terça-feira, 21 de junho de 2011

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Daily News

Comércio espera ajuda da safra
Valor 21.06.2011 - Os bons resultados da safra agrícola começaram a refletir nas vendas do varejo no Centro-Oeste. O comércio na região vinha esfriando desde o início do ano, refletindo as medidas adotadas para frear a demanda. Varejistas e representantes do comércio estimam que a renda agrícola vai ajudar a compensar parte da desaceleração registrada de janeiro a maio.

A última Pesquisa Mensal de Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o crescimento do volume de vendas do comércio nos três Estados do Centro-Oeste ficou longe da média nacional Em abril na comparação com igual mês de 2010, o avanço foi de 3,4% no Mato Grosso do Sul, de 6,7% no Mato Grosso, e de 8,4% em Goiás. A média no Brasil foi de 10% na mesma comparação.

O resultado da safra deste ano, porém, começou a refletir nas vendas do varejo em junho. De acordo com a Fecomercio-MT, as vendas no varejo cresceram em média 9% entre os cinco primeiros meses de 2011 e o mesmo período de 2010, mas esse número deve chegar a 25% com o efeito da safra, nas projeções da entidade.

Na Lojas Avenida, varejista de cama, mesa, banho e calçados com grande atuação no Estado, as vendas no primeiro trimestre cresceram 28%, em média em relação ao mesmo período de 2011, depois recuaram em abril (19%) e em maio (10%). A retração no ritmo de crescimento será revertida em breve, avalia o presidente da empresa, Rodrigo Caseli, "Os gastos crescentes que devem acompanhar o bom resultado da safra vão demorar até três meses para chegar ao varejo. Quando sentirmos seu efeito, o crescimento mensal das vendas voltará ao patamar de 30%". A recuperação já começou em junho, cuja previsão de crescimento, sempre em comparação com o mesmo mês do ano anterior, é de 20%.

Para o presidente da Fecomercio-GO, José Evaristo dos Santos, a forte demanda em 2010 deixou as famílias comprometidas no começo deste ano e fez com que o volume de vendas caísse. No Estado, os resultados da safra estão fazendo com que as vendas no varejo em junho voltem ao mesmo patamar de junho de 2010.

Na pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias que será divulgada hoje pela Fecomercio-GO, a predisposição das famílias em consumir, que tinha crescido apenas 4,5% em abril e caído 14,5% em maio, voltou a crescer em um ritmo forte: 11,1% em relação ao mesmo mês de 2010. "Além dos reflexos da excelente safra que tivemos no Estado, o retorno do etanol, cujos preços extrapolaram, ajudam a compensar as perdas do começo do ano", diz Santos.



Exigência de capital faz banco menor reduzir ritmo do crédito
Valor 21.06.2011 - Gelbaum, do BMG: "É preciso encontrar alternativas de criação de capital".

A exigência de mais capital dos bancos que operam linhas de financiamento de longo prazo a pessoas físicas começa a ser efetivada em julho e as instituições de pequeno e médio portes já sentem seus efeitos, enquanto buscam se adaptar. O Bonsucesso, por exemplo, especializado em crédito consignado, diminuiu o ritmo das concessões de empréstimos em 30% de janeiro a maio deste ano, comparado com igual período de 2010, para algo em torno de R$ 80 milhões mensais. O BMG, líder desse segmento, reduziu em cerca de 15% sua produção no mesmo intervalo de tempo - a média mensal de R$ 700 milhões caiu para R$ 600 milhões.

Em dezembro, o Banco Central ampliou o requerimento de capital para operações de consignado com prazos superiores a 36 meses de 11% para 16,5% do valor dos empréstimos concedidos. A medida vale para créditos contratados a partir de dezembro, mas a alocação do capital começa a valer em julho. No caso dos financiamentos de veículos, o BC estabeleceu uma espécie de tabela que leva em consideração tanto o prazo do empréstimo como o valor de entrada dado pelo comprador para que o aumento seja (ou não) aplicado.

A estratégia dos bancos para tentar minimizar os impactos da nova regra varia conforme a estrutura de capital de cada uma das instituições.

O BMG apresentava, em março, índice de Basileia (que mede a relação entre o capital e o volume dos ativos) de 14,14%. O mínimo exigido pelo Banco Central (BC) é de 11%. "É preciso encontrar alternativas de criação de capital", reconhece Ricardo Gelbaum, diretor executivo do BMG, completando que o banco está sempre olhando para caminhos estratégicos. "O mundo passa por consolidação", diz. O BMG também conta com um espaço para emissão de dívida subordinada de aproximadamente US$ 200 milhões, recursos que entram como capital de nível 2. Uma opção analisada é lançar letras financeiras subordinadas.

O Bonsucesso tinha, em março, índice de Basileia mais folgado que o do BMG, de 17,9%. Mas nem por isso o cenário está muito mais confortável. "Estamos diminuindo o volume de produção de crédito, dando prioridade aos contratos mais rentáveis", afirma Paulo Henrique Pentagna Guimarães, presidente do Bonsucesso.

Na opinião de especialistas, os bancos com atuação voltada para o crédito consignado tendem a sofrer mais para se ajustar a prazos mais curtos do que aqueles especializados em financiamento de veículos. Como a parcela do crédito consignado só pode atingir um máximo de 30% do salário do tomador, uma redução de prazo implica, necessariamente, em redução do volume de empréstimo. Pentagna, do Bonsucesso, diz que mesmo assim vem tentando reduzir alguns convênios para 36 meses. "Não podemos continuar com o mesmo ritmo de originação."

Além de ter de comprometer mais capital para conceder crédito, os bancos também dependem da capacidade de captar recursos para continuar girando a máquina. O panorama, também nesse caso, não é dos mais animadores. Retração no mercado de cessão de crédito e encarecimento das taxas de captação, aqui e lá fora, ampliam os desafios dos bancos pequenos e médios que operam linhas de varejo.

O Bonsucesso tem centrado esforços na criação de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), tanto para levantar recursos como para aliviar o índice de Basileia. No início do mês, seu FIDC de crédito consignado de R$ 200 milhões, lançado em fevereiro de 2010, recebeu uma segunda tranche de R$ 220 milhões. A previsão de Pentagna é completar o programa de captação até setembro, que ao todo deve alcançar R$ 1 bilhão.

"A cessão de créditos para FIDC dá tranquilidade ao banco porque o risco não fica retido em balanço", explica Pentagna. Dependendo do volume de ativos de crédito a ser produzido, o novo aporte de R$ 220 milhões no FIDC do Bonsucesso pode significar um ponto percentual de folga em seu índice de Basileia. "Existe ainda a vantagem de casar o prazo de ativos e passivos, além da moeda."

O Bonsucesso segue a fórmula do Cruzeiro do Sul. O banco da família Indio da Costa encerrou o primeiro trimestre de 2011 com uma carteira de crédito consignado de R$ 6,544 bilhões, sendo que R$ 1,492 bilhão em ativos estavam contabilizados no balanço e R$ 5,051 bilhões em cotas subordinadas de FIDCs. "Temos boa capitalização para continuar operando", diz Fausto Guimarães, superintendente de relações com investidores do Cruzeiro do Sul.

O banco fez uma emissão de US$ 400 milhões de dívida subordinada em setembro do ano passado e seu índice de Basileia atingiu 18,9% no primeiro trimestre. Desse total, o banco ainda não pode aproveitar cerca de US$ 100 milhões como capital porque, antes, precisa crescer o seu patrimônio líquido se quiser ganhar mais espaço no capital de nível 2. Guimarães minimiza a questão do maior requerimento de capital. "Fizemos uma simulação dos impactos da nova exigência de capital para toda nossa carteira, em vez de apenas os contratos firmados a partir de dezembro, e a Basileia ficaria ainda em 15%", diz Guimarães. O cálculo não leva em conta as carteiras cedidas aos FIDCs.

Dentre os bancos pequenos e médios que operam com consignado, o Paraná Banco é o que se encontra em situação mais tranquila em termos de capital, com índice de Basileia de 32% ao fim do primeiro trimestre. "O fato é que a medida, para nós, foi benéfica", diz Mauricio Fanganiello, gerente de relações com investidores. "Não temos preocupação até meio do ano que vem e vamos aproveitar as oportunidades."

Os dados do BC sobre operações de crédito no sistema financeiro mostram crescimento da oferta de empréstimo pessoal - na qual o consignado detém participação de 59,7%. A média de concessões diárias em abril ficou 20,6% maior do que em dezembro e 9,8% superior a abril de 2010. Essa expansão, no entanto, tem sido puxada pelos grandes bancos de varejo, cada vez mais atuantes nessa modalidade, especialmente para aposentados e pensionistas do INSS.

Para Érico Sodré Quirino Ferreira, presidente da Associação nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), as estratégias de atuação estão mais ligadas à situação de Basileia de cada instituição do que a seu porte. "Se o índice não está próximo do mínimo exigido pelo BC, não existe problema em ser pequeno, médio ou grande", afirma. "Se eu tivesse folga de Basileia, aproveitaria para ganhar 'market share'", diz Ferreira, que também preside a financeira Omni.



Animale e Farm integram operações para cortar custos em 30%
Exame 20.06.2011 - Com novo centro de serviços compartilhados, grupo de grifes cariocas quer gerar economia com serviços de backoffice.

Parece que finalmente a fusão entre Animale e Farm vai começar a ganhar corpo e gerar eficiência para as duas grifes cariocas. Isso porque, a partir do mês de agosto, o grupo contará com um novo centro de serviços, que unificará as operações de backoffice de ambas as  empresa.

