quarta-feira, 22 de junho de 2011

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Daily News

Olofsson descarta "cessão" da operação brasileira da rede
Valor 22.06.2011 - Lars Olofsson, diretor-geral do Carrefour, nomeado na assembleia geral de acionistas ontem também presidente do conselho do grupo, reiterou ontem que a empresa tem o objetivo de manter o controle de sua filial brasileira. "Qualquer comentário sobre uma suposta cessão da filial brasileira é totalmente sem fundamento", disse Olofsson, que afirmou ainda que um dos pilares da estratégia do Carrefour é justamente o de ser líder em mercados emergentes com fortes taxas de crescimento, como o Brasil. O diretor-geral não quis comentar os recentes rumores de uma eventual negociação com o Grupo Pão de Açúcar visando uma fusão. Mas para alguns participantes da assembleia geral de acionistas, Olofsson teria reconhecido, ainda que muito implicitamente, que essas discussões aconteceram. "Tudo o que o acontece nesse país [Brasil] nos interessa. É meu dever estudar tudo o que ocorre ou pode ocorrer para avaliar as possibilidades de crescimento para o Carrefour", respondeu a um acionista que perguntou, sem meias palavras, se existiriam negociações com o grupo de Abilio Diniz. "Devemos acompanhar de perto tudo o que acontece nos mercados onde estamos presentes. O Carrefour possui uma estratégia de desenvolvimento nos mercados emergentes", afirmou. Neste ano, segundo ele, 500 lojas devem ser abertas nesses países, incluindo 23 hipermercados na China e 9 lojas do Atacadão no Brasil.
 
Sem balanço, Brazil Pharma fecha oferta na base da confiança
Valor 22.06.2011 - A confiança foi fundamental para que a rede de drogarias Brazil Pharma, controlada pelo BTG Pactual, conseguisse atrair demanda suficiente para concluir com sucesso sua oferta inicial de ações, que terá o preço fechado hoje à noite. Conforme apurou o Valor, na tarde de ontem os bancos coordenadores BTG, Bradesco BBI e Morgan Stanley já tinham os pedidos de reserva necessários para vender as ações, provavelmente entre o piso e o ponto médio do intervalo, que vai de R$ 16,25 a R$ 19,25.
A depender do preço final e da venda de lotes extras, a oferta de ações vai movimentar de R$ 325 milhões a R$ 519 milhões. A importância decisiva da crença dos investidores nos bancos e na administração se explica pelo fato de os dados oficiais auditados que constam do prospecto preliminar não serem de grande valia para análises. "Nossas demonstrações financeiras e outras informações financeiras apresentadas no Formulário de Referência podem não ser um bom instrumento para avaliação de nossa performance passada e nossa situação econômico-financeira atual, bem como não são indicativas de nossos resultados e performance futuros", alerta a própria Brazil Pharma, como primeiro fator de risco no prospecto de distribuição das ações. Não por acaso, a oferta de dispersão se destinou somente a investidores institucionais, sendo que as ações serão negociadas em lotes indivisíveis de 10 mil papéis por 18 meses.
Como diversas mudanças societárias ocorreram nos últimos meses e ainda estão em curso em conjunto com a oferta, os dados contábeis oficiais não permitem comparação fiel sobre o valor relativo da empresa versus suas concorrentes já listadas em bolsa, Drogasil e Droga Raia.
O fato de empresa também não ter apresentado números pro forma que permitissem a comparação incomodou alguns gestores de recursos locais, que não se sentiram seguros para fazer investimentos sem dados auditados sobre como a companhia realmente será depois da oferta.  O mínimo que esses investidores gostariam de ter era um desconto pela falta de informações. Na opinião de um gestor que preferiu não se identificar, a empresa é quase pré-operacional, mas os bancos a venderam como se ela fosse comparável a Drogasil ou Raia, que têm uma história no mercado. Para ele, que considera o preço sugerido fora da realidade, a oferta reflete o "oba-oba" do varejo, segmento que atrai muitos investidores estrangeiros.
A depender do preço fechado na noite de hoje, a Brazil Pharma deve ter valor de mercado entre R$ 1,23 bilhão e R$ 1,59 bilhão quando estrear na bolsa. Tendo em conta as 302 lojas próprias que a empresa tinha ao fim de março (número auditado), isso representa entre R$ 4,08 milhões e R$ 5,28 milhões por unidade. Na Drogasil, que tinha 343 lojas em março, essa relação fica em R$ 5,75 milhões, enquanto na Raia, que contava com 353 pontos de venda no fim do primeiro trimestre, ela é de R$ 4,54 milhões. Os cálculos foram feitos com a cotação de segunda-feira. Sem os dados oficiais auditados para mostrar, os argumentos usados pela administração nas reuniões com investidores tinham como base um estudo técnico, que segue como anexo ao prospecto, e foi feito pela Apsis, uma consultoria especializada em avaliação de empresas e ativos, a pedido da Brazil Pharma.  Após fazer as ressalvas de costume, alertando que o estudo não deve ser lido de forma separada do prospecto e do Formulário de Referência, a Apsis aponta que a Brazil Pharma teria uma margem bruta 4 pontos percentuais acima das rivais já listadas em bolsa, pelo fato de os remédios genéricos terem peso de 24% na receita com medicamentos, ante um índice próximo 14% das outras duas empresas.
A consultoria também lança mão da métrica não contábil "Margem Ebitda Loja" para mostrar rentabilidade maior da Brazil Pharma. A medida não contábil se refere ao lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ao se olhar somente as receitas e despesas das lojas.
Um ponto que a Brazil Pharma destacou nas conversas com investidores é o fato de que uma parcela grande de suas lojas, representando mais de 60% do total, ainda está em fase de maturação (com menos de três anos de atividade), o que permitiria crescimento mais acelerado das receitas no curto prazo. Um gestor ouvido pelo Valor chamou atenção para o fato de que, na Brazil Pharma, cada empresa adquirida carrega uma marca diferente e tem seu próprio padrão de funcionamento, diferentemente do que ocorre com Drogasil e Raia, cujas unidades "têm total sinergia". Assim, ele diz que prefere esperar para ver se o modelo funciona.
A Brazil Pharma atua com lojas próprias por meio de três redes de farmácia regionais: o Grupo Rosário Distrital, que tem 89 unidades em Goiás, a rede Farmácia Guararapes, com 60 lojas em Pernambuco, e a rede Mais Econômica, com 153 pontos de venda no Sul. No Sudeste, onde as rivais listadas concentram suas atividades, a Brazil Pharma presta serviço de franquia para a rede Farmais, mas o segmento representou apenas 2,8% do faturamento no primeiro trimestre.
BRF discute acordo com Cade para aprovar compra da Sadia pela Perdigão
Valor 21.06.2011 - Representantes da Brasil Foods (BRF) estiveram reunidos no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para discutir os termos de um acordo que evite o veto à compra da Sadia pela Perdigão. Na reunião de hoje não houve a entrega de uma proposta fechada, mas sim um debate em torno da possibilidade de chegar a um acordo.
Integrantes da empresa ainda devem buscar o Cade para novos encontros nos próximos dias. Eles não detalharam à imprensa quais marcas ou fábricas estariam dispostos a vender em troca do aval à operação, pois estão fazendo essa negociação junto com os conselheiros. 
No Cade, a compra da Sadia recebeu um voto contrário, do relator do processo, Carlos Ragazzo. Ainda restam quatro votos e o julgamento deve ser retomado em 13 de julho.
Os quatro conselheiros que ainda não votaram estiveram na reunião de hoje. O relator, porém, não estava presente, porque está no Rio de Janeiro, em licença-paternidade devido ao nascimento de seu filho, Vicente.
 
