terça-feira, 14 de junho de 2011

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Daily News


Banco do Brasil busca R$ 1 trilhão em ativos até o final deste ano

DCI 14.06.2011 - O Banco do Brasil pretende passar da marca de R$ 1 trilhão em ativos este ano. E para isso, aposta ainda na pessoa física, principalmente de baixa renda. "Um dos nossos focos é a rentabilização da base, que chega a 55 milhões de clientes. Para exemplificar, 20% dos clientes da classe D respondem por 70% da margem, e 20% da classe E, por 98% da margem", afirma Paulo Rogério Caffarelli, vice-presidente de Varejo e Novos Negócios do BB, em entrevista exclusiva ao DCI.

Outra prioridade do banco público em 2011 é investir em crédito para pessoa física. "Só não somos líderes em crédito porque investimos pouco neste segmento. Temos a necessidade de crescer bastante em pessoa física, porque o que nos impede de ser líder hoje em crédito geral é o fato de não sermos líderes em pessoa física", afirma.

O banco também se prepara para assumir o Banco Postal, o que deve, segundo Caffarelli, impulsionar não só a abertura de contas, mas também a venda de produtos do banco, como seguros.

Quanto à bandeira de cartões Elo, lançada recentemente, o vice-presidente do BB afirma que tem um sonho. "Acredito que poderíamos deixar os cartões Elo para uso no mercado interno, enquanto as bandeiras Visa e MasterCard serão usadas por quem viaja ao exterior", revela.



Bancos aceleram captação de depósitos com garantia especial

Valor 14.06.2011 - Paulo Henrique Pentagna Guimarães, do Bonsucesso: "Faz sentido tomar todo o limite, já que vai haver retração"

Os bancos estão acelerando as captações de recursos por meio do depósito a prazo com garantia especial do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o chamado DPGE. O volume de emissões registradas na Cetip entre dezembro de 2010 e maio de 2011 somou R$ 6,39 bilhões, com crescimento de 30% em relação ao período de dezembro de 2009 a maio de 2010. O estoque alcançava, em 10 de junho, R$ 22 bilhões.

O ritmo mais forte de emissões de DPGE observado a partir de dezembro do ano passado decorre de uma combinação de fatores. O fim anunciado da modalidade, o cenário restritivo para cessões de carteiras de crédito e até mesmo o custo da linha - normalmente considerado caro, mas que tem saído mais barato comparado a outras alternativas - vem contribuindo para impulsionar as ofertas.

A perspectiva é de expansão nos próximos meses, muito em função do cronograma de redução gradual das emissões, estabelecido pelo governo em dezembro de 2010. O DPGE, que conta com a cobertura de até R$ 20 milhões do FGC por investidor, foi criado em 2009 para dar aos bancos médios uma fonte alternativa de captação em meio à escassez de recursos que se seguiu à crise financeira deflagrada em 2008. Os bancos podem emitir um volume de até duas vezes o patrimônio de referência (ou depósitos). Agora, o limite para captação será reduzido em 20% ao ano a partir de 2012, até a extinção desse tipo de "funding", em 2016.

"Faz sentido tomar todo o limite, já que vai haver retração", diz Paulo Henrique Pentagna Guimarães, presidente do Bonsucesso. "Nós vamos tomar e aqueles [bancos] que tiverem uma política inteligente também." O Bonsucesso, especializado na oferta de crédito consignado, já emitiu R$ 700 milhões em DPGEs. Seu limite de R$ 950 milhões permite captar, ainda este ano, mais R$ 250 milhões. Em 2012, como o teto cai para R$ 760 milhões, o espaço que sobra é de apenas R$ 60 milhões.

Menos alavancado que seus pares, o Paraná Banco, também especializado na concessão de crédito consignado, usou muito pouco seu limite de R$ 1,5 bilhão. Emitiu apenas R$ 92,7 milhões em DPGEs, ainda em 2009, quando o título foi criado. Mas, apesar de estar com o caixa confortável (R$ 500 milhões), não desconsidera a alternativa do DPGE. "Estamos conseguindo nos financiar via CDB, mas pode ser que utilizemos, sim, DPGE", afirma Mauricio Fanganiello, gerente de RI.

O mercado de cessão de créditos mais seletivo e caro também explica o movimento. Guimarães, do Bonsucesso, conta que a carteira de crédito retida pelo banco em seu balanço aumentou 43% entre o quarto trimestre de 2010 e o primeiro trimestre de 2011, de R$ 1,195 bilhão para R$ 1,705 bilhão. O Paraná Banco não faz cessão pois considera oneroso esse tipo de captação.

"Depois de PanAmericano, Schahin e Morada, o mercado de cessão ficou bem mais seletivo e caro", afirma Pedro Gomes, diretor da área de bancos da agência de classificação de risco Fitch. Segundo ele, o custo da cessão está hoje em 103% do CDI, na média - fora os gastos administrativos e com inadimplência. No início do ano estava ainda mais caro, em torno de 104% e 105% do CDI. "Além disso, bancos como Santander e Itaú reduziram os limites de compra. Alguns estrangeiros como Credit Suisse e ABC Brasil nem voltaram a comprar."

Não é só a cessão de carteira que ficou mais cara. O preço das captações externas também está salgado. Guimarães, do Bonsucesso, fez uma sondagem em abril com investidores de Portugal, Suíça, Inglaterra e Estados Unidos, mas acabou desistindo da ideia de captar US$ 250 milhões. "Estavam pedindo muita taxa de juro", diz.

O BicBanco, que não havia feito emissão de DPGE até o terceiro trimestre do ano passado, resolveu aderir à modalidade. No fim de março, apresentava saldo de R$ 1,044 bilhão, equivalente a 13,6% do total de depósitos a prazo. O vice-presidente Milto Bardini explica que objetivo principal da instituição é alongar seu passivo - o DPGE tem vencimento mínimo de dois anos. Para efeito de comparação, o prazo médio dos CDBs do BicBanco é de 427 dias, enquanto o vencimento médio dos DPGEs é de 999 dias.

"Mesmo com esse foco específico, a alternativa do DPGE é interessante quando comparada a uma captação externa", ressalta Bardini. O que mais tem encarecido as captações externas é o custo do "hedge", proteção que os bancos fazem no mercado de derivativos para anular os efeitos da variação cambial. Segundo Bardini, a diferença do custo total de uma captação externa em relação ao de uma emissão de DPGE, hoje, está na ordem de 10% do CDI. "Queremos fazer concorrência entre o DPGE e a captação externa em dólar."

O aumento da Selic tem contribuído para diluir o custo dos bancos com a contratação da garantia do FGC - os bancos têm de recolher ao fundo 1% do valor emitido em DPGE. No segundo semestre de 2009, por exemplo, quando a taxa básica de juro estava em 8,75% ao ano, o custo total da captação girava em torno de 114% do CDI. Com a Selic em 12,25% ao ano, esse custo cai para algo como 108% do CDI.

O diretor da área de bancos da agência Fitch alerta, porém, para o risco de uma corrida dos bancos pelo DPGE. "A ideia é que ele seja uma linha de contingência", diz Gomes. "Se o banco tiver usado todo o limite, durante um momento de estresse pode ficar com a liquidez pressionada."

O BicBanco, focado na concessão de empréstimos a médias empresas, usou 20% de seu limite de R$ 5 bilhões e não pretende ultrapassar 50% da capacidade (de R$ 2,5 bilhões) no médio prazo. "O DPGE nasceu como um instrumento de liquidez emergencial e consideramos que assim deve continuar", afirma Bardini.