A união entre a Animale e a Farm foi anunciada em janeiro de 2010 e tinha como objetivo justamente aproveitar as sinergias que as duas marcas poderiam gerar trabalhando em conjunto.  No entanto, os ajustes para que todas as operações fossem unificadas vêm sendo desenhados há, pelo menos, um ano pelo grupo.

Segundo Roberto Jatahy, um dos fundadores da Animale, compartilhar as operações vai gerar uma economia  inicial ao grupo de 30%, que pode chegar a 40%. “A redução refere-se a custo gerais de backoffice, como área de compras, frete e mão-de obra em geral. Uma única equipe para atender as duas marcas”, disse o empresário a EXAME.com.

O centro de operações será instalado no bairro de São Cristovão, no Rio de Janeiro. De acordo com Jatahy, a demora para que as operações fossem integradas deve-se, principalmente, a diferenças de gestão entre as duas companhias. “Primeiro, ajustamos as diferenças entre elas e agora, elas poderão trabalhar juntas”, afirmou o empresário.

A Animale deve encerrar o ano com cerca de 60 lojas em operação. Já a Farm tem atualmente 38 pontos de vendas e aproximadamente dez devem ser inaugurados até o final do ano. O foco da companhia, no momento, está na expansão de número de lojas e também ampliação de metro quadrado dos pontos de venda já existentes.

O tamanho das lojas hoje varia entre 150 e 250 metros quadrados. “Para a Animale, precisamos de lojas com até 300 metros quadrados”, disse Jatahy. “Estamos ampliando o portfólio da marca com a entrada de coleção de lingeries, linha de roupas mais básicas e também a coleção balneário. Por isso, precisamos de espaços”, disse.

Tanto as lojas da Animale, quanto as da Farm são próprias. Crescer por meio de franquias é uma opção descartada pelo grupo. “Estamos bem capitalizados e terceirizar gestão não é o nosso foco neste momento”, afirmou o empresário.

Jatahy não revela os números da companhia, mas o investimento para abrir uma loja da Animale ou Farm, segundo ele, pode chegar a 1 milhão de reais.



Ouro Fino, de água mineral, vai entrar em sucos e néctares
Valor 21.06.2011 - Corrêa, à frente da Ouro Fino desde setembro: "Fui chamado para profissionalizar a gestão. Se lá na frente a família quiser vender..."

Antes e depois de assumir o comando da Ouro Fino, empresa familiar de água mineral com sede em Campo Largo (PR), o mineiro Helio Corrêa ouviu comentários de que ela está à venda. Em algumas vezes, teve de conversar com clientes sobre o assunto. O executivo, um ex-funcionário da Coca-Cola, foi contratado em setembro e diz desconhecer negociações com outras companhias. Suas atenções estão voltadas para outra direção: a tarefa de diversificar mais o portfólio da companhia, que inclui também água saborizada, refrigerante e isotônico. Recentemente, os sócios da empresa aprovaram investimentos em néctares, sucos e bebidas funcionais. Os testes de sabor já começaram e lançamentos estão previstos para o próximo semestre.

A chegada de Corrêa, que é contador e tem experiência de 10 anos na área de bebidas, colocou mais lenha nos comentários de venda da Ouro Fino. Em 2005, um ex-empregado da Coca entrou na fabricante paranaense de chás Leão Júnior e não demorou muito tempo para que ela mudasse de mãos. O mesmo poderia acontecer agora? "Fui chamado para profissionalizar a gestão. Se lá na frente a família quiser vender...", diz, ao ser questionado sobre o tema. Sem revelar dados financeiros, o executivo informa que, para 2011, prevê crescimento de 8% nas vendas de água em volume. No ano passado, as vendas totais de bebidas da companhia ficaram acima de 100 milhões de litros. Com os novos produtos, a projeção é que o faturamento cresça 17% este ano.

Controlada pela família Mocellin desde 1946, a Ouro Fino tem cinco sócios, 400 empregados e é líder no segmento no Paraná. Possui uma das cinco maiores fontes individuais de água do país, produto que responde por dois terços das receitas. Há algum tempo, um dos herdeiros, Augusto Mocellin Neto, que preside o conselho de administração, adotou embalagens diferenciadas como estratégia para vender mais - criou uma azul e uma vermelha, em formato de moringa. Entrou no segmento de água com sabor em 2007 e em refrigerante em 2009.

Sob a gestão de Corrêa, a empresa lançou em maio o energético Insano, que consumiu investimentos de R$ 1,5 milhão. Com maior margem, o produto pode chegar a mercados mais distantes. Além de Sul e Sudeste, principais destinos da Ouro Fino, a intenção é vendê-lo na Bahia até o fim do ano. Até abril, as vendas da empresa aumentaram 5% em volume, segundo o executivo.



Hunter Douglas prevê crescer com aeroportos e estádios
Valor 21.06.2011 - Siviero, diretor-geral no Brasil, expectativa é elevar a divisão de forros e fachadas para 40% do faturamento em três anos

Uma leva de apartamentos novos está sendo entregue e outros tantos estão por vir. Ao mesmo tempo, estádios e aeroportos começam a ser erguidos e ampliados para a Copa do Mundo de 2014. A holandesa Hunter Douglas, no Brasil há 40 anos, pretende aproveitar ambas as oportunidades. Com uma divisão de produtos arquitetônicos, que fabrica fachadas e forros, e de decoração de janelas, com persianas para todos os bolsos, a empresa mantém a projeção de fechar o ano com crescimento de 20% - algo atípico em tempos de queda nas expectativas de crescimento da indústria de materiais de construção e produtos ligados à cadeia.

Atualmente, a divisão de forros e fachadas representa 25% do negócio, mas a expectativa é que a divisão chegue a representar 40% do mix de vendas em três anos. O primeiro projeto da companhia no país, em 1971, foi o forro do aeroporto do Galeão, no Rio - que continua o mesmo. O do aeroporto de Guarulhos também foi feito pela empresa. "Os aeroportos é que devem puxar essa meta de crescimento da divisão de produtos arquitetônicos", afirma Marcelo Siviero, diretor-geral da Hunter Douglas.

Nessa área, a empresa também tem fachadas metálicas, de madeira e de uma resina batizada de terracota, que recobre prédios corporativos. A empresa fez o prédio do Santander e Rochaverá, em São Paulo, e acaba de fechar a cobertura dos três prédios comerciais do Complexo Cidade Jardim, da JHSF. A companhia holandesa também desenvolveu a tecnologia de lâminas metálicas para estádios. O produto será usado na nova arena do Palmeiras. Segundo Siviero, das 15 arenas que serão construídas para a Copa, 12 já tiveram o produto especificado (mas sem contrato fechado).

Mais recente na subsidiária brasileira, a divisão de decoração de janelas está no país desde 1991, com a marca Luxaflex. Nesse mercado, a Hunter Douglas atua com persianas horizontais de alumínio e madeira - onde há grande concorrência com marcas nacionais. No mercado premium, vendem as chamadas cortinas celulares, que usam tecidos e são automatizadas. O preço varia de R$ 250 o metro quadrado até R$ 1,6 mil o metro quadrado.

Incomodada com a concorrência e disposta a ampliar sua área de atuação, este ano a Hunter Douglas passou a disputar o mercado de produtos mais baratos e ressuscitou a marca Columbia, tradicional nos anos 80 e 90. A empresa Columbia faliu em 1998 - em parte, motivada pela estratégia agressiva da própria Hunter Douglas. Apesar dos preços mais altos, a empresa se firmou no mercado de persianas com larga distribuição e prazo de entrega reduzido.

Em 1999, o grupo holandês adquiriu a marca, mas cedeu o direito de uso para a Inbrape (Indústria Brasileira de Persianas) por três anos. Retomou a marca desde 2003 e apenas em fevereiro deste ano decidiu relançá-la - com a mesma linha de produtos da Luxaflex, mas preços cerca de 30% mais baixos. Segundo Siviero, a marca é vendida em lojas multimarcas e Luxaflex ficou apenas com distribuidores exclusivos. Atualmente, a empresa trabalha com 400 revendas exclusivas e 600 multimarcas.

O grupo, que tem 68 fábricas e 99 montadoras em mais de 100 países, faturou US$ 219 milhoes na América Latina e o Brasil representa 35% - US$ 77 milhões em 2010. Mundialmente, a companhia atingiu faturamento de US$ 2,445 bilhões.

No Brasil, em 2010, a Hunter cresceu 19% (em reais), depois de permanecer estável em 2009. O ano de 2008 (antes da crise) havia sido o mais rentável da companhia. "Queremos bater a rentabilidade de 2008 e o faturamento de 2009", afirma Siviero. Acaba de investir R$ 5 milhões na ampliação da única fábrica que possui no Brasil, em Campinas. " Estamos nacionalizando cada vez mais nossa produção, hoje 70% dos componentes são nacionais, mas a meta é chegar a 85%", diz o executivo. Na área de produtos arquitetônicos, cerca de 70% são importados do Chile e Alemanha.


Proposta para Cumbica é contestada
Folha 21.06.2011 - Concorrentes questionam preço apresentado pela Delta, líder em obras públicas, para a construção de terminais remotos.

Empresa diz que vitória em concorrências se dá pelo menor preço; para Infraero, processo ainda "está em análise".

A obra emergencial para a construção de dois terminais remotos de passageiros no aeroporto de Guarulhos (Cumbica) começa a ser questionada.

A Folha apurou que construtoras que foram convidadas a participar do processo questionam, junto à Infraero, a proposta da Delta Construção, que ofereceu o menor preço, R$ 88 milhões.

A Delta é a construtora que mais contratos possui com o governo federal.

As concorrentes argumentam que o preço apresentado pela Delta é muito baixo, dada a complexidade da obra.

