segunda-feira, 13 de junho de 2011

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Daily News


Telefónica suspende IPO da Atento
Valor 10.06.2011 - A espanhola Telefónica decidiu, “em vista da desfavorável situação dos mercados”, suspender a oferta pública inicial (IPO) da sua empresa de call center Atento.
O fato relevante foi registrado, há pouco, na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Pouco mais de sete horas antes, outro documento anunciava que a Telefónica tinha reduzido o piso da faixa de preço sugerido por ação de 19,25 euros para 17,25 euros.
A operadora espanhola estava oferecendo 30,6 milhões de ações da Atento, o que corresponde a 51% de seu negócio de call center. A oferta era destinada apenas a investidores qualificados e fazia parte da estratégia do grupo de reduzir seu endividamento.
A empresa também chegou a alterar o cronograma da operação para que os investidores tivessem mais um dia para aderir à compra. As ações da empresa estreariam na bolsa espanhola em 14 de junho.

Novo perfil de público desafia concessionárias
Valor 13.06.2011 - Depois da dificuldade em obter aprovação por parte dos usuários no início das privatizações das rodovias, as concessionárias agora se veem diante de um novo desafio: conquistar pessoas que começaram a dirigir nas estradas nos últimos anos, tanto aquelas beneficiadas pelas melhorias no cenário econômico do país como as com baixa faixa etária - que obtiveram habilitação para dirigir recentemente.
A nova dificuldade é exemplificada na pesquisa anual elaborada pelo Datafolha e encomendada pelo Grupo CCR. Cinco das sete rodovias administradas com série histórica disponível tiveram queda na pesquisa quanto à avaliação de estrutura física no último ano. Para Francisco Bulhões, diretor de comunicação e marketing da CCR, o principal motivo das quedas é o novo público. "Quem começou a dirigir depois de feitas as concessões não tem o padrão de comparação com a realidade anterior. Para eles, o mínimo aceitável são as estradas de hoje, que precisaram de muitos investimentos para serem melhoradas", defende.
Se antes a população tinha resistência ao conceito da concessão e ao fato de ter de pagar pedágio, hoje são os detalhes que fazem diferença, segundo Bulhões. "Essas pessoas acabam se preocupando menos com a estrutura física em si, e mais com questões estéticas, como o paisagismo da estrada", conta. Pensando nisso, o Grupo testou uma estratégia em duas concessões: CCR NovaDutra (que administra 400 quilômetros da BR-116 entre RJ e SP, a Rodovia Presidente Dutra) e CCR ViaLagos (administradora de 57 quilômetros da RJ-124, a Rodovia dos Lagos). Nessas estradas, foram implementados tapumes para "esconder" as obras em etapa de realização. "Por mais que depois a obra se traduza em melhorias, muitas pessoas a veem como um transtorno durante seu andamento", diz. Além disso, foram instalados banners e placas em linguagem simplificada sobre as mudanças nas pistas. A experiência, segundo o Grupo, foi responsável por fazer dessas duas estradas as únicas administradas pela CCR com evolução positiva quanto à estrutura física no último ano, considerando as concessões com série histórica disponível. Com o resultado, pretende-se expandir a ação para todas as outras rodovias administradas.
Na EcoRodovias, que administra cinco concessões rodoviárias, a política de melhorar a estética das rodovias se repete. De acordo com a empresa, realiza projetos de paisagismo, que têm, entre outras, a função "de tornar as rodovias mais bonitas". Além disso, segundo a companhia, todas as empresas do grupo têm sites e contas no Twitter que fornecem informações em tempo real sobre as condições das estradas.
A EcoRodovias, no entanto, defende que muitas das reivindicações dos usuários não são de competência das concessionárias, como a segurança pública. Bulhões também menciona a questão e exemplifica os congestionamentos em estradas e saídas das cidades. "Muitas vezes, as ruas das regiões metropolitanas não comportam a chegada de veículos depois de feriados e retorno de férias. O usuário fica insatisfeito e isso é refletido na nossa pesquisa, embora não tenhamos nada a ver com a infraestrutura interna da cidade."

Imbituba recebe novos investimentos
Valor 13.06.2011 - A reta final das obras de duplicação da BR-101, no Sul de Santa Catarina, marcam nova fase para o porto de Imbituba, que entra em um ciclo de investimentos estimado em mais de R$ 400 milhões. Além da dragagem de aprofundamento do canal de acesso - o calado passará de 11 metros para 14,5 metros -, uma obra orçada em R$ 55 milhões, haverá também a revitalização dos berços de atracação e atualização tecnológica, a partir do contrato de arrendamento com a Santos Brasil ,em 2008.
Com os investimentos, que devem ser concluídos em outubro deste ano, a Santos Brasil quer ganhar condições de disputar o mercado com os portos da região - apenas em Santa Catarina, há outros quatro em operação -, principalmente no segmento de carga em contêineres. Segundo Caio Morel, diretor-administrativo da companhia, a expectativa é multiplicar por dez a movimentação nos próximos três anos. Em 2010, foram 30 mil TEUS (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) e deve chegar a 300 mil até 2015.
Com um modelo de funcionamento diferente dos demais portos no Brasil, o terminal de Imbituba é público, mas a administração é privada. A concessão para a Docas de Imbituba, que administra o porto há 88 anos, está prevista para se encerrar em dezembro de 2012, mas a companhia acompanha a elaboração da modelagem do novo contrato de licitação.
Segundo Jeziel Pamato de Souza, administrador da Docas, a fase é de otimismo e prosperidade para o porto. A história da família de Jeziel se confunde com a do terminal de Imbituba. Antes dele, o pai, o avô e o bisavô trabalharam na administração do porto.
Fundado em 1922, o porto de Imbituba nasceu com a finalidade de atender à produção de carvão da região e chegou a movimentar cerca de 4 milhões de toneladas anuais na década de 80. A dependência da mercadoria levou o terminal a entrar em colapso quando, em 1987, o governo federal reduziu as alíquotas para importação do insumo e retirou o subsídio que mantinha a competitividade do carvão na região.
Segundo Jeziel, no começo da década de 1990 a administração buscou alternativas de carga. Em 1995, chegou a ter linha semanal para a Costa Leste dos EUA, enviando calçados, entre outros produtos. Um novo revés para as exportações brasileiras, em meados da década de 90, levou o porto a reduzir drasticamente a movimentação. Em 2002, havia 600 processos trabalhistas contra o terminal.
Atualmente, o porto conta com 60 funcionários diretos que trabalham na administração. Com a licitação realizada e com os R$ 120 milhões pagos pela Santos Brasil, arrendatária dos terminais de contêineres (Tecon Imbituba) e de cargas soltas pelos próximos 25 anos, o porto entrou em nova fase. No contrato, a empresa teria de investir na revitalização de 110 metros de cais, mas vai entregar 410 metros quando as obras se encerrarem. Na primeira fase de investimentos, encerrada em novembro do ano passado, foram liberados 300 metros de cais. Está prevista a conclusão de 660 metros de cais totalmente reestruturados em outubro deste ano.
Na próxima semana, o Tecon Imbituba recebe dois guindastes, capazes de operar até dois contêineres de 40 pés cheios ou quatro de 20 pés simultaneamente. Segundo Morel, da Santos Brasil, o investimento nas máquinas foi de cerca de US$ 19 milhões. Para o diretor-administrativo da Santos Brasil, o porto de Imbituba ganha vantagem, porque terá calado de 15 metros e capacidade de receber embarcações de grande porte - de 310 a 330 metros de navios.
A demonstração de confiança no futuro do porto de Imbituba levou a Santos Brasil a arrematar um terreno de 2,2 milhões de m2 localizado a 6 km de distância do terminal. A área fica em frente à BR-101 e será usada para apoio logístico aos terminais de contêineres e de carga geral arrendados pela companhia. Segundo Morel, o projeto, para 2011, é investir em câmaras de armazenagem frigorífica e de contêineres, pátio regulador e de movimentação de cargas. O investimento na aquisição da área foi de R$ 22 milhões.

Disputa por empreiteiras para ir ao leilão
Valor 13.06.2011 - "Não recebemos nenhum pedido de adiamento e estamos certos de que o leilão vai ocorrer", afirmou Bernardo Figueiredo, diretor-geral da ANTT. A menos de um mês da data de entrega das propostas comerciais, os fabricantes de trem de alta velocidade estão se engalfinhando pelas empreiteiras para fechar um acordo que viabilize a entrada na concorrência pelo trem-bala. No dia 11 de julho, o governo recebe os envelopes dos consórcios interessados. No dia 29, abrirá as propostas.
No centro das discussões estão as cinco maiores construtoras do país: Camargo Corrêa, Odebrecht, Andrade Gutierrez, OAS e Queiroz Galvão. Nenhuma empreiteira quer falar sobre o assunto. As negociações têm ocorrido diariamente e, entre os principais fabricantes de trem, é forte a percepção de que essas companhias entrarão juntas na disputa pelo trem-bala que vai ligar Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. "Ninguém acredita que esse projeto vá para frente sem que essas empreiteiras estejam reunidas", diz o diretor de uma fabricante multinacional. "Isso ajuda a diluir o risco de um projeto desse porte".
O Valor apurou que, poucos dias atrás, essas cinco empreiteiras sentaram à mesma mesa com representantes da Bombardier, em São Paulo. A princípio, a fabricante canadense trabalhava apenas com a possibilidade de vender seus equipamentos para o consórcio vencedor do leilão, ou seja, a companhia não entraria como sócia do negócio. Agora, porém, a Bombardier está aberta a entrar como investidor direto no empreendimento.
A maior dificuldade que os fabricantes de trem enfrentam está ligada ao peso da responsabilidade que teriam de assumir ao se associarem ao projeto. "Queremos participar, mas não podemos nos expor ao mesmo risco que o de uma empresa de construção civil. Nossa participação nesse projeto é só de 15%. As responsabilidades precisam levar isso em conta", afirma representante de um outro fabricante, que também prefere não se identificar.
O consórcio coreano, que até o ano passado despontava como preferido na briga pelo projeto, ainda está se reestruturando. Antes do primeiro adiamento do leilão, em novembro, os coreanos eram os únicos que contavam com um grupo formado e uma proposta fechada nas mãos. De lá para cá, seus parceiros locais de construção civil deixaram o consórcio. Hoje, após dois adiamentos do leilão, o concorrente asiático ainda não fechou acordo com empreiteiras locais. Nos bastidores, chegou a ser dito que o grupo estaria enfraquecido e que corria o risco de não entrar na disputa. A versão é negada por Paulo Benites, representante do consórcio coreano. "Estamos seguros de que temos a melhor oferta e vamos entregar nossa proposta na data marcada", disse.
Do lado do governo, está previsto que nesta semana sejam publicadas algumas alterações no edital do trem-bala, como a flexibilização de locais para a construção das estações e a adequação dos processos de transferência tecnológica, que passará a ser feito com o consenso entre o governo e o consórcio construtor.
Nos últimos dias, foi ventilada a possibilidade de o governo adiar, mais uma vez, a realização do leilão. O governo nega qualquer movimentação para isso. "Não recebemos nenhum pedido de adiamento e as negociações estão avançadas. Estamos certos de que o leilão vai ocorrer", disse Bernardo Figueiredo, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
O trem de alta velocidade está orçado em R$ 33,4 bilhões pelo governo, mas o mercado calcula que o TAV custará mais de R$ 50 bilhões. O edital prevê que até R$ 20 bilhões sejam financiados pelo BNDES. Outros R$ 3,4 bilhões serão injetados pela União na estatal Etav, criada para bancar desapropriação de imóveis e estudos. O consórcio que vencer a disputa tem que entrar com capital próprio de algo entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões para tocar as operações nos primeiros anos de obra. Leva o leilão aquele que apresentar a menor tarifa para uma viagem entre São Paulo e Rio, em classe econômica. O valor teto estabelecido pelo governo é de R$ 199,00 para este trecho.

AGV escolhe aquisições para crescer em logística
DCI 13.06.2011 - Para concorrer com as gigantes da logística brasileira, como Vale e Copersucar, o grupo AGV logística, que recebeu aportes do megainvestidor Sam Zell, presidente da norte-americana Equity International em 2008, escolheu o caminho das compras para crescer. Com duas aquisições este mês, a da E-Commerce e a da Logística, o grupo amplia sua atuação no centro-oeste e no norte e torna-se o maior do Brasil em termos de cobertura geográfica, com 72 escritórios em 20 estados. Para o presidente da AVG no Brasil, Vasco Oliveira Neto, as duas novas aquisições fazem parte de um projeto amplo de crescimento sólido do grupo. "Compramos agora a Exata Logística e a Exata E-Commerce para garantir presença no norte e no centro-oeste do País, onde elas eram fortes; melhorar nossa expertise em tecnologia e absorver os trabalhadores de ambas, que são muito qualificados." A AVG Logística espera um crescimento de 30% do faturamento este ano, chegando a R$ 850 milhões. Para isso, o grupo irá, de acordo com Vasco, continuar fazendo fusões e aquisições para estar entre as dez maiores companhias do País nos próximos anos. "Para fazer frente aos grandes da logística que atuam por aqui, temos de crescer na gama de serviços oferecidos, faturamento e território", diz Thomas McDonald, sócio do fundo Equity International e membro do conselho de administração da AGV. O crescimento estrutural da AGV prosseguirá em 2012 com a realização de novas fusões, e desta vez serão internacionais", revela o executivo. "No momento, estamos analisando os mercados de logística do México, da Colômbia e da Argentina, em busca de oportunidades."
O setor nacional de logística conta hoje com cerca de 130 empresas, que disputam um mercado que, em 2010, gerou receitas totais no valor de R$ 39 bilhões.

