segunda-feira, 23 de julho de 2012

Azul.CA.23.07

Daily News


Justiça nega liminar à TIM contra suspensão de vendas
Reuters 23.07.2012 - O pedido de liminar da operadora TIM contra a suspensão de vendas determinada na semana passada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) foi negado pela Justiça Federal de Brasília.
A operadora havia entrado com recurso solicitando liminar na sexta-feira passada contra a decisão da Anatel de suspender a venda de chips da empresa em 18 Estados e no Distrito Federal.
O mérito do recurso, encaminhado para 4a Vara da Justiça Federal de Brasília, segue sendo avaliado, segundo informações do site do órgão.
Procurada, a TIM não pode comentar o assunto de imediato.
Em sua decisão contrária à liminar, o juiz Tales Krauss Queiroz afirma que "de dois anos para cá, é pública e notória a piora na qualidade dos serviços de telefonia celular do país".
"Há uma sensação generalizada por parte dos usuários de que a qualidade caiu: são interrupções do serviço, chamadas não completadas, queda das ligações, falhas na qualidade dos sinais e, na Internet móvel, deficiências de conexão e velocidade", afirmou o juiz em sua decisão.
Ao negar a liminar à TIM, o juiz afirmou que "como se trata de medida cautelar, em que o contraditório não é suprimido, mas postergado, diferido, conclui-se que não há ilegalidade na conduta da agência reguladora".
Em outro ponto de sua decisão, o juiz acrescenta que a suspensão de novas vendas de chips foi "proporcional" aos problemas apresentados.
Às 12h26, as ações da TIM exibiam queda de 3 por cento, cotadas a 8,28 reais, enquanto o Ibovespa mostrava recuou de 3,2 por cento.
O procurador-geral da Anatel, Victor Cravo, disse que o juiz acatou os argumentos da Advocacia-Geral da União de que a proibição temporária das vendas não feria a competição, uma vez que apenas uma empresa foi suspensa por Estado, deixando pelo menos três outras vendendo em cada unidade das federação.
"E o juiz entendeu que não era uma decisão inédita", disse Cravo, lembrando que a própria agência já proibiu, anos atrás, a venda de novos planos de banda larga fixa da Telefônica em São Paulo.
Segundo o procurador, a TIM ainda pode recorrer no Tribunal Regional Federal.


Anatel recebe plano de investimento da Claro, mas mantém suspensão da operadora
MonitorMercantil 23.07.2012 - Nesta terça-feira, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) recebeu o plano de ação da operadora Claro, exigido pela decisão que suspendeu as vendas da companhia em São Paulo, Sergipe e Santa Catarina. A operadora foi punida na semana passada, juntamente com as concorrentes TIM e Oi, por deficiência de serviço.
De acordo com o plano, a Claro promete investir até o final do ano R$ 3,5 bilhões no aumento da capacidade de sua rede em todo o país. Além disso, a Claro promete instalar um cabo submarino ligando o Brasil - saindo do Rio Janeiro e passando por Fortaleza - aos EUA - até Miami.
Segundo a Claro, esse investimento vai permitir aumentar a velocidade das transmissões e comportar crescimento de usuários dos serviços de voz e de dados. A companhia também informou que contratou três novas empresas prestadoras de serviço para operarem seus serviços de Atendimento ao Consumidor (SAC), a principal reclamação contra a companhia.
Na semana passada, as operadoras Claro, TIM e OI foram suspensas para a comercialização de novas linhas de celular e de serviço de internet. A liberação da venda foi condicionada pela Anatel à apresentação de um plano de investimentos em até 30 dias.
Segundo o superintendente de Serviços Privados da Anatel, Bruno Ramos, a reunião com a Claro "foi muito boa", mas a empresa ainda necessita detalhar como ajustará a rede ao crescimento de usuários.
Bruno Ramos não soube informar quando a Claro terá autorização para voltar a vender chip e modem nos três estados onde teve os serviços suspensos pela Anatel. "Não temos prazo para suspender a medida cautelar. É muito cedo para falar disso".
Para evitar que a proibição seja burlada, a Anatel está fazendo fiscalização das habilitações nas centrais das empresas. No entanto, outros serviços da operadora continuam funcionando. Clientes da empresa também podem realizar alteração nos serviços já contratados.


Lucro da CR Almeida Engenharia e Construções cai 70% em 2011
Valor 23.07.2012 - A CR Almeida Engenharia e Construções, empresa de participações em construção civil, concessões públicas e produtos químicos, lucrou R$ 200,5 milhões em 2011, uma queda de 70% em relação a 2010, segundo as demonstrações contábeis divulgadas hoje.
A receita líquida passou de R$ 781,8 milhões, em 2010, para R$ 193,6 milhões, no ano passado, uma redução de 75%.
A empresa tinha R$ 3 mil em caixa em dezembro e empréstimos e financiamentos totalizando R$ 386,8 milhões.
O patrimônio líquido era de R$ 2,52 bilhões. Segundo o auditor independente, a Moore Stephens Boeing, a empresa mantém no balanço créditos a receber do governo do Paraná, no valor de R$ 4,73 bilhões, com base em estimativas jurídicas "ainda não reconhecidas oficialmente em sua totalidade pelo Estado", que discute os critérios de atualização do débito.


Fundo vai investir US$ 130 milhões em novas empresas brasileiras
Folha 23.07.2012 - A empresa Redpoint e.ventures anunciou nesta segunda-feira (23) o lançamento de um fundo de US$ 130 milhões (R$ 265 milhões) para investimentos em start-ups (pequenas empresas de base tecnológica) brasileiras. O objetivo é comprar fatias de firmas em estágio inicial que tenham como foco o desenvolvimento de serviços de internet, tanto móvel quanto fixa.
Parte desse montante já foi investido em cinco empresas: Viajanet (de compra de passagens e reserva de hotéis pela rede), Grupo Xangô (serviços de computação em nuvem), 55Social (marketing em redes sociais), Shoes4you (comercialização de sapatos por modelo de assinatura) e Shophie&Juliete (venda direta de bijuterias).
O dinheiro do fundo vem de investidores internacionais --não há brasileiros entre eles. O modelo de negócios é comprar uma parte da start-up, mas sem o objetivo de ter o controle o controle da empresa, que continuaria com seus criadores.
"Estamos aqui para criar um sistema de apoio, mas o responsável pelo sucesso do negócio é o empreendedor", diz Anderson Thees, sócio-fundador da Redpoint e.ventures, que foi fundada neste ano. Ele afirma que os recursos devem ser investidos em um período de três a quatro anos, em um conjunto de cerca de 20 empresas.
Ele não revela quanto já foi colocado nas cinco start-ups que já têm participação do fundo.
Depois de algum tempo, o fundo vai se desfazer da sua participação na start-up, por meio da venda para outras companhias ou para os próprios criadores da empresa ou a abertura do capital na Bolsa.
Como ainda existe pouca cultura de pequenas empresas negociando ações no mercado financeiro, no Brasil a tendência é buscar aquisições por outras companhias, diz Thees.
Como a Redpoint e.ventures é resultado da associação de empresas de investimento internacionais, também existe a expectativa de adaptar no Brasil ideias de negócios de start-ups que tenham participação do grupo e que são bem-sucedidas em países como Estados Unidos, Rússia e China.
"Vamos importar muito modelo de negócio para depois começar a exportar também", diz. Também pode haver ajuda para encontrar profissionais desses países e que tenham interesse em trabalhar em start-ups brasileiras --o Xangô, por exemplo, contratou engenheiros russos recentemente.
O discurso da empresa de investimentos é o de incentivar a cultura do uso de capital de risco para o desenvolvimento do empreendedorismo no Brasil. "Hoje você tem US$ 200 milhões ou US$ 300 milhões em investimento de capital de risco no Brasil, enquanto países muito menores, como Israel, têm bilhões", afirma Yann de Vries, também sócio da companhia.