O preço é R$ 30 milhões inferior ao segundo menor apresentado (da Camargo Corrêa) e corresponde a um terço do maior valor (R$ 254 milhões, da OAS). Também concorrem Odebrecht (R$ 242 milhões) e Andrade Gutierrez (R$ 127 milhões).

A consulta pública tem como critério o menor preço. Por ser uma obra emergencial, a ser realizada em um prazo de até seis meses, houve dispensa de licitação.

Procurada, a Delta declarou que "a vitória em concorrências se dá pela oferta do menor preço e pela capacidade técnica comprovada".

As construtoras tiveram uma semana para avaliar o projeto e apresentaram as propostas no dia 13. Na ocasião, todas puderam ver as propostas concorrentes.

Documento oficial com o cronograma da obra obtido pela Folha mostra que o anúncio do vencedor deveria ser feito no ato da abertura das propostas, previsto originalmente para 30 de maio.

A Infraero disse que o processo "está em análise" e que o vencedor deve ser anunciado até o fim desta semana.

Os terminais serão construídos em área ocupada por galpões que eram da Vasp e da Transbrasil e que estão ociosos. Um tem 10.000 m2, o outro, 14.000 m2.

Juntos, terão capacidade para 5 milhões de passageiros. Somada a capacidade de um outro terminal provisório que está sendo construído pela Infraero, de 1 milhão, os novos terminais poderão ampliar a capacidade do aeroporto para 26,5 milhões.

No ano passado, o aeroporto recebeu 26,8 milhões. A intenção do governo é inaugurar os novos terminais antes do fim do ano.

O grupo: A Delta pertence ao empresário Fernando Cavendish Soares. Segundo o site Contas Abertas, com base em dados do Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira), a Delta está desde 2006 entre as cinco maiores construtoras e liderou o ranking de investimentos da União nos últimos dois anos.

Em 2011, a empresa se mantém na liderança, com R$ 254,7 milhões repassados pelo governo. A empresa integra o consórcio que reforma o Maracanã, com Andrade Gutierrez e Odebrecht.

Queiroz Galvão contrata Credit Suisse para formador de mercado

Brasil Econômico 20.0.2011 - A Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP), braço petrolífero da empreiteira Queiroz Galvão, contratou o Credit Suisse para exercer a função de formador de mercado de suas ações.

De acordo com o comunicado divulgado nesta segunda-feira (20/6), o objetivo é fomentar a liquidez das ações ordinárias da companhia, listadas sob o código QGEP3 na BM&FBovespa.

O contrato tem vigência de um ano, prorrogável por igual período conforme cláusula disposta em contrato firmado pelas partes.

As atividades começarão na quarta-feira (22/6). Atualmente, existem 79.741.019 ações ordinárias da QGEP em circulação na Bovespa.

"Market Maker"

O formador é uma instituição contratada por empresas de capital aberto, cujo objetivo é garantir liquidez mínima ou referência de preço a determinados ativos.

Isso é feito sob a forma de ofertas firmes de compra e venda, cujo spread máximo está pré-estabelecido.



Gigante CNR vai se instalar em fábrica já existente em Três Rios e pretende empregar até 2.500 trabalhadores
Folha 21.06.2011 - Construção de trens no Rio era exigência de licitação para a compra de composições pelo governo estadual.

A gigante chinesa CNR (China Northern Railway) vai produzir trens no Brasil a partir do ano que vem.

Com contrato fechado para fabricar 34 trens para o governo do Rio, a empresa vai investir R$ 200 milhões numa unidade na cidade de Três Rios (RJ), próxima à divisa com Minas Gerais.

Atualmente, a CNR mantém produções na Ásia, na Austrália e na África. A construção dos trens no Rio era uma das exigências da licitação para a compra de novas composições. Uma primeira encomenda para 30 trens, adquiridos por US$ 166 milhões (R$ 300 milhões), está em produção na China. O início das entregas está previsto para o fim do ano.

A companhia chinesa vai se instalar na fábrica da T'Trans, que funciona há 12 anos na cidade. As duas empresas firmaram acordo de cooperação técnica. A atual unidade da T'Trans está com 70% de capacidade ociosa, que será ocupada pela CNR.

Atualmente, a fábrica tem 170 funcionários. Com a chegada dos chineses, a previsão é alcançar 2.500 trabalhadores. Os R$ 200 milhões serão investidos na aquisição de maquinário e modernização da planta já existente.

Três Rios, cidade com população estimada em 76 mil habitantes, tem tradição ferroviária. Era lá que funcionava a Companhia Industrial Santa Matilde, uma das principais fabricantes do setor nos anos 1970.

Além da mão de obra local já habituada ao setor ferroviário, incentivos garantiram a entrada dos chineses, que ficarão isentos de pagar ICMS sobre a produção dos trens encomendados pelo governo do Rio e operados pela concessionária SuperVia.

Terreno: A Prefeitura de Três Rios já garantiu a cessão de um terreno vizinho de 12 mil metros quadrados, caso a empresa chinesa queira ampliar suas operações. Além de já ter encomendas em outros Estados, a CNR tem tecnologia para fabricar peças e vagões do trem-bala.

"Temos a segurança de que os chineses vão permanecer por mais tempo, já que o contrato prevê que eles farão a manutenção dos trens. Haverá demanda por longo período", diz o prefeito Vinicius Farah (PMDB).

A CNR também é a fornecedora dos 19 trens comprados pelo Metrô Rio por US$ 148,2 milhões (R$ 266 milhões). O primeiro deles tem previsão de chegada ao Rio no fim de 2011.

Com a vinda dos chineses, Três Rios projeta crescer 21% nos próximos dez anos. Segundo dados da prefeitura, 91 novas empresas do ramo industrial se instalaram na cidade nos últimos 30 meses.

A cidade receberá também nova fábrica da Nestlé, cujo investimento previsto chega a R$ 163 milhões.



Novas descobertas vão provocar mudanças na matriz energética
Valor 21.06.2011 - A descoberta de gás natural pela OGX na Bacia do Parnaíba - confirmada este ano - e as perspectivas positivas para a Bacia de São Francisco podem ser os passos iniciais de uma matriz energética com maior participação do combustível. De acordo com as empresas que exploram gás natural nessas áreas, o suprimento extra a ser colocado à disposição por esses sítios pode tornar viáveis novas termelétricas, abastecer a indústria e gerar receita com a exportação de GNL.

A OGX é a empresa com a maior campanha exploratória voltada para o gás não-associado - gás natural com pouca ou nenhuma presença de óleo (condensado). O plano de investimentos em exploração da OGX Maranhão - sociedade entre OGX e MPX, também do grupo EBX - na Bacia do Parnaíba, de 2009 a 2013, é de R$ 600 milhões a R$ 700 milhões.

No ano passado, a empresa descobriu gás nas prospecções de Califórnia e Fazenda São José, que tiveram sua comercialização declarada em maio deste ano e viraram os campos Gavião Azul e Gavião Real, respectivamente. As duas áreas devem produzir 5,7 milhões de m3 /dia de gás natural. O volume é 200 mil m3 /dia superior ao produzido pelo maior campo terrestre de gás em operação, o Rio Urucu, no Amazonas.

A campanha de produção da empresa prevê investimento de US$ 450 milhões no desenvolvimento dos campos. Estão previstos 23 poços de produção e instalações associadas, como sistema de captação - linhas e manifolds, uma unidade de produção de gás e um gasoduto de pequena extensão. A OGX Maranhão comercializará o gás prioritariamente para térmicas da MPX.

Para a empresa, em caso de novas descobertas, uma alternativa à geração térmica é exportar gás via GNL. A petroleira aposta na crescente demanda mundial para que isso se torne realidade. Até 2013, o plano de negócios da OGX prevê a perfuração de mais 12 poços, dos quais dois estão em andamento, por meio das sondas QG-1 e BCH-5.

Outros três já foram perfurados. Existem ainda duas equipes trabalhando na aquisição de dados sísmicos, abrangendo uma área total de 44 municípios. Entre 2009 e 2010 já foram investidos cerca de R$ 92 milhões incluindo perfuração e sísmica.

A Orteng, que detém a concessão para exploração de três blocos - arrematados na sétima e décima rodadas da ANP - na Bacia do São Francisco, está confiante quanto à possibilidade de descobertas significativas. A empresa investiu R$ 28 milhões em exploração no SF-T-132, onde detectou, no ano passado, indícios de gás. A avaliação das potenciais reservas do bloco está sendo conduzida pela Schlumberger.

A provável declaração de comercialização deve ser comunicada à ANP ainda neste mês. "Não temos dúvidas de que são reservas altamente significativas. O trabalho é descobrir o tamanho exato", diz o gerente de Óleo e Gás da Orteng, Frederico Macedo.

Para o executivo, as novas descobertas de gás no país devem mudar a matriz energética no curto e médio prazos. Ele destaca a proximidade das áreas da bacia de São Francisco com grandes centros consumidores, como Belo Horizonte, Brasília e Cuiabá. Em um primeiro momento, contudo, o energético deverá ser destinado a termelétricas.

"É a maneira mais rápida de se gerar receita com esse gás", avalia. Macedo considera como outros grandes mercados potenciais plantas de fertilizantes e as indústrias em geral. "A região do triângulo mineiro, por exemplo, tem grande demanda", afirma.

A mineradora Vale também não dorme em serviço. De olho no potencial do gás de bacias terrestres e offshore, a empresa aparece como sócia em 19 blocos exploratórios, nas bacias do Espírito Santo, Pará-Maranhão, Parnaíba e Santos. Arrematou áreas na nona rodada da ANP e fechou acordos de "farm in" em blocos da sexta e sétima rodadas. A empresa pretende diversificar e otimizar sua matriz energética para reduzir custos e mitigar riscos.