JBS poderá emprestar US$ 100 milhões para controlada Pilgrim's
Valor 22.06.2011 - O presidente-executivo da Pilgrim's Pride admitiu ontem que os temores de que a companhia poderia romper cláusulas de sua dívida com os bancos afetaram recentemente os preços das ações da empresa, mas disse a que produtora de carne de frango não espera nenhum problema de liquidez neste ano.
Bill Lovette disse que os bancos da companhia estão "confortáveis" com sua estratégia e acrescentou que a JBS, a produtora de carne brasileira que detém dois terços do capital da Pilgrim's Pride, poderá, se necessário, emprestar até US$ 100 milhões que poderiam servir como "proteção" para a companhia. A ação já perdeu mais de um terço de seu valor em 2011 e no começo do ano atingiu o ponto mais baixo em 52 semanas. Questionado sobre a queda em uma apresentação a investidores, Lovette disse que vem recebendo muitas perguntas sobre a situação da indústria da carne de frango em geral e sobre o cumprimento dos termos de suas dívidas. Recentemente, a agência de classificação de risco Moody's Investors Service revisou a perspectiva da companhia de positiva para estável, alegando que se os preços do frango não melhorarem a empresa provavelmente terá de retificar cláusulas de sua dívida na segunda metade do ano. A Pilgrim's, que se viu obrigada a entrar em processo de recuperação judicial em 2008 ao ser afetada pela forte alta dos custos com ração, enfrentou pressões similares neste ano, assim como o resto do setor de aves. O mercado como um todo não foi rentável em nenhuma semana do ano, segundo Bill Lovette. Os custos da empresa com ração subiram US$ 188 milhões no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2010. Lovette diz que a empresa já comprou todo o milho que precisará neste ano. Analistas dizem que a sorte do setor não melhora de forma significativa até que a produção comece a cair. Embora os estoques continuem elevados, o número de ovos em incubadoras - indicador da oferta futura - caiu nas últimas semanas, e no quarto trimestre os números poderiam mostrar queda entre 4% e 6%, segundo Lovette. A oferta, teimosamente alta, impediu os preços do frango de subir, apesar do valor recorde das carnes bovina e suína, que alguns no setor torciam para levar os consumidores a comprar mais frango, que é um produto mais barato. Lovette disse ter ficado surpreso com o fato de os preços do frango não terem aumentado, acrescentando que isso indicava uma "falta fundamental de demanda por todas as proteínas".
As ações da Pilgrim's subiram durante a apresentação de Lovette. Chegaram a avançar 6,1%, para US$ 4,71.
 
PepsiCo investe R$ 24 milhões no Brasil com foco no Nordeste
Folha 21.06.2011 - A PepsiCo, multinacional de bebidas e alimentos, anunciou nesta terça-feira que irá investir no Brasil mais de R$ 24 milhões em distribuição e logística. O foco da ação será a região Nordeste. Além do refrigerante Pepsi, a empresa fabrica produtos das marcas Quaker, Coqueiro e Elma Chips. Segundo a companhia, o montante será destinado à compra de veículos e capacitação dos 425 novos vendedores, um aumento de 27% no número de rotas de vendas no país. Desse total, 174 serão destinados ao Nordeste, sendo 102 em Salvador, 23 em Fortaleza, 46 em Recife. "A distribuição é um ponto crucial, especialmente, no mercado nordestino, já que a maior parte dos consumidores desta região, cerca de 60%, faz compras no pequeno varejo, em estabelecimentos próximos de suas casas. Nossa meta é dobrar a distribuição na região até 2012", diz Alexandre Wolff, diretor da Unidade de Negócios Norte e Nordeste da PepsiCo. A companhia planeja ainda inaugurar sua terceira planta no Nordeste no próximo semestre. A nova fábrica terá sede em Feira de Santana/BA, para a produção de achocolatados, com investimentos de aproximadamente US$ 20 milhões e previsão da criação de aproximadamente 400 empregos entre diretos e indiretos. "Testamos nossos produtos com consumidores de todas as regiões do país para nos certificarmos que estamos entregando o que o consumidor deseja. Não é diferente no caso das regiões Norte e Nordeste", afirma Wolff.
 