Mas, segundo Gomes, da Fitch, quem mais tem usado DPGE são bancos pequenos e dependentes de cessão de carteira. "Quanto menor o banco, mais tomado em DPGE ele está." Antonio Carlos Bueno, diretor executivo do FGC, acredita que a evolução das emissões de DPGE é pouco expressiva. "O crescimento real do estoque gira em torno de 7% a 8% nos últimos seis meses, o que é muito pouco, se considerarmos a tímida compra de carteiras que vem ocorrendo nesse período."



Caixa arremata por R$ 3,5 bi todos os títulos do porto do Rio

Folha 14.06.2011 - Parte dos certificados será leiloada; venda deve ocorrer até julho. A Caixa Econômica Federal, controladora do fundo que comprou ontem os títulos imobiliários para a revitalização da zona portuária do Rio, vai leiloar parte dos Cepacs (certificados de potencial adicional construtivo).

Único concorrente no leilão realizado ontem, o Fundo de Investimento Imobiliário Porto Maravilha, controlado pela Caixa com recursos do FGTS, arrematou os 6,4 milhões de Cepacs pelo valor mínimo: R$ 3,5 bilhões.

O repasse à Prefeitura do Rio chegará a R$ 8 bilhões com a regularização fundiária e a venda de terrenos públicos da área.

O preço inicial de cada Cepac a ser revendido pela Caixa será maior do que os R$ 545 pagos à Prefeitura do Rio. A expectativa é que o leilão ocorra até o final de julho.

A Caixa estuda também trocar os certificados por unidades construídas.

"Temos a missão de retornar o valor investido para o nosso investidor, que é o FGTS. Vamos avaliar o melhor risco e retorno para o fundo", disse o gerente nacional de fundos especiais da Caixa, Vitor Hugo Pinto.

O fundo tem preferência para a compra dos terrenos públicos. A Caixa estuda associar-se a construtoras em empreendimentos na região.

Os recursos repassados à prefeitura custearão obras na área. A mais emblemática é a derrubada do elevado da Perimetral, viaduto de 5,5 km à beira-mar, apontado pela degradação do entorno.

Na cerimônia de venda dos Cepacs, o prefeito Eduardo Paes afirmou que as obras serão as maiores que a cidade já viu desde a reforma do prefeito Pereira Passos, responsável pela transformação urbana no centro do Rio.

"O Rio será uma cidade de muitas implosões nos próximos anos."



Valor 14.06.2011 - XP absorve Interfloat e se torna líder no varejo de ações

A XP Investimentos, uma das principais corretoras de valores do mercado, fechou um acordo para absorver a Interfloat, atual líder do segmento de varejo - o chamado home broker. A operação cria a maior corretora de home broker do mercado, com 25% de participação, e uma das maiores no ranking geral da BM&FBovespa. Hoje, a Interfloat é a primeira colocada no ranking de home broker, com 14,2% dos negócios, e a XP, a terceira, com 10%. "É um movimento importante, passamos a ter mais negócios que o segundo, o quarto e o quinto colocado no ranking juntos", diz Guilherme Benchimol, diretor-geral da XP.

Além da participação de mercado, a operação também tem um valor estratégico importante, pois a Interfloat é focada em investidores sofisticados, que operam grandes volumes sozinhos, os chamados "traders". Eles competem com bancos e fundos na busca dos melhores negócios com ações. Já a XP é especializada na formação de investidores novatos, a partir de cursos. "Claramente há uma grande sinergia", diz Benchimol.

Segundo ele, não houve uma aquisição, mas uma união estratégica em que os clientes da Interfloat deverão migrar para a plataforma da XP nos próximos 90 dias. O diretor-geral e sócio-fundador da Interfloat, Roberto Lombardi, assumirá o comando da área da XP que passará a ser responsável pelos grandes investidores. "Não compramos a empresa Interfloat, que será liquidada no fim do processo", explica Benchimol.

A nova área da XP nasce, portanto, com cerca de 500 grandes clientes pessoa física originários da Interfloat, e deverá receber investimentos, diz Lombardi. "Hoje temos três salas de clientes em São Paulo que atendem em média 150 pessoas cada uma, e a proposta é abrir mais três até o fim do ano, inclusive a primeira no Rio", afirma. Lombardi começou em 1987 como operador especial da BM&F e, em 1992, criou a Interfloat.

Essa experiência de "scalper" fez Lombardi criar um sistema de atendimento especial para os "traders", que exigem uma infraestrutura muito mais sofisticada. "O ambiente das salas é supermoderno, com três monitores para cada cliente, alta velocidade e baixo número de problemas de conexão", diz. A expectativa é oferecer esse serviço especial também via internet para as 300 cidades onde a XP está presente. "Entendemos que a profissão de 'trader', de pessoas vivendo de negociar ações, está crescendo e queremos intensificar esse processo com abertura de salas ou oferecendo plataformas para os que operam de casa", afirma Benchimol.

As plataformas de alta velocidade, ou DMA, trouxeram condições para o investidor individual competir com fundos e bancos, lembra Lombardi. "Antes, ele tinha de passar pela mesa de operações, fazer o pedido para negociar no viva-voz, e isso o deixava em desvantagem", afirma o executivo. "Hoje, com as ferramentas de negociação atuais, uma pessoa física pode negociar em igualdade de condições com qualquer tesoureiro de banco."

Essa especialização da Interfloat permitiu que a corretora liderasse o ranking de home broker desde outubro de 2009. Em maio, foram R$ 6 bilhões negociados, que somados aos R$ 2,7 bilhões da XP resultam em R$ 8,7 bilhões no varejo. "Mas o mercado mudou muito desde a desmutualização da bolsa, houve a chegada de várias corretoras internacionais, uma guerra de tarifas, e percebi que precisava de uma associação com uma corretora com um modelo de atuação mais amplo, como a XP", afirma Lombardi.

No ranking geral da bolsa, que inclui o atacado, as duas corretoras atingiram quase R$ 20 bilhões em negócios em maio - R$ 13,6 bilhões da XP e R$ 6,4 bilhões da Interfloat, o que equivaleria ao quarto lugar no ranking, atrás apenas do Credit Suisse, Morgan Stanley e Itaú. "A XP vai brigar pela liderança do mercado em geral, o que já conseguimos no varejo", diz Benchimol.

Os termos da venda da carteira da Interfloat para a XP, porém, não foram detalhados. "Não definimos ainda se o Lombardi vai ser sócio da XP ou se terá uma parcela dos ganhos com os negócios da área", diz Benchimol. Ele acrescenta que continua conversando com outras corretoras para eventuais aquisições. "Esperamos ter mais novidades nos próximos meses", diz.

A aquisição da Interfloat é mais um passo importante da XP no caminho para a abertura de capital, prevista para o início do ano que vem. Na semana passada, a corretora anunciou um acordo com a dupla de analistas gráficos Leandro & Stormer, cujo site reúne cerca de cinco mil investidores mais especializados. "Hoje, para ser uma corretora rentável no Brasil é preciso ter um tamanho mínimo e escala", diz Benchimol. "Além disso, temos um projeto de montar um shopping center financeiro."

A Interfloat tem hoje 90 funcionários, que deverão ser parcialmente absorvidos pela XP. "Estamos em expansão e vamos tentar aproveitar o máximo de pessoas", diz Benchimol. Hoje a XP tem 450 funcionários.



Fundo soberano de Cingapura atinge 5,3% de participação na Aliansce

Valor 13.06.2011 - O fundo soberano de Cingapura – Government of Singapore Investment (GIC) – atingiu participação de 5,3% no capital da administradora de shopping centers Aliansce, de acordo com comunicado ao mercado divulgado na noite desta segunda-feira.

O informe ressalta que a participação societária tem caráter de investimento e não visa a modificar a composição do controle acionário ou a estrutura administrativa da companhia.A operação reforça o interesse do GIC no Brasil. No segmento imobiliário, o fundo participa de um investimento de US$ 650 milhões em seis projetos da Cyrela Commercial Properties (CCP), ao lado do fundo de pensão canadense Canadian Pension Plan. Ainda no Brasil, o GIC integrou o consórcio que comprou 18,65% do capital do BTG Pactual, com injeção de US$ 1,8 bilhão na empresa.



