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Private equity deve ser cada vez mais atuante em IPO
Valor 29.06.2011 - Os fundos de private equity devem ter um papel cada vez mais importante nas ofertas de ações realizadas no mercado brasileiro. A avaliação é de Fabio Nazari, sócio responsável pela area de mercado de capitais do BTG Pactual. "Os fundos são tanto uma fonte importante de recursos para as companhias como para a oxigenação do mercado como um todo", defende.
Nazari lembra que o País tem recebido um grande volume de recursos de fundos, e é natural imaginar que em algum momento os investidores sairão das posições adquiridas. Uma das alternativas é justamente o IPO. "É difícil dizer apenas quando ocorrerá esse movimento", diz.
Para analistas, a venda de ações por fundos de private equity em processos de abertura de capital é considerado natural no mercado, desde que o preço dos papéis reflita a situação da companhia e proporcione uma perspectiva de valorização. O bom desempenho na bolsa da maior parte das novatas é um sinal de que o valor das ofertas tem correspondido às expectativas de ambos os lados, segundo Nazari.
"O aporte dos fundos estimula o crescimento da empresa e a acelera o acesso ao mercado de capitais", diz o gerente de análise da Modal Asset Management, Eduardo Marques Roche. Ele afirma, porém, que nem todas as companhias têm demonstrado maturidade suficiente para abrir o capital.
Em alguns casos, mesmo IPOs de empresas que receberam investimentos de private equity - geralmente vistas como mais bem preparadas para ir a mercado - acabaram fracassando. A International Meal Company (IMC), rede de franquias de restaurantes controlada pela Advent, só conseguiu abrir o capital na segunda tentativa, depois de receber um nova rodada de aporte de capital dos sócios.
Fundos levantam R$ 1,8 bi com IPOs
Valor 29.06.2011 - Os fundos de "private equity" têm enfrentado o mau momento da bolsa de valores brasileira e levado adiante os planos de abrir o capital das empresas das quais são sócios. Apesar do desconto pedido pelos investidores, a venda dos papéis nas ofertas públicas iniciais (IPO, na sigla em inglês) proporcionou retornos atraentes aos cotistas.
Apenas este ano, os fundos embolsaram aproximadamente R$ 1,8 bilhão nas aberturas de capital realizadas no mercado brasileiro - o número não inclui a oferta da Arcos Dorados, master-franqueadora do McDonald's, feita em abril na Bolsa de Nova York e uma das maiores.
Das dez aberturas de capital realizadas na bolsa brasileira até o momento em 2011, seis contaram com a participação de fundos na venda. Além de monetizar o investimento, levar as empresas do à bolsa aumenta a liquidez da posição e facilita a saída futura. Em muitos casos os fundos ficaram nas companhias por quatro a seis anos. Mas há exemplos de investimentos-relâmpago, com saída parcial em menos de um ano.
O maior retorno absoluto foi obtido pela Tarpon, que multiplicou por cinco o valor da participação adquirida no final de 2007 na varejista de calçados Arezzo. Na ocasião, a companhia foi avaliada em R$ 305 milhões e acabou chegando à bolsa valendo R$ 1,68 bilhão. O fundo vendeu parte das ações que detinha por pouco mais de R$ 160 milhões.
A Arezzo realizou a abertura de capital mais bem sucedida do ano, mas, mesmo no caso de ofertas que saíram com dificuldade, os private equity conseguiram obter retorno com o investimento. Foi o caso da Qualicorp, empresa de gestão e venda de planos de saúde que no ano passado recebeu um aporte do Carlyle. Apesar de o preço por ação na oferta ter sido definido abaixo do piso da faixa indicativa, o fundo norte-americano garantiu um ganho de 65% em prazo curtíssimo.
O movimento de venda também pode estar ligado à percepção de que a bolsa ainda encontra-se em níveis de preço elevados. O diretor responsável pelo Carlyle no País, Fernando Borges, havia afirmado, meses antes do IPO da Qualicorp, que considerava a bolsa brasileira cara, o que favorecia quem estava na ponta vendedora.
O retorno obtido com a venda nos IPOs é um sinal de que os fundos têm cumprido o papel de adicionar valor às empresas nas quais investem, diz o presidente da Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital (ABVCAP), Sidney Chameh. Para ele, a decisão de saída das companhias é fruto do ciclo natural de investimento e não está diretamente ligada ao momento da bolsa, segundo Chameh. "Se o fundo consegue uma remuneração atraente no IPO e a empresa ainda tem potencial de crescimento, quem compra também ganha", afirma.
De acordo com a advogada Eliana Chimenti, sócia do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice, não há uma única razão para a saída dos fundos via bolsa. "Existem desde casos em que o gestor ficou satisfeito com a precificação da empresa até a necessidade de monetização do investimento para os cotistas", diz. A queda recente da bolsa não mudou os planos dos fundos que desejam vender parte das ações das empresas que detêm no portfólio, segundo a advogada. O Machado Meyer trabalha atualmente com 15 processos de oferta, várias das quais contam com capital de private equity. Os fundos também devem atuar ativamente na venda de papéis de empresas que já estão listadas no mercado.
BNDES deve apoiar negócio com cerca de R$ 3,9 bilhões
Valor 29.06.2011 - As conversas entre Abilio Diniz e a direção do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sobre uma possível operação de fusão do grupo Pão de Açúcar com o Carrefour começaram há cerca de dois meses.