RB Capital levanta R$ 245 mi para financiar projeto
Valor 22.06.2011 - Michaluá, da RB Capital: financiamento de projeto sem comprometer capital. A RB Capital acaba de levantar R$ 245 milhões no mercado de capitais para financiar a construção de um novo centro de distribuição e a sede administrativa de uma grande empresa listada em bolsa. Com a estruturação da chamada operação de "built to suit" (construção sob medida ou terceirização imobiliária), a companhia que vai usufruir das novas instalações não vai colocar um centavo no empreendimento. Em contrapartida, vai se comprometer com um contrato de locação de longo prazo, de 17 anos, e é esse aluguel futuro que vai remunerar o investidor dos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) emitidos para fazer frente à transação. Por enquanto, o nome da empresa é mantido em segredo. O diretor da RB Capital, Marcelo Michaluá, só adianta que trata-se de uma área de 55 mil metros quadrados na Grande São Paulo. "Os recursos viabilizaram a compra do terreno e as benfeitorias", disse durante o encontro "Café da Manhã com o Valor", que discutiu o tema "Soluções Alternativas de Financiamento para projetos imobiliários", em São Paulo. O prazo para entrega do projeto é de dois anos, quando o investidor começará a receber a renda proveniente do aluguel. Sem usar capital de giro para o empreendimento imobiliário ou recorrer ao crédito bancário, a empresa que recorre ao built to suit ainda pode deduzir a despesa de aluguel do lucro tributável. Ao mesmo tempo, não agrega o risco imobiliário ao seu negócio. O modelo built to suit vem sendo usado há alguns anos por grandes corporações, como a Petrobras, que começou com uma terceirização imobiliária de R$ 200 milhões em 2005 e cujo programa já atingiu R$ 2 bilhões. A previsão é chegar a R$ 3 bilhões até o fim do ano, comentou Michaluá. Os recursos financiaram desde a construção do porto de Macaé e do Dique Seco até a plataforma de extração do pré-sal e navios petroleiros. "Vendemos o risco Petrobras como inquilina e a empresa não teve que carregar R$ 2 bilhões no balanço." Numa outra frente, a RB estruturou uma operação de "sale & lease back" (desimobilização de imóveis) para a BR Distribuidora, de R$ 183,1 milhões, em que a empresa vendeu parte dos postos de combustíveis de sua propriedade, trocando ativo permanente por caixa. A emissão de CRI também viabilizou essa estrutura.  No mercado brasileiro, os CRIs atingiram um estoque de cerca de R$ 30 bilhões, mas ainda que estejam sob o holofote entre os novos instrumentos para o financiar o mercado imobiliário, o volume movimentado por esse tipo de ativo ainda é incipiente. Hoje, representa cerca de 14% do crédito imobiliário concedido no país, que soma pouco mais de R$ 200 bilhões, pelo dados do Banco Central. Desse volume, cerca de 70% vêm de recursos governamentais e do direcionamento obrigatório da poupança - os bancos são obrigados a aplicar 65% dos depósitos da caderneta no setor imobiliário.  Para Michaluá, o potencial de crescimento é grande, com perspectiva de expansão da ordem de centenas de bilhões de reais para os próximos anos. Pelas estimativas do BC, o volume de crédito imobiliário representa 5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, sendo que essa proporção nos Estados Unidos chega perto de um terço. Embora o setor imobiliário venha buscando alternativas de financiamento, dado o cenário de insuficiência da caderneta para bancar a demanda crescente por moradias, o atual ciclo de aperto monetário atrasa esse processo. O investidor se volta a opções de investimentos mais tradicionais e tende a dar menor chance para instrumentos alternativos.
Para Luanda Backheuser, do escritório Fleury Malheiros, Gasparini, de Cresci e Nogueira de Lima Advogados, ainda falta uma posição mais rápida do poder Judiciário na hora de execução de garantias quando o tomador do crédito deixa de honrar a dívida. As decisões são favoráveis às instituições que originaram a operação, mas a execução fiduciária das garantias perante bancos ou investidores ainda não ocorre a contento. "Falta uma resposta mais rápida do Judiciário no momento de se retomar a posse de um imóvel"
 
Panalpina anuncia diretor de logística para o Mercosul
Brasil Econômico 21.06.2011 - Marcelo Caio Bartolini D´Arco é o novo diretor de logística para o Mercosul da Panalpina, especializada em serviços de logística e agenciamento de carga.
A empresa também acaba de contratar Vivian Brunialti para o cargo de gerente de linha no Brasil para a rota da América do Norte. O novo diretor é formado em administração de empresas com ênfase em comércio exterior pela Universidade Paulista (Unip), tem MBA em marketing internacional e logística e conta com mais de 19 anos de experiência na área, tendo atuado em empresas de grande porte como Columbia e Wilson Sons. Já Vivian, a nova gerente, é graduada em comércio exterior pela Unip, com especialização em marketing organizacional pela Unicamp. Ela tem 11 anos de experiência em comércio exterior.
 
Log-In subistitui BTG por Flow Corretora como formador de mercado
Brasil Econômico 21.06.2011 - Log-In possui 85.568.500 ações em circulação no mercado, que representam 93,3% de seu capital social. A Log-In Logística comunicou nesta terça-feira (21/6) que rescindiu o contrato que mantinha com o BTG para exercer a função de formador de mercado de suas ações.  Para seu lugar, a empresa especializada em logística contratou a Flow Corretora, que passará a atuar a partir do pregão de 27 de junho. O serviço prestado pelo BTG irá até o dia 24 de junho. O contrato firmado com a Flow tem validade de 12 meses, prorrogável automaticamente pelo período de um ano. Atualmente, a Log-In possui 85.568.500 ações em circulação no mercado, que representam 93,3% de seu capital social.
"Market Maker" O formador é uma instituição contratada por empresas de capital aberto, cujo objetivo é garantir liquidez mínima ou referência de preço a determinados ativos.
Isso é feito sob a forma de ofertas firmes de compra e venda, cujo spread máximo está pré-estabelecido.
 