Grupo de laboratórios tenta barrar Dasa

Valor 14.06.2011 - A Dasa, maior empresa de medicina diagnóstica do país, enfrenta dificuldades para entrar na área da saúde pública de Santa Catarina. Os laboratórios de Florianópolis e São José, e entidades locais como o Conselho Regional de Farmácia (CRF), alegam, judicialmente, que a Dasa tem sócios estrangeiros e por isso não pode operar em postos de saúde públicos.

O MP de Santa Catarina já recomendou a anulação do contrato entre a prefeitura de Florianópolis e a Dasa, com sede em São Paulo. Em São José, um grupo de laboratórios locais obteve decisão liminar favorável na justiça, que impede a atuação da Dasa, que pode recorrer. A decisão tomou como base leis que determinam que empresas de capital estrangeiro estão impedidas de participar de licitações no setor de saúde pública.

"A lei orgânica da saúde e a Constituição Federal são claras e vedam a participação de empresas com capital estrangeiro, direta e indiretamente, em licitações de saúde. Só há exceção para planos de saúde", diz o advogado Dagoberto Lima, especializado em legislação na área da saúde. "Laboratórios com capital de fora, normalmente, constituem empresa nacional para participar de licitações, mas se alguém questionar, a licitação pode ser facilmente anulada", diz Lima.

Os episódios em Santa Catarina podem abrir precedentes em outras praças em que a Dasa já atua ou pretende entrar. Com pelo menos 45% do capital nas mãos de investidores estrangeiros, a Dasa tem contratos com 36 secretarias de saúde nos Estados de São Paulo, Rio, Espírito Santo, Minas Gerais e Tocantis.

No ano passado, a divisão da Dasa que atua em postos públicos por meio da marca CientificaLab, gerou receita de R$ 186 milhões, um aumento 8,4% sobre 2009 - um dos maiores crescimentos dentro da companhia. A CientificaLab representa 11,4% do faturamento total da companhia, que somou R$ 1,6 bilhão no ano passado.

O mercado brasileiro de laboratórios é bastante pulverizado com cerca de 8 mil empresas de medicina diagnóstica, sendo que a maioria é de pequenos laboratórios que normalmente têm dificuldades de enfrentar grandes grupos.

Em Santa Catarina, houve uma movimentação conjunta. Em Florianópolis, oito laboratórios - Unidos, Trindade, Santa Luzia, Gênesis, Pró-Vida, Nossa Senhora de Fátima, Ciência e Diagnóstico - se reuniram e passaram a ser conhecidos como "G-8". O grupo ganhou recentemente mais um integrante, o laboratório São Clemente.

"Um dos nossos associados pediu que o Conselho Regional de Farmácia entrasse com uma representação no Ministério Público [ de Santa Catarina]. O MP recomendou a anulação do contrato firmado entre a prefeitura de Florianópolis e a Dasa. Nossa alegação é que a Dasa tem capital estrangeiro", explicou Sérgio Gomes Simões Junior, advogado do CRF de Santa Catarina, cujo parecer favorável aconteceu há cerca de 10 dias.

"Nossa recomendação foi de anulação, mas o administrador local [prefeitura] fez ponderações, alegando que a Vita Lâmina já atuava na área pública antes de ser comprada pela Dasa e que, portanto, poderia continuar prestando serviços. Diante disso, solicitei ao administrador que consultasse o órgão federal responsável pelo SUS ", explicou o promotor Aor Steffens Miranda, da 31ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital, referindo-se ao Ministério da Saúde. "Agora, cabe ao órgão federal decidir se a atuação da Dasa fere ou não a lei do SUS, que impede a participação de empresas com capital estrangeiro em licitações", complementou.

Procurada pela reportagem do Valor, a Dasa informou, por meio de comunicado, que "por ser uma empresa de capital difuso e também com o objetivo de preservar todas as partes envolvidas, não se manifesta sobre processos licitatórios e concorrências que estão em andamento." A Dasa já atua no mercado privado em várias cidades catarinenses desde 2001, quando comprou o Lâmina.

De acordo com os integrantes do "G-8", o edital da licitação também exige que a empresa ganhadora tenha laboratório em Florianópolis. E, segundo o grupo, a Dasa envia seus exames a São Paulo.

A movimentação contra a atuação da Dasa na área pública começou por São José, cidade catarinense em que os laboratórios Bioclínico, Continente e Santa Filomena conseguiram impedir a presença da Dasa no município há cerca de 60 dias. "Entramos na justiça comum com uma ação bloqueando a participação da Dasa nos postos de saúde de São José. O contrato é de cerca de R$ 250 mil, por mês", disse Vlademir Marques, dono do laboratório Continente. A liminar foi concedida pela Vara da Fazenda Pública da Comarca de São José.

Segundo Marques, os laboratórios de Joinville também estão se movimentando para impedir a entrada da Dasa na cidade.

O grupo paulista de medicina diagnóstica Biofast, com forte atuação na área pública, também vem se movimentado. "Entramos com impugnações junto ao Tribunal de Contas contra a Dasa há cerca de um ano. Alguns contratantes alegam que a proibição de grupos com capital estrangeiro não está explicito no edital e deixam passar, mas a lei é bem clara", disse Rogério Saladino, presidente da Biofast.



Speedy sofre pane nesta segunda

Estadão 13.06.2011 - Queda na conexão com o exterior deixou o serviço de banda larga da Telefônica fora do ar no fim da tarde desta segunda

O serviço de banda larga da Telefônica sofreu uma pane nesta segunda-feira, 13, que deixou clientes do Speedy sem acesso à rede. De acordo com a Telefônica, uma falha na conexão com o exterior provocou os problemas e afetou parte dos usuários. A empresa informou que os clientes do Speedy voltaram a ter acesso à internet a partir das 18h30.

Em nota, a empresa afirmou ter detectado uma “instabilidade” por volta das 17h45 desta segunda-feira em “dois equipamentos (roteadores) responsáveis pela saída internacional de internet”. O problema, segundo a empresa, afetou principalmente o acesso a sites hospedados no exterior.



LBR ajusta operação e vai investir

Valor 14.06.2011 -  Quase seis meses após sua criação, a LBR - Lácteos Brasil, resultado da união entre a gaúcha Bom Gosto e a Leitbom, está em plena integração, mapeando sinergias, identificando caminhos para ser mais competitiva e já prepara investimentos para a modernização de fábricas e equipamentos.

O processo de integração deve durar ainda todo este ano e tem sido uma tarefa complexa: antes de começar a integrar a Leitbom, controlada pela Monticiano Participações (GP Investimentos e Laep, controladora da Parmalat), e a Bom Gosto, foi preciso trabalhar na integração das sete aquisições que o laticínio gaúcho havia feito nos últimos três anos, além da fusão com a Líder. "Estamos mapeando sinergias e estabelecendo os processos da nova companhia", afirma Fernando Falco, diretor-presidente da Lácteos Brasil.

Nesse processo de integração, a LBR decidiu fechar temporariamente, segundo Falco, quatro das suas 30 unidades no país: Uruaçu e Fazenda Nova, ambas em Goiás, e Minduri e Aiuruoca, as duas em Minas Gerais. O fechamento levou à demissão de 120 pessoas de um total de 6.280 funcionários da LBR.

Em Uruaçu, a empresa produzia leite condensado e leite em pó. Agora, a produção ficará concentrada em São Luiz dos Belos Montes (GO) e em Tapejara (RS), de acordo com Falco. Fazenda Nova tinha produção de queijo parmesão ralado. As duas outras fabricavam queijo, e agora essa produção será concentrada em Pouso Alto e Curral Novo, as duas no Estado de Minas.