No dia 21, uma operação de apoio do banco ao futuro negócio, no valor de cerca de R$ 3,9 bilhões, foi enquadrada no BNDES para análise e posterior aprovação pela diretoria, caso o processo de internacionalização do grupo Pão de Açúcar se concretize.
Potencialmente, essa pode vir a ser uma das maiores operações de apoio do banco a uma empresa nacional.
A nova companhia que pode surgir a partir da fusão dos dois grupos varejistas teria o Carrefour como maior acionista.
A BNDESPar, braço de participações do banco de fomento, deve entrar na nova gigante varejista com uma participação minoritária.
Até o momento, os trâmites para aprovação da ajuda ao grupo de Diniz estão seguindo os prazos normais dentro da instituição.
Um enquadramento de um pedido de apoio do banco pode, hoje, ocorrer rapidamente. Todo o trajeto da aprovação de um pleito no banco - apresentação do pedido, enquadramento, análise, aprovação pela diretoria e desembolso - não leva atualmente mais do que seis meses.
Como se trata de assunto prioritário na instituição, de internacionalização de grupos nacionais, o processo pode correr até mais rápido se não houver nenhum obstáculo na avaliação de risco do tomador.
Segundo fontes ouvidas pelo Valor, o banco aceitou ajudar o Pão de Açúcar nessa complexa negociação por temer que o varejo brasileiro seja enfraquecido com a entrada de grandes grupos estrangeiros, como o Walmart, cadeia americana envolvida numa estratégia agressiva de expansão global.
Não é descartado nesse cenário internacional de grupos europeus enfraquecidos pela crise que o Carrefour seja comprado pela empresa americana, dentre outras. E uma concentração de cadeias de supermercados em mãos do capital estrangeiro no Brasil seria ruim para o país, na análise de fontes do próprio banco.
O grupo Pão de Açúcar é visto como uma companhia que organiza bastante a atividade produtiva nacional, pois, além de comercializar marcas genéricas de produtos, move uma enorme rede de fornecedores.
Apoiar uma operação que possa levar à criação de uma grande empresa varejista global verde-amarela é considerado o melhor caminho para o BNDES, como foi o caso do frigorífico JBS, mesmo sendo alvo de críticas pelos financiamentos polpudos que tem colocado à disposição de grandes companhias envolvidas em processos de consolidação. Com uma carteira de renda variável com cerca de 150 participações em empresas, no valor de R$ 90 bilhões, a BNDESPar tem participação estratégica em companhias consolidadas, como a Brasil Foods (fusão da Sadia com a Perdigão), e em frigoríficos, como o Marfrig, na qual colocou R$ 2,7 bilhões em projeto de apoio à subscrição de debêntures e mais R$ 200 milhões para capital de giro.
Embraer, Braskem, Vale, CPFL, Cesp, Cemig, CSN, Paranapanema, Light, Petrobras, Rede Energias, Klabin, ALL, Iochpe e Totvs são exemplos de empresas nas quais o BNDES tem participação relevante. Nessas companhias, a participação do banco é superior a 5% do capital.
Preço da ação da Technos sai a R$ 16,50, abaixo do esperado
Brasil Economico 28.06.2011 - Pertencem à companhia as marcas Technos e Mariner, que atendem por 71% da receita bruta
A Technos, empresa que atua no mercado de relógios e já teve capital negociado em bolsa até 2005, deverá arrecadar R$ 461,5 milhões com suas ofertas primária e secundária de ações.
O valor é inferior aos R$ 673,1 milhões estimados pela companhia por ocasião do anúncio da oferta, no início de junho.
O preço das ações também ficou aquém do esperado. Enquanto a expectativa da companhia era de R$ 20 por papel, o divulgado pela Comissão de Valores Mobiliários no final do pregão desta terça-feira (28/6) foi de R$ 16,50 por ação.
Na oferta primária, serão lançadas 10.945.946 ações ordinárias. A captação deve somar R$ 180,308 milhões.
Já na oferta secundária o mercado deve esperar 17.027.027 papéis, também ordinários. A empresa espera arrecadar R$ 280,945 milhões nessa operação.
Empresa: Pertencem à companhia as marcas Technos e Mariner, que atendem por 71% da receita bruta.
As marcas Mormaii, Euro e Seiko, embora pertençam a outros proprietários, são licenciadas e distribuídas pela Technos, conferindo o restante dos ganhos da empresa.
Em 2010, o resultado bruto da empresa foi de R$ 263,6 milhões, com um lucro líquido ajustado de R$ 50,3 milhões.
Acionistas da Ultrapar aprovam adesão ao Novo Mercado
Brasil Econômico 28.06.2011 - A Ultrapar Participações comunicou que foi aprovada em assembleia nesta terça-feira (28/6) a conversão da totalidade das ações preferenciais da companhia em ações ordinárias, na proporção de uma por uma.
"Foi aprovada por unanimidade dos detentores das ações votantes presentes a adesão da companhia às regras do Novo Mercado da BM&FBovespa", diz o comunicado divulgado ao mercado.
A petroquímica informou que ainda divulgará a data em que suas ações passarão a ser negociadas no Novo Mercado - segmento que propõe a adoção das melhores práticas de governança corporativa.
No prazo de até 30 dias, os acionistas detentores de ações preferenciais que discordarem dessa deliberação poderão exercer o direito de retirada, mediante o reembolso do valor de suas ações.