Estaleiro nacional perde disputa para os asiáticos
Folha 22.06.2011 - China e Coreia lideram construção de navios para empresas brasileiras. Indústria naval brasileira desapareceu nos anos 80 e 90; são necessários 4 anos para retomar capacidade. Operários no estaleiro Atlântico Sul (PE); setor enfrenta a concorrência dos asiáticos  Os estaleiros nacionais vêm perdendo importantes encomendas para concorrentes estrangeiros, em especial os asiáticos, não só na área de plataformas e son- das de petróleo mas tam- bém no segmento de navios de transporte.
A Vale encomendou recentemente 12 navios ao estaleiro chinês Rongsheng Shipbuilding and Heavy Industries, um investimento de US$ 1,6 bilhão. Além das embarcações chinesas, a mineradora mandou construir sete navios, por US$ 748 milhões, no estaleiro Daewoo, na Coreia do Sul. Além dos 19 navios comprados na Ásia (12 na China e 7 na Coreia), a empresa fez contratos de longo prazo para utilizar 16 embarcações que estão sendo construídas por outros armadores fora do Brasil, que serão entregues até 2013. Em contrapartida às encomendas internacionais, a Vale fez o pedido de construção à indústria nacional de 51 embarcações, entre rebocadores, comboios fluviais e catamarãs. Mas o investimento no Brasil ainda é tímido diante dos pedidos feitos lá fora: R$ 404 milhões (ou cerca de US$ 252 milhões). Entre os 15 rebocadores encomendados no Brasil pela Vale, 11 foram construídos no estaleiro Detroit, em Itajaí (SC), e outros quatro no estaleiro Santa Cruz, localizado em Aracaju (SE). No passado recente uma outra empresa brasileira, a Mercosul Line, que pertence à maior empresa de contêineres em operação no mundo, a dinamarquesa Maersk, importou dois navios. A operação foi criticada pelo Sinaval (Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval), mas defendida pela própria agência reguladora do setor, a Antaq (Agência Nacional de Transporte Aquaviário). Tecnologia: Segundo o Sinaval, os estaleiros brasileiros precisam de pelo menos quatro anos para gerar a capacidade e dominar procedimentos e tecnologia de construção.
Com a séria crise vivida pelo setor de estaleiros nas décadas de 1980 e 1990, a indústria naval brasileira praticamente desapareceu, e somente agora retoma a sua capacidade de atendimento ao mercado mundial. Os estaleiros nacionais projetam para os próximos dez anos a construção de 40 plataformas e sistemas de produção de petróleo, 400 embarcações de apoio marítimo e 70 navios petroleiros para fazer o transporte entre as plataformas e os terminais localizados na costa, segundo dados do Sinaval.
Maioria das obras da Copa ainda está no papel
Valor 22.06.2011 - As obras de infraestrutura para a Copa do Mundo de 2014 ainda demoram a sair do papel. Segundo acompanhamento do Ministério do Esporte, apenas 19 das 82 obras previstas em estádios, transporte urbano, aeroportos e portos foram iniciadas. O atraso maior ocorre nos portos, onde nenhum dos projetos está em execução.  Os dados foram apresentados pelo coordenador das câmaras temáticas do Ministério do Esporte, Joel Fernando Benin, em audiência pública promovida ontem em São Paulo pelo Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea) e pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo (Crea). Estão previstos R$ 741 milhões em investimentos para melhoria de sete portos até 2014 - Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ), Recife (PE), Fortaleza (CE), Salvador (BA), Natal (RN) e Manaus (AM). O processo mais adiantado é o de Manaus, em fase de licitação. Em 2010, porém, o início das obras no porto era esperado para o primeiro semestre de 2011. Os demais projetos estão sendo elaborados.  Para mobilidade urbana, área que deve receber R$ 11,9 bilhões de investimentos em 50 projetos, o cenário também não é muito animador. Somente quatro obras já foram iniciadas, em Belo Horizonte, Cuiabá, Recife e Rio de Janeiro.  Dos 13 aeroportos localizados em cidades-sede da Copa, as obras de ampliação estão em andamento em cinco deles - Brasília, Natal (RN), Rio de Janeiro, Guarulhos (SP) e Campinas (SP). Apesar de já ter sido iniciada, a obra no aeroporto de Natal é a que deve demorar mais tempo para ficar pronta: agosto de 2014. O total de investimentos da Infraero nos 13 aeroportos até 2014 é de R$ 5,6 bilhões. As obras devem preparar a estrutura aeroportuária para a demanda do evento. Apenas nos dois meses de duração da Copa, a Infraero calcula que o aumento de passageiros nos 13 aeroportos será de até 1,2 milhão de pessoas nos voos internacionais, e de até 1,5 milhão em viagens domésticas.
Em relação aos estádios, somente as cidades de São Paulo e Natal ainda não começaram as obras. Segundo Pedro Benventura, coordenador da Secretaria de Planejamento do Estado de São Paulo, os projetos paulistas de infraestrutura são os mesmo já programados antes de haver a Copa nos planos. A única diferença é haver uma maior mobilização para a execução. "Devido ao evento, há um movimento maior até para a concessão de financiamentos, o que ajuda a agilizar os projetos", diz.  A linha 17-Ouro, que fará a ligação do aeroporto de Congonhas à rede de metrô paulista, já foi licitada mas a assinatura do contrato está impedida por uma liminar. O acesso ao aeroporto de Guarulhos, por sua vez, deve ser garantido com linhas de ônibus especiais até o metrô Itaquera, segundo Alberto Lauletta, assessor da Secretaria de Desenvolvimento Urbano da prefeitura de São Paulo. Os dois projetos estaduais de ligação ferroviária com o aeroporto de Guarulhos - o Expresso Aeroporto e o Trem de Guarulhos - estão parados aguardando o resultado da licitação do Trem de Alta Velocidade Rio-São Paulo, obra do governo federal.  Apesar dos atrasos nas obras para a Copa, Marcos Túlio de Melo, presidente do Confea, se diz otimista sobre o alcance dos resultados. "Tenho certeza de que vamos conseguir cumprir os prazos", diz.  A Copa do Mundo de 2014 deve gerar um impacto econômico direto no Produto Interno Bruto (PIB) do país de R$ 47 bilhões, de acordo com previsão do Ministério do Esporte. A arrecadação de tributos relacionados as atividades do evento esportivo é estimada em R$ 16,8 bilhões até 2014. A geração de empregos permanentes impulsionada pelo evento no período de 2009 a 2014 deve ser de 332 mil vagas. Também é prevista a geração de 381 mil empregos temporários apenas em 2014.
Sky recorre à Justiça para oferecer banda larga sem fio
Estadão 21.06.2011 - A Sky entrou na Justiça contra a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para poder ofertar banda larga sem fio. A empresa ingressou com uma ação, com pedido de liminar, na Justiça Federal de Brasília, para que a Anatel tome uma decisão sobre a questão, pois há seis meses a companhia entrou com pedido para prestar serviço na faixa de 2,5 GHz, sem sucesso. A Sky também quer pagar apenas R$ 9 mil para ter direito à autorização para prestar o serviço. O juiz da 21ª Vara Federal de Brasília, Hamilton de Sá Dantas, já solicitou informações ao órgão regulador sobre a questão. Procurada pela Agência Estado, a Anatel informou que se manifestará oportunamente no curso do processo. A Sky não quis se manifestar. A empresa controla a TV Filme, umas das principais operadoras de TV por assinatura via MMDS (micro-ondas). Os serviços são prestados em cidades como Brasília, Goiânia, Belém e Belo Horizonte. Em entrevista à Agência Estado em 27 de maio, o presidente da Sky, Luiz Eduardo Baptista, disse que entrou com pedido de licença para ofertar o serviço na faixa de 2,5 GHz via MMDS (micro-ondas) junto ao órgão regulador há seis meses, sem sucesso. Na ocasião, o executivo afirmou que o maior problema era a burocracia. "Falam que eu preciso da licença. E agora dizem que não podem expedir a licença antes da definição de preço. Não liberaram a licença de cabo por R$ 9 mil? Por que não fazem a mesma coisa com o MMDS?", criticou. Baptista questionou até a cobrança das licenças para os operadores de MMDS, lembrando que há um ano a Anatel decidiu destinar 140 MHz dos 190 MHz disponíveis para as operadoras de celular implantarem a tecnologia de quarta geração daqui a alguns anos. "Eu já perdi 140 MHz. A gente tinha era que receber. Acho que isso vai acabar mal: na Justiça", disse. Essa indefinição, na visão de Baptista, está cerceando o acesso à internet rápida no Brasil, onde a demanda é maior que a oferta. "Estamos dispostos a ofertar banda larga para ontem. Posso cobrir áreas de 100 mil habitantes em 90 dias. Além disso, temos um projeto de cobrir o Plano Piloto de Brasília em seis meses. Há um ano mostramos para a Anatel que é economicamente viável, e nada", ressaltou. A pauta do Conselho Diretor da Anatel de hoje continha a proposta da Superintendência de Serviços Privados da agência para autorizar as atuais prestadoras de MMDS a explorarem adicionalmente o Serviço de Comunicação Multimídia (SCM), que permite a oferta de banda larga, mas não houve decisão sobre a questão. O processo retornou para a área técnica para definição do preço.
 