Segundo a empresa, as quatro unidades representam apenas 2,09% de seu volume total de produção. "Depois de uma análise econômica, concluímos que era mais interessante concentrar para ter competitividade e escala", diz o executivo. O plano é reabrir essas unidades, afirma Falco, dependendo do comportamento da demanda. "Podemos reabrir com outro tipo de operação", observa.

Questionado sobre a possibilidade de novos fechamentos, o executivo diz que "não identificamos no momento a necessidade de fechar novas fábricas".

Além de buscar ganhos de escala e melhora no mix de produtos, a LBR busca mais eficiência logística. Isso será possível, por exemplo, com a produção de diferentes marcas de leite longa vida na mesma fábrica.

A estratégia para as marcas da Lácteos Brasil também está sendo redesenhada. A empresa admite que algumas marcas menores poderão desaparecer de seu portfólio num horizonte de cinco anos dependendo de seu desempenho. O fato é que a LBR ficou com um número muito grande de marcas - 15 no total -, que pertenciam à Leitbom e à Bom Gosto.

A empresa elegeu duas como marcas nacionais: Parmalat, para leite e seus derivados, e Poços de Caldas, para queijos, requeijão e refrigerados. De acordo com Falco, a estratégia para as marcas prevê ainda que algumas delas ficarão mais regionalizadas e restritas a determinados produtos.

O processo de integração da empresa ainda está em curso, mas já há planos para o crescimento orgânico, por isso a LBR planeja investir R$ 129 milhões nos próximos 18 meses num programa de modernização de fábricas, com a instalação de máquinas de envase de lácteos mais eficientes. Do valor total, R$ 100 milhões são contrapartida dos fornecedores das máquinas de envase, que serão pagos por meio de contratos de leasing.

Nos primeiros cinco meses de operação, a Lácteos Brasil faturou, em média, R$ 220 milhões mensais, abaixo dos R$ 250 milhões previstos quando a fusão foi anunciada e se estimou receita total de R$ 3 bilhões anuais. "O faturamento foi um pouco menor porque operamos abaixo da capacidade. A partir deste mês, começa a aumentar [o processamento]", afirma Fernando Falco. A capacidade de processamento diário da companhia é de 8 milhões de litros de leite.

Sem citar números, o executivo diz que nesses primeiros cinco meses de operação a LBR está perto do "break-even", mas ainda está no campo negativo por conta dos custos da integração.

A abertura do capital da Lácteos Brasil ou a associação com um parceiro estratégico são possibilidades que os controladores da empresa vislumbram. "Quando isso vai acontecer?", indaga o próprio Falco, referindo-se ao eventual lançamento de ações na bolsa. Ele mesmo responde: "Quando a empresa estiver bem resolvida, atrativa". Sobre uma possível negociação com a francesa Lactalis, o executivo não comenta.

Mas esse é um movimento natural, acreditam analistas do setor de lácteos, até porque o Brasil é um mercado com mais perspectivas de crescimento do que os países da Europa. A empresa francesa, dona da marca Président, fez uma oferta pelo controle da Parmalat italiana depois de ter alcançado uma participação de 29% no capital da empresa em abril. Antes da oferta da Lactalis, a LBR chegou a negociar uma operação de troca de ações com a empresa italiana.

Como a Lácteos Brasil tem licença para uso da marca Parmalat no Brasil, haveria duas opções no horizonte da francesa: um licenciamento "ad eternum" da marca Parmalat para a brasileira ou compra de participação na LBR.



Roark Capital compra Arby's por US$ 130 milhões

Valor 14.06.2011 - O Wendy's/Arby's Group venderá a maior parte de sua rede Arby's, em dificuldades financeiras, ao fundo de investimentos Roark Capital Group por cerca de US$ 130 milhões em dinheiro.

O Roark Capital Group, também informou ontem ter comprado a Il Fornaio Corp, dona da Corner Bakery Café e dos restaurantes Il Fornaio, sem revelar detalhes. As duas compras se somarão as operações do fundo no setor, que já incluem a Wingstop, Auntie Anne's, Carvel Ice Cream e Cinnabon.

O Roark assumirá cerca de US$ 190 milhões em dívidas da rede Arby's, famosa pelos sanduíches de rosbife. Tanto o Roark como o Wendy's/Arby's Group são de Atlanta. O Wendy's/Arby's manterá participação de 18,5% na rede Arby's, avaliada em cerca de US$ 30 milhões, e também receberá benefícios tributários em torno a US$ 80 milhões, a serem utilizados ao longo de alguns anos.

O diretor de finanças do Wendy's/Arby's, Steve Hare, disse que o grupo usará os recursos obtidos com a venda no pagamento de equipamentos de cozinha, em aperfeiçoamentos para adotar o sistema de "drive-through" no café da manhã e em uma nova linha de hambúrgueres, entre outros novos itens para o cardápio.

O dinheiro também ajudará o grupo a acelerar as remodelações na rede Wendy's e na construção de novas unidades nos EUA e exterior, afirmou o diretor de finanças.

Hare disse que o grupo manteve uma participação no Arby's porque acredita no "potencial de longo prazo" da rede. O grupo havia anunciado em janeiro planos para vender o Arby's, que vinha apresentando um dos piores desempenhos do setor, em vendas de lojas com mais de um ano, para concentrar-se no Wendy's.

O valor total do acordo está em linhas gerais dentro das expectativas, segundo a analista Sara Senatore, do Sanford Bernstein. O Roark já administra outras redes de sanduíches, como a McAlister's Deli e a Schlotzsky's. Agora, terá de usar sua experiência na área para revitalizar o Arby's e concorrer com outras redes que vendem sanduíches em lojas mais modernas.



Governo ampliará índice de nacionalização de tablets, smartphones e TVs

Exame 13.06.2011 - Entre as regras estaria a ampliação da nacionalização das peças dos tablets, que atualmente é de 20%, para que fabricantes possam receber os incentivos fiscais da Lei do Bem

De todos os preços e tamanhos, os novos tablets multimídia chegam com força a um mercado ainda dominado pela Apple, e os múltiplos anúncios de novos lançamentos trazem o presságio de uma democratização destes aparelhos, similar a dos smartphones.

Nesta segunda-feira, 13, em inauguração de nova linha de produção da unidade fabril da Ericsson, em São José dos Campos (SP), o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, afirmou que o incentivo à fabricação local de equipamentos de alta tecnologia é uma das prioridades do governo. “A criação de regras para estimular essa produção está em pauta e é mais do que necessária para reduzir o déficit da balança nessa cadeia, que já ultrapassa os US$ 18 bilhões”, diz.

Entre essas regras, segundo o ministro, estaria a de ampliação do índice de nacionalização dos componentes dos tablets, que atualmente é de 20%, para que fabricantes possam receber os incentivos fiscais e tributários da Lei do Bem. “Os tablets representam o futuro não só no mercado como um todo, mas também da educação. Só na rede pública (de ensino) temos um público potencial de usuários de 69 milhões de alunos. Por isso, dentro dos próximos três anos, esse índice de nacionalização será de 80%”, prevê. “E queremos ampliar essa política para outros dispositivos, como TVs, smartphones e notebooks, mas faremos isso progressivamente”, acrescenta.

Para Mercadante, a produção de chipsets no País é um dos principais desafios para a consolidação de uma indústria local de alta tecnologia e, para isso, o governo lançará mão da Ceitec, sua fábrica de semicondutores localizada em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. “Já estamos atuando no design e no encapsulamento de semicondutores em parceria com a Smart. O próximo passo é a produção local, que gera muito valor agregado e mão-de-obra altamente qualificada”, diz. Segundo o ministro, uma indústria de chipsets demanda cerca de 1 mil engenheiros somente na linha de produção.

