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Unicasa
Valor 20.06.2011 - Mercado interno puxa investimentos, diz Borelli, da Marelli: investimento para ampliar em 55% a capacidade instalada. Estimuladas pelo crescimento do mercado interno e desafiadas pela concorrência de segmentos que também se beneficiam da alta da renda dos consumidores, como eletrodomésticos e eletroeletrônicos, as moveleiras gaúchas estão investindo em expansão de capacidade, tecnologia e qualidade. O movimento se acentuou no fim de 2009, depois de dissipados os efeitos da crise econômica global de 2008, e deve se estender por pelo menos mais três ou quatro anos, acredita o presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Rio Grande do Sul (Movergs), Ivo Cansan. Segundo o empresário, os segmentos que vêm apresentando melhor desempenho são os de móveis planejados, graças à ascensão da classe C, e corporativos. Com isso, indústrias como Marelli, Carraro e Unicasa, que faturam entre R$ 130 milhões e R$ 500 milhões por ano, estão tocando projetos de investimentos de R$ 12 milhões a R$ 30 milhões para obter ganhos de capacidade superiores de até 50%. Em julho, a Carraro põe em operação novos equipamentos robotizados na unidade de mesas e cadeiras, uma nova linha de pintura de dormitórios e cozinhas e novas máquinas de usinagem para a fabricação de móveis planejados da marca Criare. O pacote é parte dos R$ 20 milhões em investimentos realizados nos últimos 15 meses e ajudará a empresa a ampliar em 18% o faturamento bruto deste ano em relação aos R$ 230 milhões de 2010, conforme o diretor comercial Rogério Francio. De acordo com o executivo, os investimentos vão garantir atualização tecnológica da fábrica, além de permitir um "ganho acentuado" na capacidade instalada, já que a empresa vem operando a pleno em pelo menos um turno de trabalho. A linha que mais cresce é a de móveis planejados, vendidos em uma rede de 180 lojas exclusivas e que no ano que vem já deverão responder por até 45% do faturamento da Carraro, ante um terço atualmente, explicou. Nos primeiros cinco meses de 2011, a receita no segmento de planejados cresceu 30% sobre igual período de 2010, enquanto nas demais linhas, distribuídas pelo varejo multimarcas, houve queda de 15%. As exportações para a América Latina e África respondem por 10% das vendas, mas a meta da empresa, controlada pelo grupo Todeschini, é elevar o índice para até 20% em três anos, apesar da valorização do real. A Marelli, focada no segmento de móveis corporativos, investiu R$ 12 milhões em obras civis, novas máquinas para furação e colagem automatizada de bordas e um novo sistema de pintura para peças de metal, 50% mais produtivo e 30% mais econômico em consumo de energia do que a linha atual. Segundo o presidente da empresa, Rudimar Borelli, os novos equipamentos entrarão em operação também em julho e vão permitir um incremento de 55% na capacidade instalada da fábrica. "Essa ampliação permite suportar mais cinco anos de crescimento nas vendas", prevê Borelli. Com 90% do faturamento obtido no mercado interno, a Marelli projeta receita bruta de R$ 130 milhões em 2011, ante R$ 110 milhões em 2010. Neste ano a empresa também pretende aumentar de 32 para 40 o número de lojas exclusivas (que operam sob contrato de cessão de marca) no Brasil e em julho deve abrir a quinta unidade no exterior, desta vez em Lima, no Peru (as demais ficam no Uruguai, Paraguai e Bolívia). A Unicasa, dona das marcas Dell Ano, Favorita e New, vai investir R$ 30 milhões neste ano, 50% a mais do que em 2010, para aumentar a capacidade instalada de 2,2 milhões para 3 milhões de módulos por ano. O volume será suficiente para gerar um faturamento de até R$ 600 milhões anuais, conforme informou ao Valor, em março, o diretor-presidente Frank Zietolie. De acordo com o empresário, a previsão da empresa é fechar 2011 com faturamento bruto entre R$ 472 milhões e R$ 500 milhões, ante R$ 400 milhões no ano passado, quando a alta sobre 2009 já havia alcançado 23%. A expansão, explicou, será puxada pela linha de móveis planejados New, lançada em 2008 com foco na classe C, que terá a participação sobre a receita total ampliada de 20% para até 25% no período.
Segundo o presidente da Movergs, a entidade prevê para 2011 uma expansão de pelo menos 12% no faturamento das indústrias gaúchas no mercado interno e uma retração de 5% a 7% nas exportações (que no acumulado até abril recuaram 5,9%, para US$ 58,3 milhões). No ano passado, a receita total das empresas do setor no Estado somou R$ 4,6 bilhões (15,6% do total do país), sendo 92% provenientes das vendas domésticas. Os embarques ao exterior renderam US$ 210,8 milhões, ou 26,7% do total brasileiro. Agora, conforme Cansan, além de expandir a capacidade instalada e o patamar tecnológico das empresas, os novos investimentos têm contribuído para aumentar o nível de emprego do setor. Desde o início de 2010 a Carraro ampliou em 16% o número de funcionários, para 700, e a previsão é acrescentar mais 5% até o fim do ano. Na Marelli, o quadro cresceu 12% desde o começo do ano passado, para 210 pessoas, e pode aumentar mais 5% até dezembro. No total, as indústrias moveleiras e de produtos de madeira do Rio Grande do Sul empregam pouco mais de 56 mil pessoas. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, as empresas gaúchas nesses dois segmentos criaram 1,8 mil novas vagas de janeiro a abril, com expansão de 3,2% na base de trabalhadores com carteira assinada, e 3,5 mil nos 12 meses de 2010. Em todo o Brasil foram gerados 6 mil postos de trabalho nos quatro primeiros meses de 2011 e 32,2 mil no acumulado do ano passado.
Inbrands se reestrutura para buscar investidor
Valor 20.06.2011 - A Inbrands, holding de empresas de moda do Pactual Capital Partners (PCP), fundo de investimento dos antigos sócios do banco Pactual, promoveu uma reestruturação de suas grifes com o objetivo de se preparar para a abertura de capital. Com isso, a empresa chegará à bolsa com contratos de exclusividade com estilistas e também com participações mais definidas nas marcas que adquiriu desde a sua criação, em 2008.
