quinta-feira, 16 de junho de 2011

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Daily News

Lupatech vai renegociar dívida pela terceira vez

Valo 16.06.2011 - Pela terceira vez em dois anos, a Lupatech está chamando seus credores para renegociar suas dívidas. O principal interlocutor será o BNDES, que carrega 90% das debêntures conversíveis da companhia, que totalizam R$ 320 milhões e foram emitidas em 2009. Como o banco também tem 11,4% das ações da Lupatech, os analistas consideram que a renegociação será aprovada sem maiores problemas. Como das outras duas vezes, a companhia provavelmente terá que pagar um prêmio ao BNDES e demais credores por ter rompido limites de endividamento. A assembleia de debenturistas foi marcada para o dia 30.  Procurado, o BNDES não quis comentar as negociações. A Lupatech também preferiu não dar detalhes, dizendo apenas que o acerto não ensejará a conversão de debêntures em ações.

Ao fim de junho, a relação entre a dívida líquida da companhia e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) deve superar a marca limite de sete vezes estabelecida na escritura das debêntures. Para evitar o vencimento antecipados dos títulos, que se não forem convertidos em ações vencem só em 2018, a companhia paga um prêmio ao credores. Na opinião de Filippe Goossens, analista da agência de classificação de risco Moody's, a estrutura de capital da Lupatech não é sustentável e é importante que a administração tome uma atitude no período de três a seis meses a frente. "Baseado no fluxo de caixa previsto para os próximos 12 meses e na necessidade de capital de giro, a liquidez ficará muito apertada", diz ele, ressaltando que a flexibilidade financeira estará fraca em caso de piora do quadro macroeconômico, ou de eventuais cancelamentos de pedidos ou atraso de pagamentos, por exemplo. Na bolsa, esse cenário de liquidez apertada se traduziu na cotação mínima histórica atingida pelas ações da empresa no dia 19 de maio, a R$ 9,20. Desde então, as ações tiveram alta de quase 23%, mas ainda acumulam baixa de 53% no período de 12 meses. Segundo Alexandre Monteiro, vice-presidente de finanças e diretor de relações com investidores da Lupatech, providências estão sendo tomadas. A principal delas é a alienação de ativos não essenciais para a companhia, que devem render entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões nos próximos seis meses.  "Temos bancos mandatados para fazer dois processos de venda", afirma o executivo, que credita sua chegada à companhia, há 45 dias, como parte das mudanças que estão em curso. Monteiro destaca ainda um plano de maximizar as sinergias de negócios que foram comprados em 2007. "Houve uma série de aquisições que não foram totalmente integradas", diz ele, sem informar quanto pretende economizar com essas ações.

Além da venda de ativos e de corte de custos, Goossens, da Moody's, cita a possibilidade de mudança na estrutura de capital, com objetivo de melhorar o perfil de crédito da companhia. Uma alternativa, diz ele, seria a conversão de parte das debêntures do BNDES em ações.

O fato de 85% da dívida da empresa ser de longo prazo não é suficiente para dar tranquilidade financeira para a companhia, destaca o analista da agência. "A empresa precisa pagar cupom de juros nas debêntures e nos bônus perpétuos", ressalta. Passando com sucesso por esta fase de aperto de caixa, Goossens acredita que a Lupatech tem boas perspectivas de longo prazo. "É uma empresa que pode ter um papel importante no desenvolvimento da produção de óleo e gás no Brasil", diz ele. Piero Parolin, Reginaldo Takara e Paula Martins, analistas da agência de classificação de risco Standard & Poor's, têm uma visão mais otimista sobre a companhia. No cenário deles, a empresa deve conseguir transformar parte de sua carteira de pedidos, que hoje é de R$ 2,6 bilhões, em receita e assim diluir o custo fixo e gerar mais caixa com a operação. "Isso acarreta risco, porque a empresa terá que empregar capital de giro antes de conseguir [a geração de caixa]. Mas, em princípio, isso está sendo bem conduzido", afirma Parolin, ao citar as linhas de crédito que têm sido usadas pela Lupatech e que têm base em recebíveis que serão pagos pela Petrobras, principal cliente da empresa. Segundo Artur Delorme, analista de ações da Ativa Corretora, o discurso da companhia sobre as perspectivas já melhorou. "Mas ela só vai [melhorar o desempenho] em bolsa quando apresentar os resultados", afirma ele. Segundo o executivo da Lupatech, a carteira de pedidos deve garantir resultados paulatinamente melhores até 2013.



Grupo São Cristóvão

Folha 16.06.2011 - O grupo São Cristóvão investiu R$ 42 milhões na ampliação e na melhoria da infraestrutura do hospital e da maternidade de mesmo nome, localizados na zona leste de São Paulo. O valor inclui a reformulação da cozinha, a compra de 50 leitos e a construção de um pronto-socorro infantil, inaugurado em dezembro de 2010, e de um prédio de dois andares que abrigará alas para reabilitação e prevenção dos pacientes. "Tivemos que aumentar a nossa capacidade de atendimento, pois, nos últimos dois anos, o número de pacientes associados passou de 41 mil para 63 mil", afirma o presidente do grupo, Valdir Ventura. Até o final do ano, o hospital também vai abrir um memorial com documentos e imagens sobre os seus cem anos de história, que serão completados em dezembro.



Cade adia julgamento e BRF ganha prazo para tentar acordo

Valor 16.06.2011 - Conselheiro Ricardo Ruiz, que pediu vista para avaliar voto do relator e está com o processo em seu gabinete. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) adiou o julgamento da compra da Sadia pela Perdigão e, com isso, as empresas terão mais tempo para negociar uma proposta que evite o veto à criação da BRF- Brasil Foods.  O caso deverá retomado na sessão de 13 de julho. Portanto, a BRF terá um mês para chegar a um termo nas negociações. A próxima sessão do órgão antitruste acontece no dia 29, mas o conselheiro Olavo Chinaglia estará representando o Cade, em reunião na OCDE, em Paris. Sem ele, não há quórum para o julgamento.  "A empresa está de coração aberto, preparada para essa discussão", afirmou Wilson Mello, vice-presidente de Assuntos Corporativos da BRF. Segundo ele, esse prazo permite que os quatro conselheiros que ainda não votaram (Chinaglia, Alessandro Octaviani, Marcos Paulo Veríssimo e Ricardo Ruiz) conheçam melhor o caso. Até aqui, houve apenas um voto, proferido na semana passada pelo relator do caso, conselheiro Carlos Ragazzo, e ele foi pela reprovação da compra da Sadia. Após o voto de Ragazzo, Ruiz pediu vista e está com o processo em seu gabinete.  Ao ser questionado se o objetivo das negociações seria o de evitar que a BRF tenha que entrar na Justiça contra um eventual veto do Cade, Mello respondeu: "Com certeza". Ele evitou qualquer especulação em torno de um possível acordo com os quatro conselheiros, o que envolveria a venda de fábricas e de marcas. Disse apenas que vai trabalhar para o consenso. "O adiamento é bom", completou o advogado Paulo de Tarso Ribeiro, que defende a BRF. "A disposição da empresa sempre foi a de negociar. É algo que vem em benefício do consumidor e da sociedade brasileira." Em nota, a BRF afirmou que: "O empenho para uma solução negociada é um importante sinal de maturidade institucional do órgão antitruste e também do setor privado nacional. A empresa mantém-se à disposição do Cade e acredita numa análise justa e imparcial do caso". Da parte do Cade, as negociações vão ser feitas por Ruiz junto com os demais conselheiros que ainda não votaram. O órgão antitruste tem uma comissão específica para negociações, mas ela só atua nos casos de denúncias de condutas anticoncorrenciais de empresas, como cartéis. A comissão não participa de processos de fusões e aquisições. Não obstante, o Cade tem feito grandes negociações nesses casos.  Atualmente, está em processo de acordo a compra pela Shell do negócio de querosene de aviação da Cosan. Em dezembro, o órgão antitruste determinou a venda dessa parte da Cosan, após verificar que existem apenas três grandes empresas que atuam no abastecimento de aeronaves: a Shell, a Cosan e a BR Distribuidora. Agora, os conselheiros estão debatendo alternativas ao veto da união Cosan-Shell. Dependendo da proposta, o veto pode ser mantido ou não. O Cade também está negociando o veto à compra da Cimentos Tupi pela Polimix. O órgão antitruste vetou o negócio, em outubro, após concluir que a Votorantim, que detém 25% da Polimix, fez várias aquisições de participações minoritárias no setor de cimento, o que poderia prejudicar concorrentes. Agora, representantes das empresas estão discutindo alternativas com os conselheiros.  Relator do caso Sadia-Perdigão, Ragazzo participou de várias negociações, como a compra do Mate Leão pela Coca-Cola. Naquele caso, a Coca abriu mão da Nestea para ficar com o Mate Leão. Ele também negociou a compra de participações da TIM pela Telefônica. Ao fim, o Cade concordou com separações entre as empresas para que elas operassem de maneira independente, uma sem acesso a informações sigilosas da outra. No caso das garrafas de 630 ml da Ambev, houve a negociação para que fossem retiradas do mercado e a companhia não sofreu multa. Ragazzo também negociou o pagamento de R$ 100 milhões pela Whirlpool, em troca do fim do processo em que a empresa foi acusada de cartel. Uma das questões que poderão ser debatidas nas negociações com a BRF é a possibilidade de aumento nos preços. O Cade verificou que os preços médios do quilo de presunto em 2008, quando houve a união Sadia-Perdigão, eram de R$ 11 por parte dessas empresas e de R$ 9 para as concorrentes. Hoje, segundo os cálculos do Cade, o quilo estaria em R$ 19 no caso da Sadia-Perdigão e R$ 12 na concorrência. Representantes das empresas devem apresentar cálculos para contestar essa possibilidade de elevações de preços.  Ontem, a Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados aprovou a realização de uma audiência pública sobre o caso Sadia-Perdigão. "Uma operação dessa envergadura e tamanha concentração de mercado traz questionamentos absolutamente pertinentes sobre as suas implicações sociais", afirmaram os deputados Ivan Valente (PSOL-SP) e José Antonio Reguffe (PDT-DF), autores do requerimento. Eles querem chamar representantes do Cade e da BRF para discutir os impactos da Sadia-Perdigão sobre os preços e a oferta de produtos. A audiência deverá ocorrer na semana que vem.