Hotel de 3 estrelas deverá ter internet e TV a cabo em quartos
Folha 21.06.2011 - Todos os hotéis que têm de três a cinco estrelas deverão, obrigatoriamente, oferecer acesso à internet nos quartos. Esses hotéis também terão de oferecer TV a cabo em todos os quartos para os hóspedes. A determinação faz parte do SBClass (Sistema Brasileiro de Classificação de Meios e Hospedagem), publicado hoje no "Diário Oficial da União" por meio de portaria no Ministério do Turismo e que entra em vigor em 30 dias.
Além disso, os hotéis deverão adotar medidas permanentes de redução de consumo de energia e água e fazer coleta seletiva. Segundo Ricardo Moesch, diretor do Departamento de Estruturação, Articulação e Ordenamento do Ministério do Turismo, o modelo sustentável era considerado "incipiente". Agora, todos os estabelecimentos devem ter preocupação com o meio ambiente --seja o hotel de uma estrela ou de cinco estrelas. Categorias: A portaria reestruturou a forma como era a feita a classificação de hotéis no Brasil. "Todos os estabelecimentos eram 'hotéis'. Agora, são divididos em sete matrizes diferentes: hotel, resort, hotel fazenda, cama e café, hotel histórico, pousada e flat/apart. Um hotel cinco estrelas, por exemplo, não terá as mesmas exigências de um resort cinco estrelas", afirma Moesch. A mudança ocorreu em relação às exigências de cada categoria. "Os critérios a ser cumpridos variam entre cem e 200, sendo que 70% são obrigatórios", diz o diretor. O tamanho das dependências e os serviços oferecidos são fatores determinantes. Para usar a classificação de "estrelas" o estabelecimento deve fazer cadastro no Ministério do Turismo e renová-lo a cada três anos. O cadastramento não é obrigatório, mas necessário para os hotéis do SBClass. Premissas importantes: Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação, afirma que os donos de hotéis estão satisfeitos com a nova legislação, pois regulamenta três premissas consideradas importantes: a não obrigatoriedade do cadastro, a contratação de hotéis pelo governo sem necessidade de licitação e a concessão de crédito sem cadastramento no ministério. "Respeitados esses fatores, a portaria traz modernidade. Atende ao empresariado e ao consumidor." Segundo Sampaio, os critérios exigidos pelo SBClass são viáveis. "Grande parte das exigências já são realidade no setor hoteleiro, como a disponibilidade de internet nos quartos", afirma. O Brasil não segue nenhum padrão internacional de classificação, pois não existe um sistema unificado. Para elaborar o SBClass, foram feitos estudos em 24 países e parceria com o Inmetro. O Ministério do Turismo disponibilizou uma cartilha com mais informações sobre a nova classificação para hotéis.
 
Reserva da Kroton
Valor 22.06.2011 - A Kroton, dona do sistema de ensino Pitágoras, também dá largada hoje ao período de reserva para quem quiser comprar suas units (cesta com uma ação ordinária e seis preferenciais). O prazo acaba no dia 28. Ontem, ações da companhia fecharam em alta de 2,6%, cotadas a R$ 20.
 