Para resolver a crônica carência de mão-de-obra especializada no setor de tecnologia, o ministro revelou que nos próximos três anos cerca de 75 mil estudantes devem receber do governo bolsas de estudo para ingressarem nas melhores universidades de engenharia do mundo.



No Brasil, grife cresce 16% no trimestre

Valor 14.06.2011 - No Brasil, a São Paulo Alpargatas tem a licença da Timberland desde 1996. A empresa renovou esse licenciamento no fim de 2010 com a Timberland Company para a venda dos produtos da marca na América Latina. Procurada pelo Valor, a Alpargatas informou não ter sido comunicada oficialmente sobre a aquisição da Timberland no exterior.

No primeiro trimestre de 2011, o volume de vendas dos produtos da grife cresceu 16% e a receita subiu 30% no país, em relação a igual período de 2010, segundo o balanço da Alpargatas. A marca tem 11 lojas próprias e cinco franquias no mercado brasileiro. Além disso, tem produtos distribuídos em mais de mil multimarcas.

Já a VF Corporation atua no Brasil com as marcas Lee, Wrangler, Kipling, Vans, Jumper, The North Face, EastPak e Jansport. Algumas, como Kipling, Eastpak, Jansport e The North Face, são importadas pelo Grupo Aste. A JanSport é revendida em 360 lojas no território nacional. A Kipling tem 33 lojas. Wrangler e Lee estão em mais de uma centena de multimarcas cada uma.



Lojas Renner vai emitir R$ 300 milhões em debêntures

Brasil Econômico 13.06.2011 - O Conselho de Administração da varejista Lojas Renner aprovou nesta segunda-feira (13/6) a emissão de debêntures em um valor total de R$ 300 milhões.

Sob a coordenação do Banco Santander, serão emitidas 30 mil debêntures simples, não conversíveis em ações, na próxima quarta-feira (15/6).

A operação será realizada em até duas séries, sendo que a quantidade de papéis em cada série será definida conforme a demanda apurada no procedimento de coleta de intenções.

O prazo de vencimento das debêntures da primeira série será de cinco anos contados da data de emissão. A maturação dos papéis da segunda série será de seis anos.

"Os recursos obtidos por meio da emissão serão destinados à otimização da estrutura de capital da companhia", relata a Lojas Renner em comunicado ao mercado



Dana terá receita adicional de R$ 500 mi

Valor 14.06.2011 - A Dana, uma das maiores fornecedoras mundiais de eixos automotivos e cardans, vai investir US$ 150 milhões na fábrica de Sorocaba (SP) para iniciar a produção local de eixos dianteiros médios e pesados para veículos comerciais. A expectativa da companhia é a de que, a partir da expansão, as receitas geradas pela unidade saltem de R$ 500 milhões para R$ 1 bilhão por ano - no ano passado, as vendas da sistemista na América do Sul giraram em torno de US$ 1 bilhão.

Com a instalação das novas linhas, a Dana, que no ano passado registrou vendas de US$ 6,1 bilhões, passa a oferecer no mercado brasileiro todos os componentes que constituem o chamado "driveline": eixo dianteiro e traseiro, cardan, diferencial e componentes de suspensão.

"Já somos líderes nacionais na produção de eixos leves, diferenciais e cardans, e com o novo negócio, nos transformaremos nos maiores fornecedores de eixos médios e pesados e sistemas completos de driveline da região", afirmou em nota o presidente da Dana na América do Sul, Harro Burmann.

O protocolo de intenções com a Prefeitura de Sorocaba, segundo informação da companhia, foi assinado na semana passada e envolve o maior investimento da companhia fora dos Estados Unidos, onde está sediada. A produção dos novos eixos deve ter início em agosto. Segundo Burmann, a escolha pelo município paulista levou em conta a "sinergia existente entre os componentes e sistemas já produzidos e as novas linhas e a complementação da oferta para as montadoras".

Hoje, os eixos traseiros e cardans produzidos em Sorocaba são fornecidos para as principais montadoras instaladas no Mercosul, como Agrale, Ford, MAN, Mercedes-Benz, Volvo, Scania e Toyota, entre outras. Conforme Burmann, a produção de eixos dianteiros no município paulista é estratégica para que a companhia se consolide como única fornecedora, na América do Sul, de sistemas completos de driveline. Ainda no segundo semestre, a Dana deverá dar início à produção de eixos traseiros para veículos comerciais pesados.

A expansão da fábrica de Sorocaba e a ampliação do portfólio da Dana no país se tornaram possíveis graças ao acordo estratégico firmado com a Sifco no começo deste ano. A parceria prevê fornecimento exclusivo para a sistemista, no mercado brasileiro, de peças forjadas que serão usadas na montagem dos eixos dianteiros. Na América do Sul, a Dana conta ainda com operações na Argentina, Colômbia, Uruguai e Venezuela.



Brasil Foods pede ao Cade mais tempo para negociações

Brasil Econômico 13.06.2011 - A BRF Brasil Foods pediu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) mais tempo para negociar um acordo sobre a compra da Sadia que formou a companhia.

A afirmação foi dada nesta segunda-feira (13/6) pelo vice-presidente de Relações Institucionais da BRF, Wilson Mello, em Brasília.

Na semana passada, dois conselheiros do Cade votaram pela rejeição da compra da Sadia, antes do julgamento ser interrompido por pedido de vistas do processo



Eólica deve perder força com térmica a gás no leilão

DCI 14.06.2011 - A retomada dos projetos de termoelétricas a gás natural, que entram novamente na disputa pelo leilão A-3 (cujos projetos iniciam operação em 2014) de energia nova, deverá colocar a eólica em segundo plano. Isso porque o valor das tarifas oferecidas pela energia dos ventos tende a subir em decorrência da inflação e pelo fato de que os melhores parques eólicos já foram leiloados até o ano passado.

De acordo com Eduardo Molina, diretor da Gestamp Wind no Brasil, não se sabe a quanto o gás natural será vendido, mas isso poderá derrubar a tarifa de eólicas e inviabilizar a entrada de uma boa parte dos quase 11 mil megawatts de projetos cadastrados no leilão.

Se a empresa espanhola decidir entrar com seus 11 projetos cadastrados, ela investirá cerca de 400 milhões de euros no Brasil.

De outro lado, o governo não acredita em desigualdade de condições entre as duas fontes de geração. Para o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, as duas fontes deverão acirrar a disputa, meta do planejador do sistema nacional para obter modicidade tarifária.

Além da fonte termoelétrica a gás natural, a ampliação da usina de Jirau, que deverá vender 450 MW, também levará o preço das tarifas para baixo, colocando, assim, a eólica como a terceira fonte em termos de competitividade no leilão inicialmente programado para julho.

Com isso, a perspectiva é de que a fonte de geração de eletricidade por meio de ventos entre com mais força apenas no leilão de energia de reserva, que incluirá a biomassa, única fonte capaz de ser vencida pelos parques eólicos. Dependerá, porém, da quantidade de energia que o governo ofertará.



"Direto de Brasília": Leilão do Trem de Alta Velocidade

DCI 14.06.2011 - Leilão do Trem de Alta Velocidade será em julho

Em audiência na Câmara dos Deputados, representantes do governo confirmaram que o leilão do Trem de Alta Velocidade, conhecido por TAV, está mantido para o dia 29 de julho e a apresentação das propostas está prevista para o dia 11 de julho. Segundo eles, o TAV é o maior empreendimento em infraestrutura já realizado no país e que vem sendo estudado há cerca de três anos. Afirmaram que o Trem é indutor de desenvolvimento, é sustentável e não poluente. A oposição considera que a obra não tem viabilidade e representa um cheque em branco para o consórcio vencedor do leilão, pois a União vai ser avalista de empréstimo de R$ 20 bilhões às empresas.