Com mate, PepsiCo planeja retomar a liderança do mercado de chás

Valor 16.06.2011 - PepsiCo e Coca-Cola sempre brigaram na área de refrigerantes. A disputa, agora, também se estende ao segmento de chás prontos. A Lipton, a marca da PepsiCo em parceria com a Unilever, está fazendo seu maior investindo na marca para recuperar a liderança de venda no Brasil, perdida desde 2003. "Lipton é a marca líder de chás prontos para beber no mundo e não vai aceitar ser menos no Brasil", diz Luciana Fortuna, diretora de marketing da PepsiCo Bebidas Brasil.  A Lipton é a terceira colocada no mercado de chás prontos para beber, que movimentou no ano passado 64,5 milhões de litros - 9,1% mais que em 2009, segundo a Nielsen. De janeiro a abril deste ano, as vendas cresceram 12% em volume.  Nesse mercado, a marca da PepsiCo tem 13% de participação em volume, segundo dados da revista "Supermercado Moderno". Em primeiro está a Coca-Cola, dona da Leão Júnior, da marca Leão, com 35% de participação. A segunda colocada é a Nestlé, com 26% do mercado com a marca Nestea. A PepsiCo não revela o quanto está investindo na retomada de Lipton. "O que podemos dizer é que é uma soma expressiva, dentro do orçamento para investimentos de R$ 2,5 bilhões divulgados pela Ambev ", diz a diretora, se referindo à Companhia de Bebidas das Américas, que no Brasil produz e distribui os chás prontos Lipton.

Como parte da estratégia para retomar o mercado nacional, a empresa, que vende chás prontos no Brasil desde 1995, está lançando sua versão mate da bebida. "É a primeira vez que a Lipton desenvolve um produto para o mercado brasileiro", diz Luciana.  O sabor mate é metade do mercado de chás prontos no país, seguido do preto, com 30% e do verde, com 10%. Além do novo sabor, a empresa também está lançando os chás Lipton em embalagem acartonada. "Com novas embalagens, conseguimos atingir novas ocasiões de consumo", diz a diretora. "Além disso, agora teremos a embalagem que o brasileiro mais gosta", acrescenta ela, se referindo ao fato de que 33,2% do total de embalagens usadas pela indústria brasileira correspondem aos acartonados. A mesma embalagem também está sendo lançada agora pela Nestea, da Nestlé, e já era usada pela Wow Nutrition, dos chás Feel Good, e pela Leão, da Coca-Cola. A linha mais completa de chás do mercado é a da Leão", diz Renato Fukuhara, diretor de chás da Coca-Cola Brasil. "Incluindo embalagens e sabores diferentes, nossa linha tem mais de 100 itens", afirma ele, que encara com bom humor a iniciativa da concorrente. "A Leão está no mercado de chás prontos desde os anos 80 e no de chás há 110 anos. Sempre tivemos mate em nossa linha, já que a empresa começou usando essa erva, que é nativa do Brasil." Para Fukuhara, o crescimento de Leão este ano se dará por meio do Nordeste, dentre outras estratégias. "Estamos reforçando nossa distribuição no Nordeste, região na qual a indústria de chás como um todo ainda não chegou como deveria", diz ele. Foi por isso, segundo ele, que o Nordeste foi a única região do país onde o mercado de chá não cresceu em 2010. Segundo a Nielsen, em volume, as vendas naquela região encolheram 5,6%. Os chás prontos para beber, embora formem uma categoria antiga, ainda têm baixo consumo por habitante no Brasil. A média é de 0,8 litro ao ano por pessoa. Em Portugal, esse número chega a 21 litros por pessoa e nos Estados Unidos, a 12,9 litros. O segmento, entretanto, atrai a atenção de fabricantes de refrigerantes, como Coca e PepsiCo, pois sua taxa de crescimento é expressiva. Enquanto os refrigerantes tiveram um consumo em volume 6% maior em 2010, os chás chegaram a uma alta de 10% (0,9 ponto percentual acima do número apurado pela Nielsen), conforme a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas (Abir). Em volume, foram 117 milhões de litros. A previsão para este ano são de 176 milhões de litros, segundo a Euromonitor.



MP arquiva inquérito que apurava apoio do BNDES ao JBS

Valor 15.06.2011 - O Ministério Público Federal (MPF) determinou o arquivamento do inquérito civil público que apurava possíveis irregularidades na operação de aquisição de debêntures do frigorífico JBS pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A diretoria do banco de fomento aprovou, em 17 de maio, a proposta de aumento de capital do JBS, que significaria a capitalização das debêntures de primeira emissão da companhia, somando o total de R$ 3,479 bilhões. A BNDESPar, braço de investimentos do banco, é dono de 99,94% dos papéis em questão, o que equivale a R$ 3,477 bilhões. Uma vez completa a capitalização das debêntures, a participação da BNDESPar no JBS poderá saltar dos atuais 20,3% para 33,4%. O relatório do MPF, assinado pelo procurador da República Carlos Alberto Bermond Natal, ressalta que a operação realizada pelo BNDES “está de acordo com a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) estabelecida pelo governo federal, da qual o BNDES é uma das agências estatais coordenadoras, e que a situação financeira da JBS quando da subscrição pela BNDESPar não era falimentar”. O procurador cita ainda uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e diversas justificativas dadas, tanto pelo BNDES, quanto pela JBS. A companhia lembra inclusive, que o lucro antes de impostos subiu de R$ 152,7 milhões em 2009 para R$ 250,1 milhões nos seis primeiros meses de 2010. Procurado, o BNDES afirmou que não se manifestaria sobre a decisão do MPF. Desde 2007, o banco aprovou, para aplicação em investimentos, R$ 1,061 bilhão para a JBS. A companhia manifestou-se apenas através de nota, na qual informava a decisão do MPF.



Trabalhadores do Marfrig entram em greve por aumento de salário

Valor 15.06.2011 - Os trabalhadores da unidade I do frigorífico Marfrig de Promissão (SP) entraram em estado de greve na manhã desta quarta-feira após fracasso na rodada de negociações de aumento salarial realizada ontem. A proposta de adiantamento de reajuste por parte da empresa foi recusada pelos funcionários, que reivindicam acréscimo de 10% mais cesta básica de R$ 150. Os trabalhadores estariam impacientes com a demora do Sindicato das Indústrias do Frio no Estado São Paulo (Sindfrio) em definir uma posição. O Sindfrio está em negociação com a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação do Estado de São Paulo. A data-base para reajuste salarial da categoria é dia 1º de maio, mas as negociações começaram no dia 30. A presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação de Araçatuba, Dulce Ferreira, considera que os funcionários foram precipitados em entrar em greve após o fracasso na terceira rodada de conversas. Para ela, o momento é de "esfriar a cabeça" para voltar às negociações. "Quem sabe, em mais uma semana, conseguissem", disse. Dulce, porém, acredita que o ajuste pedido é legítimo, embora não veja disposição por parte do frigorífico em melhorar a proposta.  Em nota, a Marfrig alega que os requisitos de greve não foram preenchidos e "espera que os trabalhadores retomem o expediente normal amanhã." A empresa diz que, embora espere as negociações coletivas dos trabalhadores de alimentação do ramo frigorífico do Estado de São Paulo, ofereceu nesta manhã, após deflagrada a greve, uma antecipação do reajuste, entre outros benefícios.



Bazzar, do Rio, investe para ampliar linha de produtos com sua marca

Valor 16.06.2011 - Em 1998, Cristina Beltrão, pediu demissão do cargo de executiva de marketing da Navegação Aliança para abrir um restaurante junto com o marido, Andre Paraizo, então diretor financeiro da mesma companhia. A ideia era criar uma marca que pudesse posteriormente ser ampliada. "Era época do plano Collor, os importados começaram a entrar no país e o negócio de restaurante mais refinado começava a prosperar", conta André Paraizo, que permaneceu na empresa enquanto a rede não deslanchava. Cristina lançou no Rio a marca Bazzar. De lá para cá já são quatro restaurantes, três em parceria com os cafés na Livraria da Travessa, e uma linha de molhos e coberturas com 15 itens.  Hoje o grupo fatura R$ 180 mil ao mês em produtos próprios e R$ 1,4 milhão no restaurante, tendo apresentado um crescimento de 220% nos últimos três anos. O objetivo agora é ampliar o mix de produtos e fazer com que a indústria tenha um faturamento tão elevado como o restaurante. Para isso, a fábrica em São Cristóvão, Zona Norte do Rio, já foi mudada de galpão e ampliada, com um investimento total de R$ 4,3 milhões. "Desde o início sabíamos que não ficaríamos só nos restaurantes. A ideia foi criar uma linha 100% brasileira de produtos gourmet", conta Cristina Beltrão. "O restaurante serviu de laboratório para descobrir quais molhos vendiam mais, para termos certeza da demanda".  Há cinco anos, o Bazzar fechou uma parceria de exclusividade com os Supermercados Zona Sul. No resto do país, vende por meio da rede Pão de Açúcar e também está em empórios de São Paulo. Mas há ainda demanda de redes menores que fazem encomendas periódicas de Norte a Sul do país.  O novo passo agora é colocar a marca em produtos feitos por terceiros. O primeiro da linha foi o café especial 100% brasileiro e de origem controlada, que é produzido na Fazenda Cachoeira em São Sebastião da Grama. O próximo será uma linha de azeites. Enquanto isso, a fábrica continua a todo vapor. Serão pelo menos três novos molhos ainda neste semestre, uma linha de sopas e molhos para a salada no segundo semestre. Andre Paraizo diz que já foi assediado para vender os produtos no exterior, mas sob outras marcas. No entanto, prefere o momento certo de levar a marca própria para fora do Brasil. "Além disso, todo mundo lá fora está de olho no mercado brasileiro, porque nós vamos fazer o caminho inverso?".