Grupo Amil lidera reclamações contra planos de saúde, diz Procon-SP
Estadão 23.07.2012 - Diretor executivo da fundação vê contraste entre o custo alto dos planos e o retorno que oferecem. O Grupo Amil é a operadora de planos de saúde que mais recebeu queixas no Procon-SP entre 1º de janeiro e 17 de julho deste ano, seguido pela Green Line e a Unimed. A informação foi dada pela fundação nesta segunda-feira, 23, quando foi divulgado o ranking com os onze convênios mais reclamados no Estado de São Paulo no período.
O ranking foi baseado em queixas que precisaram de mediação do Procon-SP para serem resolvidas, somadas a pedidos de orientação e esclarecimentos de dúvidas. Foram 6.120 atendimentos ao consumidor no primeiro semestre deste ano, informou o Procon.
Para o diretor executivo da fundação, Paulo Arthur Góes, há um contraste entre o custo alto cobrado pelos planos e o retorno que oferecem. "O consumidor paga por muitos anos o seu plano e quando mais precisa dele enfrenta obstáculos impostos pelas empresas para dificultar a prestação do serviço, esperando vencer pelo cansaço", comenta.
Entre as queixas dos consumidores que reclamaram ao Procon-SP estão a demora ou impossibilidade em autorizar e marcar procedimentos, como consultas e exames; a negativa de cobertura ou reembolso; alterações na rede credenciada sem aviso, tanto em quantidade quanto em qualidade dos prestadores de serviços; e reajustes de faixa etária que ferem o estatuto do idoso.


Votorantim Corretora recomenda compra de Dasa
Brasil Econômico 23.07.2012 - Rompimento dos R$ 12,35 poderia levar a ação DASA3 em direção até R$ 12,70. Analista gráfico Rafael Espinoso aproveita queda e indica "operação contra tendência", com objetivo em R$ 13,15.  A Votorantim Corretora abriu uma recomendação de compra das ações ordinárias da Dasa (DASA3) no preço de R$ 12,25, em uma operação contra tendência, com objetivo em R$ 13,15.
"Depois de uma queda bem forte nos últimos dias, ativos vai querendo respeitar "possível" região de fundo, entre R$ 12,20 e R$ 12,00", informou o analista gráfico da corretora, Rafael Espinoso, em relatório.
De acordo com Espinoso, com o papel em região de sobrevenda, a ideia é aguardar o rompimento dos R$ 12,35, o que poderia levar a ação em direção a R$ 12,70 e, mais para frente, R$ 13,35.
O stop loss deve ser fixado nos R$ 11,80, segundo o analista. Há pouco, a ação registrava queda de 0,90%, a R$ 12,16.


Profarma negocia compra da ArpMed
Brasil Economico 23.07.2012 -  A Profarma obteve receita bruta de R$ 954 milhões entre janeiro e março. Com o negócio, distribuidora estreia em mercado de R$ 400 milhões anuais.
De olho no nicho de medicamentos especiais - com alto nível de tecnologia e comercializados fora das grandes redes de farmácias -, a distribuidora Profarma negocia a aquisição da ArpMed, especializada nesse segmento, apurou o Brasil Econômico. O valor não foi revelado.
A companhia alvo também é uma distribuidora e concentra atuação em São Paulo - onde tem, inclusive, uma farmácia -, e no Rio de Janeiro. Mas seu alcance é nacional já que outros estados são atendidos por meio de parceiros, diz uma fonte.
Com o movimento, a Profarma vai agregar um novo negócio ao seu portfólio. "É interessante para a empresa porque além de a ArpMed estar em um segmento promissor no Brasil, a margem do business de especiais é muito maior, pode chegar a 10%", disse uma fonte.
Já a margem líquida da Profarma foi de 1,2% no 1º trimestre de 2012.
Essa diferença existe porque os produtos comercializados por empresas como a ArpMed, uma das tradicionais do ramo, são bem mais caros que os tradicionais. As formulações embutem alto nível de tecnologia e se destinam a tratamento de patologias específicas.
Segundo o site da ArpMed, a companhia detém 290 itens em sua lista, desenvolvidos por empresas do porte de EMS, Eli Lilly, Pfizer, Roche e muitos outros. Os laboratórios não costumam distribuir esses medicamentos para as grandes redes de drogarias por questão de escala.
Mercado de R$ 400 milhões: Embora movimente menores volumes, trata-se de um nicho que tem crescido rápido, cerca de 10% ao ano, e movimenta R$ 400 milhões por ano no país. Com a consolidação das redes de farmácias, as drogarias se tornam ainda menos interessantes como alternativa de vendas para medicamentos e produtos com esse perfil.
A Profarma, cuja receita bruta somou R$ 954 milhões entre janeiro e março, distribui genéricos, OTC (não é preciso ter receita médica para a compra), medicamentos de referência, hospitalares e vacinas, além de cosméticos e itens de higiene pessoal. Procuradas, as empresas não se pronunciaram até o fechamento da edição.


Anac autoriza operação privada no aeroporto de Brasília
Folha 23.07.2012 - A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) emitiu nesta segunda-feira o documento que autoriza a iniciativa privada a iniciar a fase de transferência das operações do aeroporto de Brasília.
O terminal foi um dos três a passar por leilão de concessão em fevereiro deste ano, junto com Guarulhos e Campinas.
O consórcio vencedor do aeroporto é formado pela Infravix (subsidiária do grupo Engevix) e pela companhia argentina Corporación América, com o nome de Inframérica. A sociedade que administrará o terminal também será composta pela Infraero, estatal que gere a maioria dos aeroportos brasileiros.
De acordo com a Anac, após a emissão do documento, chamado de ordem de serviço, a concessionária tem dez dias para apresentar o plano de transferência operacional (PTO).
Caso receba a aprovação desse plano, o que será feito em até 20 dias, a operação do aeroporto passa a ser feita pela Infraero com acompanhamento da concessionária, o que pode durar até três meses. Após esse prazo, a operação dos aeroportos passa a ser de responsabilidade da concessionária.
Ainda segundo a Anac, a concessionária deve apresentar o projeto básico das obras num prazo de 90 dias.


Assinatura de concessão de trecho da BR-101 é adiada
Estadão 23.07.2012 - A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou nesta segunda-feira que foi adiada para 2 de agosto a assinatura do contrato de concessão do trecho ES/BA da BR-101 com o Consórcio Rodovia da Vitória. O adiamento é uma decisão da Comissão de Outorga da 3ª Etapa da Concessão da BR-101 (ES-BA) e se deu devido a "questões de agenda". Pelo cronograma inicial, a assinatura deveria ocorrer no dia 27 deste mês. O ato de outorga desse trecho da rodovia, que compreende 475,9 quilômetros, em favor do Consórcio Rodovia da Vitória, vencedor do leilão, foi emitido nesta segunda-feira conforme publicado no Diário Oficial da União na Resolução 3.866.