Durante o prazo do exercício de retirada, as ações preferenciais da Ultrapar continuarão a ser negociadas na bolsa
Sob novo formato, Ultra se prepara para nova expansão
Valor 29.06.2011 - A entrada do grupo Ultra no Novo Mercado marca o início de um novo capítulo na história da companhia, cuja receita líquida atingiu R$ 42,5 bilhões em 2010. O conglomerado, que reúne ativos na área de distribuição de combustíveis (Ipiranga), seu principal negócio, gás GLP (Ultragaz), químicos (Oxiteno) e de logística (Ultracargo), sob o guarda-chuva da holding Ultrapar Participações, trabalha para intensificar seu movimento de internacionalização, além de fortes investimentos no mercado interno - neste ano chegará a R$ 1 bilhão.
À frente da presidência do conselho de administração do grupo, Paulo Cunha, também um dos principais acionistas da companhia, afirmou ao Valor que o Ultra está preparado para se perpetuar. O discurso pode até soar em tom de despedida, uma vez que ele próprio admitiu, pela primeira vez, que está se preparando para deixar a companhia "sem data marcada", mas Cunha prefere não se aprofundar nos detalhes dessa conversa.
O processo sucessório no Ultra está sendo pensado sem pressa. Cunha afirmou que é um processo natural. "Precisamos renovar e estamos promovendo a próxima etapa [a saída do presidente-executivo Pedro Wongtschowski] de forma gradual e segura", afirmou. "A minha [saída] também está sendo programada", afirmou. O acionista não comentou sobre os possíveis sucessores.
O mercado tem acompanhado atentamente os passos dados pelo grupo nos últimos anos em relação aos investimentos e sua política de governança corporativa - considerada ponto alto por analistas ouvidos pelo Valor. Ontem, as ações da empresa encerraram o dia a R$ 27,71, próximo ao marco histórico do grupo, de R$ 28,57 em 14 de abril. No ano, os papéis acumulam aumento de 7,4% e, em 12 meses, valorização de 29,41%.
"A empresa atua em mercados maduros e entrega resultados", afirmou Bruno Varella, analista do Bradesco. A eventual saída de Cunha em nada muda o cenário da empresa, acredita o analista. "É inegável que ele transformou a companhia nesses últimos anos. Mas acreditamos que será uma sucessão planejada."
Para Andres Kikuchi, analista da Link, o grupo tem visão de futuro e está se preparando para um patamar ainda maior, com futuras aquisições.
Anunciada em abril e ratificada ontem em assembleia de acionistas, a ida do grupo ao Novo Mercado leva o Ultra a migrar para um modelo de gestão sem bloco de controle definido. Cada ação preferencial será convertida em uma ordinária (sem prêmio para quem detinha papéis com direito a voto) a partir de agosto. Pelas novas regras, fica estabelecido um limite de 20% para aquisição de papéis por um investidor. Se atingido esse percentual, torna-se obrigatório fazer uma oferta pública pela totalidade das ações em poder do mercado.
Pela nova composição acionária, a Ultra SA detém 24% dos papéis, o fundo britânico Aberdeen fica com 9%, mesmo percentual que o Parth Investiment, Monteiro Aranha com 5%, Previ com outros 6%, Genesis 3%, Dodge & Cox 4% e outros com os 40% restante.
"Acreditamos que essa operação terá chance de perpetuar a companhia. Por isso, preferimos regras estruturadas, objetivas", disse Cunha, acrescentando que esse novo formato abre "mais espaço para investimento", uma vez que a estrutura anterior deixava a companhia mais engessada.
Apesar dessa mudança de formato, a filosofia da empresa continua a mesma, afirmou Cunha. "O 'day after' vai ser igual ao 'day before': trabalho, trabalho, trabalho e trabalho."
Os próximos passos do Ultra visam intensificar o processo de internacionalização da empresa. A companhia vai focar, sobretudo, em ativos para crescer em especialidades químicas e em gás. Por meio da Oxiteno, divisão química do Ultra, a empresa possui unidades no México e Venezuela. Essas fábricas são produtoras de especialidades químicas. No ano passado, o grupo fez uma oferta hostil para a compra dos ativos de gás da Shell na Europa. No entanto, o negócio não foi levado adiante porque ao fazer uma análise mais criteriosa, os negócios não foram considerados interessantes. No momento, o Ultra não está mais de olho em negócios na Europa. "Tem ativos muito interessantes na América Latina", afirmou. Ativos no setor químico no exterior também continuam no radar da empresa.
O mercado interno continua sendo o principal foco de crescimento da companhia. Os investimentos no país este ano estão estimados em R$ 1 bilhão. Deste total, R$ 548 milhões serão na área de distribuição de combustíveis e cerca de R$ 170 milhões em distribuição de gás. A empresa vai focar sua expansão em distribuição de combustíveis nas regiões, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, mais pulverizadas, e avançar sobre os postos de bandeira branca. As perspectivas são de um crescimento do grupo para 2011 da ordem de 20% a 25%, mesmo patamar de expansão observado nos últimos anos.
Menos engessada no Novo Mercado, a companhia terá mais acesso a capital para promover sua expansão. Segundo André Covre, diretor financeiro e de relações com os investidores, a empresa não tem interesse, pelo menos no curto e médio de prazo, de fazer captações externas. "Temos posição de caixa forte e recursos suficientes para fazer novos investimentos", disse.