Credenciadoras disputam grande varejo

Valor 16.06.2011 - Cassius Schymura, diretor da área de cartões do Banco Santander:"Para chegarmos à cota de mercado de 10% que almejamos até 2013, precisamos ter o volume das grandes cadeias" Em 1º de novembro, o grupo Tellerina, que reúne as lojas da joalheria Vivara e a de móveis e artigos para o lar Etna, virou a chave dos seus caixas para usar apenas uma rede de captura de cartões de crédito e débito. Depois de meses de conversas com as duas principais credenciadoras de estabelecimentos comerciais, a eleita foi a Cielo, que passou a ser responsável por todo o movimento das mais de 100 lojas do grupo. Nas negociações, o grupo conseguiu uma redução média de 11% a 13% na taxa descontada por transação, economia significativa para quem tem nos meios eletrônicos de pagamento 85% do faturamento anual, que roda na casa do R$ 1 bilhão. "Gastávamos com marketing um pouco mais do que o dobro do que pagávamos para as operadoras de cartões, havia uma discrepância grande de custos", diz o gerente financeiro do grupo Tellerina, Rodrigo Domingues.  A conexão com a Redecard ainda está nos terminais financeiros das lojas e o contrato assinado com a Cielo deixou uma porta de saída para qualquer uma das partes, sem um prazo. A intenção é rever as condições anualmente e, para tanto, Domingues diz que, após a as falhas na Redecard no Natal de 2009, monitora o nível de serviços prestados pela empresa em outras varejistas e que também topa conversar com novos participantes do setor.

Tal liberdade só se tornou possível graças à quebra da exclusividade da Cielo com a bandeira Visa, que completa um ano em 1º de julho. Antes, qualquer lojista que quisesse receber o pagamento dos seus clientes com cartões Visa era obrigado a contratar os serviços da Cielo e o mesmo valia para as unidades MasterCard, que só passavam nas máquinas da Redecard. A abertura, provocada por pressão do governo, possibilitou a entrada de novos competidores num setor de margens ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização), que ainda esbarram nos 60% (da receita). Além das redes de captura internacionais que já anunciaram a entrada no segmento, caso das americanas Elavon (com o Citi), Global Payments e First Data, Santander e Banrisul já estão atuando nessa área. O baixo uso dos cartões no consumo privado brasileiro (25%) e o crescimento a taxas anuais de 20% encorajam a incursão dos estreantes, num setor que deve movimentar este ano mais de R$ 600 bilhões. Grupos como o grupo Tellerina, de maior porte, passam agora a entrar no radar do Santander, que inicialmente havia declarado interesse em abordar apenas pequenas e médias empresas. O banco passou a combinar serviços bancários com captura de cartões, sob o suporte tecnológico da processadora gaúcha GetNet, no ano passado. Agora o banco quer entrar na disputa pelas grandes redes de varejo. A tecnologia, que antes era limitada à captura via POS, já está pronta para os terminais financeiros usados pelos varejistas de maior porte.

"É um processo natural no nosso plano de negócios", diz o diretor da divisão de cartões do Santander, Cassius Schymura. "Para chegarmos à cota de mercado de 10% que almejamos até 2013, precisamos ter o volume das grandes cadeias." Alguns varejistas tradicionais já começaram a testar a tecnologia da GetNet no segundo trimestre e a, partir do segundo semestre, o banco espera fechar seus primeiros contratos.  Apesar de a disputa entre Cielo e Redecard para defender fatias do mercado ter derrubado preços de maneira expressiva, Schymura acredita ter cacife para lutar pelo seu quinhão. "A gente negocia numa relação de banco, com clientes com quem já temos a folha de pagamento, a gestão do caixa. O foco é ganhar rentabilidade por aumentar o relacionamento como um todo, não é só a perna da captura das transações."  O executivo argumenta que, diferentemente das duas maiores credenciadoras, em que as renegociações já mostraram peso significativo nos resultados, o Santander tem condições de agir com mais flexibilidade, pois mesmo baixando a taxa descontada do varejo, pode acrescentar volumes que hoje não detém, além de fazer a oferta cruzada de crédito e outros serviços financeiros.  No embate por conquistar volumes entre os grandes nomes do varejo, o que se comenta no mercado é que a Redecard teria levado a melhor não só por ter cedido mais em preço, mas também por se valer das parcerias do controlador Itaú Unibanco com redes tradicionais. A Cielo teria ganho a preferência das companhias aéreas, mas também levou um rol considerável de contratos de preferência.

Depois de uma onda intensa de renegociação de contratos com os lojistas, o setor passa por um ciclo de repactuação mais brando, mas o jogo não acabou, reconhece o diretor-executivo de varejo, marketing e produtos da Redecard, Carlos Zanvettor. "O mercado ainda está se abrindo. À medida que esse ciclo avance, novas rodadas de negociação vão surgir, é um problema para nós e qualquer outro agente." O executivo considera que a briga pelos grandes varejistas será um tema revisitado com alguma frequência. "A taxa de desconto está hoje num nível mais estável, mas não dá para dizer se é sustentável no longo prazo. Quanto maior for a intensidade da abertura, mais provocação será observada." Rômulo Dias, presidente da Cielo, tem a percepção de que o mercado aberto atingiu certa maturidade, as renegociações agora estão num nível mais racional, mas a empresa vem fazendo ajustes para navegar nesse novo cenário que difere do conforto dos tempos de exclusividade com a Visa, bandeira de maior aceitação no país. A credenciadora refinou a segmentação por porte de lojista, reforçou o time comercial e vem investindo em programas de fidelidade e promoções que premiam o consumidor que exige a máquina da Cielo na hora da compra. O programa de fidelidade já vem sendo usado por 135 mil estabelecimentos. No Sul do país quem promete incomodar as grandes credenciadoras é o Banrisul, que, em parceria com a processadora CSU, está ampliando o número de estabelecimentos filiados - de 83 mil para 97 mil ativos desde julho - e cujas maquininhas já leem os cartões MasterCard.  O negócio de captura nasceu para acomodar a própria bandeira, a Banricompras, com uma base de 1 milhão de unidades emitidas. Segundo a superintendente comercial e de marketing, Maria Inês Bilhar, o banco agora trabalha no licenciamento da Visa. Com as marcas internacionais passando pelas maquininhas do Banricompras, vai bater nas grandes redes de varejo, que já são clientes no cartão regional. É o caso dos supermercados Záffari e Walmart, Magazine Luiza e Renner. "Não haverá um posicionamento por exclusividade, mas estamos aptos a negociar para expandir a rede."



Ferragamo é mais uma a abrir o capital

Valor 16.06.2011 - A Salvatore Ferragamo SpA, fabricante de calçados para os famosos, anunciou planos de captar centenas de milhões de euros para alimentar sua expansão numa abertura de capital em 29 de junho, competindo por prestígio em meio ao forte interesse pelas ofertas de ações de grifes de luxo. A empresa, fundada em Florença em 1927, planeja colocar até 25% das suas ações na Bolsa de Milão, disseram executivos. Ela pode captar mais de 440 milhões de euros, ou cerca de US$ 637 milhões. Para atrair investidores, o presidente do conselho, Ferrucio Ferragamo, disse que a empresa planeja pagar um dividendo relativo ao resultado 2011 que representaria um rendimento na faixa de 40% a 50%, algo facilitado, em parte, pelo baixo endividamento da empresa. A Ferragamo, cujas gravatas estavam entre as favoritas de Fernando Henrique Cardoso, planeja aumentar ainda mais sua presença no mercado asiático, de alto crescimento, e abrir 25 novas lojas no mundo este ano, disse a diretora-presidente Michele Norsa. A empresa vende mais em Hong Kong que em qualquer outra cidade do mundo. A exposição à Ásia provavelmente vai incentivar o apetite dos investidores num momento em que comprar ações de empresas de artigos de luxo é visto como uma maneira de aproveitar o crescimento do mercado consumidor da China. Mas a Ferragamo enfrentará concorrência em sua abertura de capital, que pode avaliá-la em até 1,77 bilhão de euros. A concorrente Prada SpA planeja abrir o capital semana que vem e pode captar até US$ 3 bilhões - mas em Hong Kong, não em sua cidade natal, Milão. "Acreditamos na Itália", disse Ferragamo, num crítica implícita à Prada. Ele acrescentou que a decisão de ir à bolsa foi baseada numa decisão unânime da família controladora há mais de um ano.



Arezzo negocia compra da Santa Lolla

Valo 16.06.2011 - A Arezzo está em negociações para comprar a Santa Lolla, varejista de calçados e acessórios femininos voltada para o público jovem, segundo o Valor apurou.

Se concretizada, trata-se da primeira aquisição da Arezzo, que captou R$ 566 milhões em sua oferta inicial de ações realizada em fevereiro. Desse valor, R$ 196 milhões foram para o caixa da empresa, que hoje soma R$ 182 milhões.  Fundada há apenas seis anos, a Santa Lolla conta com 105 lojas franqueadas distribuídas em diversas regiões do país e uma unidade localizada na Flórida, nos Estados Unidos.  Cada loja da Santa Lolla tem faturamento médio mensal de R$ 120 mil, segundo fonte do mercado. A rede de franquias da grife teria, então, receita anual em torno de R$ 150 milhões. A Santa Lolla receberia com os royalties (equivalente a 18% sobre as vendas efetuadas pelos lojistas) uma receita de cerca de R$ 12 milhões por ano.  A negociação entre Arezzo e Santa Lolla, segundo uma fonte próxima da operação, poderia girar em torno de R$ 150 milhões. Mas consultores e fabricantes de calçados ouvidos pelo Valor consideraram essa quantia alta. A negociação, iniciada há cerca de seis meses, estaria emperrada basicamente por causa do valor pedido pela Santa Lolla.

Procurada pelo Valor, a Arezzo não retornou a ligação. A Santa Lolla informou que não existe negociação.  A Santa Lolla foi criada pelos irmãos Vanessa, Fábio e Rubens Martinez - família paulista com tradição no segmento de calçados. Integrantes da família também são donos da varejista de calçados Martinez, criada em 1962 e que tem seis lojas, principalmente, na região da avenida Paulista, em São Paulo. A Martinez vende calçados mais clássicos e de preço menor. A Santa Lolla tem sapatos de design moderno e preço médio de R$ 200.