A intenção da companhia é ter 100% do capital de quase todas as empresas que compõem seu atual portfólio, de nove grifes e dois salões de moda. Em troca, os controladores dessas empresas ligadas à moda terão uma fatia minoritária da Inbrands. O passo mais recente dessa reestruturação foi a revisão, em maio, dos termos do negócio com a Companhia de Marcas, assinado em junho de 2010 e que inicialmente previa que a Inbrands teria 10% do capital da companhia, dona da Richards, Salinas, Richards Selaria e Bintang e que controla empresas do ramo de confecção, comércio e exportação de artigos de vestuário e acessórios. Ao mesmo tempo, a Companhia de Marcas passou a deter 4% do capital da Inbrands. O previsto era que a Inbrands ficasse com 100% da Companhia de Marcas até 2013. Com a revisão contratual realizada agora, essa aquisição ocorrerá imediatamente após a oferta inicial de ações. A transação será efetuada por meio da emissão de bônus de subscrição, que dará direito aos donos da Companhia de Marcas de subscrever ações da Inbrands. A holding também fechou acordo com o empresário Alexandre Brett, proprietário da Mandi. Hoje, a Inbrands detém somente 0,0005% da grife de moda jovem, mas aumentará sua parcela gradativamente, alcançando 12,5% até o próximo ano e 25% até março de 2013. Brett, que também terá ações da holding de moda do PCP, é o fundador da VRMenswear, grife de moda masculina vendida para a Inbrands, em março, por R$ 85,6 milhões. Essa quantia será paga em cinco vezes, sendo que a primeira e a segunda parcelas serão no valor de R$ 10,7 milhões e as outras três parcelas serão de cerca de R$ 21,4 milhões cada uma. A Inbrands pretende alocar 15% dos recursos levantados na oferta primária de ações para pagar a compra de 100% da VR.
A Inbrands também fechou contrato com o criador da São Paulo Fashion Week (SPFW), Paulo Borges, que terá o direito de passar a ser acionista da companhia e transferir para a empresa, em contrapartida, participação de 25% na Luminosidade Marketing e Produções. Se isso acontecer, Borges ficará com cerca de 1% da Inbrands, que passará a ter 100% da Luminosidade, organizadora da SP Fashion Week e da Fashion Rio. Além disso, em dezembro a Inbrands elevou de 70% para 100% a participação na A.H. Confecções, de Alexandre Herchcovitch, por R$ 4 milhões. O estilista assinou um contrato de prestação de serviços e não competição. Até o fim de 2015, ele permanecerá na A.H. como responsável pela criação, desenvolvimento e estilo das marcas. Na direção inversa, em março a Inbrands vendeu 50% que possuía na Isapac Participações para a criadora, Isabela Capeto. Apesar de não participar mais da gestão dos negócios relacionados à marca, conforme contrato inicialmente assinado com a estilista, pelo prazo de dois anos a Inbrands terá uma remuneração baseada num percentual da receita líquida oriunda de cada licenciamento e permissão de uso das marcas relativas ao nome "Isabela Capeto". A oferta pública de ações da Inbrands será primária, por meio da qual os recursos vão para o caixa da empresa, e secundária, em que são vendidos papéis dos atuais sócios. O fundo PCP, dono de 48% da Inbrands, e os fundadores da Ellus, Nelson Alvarenga e Américo Rodrigues, que possuem, respectivamente, 1,02% e 0,18% da empresa, venderão ações apenas se houver demanda para a colocação do lote suplementar de ações. Além de pagar a aquisição da VRMenswear, a Inbrands pretende usar 46% dos recursos levantados na oferta para comprar outras grifes de alto padrão. A abertura de novas lojas próprias deve consumir 15% do dinheiro da oferta inicial de ações. "Acreditamos que há oportunidades para melhora da performance de vendas em nossas lojas próprias e expansão da rede de atacado para as marcas VR e Richards", informa a companhia no prospecto preliminar da operação, enviado à Comissão de Valores Mobiliários. O valor estimado da oferta ainda não foi divulgado. A companhia também está trabalhando para expandir a linha de produtos de suas grifes. Um exemplo já concretizado é a Richards Selaria, que vende calçados e acessórios e teve sua primeira loja inaugurada em dezembro. A marca de moda praia Salinas prevê para este ano ainda o desenvolvimento de uma linha de vestuário feminino. A Richards, por sua vez, deve estampar sua marca em roupas infantis e artigos para casa. Conhecida pelos modelos masculinos, a VR deve criar uma linha feminina "officewear".
A grife criada por Nelson Alvarenga também planeja novidades com a criação da Ellus Acessórios, que deve atuar de forma independente de sua marca mãe. A ideia da Inbrands é integrar todas essas operações em um novo centro logístico com 100 mil metros quadrados, a ser inaugurado no primeiro semestre de 2012, no município de Piraí, no Rio. Esse centro de logística demandará investimento de 3% dos recursos obtidos na oferta de ações.
Santander nega estar em negociações com o Catar
Exame 19.06.2011 - O jornal Sunday Times disse que o Santander está em discussões com a Qatar Holding, parte do fundo soberano do país, sobre a possibilidade de tais fundos tornarem-se investidores do banco. O banco espanhol Santander negou neste domingo estar em negociações com o Catar após reportagem em um jornal britânico dizer que o país está em conversas para a compra de uma participação no braço britânico do banco .
O jornal Sunday Times disse que o Santander está em discussões com a Qatar Holding, parte do fundo soberano do país, entre outros, sobre a possibilidade de tais fundos tornarem-se investidores no Santander no Reino Unido antes ou no momento de uma planejada oferta pública de ações. "Não há conversas atualmente com o Catar sobre esta questão", disse uma autoridade do Santander em Madri em resposta à reportagem.
A Qatar Holdings e o Santander no Reino Unido não estavam disponíveis para comentar o assunto. O credor espanhol disse no ano passado que planeja listar sua unidade do Reino Unido, que, segundo a reportagem, é o quinto maior banco da Grã-Bretanha.
O primeiro-ministro do Catar, xeique Hamad bin Jassim bin Jabr al-Thani, que também é chefe do fundo soberano, disse em fevereiro que o Catar estava disposto a comprar participações em credores do Reino Unido, tendo no passado colhido um lucro significativo a partir de um investimento no Barclays. Em 2010, o Catar comprou uma participação de 5 por cento no braço brasileiro do Santander, o Banco Santander Brasil, em um negócio de 2,7 bilhões de dólares.
