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PSB e PMDB emplacam presidente do BNB e PT busca espaço em diretorias
PSB e PMDB emplacam presidente do BNB e PT busca espaço em diretorias
Valor 15.06.2011 - O novo presidente do Banco do Nordeste (BNB), Jurandir Santiago, tomou posse ontem, em Brasília, prometendo "maior alinhamento com o governo federal". Ex-funcionário de carreira da Caixa Econômica Federal, no Ceará, Santiago foi uma escolha do PSB e do PMDB daquele Estado.
A indicação do principal executivo do banco, que tem em caixa mais de R$ 4 bilhões para investimentos na região, entra na conta do governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), e do senador pelo PMDB, Eunício Oliveira.
O candidato do deputado federal, José Guimarães, do PT, foi preterido, mas ainda há espaço nas diretorias do banco ainda não preenchidas. São seis diretorias e dez superintendências estaduais, uma em cada Estado do Nordeste. Guimarães foi um dos poucos políticos presentes à posse, fechada, no Ministério da Fazenda, dando seu apoio à escolha.
Os governadores das regiões Norte e Nordeste também estiveram ontem em Brasília e tentam hoje ser recebidos pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, para negociar a reforma tributária. Os governadores chegaram ontem à capital e se reuniram à noite para acertar os termos que serão apresentados ao governo.
O grupo, liderado pelos governadores de Sergipe, Marcelo Déda (PT), e do Ceará, Cid Gomes (PSB), vai expor a Mantega preocupações em relação à recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que tornou inválidos os incentivos fiscais concedidos pelos Estados na política de atração de investimentos.
Os governadores do Norte e do Nordeste também querem conversar com o ministro sobre possíveis mudanças nos critérios de divisão do Fundo de Participação dos Estados (FPE).
O novo presidente do BNB, Santiago, prometeu maior alinhamento aos interesses do governo federal. Segundo ele, esse alinhamento significa que o banco deve se engajar em programas como o combate à miséria, lançado pelo Palácio do Planalto, e participar, com recursos, na construção de infraestrutura das capitais nordestinas que vão sediar jogos da Copa do Mundo de Futebol, em 2014.
Outra missão explícita dada pelo ministro Mantega, ao empossar Santiago, é a de ampliar o crédito. O novo presidente disse não haver nenhuma incoerência entre o pedido de Mantega e a política de contração de crédito estimulada pelo Banco Central (BC), para conter a inflação. "O crédito que preocupa não é esse que vai para o desenvolvimento da região Nordeste", afirmou ele.
Geógrafo, funcionário da Caixa há 18 anos, Santiago diz ter credenciais para operar o banco público. Cearense, ex-secretário estadual das Cidades, ele deixa o comando da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) para assumir o BNB.
Santiago disse que ainda precisa "tomar pé" da situação do BNB para apresentar números. Mas informou já saber que o BNB tem R$ 4 bilhões em recursos próprios e mais R$ 10,6 bilhões do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FNDE) para aplicar em 2011.
No ano passado, os desembolsos do banco chegaram a R$ 21,4 bilhões, com uma carteira de crédito em torno de R$ 39 bilhões, de acordo com a assessoria do banco. Um dos principais programas do BNB é o microcrédito rural e urbano, com liberações que já superam R$ 1 bilhão neste ano.
Santiago substitui Roberto Smith, ligado ao PT do Ceará, que deixa a presidência do banco depois de oito anos. Ele também se afastou da vice-presidência do Conselho de Administração do BNB.
Sob a gestão Smith, o banco pulou de concessões de R$ 1,4 bilhão, em 2002, para mais de R$ 21 bilhões no ano passado. A instituição também realizou sua primeira captação externa em 14 anos, quando levantou US$ 300 milhões no mercado internacional com a emissão de notas de crédito com prazo de cinco anos.
Itaú combaterá Elo com Hipercard
Valor 15.06.2011 - O Itaú Unibanco poderá, finalmente, usar a bandeira de cartões Hipercard para combater a novata Elo, criada pelos concorrentes Bradesco e Banco do Brasil. As amarras para tornar a Hipercard uma bandeira de cartão de alcance nacional foram removidas. O Itaú reviu o contrato com a varejista americana Walmart e o novo acordo, selado por 20 anos, prevê que o Hipercard seja aceito em qualquer estabelecimento comercial, incluindo os concorrentes diretos da varejista. Até aqui, havia uma chamada "lista negra" e os cartões da marca não podiam ser usados pelo consumidor em outros supermercados, no comércio de alimentos em geral e em redes de eletroeletrônicos. Livre da limitação, a Hipercard passa a ter condição de enfrentar a emergente bandeira Elo no segmento da baixa renda, nicho no qual a bandeira do Itaú tem forte atuação.
O Hipercard nasceu como um "private label" (cartão com a marca do próprio lojista) na antiga rede Bompreço, do Nordeste, mas, dado o sucesso na emissão, acabou virando bandeira, rivalizando inclusive com as marcas internacionais, Visa e MasterCard. Quando o Bompreço negociou a sua venda para o Walmart, a operação de cartões foi separada e o Unibanco acabou pagando por ela US$ 200 milhões. No acordo selado à época, foi assinada uma cláusula de exclusividade, que impedia que o Hipercard fosse usado na concorrência da varejista e também vetava a venda dos cartões nas próprias agências do banco. Agora poderá existir um cartão Itaú com a bandeira Hipercard.
Pelo novo desenho, os cartões poderão ser distribuídos, inclusive, em outras parcerias que o Itaú detém no varejo, portfólio dos mais robustos do mercado - que inclui Pão de Açúcar, Carrefour, Magazine Luiza, Ponto Frio, Lojas Americanas e Marisa. A ideia, segundo o diretor da divisão de cartões da instituição, Fernando Teles, é que a bandeira se estabeleça como marca reconhecida pelo consumidor e de ampla aceitação. Nessa ponta, o passo foi dado há cerca de um ano, quando a Redecard passou a capturar, nas lojas, as transações com o Hipercard. Tal arranjo permitiu que a Hipercard saltasse de uma aceitação em 470 mil estabelecimentos para os 850 mil atuais - a casa de 1 milhão de lojistas deve ser superada até o fim do ano. A resistência da gigante americana foi vencida porque a forma de remuneração também mudou. Em vez de receber uma comissão pelos cartões distribuídos, o Walmart vai participar dos resultados do Hipercard, a exemplo das outras parcerias seladas pelo Itaú Unibanco no varejo. "Apesar de não haver um acordo societário, já chamamos internamente o negócio de financeira Walmart", diz Teles.
O executivo não abre, porém, se houve algum desembolso financeiro para usar o canal de distribuição do Walmart, a exemplo do que se observou nas parcerias com Pão de Açúcar, Ponto Frio, Marisa ou Lojas Americanas, que, por alto, geraram ao banco um desembolso que esbarra nos R$ 2 bilhões.
Segundo Teles, as conversações com a rede americana levaram cerca de seis meses. O Walmart vai poder acrescentar o seu nome aos cartões Hipercard, além de distribuir unidades Visa e Mastercard, na modelagem dos emergentes cartões híbridos que têm se popularizado no varejo brasileiro - funcionam como private label quando usados nas lojas do grupo, sem custos, e viram receitas quando utilizados em outros estabelecimentos comerciais porque uma parcela da transação vira comissão para o varejista que empresta seu nome ao cartão. "Conquistamos um novo estágio, que transcende o mundo da reserva de mercado, porque quando o cliente do varejista vai consumir em outra cadeia, isso amplia as receitas dele também. O cartão sai da gaveta e vai para o bolso do consumidor."
Na rede Sam's Club, do segmento de atacado do Walmart, o Hipercard continuará sendo, por ora, o único cartão a ser aceito.
Enquanto a Elo dá os seus primeiros passos no mercado para se valer da onda da inclusão financeira, o Hipercard já tem meio caminho andado. Conta com uma base de cerca de 15 milhões de cartões e tem ampla aceitação no Nordeste (com uma participação de cerca de 20%) e Sul do país, com uma fatia de cerca de 10% do setor. Teles conta que o banco ainda está desenhando quais benefícios serão adicionados ao Hipercard, que não participa dos programas de fidelidade da Itaucard, como milhas aéreas e descontos em cinemas.
Grupo SS prevê prejuízo de R$ 100 milhões
Valor 15.06.2011 - A dívida que sobrou para o grupo Silvio Santos como rescaldo da venda de 121 lojas do Baú para o Magazine Luiza, anunciada na segunda-feira, deve reverberar negativamente nos resultados do ano. Segundo apurou o Valor, apesar da entrada de R$ 83 milhões no caixa, prevista para fim de julho, o grupo deve registrar prejuízos da ordem de R$ 100 milhões no encerramento de 2011.
O valor a ser pago deve resolver cerca de um terço da dívida do Baú, estimada em R$ 240 milhões. O valor é a soma dos débitos da empresa com bancos, fornecedores e trabalhadores. Procurado, o grupo SS preferiu não se pronunciar.
Mais de 70% dessa dívida veio carregada na operação da Dudony, rede de 110 lojas adquirida pelo grupo Silvio Santos em 2009, quando a empresa estava em recuperação judicial.
A situação pode ser ainda pior se a Justiça do Paraná tomar uma decisão definitiva que seja desfavorável ao grupo Silvio Santos. O Tribunal de Justiça do Paraná deve decidir a quem pertence um passivo tributário de R$ 250 milhões da Dudony - se ao grupo Silvio Santos ou às empresas Dismar e Markoeletro, que operavam a marca Dudony no varejo.
Em março do ano passado, o Tribunal de Justiça paranaense havia decidido que o Baú Crediário, comprador da Dudony, deveria arcar com a dívida fiscal deixada pela empresa falida. Cerca de três meses depois, porém, revisou a decisão e devolveu o débito para a Dudony.
Cleverson Colombo, advogado do antigo dono da Dudony, Antônio Donisete Busíquia, não acredita que débitos tributários incidirão sobre outras empresas. Ele explicou que a decisão judicial, do ano passado, é favorável ao Baú em relação às pendências com o governo do Paraná. Mas, diz ele, há também um recurso contra a decisão, ou seja, a questão não é definitiva. "Mas não ocorre sucessão de débito fiscal e trabalhista em empresas que são vendidas no procedimento de recuperação judicial", diz Colombo.
O advogado questiona os valores cobrados pelo governo. Segundo ele, os débitos com impostos somam R$ 155 milhões, sendo R$ 109 milhões com parcelamento feito em 2007. Ainda há outros ativos, como precatórios.
O grupo está reestruturando sua operação desde a venda do banco Panamericano, para focar três áreas de negócios: comunicação, consumo e capitalização. O que estiver fora, será vendido.
Em maio, foi vendida a Braspag, empresa de serviços financeiros, à Cielo. O hotel Jequitimar pode ser o próximo ativo a ser vendido.
A Jequiti está no foco de atuação. Segundo o Valor apurou, a empresa negocia com algumas cidades a instalação de uma fábrica, orçada em R$ 80 milhões, para atender 60% das suas necessidades. Hoje toda a produção é terceirizada. O grupo espera que o projeto, a ser deslanchado em 2012, seja financiado por um banco.
BTG confia em sinergias do Magazine Luiza com o Baú
Brasil Econômico 14.06.2011 - O BTG Pactual, banco que cobre as ações do Magazine Luiza, acredita no maior potencial de sinergias e no grande valor estratégico com a aquisição de 121 lojas do Baú da Felicidade.