Onde a BlackRock enxerga oportunidades no Brasil
Exame 21.06.2011 - Maior gestora de recursos do mundo fez uma série de investimentos em companhias brasileiras nos primeiros meses do ano. A BlackRock, maior gestora de fundos de investimentos do mundo, tem no Brasil a maior parte dos seus ativos alocados dentro da América Latina e não para de fazer investimentos. Anúncios de aumento de participação em diversas companhias foram recorrentes nos primeiros seis meses do ano. O destaque fica com setores, como o de construção civil, financeiro e companhias ligadas ao setor de commodities. São esses os setores também preferidos por Will Landers, gestor da BlackRock, que administra cerca de 11 bilhões em investimentos na América Latina. “Dos ativos que temos na América Latina, mais de 70% estão no Brasil”, disse Landers em entrevista a EXAME.com.
Nomes como ItaúUnibanco, Bradesco, Petrobras, Vale e PDG estão entre as maiores apostas do investidor. “Não acredito em bolha no mercado financeiro e no setor de construção civil, a demanda ainda vai continuar forte, sustentada, principalmente, pelo aumento de renda e oferta de empregos”, disse. Para Landers, a indicação de Murilo Ferreira para presidir a Vale foi positiva, principalmente porque a companhia poderá fazer investimentos em novos projetos. “Já a Petrobras perdeu um pouco brilho no ano passado, mas continua sendo a terceira maior dentro dos ativos brasileiros da Blackrock”, afirmou o gestor. O último passo anunciado da BlackRock, no Brasil, foi o aumento de participação na Gafisa, que passou a ser de 5,1%, de acordo com comunicado da própria construtora, divulgado no início do mês de junho. Além da Gafisa, a BlackRock elevou participação  também  na Embraer, ItaúUnibanco, Totvs, Rossi e Bradespar neste ano. De acordo com André Turquetto, diretor da BlackRock na América Latina e Região Ibérica, a meta é continuar crescendo em volume. Atualmente, na América Latina, Landers tem participação em 60 empresas, dessas 38 são companhias brasileiras. Comprar controle de companhias, no entanto, como faz o Grupo Carlyle, está totalmente fora dos planos da Blackrock no Brasil e em qualquer outro lugar do mundo. “Não tem objetivo de alterar o controle acionário ou a estrutura administrativa das empresas. Compramos ações para compor o portfólio, de acordo com o potencial de cada papel”, disse Turquetto. Panorama: A BlackRock administra 3,6 trilhões de dólares em ativos no mundo. A américa Latina, desse montante, representa 2,5%. Apesar do dólar desvalorizado, o país é ainda assim um dos mais baratos para se investir na América Latina. Isso porque, o Brasil tem a menor inflação na comparação com os demais países latinos. Hoje, no Brasil, a BlackRock oferece apenas fundos de gestão passiva, os chamados iShares - fundos atrelados a índices e cujas cotas são negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo.
Ordem judicial bloqueia dividendos da Eucatex
Valor 21.06.2011 - A Eucatex informou que uma ordem judicial determinou o bloqueio dos juros sobre capital e dividendos que a empresa pretendia distribuir ontem. Os valores chegaram a ser depositados pela empresa, mas não foram distribuídos aos acionistas em função de um ofício recebido pela BM&FBovespa. A Eucatex não deu maiores detalhes sobre o processo deorigem da ordem judicial. “A companhia esta avaliando as medidas legais a serem adotadas, de modo a liberar o pagamento dos juros sobre o capital próprio aos seus acionistas no menor prazo possível”, declarou a empresa em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
 
Vale desvia para Itália supernavio que ia para China
Folha/Reuters 22.06.2011 - A Vale alterou para Taranto, na Itália, o destino do seu supernavio mineraleiro -o maior do mundo. Ele partiu do Brasil para a China em 24 de maio, levando 391 mil toneladas de minério de ferro. "Essa alteração faz parte da flexibilidade da política de logística integrada que permite realocar o destino das exportações, conforme necessidade de mercado, otimizando a frota de navios e o atendimento da base de clientes", disse a Vale em um comunicado. A companhia informou ainda que está em construção o supernavio Vale China.
 
ArcelorMittal vê aumento na demanda por aço
Folha/Reuters 22.06.2011 -  O presidente executivo da ArcelorMittal, Lakshmi Mittal, afirmou esperar que as encomendas feitas à maior siderúrgica do mundo aumentem até o fim do terceiro trimestre deste ano. "Não esperamos uma queda sazonal tão forte como a que vimos no ano passado", disse Mittal durante discurso em uma conferência do setor. "Acreditamos que, ante os relativamente baixos estoques e o aumento da demanda, as encomendas devem ser retomadas à medida que nos aproximamos do fim do terceiro trimestre", afirmou.
A demanda do setor de construção nas economias desenvolvidas permanece fraca, mas a demanda na China deve crescer 7% neste ano, disse. A alta dos preços, segundo ele, permanece entre as ameaças.
 
Vulcabras não descarta fabricar tênis indiano para disputar com chinês
Valor 22.06.2011 - A Vulcabras começa em agosto a produzir uma parte de seus tênis Olympikus na cidade indiana de Chennai. Segundo o presidente da empresa, Milton Cardoso, depois de quatro anos, a fábrica pode partir da produção do chamado cabedal, parte de cima do sapato, para o calçado inteiro.  A decisão de comprar uma fábrica na Índia, anunciada em abril, foi uma reação à concorrência dos produtos chineses. “Para ser competitivo, não há alternativa senão produzir em mercados com custo semelhante”, afirma Cardoso, que emprega 38 mil pessoas atualmente no Brasil. “O negócio vai se tornando inviável”, diz. O presidente da empresa afirma que, além da mão de obra mais barata, a Índia oferece juros mais baixos para financiamentos e equipamentos mais baratos. Ele conta que pagou, na Índia, US$ 21 mil por uma máquina que produz relevos no cabedal e custa R$ 82 mil no Brasil. Com a linha de produção indiana, mesmo que inicialmente focada apenas nos cabedais, a Vulcabras espera recuperar sua rentabilidade. Segundo Cardoso, a empresa apresentou em 2010 um resultado quase nulo pela primeira vez em 11 anos. A companhia também já estuda o mercado indiano, para vender futuramente à população local as marcas Olympikus, Azaleia e Dijean. “Por enquanto é só uma ideia, ainda não há um plano”, afirma o presidente. Cardoso, que também chefia a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), considera que mantidas as atuais condições, assim como a Vulcabras, muitas empresas devem transferir suas produções para outros países em 4 anos, cortando empregos no Brasil.
 