Tetra Pak se prepara para enfrentar a concorrência
Exame 19.06.2011 - A entrada de competidores e o surgimento de novas soluções para conservação do leite agitam o mercado de embalagens longa vida. Quanto tempo uma empresa consegue ficar no mercado praticamente sem concorrentes? No caso da Tetra Pak foram muitas décadas. Presente no Brasil desde 1957, a companhia de origem sueca reinou absoluta no país por quase todo este período. Sua tecnologia de produção de embalagens assépticas lhe permitiu abocanhar mais de 90% deste nicho de mercado. Seu reinado, porém, pode estar com os dias contados. Outros concorrentes começam a entrar no jogo para tentar abocanhar ao menos uma fatia do setor. E eles chegam de várias direções. A tecnologia da Tetra Pak foi uma das grandes responsáveis pela popularização no país do leite longa vida (UHT). A combinação da pasteurização na indústria leiteira (processo que destrói microrganismos) com as embalagens cartonadas da empresa permitiu que o produto pudesse ser guardado por até seis meses – o que no período de inflação elevada, em que as famílias esforçavam-se para estocar alimentos, veio muito a calhar. Foi assim que este mercado dobrou de tamanho em pouco mais de uma década. Em 1993, o consumo era de pouco mais de 5 bilhões de litros de leite, mas o volume chegou a mais de 10 bilhões de litros em 2006. O velho “leite de saquinho” definitivamente ficou para trás. A Tetra Pak aproveitou, é claro, para avançar. Hoje, no entanto, seus concorrentes globais voltam-se ao Brasil com planos agressivos. A suíça Sig Combibloc – que produz, assim como a Tetra Pak, embalagens cartonadas assépticas e máquinas de envase para alimentos e bebidas – é uma dessas empresas. Com um investimento de 90 milhões de euros, ela acabou de inaugurar uma fábrica no Paraná com a capacidade de fabricar um bilhão de embalagens ao ano. Em dois anos, a meta é dobrar a produção. “Nossa chegada muda o cenário. A ideia é promover uma concorrência saudável”, diz Luciana Galvão, diretora de marketing da Sig Combibloc no Brasil, que já conquistou contratos de peso, como os do Grupo Schincariol e da Brasil Foods (dona das marcas Batavo e Elegê). Em termos mundiais, o mercado de embalagens cartonadas comporta, de fato, poucos competidores. Além da Tetra Pak e da Sig, apenas duas outras empresas se destacam. São elas a norueguesa Elopak, que não atua no Brasil, e a chinesa GA Pack, que começa a ter representantes por aqui. Outras soluções – Mas não é só a caixinha do leite que agita o mercado de embalagens. Há empresas menores, as quais oferecem diferentes soluções de acondicionamento, que também têm planos para o país. Começa a crescer, por exemplo, a oferta de leite longa vida em recipientes de plástico – chamados de ‘embalagem barriga mole’ ou sachê. O leite longa vida neste tipo de saquinho – que nada tem a ver com o que dominou supermercados e padarias antes dos anos 90 – não precisa ser refrigerado e consegue ficar até quatro meses nas prateleiras; praticamente o mesmo tempo que as embalagens cartonadas. “Conseguimos oferecer um custo até 20% menor ao consumidor final”, diz Jack Chen, presidente da Plastrela, que atua neste novo segmento. “Trata-se de uma alternativa ao consumidor final”, completa. Por trás disso está sua parceira, a produtora de equipamentos de origem finlandesa Elecster. A companhia já começa a trazer para o Brasil máquinas que são capazes de produzir não só embalagens para leites de plástico, como outros produtos. “Deu muito certo em outros países da América latina, como a Colômbia”, diz Chen. Estima-se que, enquanto uma embalagem cartonada custe 40 centavos a unidade, a de plástico pode sair por cerca de 10 centavos. “Há mercado para todos”, diz Mauricio Groke, presidente da Associação Brasileira de Embalagens (Abre). “Cerca de 60% da produção nacional de embalagens para leite longa vida é dominada pelas cartonadas. O restante é abastecido por pequenos produtores, que podem aderir ao sachê”, afirma. Reação – Enquanto isso a Tetra Pak não fica parada. “Inovação é o DNA de nossa empresa”, garante Eduardo Eisler, vice-presidente de estratégia de negócios. “Nossos esforços visam aprimorar constantemente a eficiência de nossos equipamentos e embalagens. Contamos hoje com um portfólio de cerca de 150 tipos de embalagens e inúmeras combinações”, explica. Polêmica – Há alguns dias, o ex-presidente Lula foi contratado pela companhia sueca para uma conferência fechada. Em dado momento da conversa, ele se esqueceu de que não estava mais no poder e prometeu tentar articular junto ao governo federal uma forma de reduzir o ICMS do setor. Se a prática em si não configurasse tráfico de influência, até que poderia ser bem-vinda. Só os impostos incidentes sobre o leite in natura somam 18,65% de seu preço. “É claro que todos os custos são repassados aos consumidores”, diz João Eloi Olenike, presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). “E vai ser assim enquanto não houver reforma tributária”.
Unifacs x Laureate
Folha 20.06.2011 - A Unifacs (Universidade de Salvador) e a Educacional Extensa estão em litígio após a universidade ter sido comprada pelo grupo americano Laureate, em junho de 2010. As duas instituições mantiveram parceria por mais de seis anos: a Unifacs disponibilizava professores e a Educacional Extensa comprava livros, computadores e alugava os imóveis utilizados. A Educacional Extensa foi notificada do rompimento no fim de 2010 e discute os valores a serem pagos. "Nosso cliente deve ser ressarcido no valor do ativo imobilizado e dos investimentos", diz a advogada Beatriz Lopes. A Unifacs "prefere não se pronunciar", pois o assunto "está na esfera judicial".
Citibank será depositário da Estácio em programa de ADRs
Folha 20.06.2011 - Ações da companhia brasileira serão negociadas em Nova York sob o código ECPCY. O Citibank foi escolhido nesta sexta-feira (17) como depositário do programa de ADRs (American Depositary Receipts) da Estácio Participações (ESTC3). As ações da companhia brasileira serão negociadas no mercado de balcão americano sob o código ECPCY.
Em comunicado, o Citi informou que cada recibo de depósito de ações da Estácio Participações representará uma ação ordinária. Dirk Jones, diretor global de Serviços de Seguros e Fundos do Citi, declarou que é “uma honra ter sido selecionado como banco depositário da Estácio”. O executivo espera ajudar a companhia brasileira a expandir seu perfil global com os investidores. “Estamos confiantes que este programa de ADRs nos ajudará a expor nossa empresa e suas estratégias da melhor forma, para reforçar nosso compromisso de gerar valor para nossos acionistas e expandir nossa base de investidores ao redor do mundo”, disse Rogério Melzi, diretor de Relações com Investidores da Estácio Participações.