BID libera financiamento de novos estudos para o projeto do trem-bala

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) vai financiar um novo pacote de estudos e consultoria para implantação do trem de alta velocidade (TAV). Trata-se de uma segunda rodada de investimentos para viabilizar o trem-bala. Em 2008, em parceria com o BNDES, o BID desembolsou cerca de R$ 1,5 milhão para financiar o planejamento do TAV, projeto que foi realizado pela consultoria inglesa Halcrow Group. Agora, com apoio do banco, a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) quer contratar três tipos de serviços de consultoria.

O primeiro contrato, voltado para a área de comunicação social do TAV, prevê a implantação de um serviço 0800 para tirar dúvidas da população, entre outras medidas. Um segundo contrato visa a preparação de um plano de desapropriação e reassentamento de famílias que vivem nas proximidades do traçado do trem. Com 510 quilômetros de malha entre Campinas, São Paulo e Rio, o TAV vai abranger área de desapropriação de 30 mil hectares, atingindo cerca de 40 municípios, de acordo com a ANTT. A execução desse plano ficará a cargo da estatal Etav.

Por fim, o governo quer contratar uma consultoria sobre os impactos ambientais do trem-bala. Com esse estudo nas mãos, a ANTT ficará incumbida de obter junto ao Ibama a licença ambiental prévia do projeto, bem como apoiar a obtenção da licença de instalação da obra. Até 4 de julho, a ANTT irá receber as manifestações de interesse de empresas em prestar os serviços. O passo seguinte será selecionar as seis melhores propostas para, depois, realizar uma licitação.

Ontem, a presidente da República, Dilma Rousseff, se reuniu com ministros e a equipe do governo que acompanha o trem-bala para tratar do projeto. O encontro foi acompanhado pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, além de representantes ligados ao Ministério dos Transportes. O Valor apurou que Dilma pediu uma atualização sobre o andamento do edital, os principais interessados na obra e sua viabilidade para acontecer conforme o cronograma atual. Se nada interferir nos planos do governo, no dia 11 de julho o governo receberá as propostas dos consórcios interessados em construir e operar o trem-bala. No dia 29, os envelopes serão abertos.

O que está previsto até agora é que a ANTT publique, ainda nesta semana, algumas mudanças pontuais nas regras do edital -flexibilização de locais para a construção das estações e a adequação do processo de transferência tecnológica, o qual passará a ser feito com o consenso entre o governo e o consórcio construtor. Segundo uma fonte que acompanhou o encontro com Dilma, o governo se mostrou disposto a manter a estrutura atual do projeto, sem realizar alterações radicais no modelo de concessão.

O leilão do trem-bala já foi adiado duas vezes, em novembro do ano passado e abril deste ano. Com a realização do leilão em julho, o governo vai correr atrás do licenciamento ambiental para que as obras comecem no segundo semestre de 2012. Dado que o prazo para conclusão de todo o trecho é de seis anos, é pequena a chance de que o trem-bala fique pronto até a Olimpíada de 2016. Há, no entanto, a possibilidade de o consórcio responsável explorar trechos que estejam prontos antes da entrega total da obra.



Bueno Netto

Folha 14.06.2011 - A incorporadora e construtora Bueno Netto investe R$ 300 milhões em um edifício comercial na esquina das avenidas Berrini e Bandeirantes. O empreendimento, com VGV (Valor Geral de Vendas) de R$ 500 milhões, segundo a empresa, terá 68 mil m2 de área construída e 33 andares.

Cerca de 70% das vendas foram feitas no pré-vendas e as obras, no terreno de 11,5 m2, começaram no final de maio. "O edifício será mais do que "AAA", com certificação ambiental Golden Green", diz o presidente Adalberto Bueno Netto.

No local serão erguidas cinco torres, uma delas de salas comerciais e outra residencial, numa incorporação de Cyrella, CCP e Bueno Netto/Bncorp (joint venture com o Bank of America Merrill Lynch).

"Em seis meses, começamos o último prédio."

O edifício, com 20 elevadores, se destaca pela variedade de oferta de espaços, que vão de conjuntos de 366 m2 a 2.350 m2.

"O mercado ainda é favorável para prédios corporativos de alto padrão, em todas as áreas de São Paulo", diz Bueno Netto.

"Houve um claro movimento de regionalização de escritórios, pelo problema do trânsito em São Paulo."



Imobiliário passa por desaceleração gradual

DCI 14.06.2011 - Depois de um crescimento puxado pela ampliação do crédito e pelo aumento da classe C, o setor imobiliário brasileiro começa a sentir desaceleração gradual, que acende o sinal amarelo no segmento e suscita o receio de ocorrência de bolha imobiliária.

"A desaceleração do setor imobiliário faz parte de um processo natural na evolução econômica de países emergentes. Há rumores de uma possível bolha imobiliária no País, que não têm sentido, mas afugentam o investidor", disse Jim Fetgatter, CEO da Association of Foreign Investors in Real Estate (Afire), entidade da indústria imobiliária norte-americana. Boatos ou não, o risco da bolha imobiliária fez com que os catalães da Chain Holding viessem acompanhar o sistema brasileiro de imóveis de perto.

De acordo com o vice-presidente da empresa, Guillermo Gaspart, é necessário entender a economia nacional. "Há cautela com relação aos investimentos, não apenas aqui. No Brasil, percebemos que não há grandes riscos de bolha enquanto não houver uma grande tradição de hipotecas", disse Gaspart.

Por outro lado, apesar da falta de popularidade entre os brasileiros, a hipoteca pode gradualmente ganhar espaço. A perspectiva é da companhia hipotecária Domus, que neste ano pretende ampliar sua carteira de clientes com aqueles dispostos a dar sua residência como garantia em troca da concessão de crédito.

O objetivo da empresa é fechar este mês com uma carteira estimada em R$ 50 milhões. "Apesar de ter sido o pivô da crise norte-americana, a hipoteca de imóveis deve se disseminar nos próximos meses no Brasil, já que várias empresas e também vários bancos têm experiências positivas neste sentido, ao contrário do que ocorreu lá fora", prevê Geraldo Majela, presidente da empresa.

Entre as empresas voltadas à área de incorporação, nem os sinais de desaceleração devidos à alta de imóveis e terrenos assusta, de acordo com Antônio Setin, presidente da empresa que leva seu sobrenome e cujo objetivo é crescer 18% este ano. "O Brasil vive um bom período econômico, com confiança do consumidor em comprar e economia estável", declarou Setin.

Apesar do otimismo, os números pedem atenção. O Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) apontou que em São Paulo houve recuo de 44% das vendas no primeiro quadrimestre, ante 2010.



Construção encontra nível sustentado de crescimento

Folha 14.06.2011 - Em 2010, a construção deu forte impulso à atividade econômica no país ao crescer sempre à frente do PIB (Produto Interno Bruto). No primeiro trimestre deste ano, o quadro se repetiu. Enquanto o PIB avançou 4,2% ante igual período de 2010, o PIB da construção cresceu 5,2%.

Mas existem sinais de desaceleração. Em março, as vendas de materiais de construção no varejo foram 6,4% maiores do que em 2010. Em janeiro, o avanço havia sido de mais de 16%. Já o consumo de cimento, que havia ultrapassado 5,5 milhões de toneladas em agosto, já caiu 14% desde então.

A pergunta é se são sinais de crise ou de acomodação por conta das medidas de contenção de demanda adotadas desde 2010.

A melhor resposta é: nem uma coisa nem outra. O nível de operação da construção civil mudou de patamar. Quando isso ocorre, é comum observar excessos na fase de aceleração que são corrigidos em seguida.

O exemplo típico é a própria inflação setorial, o INCC, que reverteu a tendência de alta nos últimos meses. A palavra para caracterizar essa dinâmica seria desaceleração, isto é, a construção está encontrando seu ritmo sustentável de crescimento.