De acordo com os analistas do BTG Fabio Monteiro e Thiago Duarte, a aquisição — além de incrementar 46 mil metros quadrados na área de vendas do Magazine Luiza — também representa uma oportunidade de aumentar a produtividade da loja em 58%, já que o Baú da Felicidade registrou receita bruta de R$ 451 milhões, o equivalente a R$ 9 mil por metro quadrado, contra R$ 14.200 por metro quadrado do Magazine Luiza.
Para Monteiro e Duarte, esse fator deixa o valor pago pelas lojas do empresário Silvio Santos ainda mais atraente. As 121 lojas foram adquiridas por R$ 83 milhões, o equivalente a R$ 686 mil por unidade.
"Bem abaixo do que normalmente é investido para abrir uma loja, o que nós estimamos em R$ 2 milhões, incluindo capital de giro", afirmam os analistas.
Além disso, a rede varejista pretende converter algumas das lojas localizadas no Paraná em lojas virtuais, oferecendo assim mais uma oportunidade para reforçar a produtividade das lojas e reduzir o capital de giro.
Os analistas também destacam os três milhões de novos clientes potenciais para o LuizaCred, cartão de crédito da empresa, como fonte de crescimento e rentabilidade.
"Acreditamos que o Magazine Luiza deve renegociar os termos do acordo com o Itaú, podendo desencadear outra injeção de recursos (semelhante ao momento em que adquiriu a Lojas Maia em 2010)", acrescenta a equipe do BTG, que recomenda "compra" para as ações da empresa, negociadas com o código MGLU3 na Bovespa.
O preço-alvo estipulado para os papéis em 12 meses é de R$ 25, o que representa um potencial de valorização superior a 45% na bolsa.
Investimento da rede Burger King vai a R$ 900 milhões
Valor 15.06.2011 - Carlos Piani, sócio da Vinci Partners, minimiza atrito com franqueados: "Modelo é amplamente usado no mundo todo".
A rede de fast food americana Burger King, controlada pela 3G, dos brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, pretende abrir 900 lojas nos próximos cinco anos no Brasil, elevando o número de pontos de venda a mil. A expansão demandará investimentos entre R$ 600 milhões e R$ 900 milhões, apurou o Valor. Esse crescimento deve ser acompanhado da criação de 20 mil a 25 mil empregos. O agressivo plano de expansão no mercado brasileiro é o fio-condutor da associação fechada ontem entre a gestora de recursos Vinci Partners, do ex-banqueiro Gilberto Sayão, e a Burger King Corporation para criar uma joint-venture no país que funcionará como master franqueadora da marca e que também abrirá suas próprias lojas.
O investimento total será feito em parte pela nova empresa e, em parte, pelos atuais franqueados da marca no país. A Vinci, fundada por ex-sócios do banco Pactual, será a controladora da joint-venture e a matriz ficará com uma fatia minoritária, mas os percentuais não foram informados. O aporte de capital na nova empresa se dará conforme avance a abertura de lojas.
Nem bem o negócio foi selado e criou atrito com os dez franqueados do Burger King no Brasil, que têm hoje 108 lojas. Ontem, um grupo deles reuniu-se em São Paulo para definir que posição adotar diante do incômodo de ter, a partir de agora, um concorrente que será também o responsável por aprovar seus planos de expansão.
Se com a abertura de 900 lojas o Burger King ainda deve ficar atrás do atual líder McDonald's, o plano é mais ambicioso. "A empresa terá total capacidade de liderar esse mercado no longo prazo", disse ao Valor Carlos Piani, sócio da Vinci responsável pela área de investimento em participações em empresas ("private equity"), sem confirmar, no entanto, os números do plano de expansão.
Hoje, o McDonald's tem cerca de 1,2 mil lojas e o Bob's é o segundo colocado desse mercado, com aproximadamente 800 lojas.
Piani, que presidiu as elétricas Cemar e Equatorial Energia, diz apenas que o plano de crescimento é "puxado", mas que a intenção é capacitar a nova empresa com recursos financeiros e de pessoas. O presidente atual do Burger King do Brasil, Iuri Miranda, será mantido, mas a empresa ganhará um novo grupo de executivos.
Segundo Piani, ainda será desenhado com os franqueados o detalhamento da expansão. "A abertura de lojas será feita com os franqueados." Segundo ele, ainda será definido quantas lojas de cada formato - de rua, de shopping, quiosques etc - serão abertas.
Os franqueados foram surpreendidos pelo novo modelo na sexta-feira, quando passaram a ser procurados pela matriz, que os informou do contrato com a Vinci. "O sentimento dos franqueados é que eles investiram num negócio que tinha um sócio do exterior que jamais competiria com eles. Acordaram com sócios supercapitalizados e sofisticados e dispostos a ter mil lojas, competindo com eles", disse um dos franqueados.
O banco de investimentos BR Partners, cujo braço de private equity comprou em abril o maior franqueado da marca, a BGK, com 63 lojas, divulgou nota comentando a transação. "Vemos com extrema preocupação um modelo que mistura os papéis de franqueadora e franqueados. A relação entre ambos tem que ser de parceria, com atuações claramente delimitadas, sem qualquer conflito de interesses." Outros franqueados não retornaram o pedido de entrevista até o fechamento da edição.
"Esse modelo híbrido, em que a master franqueadora também abre lojas próprias, existe no mundo todo e é amplamente utilizado", argumenta Carlos Piani.
Desde que a 3G comprou o controle da rede americana em outubro e sinalizou com planos de crescer agressivamente no país, fundos foram atraídos para o negócio. Além do BR Partners, o Kinea, do Itaú, se associou a outro franqueado. Por fim, a Vinci procurou a matriz, há três meses, com a proposta de investir na master franqueadora. A bem-sucedida abertura de capital da Arcos Dorados, maior franqueadora do McDonald's na América Latina, em abril, só aguçou o apetite dos investidores.
No Brasil, Giraffas adota seu modelo de Miami
Valor 15.06.2011 - O que era para ser uma investida brasileira em território americano acabou se transformando numa mudança global de estratégia. A rede de restaurantes de comida rápida Giraffas estudou durante dois anos o mercado dos Estados Unidos para abrir sua primeira unidade em Miami, no dia 25. A loja deveria ter sido inaugurada há nove meses, mas o diretor do Giraffas, Claudio Miccieli, decidiu repensar o modelo para que coubesse também no Brasil
Em três anos, serão investidos R$ 170 milhões para mudar o layout dos restaurantes brasileiros, adequando-os ao padrão que será adotado nos EUA. "As lojas terão um visual 'clean', mais moderno e confortável", diz Miccieli. A partir do mês que vem, o Giraffas testa no Brasil o atendimento em mesa: o cliente faz o pedido no caixa, mas o atendente leva a refeição à mesa e recolhe os pratos, como será feito nos EUA. "Também vamos fazer a experiência de servir café da manhã em algumas lojas de rua ainda este ano", diz Miccieli.
Até a metade de 2012, serão investidos cerca de US$ 5 milhões na inauguração de cinco lojas do Giraffas em Miami. "Nem por isso descuidamos do crescimento aqui no Brasil: estamos com 355 lojas no país e vamos a 400 este ano", diz. As vendas devem crescer 25%, para cerca de R$ 600 milhões.
Segundo Miccieli, o mercado americano foi escolhido por ser o maior em fast-food. "Queríamos uma via de mão dupla, para trazermos experiências de lá para cá", diz. Para os consumidores de Miami, a proposta é oferecer um menu intermediário: nem tão calórico quanto as lanchonetes, nem tão caro quanto os restaurantes "casual dinning". "Teremos opções mais saudáveis, entre US$ 8 e US$ 15, que é a faixa que mais cresce depois da crise", diz. No menu, carnes grelhadas com saladas, arroz com feijão, espaguetes e sanduíches de hambúrguer de picanha e de filé mignon. "Não vamos concorrer com promoções de hambúrgueres a US$ 1, como McDonald's ou Burger King", diz.
O mercado brasileiro de alimentação fora do lar movimenta mais de R$ 180 bilhões ao ano. Estima-se que o americano seja quatro vezes isso, daí o interesse de redes nacionais. Em 2001, o Habib's se preparava para abrir lojas em Miami, mas o ataque de 11 de setembro abortou o plano. A rede fez uma tentativa no México, sem sucesso, e desistiu de abrir na China. Agora, estuda parceria local no Equador.
Câmara aprova crédito de R$ 55 bilhões ao BNDES
Folha 14.06.2011 - A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira medida provisória que autoriza a União a conceder crédito de R$ 55 bilhões ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para aumentar sua capacidade de financiamento. O texto segue para o Senado. A proposta aprovada tem poucas mudanças com relação ao texto original. Uma delas é a extensão do prazo para a contratação de operações de crédito pelo BNDES no (PSI) Programa de Sustentação do Investimento de dezembro de 2011 para 30 de junho de 2012. Elimina, no entanto, a autorização para que o Executivo prorrogue esse prazo, o que terá que ser feito por lei. No novo texto, há duas medidas de transparência, que obrigam o BNDES a encaminhar ao Congresso relatórios trimestrais sobre operações contratadas e realizadas com subvenção e os créditos da União.
‘O BNDES não quer sair agora do JBS’, diz Wesley Batista
Estadão 14.06.2011 - Empresário contesta rumores de mercado e diz ter ouvido do banco que o plano para a empresa é de longo prazo. O presidente do JBS, Wesley Batista, diz duvidar que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) comece a se afastar da sociedade que tem com o frigorífico. Essa possibilidade foi levantada por analistas em maio, depois que o banco converteu debêntures (dívida) em ações da empresa. Como as ações são mais líquidas e podem ser vendidas a qualquer momento, o mercado especulou que o banco se preparava para desembarcar do investimento no JBS, que tantas críticas já lhe rendeu.
"O JBS é um investimento de longo prazo do BNDES. O banco não tem interesse em desinvestir", diz Batista. Para reforçar sua opinião, o empresário cita dois episódios. Há um ano, um investidor estrangeiro pediu à família Batista que sondasse o BNDES sobre a venda de parte das suas ações no JBS. A resposta, segundo ele, foi não. Agora, por conta dessas dúvidas levantadas pelo mercado, os Batista procuraram o banco novamente e o BNDES garantiu que segue no negócio.
Recém-chegado dos Estados Unidos, Wesley Batista assumiu a presidência do JBS, o maior frigorífico do mundo, em fevereiro. Ele tem um estilo um pouco diferente do irmão mais novo e antecessor no cargo, Joesley. Também é despachado e orgulhoso de suas origens, mas é menos impetuoso e escolhe as palavras com mais cuidado. Assumiu com a missão de reverter as desconfianças do mercado, que castiga as ações do JBS com uma queda de 27% este ano. A seguir, os principais trechos da entrevista:
Por que você entrou no lugar do Joesley (Batista, hoje presidente da holding J&F)?
Quando fizemos as últimas aquisições, ficamos focados na integração dos negócios. O Joesley estava concentrado na compra do Bertin e eu nas aquisições nos EUA (Swift, Pilgrim’s Pride, entre outras). No fim do ano passado, com as empresas integradas localmente, estava na hora de só um de nós olhar o negócio como um todo. Como a operação que estava sob minha responsabilidade representa 65% do grupo, achamos melhor que fosse eu.
Seu trabalho será diferente daquilo que seu irmão fez? A política de aquisições vai continuar?
A fase é diferente. Nos últimos quatro a cinco anos, eu e o Joesley lideramos o crescimento da empresa. As grandes oportunidades para diversificar em outras proteínas, como suínos e aves, e para estar presente em países estratégicos foram aproveitadas. Vamos continuar crescendo, mas não estamos mais com o foco em aproveitar a oportunidade. Agora precisamos colher os frutos, trazer resultados, buscar sinergia.
O BNDES trocou debêntures por ações do JBS. A companhia anunciou que o objetivo da operação é reduzir o endividamento no Brasil, só que mesmo assim as ações continuam caindo...