Eletropaulo paga a acionistas o dobro do que investiu
Exame 19.06.2011 - No ano passado, a empresa pagou mais de R$ 1,3 bilhão em dividendos para acionistas - o dobro do que investiu em suas operações. Bombardeada com críticas por deixar milhares de pessoas sem eletricidade em São Paulo, a Eletropaulo é generosa com seus acionistas. No ano passado, a empresa pagou mais de R$ 1,3 bilhão em dividendos para acionistas - o dobro do que investiu em suas operações (R$ 682 milhões). Enquanto isso, seus indicadores de qualidade se deterioraram desde 2006. No ano passado, os clientes da distribuidora ficaram em média 11 horas sem energia. Essa tem sido a tendência da Eletropaulo nos últimos anos. Entre 2006 e 2010, a empresa pagou R$ 3,5 bilhões em dividendos, enquanto os investimentos somaram R$ 2,5 bilhões, segundo levantamento feito pela empresa de informação financeira Economática, a pedido do Estado. No mesmo período, o tempo que o consumidor ficou sem energia aumentou de 8 horas para 11 horas. Em 2009, a empresa teve o pior índice desde a privatização, em 1999. "Eles estão fazendo uma gestão exclusivamente financeira, em detrimento dos consumidores. Estão se lixando para os serviços que prestam", afirma o secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal. A Eletropaulo é uma empresa de capital aberto, que tem o governo brasileiro entre seus acionistas e é controlada pelo grupo americano AES. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) detém 49% das ações ordinárias da Companhia Brasiliana, que detém a concessão da Eletropaulo. "Em momento algum a distribuição de resultados fragilizou a capacidade de investimento da empresa", diz Britaldo Soares, presidente da distribuidora. Ele afirma que os investimentos da Eletropaulo vêm crescendo nos últimos anos e a qualidade dos serviços melhorou. "Mas isso não evita que a gente enfrente eventos extraordinários. Quando isso acontece, a gente para e refaz o planejamento." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
ICSA do Brasil
Folha 20.06.2011 - A ICSA do Brasil fechou R$ 100 milhões em contratos para fabricar conversores de energia para parques eólicos em Santa Catarina, Bahia e Ceará. Os primeiros 15 conversores ficaram prontos em maio. Os outros serão entregues até julho de 2012. Os equipamentos fabricados não precisarão de um sistema de engrenagem, como costuma ocorrer com os outros tipos do aparelho. Para produzir os conversores, a ICSA fechou parceria (que envolve transferência de tecnologia) com a empresa alemã Vensys. A forma de produção dos equipamentos, porém, foi "tropicalizada". "Usamos componentes adequados para as condições ambientais do país, de alta temperatura e umidade", diz Victor Rozo, diretor da empresa. Os conversores produzidos na fábrica de Minas Gerais devem ser exportados para países como Venezuela e Argentina, segundo Rozo.
Fundo Imobiliário Rio Bravo
Folha 20.06.2011 - De olho no interesse de investidores por fundos imobiliários, a Rio Bravo decidiu incrementar a área. Um novo diretor, José Diniz, vai cuidar dos fundos que têm R$ 3 bilhões em carteira. Ex-presidente da divisão responsável pelos negócios de incorporação (CCDI e HM) do grupo Camargo Corrêa, Diniz substitui o atual diretor e sócio da Rio Bravo, Luiz Eugênio Junqueira Figueiredo, que se concentrará na diretoria de operações. A gestora de recursos planeja lançar outros fundos imobiliários ainda neste ano. "Já temos dois no forno. A demanda é mais para imóvel comercial, que aluga lajes ou salas para escritórios. O fluxo de receitas é mais seguro que no imóvel residencial", afirma Diniz. Para ele, a demanda por fundos com "flats" deve voltar.
Incorporadora Latini Bertoletti
Folha 19.06.2011 - A incorporadora carioca Latini Bertoletti vai lançar seis condomínios no Rio de Janeiro até o final deste ano. Estão em fase de aprovação três projetos residenciais, em Niterói, Jardim Botânico e Tijuca, dois comerciais (Barra e Niterói) e um imobiliário misto, de "flats" e escritórios, em Macaé. O VGV (Valor Geral de Vendas) projetado é de R$ 600 milhões, segundo o sócio Marcelo Latini. "Com a escassez de terrenos e ações de segurança do governo, há um movimento de migração para áreas que não eram exploradas por estar abandonadas devido à violência", diz Latini. A companhia prepara a sua estreia fora do Rio.
Vai exportar para São Paulo e para a região Norte do país o modelo de imobiliário misto, como o que fez no shopping Nova América, na zona norte do Rio. "São torres de escritórios e hotel desenvolvidos ao lado de um shopping já pronto, geralmente no mesmo terreno", diz o sócio Joaquim Pedro Bertoletti.
Demanda de estrangeiros por imóvel no Brasil cresce até 50%
Folha 19.06.2011 - O número de estrangeiros que procuram imóveis para comprar no Brasil aumentou em até 50% neste ano, segundo imobiliárias. Esse foi o crescimento das vendas para pessoas de outros países na imobiliária Judice & Araujo, do RJ. Hoje esse tipo de negócio representa 30% do total da empresa. A média do valor dos imóveis adquiridos pelos estrangeiros é de R$ 2 milhões, segundo a imobiliária. Em SP, na Bamberg Imóveis, o aumento foi de 20%. O presidente da empresa, Michael Bamberg, diz que os clientes compram casas para investir. "Aqui se consegue rendimento de até 12%. Na Alemanha, o máximo é 6%."
Na Coelho da Fonseca, a maioria dos compradores estrangeiros também busca maior rentabilidade.
Rodovias Tietê tem prejuízo de R$ 1,058 milhão em 2010
Exame 19.06.2011 - A receita líquida da empresa alcançou R$ 172,412 milhões no ano passado, sendo 85% do total representado pelo faturamento na cobrança das nove praças de pedágio. A Rodovias do Tietê, concessionária do Corredor Marechal Rondon Leste, fechou 2010 - seu primeiro exercício completo de cobrança de pedágio - com prejuízo líquido de R$ 1,058 milhão, ante perda de R$ 3,911 milhões em 2009, quando a administradora de rodovias ainda estava na fase semioperacional. A receita líquida da empresa alcançou R$ 172,412 milhões no ano passado, sendo 85% do total representado pelo faturamento na cobrança das nove praças de pedágio do trecho sob sua responsabilidade. O grupo controlador da Rodovias do Tietê, formado pela Cibe, Opway e Leão&Leão, venceu o leilão do trecho da rodovia em outubro de 2008, mas só passou administrar as rodovias em abril de 2009 e a receber pelos pedágios no final daquele ano. O lance vencedor foi de R$ 517 milhões, sendo 20% pagos à vista e os restante em 18 parcelas mensais. Ao final do exercício de 2010, a companhia somava endividamento de R$ 449,472 milhões, composto por notas promissórias com vencimento em junho de 2011. No início deste mês, a administração da concessionária aprovou a emissão de R$ 484,2 milhões em notas promissórias comerciais, em três séries, destinados a quitar o principal, juros e encargos da primeira emissão.
A companhia assumiu o compromisso de investir R$ 1,3 bilhão em obras de ampliação, sinalização, recuperação e serviços para monitoramento do tráfego nos 406 quilômetros de rodovias sob sua administração no prazo de 30 anos da concessão. O trecho da concessionária abrange 24 municípios do interior paulista: Agudos, Anhembi, Areiópolis, Bauru, Bofete, Botucatu, Campinas, Capivari, Conchas, Elias Fausto, Hortolândia, Itatinga, Jumirim, Laranjal Paulista, Lençóis Paulista, Monte Mor, Mombuca, Pereiras, Piracicaba, Rio das Pedras, Rafard, Salto, São Manuel e Tietê.