Burger King e Vinci serão sócios no Brasil
Exame 11.06.2011 - Acordo criará uma nova companhia para administrar a rede no país e tem assinatura prevista para a próxima terça
A rede americana, adquirida pelo 3G Capital em setembro do ano passado, abriu suas primeiras lojas no Brasil em 2004
Os representantes da rede de lanchonetes Burger King, controlado pelo fundo 3G Capital, dos empresários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, fecharam acordo com a Vinci Partners, do empresário Gilberto Sayão, para a criação de uma nova companhia em sociedade para administrar o Burger King no Brasil. A assinatura do negócio está prevista para terça da próxima semana. A intenção, segundo fontes próximas, é iniciar um plano agressivo de expansão da rede no país com o novo sócio investidor.
A rede americana, adquirida pelo 3G Capital em setembro do ano passado, abriu suas primeiras lojas no Brasil em 2004. Em abril, o banco de investimentos BR Partners comprou 65% das ações da BGK, maior franqueada da rede de fast-food Burger King no Brasil e uma das maiores da América Latina, com 63 pontos de venda. Desses, 40 restaurantes estão localizados no estado de São Paulo.
Com capital novo, a empresa tem o objetivo de abrir 200 novas unidades em três anos. O investimento do BR Partners no negócio é de cerca de 300 milhões de reais, incluindo a aquisição e o total a ser destinado para a expansão. O negócio com o Vinci não interfere no acordo com o BR Partners.

Após um ano sem abrir restaurantes, a rede de churrascarias Fogo de Chão retoma os planos de expansão
Folha 13.06.2011 - A empresa vai inaugurar até o final deste mês a sua primeira unidade no Rio de Janeiro e, até março de 2012, mais duas no território norte-americano. A unidade carioca, que recebeu investimentos de R$ 12 milhões, ficará sob o Mourisco Mar, um complexo de esportes aquáticos do clube Botafogo. "Restauramos o prédio, sem modificar o projeto original, datado de 1962", diz Arri Coser, sócio-fundador da rede, que tem como sócia a GP Investimentos, com 35% de participação.
Os restaurantes nos EUA serão em Las Vegas e em Orlando, com inaugurações previstas para novembro próximo e março do ano que vem, respectivamente. Essas unidades receberam investimentos de US$ 10 milhões (cerca de R$ 16 milhões). "Com a recuperação econômica do país, voltamos aos números de 2007, pré-crise", diz Coser.
Com as inaugurações previstas, a rede passará a ter sete restaurantes no Brasil e 18 nos Estados Unidos.

BR Foods vai apresentar nova proposta ao Cade
Folha 11.06.2011 - A estratégia de defesa traçada pela BRF Brasil Foods para a fusão entre Sadia e Perdigão foi abandonada após o parecer do relator do processo no Cade, o conselheiro Carlos Ragazzo. A empresa pretendia convencer os integrantes do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) de que as economias de custos e os ganhos na área operacional seriam tão grandes que tornariam desnecessário aumentar preços para lucrar. Mas, diante do argumento de Ragazzo --de que a fusão entre as duas empresas e a consequente concentração de mercado poderiam elevar os preços em até 40%--, a empresa decidiu adotar outra estratégia: apresentar uma nova proposta ao Cade.
Segundo a Folha apurou, a venda de fábricas está na mesa. Advogados da companhia tiveram uma conversa preliminar com os conselheiros do Cade anteontem e terão uma reunião no início da próxima semana.
Com base nessas conversas, a BRF deve apresentar nova proposta até quarta, data de nova sessão do Cade.
Executivos da BRF vão ainda tentar convencer o Cade que a criação da empresa evitou um mal social maior, que seria a quebra da Sadia, disse à Reuters um representante de um acionista.
Operações com derivativos cambiais provocaram perdas bilionárias para a Sadia quando estourou a crise financeira internacional.
A empresa registrou, então, o maior prejuízo da sua história e buscou conversas com a Perdigão, sua principal rival, para unir as duas companhias.
Vale vai às compras na área de cobre
Estadão 10.06.2011 - Segundo diretor da empresa, não será possível chegar à meta de produzir um milhão de toneladas por ano do produto sem aquisições de minas, especialmente no exterior. Com planos de chegar à produção anual de um milhão de toneladas de cobre até 2015, a Vale mira aquisições no setor. Atualmente, a companhia aguarda o resultado da oferta de US$ 1,125 bilhão pela Metorex, companhia sul-africana que atua nos segmentos de cobre e cobalto. "Em cobre, nós temos uma meta de atingir um milhão de toneladas de cobre e as nossas reservas não são suficientes para chegar nesse nível. Então, estamos procurando aquisições e essa é uma delas", afirmou à Agência Estado o diretor executivo de Marketing, Vendas e Estratégia da Vale, José Carlos Martins.
Hoje, a exploração de cobre é a quinta maior receita operacional da área mineral da Vale, mas representa apenas 4,15% do faturamento da empresa no setor. Minério de ferro, o carro-chefe, corresponde a 53,79%. Na busca pela diversificação, a mineradora pretende elevar a produção principalmente de cobre, carvão e fertilizantes.
Segundo Martins, um dos passos para a Vale fechar a oferta da mineradora sul-africana já foi dado recentemente, quando a Metorex vendeu sua unidade de processamento de zinco na Zâmbia para a Glencore. "A venda dessa participação era uma das condições precedentes (da oferta)", explicou. Martins afirmou que a Vale está sempre atenta a possíveis aquisições no segmento de cobre, fertilizantes e carvão metalúrgico.
Ele destacou que as ofertas disponíveis no mundo hoje estão muito caras. Acabado o período de "liquidação", que sucedeu o auge da crise global, o valor das empresas foi recomposto, especialmente as do setor mineral, inflado pela disparada da cotação das commodities.
"O mercado praticamente já devolveu grande parte das perdas com a crise. Ativos existem; a questão é preço", disse, lembrando que as melhores minas de cobre estão na África.
Atualmente, a Vale tem projetos em cobre no Brasil, Chile, Canadá, Angola, Zâmbia e Casaquistão. O foco da mineradora neste metal se deve especialmente ao fato de o aumento da oferta de cobre estar restrita a um crescimento mundial de apenas 1,7% ao ano. A relação das reservas sobre a sua demanda é a menor entre as principais commodities metálicas.
No ano passado, a Metorex produziu 51.569 toneladas de cobre e 3.622 toneladas de cobalto, e suas minas têm reservas estimadas em cerca de 25 milhões de toneladas de cobre. A companhia, que também possui três projetos adicionais no Congo, fechou 2010 com uma receita de US$ 432 milhões e uma dívida líquida de US$ 63 milhões.
Terras raras. Martins reiterou que a Vale analisa a entrada no segmento de terras raras, minério usado como componente na fabricação de produtos que vão desde turbinas eólicas a telas para computadores. "Estamos bastante otimistas em relação a isso, (...) trabalhando muito forte nessa área, em pesquisa e desenvolvimento", disse.
Segundo ele, a companhia já identificou a presença de reservas de terras raras em minas principalmente da Fosfértil. Mas, como são volumes pequenos, é preciso avaliar a viabilidade econômica dessa exploração, que é associada a outros produtos.

Uruguai quer taxa maior para ruralistas
Valor 13.06.2011 - O presidente do Uruguai, José Mujica, lançou uma proposta para aumentar os impostos cobrados de grandes proprietários rurais. Se prosperar, ela pode até quadruplicar os tributos, afetando inclusive estrangeiros, que detêm cerca de 25% das terras uruguaias, segundo estimativa do próprio governo. O vice-presidente Danilo Astori, tido por empresários como fiador da estabilidade macroeconômica no país, criticou a proposta e gerou mal-estar no primeiro escalão. Todas as propriedades rurais pagam hoje cerca de US$ 4 por hectare. Esse valor subiria para US$ 8 nas propriedades com mais de 2 mil hectares, para US$ 12 nas de mais de 5 mil hectares e para US$ 16 nas de mais de 10 mil hectares. Segundo o governo, o preço da terra aumentou 15,5% ao ano, em média, na última década e nenhum outro investimento igualou esse ganho.
O impacto a fazendeiros brasileiros não pode ser dimensionado com exatidão. Empresas como a Camil e a Marfrig tendem a ser minimamente afetadas. Elas são a maior beneficiadora de arroz e o maior frigorífico do Uruguai, respectivamente, mas seu modelo de negócios não se baseia na manutenção de grandes terras, e sim na aquisição de insumos de terceiros.
Entre 2000 e 2008, segundo o Ministério da Agricultura, os brasileiros compraram 105 mil hectares de terras uruguaias - uma área parecida à da cidade do Rio de Janeiro. Mas esse número só diz respeito às pessoas físicas, sem contabilizar compras feitas por investidores, por exemplo, que tenham aberto firma no Uruguai e comprado propriedades em nome dela. As estimativas que circulam no próprio gabinete de Mujica são de que os estrangeiros (principalmente argentinos e, em menor escala, brasileiros) já detêm 25% das terras uruguaias.
Astori citou vários motivos para atacar a proposta. O primeiro é que se trata de uma taxação fixa ao patrimônio, e não ao lucro. Em períodos de bonança, segundo ele, tudo bem. Mas lembrou que os produtores agropecuários podem ficar expostos a um "duplo problema" em tempos de crise ou de queda no valor das commodities.
O ponto mais contestado por Astori, porém, foi a segurança jurídica. "Preocupa-me o futuro, porque quando se dá um sinal, por pequeno que seja, pode-se estar sugerindo que pode haver novas mudanças no futuro. Isso sim poderia gerar uma sensação de incerteza, e a incerteza não é boa companheira das decisões de investimento."
O episódio chamou a atenção por ter sido o primeiro enfrentamento direto entre Mujica e Astori, que competiram entre si pela indicação da coalizão esquerdista Frente Ampla à sucessão do ex-presidente Tabaré Vásquez, em 2009. Os dois nunca mantiveram uma relação de amizade, mas convivem respeitosamente. Astori, moderado e ministro da Economia por três anos no governo de Tabaré, costuma ser visto pelo mercado como o fiador da estabilidade. Mujica, ex-guerrilheiro tupamaro, criticava a moderação do primeiro governo da Frente Ampla, mas se converteu à chamada "esquerda light" nos últimos anos.
O mal-estar entre os dois surge logo após a derrota do governo em uma votação histórica na Câmara de Deputados, que apreciava o fim da lei de anistia aos acusados de crimes contra direitos humanos na ditadura militar (1973-1985). Mujica, em posição quase isolada dentro do governo, foi contra a revogação da anistia. Na semana passada, o presidente insinuou que pode ser vítima de conspiração. "Tomei conhecimento de que houve reuniões, de que há gente por aí que está fazendo crer que há uma situação de desgoverno no país, para que eu me vá", teria dito Mujica a seus ministros, segundo o relato dos jornais uruguaios.