As debêntures foram importantes para viabilizar a compra da Pilgrim’s, mas, desde que fizemos a operação, o mercado vem com várias dúvidas. É difícil dizer qual é o motivo da queda das ações. Acho que o mercado não esperava que o BNDES convertesse as debêntures agora, mas só no fim do ano (prazo previsto em contrato) ou até depois. Não esperava essa diluição (dos acionistas minoritários) de bastante relevância ...
Por que vocês anteciparam essa operação?
A estrutura de capital estava muito desbalanceada. Quase não temos dívida nos Estados Unidos. Todo o encargo financeiro está aqui. Do ponto de vista fiscal, é ineficiente, porque geramos caixa nos EUA e pagamos muitos impostos. Enquanto isso, carregamos a dívida no balanço no Brasil. O ideal seria transferir a dívida para os EUA, elevar a despesa financeira lá e pagar menos imposto de renda. O problema é que isso não era possível por causa das debêntures, porque havia a perspectiva de o BNDES ter uma participação no JBS USA. Todo esse prejuízo financeiro gera uma conta de US$ 150 milhões por ano. Se já sabíamos que as debêntures seriam convertidas no Brasil, porque esperar e continuar perdendo US$ 150 milhões?
Junto com a operação do BNDES, vocês captaram quase US$ 1 bilhão no exterior. Esse dinheiro já chegou ao Brasil?
Está vindo por partes. O plano todo é captar US$ 2 bilhões para pagar dívida aqui. Já captamos US$ 1 bilhão e trouxemos US$ 650 milhões, que chegaram na semana passada.
Para alguns analistas, a operação foi um sinal de que o BNDES pode começar a vender sua participação de 31% no JBS.
Alguns investidores levantaram essa dúvida e fomos ao BNDES. Dissemos que as ações podiam estar pressionadas pelo receio de que o banco comece a se desfazer de sua posição. A resposta deles foi: "O JBS é um investimento de longo prazo, acreditamos na empresa e não há interesse de desinvestir agora".
Por quanto tempo é interessante para a companhia manter o BNDES como sócio?
Investidores de longo prazo, como o BNDES, atraem qualquer empresa. Um ano atrás, um grande investidor americano quis comprar uma posição grande no JBS e nos pediu para consultar se o BNDES estava interessado em vender uma parte. O banco respondeu que não tinha interesse. Então, nas duas vezes que perguntamos ao banco sobre desinvestimento, a resposta foi não. Agora, se amanhã aparecer uma oportunidade e o BNDES encontrar um comprador, por preço que interesse, pode ser que diminuam um pouco sua fatia. Não dá para prever.
Os analistas enxergam um risco de a Pilgrim’s não cumprir as metas de governança acertadas com os bancos credores e, com isso, ser forçada a pagar à vista uma dívida de cerca de US$ 700 milhões. Pode acontecer?
A chance de a Pilgrim’s não cumprir as "covenants" (metas de governança) é zero. O mercado está com receio, mas a chance é zero.
Os Batista têm planos de comprar mais ações para recuperar os 50% de participação na empresa (depois da operação com o BNDES, essa fatia está em 47%)?
Não temos nenhum plano de aumentar nossa participação.
Mas, se na sua avaliação as ações estão baratas, não seria um bom momento?
Se eu tivesse sentado em caixa na holding, adoraria comprar tudo. Mas não vou tomar dívida na holding para comprar ação, não faz sentido. E essa questão de 47% ou 50% não faz diferença em termos de controle. Eu não compraria ações por causa disso, mas sim porque acho um bom negócio.
O grupo Bertin atravessa dificuldades financeiras por causa dos investimentos no setor de energia. Eles já manifestaram interesse em vender sua participação no JBS?
Não. Eles nunca cogitaram essa hipótese.
No episódio da Inalca (na Itália), vocês acusaram os Cremonini de má-fé e a parceria foi desfeita. Fica alguma lição?
A lição é: operar num outro país, em sociedade 50% a 50%, não fazemos mais. Ou temos o controle ou não dá. Nós fornecíamos carne para eles há muitos anos. Mas é igual casamento. Você namora anos, acha que conhece a pessoa e só na hora que casa vai ver como é que é.
Como vocês vão reconstruir as operações do JBS na Europa?
Não temos interesse agora de remontar nada na Europa. Tem outras oportunidades melhores. Nosso foco está em América do Norte, América do Sul e Austrália.
A holding da família comprou o banco Matone, uma empresa de produtos de higiene e está investindo na construção da maior fábrica de celulose do mundo. Não é muita coisa de uma só vez?
Depende o angulo que você olha. Do nosso, não. Já temos um banco pequeno, e estamos fazendo uma fusão com outro banco do mesmo tamanho. Não estamos entrando num ramo novo e não tem desembolso de caixa. Compramos a empresa de higiene e limpeza do Bertin, mas é um ramo em que já atuamos há 25 anos. Pelo prazo e pelas condições, essa aquisição foi uma oportunidade interessante. De fato, estamos entrando num ramo novo que é a celulose. É um negócio muito maior, que exige muito capital. Mas começamos esse projeto anos atrás, temos uma empresa de reflorestamento e acreditamos muito na produção de celulose no Brasil. Não é muita coisa ao mesmo tempo. Não estamos dando tiro para todo lado.
Novos hotéis da Accor devem consumir R$ 1,5 bi
Valor 15.06.2011 - O grupo francês de hotéis Accor planeja alavancar entre investidores R$ 1,5 bilhão até 2015 para a inauguração de 74 empreendimentos no Brasil. Deste total, 59 unidades serão econômicas, sendo 51 da bandeira Ibis (três estrelas) e oito da marca Formule 1 (duas estrelas). Mais 14 hotéis da categoria quatro estrelas fazem parte da expansão da Accor no país nos próximos quatro anos, sendo sete da marca Mercure e outros sete Novotel. Também está prevista a inauguração do segundo hotel Pullman no mercado brasileiro, a nova bandeira do grupo francês no segmento de cinco estrelas.
"O desenvolvimento econômico está promovendo uma interiorização. Estamos crescendo mais com Ibis porque muitas cidades do interior não têm demanda para hotéis de quatro estrelas", afirma o diretor de desenvolvimento de novos negócios do Grupo Accor no Brasil, Abel Castro.
A Accor inaugurou ontem, em São Paulo, seu primeiro hotel com a marca Pullman no Brasil, após investimento de R$ 20 milhões na reforma interna de um empreendimento que operava com a bandeira Gran Mercure. O próximo Pullman será construído em Belo Horizonte, com investimento de R$ 90 milhões. Segundo Castro, a conclusão está prevista para até o início de 2014. A rede Accor no Brasil é a maior em quantidade de hotéis, com 142 empreendimentos, o equivalente a 23.569 quartos. O grupo só divulga o faturamento na América Latina, de US$ 696 milhões em 2010, ou crescimento de 28,9% diante do ano anterior.
O segmento de atuação do Pullman, o de quatro estrelas ("midscale" no jargão do setor), foi o mais rentável no país nos quatro primeiros meses do ano. Isso é o que mostra um levantamento do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB) entre 400 hotéis filiados.
De acordo com a entidade, a receita por quarto disponível (Revpar), índice de rentabilidade do setor que cruza a diária média com taxa de ocupação, da categoria quatro estrelas teve crescimento de 24,4% de janeiro a abril, em relação a igual período de 2010. O Revpar passou de R$ 84 para R$ 102,5 nessa base de comparação.
O levantamento do FOHB também mostra que a hotelaria econômica, principal foco de atuação da Accor no Brasil, teve o segundo melhor Revpar do setor no primeiro quadrimestre, com expansão de 21,8% na comparação com igual período de 2010.
"O turismo de negócios está aquecido e isso tem a ver de forma indireta com o crescimento das pequenas e médias empresas, que mandam funcionários de níveis hierárquicos mais baixos viajar", afirma o vice-presidente administrativo e financeiro do FOHB, André Monegaglia.
De acordo com ele, também presidente da Allia Hotels, o bom desempenho das demais categorias de hotéis também é reflexo do crescimento econômico.
Os hotéis cinco estrelas, ou os chamados "upscale", registraram crescimento de 17,5% no Revpar de janeiro a abril, ante mesmo período de 2010. Nesse intervalo de comparação, o Revpar dessa categoria passou de R$ 158,7 para R$ 186,5.
Teles acusam Globo de barrá-las em TV
Folha 15.06.2011 - Operadoras de telefonia dizem que emissora tenta segurar projeto que permitirá entrada das teles na TV a cabo. Projeto abre espaço para concorrente da Globosat; Globo nega e diz que acusações de lobby são infundadas.
As operadoras de telefonia acusam a Globo de tentar barrar o projeto de lei (PLC 116) que abrirá o mercado de televisão a cabo para as teles pondo fim às restrições ao capital estrangeiro. Oficialmente, as operadoras não falam do assunto. Nos bastidores, dizem que a Globo está tentando "segurar" ao máximo a tramitação do projeto, porque ele abre a possibilidade de que as operadoras se associem a emissoras de TV para formar um novo programador de canais concorrente da Globosat, maior programadora da América Latina.
A Globo nega. "Apoiamos a aprovação do projeto tal como se encontra no Senado", afirma Evandro Guimarães, vice-presidente de relações institucionais das Organizações Globo. Segundo ele, as acusações são infundadas.
Em uma carta enviada pelas Organizações Globo ao líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), a que a Folha teve acesso, o grupo afirma que concorda com o projeto desde que "haja compromisso da liderança de que não haverá vetos do Executivo, que de qualquer forma possam mutilá-lo, provocando desequilíbrio nas relações entre produtores e distribuidores de conteúdo".
A Folha apurou que o governo ainda não deu garantias à Globo de que não haverá vetos. Outra preocupação é a de que as teles continuem impedidas de controlar produtoras de conteúdo.
A Oi não tem interesse nesse mercado no momento. Seu foco está na distribuição de conteúdos televisivos adquiridos de um programador e, no máximo, a possibilidade de negociar a compra dos direitos de transmissão de jogos ou eventos culturais (shows) diretamente.
Na Telefónica existe um grupo discutindo a entrada no mercado de produção de conteúdo, mas, caso vingue, o projeto será de longo prazo.
No governo, a expectativa é a de que, inicialmente, haja a formação de um novo competidor da Globosat. Negociações abertas: A Folha apurou que a Record já fez proposta de parceria à Oi, mirando nessa nova oportunidade de negócio.
Um dos sócios da operadora posicionou-se contrariamente à oferta, que previa até a construção de uma nova sede na zona portuária do Rio de Janeiro, que seria dividida entre Oi e Record. Uma fonte ligada à Oi afirmou que, não fosse a resistência desse sócio, a operadora já estaria associada a uma emissora de televisão.
A possível formação de um "consórcio" desse tipo abriria caminho para que a Oi turbinasse seu site iG competindo com o G1, da Globo, que têm conteúdos, como jogos de futebol, disponíveis. Consultada, a operadora disse que uma associação com a Record ou com qualquer empresa de mídia "jamais esteve na pauta da Oi". A Record não respondeu à reportagem até a conclusão desta edição.
Viajanet vai ao exterior com aporte de US$ 19 milhões
Valor 15.06.2011 - A agência de viagens on-line Viajanet recebeu um aporte de US$ 19 milhões de dois fundos americanos de investimento, Redpoint Ventures e General Catalyst, e vai usar parte dos recursos para um plano de expansão internacional. Essa foi a terceira rodada de aportes na empresa. A primeira, em novembro de 2009, levantou US$ 1 milhão do Travel Investment Technology.