Sem porto ou mar, Minas lidera superávit na balança
DCI 20.06.2011 - O Estado de São Paulo perdeu espaço no acumulado de 2011, até maio, para Minas Gerais no saldo comercial. Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio exterior (Mdic) apontam que o superávit mineiro soma praticamente o mesmo montante que o déficit paulista no período. Ao mesmo tempo, os números apontam que o principal polo econômico do País já compra mais produtos e serviços do exterior do que vende os mesmos a outros países. Em contrapartida, outros estados do sudeste do Brasil surpreendem e no acumulado de 2011, até maio, apresentam os maiores saldos comerciais.
Nos primeiros cinco meses de 2011, o maior saldo comercial foi obtido por Minas Gerais (US$ 10,483 bilhões), seguido de Pará (US$ 5,790 bilhões), Rio de Janeiro (US$ 3,727 bilhões), Mato Grosso (US$ 3,469 bilhões) e Espírito Santo (US$ 1,856 bilhão). No sentido oposto, os estados mais deficitários no período foram: São Paulo (US$ 10,770 bilhões), seguido de Amazonas (US$ 4,603 bilhões), Santa Catarina (US$ 2,198 bilhões), Pernambuco (US$ 1,366 bilhão) e Maranhão (US$ 806 milhões). Mesmo com o déficit no saldo comercial, o maior exportador, no acumulado do ano continua a ser São Paulo, com US$ 21,769 bilhões, acompanhado por Minas Gerais (US$ 15,180 bilhões) e Rio de Janeiro (US$ 10,928 bilhões). Em seguida, aparecem Rio Grande do Sul (US$ 7,291 bilhões) e Paraná (US$ 6,487 bilhões). Na comparação com o mesmo período de 2010, a maioria dos estados brasileiros aumentou as exportações.
Infraestrutura x Carga Tributária
Estadão 18.06.2011 - Estudo indica que sem problemas de infraestrutura e a elevada carga tributária, PIB per capita iria de US$ 10 mil para US$ 21,6 mil. O Brasil poderia mais que dobrar o Produto Interno Bruto (PIB) por habitante, dos atuais US$ 10 mil para US$ 21,6 mil, e atingir níveis de países como Coreia do Sul e Portugal, se reduzisse as ineficiências que tiram a competitividade do País, aponta estudo da LCA Consultores. "Falta de infraestrutura e complexidade do sistema tributário, que exige 2.600 horas por ano das empresas só para pagar impostos, dividem o primeiro lugar no pódio dos principais obstáculos para ampliar a competitividade", diz o economista responsável pelo estudo, Bráulio Borges. Para chegar a essa conclusão, Borges identificou, com base em análises estatísticas, quais são os fatores cruciais para o deslanche da competitividade e constatou seis pontos fracos que pesam no PIB per capita. Além da conhecida falta de infraestrutura, estão nesse rol o tempo gasto pelas empresas para pagar impostos, a carga tributária sobre o lucro das companhias, o tempo para fazer valer o cumprimento dos contratos, o custo para exportar e o tempo para lidar com licenças em geral. O economista explica que, para calcular o PIB per capita "perdido" pelo Brasil, levou em conta informações disponíveis do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional e do Fórum Econômico Mundial para um grupo de 131 países. Concluiu que, se o Brasil tivesse indicadores para esses seis quesitos equivalentes à media desse grupo de países, conseguiria agregar US$ 11,6 mil ao PIB per capita anual. Tempo. As 2.600 horas por ano que as empresas brasileiras gastam para cumprir o rito da burocracia no pagamento de impostos faz do País o campeão mundial nesse quesito, ante uma média 284 horas para esse grupo de 131 países. Essa ineficiência reduz em US$ 8,1 mil o PIB per capita do Brasil em relação à média dos 131 países, destaca Borges. Apesar de não ter essa ineficiência traduzida em números, as empresas sentem na prática o impacto da burocracia. A fabricante de autopeças Bosch, por exemplo, tem dois departamentos só para isso, conta a gerente de tributos da empresa, Sheila Pieroni. No departamento tributário, 11 funcionários acompanham diariamente com lupa as mudanças na legislação nos 27 Estados brasileiros para adequar o sistema de recolhimento de impostos da companhia às mudanças. "Sendo bem otimista, saem dez novas legislações por dia nas quais são alteradas as formas de tributação do produto", conta a advogada. Ela diz que o trabalho aumentou depois da implantação da substituição tributária, sistema que atribui aos fabricantes a responsabilidade pelo pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) devido pelo seu cliente. "Antes acompanhávamos a legislação de três Estados, onde estavam localizadas as fábricas."
Além do departamento tributário, a empresa tem um departamento fiscal. É uma equipe de quase 50 pessoas encarregadas de apurar os tributos. Sheila conta que uma mesma informação - por exemplo, o valor recolhido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) - é remetida à Receita Federal de quatro formas diferentes: eletronicamente, por meio do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped); em papel, que é a nota fiscal; na Declaração de Tributos Federais, que é mensal e na declaração de Imposto de Renda, anual. O excesso de burocracia pesa também no Grupo Orsa, um dos gigantes do setor de embalagens de papelão. Sergio Amoroso, presidente do grupo, diz que tem pelo menos 30 pessoas nas áreas contábil, de controladoria e jurídica só para cuidar da burocracia. "Poderia ter meia dúzia de pessoas se fosse outro país. É gente que é paga para cumprir o custo burocrático do Estado ineficiente", afirma. O empresário cita como exemplo de ineficiência o fato de a sua empresa ter de manter um hospital, o serviço de bombeiros, de abastecimento de água e de coleta de lixo em Monte Dourado, distrito de Almeirim, no norte do Pará, na divisa com o Amapá, onde a companhia tem uma fábrica de celulose. Licenças. Outro ponto que impacta negativamente a competitividade do País é o tempo para lidar com licenças em geral. De acordo com o estudo, são 411 dias no Brasil, ante 210 dias, que é a média dos 131 países. "Há licenças no Brasil que são absurdas", diz Amoroso. Para ilustrar a afirmação, ele conta o caso do linhão que vai levar energia elétrica da usina de Tucuruí, no Pará, até Macapá, no Amapá. Segundo o empresário, a empresa que ganhou a licitação conseguiu a licença do Ibama para fazer a limpeza da área. Agora é preciso outra licença para transportar a madeira. "Olha o absurdo: falta uma licença de algo que já está autorizado." Profissionais que lidam diretamente com a questão das licenças ambientais admitem que um "cipoal" de exigências e a falta de definição de áreas de competências entre os organismos públicos atrasam as liberações. Mas eles ponderam que grande parte dos estudos ambientais não tem a atualidade necessária para atender aos projetos, na maioria das vezes complexos.