Brecha legal coloca dúvidas sobre controle do Pão de Açúcar
Estadão 10.06.2011 - Segundo advogados, contrato entre Casino e Abilio Diniz deixa espaço para impedir grupo francês de assumir o controle
Até há pouco tempo, ninguém questionava que o controle do grupo Pão de Açúcar passará para o Casino no próximo ano, mas os desentendimentos tornados públicos entre os dois sócios lançam incertezas sobre o negócio e uma brecha legal no acordo de acionistas pode ampliar as dúvidas sobre até que ponto o acordo será cumprido. Nem Casino nem Pão de Açúcar falam sobre essa brecha legal, mas advogados preveem que, se a família Diniz não quiser ceder o controle, a disputa acabará em um processo arbitral, que, embora mais rápido do que a Justiça, pode durar até três anos.
Desde 2005, a família Diniz e o grupo francês acertaram a venda do controle e celebraram um acordo de acionistas assinado em 27 de novembro de 2006 que estipula regras entre as duas partes. Para abrigar os dois sócios, foi criada a empresa Wilkes, com 50% de participação cada. De acordo com o documento, Abilio Diniz terá de vender no ano que vem uma ação de controle para o Casino, o que garantiria ao grupo francês ter 50% mais uma ação. E o Casino Já declarou que vai comprar.
Na estrutura organizacional do grupo, a Wilkes fica acima da Companhia Brasileira de Distribuição (CBD), que por sua vez controla todas as empresas do grupo Pão de Açúcar, incluindo as novas aquisições, como Ponto Frio e Casas Bahia.
Caso a família Diniz não cumpra a obrigação de vender a ação ao Casino, o grupo francês tem um mandato de procuração para realizar o negócio. Ou seja, Abilio Diniz dá ao Casino uma procuração para que ele realize a compra independentemente de sua iniciativa.
Esse mandato de procuração é um mecanismo bastante usado em negócios entre empresas, podendo ser irrevogável ou não. Embora na cláusula IV, do artigo 9.2.1, do acordo, onde é prevista a procuração, esteja especificado que o mandato é irrevogável, há uma brecha para a revogação desse mandato. Com isso, abre-se a possibilidade de a família Diniz não vender a ação que dará o controle ao Casino, tendo de pagar apenas perdas e danos. São mencionados no acordo de acionistas dois artigos do Código Civil Brasileiro, o 660 e o 683, ambos referentes ao mandato de procuração. O primeiro é apenas o princípio geral e o 683 prevê que, "quando o mandato contiver a cláusula de irrevogabilidade e o mandante o revogar, pagará perdas e danos". Um advogado que preferiu não ter seu nome publicado e analisou o acordo de acionistas da Wilkes a pedido da Agência Estado afirma que "o uso deste artigo claramente permite que Abilio Diniz não passe o controle para o Casino". Segundo ele, o artigo que deveria ter sido usado neste caso era o 684, que diz que a revogação do mandato é ineficaz.
Arbitragem. É claro que, como tudo no Direito, se Abilio Diniz optasse por usar essa brecha legal, o Casino teria argumentos para questioná-lo em processo arbitral e o ganho da causa dependeria do entendimento da câmara. Também existem outros acordos entre as partes, a maioria confidenciais, que podem influenciar na decisão. A Agência Estado analisou esse de 27 de novembro de 2006 por ser o objeto da arbitragem aberta pelo Casino. Se não houvesse nenhum ruído no relacionamento entre os dois sócios, ninguém imaginaria a possibilidade de a família Diniz optar por não vender a ação e iniciar o conflito. Mas a abertura do processo de arbitragem pelo Casino e a notícia de que Abilio Diniz conversou com o concorrente Carrefour sem avisar o sócio lançaram dúvidas no mercado sobre o grau de conflito entre eles. As informações publicadas sobre o processo são genéricas e não deixam claro o que o Casino está pedindo na arbitragem.
A questão é o caminho que tomará essa arbitragem. Como em briga de casal, os sócios podem se entender ou podem partir para o divórcio. Na primeira opção, é claro que a família Diniz venderia a ação de controle ao Casino sem questionamentos. Afinal, é o que está acertado desde 2005. Na segunda alternativa, porém, poderia alegar quebra de confiança e revogar o mandato de procuração, levando o caso para arbitragem.
Irrevogabilidade. A advogada Andrea Seco, sócia responsável pelo contencioso civil do escritório Almeida Advogados e pós-graduada em processo civil, diz que, "quando as partes contratantes querem uma garantia mais firme do negócio, devem ter o cuidado de prever a irrevogabilidade do mandato de procuração, e citar expressamente o artigo 684 do Código Civil", ausente neste caso.
A advogada concordou em falar à reportagem desde que fosse ressaltado que ela está analisando apenas a legislação e a prática genérica de acordos entre empresas - ou seja, falando em tese, como se usa no jargão do direito.
"O mandato de procuração exige uma relação de confiança, por isso, existe a previsão de revogá-lo mediante o pagamento de perdas e danos (artigo 683) mesmo quando está expressa a cláusula de irrevogabilidade", explica o advogado André Osório Gondinho, especialista em direito civil e sócio do escritório Dória, Jacobina Rosado e Gondinho Advogados, fazendo a mesma ressalva que está falando em tese. Embora os dois advogados concordem que existe a brecha legal, acreditam que a não venda da ação ainda pode render "uma boa briga", como classifica Andréa Seco.

Eletro Shopping compra a varejista cearense Top Móveis
Valor 13.06.2011 - Freitas, da Eletro Shopping: "Nosso foco sempre foi o Nordeste. As outras é que estão descobrindo agora esse filão"
Em meio à voracidade com que as gigantes do varejo avançam Nordeste adentro, a pernambucana Eletro Shopping anunciou a aquisição da Top Móveis, rede cearense de 16 lojas. O negócio, que não teve o seu valor divulgado, visa o fortalecimento da empresa no Ceará, onde ainda tem presença discreta. Rio Grande do Norte e Paraíba também estão no centro da estratégia de expansão da Eletro Shopping, que espera atingir neste ano a marca inédita de R$ 1 bilhão de faturamento. A ideia é ganhar corpo para fazer frente ao apetite das grandes redes, cada vez mais interessadas no mercado consumidor do Nordeste, um dos que mais crescem no país. Durante evento realizado semana passada, no Recife, a presidente do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano, revelou a intenção de chegar a 200 lojas na região nos próximos dois anos.
"Nosso foco sempre foi o Nordeste. As outras é que estão descobrindo agora esse filão que a gente já conhece bem. Sabemos que esse pessoal (as grandes varejistas) está se consolidando com uma perna aqui no Nordeste", disse ao Valor o vice-presidente da Eletro Shopping, Fernando Freitas.
O executivo admite que sua empresa já foi sondada pelas rivais, mas garante que pretende continuar no papel de caçador, e não de caça. Antes da Top Móveis, a Eletro Shopping já havia comprado outras duas redes pernambucanas: Grandelar e Hermol, cada uma com 30 lojas.
A aquisição da Top Móveis surgiu de uma indicação de parceiros da Eletro Shopping no Ceará. "Avaliamos a localização das lojas e achamos que se tratava de uma boa oportunidade", afirmou Freitas, ressaltando que apenas os pontos comerciais foram comprados. A maior parte das lojas da Top Móveis está em Fortaleza, porém o grupo, cujos sócios não foram localizados para comentar o negócio, também tinha alguns pontos no interior do Ceará, próximos à região de Juazeiro do Norte, outro polo consumidor importante do Estado.
Com essa compra, a primeira fora de Pernambuco, a Eletro Shopping passa a contar com 148 lojas distribuídas em seis Estados do Nordeste: Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. A meta é fechar 2011 com 180 pontos e, futuramente, trabalhar os mercados de Bahia, Piauí e Maranhão. Antes disso, porém, a empresa deverá intensificar a captação de oportunidades nos mercados onde já atua, mas com pouca relevância. Seu vice-presidente informou que ainda há muitas redes pequenas em Estados como Paraíba e Rio Grande do Norte, além do próprio Ceará. "O Nordeste está muito pulverizado", disse o executivo.  Além das aquisições e do crescimento orgânico, a Eletro Shopping pretende mostrar força por meio de seu novo centro de distribuição, que custou R$ 20 milhões e tem inauguração marcada para este mês no município de Paulista, região metropolitana do Recife. Com 23 mil metros quadrados, será o maior espaço de armazenagem de eletroeletrônicos de Pernambuco.

Riqueza escondida
Valor 13.06.2011 - Até o fim do ano, a Gerdau decide se leva à bolsa sua operação de mineração, concentrada em Minas Gerais. A abertura de capital era considerada improvável em 2004, quando o grupo adquiriu reservas de minério de ferro para abastecer a Açominas, sua maior usina siderúrgica. Agora, a bolsa se tornou parte dos planos da família Johannpeter, controladora do grupo, porque a mineração é hoje um negócio com potencial igualmente vultoso ao da siderurgia. Assim como Gerdau, um grupo de grandes empresas, que inclui Pão de Açúcar, Usiminas, Gol e Saraiva, planeja desmembrar uma divisão do seu negócio principal para torná-la empresa independente com ações na bolsa.
O desmembramento mais recente com abertura de capital foi o da Multiplus, empresa que administra o programa de fidelidade da TAM, em fevereiro de 2010. Com a separação bem-sucedida, a companhia aérea planeja para o próximo ano a abertura de capital da área de manutenção.
O grande motor da estratégia desses grupos é destacar o ativo que tem valor, mas, de certa forma, está escondido no meio do negócio. "Quando a empresa separa as atividades, é possível analisá-las e precificá-las melhor", diz o consultor Paulo Sérgio Dortas, sócio da Ernst & Young Terco. "Em geral, a soma dos negócios separados é maior do que o valor de tudo junto." Para Cláudio Pitchon, diretor do banco WestLB, o valor de uma nova operação também tende a crescer à medida que a administração independente passa a se dedicar às estratégias de expansão, sem depender das decisões da empresa-mãe. "Com a separação, é mais fácil para analistas e investidores capturar o valor de cada negócio", diz ele.
No caso da Gerdau, a decisão da segregação é reforçada pela disparada do preço do minério de ferro nos últimos anos. A cotação subiu seis vezes de 2003 até agora, para US$ 180 a tonelada, empurrada pelo forte consumo da China. Ao mesmo tempo, a pressão dos custos e a acirrada competição entre as siderúrgicas derrubam as margens do setor de aço. A China também é responsável por isso: os chineses abastecem o mundo com 500 milhões de toneladas de aço por ano - o Brasil inteiro produz 40 milhões.
"As margens das empresas de minério chegam a 70%, enquanto a rentabilidade das siderúrgicas patina em 20%", diz um especialista em siderurgia e mineração. A Gerdau informou, por meio da assessoria de imprensa, que seus recursos minerais medidos somam 2,9 bilhões de toneladas. A necessidade de abastecimento da empresa no Brasil é de 7 milhões por ano. "Serão aprofundados estudos para explorar alternativas que permitam monetizar esses ativos de forma eficiente e que contemplem as necessidade de um projeto dessa envergadura", diz a Gerdau.
Segundo apurou o Valor, a Usiminas também estuda segregar a área de mineração, sem prazo definido para a abertura de capital. Hoje, a empresa produz cerca de 7 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Mas tem um projeto que ampliará a produção anual para 30 milhões até 2013. O excedente deverá ser vendido a terceiros. Procurada, a Usiminas não quis comentar o assunto.
A CSN chegou a anunciar há três anos a intenção de lançar ações da mina Casa de Pedra, uma gigantesca reserva de minério de ferro que produz 30 milhões de toneladas por ano. A explosão da crise financeira em 2008, no entanto, frustrou os planos do empresário Benjamin Steinbruch, controlador da CSN. Ele considera que o cenário para captação em bolsa ainda é desfavorável. Por isso, não deve abrir o capital da mina no curto prazo. A CSN também não se pronunciou. Em outros setores, a separação dos ativos também tem sido encarada como estratégia das empresas para aproveitar o "boom" do consumo das classes C e D e as perspectivas de avanço do comércio eletrônico.
Para Dortas, da Ernst & Young Terco, existe um sentido de urgência das empresas com relação à janela de oportunidades. "A janela vai até 2016 ou 2018, quando o consumo tenderá a se estabilizar. O Brasil não será eternamente subdesenvolvido, por isso as empresas não podem desperdiçar esse momento." Nesse contexto, destaca-se a Nova Pontocom, empresa do Pão de Açúcar que reúne as operações de internet do Extra, da Globex e da Casas Bahia. Segundo fontes, a empresa já nasceu com gestão independente e com o objetivo de abrir o capital em cerca de dois anos e fazer frente à principal rival, B2W, hoje líder de mercado. A Nova Pontocom faturou R$ 2,7 bilhões em 2010, uma expansão de 56% em relação a 2009. Consultado, o Pão de Açúcar informou que, "embora o IPO (oferta pública inicial de ações) seja uma possibilidade, não é o foco neste momento".
Na Gol, o desmembramento do Smiles, programa de milhas, sempre foi visto como uma oportunidade. O negócio só não teria ido à bolsa, segundo apurou o Valor, porque a família Constantino, controladora da Gol, passou os últimos anos envolvida no processo de integração da Varig, adquirida em 2007. Por meio da assessoria, a empresa diz que o programa Smiles está totalmente integrado à Gol. "Seus resultados não são divulgados separadamente, mas dentro da linha de receitas auxiliares."
Na Saraiva, os planos de separar a livraria da editora são antigos. Apesar de representar margem operacional menor, a livraria cresce mais: 36% de expansão no primeiro trimestre deste ano, ante taxa de 22% da editora no mesmo período. Além disso, a livraria concentra as vendas da internet, que crescem 40%. A Saraiva não falou porque o porta-voz estava fora do país.
A abertura de capital não é a única opção para explorar os ativos. As empresas podem fazer parcerias com grupos estratégicos, buscar financiamentos em bancos ou, ainda, conseguir aporte do BNDES para seus projetos. "Entre as opções, o dinheiro do BNDES é o mais bem-vindo pelas empresas, porque os recursos têm sido emprestados com subsídios e taxas de juros mais baratas", diz um empresário que não quis se identificar. Por essa razão, o BNDES pode ser a principal barreira para que a bolsa receba os novos candidatos às ofertas de ações.