O sócio-fundador do Viajanet, Alex Todres, diz que até o fim de julho será inaugurada uma subsidiária no México, com equipe local. Após a consolidação dessa nova frente, a ideia da empresa é abrir outras filiais na Argentina, Venezuela e Colômbia.
"Já temos gente nossa do Brasil para conhecer a cultura local desses países", afirma Todres. A Viajanet aposta na terceirização da venda de passagens aéreas e pacotes de viagens para outras empresas, como a Saraiva Viagens e a Clickabordo, do Grupo Abril.
De acordo com o outro sócio-fundador da empresa, Bob Rossato, essa outra frente de negócios tem potencial para representar cerca de 20% do faturamento da Viajanet até o fim deste ano. No ano passado, a agência on-line faturou R$ 55 milhões. Para 2011, a estimativa alcança R$ 110 milhões.
Sara Lee muda plano e separa segmento internacional de bebidas
Estadão 14.06.2011 - Dona de marcas como Pilão e Café do Ponto, no Brasil, companhia acredita que divisão aumentará a 'complexidade e as oportunidades' para a empresa.
A norte-americana Sara Lee anunciou nesta terça-feira, 14, ter decidido separar suas operações internacionais de café e chá do resto da companhia, em vez de desmembrar as operações na América do Norte, que incluem a divisão de carnes, como tinha planejado em janeiro. "Essa transação significa mais do que separar um segmento da companhia. Estamos realmente desmembrando um player global em duas empresas independentes, o que aumenta a complexidade e as oportunidades", disse o presidente-executivo, Jan Bennink, por meio de comunicado. "Na medida em que começamos a entrar nos detalhes da divisão da empresa em dois negócios, chegamos à conclusão que haveria eficiências maiores com a separação das operações internacionais de café", continuou Bennink. A Sara Lee espera concluir a divisão no início de 2012. No mês passado, a empresa informou que saiu de prejuízo para lucro no terceiro trimestre fiscal, com aumento das vendas em quase todos os negócios, lideradas pela unidade internacional de bebidas. No Brasil, a companhia é dona das marcas de café Pilão, Caboclo, Café do Ponto, Damasco, Maracaná, Bom Taí, Pacheco, Palheta, Seleto, Moka e Jaraguá. A Sara Lee também atualizou as informações sobre a venda de suas operações com panificação na América do Norte para o Grupo Bimbo. A companhia afirmou que o Bimbo realizou discussões substanciais com o Departamento de Justiça e está trabalhando a respeito de eventuais cuidados especiais. A Sara Lee avalia que a transação será concluída no início do ano fiscal 2012.
Ical terá primeira fábrica no NE
Valor 15.06.2011 - Integrante de um dos mais poderosos clãs empresariais de Minas Gerais, o da família Pentagna Guimarães, a empresária Ignez da Gama Guimarães, que comanda a fábrica de cal Ical, começa a abandonar a discrição com que toca a empresa que produziu 1,5 milhão de toneladas no ano passado. A empresária deve formalizar, ainda este mês, o seu ingresso na região Nordeste, com o anúncio da construção de uma fábrica em Baraúna (RN), na chapada do Apodi, um investimento de R$ 200 milhões para 1 mil toneladas por dia do produto. Somente com esta obra, que deve ser concluída até 2014, a Ical ampliaria a sua capacidade de produção de 1,8 milhão de toneladas para 2,1 milhões de toneladas anuais, o que corresponderia hoje a cerca de 30% do mercado brasileiro de cal, segundo comentou Ignez, no que disse ser a sua primeira entrevista desde que assumiu o comando da empresa, em 2004. Mas a empresária pretende ganhar mais 1,5 milhão de toneladas anuais de capacidade de produção nos próximos três anos, ampliando suas unidades atuais e comprando outras fábricas de cal. Os investimentos poderão chegar a até R$ 400 milhões. "Cinco empresas estão sendo examinadas. O objetivo é crescer não só no setor de cal, mas também no de produção de brita e areia", afirmou a executiva.
Para isso, Ignez captou R$ 280 milhões em um empréstimo tipo "stand-by" com o banco Santander no ano passado, dos quais utilizou R$ 100 milhões. Um outro empréstimo foi obtido este ano, de R$ 70 milhões, com o banco Itaú. Ignez pretende, ainda em 2011, captar outros R$ 150 milhões. A empresária se negou a divulgar os dados do balanço de sua empresa. Mas afirmou que não tem dívida além dessas e que a alavancagem representa 50% da geração de caixa da Ical. De acordo com a Associação Brasileira de Produtores de Cal, em 2008 a produção nacional era de 7 milhões de toneladas, com faturamento bruto de cerca de R$ 1 bilhão. Atualmente a Ical produz 1,8 mil toneladas por dia na fábrica em que funciona a sede da empresa, em São José da Lapa, na região metropolitana de Belo Horizonte. Mas sua maior fábrica de cal é a de Pains, no sudoeste mineiro, onde produz 2,4 mil toneladas diárias. Uma terceira fábrica, adquirida em 2007, produz 600 toneladas por dia em Matosinhos, também na região metropolitana. Mas a Ical não está sendo pioneira em se instalar na chapada do Apodi.
A fábrica de cimentos Mizu, do Espírito Santo, herdou um projeto inicialmente concebido pelo grupo Votorantim e deve ainda este mês começar a operar uma unidade em Baraúna com capacidade de produção de 1,1 milhão de toneladas por ano. "É um investimento de R$ 362 milhões, que deve ser ampliado até 2015 e envolver inversões adicionais de R$ 340 milhões", afirmou o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte, Benito Gama. Além da fábrica de cimento, que utilizará o cal para fins de construção civil, a Mizu se associou ao grupo belga Lhoist, dono da Belocal, para investir mais R$ 80 milhões em uma fábrica de cal siderúrgico na mesma cidade.
Tanto a Mizu quanto a Ical receberam benefícios do governo do Rio Grande do Norte, dentro da estratégia de guerra fiscal que foi condenada recentemente pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Gama aposta que a medida não deve afetar o nascente polo de Baraúna. " O benefício que damos é financeiro, não exatamente fiscal. Nós financiamos por um determinado tempo o valor equivalente ao que o empreendedor irá gastar com o pagamento do ICMS", comentou o secretário. Segundo Ignez, a decisão de entrar no Rio Grande do Norte não será revista independente do efeito da decisão do Supremo. "A nossa decisão de entrar no Nordeste está ancorada na produção de cal siderúrgico para atender a investimentos como a futura siderúrgica de Pecém, entre outros. Cal é um produto altamente perecível, dificilmente estocável e para participar do mercado nordestino é preciso estar lá. Não será um custo fiscal maior que nos fará recuar", disse. A Ical existe desde 1949, fundada por Lúcio Pentagna Guimarães, com dinheiro emprestado do pai, Antonio Mourão Guimarães, criador do banco BMG e da indústria de refratários Magnesita, que foi vendida pela família para fundos de pensão em 2007, por R$ 1,2 bilhão. Ignez, que substituiu o pai, hoje interditado judicialmente, cresceu dentro da fábrica, que cobre de calcário as antigas residências dos administradores, hoje ocupadas apenas por escritórios. A mineração a céu aberto, que pode ser vista por passageiros que pousam no aeroporto internacional de Confins, a poucos quilômetros de distância, deve continuar por muitos anos: há mais de 1 bilhão de toneladas de calcário ainda a explorar na jazida.
Louis Dreyfus compra empresa de fertilizante
Valor 14.06.2011 - A Louis Dreyfus Commodities, multinacional de origem francesa com forte presença no agronegócio brasileiro, acaba de fechar a aquisição da Macrofértil, produtora e distribuidora de fertilizantes com sede em Ponta Grossa, na porção sudeste no Paraná. A transação, cujo valor não foi divulgado, marca a efetiva entrada da LD na área de adubos no país. O grupo começou a atuar diretamente no segmento em 2007, na Argentina. Naquele ano, criou uma plataforma global para fertilizantes, e em 2008 passou a operar com o insumo no Brasil, mas pontualmente.
Segundo Javier Britez, diretor da nova plataforma, a decisão de entrar com mais força no ramo no país foi tomada em janeiro de 2010. Com a experiência adquirida desde então, a conclusão foi que a aquisição de uma empresa já estabelecida no mercado seria a melhor forma de fortalecer a estreia. Com presença física em expansão no campo brasileiro nos últimos anos, sobretudo após sua entrada no segmento sucroalcooleiro, e relevante participação no comércio de grãos, a LD ampliou sua aposta no mercado de insumos para impulsionar o modelo de financiamento a seus produtores/fornecedores conhecido como "barter".
Baseado no adiantamento de insumos em troca de uma produção agrícola futura, o barter normalmente é feito com fertilizantes ou defensivos. Acordo anunciado na semana passada entre a múlti e o CCAB, grupo que reúne grandes cooperativas de agricultores que atuam em geral no Cerrado, está em linha com essa estratégia. "Trata-se de uma ferramenta de 'hedge' muito eficiente para o produtor, já que, com ela, é possível travar margens e mitigar riscos", afirma Britez.
Criada em 1982, a Macrofértil, que não atua no elo minerador dos fertilizantes, conta com oito plantas de mistura e capacidade total de processamento de 1,8 milhão de toneladas por ano. Essas unidades estão distribuídas no Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás - que representam, somados, 65% do consumo brasileiro de adubos. Conforme Britez, o objetivo da LD é ampliar a capacidade da Macrofértil (cuja marca será preservada) para 2,5 milhões de toneladas anuais. "Nesse processo de expansão [que poderá acontecer por meio de novas aquisições e/ou construção de plantas], queremos incorporar outros Estados", diz o executivo.
O primeiro da lista é o Rio Grande do Sul, mas também estão na mira Minas, Bahia e a região do "Mapito". Nesses polos, uma das metas da LD é ampliar a rede de fornecedores e alavancar sua capacidade de originar grãos, para processamento ou exportação. Com a Macrofértil, o Brasil passa a responder por dois terços dos negócios da plataforma de fertilizantes da LD. O outro terço vem de Argentina e países da África, acessados desde a aquisição da estatal francesa SSI, no início do ano. As vendas líquidas globais da LD, em todas as suas frentes de atuação, superaram US$ 46 bilhões em 2010.
Empresas privadas investem US$ 36 bi em petróleo
Valor 15.06.2011 - Dinheiro será para exploração e produção da commodity; Petrobras pode anunciar novos recursos na sexta.
As empresas privadas vão investir US$ 36 bilhões de 2011 a 2015 para explorar e produzir petróleo. O levantamento, feito pelo IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), mostra que os recursos terão um acréscimo de 20%.
De 2010 a 2014, o mercado de petróleo, fora a Petrobras, previa investimentos de US$ 30 bilhões. Em igual período, a estatal estimava investir US$ 118 bilhões apenas na área do setor de petróleo e gás, sendo US$ 33 bilhões em projetos do pré-sal.
Os investimentos da Petrobras para o período 2011-2015 deverão ser anunciados na sexta-feira, após reunião do Conselho de Administração da estatal. De 2010 a 2014, estavam previstos US$ 224 bilhões. Esse valor deve ser revisto para cima.
O presidente do IBP, João Carlos de Luca, disse que esse acréscimo já leva em consideração investimentos de empresas privadas no pré-sal. É o caso da britânica BG, a espanhola Repsol e a portuguesa Galp, que são sócias minoritárias da Petrobras em projetos na bacia de Campos.
De Luca disse que as empresas estão decididas a investir "pesadamente", por considerar que o Brasil possui um "cenário único" no horizonte da indústria mundial, com a descoberta do pré-sal e condições políticas e regulatórias estáveis.