O templo de Salomão
Isto é Dinheiro 17.06.2011 - O dono do grupo paranaense Soifer começou a ganhar a vida como carregador de malas. Hoje, ele comanda um conglomerado que fatura R$ 510 milhões. Seu novo negócio: um shopping em que está investindo R$ 280 milhões. O empresário curitibano Salomão Soifer, 77 anos, entrou no elevador de seu escritório, no bairro Batel, um dos endereços mais nobres da capital paranaense, quando foi interpelado por uma funcionária que limpava os espelhos do equipamento. “Faz tempo que o senhor trabalha aqui?”, perguntou a funcionária. “Um pouco, só 40 anos”, respondeu de forma bem-humorada Salomão, como gosta de ser chamado. Salomão, um apaixonado torcedor do Coritiba, mas que jogou futebol como juvenil no rival Atlético Paranaense, gosta de conversar. E ele tem muita coisa para contar, pois já atuou como relojoeiro, corretor imobiliário, advogado e dono de hospital psiquiátrico. Começou a trabalhar com oito anos como carregador de malas na estação de trem de Curitiba. Nessa época, ganhava uma comissão dos donos de hotéis por cliente que levava até eles. Com o dinheiro economizado, comprou seu primeiro patinete. “Foi o meu primeiro ativo”, lembra Salomão, em entrevista à DINHEIRO.
Salomão Soifer: com quase 80 anos, ele visita diariamente o canteiro de obras de seu novo shopping, o Pátio Batel. Hoje, o grupo Soifer, fundado por ele em 1960, é um conglomerado com interesses em shopping centers, logística, turismo, reciclagem e hipismo. Em 2010, o Soifer , que emprega 2,5 mil funcionários, faturou R$ 510 milhões. A mais nova tacada de Salomão é a construção do Pátio Batel, um shopping center com 20,4 mil metros quadrados de área para ser alugados para lojistas. Trata-se de um investimento de R$ 280 milhões, o maior já realizado pelo grupo. Quando for inaugurado, em setembro de 2012, abrigará 200 lojas. “Venho economizando há 10 anos para construir esse shopping", diz o empresário, que visita diariamente o canteiro de obras. Parte dos recursos a ser investidos no novo shopping vem da recente venda de participação do Grupo Soifer no Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), o segundo maior do País, atrás apenas do Porto de Santos. O fundo de private equity americano Advent International comprou uma participação de 50% do terminal dos grupos nacionais TUC, Pattac e Soifer, além dos espanhóis TCB e Galigrain, no ano passado. O negócio foi estimado em R$ 750 milhões. O grupo de Salomão, que detinha 33% do TCP, reduziu sua fatia para 24%. Diversificação: (da esq. à dir.) shopping Pátio Batel, Parque Nacional do Iguaçu e Terminal de Contêineres de Paranaguá. Dono de quatro shopping centers, Salomão teve a ideia de investir na área no final dos anos 1970. Na época, ele visitou São Paulo com sua mulher e vários casais de amigos. Ao chegar ao aeroporto, as mulheres pediram que os maridos levassem as malas ao hotel para que pudessem visitar o shopping Iguatemi. Salomão ficou com aquilo na cabeça. Em vez de ir a um jogo de futebol, resolveu conhecer o “tal Iguatemi”. A conclusão do empresário foi de que tantas lojas juntas só poderia ser um bom negócio. Pelas três décadas seguintes, ele resolveu investir na área. Em 1983, ele inaugurou o shopping Mueller, o primeiro de Curitiba. Foi também pioneiro ao incorporar o shopping Rio Sul, no Rio de Janeiro. Em 1995, construiu o shopping Mueller de Joinville. Há três anos, foi a vez de estrear na região metropolitana de Curitiba, com o shopping São José, em São José dos Pinhais. Salomão, no entanto, não se concentrou apenas nesse ramo. Ele criou a Cataratas do Iguaçu S.A. para administrar o Parque Nacional do Iguaçu em 2000. No ano passado, ganhou a concessão para cuidar do Parque Nacional de Fernando de Noronha. O empresário também fundou a Pavese, empresa do setor de reciclagem de lixo, que venceu licitação para atuar em Curitiba – a concorrência ainda é contestada na Justiça pelas empresas derrotadas. Mas nada dá mais prazer a Salomão do que o Haras Springfield, uma propriedade rural de mais de 100 hectares na cidade de Tijuca, no Paraná. Lá, ele cria cerca de 40 cavalos puro-sangue inglês. “Entrei nessa porque eu gosto”, diz Salomão. “Como negócio, o turfe é ruim.” Perto de chegar aos 80 anos, Salomão não pensa ainda em se aposentar. E como bom empreendedor já deve estar pensando qual o próximo negócio a apostar.
Segmento atrai empreendedor jovem
Folha 19.06.2011 - As três principais empresas de compra coletiva no Brasil são lideradas por empresários na faixa dos 30 anos. Maior do setor, com 2,5 milhões de visitantes, o Groupon do Brasil foi criado por um alemão formado em medicina. Luciano Huck, apresentador da Rede Globo, diz que comprou 5% do Peixe Urbano, seis meses atrás, "porque é uma revolução no e-commerce, um site onde todos saem ganhando". E, "além disso, gosto muito dos fundadores".
A imagem que cerca o setor de compras coletivas no Brasil reflete aquela dos empreendedores de internet dos EUA. Julio Vasconcellos, 30, fundou o Peixe Urbano ao lado de Emerson Andrade e Alex Tabor depois de se encontrarem, os três, na Universidade de Stanford.
Vasconcellos passou cinco anos na Califórnia, parte deles trabalhando no Facebook, em Palo Alto, até voltar em 2010, como representante da rede social. "Mas eu queria empreender."
Até pelas relações formadas no Vale do Silício, acabou trazendo 15 americanos, parte deles engenheiros. "Recrutei amigos. Algumas capacitações são mais difíceis de encontrar aqui."
Foi também o que o aproximou de Huck. "O principal, ao trazê-lo para a sociedade, foi o conhecimento estratégico. Antes da televisão, ele foi empreendedor bem-sucedido, agrega muito." Vasconcellos diz ter deixado de assistir TV há tempos e que se informa por e-mail ou pelo iPhone, em sites. Flamenguista, joga futebol semanalmente com os colegas. O alemão Florian Otto, 31, presidente do Groupon no Brasil, mas médico de formação, vai pela mesma linha ao relatar sua trajetória até se estabelecer no país. "Ninguém vai acreditar, mas existem também "geeks" [aficionados por tecnologia] entre os médicos. Por isso procurei um modelo de negócio na internet e fundei o Groupon no país." Nascido em Bremen e formado em Freiburg, na Alemanha, ele veio ao Brasil pela primeira vez em 2004, como intercambista de medicina.