Tombini:convergência da inflação segue consistente com meta
Reuters 23.07.2012 - A trajetória da inflação continua consistente com a convergência para sua meta, disse nesta segunda-feira o presidente do Banco Central, para quem a economia brasileira tende a se recuperar mais fortemente neste segundo semestre.
Alexandre Tombini disse também que os estoques da indústria estão abaixo do visto no ano passado, o que abriria espaço para o crescimento na produção conforme a demanda aumentar.
Em teleconferência a jornalistas estrangeiros, o presidente do BC sustentou que já existem indicações de que a economia está acelerando.
"Já temos sinais que amparam a visão de maior crescimento no segundo semestre começando no terceiro trimestre. Estamos confiantes de que o crescimento em termos anualizados vai ser bem mais forte", afirmou.
Crédito, inadimplência e quadro externo:  O crescimento econômico deve vir acompanhado de uma estabilização nas taxas de inadimplência que têm batido seguidos recordes. Em maio, o calote atingiu 6 por cento, recorde para a série histórica do BC.
"A taxa de inadimplência tende a se estabilizar e começar a cair até o final deste ano", afirmou o presidente do BC.
Tombini afirmou ainda que as concessões de crédito em junho aumentaram, revertendo a queda de 1,5 por cento em maio. O dado consolidado do mês passado será divulgado pelo BC na próxima quinta-feira junto com outras informações sobre política monetária e operações de crédito.
Ele comentou ainda que há uma agenda de obras de infraestrutura que precisa ser implementada. "O governo está focado nisso", disse, acrescentando que as obras vinculadas ao setor de petróleo e aos eventos esportivos contribuirão para o investimento.
Para Tombini, apesar do agravamento do quadro externo que atingiu o setor bancário espanhol e que elevou as dificuldades para a Grécia, é menos provável a ocorrência de uma ruptura hoje do que nos meses anteriores. "A probabilidade de um evento extremo se reduziu na comparação com alguns meses atrás."
E os dados de junho do Investimento Estrangeiro Direto (IED), disse, mostram que o Brasil "continua sendo um país forte para atrair" esses recursos.
Convergencia não linear: Ainda sobre a inflação, o presidente do BC argumentou que sua convergência para a meta de 2012, de 4,5 por cento, não é linear.
"A convergência (da inflação) vai acontecer. Esse processo começou em setembro do ano passado. Não é linear, não é homogêneo. Pode ser que haja um recuo na convergência, uma reversão temporária", disse.
O comentário ocorre depois de vários indicadores mostrarem aceleração nos últimos dias. Na sexta-feira, o IBGE informou alta de 0,33 por cento do IPCA-15 em julho, ante 0,18 por cento em junho e acima das expectativas.
O relatório Focus do BC divulgado nesta segunda-feira mostrou que o mercado financeiro elevou sua projeção para a alta de preços para este ano, passando para 4,92 por cento, contra 4,87 por cento na semana anterior. .
Bancos: Em um momento em que as agências de classificação de risco têm rebaixado o rating de bancos em países como Espanha e Itália, na esteira da crise econômica internacional, Tombini sustentou que as instituições financeiras médias e pequenas no Brasil estão em situação melhor do que no ano passado.
"Podemos dizer que a situação (de bancos pequenos e médios) é melhor agora do que no começo de 2011", disse. "Estamos melhorando na supervisão desse setor que é bastante importante para economia", emendou.
Tombini aproveitou para reafirmar que o BC atuará no câmbio se houver volatilidade que impeça o funcionamento adequado do mercado.


Dívida Pública Federal soma R$ 1,970 trilhão em junho
Estadão 23.07.2012 - Resultado foi influenciado pela apropriação de juros, no valor de R$ 14,45 bi, e de emissões que somaram R$ 34,22 bi. A Dívida Pública Federal (DPF) somou R$ 1,970 trilhão em junho deste ano, segundo dados divulgados nesta segunda-feira, 23, pelo Tesouro Nacional. O volume representa uma alta de 2,53% na comparação com maio. O resultado foi influenciado pela apropriação de juros, no valor de R$ 14,45 bilhões, e de emissões que somaram R$ 34,22 bilhões.
Já a Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) somou R$ 1,881 trilhão em junho, o que representa um crescimento de 2,65% no estoque na comparação com maio. O volume sofreu impacto dos juros no valor de R$ 13,76 bilhões e da emissão líquida no valor de R$ 34,77 bilhões.
Com relação à Dívida Pública Federal externa (DPFe), o saldo em junho foi de R$ 89,05 bilhões, um leve acréscimo de 0,16% sobre o estoque verificado no mês anterior. As informações foram divulgadas há pouco pelo Tesouro Nacional.
Custo médio: O Tesouro informou que o custo médio acumulado em 12 meses da Dívida Pública Federal (DPF) recuou de 12,85% ao ano em maio, para 12,81% em junho. No mesmo período de comparação, o custo médio acumulado em 12 meses da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) caiu de 12,05% ao ano, para 11,95% ao ano. Segundo o Tesouro, esse recuo reflete a menor variação do IPCA e da taxa Selic no período.
O Tesouro informou ainda que o prazo médio da DPF recuou de 3,81 anos em maio para 3,78 anos em junho. O relatório da dívida divulgado há pouco mostra ainda que os vencimentos da DPF para os próximos 12 meses passaram de 27,45% do estoque em maio, para 28,01 do estoque em junho.
Títulos: Segundo o Tesouro, a parcela de títulos prefixados na composição da DPF subiu de 38,13% em maio para 39,45% em junho. Esse porcentual do mês passado está dentro do intervalo estabelecido pelo Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2012, de 37% a 41%.
No caso dos papéis indexados a preços, houve um aumento da participação de 31,62% em maio para 32,82% no mês passado, dentro, portanto, do intervalo estimulado pelo PAF para este ano, de 30% a 34%.
Com as trocas de papéis indexados à taxa básica de juros (Selic) no FGTS, a participação desses títulos no total da dívida recuou de 25,77% em maio para 23,37% em junho. Com esse novo patamar, o resultado de junho se aproxima mais da banda inferior para o papel no PAF, de 22% - o teto é de 26%.
Em relação ao câmbio, houve uma ligeira queda da participação de maio para junho, passando de 4,47% para 4,37%, também dentro das bandas de 3% a 5% estipuladas pelo PAF este ano.
No caso da Dívida Pública Federal interna (DPMFi), foi verificado o mesmo comportamento dos papéis na DPF: elevação da participação de títulos prefixados e corrigidos por preços, redução dos papéis atrelados à Selic e estabilidade no caso de câmbio.
Entre os títulos prefixados, o avanço de maio para junho foi de 39,24% para 40,59%, e nos corrigidos por preços, de 33,15% para 34,37%. Em relação à Selic, a diminuição da fatia foi de 27,02% em maio para 24,47% no mês passado. E, em câmbio, a parcela de títulos saiu de 0,59% para 0,57% no período.


Procuradoria pede liminar para suspender obras de usina entre RJ e MG
Folha 23.07.2012 - O Ministério Público Federal em Volta Redonda (RJ) entrou com pedido de liminar na Justiça para suspender a construção da pequena central hidrelétrica (PCH) Santa Rosa I, no rio Preto, entre Rio das Flores (RJ) e Belmiro Braga (MG). O órgão alega que o empreendimento vai afetar diretamente a fauna do rio, um dos mais preservados da bacia do rio Paraíba do Sul, e três sítios arqueológicos localizados na região.
O pedido de liminar faz parte de ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal contra a dona do empreendimento, a Santa Rosa Energética. Também são réus na ação a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), a ANA (Agência Nacional de Águas), o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis).
Na ação, o Ministério Público Federal aponta erros no processo de licenciamento ambiental e de concessão de serviço público de exploração de energia em favor da PCH. O órgão pede a concessão da liminar suspendendo a obra e a elaboração de um novo Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima).
Em nota, o Ministério Público Federal informou que já havia expedido uma recomendação aos réus, em maio deste ano, relativa à suspensão da licença da hidrelétrica, e à necessidade de elaboração de um novo EIA/Rima.


Bradesco tem lucro abaixo do esperado, corta previsão de crédito
Reuters 23.07.2012 - O segundo maior banco privado do país, Bradesco, cortou suas projeções de crescimento da carteira de crédito este ano depois que a desaceleração da economia e aumento de índices de inadimplência fizeram os resultados da instituição ficarem levemente abaixo do esperado no segundo trimestre.
O banco teve lucro líquido de 2,83 bilhões de reais, avanço ligeiro de 1,7 por cento sobre o mesmo período de 2011, enquanto o lucro recorrente somou 2,867 bilhões de reais, ante expectativa média de 11 analistas apurada pela Reuters de resultado positivo de 2,92 bilhões de reais.
O Bradesco reduziu sua projeção de expansão da carteira de crédito em 2012 de 18 a 22 por cento para 14 a 18 por cento, segundo balanço divulgado nesta segunda-feira.
O banco encerrou o trimestre com o quinto aumento seguido no índice de operações de crédito vencidas há mais de 90 dias. O indicador passou de 3,7 por cento no segundo trimestre de 2011 para 4,2 por cento e ficou acima dos 4,1 por cento dos três primeiros meses de 2012.
Com o aumento na inadimplência, o Bradesco elevou a provisão para devedores duvidosos para 20,68 bilhões de reais ante 20,117 bilhões no primeiro trimestre e 17,365 bilhões no segundo trimestre do ano passado.
Enquanto isso, a carteira de crédito da instituição cresceu 14,1 por cento no comparativo anual, para 364,963 bilhões de reais, puxado por expansão dos financiamentos a pessoa jurídica, que subiram 16,5 por cento no período, para 252,728 bilhões de reais.
O retorno anualizado sobre patrimônio líquido médio (ROE), um indicador da lucratividade de um banco, fechou o trimestre no nível mais baixo desde pelo menos o terceiro trimestre de 2010, a 20,6 por cento. De janeiro a março o indicador havia sido de 21,4 por cento e no segundo trimestre de 2011 o Bradesco havia registrado ROE de 23,2 por cento.