Telebrás monta 'operação de guerra'
Valor 13.06.2011 - A Telebrás quer "iluminar" 10 mil quilômetros de fibra óptica pelo país até dezembro. O plano é fechar contratos com pelo menos 200 provedores de acesso, que por sua vez vão oferecer para a população um link a partir de 1 Mbps por 35.
As metas fazem parte do projeto desenhado pelo novo presidente da Telebrás, Caio Bonilha, que assumiu o comando da estatal há duas semanas. "Vamos começar a viver uma revolução silenciosa no mercado de internet. A Telebrás vai mexer profundamente com esse setor", disse, em entrevista ao Valor. Com perfil executivo, Bonilha diz que instituiu um conjunto de metas de vendas para sua equipe comercial. O alvo continua a ser os provedores de internet. A empresa tem um cadastro com cerca de 400 interessados em contratar sua rede, entre pequenos provedores e prefeituras. "Temos 2.328 provedores que disputam uma fatia de 10% do mercado. Os demais 90% do setor estão com cinco grandes operadoras", diz. Bonilha ressalta o interesse da Telebrás em atrair a parceria das grandes teles para impulsionar o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), mas também deixa claro que o papel da estatal será o de regular o preço da internet no atacado: "Vamos entrar para regular o mercado mesmo. Faremos com que nossos concorrentes baixem o preço. Somos um agente de mudança nesse cenário."
Os pequenos provedores são responsáveis pela geração de 40 mil empregos diretos e 120 indiretos. A Telebrás vai operar com uma estrutura enxuta: tem cerca de 200 funcionários, dos quais 30 estão na área comercial. Para acelerar o fechamento de contrato com provedores, Bonilha diz que vai automatizar essa operação. "Não há muito o que negociar. Estamos oferecendo um programa social, que traz a mesma oferta para qualquer região do país."  Bonilha chegou à Telebrás em outubro. Foi convidado pelo ex-presidente da estatal, Rogério Santanna, para montar a divisão comercial da empresa. Em abril, conta ele, a Telebrás já estava com tudo pronto para começar a oferecer planos de venda para links de 512 Kbps, mas a ação foi abandonada após a decisão da presidente Dilma Rousseff de exigir o mínimo de 1 Mbps.
Para o executivo, a Telebrás será lucrativa ao vender seus links por um preço popular. "Nossa conta vai fechar. Estamos oferecendo preço baixo, mas a demanda é alta. Ganharemos em volume." A União controla a Telebrás com 84% do capital. Os demais 16% estão pulverizados entre fundos e ações em bolsa. Decorrido um ano desde sua reativação, a Telebrás ainda não começou a funcionar. Bonilha diz que está montando uma "operação de guerra" para acelerar o processo. "Temos reuniões gerenciais de implantação diariamente. As coisas vão começar a acontecer."
Perguntado sobre o bloqueio dos recursos destinados à Telebrás, Bonilha afirma que o Tesouro começou a liberar paulatinamente os R$ 300 milhões destinados à empresa que estavam retidos. Com as equipes nas ruas, a Telebrás quer popularizar a oferta de um serviço que, até entre os provedores, havia dúvidas de que um dia acontecesse.  Quando a área comercial da Telebrás ligou para oferecer seus serviços para o Sadnet, o primeiro provedor a fechar contrato com a estatal, localizado em Santo Antônio do Descoberto (GO), o dono da a empresa achou que estava sendo vítima de um trote, conta Bonilha. "Ele só se convenceu depois que anotou o telefone e retornou a ligação para ver se era mesmo a Telebrás."
Para José Luiz Pelosini, diretor de telecomunicações da AmericaNet, a rede da Telebrás será uma opção para sua empresa ampliar a cobertura de rede, concentrada no Estado de São Paulo. Segundo o executivo, a presença da Telebrás ajudará a reduzir o custo da infraestrutura em localidades distantes, onde há pouca oferta. "As coisas parecem que vão andar mais rápidas com o Bonilha, por conta de seu perfil comercial", diz Marco Jordan, diretor de marketing e produtos da Transit Telecom. A operadora quer expandir para fora de São Paulo e para a área residencial com a infraestrutura da Telebrás.

A briga na visão da Cielo
Estadão 12.06.2011 - Presidente da maior credenciadora do País conta os bastidores da supercompetição após a abertura do mercado de cartões. No fim de tarde de uma sexta-feira gelada, o presidente da Cielo, Rômulo de Mello Dias, pediu à secretária que desse um recado a todos os funcionários que estivessem na sede da credenciadora de cartões naquele momento. Todos, não importava o nível, deveriam descer o para o pátio da empresa, no bairro de Alphaville, em São Paulo. Era 23 de julho do ano passado e a Cielo vivia os primeiros dias do fim da exclusividade das maquininhas de cartão no País. Até então, os cartões da bandeira Visa só passavam nas máquinas da Cielo, antiga VisaNet, que teve de mudar de nome para se adequar às novas regras do setor. A bandeira MasterCard ficava a cargo da outra grande credenciadora do País, a Redecard.
Naquele início do cenário multibandeira, a Cielo tinha perdido e ganhado contas. Mas a percepção de perda, no entanto, era muito maior na equipe. Por isso, o presidente da empresa havia convocado os funcionários de supetão. "Subi em um banco e comecei: ‘Perdemos a empresa X. Por sinal, os modelitos que ela vende já estão fora de moda. Não comprem mais lá! Tal agência de viagens também. Nada de fechar pacotes com ela!’. E por aí foi", relembra Dias. Terminada a lista das más notícias, passou para as boas. "Comecei a listar os clientes que havíamos conquistado. A cada nome, os funcionários aplaudiam. Deixei por último as contas maiores. Aí a turma veio abaixo e se deu conta de que também havia ganhos."
A cena acima dá ideia do que representou o início da concorrência para um mercado até então habituado ao conforto da exclusividade. Com a possibilidade de o lojista escolher só uma máquina para todas as bandeiras, as credenciadoras se viram, pela primeira vez, obrigadas a disputar o cliente. As duas companhias, donas de quase 100% do segmento, entraram em confronto direto.
No setor de cartões, que movimentou no ano passado mais de R$ 500 bilhões no País, Cielo e Redecard fazem o credenciamento de estabelecimentos comerciais e são responsáveis pela comunicação da transação entre eles e a bandeira. Um negócio que tem a participação de pesos pesados: Bradesco e Banco do Brasil são sócios na Cielo, enquanto Itaú Unibanco está por trás da Redecard.
Naqueles primeiros meses do fim da exclusividade, as empresas navegavam às cegas porque não tinham ideia do seu desempenho em relação à concorrente em um mercado aberto. O cenário só começaria a desanuviar com os balanços do 3º trimestre, em outubro. "Era como se estivéssemos pilotando um avião com muita chuva, parte com informação precisa e parte na base do barômetro", explica Dias.
As pressões, segundo ele, vinham de todos os lados e de todos os níveis. Não eram poucos os funcionários que chegavam com frases do tipo: "Fui almoçar e o POS (maquininha) do restaurante não era mais Cielo". No conselho, as perdas de grandes contas geravam cobrança.
Mas o executivo recebeu apoio para seguir na orientação prevista: preservar as margens. "Não iríamos na base do share pelo share. Não adiantaria nada ter um cliente que me trouxesse prejuízo". Quem estava no dia-a-dia de vendas podia descer o preço dos serviços até um limite. Para ir além, só com a aprovação de outras instâncias.  O processo gerou reclamações na área comercial, já que a Cielo parecia mais lenta que a concorrência. "Eu respondia que era deliberado. Sou mais rápido para várias coisas, mas pra dar preço mais baixo não sou". E as investidas não vinham apenas do concorrente. O executivo conta que alguns clientes blefavam e era preciso "pagar para ver". "Houve pouca matemática e muita sensibilidade pra cuidar disso aí. O limite das negociações era a rentabilidade mínima que a gente definia." Mas diante da agressividade da concorrência e de perdas maiores do que o planejado, a Cielo teve de fazer diversos ajustes na estratégia.
Resultados: Em outubro, quando a Redecard divulgou o balanço do 3º trimestre, com uma queda no lucro líquido de 2,7% em relação ao mesmo período de 2009, a Cielo correu para antecipar o seu anúncio, que seria feito uma semana depois: havia registrado um aumento de 23%.
No 4º trimestre, o lucro líquido da Cielo ficou praticamente estável em relação ao mesmo trimestre de 2009, enquanto o da rival cedeu quase mais de 13%. Ficava claro que a estratégia da Redecard era manter preços agressivos para ganhar participação de mercado. A supercompetição fez as ações das duas empresas perderem o chão.  Em fevereiro, tanto Cielo quanto Redecard registraram os valores mínimos de seus papéis desde o fim da exclusividade. O preços refletiam as incertezas do mercado diante da guerra: ninguém sabia quando o ciclo de quedas de preços iria parar. A intensidade da disputa culminou com a substituição do presidente da Redecard, Roberto Medeiros, por Claudio Yamaguti, vindo do Itaú Unibanco. Procurada, a Redecard não deu entrevista.  "Na conference call do quarto trimestre, houve uma mudança de discurso da Redecard. A empresa assumiu um tom mais brando", afirma Luciana Leocadio, analista-chefe da corretora Ativa. "Depois disso, a competição ficou mais moderada."
Neste um ano de transformação da indústria de cartões, a Redecard ganhou fatia de mercado, mas a partir de uma estratégia de preços considerada agressiva demais por boa parte de investidores e analistas. De janeiro a março, o lucro líquido da Redercard despencou 20%, contra um recuo de 3,5% da rival. A impressão geral, até agora, é que a estratégia da Cielo se saiu melhor.
Novos rivais: Mas essa foi apenas a primeira parte da disputa nos cartões. Uma nova fase já começou com a chegada de novos competidores. Com foco no pequeno comércio, o Santander (em parceria com a GetNet) abocanhou 1,4% de participação. "Agora estamos aumentando a oferta de produtos para atender as grandes empresas", diz Cassius Schymura, diretor da área de cartões do Santander.
Companhias estrangeiras também anunciaram a entrada no País. Mas o processo não é simples. "Adequar plataformas à legislação e ao padrão brasileiros leva tempo", diz Marcos Leite, presidente da processadora CSU, que passou a atuar no setor com o Banrisul. Construir uma ampla rede de distribuição também não será fácil, já que os maiores bancos brasileiros estão por trás dos dois grandes players.
Mas o potencial de crescimento do mercado nacional tem falado mais alto que as restrições para as estrangeiras. "Em 2010, o Brasil registrou cerca de 7 bilhões de transações de cartões. Nos EUA, esse número é cinco vezes maior", afirma Paulo Caffarelli, vice-presidente da ABECS.
A americana First Data, maior empresa de meios de pagamentos eletrônicos no mundo, promete em dois meses anunciar os primeiros serviços de captura e processamento de transações no Brasil. "Estamos em negociação com vários parceiros", afirma Maria Fernanda Teixeira, presidente da First Data no País. A Elavon (associada ao Citi) e a Global Payments também anunciaram o ingresso no País.  A briga no setor está só começando. "O sarrafo (aquele travessão que os atletas de salto em altura têm de ultrapassar) está subindo", disse Dias, o presidente da Cielo, ao se referir à concorrência no setor. A Cielo vai ter de saltar mais alto.

Butique de investimento incomoda banco
Folha 13.06.2011 - Nove dos dez fundos multimercados de melhor desempenho em 12 meses são de gestores independentes. De menor tamanho, os independentes apostam suas fichas em um atendimento VIP ao investidor pessoa física.
Fundadas por estrelas do mercado financeiro que decidiram tentar carreira solo, algumas gestoras independentes de recursos, de tamanho diminuto, estão incomodando casas bancárias gigantes ao oferecer rentabilidade e atendimento diferenciados a investidores pessoa física.
Levantamento do Laboratório de Finanças da USP mostra que nove dos dez fundos multimercados (aplicam em ações, dívida e moedas) de melhor desempenho nos últimos 12 meses no varejo eram de gestores independentes (veja pág. B4).
Verdadeiras butiques de investimento, os independentes batem, ano a ano, a rentabilidade da maioria dos fundos dos bancos, a ponto de a indústria de gestão de recursos chegar ao consenso de que é praticamente impossível um grande banco dar um "atendimento de butique" à massa de clientes.
A novidade é que agora vários desses independentes oferecem o mesmo tratamento VIP, antes restrito aos clientes do private (gestão de fortunas), também para pequenos tíquetes. Casas como as paulistas Fram, Hedging Griffo, Orbe e Rio Bravo, além das cariocas Leblon, GAP, JGP e Nobel, têm fundos de investimento com adesão mínima entre R$ 10 mil e R$ 50 mil -volume compatível com o de clientes premium do Itaú Personnalité, Bradesco Prime, Santander Van Gogh e BB Estilo.
Vista para o mar: Várias dessas gestoras nasceram ainda nos anos 90 como empresas de um homem só, nos fundos de alguma casa da Vila Olímpia, em São Paulo, ou em uma salinha (com vista para o mar) do Leblon, no Rio. Para começar, aplicavam o dinheiro pessoal do fundador e demais sócios. Entre as poucas vantagens do trabalho solo estava ir a pé ao trabalho, almoçar em casa, tomar uma água de coco na praia e ser vizinho do cliente. Segundo a CVM, há cerca de 2.000 gestores independentes no país. Todos eles lutando, sem a infraestrutura e a credibilidade de um grande banco, para se diferenciar da média do mercado. Os independentes brasileiros são hoje a maior resistência à consolidação do setor financeiro, que tornou o Brasil território de cinco grandes bancos -BB, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander. A pressão dos independentes é tão grande que várias dessas instituições financeiras os procuram buscando uma associação e até vestem uma roupagem de butique para dar um ar de atendimento diferenciado e exclusivo aos clientes mais poderosos. Para Christiano Fonseca, fundador da IP (Investidor Profissional), a gestora que inaugurou o circuito Leblon dos investimentos ainda em 1988, a fórmula de sucesso dos independentes é um misto de comprometimento com o cliente e da cultura meritocrática, que premia e enriquece os melhores. Fonseca explica que o gestor deve estar sempre no mesmo barco do cliente. Por esse motivo, na IP o gestor é obrigado a colocar 60% do seu patrimônio pessoal no fundo que administra. "Os gestores são ao mesmo tempo grandes clientes dos fundos. Eles ganham e perdem junto com o cliente", disse.