Desde o início dos anos 2000, o grupo Ultra protagonizou movimentos importantes de consolidação, tornando-se um dos maiores do país. A aquisição da Ipiranga colocou a companhia na vice-liderança em distribuição de combustíveis no país, os ativos de gás que pertenciam à Shell, comprados pela companhia, fortaleceram a posição de liderança da companhia nesse segmento.
No mercado são fortes os comentários de que a companhia poderia adquirir os ativos da AleSat para avançar em distribuição. A empresa não comenta sobre rumores de mercado, mas afirma que está de olho em todas as oportunidades nos quatro setores de sua atuação.
Diniz comanda virada bilionária no varejo
DCI 29.06.2011 - O empresário Abílio Diniz moveu a peça do xeque-mate no tabuleiro do varejo, e agora todos os olhos se voltam ao movimento do Casino na jogada que pode levar o Pão de Açúcar a catapultar sua posição na Europa. Com o lance pela fusão com o Carrefour, arquirrival do também francês Casino, que controla o capital votante do Pão de Açúcar no Brasil, Diniz reitera a seus interlocutores e arrisca todas as fichas para levar a bandeira criada por sua família, o Grupo Pão de Açúcar (GPA), à internacionalização, ao contar com grande apoio do governo brasileiro: linha de até R$ 3,9 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e social (BNDES). Além disso, conta com um braço financeiro de fôlego, onde está seu ex-executivo-chefe Cláudio Galeazzi, sócio do banco BTG Pactual, que prevê R$ 690 milhões na fusão com o Carrefour, vice-líder do ramo no mundo, atrás só do norte-americano Walmart, mas com acionistas interessados da rápida superação dos problemas financeiros.
Caso se dê a fusão, o negócio poderá levar o empresário Abílio Diniz a se tornar o maior acionista individual (pessoa física) do segundo maior grupo varejista mundial. Diniz já havia surpreendido o mercado tempos atrás com Casas Bahia e Ponto Frio, e obrigou os concorrentes do setor de móveis e eletrodomésticos a se reposicionar rapidamente, cabendo o último lance a Luiza Trajano, do Magazine Luiza, ao levar o Baú.
No negócio com o Carrefour , a ideia é que seja criada empresa chamada Novo Pão de Açúcar (NPA). A fusão será submetida à aprovação dos demais acionistas no Brasil e na França, mas já alarma a concorrência, que deve começar a se unir para fazer frente ao conglomerado. Para Eduardo Coutinho, professor de Finanças do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), "é preciso ficar atento ao negócio". Fora isso, a superposição entre pontos comerciais de GPA e Carrefour pode ser um entrave. "Várias lojas vão dar problemas no Brasil", crê o diretor-geral da Demarest e Almeida Advogados, Mário Nogueira. Já Waldir Benffeti, professor de Macroeconomia da Universidade Metodista de São Paulo, é categórico: "O mercado brasileiro aposta nesta fusão".
Sinergia Pão de Açúcar-Carrefour pode atingir R$ 1,8 bi
Exame 28.06.2011 - Estimativa é que os ganhos anuais variem entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,8 bilhão.
As duas redes passam a ter juntas 27% do mercado formal brasileiro de supermercados.
A fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour pode gerar sinergias que chegam a R$ 1,8 bilhão por ano, segundo Claudio Galeazzi, sócio do BTG. A estimativa é que os ganhos anuais variem entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,8 bilhão. "Haverá ganho de escala significativo. As sinergias serão muito relevantes, caso a operação seja aprovada", disse o executivo. O Grupo Pão de Açúcar e o Carrefour têm mais de 1,2 mil lojas juntos, presentes em 178 municípios do Brasil.
As duas redes passam a ter juntas 27% do mercado formal brasileiro de supermercados. O Grupo Pão de Açúcar tem um total de 50 centros de distribuição e o Carrefour tem 17.
Galeazzi lembrou que nos Estados Unidos, o Walmart, maior rede de supermercados do mundo, tem 32% do mercado americano e, por isso, consegue oferecer preços mais baixos aos consumidores. Com o Pão de Açúcar aconteceria o mesmo no Brasil, disse.
BNDES dá R$ 4 bi a Abilio por Carrefour
Folha 29.06.2011 - Pão de Açúcar pode ser acionista de rede francesa com ajuda estatal e do BTG em negócio contestado por sócio Casino.
Operação cria "gigante nacional", mas Casino acusa Abilio de ignorar contrato; concentração pode afetar preços.
Contra a vontade do sócio francês Casino, o empresário Abilio Diniz se associou ao banco BTG Pactual e ao BNDES para comprar as operações do Carrefour no Brasil, formando um gigante sem concorrente à altura e com 32% do varejo supermercadista brasileiro.
Para viabilizar o negócio, o banco BTG Pactual, de André Esteves, propôs uma complexa engenharia financeira que colocará os brasileiros na posição de maiores acionistas do Carrefour no mundo.
No Brasil, Pão de Açúcar e Carrefour passarão a ter 2.386 pontos de venda em 178 municípios, com receita anual de R$ 65 bilhões. Isso se a operação for aprovada.
Já a nova empresa terá 11,7% do Carrefour mundial. Há temor de que o poder da nova rede se reflita nos preços aos consumidores, reduza o poder de barganha de fornecedores e motive a demissão de funcionários.
