das companhias IG Expansión e Redpoint e.ventures. A
empresa desenvolveu programas para criar e gerir campanhas de marketing no Facebook
e no microblog Twitter. Lançado em janeiro, o software é usado por 100
companhias de grande porte, diz Emílio Maciel, cofundador e executivo-chefe da
55Social. A companhia tem um escritório em São Paulo e um centro de
desenvolvimento na Argentina. "O próximo passo será expandir a operação
para a América Latina", diz Maciel. Para isso, o plano é promover uma nova
rodada de captação neste ano.
A
Pag Pop, dona de um software para pagamento eletrônico por celular, também se
prepara para receber um novo aporte de capital. A empresa recebeu recursos da
21212 Digital Accelerator, que investe em dez projetos a cada seis meses. A
companhia elevou o número de usuários de 4 mil para 15 mil no primeiro semestre
e pretende atingir 300 mil usuários em dois anos, diz Márcio Campos,
executivo-chefe da Pag Pop. A companhia negocia a nova captação com 15 fundos
estrangeiros.
Concessão de
aeroporto
Valor
24.07.2012 - A Anac emitiu documento que autoriza a iniciativa privada a
iniciar a fase de transferência das operações do aeroporto de Brasília. O
consórcio vencedor é formado pela Infravix (subsidiária do grupo Engevix) e
pela companhia argentina Corporación América, com o nome de Inframérica. A
sociedade que administrará o terminal também será composta pela Infraero -
estatal que gere a maioria dos aeroportos brasileiros.
Futuro da BR-101
Valor
24.07.2012 - A ANTT divulgou que a comissão de outorga da concessão da BR-101
(em trecho do Espírito Santo e parte da Bahia) adiou para 2 de agosto a
assinatura do contrato de operação. A sociedade vencedora foi o Consórcio
Rodovia da Vitória, composto por EcoRodovias (80%) e SBS Engenharia (20%).
Greve atrapalha
movimento nos portos
Valor
24.07.2012 - Pátio de contêineres em terminal do porto de Santos, o mais
movimentado do país: 83 navios esperando para atracar.
A
greve dos funcionários da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a
operação-padrão da Receita Federal já afetaram o movimento nos principais
portos do país. A paralisação da Anvisa, que começou na semana passada, está
atrasando a emissão da autorização para que os navios atraquem nos portos. A
situação está mais complicada no porto do Rio de Janeiro e no de Vitória,
embora as filas sejam maiores em Santos e Paranaguá, em função da grande
movimentação de safra.
Os
funcionários da Anvisa entraram em greve dia 16, pedindo reposição salarial de
25%. A agência é responsável pela emissão de um documento conhecido por
livre-prática, sem o qual nenhuma embarcação pode entrar no porto para embarque
ou desembarque de mercadorias. O aumento reivindicado pelos funcionários da
Receita é de 30%.
O
Rio de Janeiro registrou queda de 50% no número de navios de carga em trânsito
pelo porto da cidade na semana passada, em relação ao movimento previsto para o
porto carioca. Segundo Danilo Luna, diretor de engenharia e gestão portuária da
Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ), empresa que administra os portos
fluminenses, ontem havia oito navios fundeados fora da Baía de Guanabara
esperando uma solução. "Eles [os navios] não querem entrar no porto,
porque, em meio à greve, até conseguem atracar, mas depois não conseguem mais
deixar o porto enquanto a greve não terminar ", disse Luna. Em condições
normais, não há fila de espera no porto do Rio, disse o executivo.
"Há
no momento atraso em torno de um dia na chegada dos navios nos portos do Rio e
de Santos. Em função disso, a Libra está procurando elevar a produtividade e
acelerar a carga e a descarga de contêineres, além de flexibilizar as chamadas
janelas [horários certos para as estadias dos navios nos portos]", disse
Wagner Biasoli, presidente da Libra Terminais.
No
Espírito Santo, o número de navios parados esperando para atracar no porto
público de Vitória mais do que dobrou com a greve da Anvisa em relação a
períodos com condições normais de operação. "Temos 11 navios fundeados
dependendo de procedimentos da Anvisa para entrar no porto de Vitória",
disse Enildo Ferreira, gerente de operações do porto, administrado pela
Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa). "O reflexo da greve se fez
sentir mais a partir de hoje (ontem)", disse Ferreira.
No
porto de Rio Grande, no Sul, o principal problema é provocado pela
operação-padrão dos servidores da Receita Federal. A demora no desembaraço
aduaneiro levou a um acúmulo de 10 mil automóveis importados, quase o dobro do
número de veículos que usualmente ficam acumulados no local, o que supera a
capacidade do pátio automotivo do terminal, que é de 9 mil veículos, disse o
superintendente do porto, Dirceu Lopes.
Além
disso, conforme o executivo, a situação vai se agravar se não houver acordo até
o fim do mês, porque está prevista a chegada de mais 3 mil carros no início de
agosto, distribuídos em dois navios.
De
acordo com João Maria Medeiros, presidente do Sindicato Nacional dos Servidores
das Agências Nacionais de Regulação (Sinagência), a expectativa é que a adesão
à greve na Anvisa cresça ao longo desta semana e atinja 70%. No início da
paralisação, o percentual era de 35%, e ontem estava em 60%. O presidente do
sindicato disse que os grevistas vão respeitar o contingente mínimo de 30% de
servidores que não podem cruzar os braços, como previsto em lei.
A
greve dos servidores da Anvisa, ainda não afetou substancialmente as operações
no porto de Paranaguá, no Paraná. De acordo com a Administração dos Portos de
Paranaguá e Antonina (Appa), no fim da tarde de ontem 119 embarcações
aguardavam para entrar no porto, número normal para esta época do ano.