"Viajei por dois meses como mochileiro no país e trabalhei por um mês num hospital em Salvador. Foi então que me aproximei e entendi que o Brasil é muito mais do que Carnaval, futebol e churrasco. Entre 2004 e 2008, fiz, a cada ano, alguns meses de serviço social em hospitais públicos como cirurgião." Apesar da concorrência por vezes agressiva no mercado em formação, os líderes das duas maiores empresas de compras coletivas, Groupon (2,5 milhões de visitantes) e Peixe Urbano (2,1 milhões), se encontram de tempos em tempos e são elogiosos um ao outro. "O relacionamento de todo mundo é calmo", diz Vasconcellos. Henrique Iwamoto, 33, do espanhol Groupalia, tem perfil um pouco diverso. Engenheiro mecânico, é veterano da internet brasileira, com dez anos no site Submarino. Ele diz que "o Brasil é muito desenvolvido em internet, com um grande repertório de sites", e evita falar da concorrência. "A gente tem uma linha de trabalho de olhar pouco para o lado", afirma.
Boas idéias: Luciano Huck, depois do primeiro investimento, diz que pode realizar outras incursões em mídia e tecnologia. "Estou sempre pronto a ouvir boas ideias." Ele continua "100% focado na televisão", mas tem um fundo pessoal de investimento. "Prefiro investir na cadeia produtiva, gerando empregos, gerando valor e produzindo, a deixar meu dinheiro em mercados, fundos etc.".
Computação em 'nuvem' ameaça o futuro do PC
Valor/Reuters 20.06.2011 - Scott Forstall, diretor de softwares da Apple: "Sabemos que estamos vendendo para muitos lugares onde as famílias simplesmente não têm um computador". A ascensão da tecnologia para tablet e smartphone parece ser o prego no caixão do computador doméstico. A maioria dos usuários é hipnotizada pelos PCs há tanto tempo que tem dificuldade para imaginar o momento em que ele não será mais o centro de seu panorama tecnológico pessoal. Mas vislumbrar esse futuro não tem sido um problema para muitos no setor de tecnologia, irritados com o prolongado domínio da Microsoft e da Intel, as potências gêmeas do mundo dos PCs. Isso ajuda a explicar por que tantos andam querendo recentemente declarar o fim da era do PC. Sob a bandeira de um mundo "pós-PC", um grupo diversificado de companhias de tecnologia e de internet vem se movimentando em direção a uma postura diferente. Nela, uma grande variedade de aparelhos "inteligentes", de telefones a televisores, passa a ser o ponto de acesso à informação digital, que reside na "nuvem da computação" - um termo para os centros de dados em escala industrial que estão assumindo as funções de armazenagem de dados e processamento via web. Depois de mostrar o caminho com aparelhos como o iPhone e o iPad, o presidente-executivo da Apple, Steve Jobs, deu um grande empurrão nas coisas na semana passada com o iCloud. Assim como acontece com a maioria das declarações radicais, o termo "pós-PC" é ao mesmo tempo menos e mais do que parece. É um exagero de mau gosto do declínio do resistente computador pessoal, que após mais de 30 anos ainda permanece forte. Mas é também um lembrete oportuno de como a influência dominante do PC sobre a maneira como as pessoas vivem suas vidas digitais está rapidamente diminuindo. A própria máquina está longe de morrer. As vendas (quase 400 milhões de unidades previstas para este ano) estão crescendo de forma constante, graças em parte à entrada, pela primeira vez, dos PCs em muitos lares nos países em desenvolvimento. No entanto, nas fronteiras de seu império, o PC está sob ataque. Os computadores tablet, liderados pelo iPad, deverão vender algo entre 50 milhões e 80 milhões de unidades este ano - uma faixa ampla que demonstra os problemas que muitos analistas ainda estão tendo para decidir quão grande será o impacto provocado pelo aparelho e a velocidade com que isso vai acontecer. Quanto dessas vendas ocorrerão em detrimento do PC é também motivo de muita discussão, e um dos principais motivos que levaram à formação de uma nuvem negra sobre o preço da ação da Microsoft nos últimos meses. Segundo a empresa de pesquisas Goldman Sachs, que está entre as mais pessimistas em relação à questão, 35% das vendas de tablets substituirão as vendas de PCs este ano, e a "canibalização" poderá ficar pior. O PC já enfrentou ataques como este antes - mais recentemente, dos aparelhos de baixo custo, os netbooks, embora esses tenham entrado na arquitetura tecnológica dos PCs. A Microsoft adotou uma estratégia parecida na resposta ao mais novo pretendente a invadir sua praia: ela quer redefinir o tablet como um PC. No começo deste mês, a companhia exibiu sua nova versão do sistema operacional Windows pela primeira vez, rodando em um tablet - com uma interface de usuário adaptada para o mundo das tecnologias móvel e toque de tela, mas o interior de um PC capaz de rodar todos os aplicativos voltados para um PC. A Intel também vem tentando ampliar as fronteiras do PC. No fim de maio, a maior fabricante de chips do mundo apresentou o projeto "ultrabook" - uma máquina leve que, segundo ela, vai responder por 40% das vendas de laptops no ano que vem e é resultado de pesadas influências dos tablets e do McBook Air da Apple. Segundo declarou recentemente Phil Schiller, diretor de comercialização de produtos da Apple, sobre esse pedaço fino e prateado de elegância em computação: "Todo o setor quer copiá-lo". Roger Kay, analista da área de tecnologia, afirma que no final das contas discussões como essas, sobre o tamanho físico dos computadores pessoais, são irrelevantes. "Trata-se de um problema semântico", diz ele. "A definição de PC torna-se irrelevante, ela desaparece." Os PCs continuarão sendo vendidos em grandes números, mas sua influência vem diminuindo rapidamente. Este ano, pela primeira vez, eles não venderão mais que os smartphones, que nos últimos quatro anos, desde que a Apple lançou o iPhone, vêm tendo uma ascensão extraordinária. Com um novo formato de aparelho de computação pessoal sendo vendido em grande escala, não surpreende que o foco das atenções esteja mudando. "O PC não é mais o vínculo de inovação da indústria tecnológica", afirma Pat Gelsinger, um ex-diretor de tecnologia da Intel. Os desenvolvedores pararam de criar programas para a máquina e estão agora produzindo aplicativos que podem ser rodados em uma variedade de aparelhos. A mesmo mudança está ocorrendo entre os consumidores. "Sabemos que estamos vendendo para muitos lugares onde as famílias simplesmente não têm um computador", disse na semana passada Scott Forstall, diretor da divisão de softwares da Apple. Com o iCloud, acrescentou ele, a Apple quer tornar mais fácil a execução de novos aparelhos digitais sem a necessidade de prendê-los aos PCs. "Portanto, agora, se você quiser cortar o fio você pode." Para o estimado computador pessoal, isso soou como mais um prego em seu caixão. (Tradução de Mário Zamarian)
Empresa de internet novinha em folha é objeto de desejo
Valor/Bloomberg 20.06.2011 - Há um novo acessório de cobiça entre as agências e anunciantes que estarão presentes à grande celebração anual do setor de publicidade, nesta semana em Cannes: empresas de internet recém-criadas. Enquanto as entradas para a premiação Cannes Lions atingem recorde - a expectativa é de 9 mil pessoas, acima das 8 mil de 2010 -, anunciantes vêm retomando a confiança e liberando orçamentos publicitários para campanhas mais "experimentais". Mais da metade dos publicitários destinará mais dinheiro a "atividades de maior risco" nos próximos 12 meses, segundo pesquisa realizada pela Universal McCann, agência de mídia da Interpublic, em conjunto com a revista "Advertising Age".