Campeão Nacional: O dinheiro para viabilizar o negócio -que será questionado no Brasil e no mundo pela defesa da concorrência- virá do BNDESPar, braço de investimento do banco.
Com o argumento de criar um "campeão nacional", o BNDES já se comprometeu a aportar R$ 3,91 bilhões -85% do necessário-, tornando-se sócio da empreitada, com 18% da empresa que nasce. A empresa já é chamada no governo de "AmBev do varejo", em alusão à cervejaria brasileira que dominou o mercado global de bebida.
Os R$ 690 milhões restantes (15% do total) virão de um fundo do BTG Pactual, que ainda emprestará R$ 1,15 bilhão à nova empresa.
Segundo o Pactual, a fusão trará ganho de R$ 1,6 bilhão por ano com sinergias (economia de custo).
Em algumas áreas, como São Paulo e Rio, haverá uma sobreposição de 5% a 8% de algumas lojas, que poderão ser vendidas ou fechadas.
A notícia foi bem recebida pelo mercado. As ações PN (sem voto) do Pão de Açúcar subiram ontem 12,6%, com a expectativa de alta no lucro.
Veto Francês: O negócio obriga os franceses do Casino, o maior acionista do Pão de Açúcar, a perder o comando no Brasil (comprado há cinco anos de Abilio) e ainda a virar sócio do Carrefour no mundo.
Se concretizado de fato, o Casino chegará, indiretamente, a 3,5% do capital do Carrefour. Pode até se tornar o maior acionista individual do rival, caso o fundo Blue Capital, que tem 11%, saia.
O Casino pagou para assumir o controle do Pão de Açúcar a partir de julho de 2012. Sozinho, pode vetar a união com o Carrefour.
O grupo francês diz que a proposta de fusão é ilegal, ocorreu sem sua participação e que recorrerá para inviabilizá-la. Quando soube que Abilio procurara o Carrefour, levou o caso a câmara de arbitragem internacional.
A operação passou longe dos executivos que tocam o dia a dia das empresas. Foi acertada por acionistas. No caso do Carrefour, pelos gestores Blue Capital e Colony e por Bernard Arnault (controlador da Louis Vuitton), que pressionam para recuperar o capital investido.
Na semana passada, o Carrefour aprovou a cisão da marca Dia, bandeira popular, que deverá ser vendida.
Para o Carrefour, a união com o Pão de Açúcar resolve dois problemas graves.
Primeiro, acerta o foco da operação no Brasil, reduzindo a exposição no segmento de grandes hipermercados, modelo que perde apelo nas grandes cidades. Depois, abre caminho para a saída de investidores do Carrefour.
Le Lis Blanc planeja chegar a 120 lojas em 2013
Exame 28.06.2011 - Da rede de lojas da marca, 85% ficam dentro de shoppings centers, mercado que também está em expansão. Para 2011, a meta é fechar o ano com 75 lojas próprias.
A Le Lis Blanc, empresa de vestuário focada no público feminino de alta renda, planeja chegar a 2013 com 120 lojas próprias, segundo o presidente da rede varejista, Alexandre Afrange. Para 2011, a meta é fechar o ano com 75 lojas próprias.
"Estamos com três anos como empresa aberta e temos conseguido entregar os resultados prometidos", disse o executivo, que raramente fala com a imprensa. O executivo destacou que um dos desafios da Le Lis Blanc é ser uma marca fundamentalmente brasileira, com funcionários e estilistas locais, tendo que competir com as grandes redes internacionais.
Com o crescimento da renda, a Le Lis Blanc tem conseguido aumentar vendas. "Ainda tem muito chão para crescer aqui", disse o executivo. Da rede de lojas da marca, 85% ficam dentro de shoppings centers, mercado que também está em expansão.
Sobre uma eventual capitalização para financiar a expansão da rede, Afrange disse que a varejista tem recursos próprios e condições de financiar a abertura de novas lojas sem captar novos recursos. No futuro, a empresa pode até ter operações no exterior. "Vamos estudar isso em algum momento, mas atualmente não é nossa preocupação", disse o executivo, na chegada do prêmio Destaque Agência Estado 2011, referente ao ranking de 2010, elaborado em parceria com a Economática.
Hypermarcas investe para centralizar operações
Valor 29.06.2011 - Bergamo, presidente da Hypermarcas: consolidação da estratégia de focar em medicamentos, cosméticos e fraldas
A Hypermarcas está investindo R$ 250 milhões para ampliação de suas unidades produtivas de medicamentos, cosméticos e fraldas descartáveis, além de centros de logística em Goiás - onde vai centralizar sua operação.
Com esse investimento, a Hypermarcas confirma sua estratégia de atuar exclusivamente nos segmentos de saúde e bem-estar. O grupo está vendendo a empresa de molho de tomate e conservas Etti e os negócios de produtos de limpeza, que tem como marcas principais a Assim e a Assolan, conforme antecipou o Valor em maio.
"Estamos consolidando nossa estratégia de focar nessas três áreas e nos desfazer de alimentos e limpeza", disse Claudio Bergamo, presidente da Hypermarcas. "Escolhemos setores que têm maior potencial de crescimento, que proporcionam uma rentabilidade que permite investir em inovação e marketing", complementou o executivo que anuncia hoje ao mercado o investimento em Goiás. Os segmentos de alimentos e produtos de limpeza hoje representam menos de 10% da receita do grupo.