A aquisição da Santa Lolla seria para complementar o portfólio da Arezzo, que também é dona das marcas Schutz (público premium), Ana Capri (popular) e Alexandre Birman (altíssimo padrão).  Fundada em 1972 pelos irmãos Anderson e Jefferson Birman, a Arezzo encerrou o primeiro trimestre com 296 lojas, sendo que 267 unidades são próprias. No ano passado, a Arezzo produziu 6,4 milhões de pares de calçados e 412 mil bolsas.  A negociação entre Arezzo e Santa Lolla não é a única do mercado de calçados em andamento. A gaúcha Paquetá está em conversações com a Via Uno, de Novo Hamburgo (RS). O ponto em comum entre a Santa Lolla e a Via Uno é que ambas têm lojas franqueadas e são voltadas para o público jovem. Mas ao contrário da grife paulista, a Via Uno tem unidades industriais.



Brasil entra na rota da Sears mais uma vez

Exame 16.06.2011 - A gigante americana estuda retorno ao país com a abertura de franquias. Uma das mais conhecidas lojas de departamento dos Estados Unidos prepara sua volta ao Brasil, através de franquias. Especializada em eletrodomésticos, eletrônicos e ferramentas, a rede desistiu da operação brasileira no começo da década de 90, na mesma onda de reirada que acabou com outras gigantes do setor, como Mappin. Quem coordena a vinda da empresa ao Brasil é a consultoria de franquias Global Franchise. “A Sears americana nos procurou para buscarmos um ou mais parceiros estratégicos para o país e conseguimos um grupo que já visitou a empresa e mostrou interesse em implantar o projeto”, explica explica Paulo Cesar Mauro, presidente da Global Franchise. O nome dos investidores que estão por trás da operação ainda não foi revelado.  Segundo ele, a Sears está voltando e a forma de atuação será através de lojas de 500 a 900 metros quadrados, em um modelo inédito de franquias . “Além das marcas nacionais a empresa pretende introduzir no Brasil suas marcas internacionais”, revela Mauro. De acordo com o diretor da área de consultoria e expansão da Global Franchise, Wagner Lopes de Almeida, a operação piloto deve ser inaugurada no segundo semestre deste ano. "A previsão é ianugurar até 300 franquias no prazo de 5 anos. A loja piloto vai ser aberta em São Paulo ainda neste ano", conta Almeida.

Nas próximas semanas uma equipe da rede de lojas vai visitar o país para consolidar o projeto. “A força do país como porta de entrada da América do Sul para este novo modelo de negócio motivou a volta da rede ao país”, diz Mauro. Ainda não há um valor fechado para a abertura das franquias e o investimento para trazer a rede também não foi revelado. “O modelo brasileiros ainda está sendo discutido, vai depender das negociações com os fornecedores”, explica Mauro. Segundo a consultoria, uma loja não sai do papel por menos de US$ 550 mil. A rede, criada em 1896, oferece seus produtos em quase 3 mil lojas nos Estados Unidos e Canadá.



Emergentes e internet dão novo fôlego à Zara

Valor 16.06.2011 - A Inditex, maior varejista de roupas do mundo, anunciou ontem crescimento do lucro do primeiro trimestre fiscal que superou as estimativas dos analistas, depois que a companhia abriu lojas em países como a Holanda e a Austrália, e ampliou suas vendas online.

O lucro líquido dos três meses encerrados em 30 de abril aumentou para € 332 milhões (US$ 479 milhões), em comparação aos € 301 milhões apurados no mesmo período do ano passado, disse a companhia de Arteixo, na Espanha, em um comunicado. A estimativa média dos dez analistas consultados pela Bloomberg era de um lucro de € 316 milhões.

A Inditex, cujos vestidos são usados pela esposa do príncipe William da Inglaterra, Kate Middleton, está abrindo lojas em países emergentes como a China, para compensar o consumo mais fraco no seu mercado doméstico. A varejista anunciou crescimento de 7% no lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) do primeiro trimestre, em meio a um controle "rígido" das despesas operacionais. Isso se compara a uma queda de 27% divulgada pela concorrente sueca Hennes & Mauritz (H&M) em março, depois que seus custos aumentaram. "Está bem claro que o modelo de negócios está funcionando melhor", disse Simon Irwin, da Liberum Capital. Ele não pretende mudar sua recomendação de compra para a ação da Inditex. Ontem, o papel fechou em queda de 1,59% na Bolsa de Madri, cotado a € 60,77. A margem bruta da Inditex caiu para 58,8% das vendas no trimestre, contra 59,9% do mesmo período de 2010. A "melhor estimativa" da companhia para 2011 é a manutenção de um mínimo de 50% dos ganhos de margem de 2010, diz o diretor de mercados de capitais da Inditex, Marcos Lopez. As varejistas especializadas em roupas enfrentam despesas maiores por causa do aumento dos preços do algodão e dos custos da mão de obra na Ásia. Em maio, a Gap reduziu em 22% suas previsões de lucro para o ano como um todo, uma vez que os custos de produção de roupas aumentaram mais que o esperado. A receita da Inditex no primeiro trimestre cresceu 11% para € 2,96 bilhões, equiparando-se à expectativa média dos analistas. As vendas em moedas locais aumentaram 11% entre 1º de fevereiro e 12 de junho. O crescimento das vendas foi "respeitável, mas não impressionante", tendo em vista o bom mês que foi abril para os varejistas de roupas da Europa e o empurrão que a Inditex está tendo depois de introduzir as vendas pela internet, disse a analista Anne Critchlow, de Londres. Ela calcula que o crescimento das vendas nas mesmas lojas foi de 3% no período. A H&M, que vende biquínis por menos de € 7, disse ontem que as vendas nas lojas abertas há pelo menos um ano cresceram 2% em maio, ficando aquém das estimativas de alguns analistas consultados pela Bloomberg. A Inditex, dona de 5.154 lojas em 78 países, disse que vai levar a Zara à África do Sul, a Taiwan e ao Peru nos próximos meses, e iniciar suas vendas on-line nos Estados Unidos em setembro. Na China, a companhia deverá abrir nos próximos anos um número maior de lojas que as 120 já planejadas este ano, segundo o presidente da companhia, Pablo Isla. O desempenho da Inditex na Espanha está "estável" e a empresa não pretende aumentar os preços, disse Lopez.



Como 1% da fortuna da dona da L’Oreal vai lhe custar todo o resto

Exame 16.06.2011 - Liliane Bettencourt compra briga com sua filha, os acionistas da L’Oreal e deve perder o controle sobre seu patrimônio. Brigas de família costumam começar por nada. Mas, no caso de Liliane Bettencourt, a mulher mais rica da França e herdeira da L’Oreal, esse “nada” equivale a 170 milhões de euros – ou um pouquinho mais de 1% de sua fortuna, avaliada em 15 bilhões de euros (cerca de 20 bilhões de dólares). Para alguém de seu porte, desfazer-se dessa quantia não significa nenhuma tragédia. Para se ter uma ideia, somente nesta quarta-feira (15/6), as ações da L’Oreal fecharam em leve queda de 0,8% na Bolsa de Paris – e as perdas para Liliane somaram algo próximo disso: 130 milhões de euros. Nada que um bom dia na bolsa não recupere. Mas essa"ninharia" pode custar caro à bilionária – mais precisamente, o poder de controlar sua fortuna. Depois de selarem um armistício no início do ano, Liliane e sua filha única, Françoise Bettencourt-Meyers, voltaram à guerra há poucos dias.

Novo galã: O motivo foi a injeção de 170 milhões de euros realizada por Liliane em uma empresa de mídia, a LGI. Controlada por Stephane Courbit, a companhia produz e distribui conteúdo por meio de outra subsidiária, a Banijay Entertainment. Guardadas as devidas proporções, é como se um cidadão comum emprestasse uns trocados para o amigo comprar balas. Mas, no caso da batalha familiar, Fraçoise enxerga nesse caso mais um exemplo de que sua mãe não pode mais administrar o patrimônio. Ela alega que Liliane foi enganada por seu advogado, Pascal Wilhelm, que também advoga para Courbit. O curioso é que Wilhelm entrou nessa história em janeiro, como parte do acordo entre mãe e filha para selar a paz, após anos de conflito em torno da gestão de sua fortuna. Wilhelm foi nomeado representante de Liliane.

Todos contra: Agora, acionistas minoritários da L’Oreal exigem a renúncia de Liliane. Eles se baseiam num relatório de um comitê médico que declarou, nesta semana, que a bilionária sofre de problemas mentais, e que sua capacidade de discernimento estaria comprometida.

O mandato de Liliane no conselho de administração da companhia foi renovado no final de abril, por mais quatro anos. Apesar de toda a polêmica, ela contou com a adesão de 97% dos acionistas. Esta não é a primeira vez que Liliane recheia seu dia-a-dia com uma história envolvendo um homem galanteador e dinheiro. As rusgas com a filha começaram em 2007, quando a bilionária transferiu cerca de 1 bilhão de euros para o fotógrafo de celebridades François Marie Barnier, em obras de arte, presentes e apólices de seguros, entre outros.

Sua filha veio a público exigir que a quantia fosse embargada, e que sua mãe fosse declarada incapaz de administrar o dinheiro da família. Na época, o episódio soou como uma lavação pública de roupa. A diferença, agora, é que Fraçoise não está sozinha - os acionistas começam a apoiá-la. Para uma família que enriqueceu com produtos de beleza, as Bettencourt parecem não ter a menor pretensão de maquiar os seus problemas.



Credit Suisse alerta sobre desafios do setor imobiliário

Brasil Econômico 15.06.2011 - Credit Suisse prefere PDG, Rossi, Brookfield, Tecnisa, Even, Direcional e Brasil Brokers no atual cenário A equipe de analistas do Credit Suisse está assumindo a cobertura de ações do setor imobiliário brasileiro recomendando que investidores foquem no curto prazo. Lançamentos devem crescer 22% neste ano. Tendo em vista um cenário mais desafiador para o setor, a instituição financeira lista PDG, Rossi, Brookfield, Tecnisa, Even, Direcional e Brasil Brokers como as empresas que deverão ter uma performance acima do mercado devido ao forte posicionamento, capacidade de execução superior e qualidade da gestão. Guilherme Rocha e Andre Rezende, analistas do Credit Suisse, apontam a geração de caixa como uma das principais preocupações dos investidores e afirmam o setor não deve alcançar um indicador favorável antes de 2012. Para algumas empresas, o patamar positivo só será alcançado em 2013. "Nesse contexto, preferimos empresas que ainda mantêm crescimento rentável, queimando menos caixa em relação ao valor de mercado", dizem. Os analistas apostam em um crescimento de 22% nos lançamentos das incorporadoras neste ano e em uma média de avanço de 14% ao longo dos próximos três anos. No entanto, as margens devem continuar pressionadas até o final do ano, refletindo os custos de mão de obra, potenciais atrasos de empreendimentos e estouros no orçamento.