Para compreender melhor esse quadro, é preciso diferenciar a indústria de material da construção. No Brasil, de toda a produção de material, metade se refere às vendas no varejo, isto é, para famílias e pequenos empreiteiros. Do restante, 35% vão para construtoras e 16% são vendas intraindustriais, como fios e cabos para os produtores de material elétrico, por exemplo.

No varejo, o aumento no grau de endividamento das famílias pode ter efeito relevante. E algumas medidas recentes, como a elevação do valor mínimo de pagamento das faturas de cartão de crédito, deverão segurar o ritmo de crescimento.

As vendas intraindustriais estão sofrendo com a alta das importações, que se tornaram muito baratas com a queda do dólar. Mas, na ponta das construtoras, responsáveis por mais de 60% do PIB da cadeia, o quadro é bem diferente.

Segundo o Secovi, o número de lançamentos habitacionais até março recuou quase 20% na comparação com igual período de 2011. É um processo de ajuste natural após os recordes no ano passado. As carteiras de obras das construtoras estão cheias e a escassez de mão de obra é uma realidade.

Mas os lançamentos do ano passado hoje são obras que continuarão sustentando o ritmo de produção e emprego, os quais também se beneficiam por conta de obras de infraestrutura. O resumo desse quadro é que a cadeia da construção civil vive um processo de ajuste observado na economia brasileira como um todo.

A desaceleração que está em marcha deve colocar em linha o crescimento da demanda e a capacidade produtiva do setor, revertendo os excessos da etapa anterior e contendo a alta de preços. Trata-se de um ritmo de atividade menor, mas sem bolha.



A bolha dos imóveis era bolha

Folha 14.06.2011 - Retração na venda de casas e de material de construção acaba de desmoralizar a história da "bolha" no Brasil.

Havia uma bolha no mercado imobiliário brasileiro. Ou melhor, havia o rumor de bolha, pelo menos até fevereiro, quando começaram a aparecer números que mostravam o arrefecimento das vendas de imóveis na cidade de São Paulo e números menos animados das vendas de material de construção.

No início de maio, notava-se aqui que o "indicador de sentimento" (conversas informais, apenas) dos empresários do setor era que a euforia havia passado. Pois passou mesmo. Saber o motivo da calmaria já é tarefa mais difícil.

Não temos dados estatisticamente confiáveis nem sobre preços de imóveis em São Paulo, por exemplo. Inexiste uma medida de preços interessante de acompanhar quando se pretende descobrir uma bolha pelo telescópio: a evolução relativa de preços de imóveis e aluguéis, inexiste. Economistas e pessoal do setor comem esse mingau pelas beiradas, olhando dados de vendas de material de construção civil no varejinho, no atacado e para a construção pesada, vendas de imóveis novos etc.

Esta Folha noticiou que a venda de imóveis novos caiu quase 44% no primeiro quadrimestre deste ano (em relação a 2010). Os preços, porém, subiram de 20% a 47%, a depender do número de dormitórios.

A concessão de crédito imobiliário, segundo o Banco Central, continua crescendo ao ritmo de mais de 80% sobre o ano passado (comparação mês a mês), embora não saibamos para onde vai o dinheiro.

Mas o jeitão dos números, vagos e em parte contraditórios, permite perguntar se houve mesmo uma queda grande na demanda ou esgotamento da capacidade de oferecer imóveis ou um pouco dos dois.

Nos primeiros cinco meses do ano, as vendas no varejo de material de construção cresceram 2,5%, segundo pesquisa feita pela Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção) com o Ibope.

As informações sobre o andamento da construção civil e seu comércio, de resto, não servem para avaliar o ritmo do mercado imobiliário porque, obviamente, é difícil discernir qual o motivo de altas e tombos. A queda do consumo de material se deveu ao ritmo lento das obras "fora do mercado", subsidiadas, do Minha Casa, Minha Vida, o programa de habitação incentivado pelo governo? Veio da redução forte do ritmo de investimentos públicos (como em saneamento)?

O corte de despesas do governo atingiu, como de hábito, mais o investimento ("obras") que as de custeio. Estados e municípios têm segurado gastos, mostram as estatísticas fiscais -também seguraram obras de esgoto, escolas etc.?

A alta das taxas de juros e outras dificuldades no crédito, inadimplência maior inclusive, devem estar tolhendo o "consumo formiga" (varejo) de material de construção, uma fatia grande do mercado brasileiro. Mas a alta dos juros para o consumidor já teria segurado a construção de casas novas? A importação de material de construção mais caro, devido ao real forte, deve estar fazendo estragos nessa indústria.

Enfim, parece claro que o conjunto do setor de material de construção deu uma freada abrupta. Sobre imóveis, está difícil de saber, embora a hipótese de bolha, num mercado de financiamento tão primitivo como o brasileiro, pareça ainda mais débil do que sempre.



Galpão valorizado

Folha 14.06.2011 - O valor do aluguel de galpões em São Paulo é o mais caro da América Latina, segundo estudo da consultoria CB Richard Ellis.

O preço médio do metro quadrado na capital paulista por ano é de US$ 138,59.

O custo da locação de galpões só é maior em Tóquio, Londres e Cingapura, de acordo com a pesquisa.

"Desde 2005, o valor do aluguel do setor cresceu 20% ao ano no Brasil", afirma o diretor da consultoria Marcos Montandon Junior.

A valorização do real e a falta de oferta de novos espaços são os principais motivos para o preço alto, de acordo com Montandon Junior.

"O valor da locação deve subir mais 15% a 20% nos próximos dois anos e depois estabilizar."

Para pagar valores menores, empresas alugam galpões antes do fim das obras, segundo a consultoria.



Governo quer mais componentes nacionais em PC, TV e celular

Folha 13.06.2011 - O governo brasileiro quer aumentar o volume de componentes eletrônicos nacionais em TVs, computadores e celulares como forma de aumentar a competitividade da industria nacional, afirmou hoje o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

"Essa será uma forma de reduzir o deficit que temos nas cadeias de suprimentos, de US$ 18,9 bilhões por ano", disse, durante a cerimônia de inauguração da expansão da fábrica da Ericsson, em São José dos Campos.

A estratégia de estímulo será semelhante àquela recém criada para os tablets, que prevê que 20% dos componentes sejam nacionais. Dentro de três anos o volume deve subir para 80% para que as empresas continuem a ter os benefícios fiscais federais, hoje de 31%.

Questionado sobre a inexistência de fábricas de semicondutores no país, o que poderia comprometer o plano, Mercadante afirmou que o Brasil começará as experiências com produção de certos chips a partir de outubro no Ceitec, fábrica de semicondutores que é vinculada ao ministério, localizada em Porto Alegre.

Durante um ano e meio a unidade deverá fazer a experiência de produzir os chips para diversos setores e formar mão de obra especializada em tecnologia.

"Criando condições locais com políticas fiscais e mão de obra qualificada também devemos atrair mais fabricantes de semicondutores", afirmou.

Hoje 20 países no mundo têm fábricas de semicondutores, e o Brasil deve chamar a atenção dessas empresas, segundo Mercadante, pelo volume de eletrônicos produzidos. Por ano, são produzidos 15,5 milhões de computadores, 80 milhões de celulares e 13 milhões de TVs.

Junto com políticas fiscais, o governo também deve incentivar a formação de engenheiros para apoiar a indústria.

Um das formas de incentivo será a concessão de bolsas de estudo para o intercâmbio de 75 mil estudantes de engenharia, ao longo dos próximos três anos, para aperfeiçoamento em faculdades internacionais.