Sobe o custo dos bônus externos de bancos que fazem consignado
Valor 13.06.2011 - Os custos de captação de instituições de crédito amortizado diretamente em folha de pagamento, chamados de empréstimos consignados, são os que mais estão subindo entre os bancos brasileiros, num momento em que as medidas do governo destinadas a coibir o crescimento do crédito puxam para cima o custo do capital.
Três dos quatro bônus de bancos de pior desempenho são de instituições que deduzem quitações de empréstimos diretamente em folha, nos contracheques do tomador da ativa e dos beneficiários de pensões e aposentadorias. Os rendimentos dos bônus em dólar do banco Bonsucesso SA com vencimento em 2020 subiram 19 pontos-base, para 10,08%. Foi o maior aumento desde o salto de 35 pontos-base sofrido pelos bônus do Banco ABC Brasil SA, parcialmente controlado pelo governo da Líbia. Os rendimentos dos bônus dos bancos brasileiros de vencimento semelhante recuaram 17 pontos-base no mesmo período. As autoridades brasileiras da área econômica elevaram em dezembro as exigências de capitalização e de reservas para restringir a expansão de 21% registrada pelo crédito, que está alimentando a inflação mais acelerada já vivida desde 2005 pela economia brasileira, a maior da América Latina. O Banco BMG SA, que concede empréstimos para aposentados e trabalhadores do setor público, teve sua classificação de crédito submetida a revisão com vistas a um possível rebaixamento pela Moody's Investors Service na semana passada, devido a preocupações de que a aquisição do Banco Schahin SA pela instituição poderá agravar as pressões sobre o capital causadas pela alta dos custos de captação e pelas exigências de capitalização. "Há uma diferença entre as pressões que são introduzidas pela capitalização adicional", disse Celina Vansetti, diretora de pesquisa do setor bancário latino-americano da Moody's, em entrevista por telefone concedida a partir de Nova York. Ela afeta as instituições de crédito corporativo "muito menos, por isso estamos refletindo isso nas classificações", disse ela.
Os retornos das notas em dólar do Banco BMG com vencimento em 2020 subiram 13 pontos-base este ano, para 8,65%, ou 502 mais do que os bônus do governo brasileiro de igual vencimento, segundo dados reunidos pela "Bloomberg". A Moody's reduziu de estável para negativa sua perspectiva para o Banco BMG, o Banco Cruzeiro do Sul SA, o Banco Bonsucesso SA e o Banco Schahin em dezembro, depois que o BC elevou as exigências sobre depósitos a prazo de 15% para 20% e sobre as contas não remuneradas por juros de 8% para 12%, para evitar a formação de uma bolha de crédito. As autoridades também determinaram que os bancos empreguem mais capital para garantir os empréstimos ao consumidor com prazo superior aos 24 meses. Os bancos também serão obrigados a procurar fontes alternativas de custeio depois que o BC começar a retirar gradativamente, no ano que vem, as garantias sobre os depósitos que instituiu para ajudá-los durante a crise financeira mundial.
"Este é um momento de ajuste", disse Paulo Henrique Guimarães, presidente do Bonsucesso, em entrevista por telefone concedida a 7 de junho a partir de São Paulo. "Este não é o momento de pensar em grandes lucros. Não é o momento de pensar em crescimento. É o momento de preservar os índices de capitalização da Basileia e a liquidez."
O Bonsucesso deve elevar a concessão de crédito no mercado brasileiro de valores mobiliários referenciados em ativos e vender bônus nos mercados externos se os retornos caírem para "níveis mais atraentes", disse Guimarães. O banco levantou R$ 220 milhões (US$ 138 milhões) esta semana por meio de vendas de títulos referenciados em ativos, ou FIDC, pelas iniciais em inglês, e pretende emitir mais R$ 380 milhões nesses papéis em agosto ou setembro, disse ele. Os bônus do Bonsucesso caíram porque sua magnitude de US$ 125 milhões reduz muito sua liquidez, disse Guimarães. A alegada fraude do Banco Panamericano SA em novembro estancou o mercado em que os bancos compravam e vendiam carteiras de empréstimos, uma fonte de custeio para os bancos de varejo.
O Banco BMG obteve 67% de seus recursos por meio da venda das carteiras de empréstimos no terceiro trimestre do ano passado, segundo o ING Groep NV. O Banco BMG reinstaurou as vendas de carteiras de crédito junto à maioria dos bancos para os quais vendia antes de as denúncias contra o Panamericano virem à luz, disse seu diretor financeiro, Ricardo Gelbaum, em entrevista por telefone a partir de São Paulo.

Ideal Invest x Itaú Unibanco
Folha 13.06.2011 - A Ideal Invest e o banco Itaú Unibanco fecharam parceria para o setor de crédito universitário. A empresa, gestora do programa Pravaler, espera absorver as faculdades clientes do banco. "Atuaremos em mais sete Estados", diz o presidente da empresa, Oliver Mizne.
Desde o início do ano, os alunos não pagam juros sobre as mensalidades de algumas faculdades. Os juros, segundo Mizne, são pagos pelas próprias entidades. O índice de inadimplência é de 3% e os alunos pagam, em média, juros de 5% ao ano, incluindo aqueles que ingressaram em 2011.
Os estudantes pagam metade do valor da faculdade durante o curso, com desembolso médio de R$ 400 por mês. O restante é pago após a formatura, em período de mesma duração do curso. "Com o financiamento, os alunos fazem cursos melhores e mais caros."
No Fies (Financiamento Estudantil do governo), os juros são de 7,5% ao ano para alunos que não fazem pedagogia ou cursos de tecnologia, e o tempo para pagamento é mais extenso.

Coface parte para expansão regional na América Latina
Valor 13.06.2011 - Pattyn, presidente da Coface na América Latina: apólices menores garantem diversificação de risco e são mais rentáveis
A Coface, do grupo francês Natixis, líder no seguro de crédito entre empresas no Brasil e na América Latina, resolveu partir para uma expansão regional e abrir escritórios fora das maiores cidades nos principais países. "Agora, passada a crise, temos vontade de crescer rapidamente e a proximidade com o cliente é fundamental nessa estratégia", diz o belga Bart Pattyn, presidente e CEO da Coface na América Latina.
O executivo mora no México e visitou o Brasil para inauguração do novo escritório em Recife. Além de São Paulo, a Coface está presente em Belo Horizonte e no Rio. A meta é abrir um novo escritório em Porto Alegre ainda no início de 2012.
Hoje, da carteira total da Coface, apenas 30% do valor das apólices vêm de fora do eixo de São Paulo ou Rio. Pattyn acredita que as maiores apólices vão continuar a se originar aí. No entanto, é com as apólices menores em outras regiões do país que se obtém uma maior diversificação de risco, fundamental para uma seguradora. "As apólices menores são também mais rentáveis." Jöel Paillot, presidente da Coface no Brasil, conta que além dos próprios funcionários da seguradora, que hoje somam cem, a ideia é usar os corretores para ampliar o alcance da empresa. A Coface tem 300 corretores treinados e 30 já ativos. Segundo Pattyn, a ideia é alavancar a expansão também com agentes exclusivos, que são diferentes dos corretores, que trabalham com várias seguradoras. "Em vez de funcionários da Coface, os agentes são pessoas jurídicas com as quais queremos ter relacionamento de exclusividade", conta. "O interior de São Paulo, o Nordeste, o Sul do Brasil, são todas regiões prioritárias, de muito crescimento", diz Paillot. "Há muito movimento no Oeste do Brasil", completa Pattyn. A Coface segue o caminho de seguradoras com outras especialidades que, atraídas pelo potencial de negócios gerados pela expansão da agricultura e pela interiorização da renda, avançam para as cidades fora do eixo Rio/São Paulo para crescer. Icatu, BB/Mapfre, SulAmérica, Santander e HSBC Seguros também adotam estratégias agressivas em cidades fora dos grandes centros, onde os ramos que mais prosperam são os seguros de automóveis, de vida, de residências, de benfeitorias rurais e de máquinas e equipamentos agrícolas. Segundo Paillot, os conflitos no Norte da África e no Oriente Médio, além da crise na Grécia, Portugal e Espanha, têm feito crescer o interesse pelo seguro de risco de crédito. "Muitos exportadores estão preocupados e é nessas horas que o seguro de crédito se mostra mais importante", diz, explicando que a empresa não cobre mais o risco de empresas na Líbia, Iêmen e Síria. Na América Latina, Venezuela e Cuba não têm cobertura. Segundo Pattyn, a América Latina representa cerca de 10% da carteira total da Coface, de aproximadamente € 410 bilhões. "Mas é um lugar no qual esperamos ter maior crescimento, assim como a Ásia", diz Pattyn. A participação de mercado da empresa na América Latina subiu de 33% em 2008 para 36% em 2010. O Chile tem a maior aceitação do seguro de risco de crédito na região -os prêmios representam 0,035% do Produto Interno Bruto (PIB). O Brasil tem a menor, com a relação ficando em 0,004 %. Se no Brasil a aceitação chegasse ao nível do Chile, o mercado atingiria US$ 632 milhões. "É um potencial de expansão de mercado de dez vezes em relação aos níveis atuais", afirma Pattyn.
No mercado interno do Brasil, a Coface fechou 2010 com prêmios (faturamento) de R$ 55 milhões, um aumento de 1% na comparação com 2009, o que garantiu participação de 51,1% no mercado. No seguro de crédito à exportação, a Seguradora Brasileira de Crédito à Exportação, controlada pela Coface, teve faturamento de R$ 19,4 milhões, alta de 19%, com participação de 66,63% no mercado. Quando Paillot assumiu, no início de 2010, a exposição da Coface ao risco Brasil era de € 8,5 bilhões. No fim de 2010 chegou a € 12,6 bilhões. A meta para este ano é crescer para níveis próximos de € 13,8 bilhões.

CVM aperta o cerco às agências de risco e busca mais clareza
DCI 13.06.2011 - A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aperta o cerco sobre as agências de classificação de risco com a proposta de regulação. De acordo com a autarquia do mercado de capitais brasileiro, o início da audiência pública, na qual serão discutidos os tópicos da nova norma, deve começar nos próximos meses, para a implementação ainda em 2011. "Deste ano não passa", afirmou Felipe Claret da Mota, superintendente de Registros de Valores Mobiliários da CVM. Segundo o executivo, a ideia inicial é fazer com que todas as agências de rating especifiquem seus clientes, além de deixar clara a metodologia utilizada para avaliar a nota de uma companhia. "O principal é saber o que é levado em consideração na hora de avaliar a nota de uma empresa. É avaliado o endividamento de curto, médio ou longo prazo? Ou todos os endividamentos são considerados? Este é só um exemplo do que precisamos saber. O investidor necessita de mais informações", diz Mota. Maria Helena Santana, presidente da CVM, foi além e colocou como ponto a ser discutido o conflito de interesse. A principal executiva da autarquia afirmou também que é difícil avaliar o desempenho de um grupo negativamente quando é contratada pela empresa de avaliação de risco. O diretor sênior da Fitch Ratings, Ricardo Carvalho, rebateu as declarações dizendo: "nosso trabalho é para o investidor, ou seja, utilizamos muita transparência por mais que a agência seja contratada por uma empresa para avaliá-la", diz ele.