Indústria de calçados brasileira perde 3.417 empregos em maio
Valor 22.06.2011 - Maio é tradicionalmente o mês em que a indústria de calçados prepara-se para atender à demanda do verão, já que 60% das vendas do ano concentram-se no segundo semestre. Neste ano, entretanto, o saldo de empregos do setor ficou negativo no mês. Maio registrou 3.417 demissões a mais do que contratações. O dado contrasta com o de maio do ano passado, em que a indústria gerou 1.540 novas vagas. No acumulado de 2011, o saldo continua positivo, em 17 mil novos postos, mas é bastante inferior à geração de empregos de janeiro a maio de 2010, de 44 mil vagas. Hoje, a produção de calçados emprega 364 mil pessoas no Brasil. A Associação Brasileira de Indústrias de Calçados (Abicalçados) culpa a entrada de produtos chineses pela perda de empregos no país. Desde março do ano passado, depois de um processo antidumping, os calçados da China passaram a ter o ingresso taxado no Brasil.  Os fabricantes, entretanto, afirmam que a indústria chinesa dribla a norma por meio de triangulação. Segundo a denúncia, a China envia a sola e cabedal (parte de cima do sapato) para serem montados em outras regiões e no Brasil ou simplesmente modificam o país de origem na etiqueta. A triangulação, segundo os dados da Abicalçados, é feita por meio de outros países asiáticos. De janeiro a maio de 2011, na comparação com o mesmo período de 2010, a importação de calçados da China cresceu apenas 2% em valor, enquanto o ingresso de produtos da Indonésia cresceu 125%; do Vietnã, 46% e de Hong Kong, que a associação afirma não ter fábrica de sapatos, avançou 207%.  Até o ano passado, segundo a Abicalçados, a triangulação concentrava-se em calçados esportivos e infantis. Desde o início do ano, entretanto, o setor percebe uma extensão para sapatos femininos, principalmente, botas.
No total, as importações de calçados foram de janeiro a maio deste ano 47% superiores às do mesmo período de 2010. “A economia europeia piora com a Grécia, os EUA não geram emprego e o Brasil sobra como a bola da vez para desovar os estoques que sobraram no mundo”, considera o presidente da Abicalçados, Milton Cardoso. Com base no argumento da triangulação, a Abicalçados abriu um processo no Departamento de Defesa Comercial (Decom) em janeiro. A associação foi informada, entretanto, de que ainda não foi possível iniciar a investigação porque o Ministério da Fazenda não liberou dados de importação. “Até agora não estamos vendo sinais concretos de que o governo vai reagir”, lamenta Cardoso, acrescentando que há sinais claros que haverá mais um saldo negativo de empregos em junho. “Muitas fábricas já estão concedendo férias antecipadas e licenças a seus funcionários”.
 
Aneel mantém multa de R$ 3,1 mi à CTEEP por blecaute
Estadão 21.06.2011 - A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) manteve hoje multa no valor de R$ 3,1 milhões à Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP), referente ao blecaute ocorrido em 10 de novembro de 2009, quando houve interrupção de 24.436 megawatts (MW) do sistema elétrico das regiões Sul e Sudeste e que atingiu 18 Estados. A transmissora foi autuada por falhas de operação que provocaram demora na recomposição do sistema. O último recurso a ser analisado pela Aneel sobre o blecaute será o do Operador Nacional do Sistema (ONS), autuado em R$ 1,3 milhão. Outros cinco agentes já foram punidos por suas participações no incidente, segundo a Aneel.
UBS sofre com perda de altos executivos
Valor 22.06.2011 - Executivos que seguem no UBS, como Kengeter, tentam tranquilizar equipe. Um dos mais destacados negociadores do UBS na Europa bandeou para uma concorrente menor, reeditando especulações de que o banco de investimento suíço estaria sofrendo de uma crise de autoconfiança. Liam Beere, codiretor mundial do UBS de fusões e aquisições, deixou a empresa para ingressar na sucursal londrina da assessoria independente Moelis, na mais recente de uma série de baixas de membros do alto escalão do banco suíço.
Embora a maior parte das deserções de pessoal mais rumorosas tenha vindo da subsidiária americana do UBS, a decisão de Beere de ir trabalhar numa empresa menor, do tipo butique, vai intensificar as dúvidas sobre a possível estagnação da recuperação do grupo suíço na área de banco de investimentos. Desde seu quase colapso no auge da crise financeira, o UBS conseguiu deter a deterioração em algumas de suas divisões mais violentamente atingidas, entre as quais a de renda fixa, que foi obrigada a contabilizar como perda US$ 50 bilhões em papéis podres. No entanto, as recentes saídas de executivos das divisões de assessoria em fusões e aquisições e de títulos e mercado de capitais do UBS - inclusive a de 15 altos dirigentes nos EUA - tiraram o moral dos funcionários de ambos os lados do Atlântico, reconhecem executivos de alto nível. O UBS resvalou para o 13º lugar na Europa, e para 10º lugar nos EUA em fusões e aquisições até esta altura do ano, segundo a Dealogic.
Os dirigentes que deixaram o banco dizem que o UBS ainda está pagando bônus de valor inferior ao do mercado, depois de 2008 e 2009, quando um grande número de executivos embolsou contracheques significativamente menores, num momento em que o grupo enfrentava dificuldades para sobreviver. Altos executivos como Carsten Kengeter, o diretor do banco de investimento, tentaram sinalizar aos funcionários, nas últimas semanas, que o grupo está empenhado em se manter competitivo em salários, principalmente em mercados em que o UBS enfrenta concorrentes por executivos comprovadamente milagreiros. A saída de Beere, que trabalhou no UBS por 19 anos, ocorre menos de um mês após Cary Kochman, outro codiretor mundial do UBS para fusões e aquisições, ter deixado a empresa em favor do Citigroup. Beere começará na Moelis como diretor-executivo, responsável por levar à frente as operações da empresa na Europa, disse Mark Aedy, o diretor da empresa para a área de banco de investimento para Europa, Oriente Médio e África. Fundada quatro anos atrás pelo famoso ex-dirigente do UBS Ken Moelis, a Moelis se tornou mais conhecida por seus dotes em reestruturação nos últimos anos, na medida em que empresas assoladas pela crise reconstituíram seus balanços patrimoniais.
 