"A indústria de óleo e gás programa uma aceleração dos investimentos", afirmou, na abertura da Brasil Offshore, feira que reúne empresas do setor, em Macaé (Rio).
O anúncio da 11ª Rodada de Licitações de áreas exploratórias foi destacado por De Luca. Para ele, havia um hiato que ameaçava os investimentos, pela falta de continuidade nos leilões de novos blocos. Ele espera forte adesão da indústria à licitação marcada para setembro.
Fiesp defende novas licitações para usinas hidrelétricas
Estadão 14.06.2011 - Segundo estudo da federação, concessões do setor elétrico que vencem em 2015 gerariam ganho de R$ 900 bilhões para o Brasil em um período de 30 anos. A licitação das concessões do setor elétrico que vencem em 2015 gerariam um ganho de R$ 900 bilhões para a sociedade brasileira no período de 30 anos. Essa é a conclusão de um estudo elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que será entregue hoje a parlamentares no Congresso Nacional e ao Tribunal de Contas da União (TCU).
"Nós defendemos o cumprimento da lei e a lei determina que, em 2015, essas concessões voltariam para a União e que fossem realizadas novas licitações", afirmou hoje o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.
Segundo ele, o estudo aponta para uma redução de cerca de 80% no preço da energia gerada por essas usinas cujas concessões vencerão em 2015, que representam 20% do parque de geração hidrelétrico do País. O efeito na conta do consumidor, segundo Skaf, seria uma redução imediata de 20%.
Skaf defende que os investimentos realizados nessas usinas já foram totalmente amortizados e, por essa razão, poderia haver uma redução drástica na tarifa. Ele considera ainda que, se o governo optar por renovação das concessões, seria um processo ilegal. "É ilegal, salvo se mudar a lei", disse.
Ele avalia ainda que, se o governo optar pela renovação, seria uma incongruência, visto que o modelo vigente que determina a expiração das concessões em 2015 foi feito pela própria presidente Dilma Rousseff que, na época, era ministra de Minas e Energia no governo Lula.
Skaf contestou ainda as informações das empresas de que ainda há um grande volume de investimentos não amortizados. "Quem sabe quanto não foi amortizado é a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica)".
Único caso de intervenção ocorreu na Cemar devido à situação financeira crítica
Valor 15.06.2011 - Não será um feito inédito, caso a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decida por acatar o pedido de intervenção na Eletropaulo feito pelo Procon. Em agosto de 2002, a agência determinou a intervenção administrativa na Companhia Energética de Maranhão (Cemar) por 180 dias, prazo que depois foi prorrogado até maio de 2004. Nesse período, a Aneel coordenou a alienação do controle acionário da Cemar, processo que faz parte da reestruturação da empresa. Na ocasião, a Aneel nomeou, inclusive, um interventor direto para assumir o controle da empresa.
Era grande a lista de problemas encontrados na Cemar. A situação financeira da concessionária, conforme apontou a Aneel, foi considerada "crítica". Nas demonstrações contábeis da empresa, auditores alertavam para "dúvidas sobre a continuidade operacional da companhia", o que de fato ocorreu. A Aneel concluiu que "a falta de recursos, bem como dificuldades de novas captações e de reestruturação da dívida" estavam "afetando a operação, manutenção, expansão e ampliação do sistema elétrico".
Antes de decidir pela intervenção direta, a Aneel chegou a solicitar um plano para quitação da dívida, o que não aconteceu. Paralelamente, a PPL Global LLC, acionista controlador da empresa, comunicou seu interesse em deixar a sociedade. Em 2004, a Aneel aprovou a proposta de compra da Cemar pelo GP Investimentos, processo que inclui a capitalização e a renegociação de dívidas da concessionária.
Peru cancela hidrelétrica da OAS e da Eletrobrás
Valor 15.06.2011 - O governo do Peru cancelou a licença de concessão temporária que a Eletrobrás e a construtora OAS tinham para trabalhar no projeto de construção da maior hidrelétrica do país, uma obra orçada em US$ 4,9 bilhões. Criticado por comunidades indígenas, que dizem que serão afetadas pela obra, o projeto só será retomado se for aprovado num processo de consulta a essas populações, disse o Ministério de Energia e Minas.
A hidrelétrica de Inambari, na região central do Peru, é peça-chave no plano de internacionalização do grupo Eletrobrás. Parte da energia a ser gerada será destinada ao mercado brasileiro. De acordo com fontes do ministério peruano que acompanham de perto o assunto e ouvidas ontem pelo Valor, o processo agora "recomeça do zero" e "qualquer empresa interessada" poderá participar, mas só depois da consulta popular.
O presidente do projeto Inambari, o engenheiro Evandro Miguel, da OAS, disse que o consórcio - chamado de Egasur - já investiu US$ 22 milhões nos estudos de viabilidade técnica e econômica. O consórcio é formado pela OAS (51%), pela Eletrobrás (29,4%) e sua subsidiária Furnas (19,6%).
Houve discussões no governo peruano sobre a possibilidade de realizar a consulta mantendo a concessão à Egasur. Mas a decisão acabou favorecendo os movimentos indígenas e foi comemorada pelo governo de Puno, uma das regiões onde se concentra a oposição ao projeto.
A alegação oficial do governo do presidente Alan García é que o país atenderá a um tratado da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que estabelece que as comunidades locais sejam consultadas antes do início de obras que impliquem em grandes intervenções em suas regiões.
Mas cálculos políticos do presidente é que podem ter sido determinantes na decisão de cancelar a licença preliminar. García encerra seus cinco anos de governo em 28 de julho. Deixa o cargo para seu opositor, o esquerdista Ollanta Humala. Alguns analistas dizem que García pretende deixar um rastro de "dinamite" para o sucessor. Inambari seria uma delas.
Eleito com forte apoio da maioria indígena do país, Humala disse durante a campanha que aceitaria manter o projeto se este fosse aprovado em uma consulta popular das comunidades atingidas. Se a oposição ao projeto ganhar corpo, o novo presidente terá de fazer exercício para equilibrar seu compromisso com a base eleitoral a necessidade do país de ampliar sua capacidade de geração de energia. Ao cancelar a concessão, Garcia ainda se livra do risco de ver a região mergulhar em protestos violentos - o que mancharia mais ainda sua imagem já desgastada.
Miguel, da OAS, avalia que parte da população das três regiões onde ficaria a represa - Cuzco, Madre de Dios e Puno - apoia o projeto. "Mas há líderes sociais que têm interesses políticos na região e por isso se opõe às obra", disse. "Nós vamos agora esperar o novo governo. É preciso saber se as comunidades e se o país querem o projeto."
Comunidades locais e críticos dizem que a usina afetará a biodiversidade de uma reserva nacional, forçará o reassentamento não de 3.500 pessoas, como dizem as empresas, mas de até 14 mil e reclamam que trechos da rodovia interoceânica ficarão debaixo d'água. Dizem ainda que o empreendimento beneficiará mais o Brasil do que o Peru. A hidrelétrica deverá ter potência de 2,2 mil megawatts (MW) e 80% de sua produção viria para o Brasil. A área a ser inundada, segundo a OAS, é de 378 km quadrados. Inambari faz parte de um conjunto de seis usinas no Peru que integram o convênio de integração energética firmado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e García, em 2009.
MPX negocia compra de térmicas do Bertin
Valor 15.06.2011 - Pelo menos uma parte do imbróglio das usinas termelétricas controladas pelo grupo Bertin para fornecimento de energia de 2011 a 2013, e que estão com obras atrasadas, começa a ser resolvida. A MPX Energia praticamente fechou a compra de duas a quatro usinas do grupo paulista que têm contrato para operar a partir de 2013. A maior parte está em atraso ou com construção por iniciar. Cercada de sigilo quanto a valores, a operação deverá ser anunciada nos próximos dias. Procurada, a MPX informou que "não comenta rumores de mercado". Mas não é segredo os planos da MPX de aumentar a geração de energia a gás depois que a empresa declarou a comercialidade de dois campos de gás descobertos no Maranhão.
A MPX já tem licença de instalação para unidades de geração térmica com capacidade de 1.863 megawatts (MW) na área e informou recentemente que está obtendo licenças para mais 1.859 MW. A empresa está habilitada para suprir até 909 MW no próximo leilão de reserva (A-3), organizado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e marcado para julho. Isso significa que, mesmo se ganhar, a MPX terá ainda espaço para colocar novos projetos na região. Comprando as usinas do grupo Bertin, a companhia poderá usar os contratos e transferir os pontos de entrega na rede de transmissão do sistema elétrico interligado para o Maranhão.
Segundo o Valor apurou, faltam ainda pequenos detalhes para o fechamento do negócio que, concretizado, começa a aliviar o governo da ameaça de um buraco na oferta de energia para os próximos anos. Somente as usinas do Bertin previstas para entrarem em operação em 2013 e que não começaram a ser construídas representariam oferta adicional de 3 mil MW. É quase a mesma quantidade de energia que será gerada pela usina Santo Antônio, no rio Madeira (3.150 MW).
Uma das questões pendentes até o começo desta semana dizia respeito à possibilidade da MPX vender a energia adicional gerada pelas usinas no mercado livre, e não no cativo. A sobra decorre de diferenças nos sistemas operacionais das termelétricas movidas a óleo e as movidas a gás.
Além da MPX, várias empresas negociaram ou negociam com o Bertin a compra das térmicas, como a CPFL, Alcoa e Cemig. Em março o governo chegou a cogitar a entrega de 15 usinas do Bertin prevista para operar no começo de 2013 para que a Petrobras cuidasse da construção. A estatal já foi usada pelo governo em 2001, na época do racionamento de energia elétrica, para construir várias termelétricas, restabelecendo o equilíbrio da oferta. Mas esse plano não teve apoio da direção da estatal.
Os problemas do grupo Bertin na área de energia elétrica começaram com as usinas de Maracanaú (CE) e Borborema (PB), totalizando mais de 300 MW, prevista para operar em 2010 mais que só começaram a funcionar este ano. Para honrar os contratos de fornecimento das duas usinas, o grupo comprou energia da Chesf, mas atrasou o pagamento.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) chegou a votar a cassação das concessões, mas no dia 31 de maio o Bertin pagou R$ 220 milhões e manteve suas usinas. Mas teve que sair de Belo Monte, vendendo sua participação de 9% para a Vale.
Eletropaulo monta plano para reverter críticas
Valor 15.06.2011 - Britaldo Soares, presidente da AES Eletropaulo: "É natural que o governo (estadual) cobre, mas nós não podemos ser avaliados por eventos isolados"
A chuva e o vendaval do dia 7, que deixou 600 mil pessoas sem energia na sua área de concessão, ainda causam estragos na AES Eletropaulo. Se a companhia já conseguiu restabelecer o fornecimento de energia, agora terá de montar uma estratégia que consiga restabelecer sua imagem junto aos consumidores e órgãos de fiscalização, além de acalmar os vários grupos que apostam no seu desgaste de olho em um bom negócio.
A concessionária prepara um plano operacional para lidar com as situações de emergência, quando há um pico de demanda por atendimentos. Ela considera, inclusive, a possibilidade de contratar mais funcionários para reforçar as equipes de contato com o cliente e a atuação em campo. O objetivo é reduzir a duração das interrupções no fornecimento.
"Podemos até ajustar o ritmo de investimentos, mas hoje estamos mais focados em que tipo de ação operacional precisamos tomar", afirmou ontem o presidente da AES Eletropaulo, Britaldo Soares, ao Valor, logo após uma reunião com a área de call center para avaliar erros e acertos e coletar insumos para o novo plano. No dia 7, a equipe recebeu em apenas uma hora o recorde de 1,5 milhão de ligações, que deveriam ser atendidas por 470 pessoas.