Sônia Hess, criada para dar lucro
Valor 23.07.2012 - "Embaixatriz da paz" junto aos quinze irmãos, Sônia Hess assumiu a Dudalina há nove anos: "Morreria de fome se tivesse que sobreviver como contadora".
À frente da Dudalina desde 2003, Sônia Hess, 57 anos, se considera uma gestora focada em resultado, não em dinheiro. "Não quero retorno a qualquer preço", diz. Ao mesmo tempo, ela costuma afirmar que foi "criada para dar lucro". Junto com 15 irmãos, Sônia ajudou desde pequena a tocar a confecção de camisas no interior de Santa Catarina fundada pela mãe, Adelina Hess, 55 anos atrás. E décadas de conhecimento acumulado sobre o negócio devem ajudar a empresária a conduzir a Dudalina rumo à marca de R$ 1 bilhão de faturamento, em 2016.
A Dudalina começou a trilhar seu maior salto há dois anos, quando Sônia colocou em prática o plano de expansão da companhia via abertura de lojas monomarcas. De uma empresa industrial tradicional do setor têxtil, a Dudalina se estabeleceu no varejo. Em pouco tempo, as lojas da marca se espalharam pelos shopping centers, vendendo basicamente um tipo de produto: camisas, que custam em média R$ 300.
Em paralelo, a Dudalina se lançou no mercado feminino, até então inexplorado. A marca passou a estampar revistas de moda e comportamento, ganhou status de grife e, por fim, caiu no gosto de "mulheres de que decidem" (o slogan da linha feminina) como Maria Luiza Trajano e Ana Paula Padrão. "Somos democráticos. Vestimos do tamanho 34 ao 50", afirma Sônia.
O público feminino responde hoje por quase 30% das vendas totais (em R$) da empresa, que este ano devem alcançar R$ 380 milhões, 38,7% acima do registrado em 2011. Esse resultado ocorrerá após um crescimento de 57,5% no ano passado.
Até dezembro, a Dudalina atingirá 75 lojas, algumas delas franquias, mas a maior parte próprias. O formato é "double" - ou seja, com araras de camisas para homens e mulheres.
Informal e bem humorada, Sônia Hess diz que sua mãe planejou os 16 filhos "para ter mão de obra barata"
Apelidada de "embaixatriz da paz" junto aos irmãos pelo pai, Rodolfo de Souza (mais conhecido como "Duda"), Sônia assumiu o comando da Dudalina nove anos atrás à convite do conselho de administração da companhia. Isso ocorreu depois da empresária passar um período trabalhando em outras empresas do setor têxtil, em Minas Gerais. "Foi meu voo solo", comenta.
Na época, dois de seus irmãos também trabalhavam na companhia da família, mas o órgão de governança, formado por três familiares e três membros independentes, optou por Sônia. Ela passou a ocupar definitivamente a presidência depois de ganhar experiência nas áreas marketing, produto e comercial da empresa.
Quem conhece a empresária diz que o seu grande trunfo no mundo dos negócios é a habilidade em fazer as pessoas se sentirem à vontade. Nos escritórios da Dudalina, em São Paulo ou em Blumenau (SC), ela trabalha com a porta sua sala aberta, e recebe clientes, funcionários sempre com a mesma informalidade e senso humor que lhe é peculiar.
"Minha mãe quis muitos filhos para ter mão de obra barata", brinca, ao lembrar da época em trabalhava na lojinha da família em Camburiú (SC), que funcionava só no verão. "Férias em cidade pequena. Não tinha nada pra fazer. Trabalhar era uma forma que meus pais encontraram de ocupar o tempo das crianças", conta.
O pai, revela a empresária, era um trabalhador, que cultivava o hábito de escrever poesia. A mãe, uma empreendedora racional, de origem alemã. Da junção dos nomes "Duda" e "Adelina" surgiu a Dudalina.
Sônia acredita ter herdado dos pais as principais características que moldaram seu perfil profissional. Na Dudalina, ela exerce um modelo de comando que chama de "gestão compartilhada". Gosta de estar perto dos funcionários, principalmente das costureiras, que compõem a maior parte dos 2 mil colaboradoras diretos da companhia.
A empresária diz que se sente responsável por estimular cada uma delas na busca das metas da companhia. Na semana passada, Sônia se preparava, com certa ansiedade, para uma festa de comemoração de distribuição de bônus de participação nos resultados. "É o que mais gosto de fazer, dar esse retorno", conta.
Sônia afirma que não centraliza as decisões na empresa, mas que faz questão de participar de todas elas. Inclusive, nas áreas em que não domina completamente e estão sob controle de profissionais de sua confiança. "Morreria de fome se tivesse que sobreviver como contadora", assume. "Ou se precisasse realmente entender de tecnologia. Eu sou analógica".
Analógica ou não, ela é do tipo de pessoa que faz um monte de coisas ao mesmo tempo. Enquanto conversa, mexe no iPad. Não demora, ela reclama da lentidão do tablet, desiste do aparelho e pega um pente para arrumar o cabelo. "Está horrível hoje", fala, vaidosa, vestindo uma camisa Dudalina com mangas de renda preta e botões de cristal Swarovski.
De segunda à sexta, Sônia pega no batente antes das 7h e trabalha até às 20h. Depois desse horário, se desliga completamente da empresa. Vai ao supermercado, cozinha para a família - um de seus hobbies preferidos depois de cuidar dos gêmeos bebês, seus netos, filhos de uma de suas três enteadas.
O projeto de sustentabilidade social da companhia também é uma prioridade para Sônia. A Dudalina doa os retalhos de tecidos que sobram no processo de confecção das camisas para grupos de costureiras, que usam o material para fazer sacolas retornáveis. Depois, a companhia compra de volta essas sacolas e distribui para os seus clientes nas lojas.
Desde já, Sônia tem planos de deixar o comando executivo da Dudalina e ir para o conselho de administração. Se tudo se encaminhar como a empresária planeja, ela fará isso em no máximo três anos, quando completará 60 anos. O seu sucessor não será ninguém da família, mas um executivo de dentro da Dudalina que está sendo preparado.
Até lá, Sônia quer acelerar o andamento de alguns projetos. Um deles é a internacionalização da marca. "É algo que estamos começando com muito cuidado, muita humildade, pois ainda não sabemos muito bem onde estamos pisando", explica Sônia. A primeira loja Dudalina fora da América Latina, já está definida, será em Milão.