Segundo o Credit Suisse, os empréstimos destinados à habitação provenientes de recursos da poupança devem permanecer disponíveis por mais um ou dois anos. Além disso, os recursos do FGTS devem continuar a serem usados pelos compradores de baixa renda, impulsionado pelo programa estatal Minha Casa Minha Vida. "Mesmo com as recentes pressões da inflação e do aumento de juros, acreditamos que a demanda para casas deve permanecer saudável com aumentos reais dos salários, baixo nível de desemprego e confiança do consumidor em alta"



Corretores de Miami oferecem imóveis de luxo a brasileiros

Valor 16.06.2011 - O Brasil tornou-se visita quase obrigatória para corretores americanos em busca de compradores endinheirados - a combinação entre renda alta e dólar muito baixo fez do brasileiro alvo certeiro. Depois que a marca Trump recorreu ao Brasil para vender um edifício no Soho, em Nova York, esta semana, duas imobiliárias americanas estão promovendo apresentações a brasileiros. O endereço oferecido agora é Miami, que mergulhou na crise financeira e imobiliária e começa a se recuperar. Os projetos à venda são luxuosos e renomados.  Na quarta-feira, um jantar do Miami Real Estate Summit 2011, realizado pela BRG International, reuniu investidores e famílias. Entre terça-feira e hoje, a filial brasileira da Sotheby's - maior imobiliária dos Estados Unidos - deve receber mais de 50 interessados em comprar o segundo ou terceiro imóvel em Miami. "O brasileiro está mais interessado em Miami hoje do que antes da crise", disse ao Valor Daniel De La Vega, sócio da Sotheby's em Miami. Segundo Vega, mais de 50% dos compradores latino-americanos são brasileiros.  Na média, o Condado de Miami-Dade está com preços bastante depreciados - cerca de 65% considerando-se todas as áreas da cidade. O preço médio do apartamento na região caiu de US$ 320 mil para US$ 114 mil. Mas, os luxuosíssimos edifícios que estão sendo ofertados aqui - em áreas nobres e destinadas a estrangeiros - estão muito além disso e não podem ser classificados exatamente como uma pechincha.  A BRG International apresentou empreendimentos cujo preço começa em US$ 3,7 mil (R$ 5,9 mil) o metro quadrado até US$ 10 mil (R$ 16 mil) o metro quadrado, no caso da marca de hotéis W. Na média desse tipo de empreendimento, os preços ficam na casa de US$ 5,5 mil (R$ 8,8 mil) o metro quadrado. Quase todos os apartamentos têm mais de 200 metros quadrados, são de frente para o mar e possuem todos os serviços de um hotel. Na Trump Tower, por exemplo, onde a terceira torre está à venda e a segunda foi 78% vendida a brasileiros, os apartamentos variam de US$ 600 mil a US$ 2,5 milhões. Um único comprador brasileiro arrematou três unidades esta semana.  Em São Paulo, bairros nobres, como Itaim e Vila Nova Conceição, os lançamentos giram em torno de R$ 12 a R$ 15 mil. No Rio de Janeiro, em bairros como Leblon e Copacabana, os preços giram em torno de R$ 15 mil a R$ 20 mil. "Está mais barato do que apartamento na Riviera de São Lourenço, litoral paulista, Trancoso (na Bahia) e a orla do Rio de Janeiro", compara Celso Pinto, diretor da Sotheby's no Brasil.  A cidade que há mais de uma década tradicionalmente recebe brasileiros interessados na compra de um imóvel fora do Brasil sofreu duramente com a crise. "Na áreas mais nobres, os preços caíram entre 30% e 40% e já se recuperaram em cerca de 10%", afirma De La Vega. O executivo acredita que os preços levem cerca de sete anos para voltar aos níveis de 2006, auge do boom imobiliário em MiamiAinda que a queda dos preços dos imóveis de luxo tenha sido relativamente menor do que o resto da cidade, foi justamente esse mercado - agora oferecido entre champanhe e queijo brie aos brasileiros - que parou. Segundo dados da Southeast Flórida Regional, dos 54 mil imóveis vendidos em Miami em 2010, apenas 2,4% custavam acima de US$ 1 milhão. O Bellini, um dos empreendimentos vendidos aqui no Brasil, foi um dos únicos lançamentos da cidade após a crise. É o único que está na planta. Todo os outros estão prontos.  Depois da crise, as construtoras pararam, mas o estoque de imóveis disponíveis ainda é alto - o que mantém os preços abaixo da média. São quase 5 mil unidades entre US$ 500 mil e US$ 1 milhão. A expectativa é que sejam absorvidas até 2013. E os novos projetos, embora estejam surgindo timidamente, devem demorar a chegar. Em abril, a Swire Properties, de Hong Kong, anunciou planos para o Brickell CitiCentre, um empreendimento de 465 mil metros quadrados com hotel, apartamentos, torres de escritórios e shopping. As obras deverão começar no ano que vem. "Será o maior valor geral de vendas de um empreendimento nos Estados Unidos", afirma o brasileiro Matias Alem Almeida, sócio da BRG International, arquiteto e corretor nos EUA há dez anos.  Mais do que os empreendimentos, há um nítido empenho para vender a cidade, que se esforça para ser vista como um polo cultural dos EUA (sedia o evento Art Basel Miami Beach, com exposição de artistas do mundo todo, e tem agora o New World Center, casa de óperas e espetáculos em frente a um parque, de onde se pode ouvir e ver imagens internas dos concertos) e não apenas como uma cidade de praia e compras. "Miami nunca foi conhecido como destino cultural, mas isso vai mudar", diz Almeida. Além dos brasileiros, mexicanos, venzuelanos e, entre os europeus, os italianos, também têm comprado imóveis em Miami



Brazilian Finance vai recomprar até 2% das ações em circulação

Folha 15.06.2011 - A Brazilian Finance & Real Estate anunciou nesta quarta-feira um plano de recompra de até 2,435 milhões de ações ordinárias para posterior cancelamento, venda ou manutenção em tesouraria. O montante corresponde a 2% do total de ações da companhia em circulação no mercado. A aquisição será feita com recursos da conta de reserva de retenção de lucros.



Ocroma Private Equity

Folha 16.06.2011 - A Ocroma, gestora de fundos de fundo de "private equity", estrutura novo produto que possibilita a entrada da pessoa física de alta renda diretamente nesse mercado.

A ideia da gestora é trabalhar com "family offices" (de gestão de fortunas familiares). "Geralmente, esses escritórios não têm capacidade de análise aperfeiçoada de investimentos", diz o sócio Roberto Teixeira da Costa, ex-presidente da CVM.

O produto será indicado para clientes com investimento disponível de R$ 30 milhões a longo prazo. "Faremos coinvestimento diretamente em empresas de fundos de "private equity'", diz o sócio Leonardo Ribeiro. "É como degustar um bom vinho: quando você compartilha, fica muito mais saboroso", diz Costa.



Banco Indusval recompra por R$ 13 milhões corretora vendida em 2009

Folha 15.06.2011 - O Banco Indusval anunciou nesta quarta-feira a compra de 254 ações ordinárias da Indusval Corretora --equivalentes a 97,69% do capital votante e 48,84% do capital total da empresa-- por R$ 13 milhões. Assim, o banco volta a ter como subsidiária integral a corretora, que teve o controle vendido em 2009 para a holding financeira Serendipity, dos executivos Alexandre Atherino e Luis Fernando Monteiro Gouvea. Na época, o negócio custou R$ 9,769 milhões. Segundo comunicado ao mercado do Banco Indusval, a recompra foi feita "com o objetivo de reforçar a estratégia de excelência em crédito corporativo". A instituição financeira considerou que o negócio é fundamental para atingir a liderança na distribuição ao mercado de títulos corporativos de renda fixa. De acordo com a nota, registrada na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), Atherino e Gouvea vão permanecer como administradores da corretora e acionistas do Banco Indusval, "dando continuidade aos trabalhos atualmente executados e que visam resultados de longo prazo".



Goldman Sachs lança seu 3º fundo de ações no Brasil

Valor 16.06.2011 - Depois de lançar dois fundos de ações de gestão ativa que buscam superar, respectivamente, o Índice Bovespa e o Índice Brasil (IBrX-100), a filial brasileira da Goldman Sachs Asset Management (GSAM) acaba de pôr na rua uma carteira de ações sem um referencial definido e concentrado em retornos mais altos.  O Goldman Sachs GS Ações TOP FIC FI terá apenas entre 10 e 15 ações escolhidas pela equipe de pesquisa local da gestora, conta Gabriella Antici, chefe da GSAM Brasil. "É uma carteira muito mais concentrada, mas em compensação com potencial de retorno maior", afirma. Segundo Gabriella, a filosofia ativa de gestão não pode ser plenamente executada em um fundo que tem como referência um índice. Mesmo que o gestor busque bater o Ibovespa, ele terá que adquirir necessariamente papéis que reflitam em parte o desempenho do referencial, ressalta a executiva. Um fundo Ibovespa ativo, por exemplo, pode até ter percentual menor de ações da Petrobras em relação ao peso do papel no índice, mas jamais poderá deixar de ter alguma ação da empresa. "Isso mesmo que não veja nenhum potencial de valorização no ativo", diz. A seleção das ações será realizada pelo método de análise conhecido como "bottom-up", que leva em conta primeiro os fundamentos da companhia, como gestão e plano de negócios, para depois considerar questões setoriais e o ambiente macroeconômico. Com taxa de administração que pode variar de 2% a 2,24% e taxa de performance de 20% sobre os ganhos que superarem o Ibovespa, o fundo, embora aceite aplicação mínima de R$ 150 mil, é restrito aos investidores qualificados (com mais de R$ 300 em investimentos financeiros).  A GSAM Brasil começou a operar em 2008 e hoje é responsável pela gestão de R$ 1,7 bilhão. Esse volume inclui recursos de investidores estrangeiros aplicados em fundos internacionais dedicados a ações brasileiras. "Os fundos de ações da GSMA que investem em papéis do Brasil são administrados pela asset brasileira", afirma a executiva. Hoje, todos os sete fundos locais da asset têm patrimônio de aproximadamente R$ 320 milhões, distribuídos entre renda fixa (40%), multimercados (33%) e ações (27%).  No mundo, a GSAM tem sob seu guarda-chuva US$ 700 bilhões. "É claro que o que temos aqui ainda é uma 'gotinha' dentro desse oceano, mas o Brasil é relevante para o Goldman, já que é um dos cinco países em que o banco tem um negócio de gestão", diz Gabriella. Além do Brasil, o banco tem gestoras nos Estados Unidos, Inglaterra, Japão e Coreia. Devem ser abertas em breve assets na China e na Índia, outros dois emergentes considerados prioritários pelo Goldman, segundo a executiva.