Outra que aposta no potencial do gás é a Petra Energia. A petroleira tem sociedade com a OGX Maranhão em sete blocos na Bacia do Parnaíba e detém concessão, como operadora, em 24 blocos exploratórios na Bacia do São Francisco, todos arrematados na sétima rodada da ANP. No momento, a petroleira está fazendo um levantamento sísmico 2D em uma área de 10 mil km2. O estudo servirá de base para definir os locais de perfuração de nove poços. Cada um terá custo estimado entre US$ 8 milhões e US$ 10 milhões. Em 2012, mais duas ou três estruturas serão perfuradas. A Petra prevê perfurar o primeiro poço na região, no próximo mês.



ETH consolida investimento no Brasil e busca África e AL
Exame 20.06.2011 - Prestes a se tornar a maior produtora de etanol e de energia elétrica cogerada do País, a ETH Bioenergia tem planos de expansão para o exterior.
Plantação de cana-de-açúcar: entre 2010 e 2014, Petrobras planeja elevar em 193% a produção de etanol.

Prestes a finalizar investimentos de R$ 8 bilhões para se tornar a maior produtora de etanol e de energia elétrica cogerada do País, a ETH Bioenergia tem planos de expansão para o exterior, com a construção de unidades sucroalcooleiras na África e na América Latina. "São projetos novos, mas ainda não temos nada maduro suficiente para dizer que está pronto para decisão; mapeamos e avaliamos oportunidades em Angola, Moçambique, Colômbia, México e América Central", disse à Agência Estado José Carlos Grubisich, presidente da companhia, braço sucroalcooleiro do Grupo Odebrecht.

Segundo Grubisich, a estratégia da ETH Bioenergia de focar a produção de etanol de cana e de energia elétrica a partir do bagaço deve ser mantida nos primeiros projetos no exterior, exceto na África, onde poderá fabricar também açúcar. "Na África, ainda há uma demanda não atendida para o açúcar", explicou. Até o final deste ano, a ETH Bioenergia inicia as operações das duas últimas de nove unidades previstas para a primeira etapa de crescimento no Brasil: a Costa Rica, em Mato Grosso do Sul, e a Água Emendada, em Goiás.

A unidade de Costa Rica teve a pedra fundamental lançada hoje e a de Água Emendada será lançada em 5 de julho. Com projetos idênticos e investimento de R$ 1 bilhão em cada unidade, ambas estão em adiantado processo de construção e serão inauguradas até novembro. "Andamos em velocidade forte, porque o mercado de etanol está superaquecido", explicou o presidente da ETH Bioenergia.

A expectativa é de que a Costa Rica inicie a moagem ainda em outubro deste ano, processe 400 mil toneladas na safra 2011/2012 e entre na próxima safra com a capacidade de processar 4 milhões de toneladas. No entanto, em 2012/2013, o processamento deverá atingir 3 milhões de toneladas de cana, porque ainda não haverá matéria-prima suficiente, e a capacidade total será conseguida na safra 2013/2014. Já Água Emendada entra em operação em novembro, faz uma moagem de teste nesta safra e, em 2012/2013, terá o mesmo ritmo de processamento da unidade de Costa Rica.

Para atender a demanda de cana-de-açúcar das nove unidades, a ETH Bioenergia plantará até 120 mil hectares da cultura por ano nos próximos dois anos. Com o avanço nas lavouras, a companhia espera saltar de 9 milhões de toneladas processadas na safra passada para até 19 milhões em 2011/2012. Já a produção de etanol deve atingir 1,4 bilhão de litros em 2011/2012, ante 600 milhões de litros em 2010/2011.

Apesar de revelar os planos para África e América Latina, Grubisich evita comentar sobre os planos de expansão na próxima etapa de investimentos da companhia no Brasil. "Após concluir Costa Rica e Água Emendada, vamos começar a pensar qual vai ser a nossa próxima etapa de crescimento; não temos ainda plano, pois o foco é terminar estas usinas e fazer a expansão da cana", concluiu.

China vai investir R$ 200 milhões para montar trens no Rio.



Brasil Offshore deve girar R$ 120 milhões
Valor 21.06.2011 - Antes mesmo de produzir um único barril de petróleo, o pré-sal já demonstra seu gigantismo, por enquanto, fora das plataformas. A 6ª edição da Brasil Offshore - Feira e Conferência Internacional da Indústria de Petróleo e Gás -, que acontece em Macaé, no Rio de Janeiro, se internacionalizou, ao atrair o triplo de países em relação a última edição, de 2009. A feira ocupa o Centro Municipal de Convenções Jornalista Roberto Marinho, entre os dias 14 a 17 de junho. Para se ter uma ideia, da primeira até a última edição, a Brasil Offshore cresceu 82% em área e 36% em número de expositores. "O volume de negócios deverá superar os R$ 120 milhões frente aos R$ 100 milhões obtidos em 2009. O pré-sal atraiu a atenção de novos países, saltando de oito para 24 neste ano, com destaque para a Dinamarca, que terá 12 empresas", afirma Paulo Rezende, diretor da Reed Exhibitions Alcântara Machado.

A feira abrigará 700 expositores, número 10% maior que o registrado no último evento. Sua grade de atividades inclui a Conferência Internacional de Petróleo e Gás, cujo conteúdo foi elaborado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) e pela Society of Petroleum Engineers (SPE). O objetivo dos especialistas e profissionais de E&P (exploração e produção) é apontar vantagens, gargalos e oportunidades nos mercados on e offshore brasileiros. Realizada pela Reed Exhibitions Alcantara Machado, em conjunto com o IBP e SPE, a Brasil Offshore reunirá players de peso como Petrobras, Schlumberger, Weatherford, Baker, FMC, Mobil, UTC, Odebrecht, GE Oil & Gas, Lupatech e National Oil, entre outras.

Para Rezende, após bater recorde na produção diária de petróleo em 2010, com mais de 2,18 milhões de barris, o Brasil precisa preparar-se para atender às perspectivas de crescimento exponencial do setor, especialmente com a futura produção da chamada camada pré-sal. "Os fornecedores de equipamentos e projetos para o pré-sal deverão atrair maior atenção sobre os demais", afirma Rezende. Márcia Coimbra, gerente de Unidades de Negócios de Congressos e Conferências do evento, acrescenta que "é imprescindível que estes profissionais estejam sintonizados com as novas tecnologias e desafios que a indústria offshore vai demandar".

Pelos cálculos do diretor da Reed Exhibitions, deverão passar pela Brasil Offshore 50 mil visitantes, contra 49 mil na edição de 2009. São ao todo 24 países expondo seus produtos.


Momento é favorável à atração de estrangeiros
Valor 21.06.2011 - Receita para um novo eldorado: junte no mesmo caldeirão estabilidade política, solidez da economia e uma nova fronteira petrolífera. Está formado o cenário para grande atração de investimentos. Levantamento do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) mostra que as empresas privadas, como as multinacionais que atuam no país, vão investir US$ 36 bilhões em exploração e produção entre 2011 e 2015, valor que representa um aumento de 20% em relação ao período de 2010 a 2014. Boa parte desses recursos irá para projetos no pré-sal que petroleiras como BG, Repsol e Galp têm parceria com a Petrobras.

O britânico BG Group está no Brasil desde 1994 e já colocou mais de US$ 5 bilhões no país. A empresa se prepara agora para outro desembolso de mais de US$ 30 bilhões até 2020, além de US$ 1,5 bilhão em pesquisa e desenvolvimento até 2025. Atua com parceiros no pré-sal da Bacia de Santos, onde é principal associado da Petrobras, e aposta em grande volume de produção.

"Em 2020, a BG Brasil será responsável por cerca de um terço da produção líquida do BG Group", disse o presidente da BG Brasil, Nelson Silva. Essa produção, oriunda da Bacia de Santos, será de mais de 550 mil barris de óleo equivalente por dia. Ele confirma o interesse em expandir os negócios no país e, para isso. "Congratulamos a intenção do governo de retomar as rodadas de licitações e valorizamos o clima de investimentos no Brasil", frisou.

A anglo-holandesa Shell também tem planos para o país. Desde a abertura do mercado em 1998, a Shell já investiu mais de U$ 3 bilhões no setor de exploração e produção no Brasil. Foi a primeira petroleira privada a produzir no país depois da quebra do monopólio da Petrobras. "A perspectiva para 2011 é de mais investimento, pois o Brasil é um dos seis países-foco na estratégia global da Shell", destacou o gerente de Relações Externas de Exploração e Produção da Shell, Flavio Rodrigues.

Ele contou que a empresa vai perfurar até dez poços exploratórios nos próximos dois anos. Rodrigues lembrou ainda que a Shell tem mais de quarenta anos de experiência no pré-sal, especialmente no Golfo do México, em Omã e na Holanda. "Hoje, mais de 10% da produção anual da companhia é proveniente de reservas no pré-sal", destacou.

Na região central do pré-sal brasileiro a Shell opera o bloco BMS 54 com 80% do ativo e tem participações nos blocos BMS 8 (20%) e BMS 45 (40%) na Bacia de Santos. Além dessas, tem áreas nas bacias de Campos, do Espírito Santo e do São Francisco, totalizando 14 concessões onde é operadora em nove.

Atualmente a empresa produz em torno de 90 mil barris por dia. Em 2010, a média da produção da Shell foi de cerca de 94,5 mil barris por dia, nos dois blocos que já estão em fase de produção: Parque das Conchas (BC-10) e Bijupirá & Salema, ambos na Bacia de Campos. "O resultado representa a consolidação da liderança da Shell entre as empresas internacionais que investem em petróleo e gás no país, e a posição como segundo maior produtor, atrás da Petrobras", disse Rodrigues.

No último ano, a Shell produziu 34 milhões de barris de óleo equivalente, no Parque das Conchas e em Bijupirá e Salema, 30% acima da meta para o ano.