Mili projeta faturamento de R$ 1 bilhão para 2014
Valor 23.07.2012 - Micheletto (esquerda) e Lissoni não pretendem parar na sétima máquina e estimam atingir uma produção 600 toneladas por dia de tissue no início de 2014.
Perto de colocar em operação a sétima máquina de produção de papéis sanitários, ou "tissue", e na rota para atingir faturamento de R$ 1 bilhão em 2014, a paranaense Mili quer se garantir entre as quatro grandes produtoras de papel higiênico instaladas no país no longo prazo. Para manter-se nesse seleto grupo - no Brasil, mais de 50 empresas, entre as quais a multinacional Kimberly-Clark, disputam um mercado com elevado potencial de crescimento -, a companhia fundada há 30 anos vive um período de forte em expansão.
"Nosso foco, neste momento, é tornar operacional o projeto em curso", afirmou ao Valor um dos dois acionistas da Mili, Valdemar Lissoni, que empresta o "Li" ao nome da empresa. "Mas é fato que não vamos parar na máquina 7."
O projeto em questão compreende a instalação de mais uma linha produtiva de papéis sanitários na fábrica de Três Barras, em Santa Catarina, e a modernização de outra máquina, com início de operação em 2014. No total, foram R$ 250 milhões em investimentos, ante previsão original de aporte de R$ 200 milhões. Como regra rígida de financiamento de projetos, a Mili sempre trabalha com 50% de capital próprio e 50% em recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O orçamento maior do que o esperado, explicou Lissoni, deveu-se à percepção de que a empresa poderia aproveitar a ocasião para ampliar a produtividade em equipamentos já existentes. Com o aporte, e a partir do início de 2014, a Mili estará apta a produzir 600 toneladas por dia de tissue, ou algo perto de 220 mil toneladas por ano, um aumento de 50% frente à capacidade produtiva atual.
A nova máquina, que pode entregar 200 toneladas por dia de papéis sanitários, leva a assinatura da Voith, uma das líderes mundiais em equipamentos para a indústria papeleira, e deverá atender também o crescimento da demanda por papel de folha dupla - o equipamento será ajustado aos diferentes tipos de produto conforme o comportamento da demanda.
De acordo com Vanderlei Micheletto, acionista que cedeu o "Mi" à razão social da empresa, embora exista uma forte tendência de expansão nesse segmento, o produto de folha simples ainda encontra vasto mercado e seguirá, indefinidamente, no portfólio da empresa e nas prateleiras do varejo nacional.
Hoje, no Brasil, cerca de 25% do consumo de papel higiênico, conforme Micheletto, corresponde ao folha dupla. "A cultura do consumo de papel higiênico tem mudado, mas não existe isso de apostar apenas em produtos premium. Há crescimento em todos os segmentos", destacou o empresário. Assim, na estratégia da Mili, a única exclusão em termos de mercado é a presença no exterior. "Não pensamos em internacionalização", enfatizou Lissoni. Uma eventual oferta inicial de ações na BM&FBovespa também não está nos planos da empresa e só faria sentido, conforme os acionistas, se houvesse um plano de expansão "extremamente agressivo".
Dessa forma, a chegada à casa de R$ 1 bilhão de faturamento decorrerá exclusivamente dos negócios no mercado nacional - embora o papel higiênico seja o carro-chefe, a Mili produz também fraldas descartáveis e absorventes e tem uma operação pequena de produtos de limpeza.
A meta será alcançada ainda a partir da manutenção do ritmo de crescimento verificado nos últimos anos, com taxas entre 12% e 13% de expansão da receita bruta. Em 2010, o faturamento foi de R$ 631,1 milhões. No ano passado, R$ 711,3 milhões, ou 12,7% mais. "Nosso planejamento prevê a manutenção desse ritmo, que é sustentável considerando-se a nossa estrutura de negócios", ressaltou Lissoni.
Concluída a implantação do projeto de expansão, a direção da Mili já poderá avaliar novas oportunidades. Conforme os sócios, a empresa trabalha com orçamento anualizado, porém com horizonte de cinco anos. Além da unidade catarinense, a Mili tem fábrica em Curitiba (PR), de fraldas e absorventes, e uma unidade de conversão de papéis em Maceió (AL).
Atualmente, a empresa compra celulose de fibra curta de "todos os produtores de celulose de mercado" instalados no país. No caso da fibra longa, as compras são feitas no mercado externo e a direção da Mili não revela o nome dos fornecedores. Material reciclado também constitui importante insumo - hoje, 75% da matéria-prima usada na produção do papel higiênico é de origem reciclada. "Mas já temos tecnologia para um produto 100% reciclado", adiantou Lissoni.


"Sumiço" dos cabos da Eletropaulo cria polêmica
Valor 23.07.2012 - O "sumiço" de 246 mil metros de cabos da AES Eletropaulo, avaliados em R$ 720 milhões, criou uma controvérsia inédita na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em torno de um conceito técnico chamado base blindada. Aprovada na primeira revisão tarifária, sobre essa base "blindada" foram e serão calculadas as revisões tarifárias subsequentes.
Não pesam sobre a Eletropaulo acusações de fraude. "Em nenhum momento, falou-se isso nos documentos [sobre a exclusão dos cabos da base de ativos da empresa]", afirmou Julião Coelho, diretor da Aneel e que foi o relator da terceira revisão tarifária da distribuidora.
A questão preocupa analistas, que avaliam que uma eventual devolução da remuneração obtida pela Eletropaulo pode ser fator de risco para o caixa da companhia.
Existem muitas dúvidas regulatórias e a agência abrirá um processo para analisar a questão. Segundo Coelho, será preciso saber o que aconteceu, de fato, com os cabos. Qual foi a remuneração obtida pela empresa e por qual período ela teria de ser devolvida também são questões em aberto, afirma. "Será preciso saber, por exemplo, se há prazos de prescrição. Não dá para dizer o que vai acontecer", acrescenta.
"Se foi definido que a base é blindada, então ela é blindada, não deve ser modificada", afirma Rinaldo Pecchio, vice-presidente financeiro e de relação com investidores da Eletropaulo. Segundo ele, não havia instrumentos regulatórios que permitissem mudanças de grande "magnitude" na base de remuneração.
O questionamento em torno da mudança ou não da base blindada não veio à tona durante o segundo ciclo de revisão tarifárias, talvez porque as alterações, na época, não fossem ainda representativas. Mas é provável que essa controvérsia se torne mais comum daqui para frente.
A Eletropaulo foi uma das primeiras distribuidoras de energia do país a passar pelo terceira ciclo de revisão tarifária. A empresa, afirma Pecchio, vai esperar para saber qual será o posicionamento da Aneel em relação às demais distribuidoras.
Segundo o executivo, se há um entendimento de que a base blindada de remuneração deve ser alterada, então isso precisa ser feito tanto para mais quanto para menos - e não somente na exclusão de ativos. A exclusão dos R$ 720 milhões em cabos da base de ativos da Eletropaulo foi, em parte, responsável pelo corte de 9,3% promovido pela Aneel na tarifa da distribuidora paulista.


Teles têm venda suspensa a partir de hoje
Folha 23.07.2012 - TIM é a mais penalizada pela Anatel, proibida de comercializar novas linhas em 18 Estados e no Distrito Federal . Oi não poderá vender chips em 5 Estados e a Claro, em outros 3; operadoras contestam critério da agência. Responsáveis por 70% do mercado brasileiro de telefonia móvel, as operadoras TIM, Oi e Claro estão proibidas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) de vender novas linhas a partir de hoje em alguns Estados.
A decisão inédita, de punir três empresas de uma vez, foi anunciada na última quarta-feira pela agência, que tomou a medida principalmente em razão dos altos índices de queixas dos consumidores.
A TIM, a mais penalizada pelo órgão, com suspensão de vendas em 18 Estados e no Distrito Federal, ainda tenta recorrer da determinação. A companhia entrou com um mandado de segurança na Justiça Federal, em Brasília, e aguarda julgamento.
A decisão da Anatel também estabeleceu que todas as operadoras móveis, inclusive a Vivo, que não sofreu punição, terão de apresentar um plano de investimento para sanar os problemas.
A Claro, com vendas suspensas em três Estados, foi a única que já levou o plano à Anatel, mas a agência o considerou insuficiente.
A Oi, que não poderá comercializar novos chips em cinco Estados, e a TIM informaram que devem apresentar os projetos nesta semana.
A TIM contestou os critérios que basearam a decisão da Anatel e afirmou ter investido pesadamente em infraestrutura. Segundo a companhia, são R$ 3 bilhões ao ano para melhorar a capacidade e expansão de rede. Oi e Claro reportam investimentos de R$ 3,5 bilhões e R$ 6 bilhões, respectivamente, em 2012.
Para João Paulo Bruder, analista de telecomunicações da consultoria IDC, no entanto, o ritmo de crescimento da base de clientes das empresas tem superado o dos investimentos. "A quantidade de reclamações no Procon é indicativo sério de que não está sendo suficiente."
As empresas alegam que encontram dificuldades para implantar e ampliar a rede em diferentes regiões do país. Esse entrave seria causado pela legislação de Estados e municípios, que limitam a instalação de antenas e a utilização do solo para a passagem dos cabos ópticos.
Além disso, a análise dos pedidos para instalação dos equipamentos, em alguns casos, chega a durar três anos, o que inviabiliza os planos de expansão da empresa.
Diante das críticas, o Ministério das Telecomunicações já fala em acelerar o andamento de um projeto de lei federal que vai uniformizar as regras para as licenças nos municípios.