Carlyle capta US$ 1 bilhão para investir na América do Sul

Folha 15.06.2011 - O grupo de investimentos americano Carlyle anunciou hoje o acúmulo de US$ 1 bilhão em dois fundos com foco em oportunidades nos países da América do Sul.

Um dos fundos, com capital comprometido de US$ 225 milhões, destina-se exclusivamente a negócios no Brasil. O outro, de US$ 776 milhões, tem como alvo empresas da América do Sul, principalmente do Brasil. O Carlyle Group afirma que captou o dobro dos recursos da meta original. "As macro tendências econômicas positivas, incluindo a classe média em ascensão, tornam a América do Sul, e, em especial o Brasil, um destino atraente para investimentos", diz em nota o presidente do Carlyle no Brasil, Fernando Borges.

O fundo de investimento abriu um escritório na América do Sul em 2008 e, desde então, comprou a operadora de turismo CVC, a provedora de serviços de saúde Qualicorp e a Scalina, de moda íntima feminina. Com os últimos US$ 1 bilhão acumulados, o fundo passa a gerir US$ 14 bilhões em ativos em mercados emergentes, o que também inclui México, Oriente Médio, Norte da África e Ásia.



Cemig amplia presença em eólica com compra da Renova

Valor 16.06.2011 - A tendência das grande operadoras de energia elétricas em investir fortemente no mercado de eólica deverá gerar um novo negócio nos próximos dias. A Light, que tem a Cemig como sócia-operadora, está concluindo a compra de aproximadamente 50% do capital da Renova Energia, empresa paulista controlada pela RR Participações que detém contratos (PPA, na sigla em inglês) para construir parques geradores de energia eólica totalizando 423 megawatts (MW), além de projetos em várias etapas de maturação, totalizando 1.783 MW. A Light informou desconhecer o assunto. O movimento da Light/Cemig vai na mesma linha, por exemplo, do que foi feito pela CPFL em abril, quando a companhia paulista adquiriu, por R$ 1,49 bilhão (incluindo dívidas), 100% do capital da Siif Energies, que possui quatro parques eólicos no Ceará, totalizando 210 MW, e mais 732 MW em projetos. A iniciativa também está em sintonia com a decisão da Cemig de utilizar a Light e a Taesa (transmissora de energia elétrica) para dar sequência a seu plano de expansão. Segundo o Valor apurou, o negócio deverá ser anunciado nos próximos dias. Além de investir em energia eólica, a Renova possui três Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) em operação, na Bahia, que geram 41,8 MW e mais um portfólio de projetos em várias fases de encaminhamento que somam um total de 1.467,4 MW. A empresa, fundada em 2000 pelos jovens executivos Ricardo Delneri e Renato Amaral, controladores da RR Participações (dona de 55,4% das ações da Renova), nasceu com o objetivo de investir em PCHs, passando a se interessar por energia eólica a partir de 2006. No primeiro leilão de eólica, realizado em 2009, a Renova ganhou o direito de instalar 14 parques geradores, conseguindo outros seis no leilão de 2010, ano em que decidiu abrir seu capital e negociar ações na Bovespa. Procurada pela reportagem, a Renova não se pronunciou até o fechamento desta edição. Segundo fontes ouvidas pelo Valor, para a Cemig, a associação com a Renova interessa tanto pelos investimentos em eólica como pelos projetos de PCHs, embora os novos projetos da empresa paulista na área hidrelétricas tenham sido congelados por dois anos para que a empresa concentrasse seus esforços na energia dos ventos, onde os investimentos assumidos nos leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) somam R$ 1,8 bilhão. Em janeiro deste ano a diretoria do BNDES aprovou financiamento de R$ 588,9 milhões para a Renova investir nos seus projetos de energia eólica.

Uma das razões para o interesse da Cemig em eólica é que, por ser menos vulnerável a obstáculos ambientais, a instalação de parques aerogeradores tem possibilidade de permitir um retorno mais rápido. Após pesados investimentos feitos desde a compra da Light em dezembro de 2009, a estatal mineira precisa gerar energia para vender e elevar seu faturamento. No mês passado, a Cemig aumentou sua participação no capital da Light de 26,06% para 27,82%. A ampliação aconteceu indiretamente, por meio da Parati Participações, acionista da Light que é formada por uma associação da Cemig com o fundo de investimentos FIP Redentor.



Belo Monte deverá ter novos sócios até próximo mês, diz Norte Energia

Agência Brasil 15.06.2011 - O presidente da empresa Norte Energia, responsável pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), Carlos Nascimento, disse hoje (15) à Agência Brasil que a definição sobre as novas empresas que vão entrar na composição societária do consórcio deve sair até a primeira quinzena de julho. Ele confirmou a saída das construtoras Cetenco, Contern, Galvão, Mendes Júnior e Serveng, que têm 1,25% de participação no empreendimento cada, e da J. Malucelli, que tem 1%. “Temos que definir isso com uma certa rapidez, porque, se tivermos uma empresa de primeira linha no lugar de uma dessas empresas, isso melhora o rating no ao BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]. Então, as taxas que ele vai cobrar no financiamento serão mais atrativas porque as empresas têm mais capacidade”, disse Nascimento. A composição societária da empresa responsável por Belo Monte já sofreu mudanças recentemente: a Bertin, que tinha 9% de participação, foi substituída pela Vale. Nascimento participou hoje de audiência pública da Subcomissão Temporária do Senado criada para acompanhar a execução das obras de Belo Monte. Segundo ele, todas as condicionantes do empreendimento estão sendo cumpridas no prazo correto, e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) trabalhou de forma correta no processo de licenciamento da obra. “Se a licença tivesse sido concedida no ano passado, como estava sendo dito, teria sido uma excrescência, pois não tinha os estudos, sem isso seria uma irresponsabilidade”, avaliou.



Furnas prevê investir R$ 5,5 bi em dois anos

Valor 16.06.2011 - Furnas pretende investir R$ 2,5 bilhões este ano e outros R$ 3 bilhões em 2012, dos quais 60% serão aplicados no setor de geração de energia e outros 40% em transmissão. No ano passado, a companhia investiu R$ 2 bilhões. Os valores foram informados pelo presidente da companhia, Flavio Decat, que inclui nesta soma os desembolsos com a linha de transmissão das usinas do Madeira e o eventual aporte em obras do linhão de Belo Monte. Dos investimentos previstos para 2011, R$ 900 milhões serão aplicados em empresas nas quais Furnas tem participação e outros R$ 1,5 bilhão em obras próprias da subsidiária da Eletrobras. Decat confirmou que Furnas tem interesse em participar do leilão da transmissão de Belo Monte, que o governo espera realizar no primeiro semestre do ano que vem. A usina deverá ser erguida no rio Xingu, no Pará, com previsão de entrar em operação até 2015.

"Nossa ideia é entrar com 49% num consórcio e disputar no leilão a transmissão de Belo Monte", disse Decat, afirmando que conta com a capacidade do setor de engenharia da companhia. "É capaz de fazer projetos de menor custo com a mesma eficiência", completou o executivo. A empresa já participa do consórcio que constrói uma das linhas de transmissão das usinas de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, em Rondônia. Furnas tem 24,5% de participação no consórcio da transmissão, mesma fatia da Eletrobras. A sócia majoritária é a CTEEP, com 51%. A linha tem mais de 2 mil quilômetros de extensão e vai até a cidade paulista de Araraquara. A empresa pretende entrar com três projetos de energia eólica para participar do leilão de A-3, que será realizado no mês que vem pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Decat afirmou que fez uma seleção de projetos para apresentar no leilão do mês que vem, sempre com parceiros brasileiros. O objetivo da companhia será participar de consórcios em que será minoritária, com no máximo 49% de participação.

"Fizemos uma seleção de parceiros para participar do próximo leilão de eólica e vamos tentar pegar todos [os três projetos]", disse Decat, afirmando que Furnas só participará do A-3 este ano com projetos de energia eólica. Para o leilão de A-3 de julho, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) cadastrou 429 projetos de energia eólica, que somam 10.935 megawatts (MW) de potência instalada. No total, foram cadastrados 582 projetos, com 27.561 MW de potência.



Obras de aeroportos podem ir além de 2014

Estadão 15.06.2011 - Especialistas sugerem que o governo adote medidas emergenciais para Copa e Olimpíada. A impossibilidade de conclusão das obras de ampliação dos aeroportos até a Copa do Mundo está se tornando consenso entre especialistas que acompanham o setor e empresários. Dando como inatingível a meta, uma corrente começa a propor que, sob risco de tocar o processo de privatização às pressas, gerando um modelo de concessão problemático, o governo abra mão do prazo de 2014. A posição dos especialistas é de que o governo lance mão de um pacote de medidas emergenciais para atender a demanda da Copa e da Olimpíada. Esse conjunto de providências ficaria desvinculado do projeto de concessão. Um outro, de intervenções de longo prazo, que incluiria a expansão e construção de terminais e de outras instalações, entraria no pacote de privatização dos aeroportos, que poderia ser feito com mais tempo.  "A pior coisa que poderíamos fazer neste momento é entregar para a iniciativa privada a responsabilidade e pressioná-la para entregar, com o prazo que temos, aquilo que não conseguimos fazer até agora. Há um perigo: o de desclassificarmos a participação privada, de deteriorarmos o modelo de concessão por uma impossibilidade técnica de conclusão das obras", avalia o professor Paulo Resende, da Fundação Dom Cabral (FDC).  Um alto executivo de um grande grupo construtor brasileiro interessado nas concessões admite que não é possível entregar até 2014 as obras dos aeroportos de Guarulhos, Campinas e Brasília. "Sendo otimista, não acredito que o edital esteja pronto até maio ou junho do ano que vem. Ainda há muita coisa a ser discutida com a iniciativa privada", disse a fonte. Perguntado sobre a perspectiva de conclusão até a Copa, ele é categórico: "Sem chance!". Conforme o executivo, se o leilão for realizado no prazo que ele prevê, o grupo vencedor só conseguiria assumir as obras em 2013.  O governo diz, porém, que pretende conceder os três aeroportos à iniciativa privada ainda este ano, o que demonstraria, na visão de alguns analistas, uma submissão a "pressões políticas" para entregar tudo até a Copa. O consultor José Wilson Massa acredita, que, sob risco de perder o prazo, o governo vai fazer tudo para antecipar o leilão.