A norueguesa Statoil também aposta no petróleo brasileiro. De acordo com presidente da empresa no Brasil, Kjetil Hove, a estratégia desenhada para o país é de longo prazo. "Queremos crescer através da exploração e produção da grande área do campo de Peregrino, novas oportunidades exploratórias e aplicando tecnologias inovadoras. Estamos comprometidos em continuar nossos investimentos, dado o crescimento da atratividade comercial", comentou.

O campo de Peregrino, na Bacia de Campos, é o maior projeto internacional da empresa como operadora. "Nele, estimamos uma reserva de aproximadamente 600 milhões de barris de petróleo recuperáveis ao longo de mais ou menos 30 anos de produção", destacou Hove. A produção no local foi iniciada em abril deste ano e atualmente está em cerca de 40 mil barris por dia.

"Esperamos atingir nosso platô de produção de 100 mil barris por dia até o início de 2012. Recentemente anunciamos também uma nova descoberta da área Sul de Peregrino, onde estimamos uma reserva de 300 milhões de barris recuperáveis. Peregrino Sul continua em fase de exploração para estudarmos seu potencial total", completou.

Segundo Hove, a Statoil pretende disputar a próxima rodada de licitações da ANP, a décima-primeira, no segundo semestre, que colocará à venda 174 blocos em nove bacias sedimentares: Barreirinhas, Ceará, Paranaíba, Espírito Santo, Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Potiguar, Recôncavo e Sergipe-Alagoas. "A Statoil tem interesse em ampliar seu portfolio no Brasil e espera encontrar novas oportunidades nesta próxima rodada", observou.

Para ele, as descobertas no pré-sal são muito atrativas para a Statoil e impactaram seus negócios no país na estratégia de longo prazo. "Há muito interesse em participar da exploração e desenvolvimento do pré-sal", disse. A petroleira norueguesa já tem alguns blocos como parceira no pré-sal do Espírito Santo, em águas não tão profundas como as das descobertas da Petrobras.

Recentemente, os chineses investiram no setor de petróleo e gás no Brasil cerca de US$ 10 bilhões. O grande desse desembarque foi a aquisição, pela China Petrochemical Corp (Sinopec), de 40% da subsidiária brasileira da espanhola Repsol, por US$ 7,1 bilhões, em outubro do ano passado. A transação criou a Repsol Sinopec Brasil, uma empresa de US$ 17,8 bilhões, que nasceu detendo participação em 14 blocos exploratórios, dezenas de reservatórios em diversas fases de exploração e também em áreas já em produção, como Albacora Leste, da Petrobras.

A Repsol Sinopec atua nas Bacias de Campos, do Espírito Santo e de Santos, onde marca presença no pré-sal, com o bloco BM-S-9 e é parceira da Petrobras e da BG. Lá, foram feitas as descobertas das jazidas Guará e Carioca. A Repsol Sinopec já declarou interesse em participar de novas rodadas de licitação de áreas exploratórias de forma conjunta ou individual.



Petrobras planeja usar trilhos da Norte-Sul

Valor 31.06.2011 - A Petrobras deverá ser uma das principais indutoras do transporte ferroviário no país, utilizando as estradas de ferro atuais e aquelas em construção para apoiar as operações da BR Distribuidora, sua companhia de logística de combustível. O exemplo mais concreto dessa inclinação são as ações da empresa em torno da Ferrovia Norte-Sul, em construção pela estatal Valec.

O Valor apurou que a petroleira tem mantido conversas regulares com a diretoria da Valec com o propósito de analisar alternativas mais competitivas para que a BR Distribuidora aprimore a entrega de combustível no país, seja por meio de sua malha ferroviária ou dos pátios logísticos que alimentam essas linhas de trem. O primeiro passo da estratégia acaba de ser dado. A BR Distribuidora venceu uma licitação feita pela Valec para a construção de um pátio de distribuição de combustíveis em Palmas (TO). A construção do centro de distribuição, avaliada em R$ 230 milhões, deve ter início nos próximos dias. O local, segundo a assessoria do governo do Tocantins, deverá atrair ainda outros 20 empreendimentos no seu entorno ferroviário.

"Esse é o primeiro grande projeto que fechamos com a Petrobras. Dado o interesse da companhia nas ferrovias, estamos certos de que outros estão a caminho", disse o presidente da Valec, José Francisco das Neves.

Por meio de nota, o presidente da BR Distribuidora, José Lima de Andrade Neto, afirmou que o pátio intermodal ferroviário de Palmas "é um importante projeto de integração nacional que trará ganhos significativos para o desenvolvimento econômico da região." Segundo Andrade Neto, o projeto "vai assegurar um melhor posicionamento logístico" no Tocantins e "aperfeiçoamento do nível de atendimento" ao mercado. "Até a conclusão das obras, deverão ser gerados cerca de 1 mil empregos, entre diretos e indiretos", afirmou o executivo.

A BR Distribuidora tem acompanha de perto as discussões sobre a nova regulação do setor ferroviário, que deve ser publicada pelo governo em julho. A empresa tem especial interesse na proposta de compartilhamento da infraestrutura em construção pela Valec, mas também está de olho na rede utilizada atualmente pelas concessionárias, as quais detêm exclusividade nos trechos onde atuam.

O projeto do governo federal prevê que as novas ferrovias da Valec sejam oferecidas em regime compartilhado. Aquelas já concedidas, no entanto, enfrentam forte resistência das companhias que controlam esses trechos. Na Ferrovia Norte-Sul, por exemplo, parte da malha que está em operação já foi concedida em 2007 à Vale, sob o modelo antigo. Essa concessão atinge um trecho de 720 quilômetros, dos 1.574 quilômetros que a ferrovia terá em operação, até outubro. Isso significa que, se BR Distribuidora quiser transportar seu combustível no trecho completo - que liga a cidade de Açailândia, no Maranhão, a Anápolis, em Goiás -, terá de negociar sua passagem com a Vale.

Em uma recente audiência pública realizada em Brasília para debater as novas regras do setor ferroviário, representantes da BR Distribuidora levantaram uma série de questionamentos sobre o projeto do governo.

Atrasada, a malha da Norte-Sul tinha previsão de ser concluída em julho de 2010, mas uma série de adiamentos - provocados por suspeitas de irregularidades apuradas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), ações do Ministério Público, questões ambientais e excesso de chuvas - colocou a obra na berlinda. Um dos projetos mais caros do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Norte-Sul já recebeu investimento de aproximadamente R$ 5,7 bilhões entre 2007 e 2010. A previsão é de que mais R$ 3,1 bilhões sejam aplicados este ano, somando R$ 8,8 bilhões.

A vocação para o transporte de combustível não é novidade. A ferrovia, que já transporta minérios e grãos no trecho da Vale, sempre teve como inspiração o carregamento de etanol e outros combustíveis. Nos planos sobre o potencial logístico da Norte-Sul, a Valec tem como previsão a construção de 42 usinas de etanol e biocombustíveis ao longo da ferrovia. Há a expectativa de que 24 usinas sejam erguidas em Tocantins, 11 em Goiás e sete no Maranhão, com potencial para produzir 180 milhões de litros de álcool por ano, investimentos que poderão movimentar R$ 14 bilhões.



Multiplan anuncia expansão em shopping de Ribeirão Preto
Valor 20.06.2011 - A Multiplan anunciou hoje a expansão do RibeirãoShopping, empreendimento comercial localizado na cidade de Ribeirão Preto, interior de São Paulo.

Segundo comunicado da companhia ao mercado, serão três novas expansões, que somarão cerca de 32 mil metros quadrados de área bruta locável ao shopping. O número significa um crescimento de 45% em relação à área atual.

Além disso, um edifício comercial já está em construção e quatro edifícios residenciais de luxo, uma torre comercial, um apart-hotel e dois hotéis de alto padrão serão construídos no complexo nos próximos anos.

O RibeirãoShopping ganhará um centro de convenções, uma academia e 1.200 vagas em um estacionamento coberto. As datas de lançamento dos empreendimentos ainda não foram divulgadas.



Iraquiana Al Kafeel monta operação no Brasil
Valor 21.06.2011 - Salman, da Al Kafeel, (à esquerda) e Jalal Chaya, da Câmara e Comércio Brasil Iraque: espaço para ampliar negócios.

Há um ano, a iraquiana Al Kafeel instalou seu escritório no Brasil atraída pela possibilidade de ampliar os volumes de carnes de frango e bovina originados a partir do país. Entre 2009 e 2010, a empresa privada, ligada à ordem muçulmana xiita Alabbas Holi Shrain, importou US$ 192 milhões em carnes do Brasil. Desse valor, 80% foram carne de frango e o restante, carne bovina.

Além da disponibilidade, a qualidade do produto brasileiro também atraiu a importadora iraquiana, segundo o diretor-geral da operação no país, Riyadh Salman. O abate de aves e bovinos das empresas que vendem para a Al Kafeel segue o método halal, conforme os preceitos da religião muçulmana.

No Brasil, a empresa atua apenas na importação, principalmente de alimentos. Mas o grupo, que foi criado há cerca de três anos no Iraque, também tem negócios em outras áreas, como aviação civil e hotelaria e tem faturamento total na casa dos bilhões de dólares. Além da Alabbas Holi Shrain, a Al Kafeel tem como acionista o grupo iraquiano Karbalah.

Antes de ter escritório no país, a Al Kafeel importava carnes do Brasil por meio de tradings. "Diante do potencial desse mercado, decidimos abrir aqui", afirma Salman.