No
porto de Santos, o mais movimentado do país, havia 83 navios esperando para
atracar na tarde de ontem. Segundo a Companhia Docas do Estado de São Paulo
(Codesp), contudo, não é possível atribuir a fila de embarcações somente à
greve da Anvisa ou à operação padrão da Receita Federal. A estatal afirma que
nesta época do ano a confluência entre embarque de safras agrícolas e alta
movimentação de contêineres costuma elevar o número de embarcações à espera de
vagas para atracar. De acordo com a Codesp, todos os pedidos de atracação
solicitados entre sexta-feira e ontem foram atendidos. Segundo o comando de
greve da Anvisa em Santos, diariamente são liberadas cerca de 25 autorizações,
mas no domingo (ultimo dado disponível) foram apenas 10.
Antevendo
os problemas, alguns sindicatos de agências de navegação conseguiram antecipar
a emissão da livre-prática. Foi o que fez o terminal da multinacional de
líquidos Stolthaven. A empresa tem seis navios já liberados aguardando fora do
porto espaço nos berços de atracação. Para a Federação Nacional das Agências de
Navegação Marítima (Fenamar), as manifestações podem ainda não ter impedido a
entrada dos navios, mas estão, no mínimo, atrasando o procedimento nos portos.
O diretor-executivo da Fenamar, André Zanin, avalia que a situação tende a
piorar, pois desde o fim de semana a greve da Anvisa recrudesceu.
Alguns
sindicatos das agências marítimas conseguiram liminares para garantir o
trabalho dos servidores da Anvisa, mas os pedidos dos representantes dos portos
de Maceió, Recife, Vitória e Santos ainda estão em análise na Justiça.
"A
situação está começando a ficar crítica. Temos um número elevado de navios
esperando para atracar", afirma o diretor-executivo do Sindicato dos
Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp), José dos Santos Martins.
O próximo passo, diz, é a greve afetar a indústria que depende da liberação da
carga para o seu negócio. O Sopesp reúne 46 terminais de Santos, que respondem
por quase 25% da balança comercial do país.
As exportações
brasileiras à Argentina começaram a dar sinais de recuperação após disputa
Reuters
24.07.2012 - As exportações brasileiras à Argentina começaram a dar sinais de
recuperação em julho, anunciou nesta segunda-feira o Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), após as duas maiores
economias da América do Sul concordarem em virar a página a respeito de uma
série de disputas comerciais.
Segundo
a pasta, as exportações do país à Argentina atingiram uma média de 72,4 milhões
de dólares por dia útil durante as três primeiras semanas de julho, valor 10,4
por cento acima da média no mesmo período em junho. "As coisas estão se
normalizando", disse à Reuters uma fonte do Mdic em Brasília.
"O
inventário de produtos barrados nas aduanas está reduzindo. As coisas estão
fluindo. Existe boa vontade da parte da Argentina para normalizar o fluxo
comercial", adicionou.
As
exportações à Argentina, terceiro maior parceiro comercial do Brasil, após
China e Estados Unidos, recuaram 34 por cento em base anualizada em junho após
Buenos Aires impor barreiras às importações para deter a redução do superávit
comercial e esfriar a demanda de dólares.
O
Brasil respondeu eliminando as licenças automáticas para dezenas de produtos,
como maçãs, batatas e vinhos, o que reduziu em 30 por cento as exportações
argentinas ao maior mercado da América Latina em junho.
Ambos
os países acordaram uma trégua em junho durante uma cúpula do Mercosul na
cidade de Mendoza, na Argentina.
A
secretária de Comércio Exterior do Brasil, Tatiana Prazeres, se reuniu nesta
segunda-feira em Brasília com sua colega argentina, Beatriz Paglieri, para
monitorar o fluxo comercial.
Segundo
nota divulgada nesta segunda-feira pelo Mdic, Prazeres disse que os resultados
eram positivos e espera que o fluxo comercial "apresente um crescimento
nos próximos meses".
O
intercâmbio comercial entre Brasil e Argentina foi de 39,684 bilhões de dólares
em 2011, com um saldo de 5,803 bilhões de dólares favorável ao Brasil.
Real pode ser moeda
de reserva internacional, diz economista
Brasil
Econômico 23.07.2012 - Sobre a possibilidade da moeda chinesa assumir o posto
de reserva internacional, o economista diz que o mercado financeiro da China
ainda é pequeno
Einchgreen
lembrou que a falta de fontes seguras de reserva e de liquidez foram alguns dos
principais problemas durante a Grande Depressão dos anos 30.
Brasil
e Índia poderão fornecer moedas de reserva internacional em um prazo de 10 a 20
anos, defendeu o economista Barry Eichengreen, professor de Economia e Ciências
Políticas da Universidade da Califórnia, em apresentação no seminário "O
Brasil e o mundo em 2022".
Segundo
ele, apesar do dólar ainda ser a única moeda intenacional, uma mudança neste
cenário é inevitável. Entretanto, o mundo carece de alternativas imediatas.
"A
pior situação vai ser se os investidores pederam a confiança no dólar antes de
termos uma alternativa", ressaltou.
Einchgreen
lembrou que a falta de fontes seguras de reserva e de liquidez foram alguns dos
principais problemas durante a Grande Depressão dos anos 30.
Sobre
a possibilidade da moeda chinesa, o yuan, assumir este "lugar", o
economista frisou que é um mercado financeiro ainda pequeno e o fato de não
haver democracia serão empecilhos, embora o governo chinês esteja trabalhando
para que a moeda seja internacionalizada.
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