O temor é de que, com uma corrida para entregar os aeroportos às pressas à iniciativa privada e tirar dos ombros o problema da deficiência estrutural dos aeroportos, o governo pode acabar gerando um marco regulatório pouco adequado e com falhas para o setor.  Fazendo uma comparação com outros setores que já passaram por processos de privatização, como o elétrico, o professor Marco Aurélio Cabral, da UFF, destaca a importância da criação de regras consistentes para a concessão. "O marco regulatório é muito importante para evitarmos os erros cometidos no último ciclo de privatizações."



Câmara muda licitações para Copa e Olimpíada

Estadão 16.06.2011 - A Câmara deu ontem o primeiro passo para fazer obras a toque de caixa para a Copa do Mundo, em 2014, e a OIimpíada, em 2016. Por 272 votos a favor, 76 contra e 3 abstenções, os deputados aprovaram o texto básico da medida provisória que cria regras especiais de licitação para a construção de estádios - conhecido como Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC).  A votação da MP, porém, só será concluída daqui a duas semanas, com a votação das propostas de mudanças apresentadas pela oposição. Na tentativa de evitar dissidências na base aliada, o governo concordou com emenda apresentada pelo líder do PTB, deputado Jovair Arantes (GO). A proposta estende para capitais a 350 quilômetros de uma das sedes da Copa a permissão para fazer obras em aeroportos sem necessidade de cumprir a atual legislação de licitação, a Lei 8. 666/93. Na proposta original, o RDC abrangia apenas as capitais que vão sediar a Copa. Com a mudança, serão beneficiados aeroportos como os de Goiânia e o de Florianópolis.  A votação ontem à noite do texto básico com o RDC só foi possível depois que a oposição fez um acordo com os líderes aliados e desistiu de obstruir a sessão. Além da oposição, parte da base é contra as regras especiais de licitação para obras da Copa e da Olimpíada e ameaçava fazer "corpo mole". Diante da desmobilização dos aliados, o governo temia não conseguir votar.



Investimento brasileiro avança na Colômbia com queda da violência

Valor 16.06.2011 - A melhora da situação de segurança pública na Colômbia abriu as fronteiras do país para o investimento estrangeiro. E o capital brasileiro, que até dez anos atrás era quase desconhecido dos colombianos, vêm crescendo em setores como mineração e siderurgia, petróleo, transportes, engenharia e serviços de tecnologia da informação e comunicação. "Antes não havia investimentos brasileiros na Colômbia porque não havia como vir para cá", disse executivo de grupo brasileiro que mora em Bogotá e que preferiu não se identificar. O impeditivo, afirmou ele, eram os índices de violência. Do início dos anos 2000 para cá, os homicídios caíram pela metade, segundo cifras do governo colombiano. Eram 65,8 homicídios por 100 mil habitantes, em 2002, número que caiu para 31,2 por 100 mil em novembro de 2010. O executivo que conversou com o Valor mora há cerca de quatro anos em Bogotá, circula em carro blindado, mas nunca sofreu com a violência. Entre as empresas brasileiras presentes na Colômbia, estão Vale, Votorantim, Gerdau, Odebrecht, Marcopolo, grupo EBX (OGX, MPX e AUX), Oi, Stefanini, Datasul, Gol e Tigre. A maior presença do Brasil na Colômbia não criou resistências às multinacionais brasileiras, como já se viu em outros países da América Latina. Um dos casos bem-sucedidos é o da Marcopolo, fabricante de carrocerias para ônibus de Caxias do Sul (RS), que associou-se a uma empresa colombiana e montou a Superpolo. A empresa, em Bogotá, produz um portfólio completo de carrocerias para ônibus urbanos e rodoviários. A Superpolo é um dos principais fornecedores de ônibus urbanos, articulados e biarticulados, para o projeto Transmilenio, sistema de BRT (Bus Rapid Transit) existente na capital colombiana. São corredores segregados para transporte de massa. "A Superpolo participa com cerca de 60% dos ônibus fornecidos para o Transmilenio", disse o gaúcho Oscar Barbieri, gerente-geral da Superpolo. Segundo ele, a Superpolo passou a usar a Colômbia como plataforma de exportação para Equador, Venezuela, Peru e América Central. Para Barbieri, os investimentos em segurança criaram um clima favorável aos negócios na Colômbia: "Em 2010, a Marcopolo fez em Bogotá uma convenção reunindo seus vendedores do mundo inteiro." Entre 2000 e 2010, os principais investidores estrangeiros na Colômbia foram Estados Unidos, Inglaterra, Espanha e México. O Brasil vem ganhando espaço, embora ainda exista grande potencial de crescimento. O auge do investimento brasileiro na Colômbia foi em 2007, com US$ 529 milhões, excluindo o setor petróleo. Em 2010, o número atingiu US$ 54 milhões. Um dos novos entrantes é a OXG, do empresário Eike Batista, que em 2010 adquiriu cinco concessões em três bacias petrolíferas. A empresa se comprometeu a investir cerca de US$ 125 milhões em três anos, recursos a serem aplicados no programa exploratório.

Outra empresa nova no mercado colombiano é a Stefanini, da área de serviços de tecnologia da informação, que comprou o controle da empresa Informática e Tecnologia, com sede em Bogotá, por valores não revelados. Há empresas brasileiras que estão há mais tempo no país. É o caso da Gerdau, presente na Colômbia desde 2004, quando assumiu o controle da Diaco, principal siderúrgica colombiana. A Gerdau investiu US$ 684 milhões no país, incluindo compra de unidades industriais, atualização tecnológica e ampliação das fábricas. Na visão do grupo, o mercado colombiano de aço tem boas perspectivas de crescimento e, como resultado desse cenário, há novos investimentos em curso para atender a demanda por aço. Em 2012, a Gerdau vai colocar em operação um terminal portuário para embarque de carvão e coque.

Em 2000, ainda sob efeito dos conflitos armados, a situação dos investimentos na Colômbia era muito diferente. Naquele ano, o país recebeu US$ 2,4 bilhões em investimentos estrangeiros diretos (IED), número que no ano passado situou-se em US$ 6,76 bilhões. A expectativa para 2011 é que os fluxos de investimento direto no país possam superar os US$ 10 bilhões. Se a previsão se confirmar, a Colômbia estará voltando aos patamares de 2008, quando recebeu US$ 10,5 bilhões em IED. Dados do Banco da República da Colômbia indicam que os fluxos de IED recebidos no ano passado, equivalentes a 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB), se concentraram nas atividades de petróleo e mineração. Mas os setores financeiro, a indústria manufatureira, a construção, o comércio e serviços, como hoteleira, também receberam aportes. Entre os incentivos para atrair investimento estrangeiro, a Colômbia deu a isenção de imposto de renda por 30 anos para quem investir em hotéis. Adriana Suárez, diretora-executiva da agência de promoção de investimentos Invest in Bogotá, disse que dez novos hotéis serão abertos na capital até o fim de 2012. Em uma única semana deste mês, ela recebeu quatro fundos de investimento que queriam conhecer as oportunidades de negócios em Bogotá e na Colômbia, interesse que ela atribuiu ao fato de o país ter ganho o grau de investimento de agências de classificação de risco. Em Medellín, segunda maior cidade do país, a HP está investindo na montagem de um centro global de serviços para atender a América Latina. "A HP tornou Medellín visível para o mundo", disse Mónica Pérez, diretora-executiva da Agência de Cooperação e Investimento (ACI) do município. Segundo ela, no Vale do Aburrá, onde estão Medellín e outros municípios de sua região metropolitana, existem 147 empresas que receberam aportes de investimento estrangeiro direto, sendo que 30% desse total correspondem a empresas dos EUA.



São Paulo é a capital do turismo da América do Sul

DCI 16.06.2011 - Há cerca de 90 mil eventos por ano em São Paulo, e das 170 grandes feiras que acontecem no Brasil, 140 são na capital paulista. "O evento é o valor econômico maior, nossa galinha dos ovos de ouro, junto com a agenda cultural. O turista é qualificado e gasta muito mais do que aquele que vai ficar na praia", conta o presidente da SPTuris, Caio Luiz de Carvalho. Em 2008 um jornal colocou, na primeira página, a Praia de Copacabana, lotada, e, embaixo dela, a Rua 25 de Março lotada, onde "ficava mais dinheiro". O turismo não é mais um negócio isolado.