Apesar de elogiar a qualidade do produto brasileiro, o executivo queixa-se do aumento dos preços das carnes no país e da burocracia. "Antes estávamos focados no mercado brasileiro, mas dificuldades nos levaram a buscar outros mercados", diz, referindo-se também ao câmbio valorizado em relação ao dólar, o que torna os produtos do Brasil mais caros.

Por conta desse cenário, a empresa passou a importar frango também da Turquia, da Jordânia e do Kuait. E também já está buscando frango na Argentina, país que eleva suas exportações do segmento.

Ainda que aponte obstáculos no comércio com o Brasil, o executivo da Al Kafeel diz que o plano é ampliar as importações de carnes do país, até porque Kuait, Turquia e Jordânia não conseguem atender a demanda iraquiana por frango. "Mas temos que superar as dificuldades".

Para ampliar as compras de carne bovina, por exemplo, a Al Kafeel negocia com seu fornecedor, a JBS, o desenvolvimento de uma embalagem para atender o mercado iraquiano. A ideia é de que sejam fornecidos cortes em embalagens menores e a vácuo.

O presidente da Câmara e Comércio e Indústria Brasil Iraque, Jalal Jamel Chaya, acredita no potencial de crescimento do comércio entre os dois países, tanto nas carnes quanto em outros segmentos. "O país está em reconstrução e há uma melhora no poder aquisitivo da população por conta do petróleo", afirma Jalal Chaya.

Na década de 80, quando o Brasil exportava de automóveis a armas para o Iraque, o fluxo de comércio entre os dois países era de cerca de US$ 2,4 bilhões. O comércio se reduziu durante o período em que o Iraque ficou em guerra. Mas começa a se recuperar e no ano passado alcançou US$ 1,5 bilhão, segundo a Câmara. Entre janeiro e maio deste ano, as exportações brasileiras para o Iraque somaram US$ 325,1 milhões. O frango foi o principal item de exportação.



UBS corta pela metade projeção para Usiminas
Brasil Econômico 20.06.2011 - A equipe de análise do banco suíço UBS implementou um corte contundente nas projeções para a Usiminas. A instituição financeira prevê uma queda adicional de 20% nas ações da siderúrgica.

O analista do UBS Rene Kleyweg reduziu as projeções de ganhos da companhia diante dos resultados do primeiro trimestre, o fortalecimento do real - que incentiva a competição dos produtos importados - e a queda nos volumes vendidos.

As estimativas para o Ebitda da Usiminas, medida de eficiência operacional que implica no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, para este ano caíram de R$ 2,7 bilhões para R$ 1,9 bilhão.

Para o ano que vem, a projeção passou de R$ 3,9 bilhões para R$ 2,4 bilhões.

Somente nos três primeiros meses do ano, o Ebitda da empresa recuou 53% em comparação ao mesmo período de 2010, somando R$ 337 milhões.

"Nós também reduzimos nossa margem operacional de longo prazo para a divisão de aço da Usiminas, de 17% para 13% diante da pressão do câmbio e de custos", diz Kleyweg.

O preço-alvo estipulado pelo banco suíço para as ações preferenciais da Usiminas, listadas sob o código USIM5 na BM&FBovespa, caiu pela metade, saindo de R$ 20,50 para R$ 10,50.

Isso significa um potencial de desvalorização de cerca de 20%, considerando o patamar atual dos papéis.

Nesta segunda-feira (20/6), as ações da Usiminas marcavam perdas de 0,55% no pregão da Bovespa, cotadas a R$ 13,15. No ano, os papéis já perderam mais de 30%.



Produção brasileira de aço bruto cresceu 9% de janeiro a maio
Agência Brasil 20.06.2011 - A produção brasileira de aço bruto cresceu 9% nos cinco primeiros meses do ano, atingindo 14,8 milhões de toneladas. Em maio, a produção de aço bruto nacional somou 3,3 milhões de toneladas, com aumento de 14,7% em comparação a igual mês do ano passado e de 9,6% sobre abril deste ano. Os dados foram divulgados hoje (20) pelo Instituto Aço Brasil (IABr).

A produção de laminados alcançou 10,8 milhões de toneladas de janeiro a maio, mostrando expansão moderada de 0,1% em relação ao mesmo período de 2010. O indicador mensal, entretanto, revela que a produção de laminados do Brasil (2,2 milhões de toneladas) apresentou incremento de 5,2% sobre abril. Em comparação a maio do ano passado, houve retração de 2,5%.

De acordo com os números do IABr, as vendas de produtos siderúrgicos no mercado interno atingiram em maio 2 milhões de toneladas, com ampliação de 3,9% sobre o mês anterior. Na comparação com maio de 2010, observa-se recuo de 0,4%. No acumulado de 2011, as vendas internas apresentaram bom desempenho. Elas atingiram 9,3 milhões de toneladas, com expansão de 4,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Nas exportações, o IABr constatou aumento no acumulado dos cinco primeiros meses do ano tanto em volume (33,4%), como em valor (71,4%). Os embarques ao exterior somaram 4,6 milhões de toneladas de janeiro a maio, o que resultou em receita para o país da ordem de US$ 3,5 bilhões. Já as importações sofreram retração no período de 38,9%, com 1,4 milhão de toneladas de produtos siderúrgicos.

O IABr informou ainda que em relação ao consumo aparente nacional de produtos siderúrgicos foi registrada queda de 6,8% em maio e de 3% no acumulado do ano até esse mês, em comparação aos mesmos períodos de 2010.



Governo quer nova taxa para mineração
Folha 21.06.2011 - Como no petróleo, Ministério de Minas e Energia estuda tributo de "participação especial" em grandes projetos.

Setor reclama que pode perder competitividade porque carga tributária no Brasil já está entre as mais altas do mundo.

O Ministério de Minas e Energia negocia com a Fazenda um novo tributo sobre a exploração de alguns recursos minerais.

A ideia em discussão é cobrar "participação especial", a exemplo do setor de petróleo, sobre os empreendimentos de maior rentabilidade.

O objetivo era apresentar ontem a proposta à presidente, Dilma Rousseff, mas a reunião para alinhavar o novo código da mineração acabou sendo adiada e será retomada nesta semana.

O Ministério da Fazenda tem resistências à ideia sob argumento de que a cobrança afeta a competitividade do setor no mercado internacional, o que pode prejudicar a balança comercial, cujo minério de ferro é um dos principais itens exportados.

Segundo a Folha apurou, o governo quer garantir aumento de receita e dar uma destinação "socialmente mais justa" a essa riqueza.

Pela proposta inicial, a cobrança de participação especial atingiria somente grandes empreendimentos, o equivalente a 25% de todas as concessões públicas hoje vigentes no país. Se adotada, afetaria as principais mineradoras do país, como a Vale.

Uma das alternativas discutidas é a instituição de um fundo específico para financiar municípios indiretamente atingidos pela exploração mineral. Esse fundo seria bancado com parte da receita destinada à União.

A participação especial poderia ser aplicada sobre a receita bruta da produção de minério, deduzindo investimentos de exploração e custos operacionais.

Se aprovada, funcionaria também como um contrapeso à proposta de aumentar somente a cobrança de royalty do setor, a chamada CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais), para alguns produtos.

O setor é contra o aumento da CFEM sob o argumento de que ela prejudica a competitividade internacional. As mineradoras alegam que, apesar de os royalties no Brasil serem menores do que em outros países, a carga tributária aqui é mais elevada.

A proposta do Ministério de Minas e Energia é que a Fazenda reduza outros impostos sobre o setor para compensar o aumento da CFEM e a possível criação de uma participação especial.

Após diversos atrasos, o Executivo diz que pretende enviar o marco regulatório da mineração ao Congresso ainda no segundo semestre. Se a Fazenda impuser obstáculos, caberá à presidente Dilma decidir.

A questão dos royalties é a mais espinhosa das discussões. As empresas não querem aumento da alíquota da CFEM, hoje em torno de 2% do faturamento líquido das empresas. Para o governo, o atual cálculo dos royalties apresenta fragilidades.



Nomura ameniza risco de bolha de crédito no Brasil
Brasil Econômico 20.06.2011 - Concordando com a percepção da Moody’s, a equipe de análise do banco japonês Nomura vê como improvável uma ameaça de bolha de crédito no Brasil, ao estilo da ocorrida em outros países.

Ao elevar a nota da dívida soberana do Brasil, de Baa3 para Baa2, com perspectiva positiva, a Moody's enfatizou a crescente preocupação sobre uma bolha no Brasil como o principal risco para o país no futuro.

A agência de classificação de risco, porém, acredita que o governo tem tomado medidas efetivas para esfriar a economia.

Além disso, destacou que o alto nível de capitalização dos bancos brasileiros e a relativamente baixa penetração do crédito no Produto Interno Bruto (PIB) fazem com que qualquer "abalo sistêmico no crédito", se ocorrer, seja "consideravelmente pequeno".

A relação de crédito e PIB do Brasil em abril era de 46,6%.

"A estrutura do mercado de crédito brasileiro faz com que o recente tipo de bolha de crédito ocorrida em outros países seja muito improvável", relata relatório do Nomura assinado pelo analista Tony Volpon, chefe de pesquisa de mercados emergentes para as Américas do banco.

Volpon aponta que a recente retração em novas concessões de financiamento e o aumento da inadimplência são sinais de que o sistema bancário está reduzindo o ritmo de avanço no crédito. Um reflexo do cenário de menor crescimento e aumento da taxa básica de juro.

Quanto à Selic, a expectativa é que o Banco Central interrompa o ciclo de alta na próxima reunião em julho, com a taxa em 12,50% até o final do ano que vem.



Americanas reverte decisão
Folha 21.06.2011 - O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro autorizou a Americanas.com a voltar a vender no Estado. Após pedido de reconsideração da empresa, a desembargadora Helda Lima Meireles, da 15ª Câmara Cível, reviu, no dia 16, a decisão de proibir o site de atuar na região até que regularizasse toda sua entrega atrasada. O bloqueio de R$ 860 mil nas contas bancárias da empresa continua mantido.