Casan planeja atrair novo acionista e quer fundo de saneamento
Valor 13.06.2011 - A Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) tem projeto para atrair parceiro estratégico e criar um fundo estadual de investimentos no setor de saneamento no Estado. Segundo o presidente da empresa, Dalírio Beber, a intenção é recomprar parte das ações de emissão da Casan que estão nas mãos de empresas do governo, como as Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) e a SC Parcerias, para oferecê-las no mercado. O negócio ainda depende de aprovação da Assembleia Legislativa catarinense, já que a constituição do Estado determina que alterações na composição societária das empresas com controle estatal precisam de anuência dos parlamentares. O projeto deve ser encaminhado à Assembleia nas próximas semanas. O presidente da Casan diz que o projeto prevê que 51% das ações permaneçam sob controle do governo do Estado, que hoje detém 63,57% do capital total. A SC Parcerias, empresa criada pelo governo em 2005 para atrair investimentos, tem 18,35% das ações. A Celesc, com 15,76%, e a Companhia de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina (Codesc), com 2,32%, completam o quadro de acionistas. Apenas 0,002% das ações estão na bolsa. Beber diz que não há intenção de fechar o capital da empresa e que o percentual de recompra de ações pelo tesouro estadual só será definido depois que o projeto for aprovado pelos deputados estaduais.
Como o negócio ainda está em fase de valoração - que está sendo feito pela Caixa e uma empresa privada -, o presidente não se arrisca a dizer quanto o governo poderia captar com a venda das ações. A Casan atende a 198 municípios catarinenses. Segundo Beber, os serviços representam uma cobertura de 99% na entrega de água tratada nos domicílios em áreas urbanas atendidas pela companhia. O percentual de saneamento na mesma região é de cerca de 16%. A intenção é ampliar esse percentual para 45% em quatro anos.
No primeiro trimestre do ano, a companhia informou uma receita de vendas de R$ 135 milhões, crescimento de cerca de 10% sobre o mesmo período de 2010. O lucro foi de R$ 11,8 milhões nos primeiros três meses de 2011.
A intenção do governo é atrair como sócio um parceiro estratégico - outras companhias estaduais de águas e saneamento, por exemplo, ou grandes empreiteiras com experiência no setor de infraestrutura. O objetivo é evitar que outras companhias privadas tomem o mercado da Casan na realização de obras de saneamento nas prefeituras do Estado. Segundo Beber, a venda de ações provavelmente será feita por meio de leilão privado, com regras de pré-qualificação que determinem a expertise da sócia no setor de saneamento. "O resultado dessa venda será investido em um fundo que possa financiar investimentos ou recapitalizar a Casan", diz. Além dos recursos que ficariam disponíveis com a venda de ações, a Casan já tem um plano de investimento de R$ 1,5 bilhão para os próximos quatro anos. A maior parte do aporte será feito na coleta de resíduos e tratamento de esgoto no litoral catarinense e na região da Grande Florianópolis. A Agência Internacional de Cooperação do Japão (Jica, na sigla em inglês) financiou R$ 395,4 milhões para obras de saneamento na região. Com R$ 255,3 milhões da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), a Casan pretende atender as cidades do interior - Caçador, Videira e Piratuba estão na lista. Há ainda R$ 384,5 milhões em verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e R$ 186,2 milhões em recursos próprios para viabilizar, entre outros projetos, a ampliação da estação de tratamento de água de Palhoça, que atende à capital. Segundo Beber, com o investimento a estação terá capacidade ampliada de 2 mil litros por segundo para 3 mil por segundo.  Há uma preocupação do atual governador Raimundo Colombo, que assumiu o cargo em janeiro, de recuperar a imagem das companhias estaduais e aproximá-las do modelo de gestão privado. A Celesc tem plano semelhante de criação de uma nova empresa, com atração de parceiro estratégico privado, que viabilize investimentos na área de geração no Estado, ponto fraco da companhia hoje. As duas empresas já foram alvo de questionamento no seu modelo de gestão - em maio, a Justiça determinou a indisponibilidade dos bens do ex-presidente e dois servidores da Casan por suspeitas levantadas pelo Ministério Público Estadual em contratos de prestação de serviços de advocacia sem licitação.

Chesf domina licitação e deságio médio vai a 53%
Valor 13.06.2011 - O primeiro leilão de linhas de transmissão, realizado este ano, na sexta-feira, terminou mostrando deságio médio de 53,27% em relação ao teto da remuneração anual estipulada pelo governo para os empreendimentos. Para André Pepitone, diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o deságio terá impacto positivo nas tarifas cobradas ao consumidor. "Pode-se inferir que esse valor vai contribuir significativamente para a redução da tarifa de energia ao consumidor final", disse Pepitone. A Chesf, subsidiária da Eletrobras, foi a grande vencedora do leilão, com participação em todos os três lotes licitados. Em consórcio com a Cteep - o Extremoz -, a companhia levou o primeiro e principal lote da competição. São 299,5 quilômetros de extensão e três subestações no Rio Grande do Norte e na Paraíba. Arrebatou também, sozinha, o segundo e o terceiro lotes: linhas e subestações na Bahia, no Ceará e no Rio Grande do Norte. José Ailton de Lima, diretor de engenharia e construção da Chesf, disse que o primeiro lote era estratégico para a empresa por estar em sua área de atuação. Segundo ele, a vitória de um concorrente prejudicaria a confiabilidade do sistema que a Chesf tem na região. A disputa junto com a Cteep segue uma diretriz da controladora, que determina parcerias para empreendimentos que exigem maior valor de investimento. A Aneel informou que os três lotes vão requerer investimentos de R$ 750 milhões.
Lima comentou que, a depender do licenciamento ambiental, a Chesf vai se esforçar para adiantar a operação das linhas, buscando antecipar receitas e permitir um casamento com o início do suprimento de usinas eólicas. A expectativa da Aneel é que as linhas de transmissão só entrem em operação em setembro de 2013. A Aneel informou que o leilão da linha de transmissão da energia a ser gerada por Belo Monte, no rio Xingu (PA), provavelmente será realizado no primeiro semestre de 2012. O empreendimento está em fase de planejamento na Empresa de Pesquisa Energética (EPE). A previsão é levá-lo ao governo até o fim do ano.

Brasil terá excedente de 5 mil a 6 mil MW de energia até 2014
Agência Brasil 12.06.2011 -  presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse à Agência Brasil que há muito tempo o país não convivia com uma situação hidrológica tão favorável. Em consequência, o sistema deverá ser operado com um excedente de 5 mil a 6 mil megawatts (MW) médios por ano. Segundo Tolmasquim, a situação é de absoluta tranquilidade tanto do ponto de vista dos reservatórios quanto das condições estruturais. “A situação energética do Brasil hoje, do ponto de vista hidrológico, é excepcionalmente boa e fazia muito tempo que a gente não vivia um momento tão bom”. Na avaliação do presidente da EPE, o país terá total garantia de energia para fazer frente ao crescimento da demanda, mesmo que nos próximos anos a situação hidrológica não se mantenha tão favorável. “A nossa realidade hoje é essa: a oferta é muito maior do que a demanda. Então, a situação é de total tranquilidade, independentemente da evolução dos reservatórios. Se considerarmos a relação oferta/demanda até 2014, temos total garantia de fornecimento de energia e com grande excedente”, disse. Maurício Tolmasquim ressaltou que esse excedente leva em conta, inclusive, a possibilidade de uma taxa de crescimento médio da economia da ordem de 5% ao ano. “É um excedente bastante expressivo”, acrescentou.

Governo estuda cortar carga tributária para reduzir custo das tarifas de energia
Valor 13.06.2011 - O governo federal está analisando algumas medidas para reduzir a carga tributária que incide sobre a conta de energia elétrica. Uma comissão com representantes dos ministérios de Minas e Energia e da Fazenda deverá ser formada em breve para analisar alternativas. O PIS e a Cofins, tributos federais que atualmente abocanham 8,5% da conta de luz, poderão sofrer cortes. Paralelamente, a União vai se reunir com os Estados para negociar possíveis reduções da cobrança de ICMS, imposto estadual que chega a representar cerca de 30% da conta paga pelo consumidor. "Há uma preocupação da presidenta Dilma Rousseff para que se reduza a tarifa de energia elétrica no país. Nós estamos pensando em como vamos viabilizar essas ações", disse ao Valor o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.  A busca de acordo com os Estados, segundo Lobão, poderia ajudar a equilibrar a tributação ao longo da cadeia energética. "O preço da conta de luz não é elevado na fase de geração de energia, mas pela cadeia, que envolve as subestações, as linhas de transmissão e a distribuição. Essa última é a mais cara", comentou. Para mexer nos impostos da conta de luz, Lobão afirma que o governo teria de fazer mudanças na legislação do setor.  Hoje, de cada R$ 100 pagos pelo consumidor de energia, R$ 45 são tributos e encargos. Desses, metade são federais. Os Estados ficam com (47%) dos demais impostos. Outros 2,5% são encargos trabalhistas e cerca de 0,5% fica com os municípios.  "É extremamente relevante saber que o governo reconhece esse problema, além de sua manifestação clara para tentar modificar essa trajetória da conta de energia", disse Claudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil. "Acredito que essa postura possa abrir caminho para retomarmos assuntos importantes, como a extinção da cobrança da RGR (Reserva Global de Reversão)", avalia Sales. A RGR é um encargo criado há 40 anos, pago por todos os consumidores. A tarifa deveria ter sido extinta no ano passado, mas uma medida provisória aprovada pelo Congresso prorrogou a contribuição até 2035. O texto ainda não foi sancionado pela presidente Dilma Rousseff.
No médio prazo, o governo já conta com uma redução no preço da energia, devido ao vencimento das concessões a partir de 2015. Segundo a consultoria Andrade & Canellas, até lá um conjunto de hidrelétricas - 21,3 mil MW de geração - terá de ser entregue ao governo federal.
Lobão afirmou que ainda não foi decidido se o governo irá renovar essas concessões - o que implica mudar a lei do setor, uma vez que essas concessões já tiveram uma prorrogação - ou se elas serão leiloadas novamente. Seja qual for o caminho, a decisão do governo vai se orientar pela redução do preço da energia, já que os investimentos feitos nessas hidrelétricas foram amortizados ao longo dos anos. "Não podemos falar de novas concessões ou prorrogação sem estar prevista a modicidade tarifária. Se for decidido pela prorrogação, altera-se a lei, mas ainda assim será garantida a queda de preço da energia elétrica", disse o ministro.  A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também admite que o volume de impostos embutidos na conta de luz é alto e precisa passar por uma revisão drástica. Em recente audiência realizada pela Comissão de Infraestrutura do Senado, o diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner, disse que a agência também está participando das discussões do governo e que o setor de energia precisa entrar numa "cesta básica de desoneração, envolvendo tributos federais e encargos estaduais".  A conta de luz do consumidor brasileiro carrega o custo de todo e qualquer projeto ligado à área de energia, desde taxas para manter a segurança energética até cobranças para favorecer a adoção de fontes renováveis. "Vivemos em um país onde a tributação representa 35% sobre o PIB, o que já muito alto. Não faz nenhum sentido que na área de energia essa fatia seja ainda maior, chegando a 45%", diz Sales, do Acende Brasil

Estudo ataca novas licitações de energia
Estadão 12.06.2011 - Para técnicos do ministério, renovação das atuais concessões tem mais vantagens e pode até ajudar a reduzir as tarifas de eletricidade. A renovação das concessões do setor elétrico, que começam a vencer em 2015, é mais vantajosa do que a realização de novas licitações, mostra relatório inédito do grupo de trabalho criado para discutir a questão. O documento, que está em análise no Ministério de Minas e Energia e no Palácio do Planalto, mostra que uma das vantagens dessa opção seria a redução das tarifas de eletricidade. Para renovar, entretanto, o governo terá de alterar a lei que regulamenta o processo e impede novas prorrogações. No documento, obtido com exclusividade pelo Estado, os técnicos do ministério, que passaram dois anos analisando o tema, apontam 13 aspectos positivos em relação às renovações, enquanto as licitações teriam apenas sete. A manutenção das operações de geração, transmissão e distribuição de energia nas mãos dos atuais concessionários geraria somente três efeitos negativos. No caso de novos leilões, a lista de problemas tem dez itens. Dentro de quatro anos, estarão vencendo as concessões de usinas que representam 20% da capacidade total de geração de energia no Brasil. Do lado da distribuição, os contratos que ainda estão para vencer respondem por 67% do segmento. No caso da transmissão, a parcela é ainda mais significativa, de 82%. A maior preocupação do governo, entretanto, é a situação das usinas hidrelétricas.
Pressão: As empresas que detêm as concessões de geração pressionam o governo pela renovação, mas querem garantias de que não serão forçadas a reduzir de forma drástica o valor da energia produzida.
Na outra ponta, os representantes dos grandes consumidores dizem que essa é uma oportunidade única para se fazer de fato uma redução das tarifas no Brasil.  O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, é defensor da ideia de reduzir o valor da energia, caso o governo opte pelas renovações.
Técnicos do ministério alegam que todos os investimentos feitos pelos concessionários já foram amortizados - por isso, uma renovação levaria, obrigatoriamente, a uma redução do preço da eletricidade.  Essa redução da tarifa é uma das principais vantagens apontadas no documento em favor da renovação das concessões. "A prorrogação implica benefícios líquidos para a modicidade tarifária e contribui para redução dos encargos setoriais, aumentado a competitividade", afirmam os técnicos. Por outro lado, como essa redução de preço depende de uma negociação entre governo e concessionários, a renovação reduz a transparência no processo de definição desse valor.
Numa licitação, a fixação do valor da energia é mais clara. Vence o leilão quem oferecer o menor preço para a eletricidade que será gerada na usina.