Fábricas da China começam agora a exportar inflação
Valor 22.06.2011 - Durante mais de uma década a partir do início dos anos 90, a inflação dos Estados Unidos caiu enquanto trabalhadores baratos da China e outros países em desenvolvimento entravam na economia mundial e produziam uma avalanche de produtos baratos que tomou conta dos EUA. A tendência fez o consumidor americano achar que melhorou de vida, pois ela restringiu a alta dos preços ao consumidor e permitiu que o Federal Reserve, o banco central americano, impulsionasse a economia com juros baixos. Agora parece que essa era acabou. O preço dos produtos importados está subindo e se tornando uma fonte de pressão inflacionária. Uma variedade ampla de produtos comuns feitos no exterior, de sapatos a autopeças, tem chegado aos portos americanos com preço um pouco mais salgado. Os preços de importados nos EUA, sem contar o petróleo, subiram 8% nos últimos dois anos, uma mudança histórica em relação ao declínio das duas últimas décadas.
A nova tendência é parte de uma mudança maior que está transformando a economia americana e seu lugar no mundo, com os benefícios e desvantagens correspondentes. O câmbio tem seu papel. Há muito que Washington pressiona a China a deixar o yuan se valorizar e incentivar o consumo interno, duas coisas que o país tem feito até certo ponto. O yuan subiu 28% em relação ao dólar em seis anos. O dólar fraco ajuda os exportadores americanos, mas o yuan forte e o custo maior na China causado pela demanda interna acabam pressionando o preço das coisas que os consumidores americanos querem.
Essas mudanças são especialmente evidentes no vestuário e nos calçados. Os preços do vestuário para o consumidor dos EUA caíram em 13 dos últimos 17 anos, segundo dados do Departamento do Trabalho. Agora varejistas e fabricantes alertam que planejam aumentar o preço de tênis Nike, cuecas Hanes, roupas da Abercrombie & Fitch e da Polo, botas Ugg e outros produtos quando as coleções de outono chegarem às prateleiras. O principal fator é que o algodão subiu muito, impulsionado, em parte, pela demanda das economias em desenvolvimento. O custo maior da mão de obra nas fábricas chinesas, a alta do custo do transporte e a valorização do yuan também estão pressionando fabricantes e varejistas a reajustar os preços. O preço do vestuário nos EUA subiu 1% nos 12 meses encerrados em maio. A Associação Americana de Vestuário & Calçados calcula que o preço de seus produtos vai subir de 4% a 6% no segundo semestre frente a um ano antes. "Acabou a era de assistir ao preço de nossos produtos cair em relação a outros produtos do varejo", disse o presidente da associação, Kevin Burke. Assim, o custo do vestuário e de outros produtos importados, em vez de ajudar o Fed a controlar a inflação, como no passado, pode restringir a ação do banco central enquanto ele busca maneiras de impulsionar a lenta recuperação da economia americana depois da bolha. Os chineses fornecem 78% dos calçados importados para os EUA; 71% das gravatas; 55% das luvas; cerca de 50% dos vestidos e roupas de bebê; e 90% das sandálias, segundo dados do Departamento do Comércio dos EUA. Num contraste com as décadas em que a migração de trabalhadores chineses do campo para as cidades diminuiu o custo da mão de obra, os trabalhadores do país querem agora salários maiores e empregos melhores. Eles também estão se tornando um exército de consumidores cujas compras pressionam os preços mundialmente. "Agora posso comprar até as coisas mais caras", diz Shi Yuhan, uma gerente de telecomunicação de 29 anos no escritório da International Business Machines Corp. em Pequim, onde ganha mais de US$ 4.600 mensais. Shi vai às lojas mais caras da cidade quase todas as semanas, gastando US$ 150 ou mais a cada vez. Suas novas aquisições incluem vestidos da espanhola Zara, uma capa Burberry e tênis Adidas com seu nome inglês, Rebecca, gravado. Shi diz que negociou recentemente um aumento de 30% quando um rival tentou contratá-la, e sua renda é hoje o dobro do que era quatro anos atrás.
Peter McGrath, um consultor americano para grandes empresas, diz que a demanda chinesa está moldando a dinâmica mundial dos preços. Ele faz parte do conselho de administração da Xiniya Fashions, uma varejista chinesa com 1.400 lojas. Ele diz que os consumidores chineses pagam até US$ 25 por camisas polo na Xiniya, em comparação com US$ 15 para as mesmas camisas nos EUA. Mesmo com os incentivos fiscais que os fabricantes chineses recebem por exportar, os US$ 25 fazem com que eles fiquem menos dispostos a aceitar os cortes de preços que costumavam ser comuns em seus negócios, diz McGrath. "Eles podem ganhar mais dinheiro vendendo no mercado chinês." A Jiangxi Creator Knitwear Garments Co., na província do sul central de Jiangxi, tem 150 empregados que trabalham turnos de dez horas fabricando roupa de baixo e camisetas para a marca americana Fruit of the Loom, entre outras. Ela paga hoje a cada trabalhador o dobro - algo como US$ 309 por mês - de quatro anos atrás e consegue repassar cerca de metade do aumento do custo aos compradores estrangeiros, diz o gerente da fábrica, Li Jingjian. Ele diz que tem de aumentar os salários porque tem dificuldade em manter os trabalhadores em meio à crescente escassez de mão de obra nas fábricas chinesas. Cada vez mais jovens chineses estão desprezando o trabalho de fábrica, buscando empregos de escritório que requerem menos esforço manual e trabalho em indústrias que pagam melhor, como a eletrônica. Outro fator é a política de um filho da China. "Ninguém quer que seu único filho trabalhe numa fábrica", diz Li. O mercado de trabalho chinês pode ficar ainda mais difícil nos próximos anos por causa da demografia. Os chineses com menos de 14 anos eram 23% da população uma década atrás, mas agora são apenas 16,6%, o que quer dizer que a parcela da população que entra na força de trabalho está encolhendo.


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