Fabricantes de latas congelam expansões
Valor 23.07.2012 - O menor consumo de bebidas no país desde o início do ano já atinge a cadeia de fornecedores do setor. Os fabricantes de latinhas de alumínio estão sentindo os efeitos da retração do mercado e decidiram congelar cerca de US$ 150 milhões em investimentos que estavam programados para este ano no Brasil.
As três grandes empresas de embalagens metálicas de alumínio - as multinacionais Crown Embalagens, Latapack Ball e Rexam - tinham anunciado em 2010 novos planos de investimentos na expansão da produção, mas parte deles continua no papel, à espera de que se firmem as condições do consumo e as perspectivas do mercado brasileiro para os próximos anos.
A Crown - fruto de uma joint venture entre a americana Crown Holdings e o grupo brasileiro Petropar - está revendo os prazos para a conclusão de sua nova fábrica no Pará pela terceira vez. Quando anunciou, programava ter pronta a unidade no mês passado, prazo já revisto no fim de 2011. Na época, replanejou o início das operações para o fim de 2012. Depois, a empresa fez nova revisão, que levou a conclusão da fábrica para o fim de 2013. Agora, o projeto foi adiado e ainda não tem data correta para começar. "Vai depender do mercado brasileiro", afirmou o presidente da Crown Embalagens, Rinaldo Lopes.
Com investimentos que devem atingir US$ 80 milhões, a empresa concluiu a fase de terraplenagem do terreno, em Belém. Essa será, quando for erguida, a quarta fábrica de latas da companhia no Brasil e terá capacidade anual de produção de cerca de 1 bilhão de latas. Hoje, a Crown já tem uma fábrica no nordeste (em Sergipe) - com capacidade de cerca de 2 bilhões de unidades - e a empresa produz ainda em São Paulo e no Paraná. Com a expansão, a Crown passaria de uma capacidade de 3,5 bilhões em 2010 para 7,5 bilhões de latinhas.
A Latapack Ball também tem em compasso de espera um novo projeto de expansão no valor de cerca de US$ 70 milhões para ser aprovado na matriz americana. A aprovação do projeto, no entanto, vai "depender das condições da demanda no Brasil", segundo informou o presidente da subsidiária brasileira, Jorge Maurício Bannitz. "O mercado nos surpreendeu. A aprovação dos nossos planos teria saído mais rápida, mas o crescimento não foi o esperado para o primeiro semestre", disse o executivo. Em abril, a empresa deu início às operações em sua nova unidade na Bahia, em um projeto de expansão que somou investimentos de US$ 140 milhões. Com três fábricas (Rio, São Paulo e a nova da Bahia), hoje a empresa tem uma capacidade total de 5,5 bilhões de latinhas.
Procurada pela reportagem do Valor, a britânica Rexam se negou a comentar o assunto. No entanto, no fim do ano passado já tinha anunciado que a conclusão das operações da sua nova fábrica no Pará não ocorreria na metade deste ano - conforme o inicialmente anunciado -, mas no fim de 2012. Com a nova unidade - de capacidade de 1,2 bilhão de latas - a Rexam passaria a ter 11 fábricas no Brasil e capacidade total de 14 bilhões de unidades.
A série de revisões de planos vem na esteira de um clima mais pessimista para o setor de bebidas brasileiro, principalmente na área de cervejas, que a grande consumidora de latinhas. Segundo dados divulgados recentemente pelas cervejarias, em 2011 foram tomados no Brasil 1,5% menos litros de cerveja e, no acumulado de janeiro a maio deste ano, o volume foi 1,6% menor. Um dos grandes motivos para a queda no consumo é o aumento dos preços. Além da elevação da carga tributária sobre esses produtos, as cervejarias vêm reajustando o preço acima da inflação para aumentar suas margens.
"O cronograma do setor de embalagens anda junto com os planos das fabricantes de bebidas, que verificam um ritmo menor", afirmou Renault Castro, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas). Em um cenário que está exigindo cautela, a Abralatas prevê crescimento das vendas de latinhas semelhante ao do ano passado, de 5% a 7%, para 19,75 bilhões de unidades em 2012. Hoje, o país tem uma capacidade instalada anual de produção de cerca de 22 bilhões de unidades. Se os projetos já anunciados pelas empresas entrarem em operação, a capacidade do país passará para 24 bilhões de latinhas.


Abril Educação compra Red Balloon
Valor 23.07.2012 - A Abril Educação fechou sua terceira aquisição neste ano. A companhia, controlada pela família Civita, anunciou na sexta-feira a compra de 51% da rede de escolas de inglês Red Balloon por R$ 29,8 milhões. A Red Balloon é uma das principais escolas de inglês voltadas para crianças e adolescentes em São Paulo. Fundada em 1969 pela Família Lam, a rede conta com 13 mil alunos distribuídos em 34 unidades, sendo 26 franquias e oito próprias. A maior parte das unidades fica em São Paulo, mas o grupo também possui escolas no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Ceará e no Distrito Federal.
A rede de escolas receberá aporte de R$ 6 milhões, sendo que cerca de R$ 3 milhões serão provenientes da Abril Educação e a outra parte dos fundadores. A Abril Educação poderá exercer a opção de compra dos outros 49% até 2019.
A compra da Red Balloon reforça a atuação da Abril Educação na área de idiomas, segmento que pretende ter forte atuação. Até então, a companhia tinha apenas 6% do Livemocha, empresa americana de ensino de idiomas à distância. A compra de uma escola de inglês é mais uma ação para diversificar o portfólio e não depender tanto de livros didáticos, cujas vendas são concentradas no início do ano letivo. A Abril é dona das editoras Ática e Scipione e dos sistemas de ensino Anglo, entre outros
A transação também marca a entrada da empresa no setor de franquias "Já temos experiência com franquias. As escolas de inglês compram o material e treinam seus professores. É uma forma de trabalhar muito parecida com a da Abril Educação, que vende os sistemas de ensino para as escolas e capacitam seus professores", disse Manoel Amorim, presidente da Abril Educação em entrevista concedida ao Valor em dezembro. Na ocasião, ele disse que planejava comprar empresas de idiomas, sistemas de ensino, cursos técnicos e profissionalizantes. A companhia adquiriu a Escola Satélite, GEO, além da Red Balloon, que atuam nessas áreas.


Abril Educação adquire escola de inglês Red Balloon
Brasil Econômico 20.07.2012 - A escola possui 26 franquias e oito estabelecimentos próprios, somando 12,6 mil alunos.
O grupo comprou 51% das ações da escola por R$ 29,6 milhões. Estimativa de receita líquida para este ano é de R$ 22,1 milhões.
A Abril Educação informou nesta sexta-feira (20/7) que adquiriu 51% das ações da escola de inglês Red Balloon, por R$ 29,6 milhões.
A operação foi realizada por meio da subsidiária Central Abril Educação e Participações (Caep).
Segundo a companhia, haverá um aporte conjunto de capital no montante total de R$ 6 milhões, sendo R$ 3,060 milhões por parte da Caep e o restante pelos vendedores. O preço de aquisição foi baseado em endividamento líquido igual a zero e referenciado em determinado número de alunos.
O contrato também estabelece certas opções de compra e de venda para parte ou a totalidade dos 49% de ações que permanecerão detidas pelos vendedores, bem como as condições para o exercício de tais opções.
O fechamento da operação está condicionado ao cumprimento, pelos vendedores, de determinadas condições precedentes estabelecidas no contrato.
A escola possui 26 franquias e oito estabelecimentos próprios, somando 12,6 mil alunos. De acordo com a Abril Educação, por estar em apenas 16 municípios, o potencial de crescimento é alto.
Em 2011, a estimativa da receita líquida da Red Balloon foi de R$ 18,9 milhões. Já para este ano, o valor sobe para R$ 22,1 milhões.