Devido a reclamações de consumidores sobre atrasos na entrega dos produtos, em 25 de maio, o juiz Cezar Augusto Rodrigues Costa, da 7ª Vara Empresarial, havia proibido o site de fazer novas vendas para o Rio de Janeiro. Por descumprimento dessa determinação, a Justiça do Estado ordenou a penhora on-line de R$ 860 mil nas contas bancárias da Americanas.com. O valor é referente a 34 dias de desobediência com multa diária de R$ 20 mil.

No dia 10, o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça notificou o grupo B2W, que controla o portal, e deu dez dias para que a empresa se explique. A notificação pedia informações detalhadas sobre os atrasos nos últimos dois meses.



Acesso à banda larga no Brasil cresce 53% em maio
Exame 20.06.2011 - Nos últimos 12 meses, foram registrados 14,6 milhões de novos acessos, com a média de um novo cliente conectado a cada dois segundos

De acordo com a Telebrasil, as redes 3G estão instaladas em 1.523 municípios. O acesso à internet de alta velocidade por banda larga fixa e móvel cresceu 53,5% em maio deste ano em relação ao mesmo período de 2010, com a marca de 42,1 milhões de conexões. O balanço mensal foi divulgado pela Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil).

Nos últimos 12 meses, foram registrados 14,6 milhões de novos acessos, com a média de um novo cliente conectado a cada dois segundos. Segundo o levantamento, as conexões incluem os modems fixos (dispositivos que viabilizam a conexão) e o acesso por celulares de terceira geração (3G) e smartphones, que são os meios que lideram o percentual de conexões.

No último mês, os acessos por banda larga fixa computaram 15,8 milhões de conexões (29% a mais que em 2010). Nos últimos 12 meses 3,5 milhões de novos usuários aderiram à conexão fixa em banda larga. Já a banda larga móvel resultou em 26,3 milhões de conexões em maio, com o acréscimo de 11,2 milhões nos últimos 12 meses e aumento de 73,4% sobre o ano passado.

De acordo com a Telebrasil, as redes 3G estão instaladas em 1.523 municípios, que concentram 75,4% da população brasileira (143,7 milhões de pessoas). Houve aumento, nos últimos 12 meses, de 60% no número de municípios onde há oferta de banda larga pela telefonia móvel. Isso permitiu a antecipação em mais de dois anos das metas de cobertura das licenças de terceira geração concedidas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Há mais de três prestadoras de serviços de banda larga móvel em 50,5% das cidades brasileiras, onde vivem 96,4 milhões de pessoas, segundo a Telebrasil.



Indústria têxtil aposta em expansão
Estadão 20.06.2011 - Apesar da valorização do algodão e da concorrência de importados, compras de máquinas para o setor cresceram 46,57% de janeiro a abril, em relação ao mesmo período do ano passado

A indústria têxtil reclama do impacto da valorização do algodão no mercado internacional e da concorrência com os produtos importados, mas parece apostar em uma expansão. As importações de máquinas e equipamentos têxteis cresceram 46,57% de janeiro a abril, frente ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). O montante investido foi de US$ 299 milhões.

Os tecidos ficaram mais caros, e o produto nacional, menos competitivo. Mas, entre os varejistas, a avaliação é que os importados demandam muita antecedência e planejamento, embora tenham boa qualidade e custem menos. Por isso, muitos optam pelo produto brasileiro para aumentar as vendas.

Alberto Osório, sócio da Maria Filó, conta que apenas 5% dos produtos da grife são importados. A marca tem 24 lojas próprias e 22 franquias pelo País. Ele ressalta que, além do preço, a mão-de-obra especializada e os insumos de qualidade tornam atraente o produto importado da Índia e China. Mas há risco de atraso na entrega.

"Até fazer desenvolvimento à distância, receber o produto, fazer ajustes, tudo isso leva mais tempo do que a produção interna. O tempo é de dois a três meses. E ainda tem o risco de atrasar no transporte. Então tem que antecipar muito o processo de criação", explicou Osório, que espera expandir as vendas da rede de R$ 69 milhões em 2010 para R$ 90 milhões em 2011.

A grife Mercatto é outra que aposta em um crescimento sustentado pela indústria nacional. A marca negocia com os fornecedores preços mais baratos para compras em escala. São 350 mil peças produzidas por mês. Segundo o diretor comercial da grife, Renato Cohen, a intenção é que as vendas cheguem a R$ 9 milhões em 2011. "A maioria dos produtos é nacional. Temos apenas uma pequena parcela de compras da China. Como o nosso volume é muito grande, nós conseguimos um preço muito bom com os fornecedores daqui", disse Cohen. "Às vezes o produto importado demora mais do que deveria. Isso acaba engessando a coleção e você fica sem ter o que vender na loja".

Com 38 lojas próprias e sete franquias, a grife ainda espera abrir outras cinco lojas e oito franquias até o fim do ano. Para dar conta da demanda, a Mercatto investiu R$ 3 milhões em um novo centro de distribuição, com 4 mil metros quadrados, que deve entrar em operação em dois meses. "O nosso maior investimento é em tecnologia, principalmente na cadeia de fornecimento, na parte de logística", contou Cohen.

Já a grife Basthianna investiu em uma fábrica maior para atingir a meta de vender 35 mil peças por mês e dobrar o número de pontos de venda, hoje em 400. "Nós fizemos uma fábrica nova para permitir o crescimento. Dupliquei minha capacidade de produção e fiz novas contratações", falou a proprietária Juliana Marçal, que substituiu o algodão pela viscose na última coleção para reduzir os custos dos produtos.

Investimentos: Segundo Aguinaldo Diniz Filho, presidente da Abit, o setor têxtil investiu R$ 2 bilhões em 2010. Em 2011, o montante deve ser menor, por causa da percepção da inflação e dos juros mais altos, mas ainda deve chegar a 1,5 bilhão.

"Isso é muita coisa, porque somos um setor de mão-de-obra intensiva. É um número bastante expressivo. A maior parte deve ser em máquinas, muito disso vindo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), e o resto em design, moda e treinamento", calculou Diniz Filho.

Apesar dos investimentos, Eloysa Simão, diretora-geral do Senac Rio Fashion Business, ainda vê a indústria nacional de tecidos como defasada, o que obrigaria as grifes a importarem até 80% dos tecidos usados nas coleções. Ela vê a importação como uma ameaça ao produto nacional. "São baratos, têm um custo/benefício inegável e muitas vezes entram no País sem impostos", afirmou Eloysa.

Ronald Masijah, presidente do Sindivestuário, confirma a ameaça e alerta que os importados já chegaram ao pequeno varejo. "Chinês só fala em contêiner. Antes, só grandes organizações, como C&A e Renner, podiam importar. Agora têm os 'traders', grandes importadores que pulverizam os produtos vindos da Ásia entre os pequenos varejistas."

As importações no setor têxtil cresceram 33,5% de janeiro a maio deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo a Abit. Já as exportações aumentaram 4,3%.



Planos de saúde consideram possível cumprir prazo para atender exigências
Correio Braziliense 20.06.2011 - Representantes das operadoras de planos de saúde avaliam ser possível cumprir os prazos estabelecidos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para atendimento dos seus usuários. Em nota, a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) disse que os prazos “são razoáveis de serem cumpridos”. A organização representa 15 empresas.

A Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) afirmou que os prazos já vêm sendo praticados pelo mercado. Mas alertou que a marcação de consultas e exames é controlada pelos médicos e laboratórios. “Vale lembrar que os médicos têm total controle de suas agendas de marcação de consultas, assim como os laboratórios para exames”, diz a nota.

As normas publicadas hoje (20) pela ANS começam a vigorar em setembro. As operadoras que descumprirem os prazos poderão ser multadas em até R$ 80 mil ou sofrer intervenção pela agência reguladora.

De acordo com a ANS, 9% das reclamações recebidas pela agência são sobre demora no atendimento e 60% de negativa de cobertura por parte do plano de saúde. As reclamações podem ser feitas pelo Disque ANS (0800 701 9656), de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h.

Antes de publicar a resolução, a ANS realizou consulta pública, quando recebeu mais de 3 mil sugestões.



Análise: Crise grega pode ser pior que a quebra do Lehman Brothers
Estadão 21.06.2011 - Eventual calote grego teria consequências catastróficas para credores e para futuros empréstimos de outros países do euro.

Editor de Economia da BBC News - A decisão dos ministros das Finanças europeus, de condicionar o empréstimo emergencial de 12 bilhões de euros à aprovação de medidas de austeridade e privatizações pelo Parlamento da Grécia, seria racional e crível sob o argumento de que a Grécia teria mais a perder com uma moratória do que a zona do euro em si.

Ou, para dizê-lo de outra forma, ameaças só valem a pena se os que as fazem podem de fato levá-las a cabo.

Mas, caso o premiê grego, George Papandreou - sob extrema pressão da oposição popular e parlamentar -, não consiga obter apoio, nos próximos dias, para seu renovado gabinete e para o programa de redução de déficit exigido por França, Alemanha e outros, será que os governos da zona do euro vão simplesmente observar a Grécia dizer a seus credores que eles não receberão seu dinheiro?

A questão é que essa hipótese, se concretizada, teria consequências potencialmente catastróficas para credores não apenas dos 240 bilhões de euros da dívida soberana grega, mas também para credores de centenas de bilhões de euros da dívida comercial grega e de outras dezenas de bilhões de euros de contratos de derivativos relacionados à dívida grega.