O plano da Eletropaulo para aumentar a capacidade de resposta ainda não tem data para ser apresentado à matriz, aos acionistas e consumidores, mas Soares afirma que quer ser breve. Uma das ideias é reforçar a capacidade de atendimento por tecnologias alternativas, como SMS. Um acréscimo nos investimentos também não é desconsiderado.
"Estamos fazendo uma análise e vendo o que precisamos ampliar para estarmos melhor preparados para eventos de pico até maiores do que esse", diz Soares. Segundo a avaliação dos técnicos da companhia, só houve um evento de proporções semelhantes em 2009 e os picos de emergência, por conta de condições climáticas, são cada vez mais intensos.
Sobre as fortes críticas do governo de São Paulo à companhia e ao pedido de intervenção administrativa feito pelo Procon-SP à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Soares diz que o programa de investimentos da concessionária, que inclui a instalação de 1,7 milo religadores automáticos este ano, é conhecido por todos. "É natural que o governo cobre, mas nós não podemos ser avaliados por eventos isolados", afirma o presidente da companhia.
Segundo Soares, a companhia precisa fazer uma readequação da operação a cada evento extraordinário, como ele afirma que ocorreu com as fortes chuvas do verão de 2009-2010. A duração média de interrupções, indicador de qualidade do setor, cresceu de 9,2 em 2008 para 11,86, em 2009. No plano de resposta, a empresa aumentou em 21% os investimentos em manutenção no ano passado, quando o indicador caiu para 10,6.
A duração média de interrupções chegou a 12,66 horas no primeiro trimestre deste ano. Em abril, o índice caiu para 9,9 horas, ainda acima da média de 2008, mas o objetivo é chegar a 8,31 horas até o fim do ano.
Segundo a Eletropaulo, os investimentos totais crescem 14% ao ano desde 2006, o que considera ser suficiente para atender a um crescimento médio de 3 a 4% na demanda, em um acréscimo médio de 150 mil a 200 mil novas unidades consumidoras por ano.
Ontem, o secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal (PSDB), voltou a criticar a Eletropaulo. Ele vai hoje a Brasília buscar auxílio do Ministério de Minas e Energia e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). "Desde que começamos a pôr um foco maior sobre a Eletropaulo, estamos descobrindo o quanto a empresa vem visando primeiro o desempenho financeiro e de maneira secundária a prestação de serviços", afirmou.
Móveis Carraro
Folha 15.06.2011 - A Carraro, especilizada em móveis populares, vai investir R$ 20 milhões na compra de máquinas para seu parque industrial, em Bento Gonçalves (RS).
Controlada pelo grupo Todeschini, do mesmo setor, a empresa tem seus produtos revendidos por grandes redes varejistas, como Lojas Cem e Magazine Luiza.
A empresa afirma projetar alta de 12% do faturamento deste ano, para R$ 235 milhões. Para turbinar vendas, uma das estratégias é o lançamento de novas linhas, diz o presidente Paulo Farina.
Compras também seguem no radar. "O setor moveleiro é extremamente pulverizado, especialmente no Rio Grande do Sul, e sempre surgem possíveis alvos para aquisição", afirma Farina.
Sistema ferroviário do Rio receberá R$ 2,4 bilhões até 2020
Exame 14.06.2011 - Governo estadual será responsável pela metade do investimento. O objetivo é que, até o final do ano, o usuário já perceba mudanças estruturais nas estações.
O governo do estado do Rio de Janeiro e a Supervia, concessionária que administra o sistema de trens urbanos da região metropolitana do Rio, anunciaram hoje (14) um investimento de R$ 2,4 bilhões, até 2020, para a melhoria da gestão e operação do sistema ferroviário.
Atualmente, o sistema atende a cerca de 540 mil usuários por dia. O objetivo é que, até o final do ano, o usuário já perceba mudanças estruturais nas estações e nos trens, tanto por meio de obras de reforma, com construções de coberturas, novos acessos, banheiros gratuitos, como nos padrões de limpeza, o que vai gerar mais conforto.
O governo estadual será responsável pela metade do investimento. Serão adquiridos 34 trens da China, que devem entrar em operação no início de 2012. Já a Supervia ficará responsável pela aquisição de mais 30 trens, pelas reformas e instalação de ar-condicionado, além da implantação de um moderno sistema de sinalização e controle automático da composição, o que aumentará a confiabilidade operacional e tornará a viagem mais rápida, reduzindo o tempo de espera dos passageiros.
De acordo com o presidente da Supervia, Carlos José Cunha, os trens não vão operar mais com horário marcado, mas, sim, por intervalos de, no máximo, seis minutos, dando um padrão de metrô de superfície ao sistema. “A operação por intervalo vai permitir que a gente agregue 35 novas viagens no sistema, nos horários de pico, com a mesma quantidade de trem. O que representa um acréscimo de 5% a 6% [em viagens] e gera mais disponibilidade de lugares e espaço”, disse Cunha.
A partir de amanhã (15), começará a ser testado o sistema de fidelização das plataformas, destacando, previamente, algumas exclusivamente para embarque, em determinados ramais. Outro objetivo é que, para a Copa do Mundo de 2014, cuja final será realizada no Estádio do Maracanã, localizado em frente a uma estação ferroviária, todos os 191 trens tenham ar-condicionado.
Também está prevista a redução da idade média das composições, hoje em 35 anos. Em 2014, a previsão é que essa média caia para 16 anos com as novas compras e com a retirada da frota de 49 trens de aço-carbono, com tempo de uso em torno de 50 anos. “Com esses investimentos que serão feitos, certamente mudará a qualidade da vida e da mobilidade do cidadão que usa seus serviços todos os dias, dando mais conforto, segurança e confiança em um transporte de qualidade”, avaliou o secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes.
Medidas a curto prazo também foram anunciadas, como a revitalização da estação final, a Central do Brasil, que é vista pelo seu potencial turístico. A estação passará por melhorias na iluminação, limpeza e acessibilidade. Haverá redução do vão na plataforma com um dispositivo de borracha e o reordenamento dos espaços comerciais.
A Supervia é composta por uma malha viária de 270 quilômetros, que parte em cinco grandes ramais desde a Estação Central do Brasil, no centro. São 98 estações que atendem à capital e 11 municípios da Baixada Fluminense e região metropolitana do estado.
Leilão do trem-bala pode ser novamente adiado
Exame 14.06.2011 - Segundo o diretor geral da ANTT, no entanto, o eventual adiamento do prazo deve se limitar a poucos dias. O trem-bala ligará as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas. O diretor geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo, afirmou hoje que se o leilão do Trem de Alta Velocidade (TAV) for mais uma vez adiado, será por dias, não por meses. "Se houver uma verificação de que é necessário um adiamento pontual, caso haja alterações (no edital) para o pessoal absorver as alterações, se tiver dificuldade de documentação. Não um adiamento significativo de prazo, não há razão para isso", afirmou Figueiredo, que participou em São Paulo de evento sobre logística e transporte promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Questionado se ele afirmaria que é zero a chance de o leilão ser mais uma vez adiado, ele disse que "não". O leilão está marcado para 29 de julho, sendo 11 de julho a data limite para a entrega das propostas. Inicialmente, o leilão seria em 16 de dezembro do ano passado, mas foi adiado pela ANTT para 29 de abril, sendo que no inicio daquele mês a data foi novamente postergada.
O projeto completo do trem-bala, que ligará as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas (SP), tem prazo estabelecido no edital para ser concluído em até seis anos. Segundo Figueiredo, há quatro empresas de tecnologia interessadas em participar da licitação, mas não citou nomes. Ele também descartou que questões chave, como o valor da tarifa teto e garantias de demanda por parte do governo, possam ser alteradas.
Ele afirmou que participou ontem de uma reunião no Palácio do Planalto sobre o trem-bala, mas classificou o encontro como "uma reunião sistemática de avaliação do andamento do projeto. "Foi uma reunião para informar a presidenta sobre o processo", disse.
TCU quer mais queda na tarifa do trem-bala
Folha 15.06.2011 - Ideia é que vencedor do leilão use ao menos 10% de receitas extras (como hotéis) para redução. O TCU (Tribunal de Contas da União) está preparando uma proposta para mudar o edital do trem-bala e obrigar o vencedor do leilão a usar no mínimo 10% das receitas extraordinárias (propaganda, hotéis, restaurantes etc.) para a redução da tarifa-teto.
A ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre), responsável pela concessão do trecho do trem que vai ligar Campinas-SP-RJ, é contra. O leilão está previsto para 11 de julho, e vence quem oferecer a menor tarifa-teto, limitada a R$ 199,73 (preço de 2008).
Depois de analisar e aprovar com pedidos de mudanças os estudos do governo para o trem-bala, o TCU começou a analisar o edital do leilão, para verificar o cumprimento da legislação.
Na análise encerrada dos estudos, o relator do processo, ministro Augusto Nardes, já havia determinado que o governo teria de cumprir a resolução 2.552/2008 da ANTT, que obriga as concessões a usar 10% da receita líquida via ganhos extraordinários para reduzir a tarifa. A determinação não está no edital do trem-bala.
Por exemplo, se uma concessionária de rodovias tem receita de R$ 100 com publicidade, R$ 10 devem ser usados não para o lucro da empresa, mas para descontar no aumento no preço do pedágio. O mesmo teria que se dar para a tarifa-teto do trem-bala, referente ao horário de pico entre SP-RJ. A ANTT entende que as receitas extraordinárias estarão contabilizadas no faturamento total da empresa e que, como a tarifa-teto determina o vencedor do leilão, essa receita já está automaticamente vinculada à tarifa.
O caso deve ir ao plenário até o fim do mês. Os nove ministros do órgão podem aceitar ou não.
Por enquanto, o governo não trabalha com a hipótese de adiar o leilão novamente.
Negociações entre interessados no trem-bala estão na reta final
Exame 14.06.2011 - As negociações ocorrem entre grandes construtoras brasileiras e representantes das tecnologias da Espanha, França, Japão e Coréia do Sul.
Orçado pelo governo em 33 bilhões de reais, o projeto do trem-bala depende de tecnologia estrangeira para a implantação dos trens propriamente ditos. As negociações entre as empresas interessadas em disputar o projeto do trem-bala Campinas-São Paulo-Rio de Janeiro estão na reta final, mas, faltando pouco mais de um mês para o leilão, ainda não há consórcios fechados, revelaram duas fontes que acompanham de perto as conversas.
"Há muito namoro, mas casamento, mesmo, não", disse uma das fontes, que é do governo. Esse mesmo interlocutor acredita que pelo menos dois consórcios vão se apresentar para a disputa, marcada para o dia 29 de julho.
Antes disso, porém, em 11 de julho, os consórcios já terão de apresentar suas propostas à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Segundo essa mesma fonte e a segunda, que trabalha para uma das empreiteiras que está negociando com investidores estrangeiros, as negociações ocorrem entre grandes construtoras brasileiras e representantes das tecnologias da Espanha, França, Japão e Coréia do Sul.
Orçado pelo governo em 33 bilhões de reais, o projeto do trem-bala depende de tecnologia estrangeira para a implantação dos trens propriamente ditos e também de pesados investimentos em engenharia civil.
É por isso que os consórcios deverão ter empresas de países que já possuem trens de alta velocidade associados a grandes construtoras nacionais. O governo também participará da futura concessionária por meio de uma estatal, a Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade (ETAV).
As dúvidas sobre a viabilidade do projeto e dificuldades para fechar os consórcios, porém, já levaram o governo a adiar a data do leilão por duas vezes.