Dos R$ 250 milhões, 30% são provenientes do caixa da companhia e os outros 70% são do Fundo de Financiamento do Centro-Oeste, que destina recursos do governo federal para empresas que investem nessa região do país. "Além dos incentivos fiscais, escolhemos Goiás por causa da infraestrutura, mão de obra e proximidade com mercados de consumo. Um fator que pesou na escolha foi o Financiamento do Centro-Oeste, que tem juros baixos e longo prazo, algo difícil de conseguir no Brasil", explicou o executivo.
Atualmente, a Hypermarcas conta com 23 unidades fabris, sendo 15 de cosméticos, 5 de medicamentos e outras 3 de alimentos e produtos de limpeza, distribuídas em várias regiões do país. Uma parcela dessas fábricas ligadas as áreas de saúde e bem-estar como, por exemplo, a da Farmasa e da Dorsay Monange, ambas em São Paulo, serão transferidas para Goiás. Já a unidade fabril da Mantecorp, adquirida no fim do ano passado, permanecerá no Rio.
A maior parte do investimento será revertida no complexo de medicamentos, que receberá um aporte de R$ 115 milhões. Essa unidade, localizada na cidade de Anápolis e que abrigava a fábrica da Neo Química, terá capacidade para produzir 6,5 bilhões de comprimidos por ano.
Os outros R$ 135 milhões serão destinados às operações de cosméticos na cidade de Senador Canedo, de fraldas descartáveis em Aparecida de Goiânia e no centro de logística que terá uma área de 50 mil m² a ser erguido em Goiânia.
Com a ampliação das unidades fabris e do centro de logística, cuja conclusão está prevista para daqui a dois anos aproximadamente, a produção da Hypermercas terá um crescimento de cerca de 50%, segundo Bergamo. Os novos complexos da companhia terão capacidade para atender a demanda dos próximos cinco anos.
Neste ano, a Hypermarcas pretende consolidar as 14 aquisições efetivadas nos últimos dois anos. "Em 2011, vamos arrumar a casa, consolidar a operação e capturar a sinergia das aquisições. Só no ano passado, foram feitas nove aquisições", afirmou o presidente da companhia, que encerrou o primeiro trimestre deste ano com uma receita líquida de R$ 647,7 milhões e lucro de R$ 55,2 milhões.
Passada a fase de organização interna, Bergamo não descarta aquisições fora do país. "Estamos preparando a nossa empresa para fazer frente às multinacionais e, quem sabe, no futuro, comprar empresas de fora e nos tornarmos uma multinacional como é a Ambev e o Pão de Açucar, que agora está negociando com o Carrefour ", disse o presidente da Hypermarcas.
Construtora investe R$ 300 mi em 12 torres em Santo André
Folha 29.06.2011 - A MZM Construtora, de Santo André, investirá R$ 300 milhões em um novo empreendimento na cidade.
Serão construídas 12 torres e 2.016 unidades, em um terreno de 56 mil m2.
O preço dos apartamentos, com dois ou três dormitórios e área de 55 m2 a 75 m2, deverá ficar entre R$ 230 mil e R$ 400 mil.
"Foram lançados poucos imóveis com menos de cem metros quadrados na região. É um mercado com muita demanda não atendida", diz o sócio da empresa Francisco Diogo Magnani.
Na cidade de São Paulo, apartamentos semelhantes custam cerca de 50% a mais, de acordo com Magnani.
"O preço deve atrair pessoas que já estão em Santo André e outras que trabalham na capital, mas que aceitarão viver um pouco mais longe", afirma.
A obra será construída no bairro onde era o parque industrial de Santo André.
"A região virou residencial e passa por um processo de revitalização. Pediremos até algumas mudanças nos nomes das ruas para a prefeitura", diz Magnani, que é fundador da MZM Construtora.
O Valor Geral de Vendas do empreendimento, que terá uma primeira parte lançada em outubro, é estimado em R$ 600 milhões.
Descoberta no poço Gávea é principal no pré-sal de Campos, diz Petrobrás
Estadão 28.06.2011 - Consórcio está analisando os resultados obtidos no poço, antes de continuar com o processo de exploração e avaliação da área.
A Petrobrás confirmou a descoberta de dois níveis de petróleo de boa qualidade no poço exploratório 1-REPF-11A-RJS, informalmente conhecido como Gávea, conforme a Repsol Sinopec havia informado mais cedo nesta terça-feira, 28. De acordo com nota da estatal, esta é a principal descoberta realizada no pré-sal da Bacia de Campos.
A Repsol Sinopec é a operadora do consórcio, com 35% de participação, tendo como parceiras a Statoil, com 35%, e a Petrobrás, com 30%. Segundo a Petrobrás, o consórcio está analisando os resultados obtidos no poço, antes de continuar com o processo de exploração e avaliação da área.
A companhia informa ainda que o poço, localizado a 190 quilômetros da costa do Rio de Janeiro, foi perfurado pelo navio sonda de última geração Stena Drillmax I, em águas de 2.708 metros e atingiu a profundidade final de 6.851 metros.
A Petrobrás e suas parceiras informaram às autoridades brasileiras a existência de indícios de hidrocarbonetos no poço exploratório Gávea em março de 2011, para o primeiro nível, e em abril deste mesmo ano, para o segundo nível.