E.ON assume participação de 11,7% na MPX
Brasil Econômico 23.07.2012 - A nova companhia formada detém 50% dos 11.000 MW em projetos da MPX
A participação é decorrente da parceria firmada pelas duas empresas em janeiro.
A companhia alemã E.ON adquiriu participação de 11,7% no capital de MPX, segundo comunicado enivado pela empresa à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A participação é decorrente da parceria firmada pelas duas empresas em janeiro, que resultou na criação de uma joint venture. A nova companhia formada detém 50% dos 11.000 MW em projetos da MPX.
Como parte do acordo, a E.ON adquiriu 10% da empresa de Eike Batista.
Segundo a empresa alemã, a participação societária "tem natureza de investimento e não tem atualmente propósito de alterar a composição do controle ou estrutura administrativa da companhia".


Jan-Pro, Limpeza Comercial,
Folha 23.07.2012 - A multinacional americana Jan-Pro, de limpeza comercial, investirá R$ 26 milhões para expandir sua atuação no Brasil.
Com o aporte, que será dividido igualmente entre 2012 e 2013, a companhia passará a ter unidades em todas as regiões do país e entrará no mercado de hospitais.
"Até o fim do ano teremos escritórios em Salvador, Brasília e Fortaleza. Cada um deles deve abrir quatro franquias por mês após o início da operação", diz Renato Ticoulat, executivo da empresa.
Para iniciar as operações em hospitais, a Jan-Pro comprará novos equipamentos e contratará enfermeiras. Entre os países em que a empresa já atua estão Canadá, Reino Unido e Austrália.
A principal concorrente da companhia é a Jani-King.
Números: US$ 240 milhões é o faturamento global da companhia, 6 Estados com franquias (SP, PR, SC, MA, MG e RJ)


Ricos brasileiros têm quarta maior fortuna do mundo em paraísos fiscais
Estadão 23.07.2012 - Estudo da Tax Justice Network mostra que super-ricos do país detêm equivalente a um terço do PIB em contas livres de tributação.
Da BBC Brasil em Londres - Os super-ricos brasileiros detêm o equivalente a um terço do Produto Interno Bruto, a soma de todas as riquezas produzidas do país em um ano, em contas em paraísos fiscais, livres de tributação. Trata-se da quarta maior quantia do mundo depositada nestas modalidade de conta bancária.
A revelação foi feste este domingo por um estudo inédito, que pela primeira vez chegou a valores depositados nas chamadas contas offshore, sobre as quais as autoridades tributárias dos países não têm como cobrar impostos.
O documento The Price of Offshore Revisited, escrito por James Henry, ex-economista-chefe da consultoria McKinsey, e encomendado pela Tax Justice Network, mostra que os super-ricos brasileiros somaram até 2010 cerca de US$ 520 bilhões (ou mais de US$ 1 trilhão) em paraísos fiscais.
O estudo cruzou dados do Banco de Compensações Internacionais, do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e de governos nacionais para chegar a valores considerados pelo autor conservadores.
Em 2010, o Produto Interno Bruto Brasileiro somou cerca de R$ 3,6 trilhões.
'Enorme buraco negro': O relatório destaca o impacto sobre as economias dos 139 países mais desenvolvidos da movimentação de dinheiro enviado a paraísos fiscais.
Henry estima que desde os anos 1970 até 2010, os cidadãos mais ricos desses 139 países aumentaram de US$ $ 7.3 trilhões para US$ 9.3 trilhões a "riqueza offshore não registrada" para fins de tributação. A riqueza privada offshore representa "um enorme buraco negro na economia mundial", disse o autor do estudo.
Na América Latina, chama a atenção o fato de, além do Brasil, países como México, Argentina e Venezuela aparecerem entre os 20 que mais enviaram recusos a paraísos fiscais.
John Christensen, diretor da Tax Justice Network, organização que combate os paraísos fiscais e que encomendou o estudo, afirmou à BBC Brasil que países exportadores de riquezas minerais seguem um padrão. Segundo ele, elites locais vêm sendo abordadas há décadas por bancos, principalmente norte-americanos, pára enviarem seus recursos ao exterior.
"Instituições como Bank of America, Goldman Sachs, JP Morgan e Citibank vêm ofrecendo este serviço. Como o governo americano não compartilha informações tributárias, fica muito difícil para estes países chegar aos donos destas contas e taxar os recuros", afirma.
"Isso aumentou muito nos anos 70, durante as ditaduras", observa.
Quem eniva: Segundo o diretor da Tax Justice Network, além dos acionistas de empresas dos setores exportadores de minerais (mineração e petróleo), os segmentos farmacêutico, de comunicações e de transportes estão entre os que mais remetem recursos para paraísos fiscais.
"As elites fazem muito barulho sobre os impostos cobrados delas, mas não gostam de pagar impostos", afirma Christensen. "No caso do Brasil, quando vejo os ricos brasileiros reclamando de impostos, só posso crer que estejam blefando. Porque eles remetem dinheiro para paraísos fiscais há muito tempo".
Chistensen afirma que no caso de México, Venezuela e Argentina, tratados bilaterais como o Nafta (tratado de livre comércio EUA-México) e a ação dos bancos americanos fizeram os valores escondidos no exterior subirem veritiginosamente desde os anos 70, embora "este seja um fenômeno de mais de meio século".
O diretor da Tax Justice Network destaca ainda que há enormes recursos de países africanos em contas offshore. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.


Cartões de presente atraem novos negócios neste ano
Valor 23.07.2012 - Rodrigo Borges, presidente da Vale Presente, diz que aposta é oferecer cartão personalizado: venda pela internet.
De olho em um mercado ainda pouco explorado no país, duas emissoras de cartão vão lançar "gift-cards" no mês que vem. O produto com bandeira Mastercard será o carro chefe da Vale Presente, empresa criada no início de 2011 com investimentos de mais de R$ 30 milhões e que espera movimentar, em um ano, R$ 100 milhões com o negócio.
A Alelo, que administra os cartões de benefícios Visa-Vale, apresenta o novo produto, que trará as bandeiras Visa e Elo, no fim deste mês A empresa pertence ao mesmo grupo de pagamentos eletrônicos Cielo e faturou R$ 13,2 bilhões em 2011.
Na mira das duas administradoras de cartões está um mercado com potencial de movimentar US$ 164 bilhões ao ano fora dos Estados Unidos, segundo a consultoria americana Mercator Advisory Group. Ainda não há dados sobre o produto no Brasil. Os números se referem ao tamanho do mercado estimado para os cartões usados em lojas específicas ("closed loop"), nos 30 principais mercados mundiais, sem contar o americano. Existem dois tipos principais de cartão: os que podem ser trocados por mercadorias ou serviços de lojas cadastradas ("closed loop") e os que são associados a uma bandeira e podem ser gastos em qualquer loja que aceite o cartão de crédito da marca ("open loop").
O presidente da Vale Presente, Rodrigo Borges, diz que a principal aposta é oferecer um cartão "open loop" personalizado, com a possibilidade de o cliente imprimir o que desejar no plástico. O cartão será vendido pela internet.
Além do cartão para o consumidor final, a Vale Presente vai oferecer o produto a empresas que queiram presentear funcionários e a varejistas interessados em criar sua própria marca de cartão.
O diretor da Alelo, Ronaldo Varela, informa que a empresa já tem uma linha de cartões pré-pagos voltados para alimentação, pagamento de frete e para viagens ao exterior. A novidade é que o produtos agora serão oferecidos no varejo. O Gift Pass, será vendido pela internet e em lojas de varejo. Será lançado em agosto e o primeiro de uma linha de outros produtos pré-pagos da Alelo destinados ao consumidor final. Um cartão recarregável está previsto para ser lançado em 2013.
É de olho no mercado de pré-pagos ao varejo que a Accentiv'Mimédica criou, no ano passado, um "laboratório" para pesquisar o produto. A empresa tem um cartão de presente para empresas que queiram presentear seus funcionários e não descarta a possibilidade de lançar um produto para o consumidor final. Segundo seu diretor Sergio Marcondes, a ideia é aproveitar oportunidades que surjam no setor.
"A gente se coloca como plataforma de lançamento, fazendo avaliações de viabilidade, financeira, customização. Fazendo sentido, a gente lança e podemos até fazer a gestão", diz o executivo. A Accentiv'Mimédica pertence à Edenred, a dona da Ticket. O grupo francês movimentou € 15,1 bilhões (R$ 37,3 bilhões) em pagamentos de benefícios no ano passado.
Outra empresa de benefícios, a Sodexo, também tem cartões de presente para campanhas de motivação de funcionários, desde 2009. Segundo a gerente de produtos da empresa, Madalena Nader, a Sodexo tem 1,5 milhão de clientes nas modalidades de presente corporativo, que movimentaram mais de R$ 200 milhões em 2011. A estimativa é que este segmento específico tenha potencial de movimentara R$ 5 bilhões anuais. Segundo a executiva, a Sodexo não planeja vender os "gift cards" no varejo.