A-port quer disputar aeroportos do Brasil
Valor 15.06.2011 - A A-port, joint venture do Grupo Camargo Corrêa e outras duas empresas estrangeiras, pretende entrar na disputa pelo Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte. Com edital de leilão já publicado, esse é o primeiro terminal para o qual o governo federal pretende atrair investimentos da iniciativa privada e é visto como um teste para pelo menos três outras concessões - Guarulhos, Viracopos e Brasília. Ao Valor, o presidente da companhia, Roberto Deutsch, confirmou o interesse em disputar a concessão e também revela que outros aeroportos também estão sendo cogitados.
"Estudamos a viabilidade do projeto no Rio Grande do Norte há mais de um ano. Temos mais material do que o próprio BNDES", disse ele em referência aos estudos oficiais do governo, conduzidos pelo banco depois que o aeroporto foi incluído no Programa Nacional de Desestatização (em fevereiro de 2008). Os outros três aeroportos com concessões anunciadas pelo governo federal são alvo de interesse da companhia, que espera definições quanto às regras do edital. "Naturalmente, temos interesse nesses outros três. Defendemos que cada aeroporto tenha seu modelo específico de concessão", opinou.
O presidente falou ao Valor durante um seminário sobre infraestrutura de transportes ontem, em São Paulo. Durante sua palestra, ele defendeu a concorrência no setor. "Não podemos fazer como na Argentina, onde cerca de 30 aeroportos foram repassados a um único ente privado. É a transformação do monopólio público em um monopólio privado", afirmou.
Atualmente, a A-port tem nove concessões de aeroportos espalhadas na América Latina: três no Chile, uma na Colômbia, uma em Curaçao e quatro em Honduras. Além disso, tem 80% do capital do estacionamento do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo (concessão com um prazo que vai, pelo menos, até 2019). Além da Camargo Corrêa, a joint venture é formada pela suíça Flughafen Zürich AG (operadora e administradora do Aeroporto de Zurique) e pela chilena Gestión e Ingeniería IDC, que participou das primeiras concessões no Chile.
Interferência da Infraero pode afetar lucro em concessões de aeroportos, avalia CNI
Valor 15.06.2011 - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) condicionou a participação das empresas privadas nas concessões de aeroportos à garantia de que não haverá interferência da Infraero nos lucros dos vencedores das licitações. De acordo com o presidente do Conselho Temático de Infraestrutura da CNI (Coinfra), José Mascarenhas, só haverá participação de empresas particulares nas privatizações de aeroportos caso haja total segurança de retorno do capital investido.
Para ele, o governo deve deixar claro nos editais de licitação dos aeroportos de Guarulhos (SP), Brasília (DF) e Viracopos (SP) que a possibilidade de resgatar o lucro será assegurada. "É preciso que os marcos legais fiquem claros para que não haja possibilidade de mudança no meio do caminho da concessão. A transparência precisa ser total, pois o risco que as empresas correm é muito grande", disse Mascarenhas, após encontro com representantes da Infraero.
Segundos fontes do setor, existem demandas do empresariado que são determinantes para o sucesso das concessões. Há receio em relação ao poder que a Infraero terá nas Sociedades de Propósito Específico (SPEs), que cuidarão da gestão dos aeroportos. Ainda não se sabe se o modelo de concessão poderá estabelecer, por exemplo, poder de veto para a Infraero em detalhes de gestão das áreas concedidas, mesmo com o capital minoritário da estatal - máximo de 49% nos empreendimentos.
Em reunião com representantes dos setores de construção pesada, transportes e siderurgia na CNI, o presidente da Infraero, Gustavo do Vale, discutiu a forma como o retorno do capital investido será obtido pelas empresas, mas ainda não há definição se o aumento das tarifas será a principal ferramenta a ser usada pelo concessionário.
Leilão de concessões de aeroportos deverá ocorrer até dezembro
Agência Brasil 14.06.2011 - Os leilões das concessões à iniciativa privada dos aeroportos internacionais de Guarulhos (SP), Viracopos, em Campinas, e de Brasília deverão ocorrer até o fim do ano. A informação é do secretário de Política Regulatória da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Rogério Coimbra. "A data ainda será marcada, mas a previsão é que ocorra até o final do ano, em dezembro”, disse, após seminário promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
De acordo com a SAC, criada recentemente pela Presidência da República, as concessões serão feitas por meio de sociedades de propósito específico (SPEs), constituídas por empresas privadas que se encarregarão da gestão desses aeroportos e pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), que terá participação até 49% em cada aeroporto.
A empresa privada ficará responsável pelas novas construções e pela gestão e a Infraero, como acionista, participará apenas das decisões da companhia. A metodologia e os critérios do edital de concessão serão elaborados por empresas especializadas, e deverão ficar prontos até dezembro.
Governo quer aéreas na concessão de aeroportos
Exame 14.06.2011 - O presidente da Infraero, Gustavo do Vale, afirmou hoje que o governo deseja que as companhias de aviação participem do processo.
Companhias estrangeiras com experiência no setor também estariam interessadas nos aeroportos brasileiros, disse a Infraero.
A exemplo do que já ocorre em outros países, empresas aéreas poderão ter participação nos aeroportos brasileiros que forem concedidos à iniciativa privada. Embora a modelagem para a concessão dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília só esteja prevista para ser concluída em dezembro, o presidente da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), Gustavo do Vale, afirmou hoje que o governo deseja que as companhias de aviação participem do processo.
"Particularmente, acho que pode acontecer, é convivência possível. Do ponto de vista hipotético, as aéreas podem ter terminais próprios, mas não existe estudo sobre isso, a modelagem não deve vir com esse nível de detalhe", afirmou Vale. "Mas o governo quer que elas participem", completou.
Companhias estrangeiras com experiência no setor também estariam interessadas nos aeroportos brasileiros, afirmou. Segundo Vale, porém, uma das orientações que já estão definidas para o processo de concessão busca evitar que um mesmo investidor seja sócio majoritário em mais de um aeroporto.
Vale reafirmou que a participação máxima da Infraero em cada aeroporto será de 49%, mas poderá ser inferior, dependendo da necessidade de investimentos de cada unidade. Além disso, quanto maior for o tamanho do investimento já realizado pela estatal, menor deverá ser a participação futura na expansão dos aeroportos. O cronograma da companhia prevê investimentos de R$ 5,3 bilhões até 2014 nos 13 aeroportos das cidades que sediarão a Copa do Mundo.
Em reunião com empresários na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Vale também destacou que a modelagem para a concessão - que começou a ser formulada na última sexta-feira pela Secretaria Nacional de Aviação Civil - definirá se a Infraero terá ou não poder de veto sobre questões que dizem respeito à gestão dos aeroportos. "Não posso dizer se haverá ou não, ainda é cedo para isso. Mas sem dúvida os poderes de gestão serão definidos por um acordo de acionistas que ficará definido dentro destes estudos", afirmou.
Para o presidente do Comitê de Infraestrutura da CNI, José Mascarenhas, o setor privado necessita ter segurança quanto às regras de concessão para poder investir no setor. "Nenhum direito de veto deve invadir a possibilidade de uma empresa obter retorno. Os marcos legais têm que ser claros para não haver possibilidade de mudanças no meio do caminho", disse.
Segundo Vale, após a experiência inicial com esses três aeroportos, outros também poderão ser concedidos, como Galeão (RJ) e Confins (MG). "Trata-se da atração de investimentos privados para uma área, folgando a Infraero para investir em outros aeroportos", acrescentou. Vale relatou que existem pedidos de prefeituras e governos estaduais para que a estatal também assuma as operações de aeroportos menores, fora das capitais, que começam a ter maior movimento.
Presidente da Telebrás garante estar apta para transmitir sinal digital
Correio Braziliense 14.06.2011 - O presidente da Telebras, Cezar Bonilha, disse nesta terça-feira (14/6) que a empresa está apta a garantir o cabeamento óptico para transmissão de sinal digital de televisão para emissoras públicas no país. O projeto é composto por cinco anéis regionais em todo o país e deve estar concluído em três anos, para que, até 2016, todo o sistema digital seja implantado, caso seja decidido que a Telebras será a prestadora do serviço. Ainda não está, porém, definido se, efetivamente, a empresa será a responsável pelo envio do sinal digital. “Nossa cobertura atinge quase 80% dos municípios brasileiros. Temos uma estrutura básica nacional de 31 mil quilômetros de fibras ópticas. Atenderemos a todas as necessidades de comunicação de longa distância no país nos próximos cinco anos”, informou Bonilha. Para ele, o uso de fibra óptica tem a vantagem de ser de baixo custo operacional e de ter alta capacidade de banda disponível, além de permitir o incentivo a provedores locais. “Significa criar sinergia, empregos e desenvolvimento de conteúdo nas cidades, com internet popular e aumento do número de empregos”, afirmou.
O assunto foi discutido hoje, em audiência pública na Câmara dos Deputados. O tema em debate foi o Operador Único de Rede de TV Digital, rede de antenas responsável pela transmissão do sinal digital de emissoras públicas nacionais e locais.
A presidenta da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Tereza Cruvinel, explicou que a discussão sobre o Operador Único surgiu com o início das transmissões do sistema digital no Brasil, em dezembro de 2007. “Não se fala em plataforma de transmissão digital, mas de rede pública, o que temos construído com muito sucesso. Temos parcerias firmadas um com número enorme de emissoras do campo público e educativas privadas de algumas universidades e comunitárias. O diferencial do nosso sistema é a multiprogramação e a interatividade”, disse a jornalista.
Entretanto, Tereza Cruvinel lembrou que é preciso garantir recursos no Plano Plurianual 2011-2012, ainda em elaboração, para a implantação do projeto. “Estamos dialogando em busca de um acordo. Esses recursos são importantes para nós”, afirmou.
O presidente da Associação Brasileira de Televisão Universitária (ABTU), Cláudio Magalhães, reclamou do fato de a instituição não ter sido ouvida na discussão do projeto, bem como outras entidades responsáveis por TVs comunitárias e universitárias. “Somos representantes da sociedade civil e, com exceção da Frente Paramentar pela Liberdade de Expressão e do Conselho Curador da EBC, não somos chamados para debater e discutir nada. Nós representamos a TV pública no país. E, se querem interação na TV, tem de ser pelo plano público”, disse ele.
Magalhães sugeriu que haja uma parceria com operadores locais para facilitar a transmissão do sinal. A ideia, segundo ele, é fazer com que emissoras universitárias, por exemplo, contribuam com seus equipamentos e torres de transmissão na emissão do sinal digital.
Ritmo de contratação continuará acelerado no 3º tri, diz estudo
Folha 14.06.2011 - O ritmo do emprego deve continuar acelerado no terceiro trimestre do ano. Cerca de 41% dos empregadores brasileiros esperam contratar entre julho e setembro, aponta estudo divulgado nesta terça-feira pela consultoria de recursos humanos Manpower.
O estudo mostra ainda que 4% dos empregadores preveem diminuição nas contratações e 53% antecipam nenhuma mudança.
O otimismo registrado no período está ligeiramente mais fraco entre os empregadores brasileiros. A perspectiva de emprego caiu três pontos percentuais, tanto em relação ao segundo trimestre de 2011 quanto ao terceiro trimestre do ano passado.
"O ritmo de contratações continua intenso no Brasil. Empregadores brasileiros estão vivenciando um ambiente de negócio próspero, e o principal desafio no próximo trimestre é encontrar as pessoas certas com as habilidades certas --especialmente nos setores de Finanças, Construção e Serviços, nos quais os empregadores têm grandes expectativas de contratação", afirma Riccardo Barberis da Manpower Brasil.