Um calote também aumentaria o risco de empréstimo para a Irlanda e Portugal, desencadeando amplas perdas adicionais de centenas de bilhões de euros em empréstimos a esses países e seus respectivos bancos.

E, com a indefinição quanto à sustentação de longo prazo das dívidas da Espanha e da Itália, os governos desses países talvez sejam forçados a pagar mais para obter dinheiro emprestado.

A moratória grega também afetaria balanços bancários por toda a Europa: bancos gregos, portugueses e irlandeses provavelmente só sobreviveriam se fossem nacionalizados; e bancos da França, da Alemanha e até mesmo nos EUA sofreriam perdas que deixariam seus capitais em níveis perigosamente baixos.

Além disso, o Banco Central Europeu (BCE), maior credor da dívida soberana de Grécia, Portugal e Irlanda, precisaria de uma forte injeção de apoio financeiro vindo de países da zona do euro. Uma humilhação pública desse tipo levaria anos para abandonar a reputação do BCE.

Será que os ministros das Finanças da Alemanha, da França, da Holanda e demais países realmente querem isso?

Claro que isso tampouco seria o fim da catástrofe em potencial. Há um crescente movimento popular na Grécia defendendo a saída do país da zona do euro.

Acontece que a saída de um país-membro da zona e sua adoção de uma moeda independente faria com que aumentasse muito o custo de empréstimos tomados pelos países que permanecessem com o euro (salvo Alemanha, Luxemburgo e Holanda).

Isso porque se criaria a ideia de que a permanência no euro não é mais algo vitalício. Então, qualquer um que emprestasse para a Espanha, a Itália ou até mesmo a França teria que ser compensado por esse risco - o risco de que dívidas inicialmente inseridas na zona do euro poderiam eventualmente estar ligadas mais diretamente à saúde de uma única economia.

No atual estágio frágil de recuperação econômica da região, um aumento nos custos dos empréstimos seria um grande revés.

E não percamos tempo considerando os complexos litígios internacionais que estariam envolvidos em uma eventual decisão unilateral da Grécia de transformar dívidas cotadas em euro em moeda local.

Sendo assim, chegamos a duas conclusões. Primeiro, que, quando as pessoas falam da Grécia como o "momento Lehman" da Europa (em referência ao banco americano Lehman Brothers, cujo colapso, em 2008, provocou pânico nos mercados e perdas para credores), elas estão erradas.

Uma moratória grega feita de forma desordenada provavelmente seria pior para a economia mundial do que a quebra do Lehman - ainda que, no caso dos bancos, eles estejam mais preparados para absorver perdas do que estavam em 2008.

Em segundo lugar, a decisão dos ministros das Finanças europeus, de condicionar a entrega de uma parcela de 12 bilhões de euros (cerca de R$ 27,4 bilhões) de ajuda à Grécia à adoção pelo país de mais cortes de gastos, não deverá ser capaz de amansar os opositores das medidas de austeridade no país.

Ao mesmo tempo, se o Parlamento grego rejeitar a aprovação dessas medidas, estaremos perto demais de um desastre financeiro ao estilo do ocorrido nos anos 1930. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.



Investidores temem volta de bolha da internet
Valor/Bloomberg 21.06.2011 - Joe Kennedy, fundador da Pandora, vai à bolsa pela segunda vez, depois de ter participado da bolha da internet, em 1999, com a empresa E-Loan

Como presidente da E-Loan, uma concessora de crédito imobiliário on-line criada durante o surto de crescimento das pontocom da década de 1990, ele tinha um assento de primeira fila em uma das grandes bolhas de investimento. O valor da E-Loan na bolsa disparou para cerca de US$ 3 bilhões depois de seu registro, em 1999, antes de tornar a cair rapidamente. A empresa acabou sendo vendida depois do colapso das pontocom por 10% de seu valor de pico.

Na semana passada, Kennedy, 51, estava de volta, desta vez para a oferta pública inicial da Pandora, o deficitário serviço de música on-line do qual ele é o principal executivo. Questionado sobre como compararia seu mais recente veículo de internet ao anterior, Kennedy objetou. "Cada um dos meus filhos é diferente e eu amo todos os meus filhos por igual", disse ele.

Talvez. Mas os investidores que vêm clamando por ações em empresas americanas de internet como a Pandora - cujo valor na semana passada subiu por pouco tempo acima dos US$ 4 bilhões, um preço estonteante para uma companhia com receita de apenas US$ 119 milhões no ano passado - estão certamente apostando que seu mais recente rebento on-line vai se revelar uma sociedade de desempenho superior ao da maioria de suas congêneres mais velhas.

A Pandora é parte do primeiro grupo de esperançosas empresas de internet de consumo a chegar à bolsa desde o colapso de mais de uma década atrás. A maioria teve de se testar por muito mais tempo como empresas do que as da primeira leva.

Em meio ao surto de crescimento das redes sociais e do acesso móvel à internet, elas também estão em condições de se beneficiar das mudanças do comportamento on-line que parecem passíveis de romper o poder da primeira leva das empresas de internet de dominarem a rede e também parecem que poderão traçar rapidamente um novo destino para as pontocom.

Mas se as expectativas são altas para essas ingressantes - apelidadas de "a onda da mídia social" -, a realidade, até o momento, parece decididamente confusa. Poucas delas já conseguiram entrar na bolsa, mas comunicados à agência reguladora do mercado americano feitos para preparar registros de ações, entre os quais da empresa de cupom de desconto Groupon e do serviço de telefonia por internet Skype, forneceram os primeiros verdadeiros quadros abrangentes sobre as empresas.

Com base nas evidências geradas até o momento, os investidores e outros técnicos do setor dizem que o número de novas empresas de peso tendentes a surgir do mais recente surto de crescimento de internet é pequeno.

"A [área] social é grande, mas a maioria dos benefícios... irá para um pequeno número de plataformas, lideradas pelo Facebook ", diz Roger McNamee, um destacado investidor em empresas tecnológicas que acumulou uma grande participação no site de rede social.

E, para muitos, as perspectivas de produzir lucros sustentáveis parecem tão duvidosas quanto pareciam para as pontocoms de uma década atrás. "Temos empresas que não são lucrativas, o que dificulta sua avaliação", diz Ryan Jacob, administrador de carteira do Jacob Internet Fund, um fundo mútuo americano especializado. "Mas elas estão crescendo a índices muito mais acelerados até que as da década de 1990. Essa é a questão."

Um dos grandes investidores do Vale do Silício resume da seguinte maneira a euforia em torno dessas empresas de internet de consumo que está inundando Wall Street: "As pessoas vão olhar para trás e dizer que este foi o pico das expectativas". Mesmo o Facebook - que sinalizou que está se empenhando em realizar uma oferta inicial de ações no início do ano que vem - vai levar anos para provar que realmente vale tudo isso, diz esse investidor.

Foi necessário o sucesso arrasador da oferta do LinkedIn, no mês passado, um site de rede social profissional, para inocular entusiasmo na bolsa pela mais recente geração de lançamentos no mercado de capitais de empresas americanas de internet. As ações do grupo deram um salto de 170% quando o pregão começou. Tentados pelos lucros instantâneos, os investidores puxaram uma alta de mais de 60% das ações da Pandora a partir de um nível de avaliação já elevado, embora elas tenham voltado a cair rapidamente.

A coqueluche por novas ações de internet chinesas - a começar da oferta, do fim do ano passado, da Youku, uma versão do site de vídeo YouTube - já tinha dado mostras de sua existência. O valor de mercado da empresa disparou para mais de US$ 7 bilhões neste ano, apesar do fato de ela ter registrado uma receita de menos de US$ 60 milhões em 2010.

A Renren, qualificada pelos seus entusiastas como "o Facebook da China", experimentou uma disparada meteórica semelhante depois de sua oferta, no mês passado. Seu valor subiu para US$ 9 bilhões, apesar do fato de ela ter gerado receita de apenas US$ 76 milhões em 2010. Ambas as ações caíram significativamente desde então, com a retração da Youku tendo alcançado 60% em relação a seu pico e a da Renren, 70%.

Por trás dessa corrida dos investidores está a avidez por crescimento. Antes da oferta do LinkedIn, Niklas Zennström, cofundador do Skype, calculou que havia apenas 13 empresas de tecnologia com ações negociadas em bolsa no mundo inteiro com vendas de mais de US$ 1 bilhão que estavam crescendo a um ritmo superior a 25% ao ano.

O surto de crescimento da mídia social promete desencadear uma nova onda de empresas de alto potencial de crescimento nas bolsas. "Isso simplesmente não acontece há muito tempo", diz Egon Durban, investidor da empresa de "private equity" Silver Lake que encabeçou a compra, por US$ 2,75 bilhões, do Skype em 2009, antes de vendê-lo à Microsoft por US$ 8,5 bilhões neste ano.

O crescimento é um produto que algumas das empresas ingressantes têm para dar e vender. Com receitas à taxa anualizada de US$ 2,5 bilhões depois de menos de dois anos de operação, a Groupon, por exemplo, já conquistou para si uma nota de rodapé na história como a empresa tecnológica de crescimento mais acelerado de todos os tempos.

Se esse crescimento pode ser transformado em negócios lucrativos e sustentáveis, são outros quinhentos. Apenas cinco a dez "empresas líderes do mercado, geradoras de fluxo de caixa, de alto crescimento, dotadas de marcas fortes" tendem a despontar no mundo inteiro da atual geração de empresas de internet, diz Durban. O restante, acrescenta, serão "histórias referenciais" - o tipo de empresa que fala ambiciosamente sobre o tamanho da oportunidade de mercado que tem pela frente, ou das maneiras com que conta para ganhar dinheiro, mas nunca cumpre as promessas. "O fundamental é escolher as empresas certas. É aí que a coisa pega."








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