Alstom ganha contrato de € 200 mi para eólica
Valor 13.06.2011 - A Alstom assinou na semana passada um contrato de € 200 milhões com a Brasventos para fornecer aerogeradores a três parques eólicos da companhia, que pertence à J. Malucelli Energia, Eletronorte e Furnas. Com esse negócio, a carteira de contratos em eólicas da empresa francesa no Brasil chega a um volume de turbinas capazes de gerar 250 megawatts (MW).
Em outubro deste ano, a Alstom deve inaugurar sua fábrica na Bahia que será usada só para esse tipo de produção. Mundialmente, a companhia ocupa uma distante 11ª posição no ranking de fornecimento de turbinas eólicas e o Brasil será uma das apostas de crescimento dos franceses neste segmento. Essa aposta está embasada no próprio apoio do governo federal ao negócio de eólicas que vem promovendo leilões desde 2009 e reduziu os impostos para compra de equipamentos. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão governamental que planeja o setor, já prevê um crescimento anual do parque instalado de parques eólicos em cerca de 1.000 MW. O vice-presidente de energia da Alstom, Marcos Costa, diz que a concorrência no mercado brasileiro está bastante acirrada não só pelos leilões realizados mas também pelo fato de que alguns mercados no mundo tiveram demanda inferior nos últimos anos, em função da crise econômica mundial. "Fechamos agora o contrato com a Brasventos que era crucial para termos nossa fábrica no Brasil", diz Costa. A planta já está 60% erguida na Bahia e a meta é de que por ano a Alstom tenha contratos de € 300 milhões para ocupar toda a capacidade da fábrica. Além da Brasventos, a Desenvix também é cliente da Alstom no Brasil. As turbinas do projeto da Desenvix já entram em operação em julho deste ano. Já o contrato fechado com a Brasventos pela Alstom prevê a entrega e montagem das turbinas até junho de 2012 e parte delas será produzida na fábrica baiana. Os empreendimentos da empresa tiveram a energia vendida em leilão realizado há dois anos e o mês de junho de 2012 é o prazo limite do contrato de concessão para a entrada em operação dos parques. Juntos eles têm capacidade instalada de cerca de 150 MW. O índice de nacionalização deve chegar a 60%, como o exigido pelo BNDES, e torres e pás serão adquiridas em subcontratos a serem feitos pela Alstom no Brasil. No ano fiscal que terminou em março de 2011, a Alstom registrou um crescimento de 30% com o fornecimento de turbinas de geração de energia no mercado brasileiro. Em quatro anos, a empresa dobrou seu faturamento no país em função dos contratos fechados com megausinas como as do Madeira e mais recentemente com as de Belo Monte.

Para crescer, região Sul de SC espera a "nova" BR-101
Valor 13.06.2011 - Há dez anos, o Sul de Santa Catarina, região que reúne 42 municípios e cerca de 900 mil habitantes, aguarda pela duplicação da BR-101. A rodovia liga o Estado ao Rio Grande do Sul e aos países-membros Mercosul, e também ao Paraná e ao resto do Brasil pelo litoral.
O trecho norte da estrada, que liga Florianópolis a Curitiba, ficou pronto no começo da década passada. As obras em solo gaúcho foram inauguradas no fim do governo Lula, em 2010.  Com cerca de R$ 1,4 bilhão já empregado - e uma estimativa de que o gasto da obra ultrapasse R$ 1,9 bilhão para concluir os 238,5 km de duplicação das pistas e obras de arte, como viadutos e túneis -, a expectativa é que as etapas mais problemáticas só fiquem prontas em 2015. Entre desvios e trechos de estrada transformados em canteiro de obras desde 2005, a economia da região se esforça para crescer.
Tradicional polo de produção de carvão mineral - cerca de 2,32 milhões de toneladas que respondem por 50% de extração da matéria-prima no país - e do setor de cerâmica, com 11 empresas e 5,6 mil empregados, que trabalham diretamente nas maiores empresas nacionais do segmento, o Sul catarinense enfrenta a necessidade de diversificar a economia. O setor metal-mecânico, por exemplo, se desenvolveu em paralelo aos demais ciclos econômicos e já emprega 10 mil pessoas em 1,5 mil empresas espalhadas por toda região. O setor do vestuário cresce de 10% a 12% ao ano, e a estimativa é que existam cerca de 600 empresas no ramo da confecção na região, entre formais e informais.  Ao largo desses setores tradicionais, o empresário Jayme Antônio Zanatta, 76 anos, construiu um grupo de empresas que atua com autonomia na região. Começou com uma fábrica de embalagens, na década de 1970, em sociedade com o tio. Mais tarde, seguiu para os ramos de tubos e conexões de PVC e de tintas.  A Tubozan, de tubos e conexões, acaba de fechar uma associação com a Plásticos Vipal para a criação da BR Plásticos Participações. A joint venture, com 49% de capital da Tubozan e 51% da Vipal, será a terceira maior empresa transformadora do país na produção de componentes plásticos para a construção civil. A previsão é que, juntas, possam faturar R$ 250 milhões em 2011.
Há um projeto de investimento de R$ 20 milhões em modernização e expansão das unidades nos próximos dois anos - até o fim de 2012, a empresa terá oito unidades em operação. Em Santa Catarina, a empresa mantém a fábrica em Siderópolis, cidade próxima a Criciúma.
Com a Farben, a empresa de solventes e tintas técnicas voltada para a indústria de móveis, metal-mecânica e automotiva, Zanatta esperar crescer 14% este ano. Em 2010, o faturamento bruto da empresa foi de R$ 140 milhões. O plano de investimentos para os próximos cinco anos é de R$ 50 milhões na fábrica localizada em Içara, a 190 km de Florianópolis. Em abril, a Farben firmou uma joint venture com a Imagraf Tintas Moveleiras, com sede em Arapongas, no Paraná. O objetivo é conquistar tecnologia das tintas e vernizes UV para o setor moveleiro, que secam rapidamente e conferem mais agilidade para o no processo industria. Com a união, a capacidade da Imagraf-Farben será de 2,5 milhões de litros por mês de tinta para o segmento moveleiro.  Zanatta sofre assédio de outros Estados para levar seus investimentos para fora de Santa Catarina. Rio de Janeiro e Espírito Santo já teriam feito propostas para o empresário, mas ele se mantém fiel ao objetivo de manter a sede das empresas no Estado, apesar dos planos de expansão. Mesmo com a perspectiva de crescimento, a dificuldade de acesso à região prejudica os negócios da Farben. "Estamos investindo porque somos muito teimosos, porque não temos suporte de infraestrutura para crescer", diz Edmilson Zanatta, gerente-administrativo da empresa e filho de Jayme. De acordo com ele, é comum que no transporte rodoviário ocorram avarias nas cargas de tintas, o que gera custo na entrega. "Precisamos repensar a logística e concentrar um volume maior de estoque no centro de distribuição em São Paulo para poder atender no prazo os clientes", conta Edmilson.  A dificuldade em trazer clientes para conhecer a sede das empresas na região também é um entrave para os negócios. Empresários de outras regiões temem a BR-101 Sul, conhecida pela violência e pelos constantes congestionamentos nos trechos em obras. A falta de uma escala de voos adequada no aeroporto de Criciúma - reivindicação dos empresários da região - também prejudica os negócios.
Para Ottmar Müller, presidente do Sindicato das Indústrias de Cerâmica da região (Sindiceram), a mobilidade das pessoas fica prejudicada com o atraso das obras na BR-101 Sul. "É difícil quantificar o impacto que esse atraso representa, mas sem dúvida gera um aumento nos custos de frete e nos custos fixos de manutenção de frota." O empresário diz que a região perde poder de barganha nas negociações por ser difícil receber clientes para fazer lançamentos ou apresentar a produção no local. Depois de passar por dificuldades em função da queda das exportações, o setor cerâmico projeta crescimento para os próximos anos. Em dez anos, a capacidade produtiva dos fabricantes de cerâmica para revestimentos na região cresceu 11%. Até 2012, deve passar ter novo aumento, entre 5% e 6%. As vendas para o mercado interno vêm sustentando esse crescimento, segundo Müller. O Sul catarinense, forte produtor de carvão, pode receber ainda um investimento de R$ 1,6 bilhão em Treviso. O projeto da Usina Termelétrica Sul Catarinense (Usitesc) já existe há dez anos, mas entrou em nova fase com a chegada de novos investidores, em 2009. Agora, o empreendimento já tem as licenças ambientais necessárias e aguarda leilão de energia que viabilize o investimento.  Com capacidade para gerar 440 MW, o empreendimento está em fase de contratação da empresa responsável pela engenharia, compra de materiais e equipamentos e construção. Segundo o engenheiro José Cunha, da Usitesc, as jazidas da região têm capacidade para atender o projeto por mais 60 anos.

Construção civil tem demanda aquecida pelo menos até 2016
Valor 13.06.2011 - Os fabricantes de alumínio para o ramo de construção civil estão com o presente e o futuro garantidos, pelo menos até 2016, levando em conta a expansão nas vendas de imóveis. Embora nas construções de baixo e médio custos sua participação ainda fique atrás do ferro e da madeira, o alumínio avança nas obras luxuosas, sendo cada vez mais utilizado em janelas, portas, armários e boxes de salas de banho.
Os fabricantes respondem com mais investimentos diante do bom momento. "A Alcoa investirá US$ 45 milhões entre 2010 e 2016 nas áreas de expansão, lançamento de novos produtos, abertura de lojas, entre outros projetos", afirma José Carlos Cattel, diretor da divisão de extrudados da empresa.  A primeira leva de investimentos, no ano passado, somou US$ 11 milhões, aplicados na ampliação da linha de acabamento na área de perfis - esquadrias para janelas e portas. "Com esses recursos, a produção cresceu 11%. Para este ano já temos um orçamento de US$ 18,5 milhões, que serão aplicados na aquisição de uma nova prensa na planta de Tubarão (SC) e no aumento da capacidade de extrusão de Itapissuma (PE)", explica. O Norte e o Nordeste estão levando a Alcoa a realizar aportes na unidade de Itapissuma.
Segundo o diretor, a unidade pernambucana integra a malha logística da Alcoa no Sul e Sudeste. Cerca de 30% da produção nordestina vai para esses mercados. Mas a proporção deve cair com o crescimento da indústria nordestina de construção. "A região cresce o dobro do Brasil. Se o PIB do país aumentar 5%, lá será 10%", afirma. No ano passado, o crescimento das vendas da Alcoa na área de construção civil surpreendeu. "Em 2010, tínhamos projetado um crescimento de 9% e crescemos 10% em volume", diz Cattel. Pelos seus cálculos, 60% dos extrudados são absorvidos pela construção civil e os outros 40%, pela indústria. "Em 2011, a projeção é de um crescimento de 7%. A receita, que no ano passado teve um salto de 12% sobre 2009, deverá crescer 9% em 2011", afirma. Líder no segmento de extrusão com 23% de market share, Cattel aposta na continuidade do aquecimento. "O mercado deverá manter-se com forte demanda por pelo menos mais cinco anos em função do déficit habitacional, da Olimpíada, a Copa de 2014 e o aumento da massa salarial", estima. Reformas de moradias e o programa Minha Casa, Minha Vida também são fatores citados.
A Alpex Alumínio, empresa brasileira que atua no desenvolvimento de soluções em perfis extrudados e de produtos acabados em alumínio, vai investir R$ 24 milhões no período de 2011 a 2016. Segundo Paulo Magalhães, sócio diretor da companhia, os primeiros R$ 4 milhões desembolsados até dezembro serão suficientes para elevar a produção em 30% neste ano. "Com isso teremos de contratar mais 40 funcionários, totalizando 380", diz.
Com um faturamento de R$ 195 milhões registrado no ano passado, a direção da Alpex Alumínio também se mostra otimista. "A expectativa para 2011 é crescer 4%, mas a partir de 2012 a meta é de um aumento de 15% ao ano", afirma. A Alpex Alumínio atua nas indústrias automobilística, moveleira, da construção civil, de eletroeletrônico, entre outras. Móveis e construção andam de mãos dadas. "Os móveis exigem uma boa quantidade de alumínio e a construção também", explica. Até o final de 2016, quando os R$ 24 milhões já tiverem sido desembolsados, a Alpex projeta um segundo aumento na produção, de 30%. Para Claudio Roberto Martins, gerente comercial da Anobril Anodização Pintura e Extrusão de Alumínio Ltda, o mercado é atrativo. "Em 2010 houve crescimento de 30% no volume de produção e vendas. E 2009 foi um ano recessivo", comenta. A expectativa para 2011 continua positiva. "A meta é crescer na faixa de 13%. Os desembolsos feitos no ano passado ficaram 15% acima do verificado em 2009 e para este ano a estimativa é de uma injeção de recursos cerca de 20% superior." De acordo com Martins, os recursos serão aplicados em compras de equipamentos e tecnologia. Com 100 empregados e uma única fábrica instalada em São Paulo, Martins atribui o desempenho nos negócios a reformas e construção de novas moradias devido ao aumento do poder aquisitivo e ao programa Minha Casa, Minha Vida. Pelas suas contas, do total produzido pela Anobril, 40% são absorvidos pela classe C e outros 30% pela classe D. "Os restante se divide entre os consumidores A e B".