Ranking da discórdia

Valor 16.06.2011 - Se não pode vencê-los, confunda-os. Essa parece ser a estratégia adotada pela BM&FBovespa para resolver o problema do ranking de corretoras de varejo, ou home broker. Em lugar de simplesmente acabar com a classificação, que provocou uma guerra de preços em busca de volume e liderança, a bolsa resolveu misturar os negócios, colocando corretoras de atacado juntamente com as de varejo.  Essa é a interpretação de diretores de corretoras surpresos com o ranking de home broker de maio, no qual aparece em nono lugar a Goldman Sachs, que nem varejo tem. O mesmo ocorre no ranking parcial deste mês, até dia 13, em que o Credit Suisse aparece em sexto lugar.  A decisão da BM&FBovespa parece ter sido de unificar todos os rankings, acabando, assim, com os indicadores de varejo, afirma Paulo Levy, da corretora americana Icap. Para isso, unificaram as chamadas portas onde os negócios são registrados na bolsa. "Elas funcionavam como tomadas; havia a porta 300 para o home broker, a 400 para agentes repassadores e a 500 para institucionais", diz. Assim, pela porta do home broker, só podiam entrar operações de pessoas físicas. De uns tempos para cá, porém, a bolsa afrouxou os controles, permitindo registros em portas erradas. "Antes, se alguém trocasse as portas, a bolsa ligava, mandando corrigir, e agora pararam de fazer isso", conta Levy.  Uma das justificativas para a mudança no ranking, segundo executivos do setor, era a de que, para aparecer bem na classificação e atrair possíveis compradores, várias corretoras jogaram os preços das corretagens no chão para ganhar volume. Para evitar isso, que poderia colocar em risco a saúde financeira das corretoras, uma comissão liderada pela bolsa decidiu que o melhor era acabar com o ranking. Em lugar de parar de divulgá-lo, porém, a opção teria sido unificar as portas. Não há um prazo para essa unificação, dizem corretores, mas algumas instituições começam a fazer o processo. Por isso, a Goldman e o Credit apareceram no home broker sem operar com varejo. "Foi uma forma de a bolsa esculhambar, invalidar o ranking não oficialmente", diz um corretor que pediu para não ser citado. "Hoje a classificação não reflete mais a realidade." No início, alguns corretores acharam que se tratava apenas de um erro de registro de operação, mas isso foi negado pela bolsa. Consultada, a assessoria da BM&FBovespa respondeu: "não há erro no ranking". Também consultado, o Goldman Sachs não respondeu o motivo de ele aparecer no ranking de varejo da bolsa sem ter esse tipo de negócio.  Acabar com o ranking não é a única medida para evitar a guerra de preços. Há também a proposta de criar uma "tela cega", em que o comprador não conseguiria ver mais quem é a corretora que está vendendo os papéis, mas apenas a quantidade de ações e os preços. "Isso impediria uma corretora ou investidor de dar preferência a determinada instituição por sua classificação no ranking", afirma João Ferreira, diretor da corretora Futura.

Ele observa que o ranking já vinha sendo distorcido pelos próprios participantes, com as corretoras que ocupam os primeiros lugares ampliando seus volumes ao colocar grandes investidores ou agentes autônomos junto com varejo, cobrando pouca corretagem. "E há algumas corretoras que isentam de corretagem no último dia do mês para aumentar o volume."

Já a guerra de tarifas entre as corretoras dá sinais de ter se acalmado. Na Gradual, o idealizador da política de "opere quanto quiser" com tarifa fixa de R$ 30,00 por mês, Carlos Fraga, deixou a empresa, voltando para a TOV, onde já havia criado a tarifa de R$ 5,00 em 2008. Apesar disso, a Gradual garante que vai manter a estratégia. "Não vamos mudar nada, o Fraga apenas voltou para a TOV com uma boa oferta para revitalizar a corretora", diz Fernanda de Lima, diretora-geral da Gradual.  Segundo ela, desde a criação da promoção, há três meses, a corretora abriu 3 mil cadastros, atingindo 40 mil. "Mas o momento é muito ruim em termos de crescimento de pessoas físicas para o mercado em geral", diz. "O índice da bolsa não sai do lugar há quase três anos e mesmo os investidores mais profissionais estão tendo dificuldade em encontrar oportunidades." Ela lembra que esse ambiente levou o próprio presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, a rever a meta de atingir 5 milhões de investidores em 2014. "Apesar de ser um momento bom para comprar ações, é difícil convencer as pessoas físicas a entrar no mercado em baixa." O número de pessoas físicas chegou a crescer de abril para maio, de 596 mil para 607 mil, mas muito em função da oferta pública do Magazine Luíza, que atraiu grande número de investidores. Foi o primeiro aumento no ano.

Para o investidor, o momento é bom, com o custo de corretagem em queda e maior oferta de cursos e serviços. Mas é preciso olhar além dos preços, alertam analistas. É preciso ver a qualidade e quais serviços a corretora oferece, se há orientação para o investidor, análises de empresas ou bom serviço de atendimento. É necessário também tomar cuidado com corretoras que, em cursos ou via consultoria, incentivam o cliente a girar muito a carteira, dando constantes orientações de compra e venda de papéis, o que engorda os lucros das instituições, mas nem sempre o ganho do investidor. Outro risco são ofertas de operações mais sofisticadas, como termos, opções ou vendas a descoberto, que aumentam a possibilidade de perda do cliente menos preparado. "Um cliente mal preparado perde e não volta mais ao mercado", afirma Eduardo Lobo Fonseca, da Corretora Souza Barros.



Internet responde por mais de um terço de transações bancárias

Folha 15.06.2011 - A internet ampliou a liderança como canal de atendimento bancário mais utilizado pelos brasileiros. Em 2010, respondeu por 34% das transações, acima dos 31% verificados um ano antes, quando ultrapassou os terminais de autoatendimento.

Segundo o Banco Central, as consultas a saldos e extratos ainda representam a maior parte das transações (36%), seguidas por pagamentos e transferências de crédito, cada uma com cerca de 8%. Quando se considera apenas pagamentos e transferências, a liderança fica com os correspondentes bancários (lotéricas, por exemplo), mas o maior crescimento está no uso da internet, que dobrou desde 2006. Os canais eletrônicos (internet, caixas e celulares) representam dois terços do volume de transações sem atendimento presencial. Apenas 24% do atendimento é feito nos próprios bancos. Correspondentes bancários respondem pelos 9% restantes. A quantidade de cheques emitidos manteve tendência de queda, 7,1% em 2010 em relação ao ano anterior. Os pagamentos com cartões cresceram 23%.

Celular e DDA: O BC avalia que o uso de caixas eletrônicos ainda é ineficiente, tanto no número de terminais por habitantes quanto no número de transações em comparação com outros países. Isso se deve à falta de compartilhamento de terminais entre os bancos.

A instituição destaca ainda que o país avançou pouco na definição de um modelo para o uso de moeda eletrônica baseado em celular, por falta de acordo entre bancos e operadoras.

Avalia ainda que o Brasil carece de iniciativas para aumentar a utilização do DDA (Débito Direto Autorizado). Apenas 7% do total dos boletos entraram nesse sistema. "Embora a demanda dos clientes pelo serviço tenha aumentado, as instituições financeiras cobradoras ainda precisam gerar melhores incentivos para estimular os beneficiários a cumprir os requisitos necessários para a apresentação eletrônica do documento", diz o BC.



Nautilus Hyosung desembarca no país

Valor 16.06.2011 - Hyun Sik Sohn, da Nautilus: recursos de US$ 10 milhões para iniciar operação. Pouco conhecida no mercado nacional, a fabricante de caixas eletrônicos coreana Nautilus Hyosung está desembarcando no país com planos de se tornar a segunda maior vendedora desse tipo de equipamento em um período de cinco anos. "O objetivo, no longo prazo, é vender pelo menos 10 mil máquinas por ano", diz o executivo-chefe da companhia, Hyun Sik Sohn, em entrevista ao Valor.  Fundada nos anos 80, a Nautilus atua em 23 países e fatura US$ 500 milhões. A empresa está entre os principais fornecedores dos caixas eletrônicos que ficam instalados em lojas de conveniência, hotéis e aeroportos dos Estados Unidos. Seu interesse pelo Brasil começou há cerca de um ano e faz parte de um processo de internacionalização de suas atividades, iniciado pelo ex-executivo-chefe, P.K. Ryou, que deixou o cargo em fevereiro. A operação no país conta com seis funcionários e um escritório no bairro do Itaim, zona Sul de São Paulo. O primeiro cliente também já foi conquistado. A TecBan, empresa que administra a Rede 24horas de caixas eletrônicos, está fazendo testes com os equipamentos em alguns pontos do país.  Segundo Sohn, a Nautilus pretende investir pelo menos US$ 10 milhões para estruturar sua operação no Brasil. Praticamente metade dos recursos será usada para estruturação de um escritório e contratação de pessoal. A outra parte será investida na fabricação dos caixas eletrônicos. De acordo com Sohn, a produção será feita localmente, por encomenda a uma empresa brasileira. O nome da companhia não pode ser revelado, diz Sohn. A única informação é de que a empresa fica na região de Campinas. Mas a produção terceirizada tem prazo para acabar. De acordo com o executivo, a Nautilus montará sua própria fábrica no país em um período de dois a três anos. Para essa empreitada, diz o executivo, o valor a ser investido dependerá do ritmo de crescimento dos negócios. "A estimativa é de que o faturamento no Brasil atinja US$ 100 milhões em três anos", afirma Sohn.  De acordo como executivo, o principal desafio no país será atender os requisitos de segurança dos bancos brasileiros. "As exigências são muito maiores do que as feitas em outras regiões", diz. Questionado sobre a recente onda de ataques a caixas eletrônicos no Brasil, Sohn não se mostrou preocupado: "Podemos ajudar a lidar com esse problema trazendo a experiência e a tecnologia internacional."



Deficit tecnológico do Brasil cresce 28% no 1º trimestre

Folha 16.06.2011 - O deficit tecnológico comercial brasileiro cresceu 27,6% no primeiro trimestre, atingindo US$ 23 bilhões. É o que revela o primeiro levantamento da Protec (Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica), que passará a divulgar as informações trimestralmente. O indicador analisa a relação comercial do Brasil com o exterior de produtos e serviços de alta e média-alta tecnologia, seguindo os parâmetros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O grupo dos setores de média-alta tecnologia, que inclui a indústria automobilística, bens de capital e químicos, teve o maior saldo negativo, de US$ 10,9 bilhões. "Os grupos de menor valor agregado vêm ganhando peso cada vez maior na pauta de exportações brasileira", diz Roberto Nicolsky, diretor-geral da Protec.

Dos US$ 51 bilhões vendidos ao exterior no primeiro trimestre deste ano, quase US$ 19 bilhões foram de produtos não industriais e outros US$ 12 bilhões do grupo de baixa tecnologia, segundo o levantamento. No setor automotivo, o deficit comercial foi de US$ 1,5 bilhão, um terço do saldo negativo do setor em todo 2010. A Protec prevê deficit recorde para o final do ano, de cerca de US$ 110 bilhões, ante os US$ 85 bilhões de 2010.

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