Promessa é dúvida
Valor 23.07.2012 - "Nós estamos desapontados com o comunicado recente dos níveis de produção da OGX e muito desapontados com o management pela insistência em fixar previamente metas de produção." Críticas desse tipo, como a feita pela equipe de análise da Bradesco Corretora, invadiram os relatórios no último mês. Boa parte devido aos números frustrantes divulgados pela OGX, mas não só. A incorporadora imobiliária PDG Realty foi outra que decepcionou o mercado, ao cortar significativamente suas metas de lançamento.
No fim de junho, a OGX informou que, após cinco meses de testes, passou a trabalhar com um nível de produção em Tubarão Azul de 5 mil barris de óleo equivalente (boe) por dia por poço, um terço do volume mínimo indicado pela própria companhia. Como consequência, nos dois pregões seguintes ao comunicado, as ações caíram quase 40%, batendo em R$ 5,05, e passaram a ser alvo de revisões dos analistas (leia mais em reportagem nesta página).
Bradesco, Deutsche Bank, Santander, Goldman Sachs e Itaú BBA estão entre os que alteraram suas estimativas. Só que essa não é a primeira vez que analistas e investidores se decepcionam com a OGX. Em abril do ano passado, o gatilho foi a divulgação de um relatório sobre as reservas potenciais da certificadora DeGolyer & MacNaughton (D&M), com estimativas sobre recursos contingentes e grau de incerteza piores que as sinalizações. No dia seguinte ao comunicado, os papéis caíram mais de 17%.
Com PDG Realty ocorreu o mesmo. No último dia 10, a companhia cortou praticamente pela metade sua meta de lançamentos para este ano, da faixa de R$ 8 bilhões a R$ 9 bilhões para R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões. A reação do papel foi de queda superior a 10% em único pregão, para R$ 3,02.
Esses não são casos isolados. Na última prévia operacional, outras construtoras revisaram metas, entre elas Gafisa e Cyrela. Petrobras é outra que convive com o mau humor do mercado, entre outros fatores, por não cumprir meta de produção pelo menos desde 2003.
Mas se o mercado é carregado de histórias de decepção, por que as empresas seguem divulgando projeções e fixando metas difíceis de serem cumpridas? Mais: por que os analistas e investidores continuam comprando essas histórias? Tudo está ligado à necessidade de controlar o futuro, afirma Aquiles Mosca, estrategista de investimentos pessoais do Santander Asset Management. "Como o ser humano tem dificuldade de lidar com a incerteza, precisa criar modelos matemáticos para ter um certo conforto", explica. Mas tudo não passa de "ilusão de controle", já que projetar é algo, por natureza, difícil de ser feito, diz.
Num exercício rápido feito para avaliar o índice de acerto das projeções para PIB e inflação feitas 12 meses atrás pelos Top 5 do boletim Focus, Mosca conta que a margem de erro da instituição que mais acertou foi de 32% e a da que menos acertou, de 79%. No grupo dos Top 5 estão as instituições com o menor índice de erro. Outro exemplo de que projetar não é algo trivial: em meados de 2011, as instituições financeiras trabalhavam com uma taxa Selic de 10% no fim deste ano. O juro já está em 8% ao ano, e a expectativa é de que continue caindo para a casa dos 7%.
Mosca lembra, contudo, que esses especialistas, quando perguntados sobre a confiança de suas projeções, costumam informar índices que giram entre 90% e 95%. Nas finanças comportamentais, diz, a explicação está nos excessos de otimismo e confiança natos do ser humano. Durante o processo evolutivo, essas características foram importantes para a sobrevivência, explica, mas hoje podem ter efeitos danosos. Isso vale principalmente quando o que está em jogo são as habilidades do indivíduo, entre elas fazer projeções.
Estudioso das finanças comportamentais, James Montier, hoje membro do comitê de alocação de ativos da GMO - gestora americana com mais de US$ 100 bilhões em ativos -, costuma dizer nas suas cartas que fazer projeções é uma perda de tempo. Em relação aos analistas, segundo ele, não há evidências de que são capazes de fazer projeções corretas para o curto ou o longo prazo.
Em 2008, quando estava no Société Générale, Montier apresentou um estudo do período de 1985 a 2007 com projeções de analistas para ações americanas. Para o grupo das ações de "crescimento", as estimativas de alta dos lucros eram de 17% ao ano, percentual superior à taxa média de 16% alcançada nos cinco anos anteriores, mas muito longe do que foi entregue pelas empresas, de 7% na média.
Marco Bonomo, sócio da Behavior Capital Management, gestora cuja filosofia de investimento se baseia nas finanças comportamentais, diz que, assim como a administração das empresas, os analistas também estão sujeitos ao viés otimista do ser humano. No entanto, segundo ele, há outra razão para o analista ser otimista, "que é manter uma boa relação com a empresa". "Isso fica evidente quando se nota em estudos que a competição diminui o viés", diz. Ele destaca ainda que há evidências de que os analistas, especialmente os mais jovens, assumem o "comportamento de manada", ou seja, agem como a maioria.
Mas como ficam as empresas que baseiam seus orçamentos em projeções macroeconômicas? E os investidores que compram as histórias das companhias que não conseguem entregar o que prometem? Para Mosca, do Santander, partindo-se do pressuposto que não há má fé, essas informações são as melhores disponíveis e, assim, não há problema em usá-las. Mas é preciso ter em mente que as projeções são falhas, não só por se tratar de futuro, mas porque há variáveis impossíveis de prever, como o comportamento de investidores. "Não é por que tenho um modelo que vou confiar 100% nele", diz.
"Tudo é uma questão de expectativas", avalia Flavio Sznajder, sócio da Bogari Capital. Se elas são elevadas, a chance de decepção é maior. Mas se envolvem uma agenda bem fundamentada e realista, fica menos provável uma decepção. "No mundo dos investimentos, a gestão da expectativa dos agentes é fundamental", destaca a Bogari em carta referente aos meses de maio e junho.
Do ponto de vista das empresas, acredita a gestora, alinhar as expectativas dos investidores com as suas reais possibilidades tem um papel importante na relação com o mercado. Há, contudo, situações em que a administração tem interesse em valorizar a companhia no curto prazo, diz Sznajder. Isso vale especialmente para empresas de alto crescimento, que não são óbvias ou estão abrindo capital.
Só que quando as expectativas não são atendidas, os investidores tendem a ficar menos tolerantes até o ponto de perderem a confiança. "Talvez o exemplo mais claro dessa dinâmica esteja refletido na volatilidade das empresas X (do grupo EBX)", destaca a Bogari. "A genialidade do controlador é indiscutível. Raros foram os empresários que atingiram seus feitos e em tão pouco tempo. Entretanto, a realidade está aí. Os projetos são ambiciosos, de longa maturação e com muitas incertezas. A manutenção de um nível elevado de expectativas junto ao mercado facilita a captação de recursos no curto prazo, mas fere a credibilidade no longo. E esse ajuste acabou impactando fortemente as ações do grupo", conclui Bogari.

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