Para evitar apagão, Venezuela limita o uso de energia

Valor 14.06.2011 - A Venezuela anunciou ontem medidas para tentar reduzir o consumo de energia elétrica em empresas e residências. Quem não cumprir as metas terá o preço da energia elevado em até 200%. Em alguns casos, o fornecimento poderá ser suspenso. É um esforço para evitar que o blackout ocorrido na semana passada no Estado de Zulia, um dos mais industrializados do país, se repita em outras regiões. Grandes empresas, incluindo multinacionais brasileiras, tendem a adotar sistemas próprios de geração para escapar às restrições.

A Venezuela convive novamente com o fantasma do apagão, que em 2009 e no início de 2010 levou o governo a adotar uma série de restrições ao consumo de energia. Na época, a falta de energia foi atribuída a uma das piores secas da história recente do país. Desta vez, analistas dizem que o risco de novos apagões se deve a problemas nas redes de transmissão e ao aumento da demanda por energia - sinal da retomada do crescimento da economia depois dois anos de retração.

A avaliação unânime, no entanto, é que por trás do problemas no fornecimento estão décadas de baixo investimento em geração e em manutenção dos sistemas de eletricidade.

Ontem, o governo escolheu outro culpado: o consumidor. Disse que há uma "espécie de cultura de excesso de consumo" na Venezuela. "Não é possível para nenhum país conseguir uma capacidade de geração elétrica infinita. Portanto, a demanda não pode ser infinita e, em consequência, é necessário o uso racional de demanda", disse o vice-presidente, Elías Jaua.

Pelas novas regras, indústrias, centros comerciais e grandes redes de comércio terão de reduzir seu consumo mensal de energia em pelo menos 10%, segundo Jaua, em relação ao consumo que tinham nos mesmos meses de 2009.

As empresas que não se enquadrarem terão de pagar 10% a mais na fatura e 5% a mais em cada mês que reincidirem. Os consumidores residenciais que não reduzirem seu consumo também em 10% em relação a 2009 terão um acréscimo de 75% na conta. Quem ignorar as restrições e elevar seu consumo em mais de 20%, verá sua conta acrescida em 200%.

O pacote envolve ainda uma série de restrições de uso de energia em prédios públicos - que, se forem descumpridas, poderão levar ao corte do fornecimento nesses locais. Os serviços essenciais ficam de fora do pacote - que deve entrar em vigor nos próximos dias.

Cerca de 70% da matriz energética do país é hidrelétrica. Mas, devido à insegurança no fornecimento, muitas grandes empresas - entre elas algumas múltis brasileiras - já possuem geradores movidos a diesel para assegurar o ritmo de suas operações.

Em nota, a Gerdau informou ontem que está "estudando alternativas" para ajustar a operação da siderúrgica Sizuca, na Venezuela, e manter "o pleno atendimento de seus clientes" diante da decisão do governo Hugo Chávez de determinar a redução do consumo de energia no país. A siderúrgica venezuelana do grupo brasileiro não dispõe de geração própria de energia e produz aços longos para a construção civil. A capacidade de produção não foi informada.

Na crise de 2009, o governo prometeu tirar do papel um plano de construção de termelétricas que elevaria a capacidade de geração do país em 5 mil megawatts. O projeto, no entanto, avança lentamente. "O déficit energético pode comprometer a evolução da economia este ano", disse o diretor da Câmara de Comércio Venezuela-Brasil, Fernando Portela. O FMI previu que o país crescerá 1,8% este ano, mas o dado pode ser revisto.



Minério de ferro lidera interesse de mineradoras no Brasil

Exame 13.06.2011 - Até 2015, ferro vai receber 42% dos investimentos planejados pelas empresas.

No que depender das grandes mineradoras brasileiras e estrangeiras, o minério de ferro continuará no topo das prioridades de investimento no país nos próximos anos. Entre 2011 e 2015, o setor investirá um total de 65 bilhões de dólares – e o minério de ferro receberá 42,3 bilhões de dólares.

De acordo com a edição especial MELHORES E MAIORES de EXAME, que chegará às bancas em 7 de julho, os recursos serão suficientes para elevar em 112% a produção de minério de ferro até 2015. Trata-se do mesmo percentual previsto para a alumina, e só perde para os 122% de incremento na produção de cobre.

Um dos maiores projetos é o da Ferrous Resources, fundada no Brasil pelo australiano Gordon Toll em 2007. A empresa vai investir mais de 4 bilhões de dólares, até 2014, para multiplicar por 10 sua produção. Em 2011, a companhia deve extrair 2,5 milhões de toneladas de minério de ferro, e a meta é alcançar 62 milhões de toneladas em 2016.

Atualmente, o Brasil é encarado como uma das últimas fronteiras minerais do planeta, o que justifica o grande interesse das mineradoras. Para se ter uma ideia, os 65 bilhões de dólares programados para 2011-2015 é recorde, e representa mais que o dobro dos 32 bilhões desembolsados pelo setor entre 2006 e 2010.



Excesso de oferta derruba cotações do níquel na LME

Valor 14.06.2011 - Em meio à escassez de todo tipo de commodity, do petróleo bruto ao cobre e o milho, o mercado de níquel caminha para seu maior período de saturação em quatro anos, o que deve gerar uma queda nos preços até 2012.

A produção em excesso do metal aumentará de 12 mil toneladas métricas em 2011 para 60 mil no ano que vem, tornando o níquel o metal com a maior superoferta do mercado, em relação a produção ou uso, segundo o Bank of America Merrill Lynch. Novas minas de extração irão elevar a produção em 11% em 2012, maior crescimento em 17 anos, afirmou o Macquarie Group. Já os preços devem cair 10%, para o patamar de US$ 20 mil por tonelada, até 31 de dezembro, em estimativa média de 17 analistas e operadores entrevistados pela Bloomberg.

"Não estou muito otimista com relação ao níquel", disse Ian Henderson, que administra cerca de US$ 10 bilhões em ativos de recursos naturais para a JPMorgan Chase, em Londres, incluindo o Fundo Global de Recursos Naturais, que dobrou de tamanho nos últimos dois anos. "Acho que não há lógica comercial para o preço atual. Quinze mil dólares é um preço possível para o níquel."

Em meio às dificuldades enfrentadas por produtores de outras matérias primas com a extração de cobre e petróleo suficientes para suprir o mercado e as secas que ameaçam as safras, a oferta de níquel vem crescendo mais rápido que a demanda. O preço do metal atingiu um recorde de US$ 51,8 mil em 2007 e cresce a pelo menos 63% ao ano desde então, o que levou seus consumidores a substituírem o níquel mais que qualquer outra commodity, afirmou a Macquarie.

O Ikea Group, maior varejista de móveis do mundo, por exemplo, está retirando o metal de seu mobiliário de cozinha e banheiro.

O níquel, aplicado principalmente na produção de aço inoxidável, caiu 2% para US$ 22.575 no fechamento da Bolsa de Metais de Londres, ontem. Foi o segundo pior desempenho registrado na sessão, depois do açúcar, no índice GSCI da Standard & Poor's de 24 commodities, que por sua vez exibia alta de 11% até às 13 horas. No mês, a queda do metal é de 2,9% e no ano atinge 9,52%. Em 12 meses, ainda apresenta alta de 17,55%.

Os setores de construção e transporte representam 37% da demanda pelo níquel, e máquinas e aparelhos elétricos representam outros 18%, de acordo com o UBS AG. O consumo de 1,51 milhão de toneladas de níquel em 2010 registrou, pelo preço médio, receita avaliada em US$ 33 bilhões.

A queda nos preços significa que haverá pouca variação no lucro deste ano da Norilsk Nickel, maior produtora de níquel do mundo, segundo o presidente-executivo da companhia, Vladimir Strzhalkovsky. O níquel representou cerca de 43% da receita da companhia russa em 2009. "Se houver alguma mudança na economia global, a demanda por metais industriais cairá," afirmou. "É perigoso depender do níquel."






























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