Sete Brasil convida OSX para licitação
Valor 29.06.2011 - O estaleiro OSX foi convidado pela Sete Brasil para participar do processo de licitação para construção de sondas de perfuração. A Sete tem participação minoritária da Petrobras e foi criada para gerenciar as encomendas de embarcações da estatal. "Fomos convidados pela Sete Brasil e vamos fazer uma proposta para construir sondas (de perfuração)", disse o diretor financeiro e de relações com investidores da OSX, Roberto Monteiro.
O espaço para construções de empresas fora do grupo EBX - controlador da OSX - é de 20% e isso deve mudar apenas em 2015. Até lá o estaleiro terá cerca de 80% da capacidade de construção de plataformas flutuantes de produção, armazenamento e transferência (FPSOs) ocupada com encomendas da petroleira OGX, do mesmo grupo.
A OSX recebeu sinal verde do Fundo de Marinha Mercante para negociar uma linha de crédito de R$ 2,7 bi
A diminuição da ocupação pela OGX começa a partir de 2016. Inicialmente o estaleiro de São João da Barra (RJ), que terá 90% do seu investimento financiado pelo Fundo de Marinha Mercante (FMM), terá capacidade de converter simultaneamente seis plataformas FPSOs e oito plataformas fixas capazes de produzir em profundidades pequenas, até 150 metros. Quando o dique seco ficar pronto, será possível construir simultaneamente dois navios do tipo VLCC (navios de grande capacidade de transporte) ou duas a quatro sondas de perfuração, dependendo do tamanho das unidades.
O diretor da OSX disse que isso não significa que não exista espaço para encomendas de outras companhias. "Nossa capacidade para construir navios e sondas estará 100% disponível para o mercado brasileiro. E para construção de plataformas a ocupação pela OGX começará a cair a partir de 2016", diz Monteiro.
A OSX recebeu na semana passada sinal verde do Fundo de Marinha Mercante (FMM) para negociar uma linha de crédito de R$ 2,7 bilhões com um agente financeiro financiamento. Na segunda-feira, recebeu licença de instalação do Instituto Estadual do Ambiente (INEA) do Rio de Janeiro para construir o estaleiro em São João da Barra, junto ao porto do Açu. A obra está orçada em R$ 3 bilhões, sendo que 10% desse total devem ser aportados pela coreana Hyundai Heavy Industries, que é sócia do projeto.
A Hyundai e a OSX assinaram um acordo para transferência de tecnologia de construção e formação de mão de obra na região. A OSX criou o Instituto de Tecnologia Naval (ITN) em parceria com a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) e, segundo Monteiro, serão treinadas 7 mil pessoas entre 2011 e 2013.
A estimativa do grupo é que a obra do estaleiro seja concluída em 2014, mas antes disso haverá uma entrega parcial prevista para o primeiro trimestre de 2013. É quando ficará pronta a área para fazer a montagem da quarta plataforma da OGX.
Rede Accor
Folha 29.06.2011 - A rede Accor fechou parceria de R$ 80 milhões com o grupo mineiro Maio/Paranasa para construir um hotel em Belo Horizonte. Será o primeiro da bandeira Novotel na cidade.
As obras começarão no quarto trimestre deste ano e devem ser concluídas no início de 2014.
As duas empresas inauguraram um outro hotel na capital mineira nesta semana e estão com mais quatro em construção. Elas investirão R$ 380 milhões na cidade nos próximos três anos.
Com os seis novos hotéis, as empresas criarão 1.204 apartamentos. A expectativa é atender a demanda gerada pela Copa do Mundo e pelo crescente setor de turismo de negócios.
Cresce número de famílias endividadas em São Paulo
Folha 29.06.2011 - O número de famílias endividadas cresceu em junho na capital paulista, para 1,684 milhão.
O aumento foi de 2,7% na comparação com maio e de 11,5% em relação ao mesmo mês de 2010, de acordo com levantamento da Fecomercio, que será divulgado hoje.
O resultado mostra que 46,9% das famílias paulistanas estão com dívidas.
Apesar do aumento, ainda não há motivos para preocupação do mercado, devido ao patamar elevado da confiança dos consumidores, segundo técnicos da Fecomercio.
Em junho, 29,4% dos paulistanos afirmaram estar comprometidos com dívidas por mais de um ano.
Entre os consumidores com contas em atraso, 50,6% disseram estar inadimplentes há mais de 90 dias.
Vendas nos supermercados
Folha 29.06.2011 - Depois de dois meses no azul, as vendas nos supermercados do Estado de São Paulo voltaram a registrar resultados negativos.
No mês passado, a queda real (descontada a inflação) foi de 9,7% na comparação com o mês anterior, de acordo com a Apas (Associação Paulista de Supermercados).
O resultado, porém, já era previsto pelo setor. "Como as vendas na Páscoa foram altas, já era esperada essa desaceleração em maio", diz Martinho Moreira, da Apas.
Para o setor, a Páscoa é a segunda melhor data, só perde para as vendas do Natal.
No Brasil, metade dos alunos não tem acesso a computador
Estadão 29.06.2011 - Entre 65 países avaliados, apenas 10 estão em situação pior que a brasileira, indica[br]levantamento do Pisa
Metade dos estudantes brasileiros está "desconectada" e o País soma uma década de atraso em relação aos países ricos no que se refere ao acesso a computadores e internet. Se não bastasse, as escolas brasileiras estão entre as piores em relação ao contato dos alunos com a informática, o que pode comprometer a formação de milhares de jovens.