Setores: Os empregadores do setor de Finanças, Seguro e Imobiliário são os mais otimistas, com uma perspectiva de contratação de 58%, sete pontos percentuais a mais do que a do segundo trimestre. As empresas de Construção e de Serviços também reportaram perspectivas positivas, com altas de 47% e 45%, respectivamente.
Entre as regiões, empregadores na cidade de São Paulo reportaram a perspectiva mais forte do país, alta de 44%. Empregadores no estado do Paraná também estão otimistas, reportando uma perspectiva de crescimento de 37%, seguido pelo Estado de São Paulo (36%).
Salário de alto executivo de bancos sobe 36% em 2010
Bloomberg 15.06.2011 - Dimon, do J.P. Morgan, recebeu quase US$ 21 milhões, o maior pacote salarial. O salário médio dos diretores de bancos nos Estados Unidos e na Europa deu um salto de 36% no ano passado, para US$ 9,7 milhões, segundo dados reunidos para o "Financial Times", apesar do desempenho variável do setor.
Dois dos maiores nomes da área - Jamie Dimon, o principal executivo do J. P. Morgan Chase, e Lloyd Blankfein, do Goldman Sachs - receberam em 2010 quantia equivalente a mais de 15 vezes seus ganhos de 2009.
Jamie Dimon recebeu quase US$ 21 milhões, superando a pesquisa do Financial Times dos pacotes salariais e de bônus concedidos aos 15 principais dirigentes do setor bancário.
Blankfein ganhou US$ 14,1 milhões no ano passado, o que inclui um bônus de US$ 5,4 milhões em dinheiro - em relação aos US$ 863 mil que foram embolsados em 2009.
No Reino Unido, os principais executivos de Barclays, HSBC, Lloyds Banking Group e Royal Bank of Scotland receberam bônus em dinheiro e em ações avaliados em mais de US$ 26 milhões no ano passado. Essa quantia contrasta com o ano de 2009, quando todos os quatro reduziram os bônus, para aplacar a ira da opinião pública e da arena política.
A análise, realizada pela Equilar, a empresa de pesquisa salarial sediada nos Estados Unidos, mostra que a remuneração dos principais executivos de vários bancos ainda é significativamente inferior à sua alta recorde do período pré-crise. Blankfein recebeu mais de US$ 70 milhões do Goldman em 2007, enquanto Dimon faturou US$ 40 milhões em 2006.
As autoridades reguladoras preferiram não impor limites à remuneração no setor bancário, introduzindo, em vez disso, mudanças que, segundo acreditam, vão refrear os incentivos para assumir riscos excessivos.
Isso levou muitos bancos a aumentar os salários fixos, reduzir a dependência dos funcionários em relação aos bônus anuais e adiar em vários anos a concessão de recompensas em dinheiro e em ações. "A verdadeira história em torno dos salários é o avanço em assegurar que os bônus sejam protelados, pagos em ações e sujeitos a metas de desempenho e de recuperação de recursos, e não tanto a fixação da cifra nominal", disse Angela Knight, principal executivo da Associação Britânica dos Dirigentes de Bancos.
A análise da Equilar mostra, no entanto, que o salário é, geralmente, apenas uma pequena parcela do total recebido. James Gorman, principal executivo do Morgan Stanley, ganhou US$ 14,9 milhões em 2010, dos quais apenas US$ 800 mil correspondiam ao seu salário fixo. Um bônus em ações de US$ 9,3 milhões concedido a Brady Dougan, principal executivo do Credit Suisse, equivaleu a quatro vezes sua remuneração fixa.
Dois dos que mais receberam em 2010 foram os principais executivos britânicos que, desde então, deixaram a empresa em que trabalhavam.
Eric Daniels, ex-diretor do Lloyds Banking Group, faturou US$ 8,4 milhões no ano passado, em relação aos US$ 5 milhões ganhos em 2009. John Varley, ex-diretor do banco Barclays, recebeu quase US$ 6 milhões, um aumento de 239% em relação a 2009.
País terá grupo de inteligência antidumping
Valor 15.06.2011 - O governo federal publica até o fim deste mês portaria interministerial instituindo o grupo de inteligência antidumping. A medida, destinada a fortalecer a defesa comercial e a proteger o mercado doméstico, terá por alvos preferenciais as importações suspeitas de preços fraudulentos e de adulteração de origem.
Integrado por representantes do Ministério do Desenvolvimento e da Receita Federal, o grupo terá por atribuição identificar, fiscalizar, inibir e monitorar as importações classificadas como irregulares, feitas por meio de operações de triangulação na qual o país de fabricação das mercadorias é alterado a fim de burlar a cobrança de sobretaxas fixadas como barreira comercial.
Fontes da área econômica informaram que o grupo de inteligência atuará com o suporte de informações de comércio exterior dos diferentes órgãos federais associados às operações de comércio exterior, como Ministério da Agricultura, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Inmetro.
A proposta é criar uma plataforma de dados para auxiliar o Ministério do Desenvolvimento e a Receita na identificação e combate às importações suspeitas de prática de dumping.
O grupo de inteligência antidumping também terá por atribuição municiar o setor produtivo com dados sobre o comércio exterior. A finalidade é auxiliar os setores mais expostos à concorrência global a apresentar ao governo pedidos consistentes de abertura de investigação para fins de aplicação de medidas antidumping.
Em outra ponta de ação, o grupo de inteligência atuará para fazer com que o governo federal acelere a abertura e a conclusão de investigação de casos de circunvenção. Assim são chamadas as operações de importação que tentam contornar medidas antidumping por meio da adulteração do país de origem das mercadorias.
Um exemplo ocorre na compra de calçados no exterior. Após investigação e constatação de prática de dumping nas aquisições de calçados provenientes da China, o Brasil impôs, em março de 2010, sobretaxa de US$ 13,85 por par de sapato importado de fabricantes chineses. Após a imposição dessa barreira comercial, os fabricantes nacionais ampliaram a produção e abriram 70 mil novas vagas de trabalho, conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).
A partir do segundo semestre do ano passado, no entanto, o setor identificou expressiva ampliação das importações de calçados. O presidente da Abicalçados e dirigente da Vulcabras, Milton Cardoso, informou que o gasto com a compra de calçados passou de US$ 145 milhões, entre janeiro e maio de 2010, para US$ 204 milhões em idêntico período deste ano. Um acréscimo associado a operações de triangulação, na qual os calçados chineses recebem etiqueta de origem de outros países asiáticos para não serem submetidos a sobretaxa. "Nesse período, as importações provenientes do Vietnã aumentaram em 40%; as da Indonésia, 127%; e as de Hong Kong, 412%, sendo que em Hong Kong não há sequer uma fábrica de calçados", disse o empresário.
Cardoso informou que, em janeiro, os fabricantes solicitaram que o governo abrisse investigação das importações de sapatos suspeitas de triangulação e adulteração de origem para fins de não pagamento da sobretaxa. "Estamos em junho e o governo não iniciou as investigações, porque faltam informações a serem prestadas pelo Ministério da Fazenda", lamentou.
O setor têxtil é, juntamente com os fabricantes de calçados, um dos alvos das importações irregulares feitas por adulteração do país de origem. Em maio, o ministério abriu a primeira investigação sobre casos de circunvenção para apurar denúncias relacionadas à importação de cobertores de fibras sintéticas. Desde abril de 2010, os cobertores chineses estão submetidos, no Brasil, a taxa antidumping de US$ 5,22 por quilo.
Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), o volume de importações de tecido para cobertor passou de 2,9 milhões de quilos, em 2009, para 5,9 milhões de quilos em 2010. Segundo a entidade, a maior parte vem da China, mas entra no Brasil via Uruguai e Paraguai. Em outro dado, o governo informou que as importações de cobertores de fibra sintética feitas pelo Uruguai subiram 3.817% entre janeiro de 2007 e dezembro de 2010.
O diretor-superintendente da Abit, Fernando Pimentel, argumenta que a crise na economia global acirrou a disputa por novos mercados e tem feito do Brasil um dos destinos preferenciais dos fabricantes asiáticos de produtos manufaturados. Ele salientou que essa situação se agrava com a desvalorização do real e com a elevação da taxa de juros interna.
"O grupo de inteligência pode ajudar a entender essa lógica comercial. É preciso reforçar a fiscalização, a tecnologia e a inteligência de combate a fraudes. É preciso fazer isso nos 202 pontos de entrada de produtos, entre portos, portos secos, aeroportos e agências e postos dos Correios", disse Pimentel.
Brasil será maior produtor mundial, afirma ministro
Folha 15.06.2011 - O Brasil deve se tornar o maior fornecedor mundial de produtos agropecuários nos próximos dez anos, segundo o ministro Wagner Rossi (Agricultura).
De acordo com estudo do ministério, até 2021 a produção de grãos deve ser expandida em 23% e a área de colheita vai aumentar 9,5%.
A safra de feijão, arroz, milho, soja em grão e trigo deve superar 175,8 milhões de toneladas na próxima década. No ano passado, foi de 142,9 milhões de toneladas.
A produção de carnes deve ter expansão de 27% e, com isso, o volume deve superar 31,2 milhões de toneladas. Atualmente, a produção é de 24,6 milhões de toneladas.
Brasil permanece longe da meta dos investimentos
DCI 15.06.2011 - O País ainda está longe de alcançar a taxa de investimento necessária para ampliar sua infraestrutura, além de diminuir o nível de poupança, o que dificulta ainda mais o crescimento dos investimentos.
Segundo dados Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de investimento em relação ao PIB no primeiro trimestre chegou a 18,4%, contra 18% ao final de 2010. Já a relação da poupança interna com o PIB caiu de 16,5% para 15,8% nos três primeiros meses do ano. A meta do governo é que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, que mede os investimentos voltados à produção) alcance 22% do PIB. A taxa, porém, não consegue chegar a 20%. A previsão do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, é de que somente em 2014 a proporção de investimentos com relação ao PIB seja de 23%.
A evolução da poupança era positiva até antes da crise econômica mundial, em 2008. Até então, a Formação Bruta de Capital Fixo correspondia a 16,1% do PIB, enquanto a poupança estava em 18,5%. Em 2009, a taxa de investimento era de 16,7% e a taxa de poupança era de 14,7%. Neste ano, o presidente do BNDES afirmou que a expectativa é que a FBCF alcance 19% do PIB. E o governo conseguiu ontem uma vitória no Congresso que pode influenciar este cenário. O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou ontem a Medida Provisória 526/11, que autoriza a União a conceder crédito de R$ 55 bilhões ao BNDES, o que aumentaria sua capacidade de financiamento. "É bolsa-empresa destinado aos privilegiados, aos amigos do poder", atacou o deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), criticando a MP.
América Latina é prioridade para elevar exportação, diz CNI
Folha 15.06.2011 - A América Latina será o mercado prioritário para a ampliação das exportações dos produtos manufaturados brasileiros, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria). Estudos sobre oportunidades comerciais nos países da região mostram potencial nos setores de máquinas e equipamentos e de produtos para casa e construção.
"O fato de o mercado não ser tão complexo como os demais permite a participação de iniciantes na exportação", diz Tatiana Porto, da área de comércio exterior da CNI.
A proximidade dos mercados é um fator positivo, de acordo com Dirk Boehe, professor do Insper. "Os custos menores facilitam a realização dos negócios."
A atuação de grandes empreiteiras brasileiras no continente atrai novas oportunidades de comércio. "Quando uma construtora faz uma obra de infraestrutura, ela impulsiona as exportações de produtos e de serviços de um grande número de pequenos e médios fornecedores brasileiros", diz Porto. A decisão da CNI também visa combater a concorrência dos produtos chineses. "O Brasil vem perdendo participação de mercado para a China. Existe uma questão muito séria de desvio de comércio na região", diz.
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