Aumento do preço da refeição faz trabalhador buscar alternativas
Folha 12.06.2011 - Folha mostra o aumento de 15,9% no preço da refeição fora de casa no último ano. O almoço em restaurantes está custando, em média, R$ 21,11. Para o trabalhador, o impacto no bolso é grande, visto que o tíquete médio pago pelas empresas para alimentação é de R$ 10, segundo o presidente da Assert (Associação das Empresas de Alimentação e Refeição Convênio para o Trabalhador), Artur Almeida. Para driblar essa disparidade, profissionais se organizam para definir valores de almoço. Os bancários, por exemplo, têm o valor do vale-refeição definido em convenção coletiva a cada ano. Em 2011, o valor recebido pelos funcionários por dia de trabalho é de R$ 18,15. Juvandia Moreira, 38, que preside o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, explica que a primeira negociação para que o valor da refeição constasse na convenção foi feita em 1991, mas que, todo ano, os bancários negociam o ajuste do valor. Já o cirurgião-dentista Lauro Delgado Jr., 51, não tem com quem negociar o valor de suas refeições, pois tem um consultório familiar com a esposa e três filhos. A solução encontrada é almoçar em casa todos os dias. "Optei por montar consultório perto da minha casa e os meus filhos, que hoje trabalham comigo, escolheram morar em casa em um raio de 5 km do local", conta Delgado. Apesar de não morarem mais juntos, a família almoça junta praticamente todos os dias, segundo o dentista. A ideia é economizar. "Quando os cinco almoçam fora, o gasto é muito alto." Roberto Baungartner, diretor de Relações Institucionais da Ticket (empresa de cartões de alimentação), diz que os restaurantes a peso têm aumentado presença no dia a dia dos trabalhadores, mas que o prato mais comum de se comer na rua ainda é o prato feito, também chamado de prato comercial.

Deslealdade cambial da China é alvo do País
DCI 13.06.2011 - A China poderá ser o próximo parceiro comercial a sofrer retaliações do governo brasileiro. O motivo, neste caso, é a questão da moeda chinesa desleal, que não possibilita à indústria nacional uma competitividade real. A afirmação é do presidente da Associação Brasileira de Comércio exterior, Roberto Segatto. De acordo com o executivo, o governo de Dilma Rousseff deve impor preços de referência para os produtos, cuja maioria é de manufaturados. Essa medida seria mais um sinal da mudança de postura do governo brasileiro em relação a seus mais problemáticos parceiros comerciais, como Argentina, Rússia e União Europeia. No último mês, o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) resolveu tomar medidas para proteger a indústria nacional e começou a "dar o troco na mesma moeda" frente às decisões protecionistas de seus parceiros comerciais. A forma mais eficaz por enquanto tem sido a aplicação das licenças não automáticas e os anúncios de dumping. "A posição do governo frente aos atos dos seus parceiros acontece no momento em que as importações estão aumentando de forma desproporcional e a indústria nacional está sendo extremamente prejudicada, a ponto de virar montadora, e não produtora de produtos. As medidas estão sendo eficazes, mostram que temos bala na agulha e que vamos retrucar na mesma proporção", pondera Segatto. O diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Gianetti da Fonseca, afirmou na sexta que o déficit comercial do Brasil de produtos manufaturados deve crescer de US$ 70 bilhões em 2010 para US$ 100 bilhões neste ano.

Economia dos solteiros gira R$ 419 bilhões por ano
Folha 11.06.2011 - Em maré contrária à máxima "é impossível ser feliz sozinho", os solteiros brasileiros nunca estiveram tão dispostos a adiar o casamento para investir em áreas que tragam realização pessoal. De viagens a imóveis, de entretenimento a cursos de especialização, essas 47,1 milhões de pessoas já movimentam por ano R$ 418,7 bilhões e representam uma das fatias de mercado mais atrativas para empresas de bens de consumo e serviços. "Foi-se o tempo em que ser solteiro era sinônimo de solidão. Essa parcela da população já descobriu os prazeres de investir em si mesmos", diz Renato Meirelles, sócio da consultoria Data Popular, que produziu o estudo. Quase 70% dos solteiros brasileiros têm até 35 anos. Nas classes AB, 77% têm até essa idade. Aos 35, os solteiros da classe A têm renda individual média de R$ 4.161 e destinam boa fatia do orçamento a entretenimento, viagens e tecnologia. É o caso de Fabricio Trevisan, 29, executivo da área de comunicação e baterista de rock, que todo ano faz quatro viagens longas por lazer. Cerca de 30% da renda vai para academia, balada, jantares, viagens, roupas e gadgets.
"Balada para solteiro é um item de sobrevivência. Estou comprando um imóvel agora, mas, sem família para sustentar, dá para consumir outras coisas também", diz. Hoje, 40% dos ganhos do executivo --que mora com um irmão-- vão para a compra de um apartamento no centro de São Paulo.
Consumidores com o padrão de vida de Trevisan são o alvo de muitas empresas, como as construtoras.
Segundo José Augusto Viana Neto, do Creci-SP, os solteiros de alta renda preferem apartamentos de até dois quartos em regiões centrais, nos Jardins, na Vila Nova Conceição e no Morumbi.
Estabilidade: "A estabilidade da economia e dos empregos deu a esse público mais condição para investir em apartamentos de R$ 280 mil a R$ 600 mil." Para atingir o público, construtoras apostam em redes sociais e anúncio em tablets.
Para Alessandro Vedrossi, da Brookfield, o fato de haver mais gente solteira morando com os pais reflete mais uma "necessidade" do que uma "opção". "Esse cenário está mudando." Além de adaptar o tamanho e o valor médio, a ideia é agregar serviços.
"Em vez de pensar em espaços voltados para a família, a gente está fazendo, em alguns empreendimentos, um salão de festas na cobertura, com piscina e acesso 24 horas. Pode ter uma balada até as 5h que não vai ter vizinho incomodando."
Hoje, 15% do total de suas vendas já são para solteiros.
Sem adaptar: Apesar do potencial de gastos, boa parte das empresas ainda não está preparada para atender a esse público.
A indústria de alimentos, por exemplo, costuma associar o solteiro ao morador solitário e se limita a oferecer produtos em embalagem menor. Mas apenas 8% do total, ou 3,1 milhões, moram só. "O desafio é descobrir os valores que movimentam a vida desse consumidor", diz Fabio Borges, especialista em consumo da ESPM. "As empresas não estão aproveitando tanto, falta visão segmentada. Alguns crescem na inércia, como turismo e entretenimento. Mas não estão criando nada para se comunicar com eles", diz Bruno Maletta, do instituto de pesquisa Sophiamind.

Setor financeiro americano continua encolhendo
Valor 13.06.2011 - Regulamentação mais rígida afeta expansão do BofA e outros bancos dos EUA.
As empresas financeiras estão se tornando uma parte menor da economia dos Estados Unidos, ao administrar um passado impossível de eliminar e um futuro de queda da receita e do número de postos de trabalho. As taxas de juros persistentemente baixas e a estagnação do crescimento dos empréstimos estão diminuindo os rendimentos com juros no mesmo momento em que novas regulamentações estão restringindo as tarifas que os bancos cobram de seus clientes de varejo. A receita líquida dos seis maiores bancos dos EUA - Bank of America, J.P. Morgan Chase, Citigroup, Wells Fargo, Goldman Sachs e Morgan Stanley - deverá cair 3,7% no segundo trimestre, sua quarta retração ano a ano em cinco trimestres, segundo cem estimativas de analistas reunidas pela "Bloomberg". As regulamentações que exigem que os bancos detenham mais capital como proteção contra prejuízos muito provavelmente comprometerão sua lucratividade. "Não é preciso ser um cientista para imaginar que uma regulamentação mais rígida e normas de capitalização mais opressivas, sem crescimento da economia, vão encolher o setor", diz John Garvey, diretor de prática de assessoria ao setor financeiro da PricewaterhouseCoopers. As empresas financeiras responderam por 29,3% dos lucros corporativos americanos no período de 12 meses encerrado a 31 de março, parcela bem distante da alta recorde de 41,7% apurada no período de 12 meses encerrado a 30 de setembro de 2002. Os investidores não estão gostando nem um pouco do que veem. As ações de empresas financeiras ficaram atrás do mercado como um todo por nove dos últimos onze meses. O coeficiente dos preços do índice das empresas financeiras do Standard & Poor's 500 em relação ao índice S&P 500 de todas as ações é inferior a 0,16, muito inferior aos 0,36 calculados em março de 2004. O único outro período dos últimos 20 anos em que o coeficiente caiu para menos de 0,16 foi o de janeiro a abril de 2009, quando alguns bancos foram nacionalizados depois de tomar empréstimos de bilhões em fundos de salvamento financeiro para sobreviver à crise do crédito. O Bank of America, a maior instituição de crédito dos EUA por ativos, viu suas ações alcançarem seu recorde de baixa de dois anos a 6 de junho.  Analistas como Meredith Whitney e Glenn Schorr, este último da Nomura Holdings, preveem que a desaceleração do crescimento resultará em cortes de postos de trabalho em Wall Street nos próximos meses.  Os bancos se defrontam com pelo menos 15 grandes "espadas de Dâmocles" a seu desempenho nos próximos anos, escreveram analistas da FBR Capital Markets em nota encaminhada aos investidores em 3 de junho. Entre os fatores citados estão novas limitações às transações proprietárias e à cobrança de tarifas sobre furtos de cartões de débito, investigações estaduais e federais das práticas de concessão de crédito imobiliário e exigências mais rígidas de capitalização e de liquidez. As novas normas fixadas pelo Comitê de Supervisão Bancária da Basileia, que começarão a entrar em vigor em 2013, deverão reduzir o retorno sobre o patrimônio dos bancos americanos em 3 pontos percentuais, segundo estimativas de consultores da McKinsey. "Essas são nuvens bem carregadas, sem dúvida nenhuma", disse o principal executivo do J.P. Morgan, Jamie Dimon, em palestra a investidores em Nova York a 2 de junho. Num seminário do banco em Atlanta, a 7 de junho, Dimon perguntou ao presidente do Federal Reserve (Fed, o BC dos Estados Unios), Ben S. Bernanke, se as novas regulamentações bancárias não foram longe demais. Bernanke respondeu que talvez seja necessário algum tempo para que os reguladores "possam perceber em que ponto o custo ultrapassa os benefícios". Num esforço de aumentar a receita, os bancos estão deslocando seu foco novamente para negócios básicos, como operações bancárias de varejo, serviços de corretagem e administração de ativos. Eles estão requentando práticas empregadas no passado, como a venda cruzada - convencer os atuais clientes a comprar outros produtos. O Morgan Stanley contratou mais de 170 profissionais de "private banking" (administração de recursos para clientes especiais) para conceder empréstimos e oferecer produtos vinculados a depósitos para seus clientes de corretagem de varejo. O Bank of America está tentando abocanhar negócios bancários dos dois terços dos seus clientes da Merrill Lynch que têm contas bancárias em outras instituições. O Wells Fargo está montando sua corretagem de varejo de maneira que ela possa conquistar negócios junto a 5,2 milhões de clientes, que detêm de US$ 1,7 trilhão em ativos de investimento em outras empresas. Garvey, da PricewaterhouseCoopers diz: "Neste exato momento nos Estados Unidos, trata-se muito mais de cortar o bolo de uma maneira diferente do que de fazer o bolo crescer". Os maiores bancos do país estão tentando crescer no exterior, principalmente nos mercados emergentes. O principal executivo do Citigroup, Vikram Pandit, disse em simpósio a 9 de março que o banco realiza atualmente mais de metade de seus lucros nos mercados emergentes. "Temos uma marca única que, acreditamos, vai nos permitir capitalizar as tendências do crescimento mundial e gerar valor para os nossos clientes e acionistas ao longo do tempo", diz Shannon Bell, porta-voz do Citigroup. Seus colegas dos outros cinco bancos preferiram não comentar, ou não deram retorno às ligações com que se tentou buscar suas avaliações. O principal executivo do Bank of America, Brian Moynihan, disse em fevereiro que seu banco tentará gerar aumentos de receita superiores ao crescimento da economia dos EUA em 1 ponto percentual, puxado por suas subsidiárias internacionais. O Gary Cohn, principal executivo do Goldman Sachs, disse este mês que os esforços de contratação da empresa estão concentrados em China, Índia e Brasil.

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