Esse é o resultado do primeiro levantamento do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) para analisar a relação entre os sistemas de ensino e a tecnologia. Segundo o documento, elaborado com dados de 2009 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), as escolas brasileiras não estão equipadas e o Brasil é o último em uma lista de 38 países avaliados em relação ao número de computadores por alunos na escola.
"O aprendizado do uso do computadores é primordial para o futuro desses jovens. Estudos mostram que pessoas com conhecimento de informática têm 25% mais de chance de encontrar um trabalho", disse Sophie Vayssettes, pesquisadora responsável pelo levantamento, que mediu o acesso ao computador de um estudante de 15 anos em várias partes do mundo.
De um total de 65 países avaliados, apenas 10 estão em situação pior que a do Brasil. Alunos da Romênia, Rússia e Bulgária contam com mais acesso à tecnologia que os brasileiros. No País, em média, 53% dos estudantes de 15 anos têm computadores em casa. Há dez anos, a taxa era de 23%. Apesar do avanço, os números ainda são inferiores à média dos países ricos. Na Europa, EUA e Japão, mais de 90% dos estudantes têm computador. O acesso no Brasil é hoje equivalente ao na Europa no ano 2000.
O estudo aponta ainda a desigualdade do acesso à informática no Brasil. Entre os mais ricos, 86% têm computador e internet em casa - taxa equivalente a dos alunos de países ricos. Entre os mais pobres, apenas 15% têm as ferramentas em casa.
Gestores buscam ganhos em lugares 'exóticos'
Valor 29.0.6.2011 - Mark Mobius, da Franklin Templeton: interesse no Iraque e em Bangladesh.
Os gestores de recursos estão de olho em investimentos no Iraque e em outros países que se recuperam de instabilidades políticas. Isso porque, depois da alta de mercados como o Brasil e a Índia, lugares exóticos estão se tornando mais aceitáveis entre os investidores. Desde a crise financeira, as pessoas vêm tentando compensar o crescimento fraco do mundo desenvolvido alocando mais dinheiro em mercados emergentes como o Brasil, Rússia, Índia e China, que formam os Bric.
Os gestores estão agora se voltando para países mais exóticos, classificados como mercados de fronteira não amadurecidos, em vez de mercados emergentes. Esses países exibem características que prometem crescimento acelerado, como riqueza em recursos naturais ou populações jovens. Entre esses mercados, estão Iraque, Bangladesh e Egito.
"Estamos interessados no Iraque, o problema é que eles não possuem um sistema que permita a entrada dos investidores", disse, em Mônaco, durante um fórum de investimentos, Mark Mobius, especialista em mercados emergentes da gestora americana Franklin Templeton e responsável pelo Templeton Emerging Market Group. Mobius acrescentou que está em busca de oportunidades em Bangladesh.
Um relatório do Citigroup publicado este ano estima que nos próximos cinco anos a Mongólia e o Iraque irão crescer a taxas de dois dígitos, ambos os países conduzidos pela extração de recursos naturais. O Iraque também deve se beneficiar pela reconstrução após a guerra.
Este ano, o Goldman Sachs lançou seu fundo de investimentos "Next 11", que aplica no Paquistão e também na economia mais estável da Turquia, além de outros países identificados como motores do crescimento pelo economista Jim O'Neill, que cunhou o termo Bric. O HSBC lançou um fundo para investimentos em um grupo de seis países que o banco chamou de Civets, incluindo a Colômbia, um país que está saindo de anos de violência política e criminal.
Enquanto isso, o Standard Bank revelou ser um "fã ardoroso" do Zimbábue. "No longo prazo, o que vemos nesses países é bastante promissor", afirma Rudolf Aperbrink, presidente-executivo da HSBC Global Asset Management para a Europa, Oriente Médio e África. "Alguns podem estar um pouco instáveis no momento, mas talvez este seja exatamente o ponto de olhar para eles e formar posições".
A instabilidade política não é motivo para ignorar esses países, diz Allan Conway, diretor de mercados emergentes da administradora britânica de fundos Schroders, que tem US$ 27 bilhões sob gestão. "Temos que ser cautelosos ao assumir que o risco político por si significa que você não deveria investir", explica Conway.
Embora os investidores pareçam estar aceitando mais alguns riscos políticos, a governança corporativa continua sendo uma grande preocupação. A corrupção "ainda é um grande problema" nos mercados emergentes, mas "parece que os mercados não estão dando muita atenção a isso", afirma David Gait, gestor do fundo First State Asia Pacific Sustainability.
Uma pesquisa da Ernst & Young divulgada no mês passado constatou que mais de 80% dos participantes baseados em mercados emergentes veem a corrupção como disseminada nos lugares onde trabalham. Escândalos de corrupção na Índia levaram os fundos mútuos especializados no país para o fim dos rankings de desempenho no ano passado, demonstrando que os mercados emergentes ainda têm uma tendência de volatilidade.
A Rússia é "o mercado emergente mais barato do mundo" em parte por causa das preocupações com a governança, explica Conway, da Schroders. "É preciso ter certeza de que o grau de corrupção não vai ameaçar o investimento que você está fazendo, e que ele também esteja embutido nos preços do mercado", diz.
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