Cerca de 25% estão preparados para usar parte de seu orçamento de mídia para investir em empresas iniciantes, de acordo com a pesquisa. E no festival deste ano, marcas e agências - ansiosas por posicionar-se como inovadoras perante a audiência de milhares de seus próprios companheiros em Cannes - querem ficar perto de empresários e executivos que lidam com internet. A montadora BMW e a agência nova-iorquina kirshenbaum bond senecal + partners dividirão o palco com Dennis Crowley, CEO da Foursquare, a empresa de serviços de localização por meio de smartphones, que vem exibindo grande expansão. A agência de relações públicas Hill & Knowlton, controlada pela WPP, apresentará uma sessão com a Rovioon, criadora de jogos para telefones celulares: "O que as marcas podem aprender com o Angry Birds", o popular jogo desenvolvido pela empresa. Cannes continua sob domínio dos grandes sucessos do mundo da tecnologia. O Facebook enviou Carolyn Everson, uma de suas principais executivas de vendas, enquanto Eric Schmidt, presidente do conselho de administração do Google, será coroado a "pessoa de mídia do ano". Até Jesse Eisenberg, ator que interpretou o papel de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, no filme "A Rede Social", fará uma aparição. Cientes da rapidez com que surgem novos gigantes da internet, cada vez mais marcas também se aproximam das empresas menores de tecnologia. "Cada empresa iniciante está a uma grande compra [de distância], por alguma marca ou mídia, de tornar-se uma grande empresa", disse Marc Ruxin, diretor de inovação da Universal McCann. "Uma grande parte disso é a vaidade de uma marca poder dizer que está em um espaço emergente e que foi a primeira a fazer algo na plataforma XYZ." Também há a possibilidade de obter retornos significativos. "Essas plataformas [de internet] são de fato globais", disse Ruxin. "É importante que [os anunciantes] entendam o que isso significa e que o apetite dos consumidores por um engajamento mais profundo é maior do que na TV." As empresas de mídia tradicional disputam espaço em Cannes com o tipo de poder que apenas os filmes e a TV podem oferecer. Jeff Bewkes, CEO da Time Warner, apresentará uma sessão com o apresentador de TV Piers Morgan e com os célebres roteiristas Aaron Sorkin e David Simon. O CEO da WPP, Martin Sorrell, entrevistará Jeffrey Katzenberg, cofundador do estúdio de filmes Dreamworks, e James Murdoch, vice-diretor operacional da News Corp. Ainda assim, quando os chefes de marketing visitam a Califórnia nos dias de hoje, há mais chance de peregrinarem pelo Vale do Silício do que por Hollywood. "Todos percebem agora a importância de identificar as empresas certas", disse Marc Speichert, diretor de marketing da L'Oréal nos Estados Unidos. O grupo de cosméticos recentemente acertou parceria exclusiva com os sites eHow, da Demand Media.
Inadimplência acende luz amarela
Valor 20.06.2011 - A inadimplência da pessoa físcia bateu no calcanhar dos bancos. Embora os números estejam longe de ser alarmantes, o sinal amarelo está aceso e as instituições têm acompanhado de perto o comportamento de pagamento do consumidor. Se não debelarem esses primeiros indícios de piora na qualidade dos ativos, o ritmo de concessões pode ficar comprometido. Ações corretivas estão na rua. Campanhas de cobrança, mais comuns no fim do ano, quando há injeção do 13º salário na economia, por exemplo, foram antecipadas para este segundo trimestre. É o caso do HSBC, que identificou em maio um aumento de 0,25 ponto percentual na inadimplência da carteira de consumo originada pela Losango, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Isso levou o índice de atrasos superiores a 90 dias a 5,6%. Apesar de o indicador estar abaixo da média do mercado - de 6,1% nos portfólios de pessoa física, segundo o último dado disponível do Banco Central (BC), de abril - foi o que bastou para a promotora de vendas começar a fazer incentivos de cobrança. "Saímos a campo. Estamos usando todos os canais para conversar com o cliente e reprogramar o fluxo das prestações ao orçamento dele", diz Hilgo Gonçalves, principal executivo da Losango. A renegociação está automatizada e pode ser feita diretamente no balcão das 23 mil parceiras do varejo onde a Losango financia o consumo. Os prazos podem ser esticados em até 24 meses e, conforme o caso, com isenção da multa e juros de mora. Acima desse prazo, a situação é estudada caso a caso, mas Gonçalves garante, o consumidor que quiser deixar suas contas em dia não fica sem uma solução. O Citi, que nos seus modelos internos mede atrasos a partir de 30 dias, também detectou uma piora específica na carteira de empréstimo pessoal da Credicard Financiamento, de 6,7% para 7,4% entre março e maio, enquanto cartões e o portfólio de varejo do banco permaneceram estáveis. A ordem agora é correr atrás antes que esses números se revertam em prejuízo. "O cliente, quando começa a atrasar, está provavelmente endividado com outros agentes financeiros. É preciso cobrar primeiro, conseguir o comprometimento de pagamento antes dos outros", diz o vice-presidente de gerenciamento de risco, Victor Loyola. Aumentar prazos e tirar o pedágio das multas entram no pacote de revisão da dívida. O reflexo da inadimplência que começa a ser identificada no setor financeiro é de que se essa tendência persistir, a resposta virá por um freio extra às concessões, que já vinham sendo comprometidas com as medidas de aperto endereçadas ao crédito pessoa física. "Os bancos usam medições estatísticas e quando a inadimplência aumenta, a resposta natural é eliminar os segmentos mais voláteis", explica Loyola. Nessas situações, o critério de aprovação fica mais rigoroso e pessoas que estão tomando crédito pela primeira vez ou tiveram algum episódio recente de inadimplência não passam na peneira. O Banco do Brasil (BB), que concentra o seu portfólio de pessoa física no crédito com desconto em folha de pagamento, não notou elevação da inadimplência dentro de casa, diz o diretor de crédito, Walter Malieni. "A carteira é muito grande e posicionada no consignado, que pode ter uma rentabilidade menor, mas dá conforto pela estabilidade dos resultados." O executivo reconhece, porém, que a alta dos juros e a redução dos prazos no próprio consignado - já que o BC passou a exigir mais capital para operações acima de 36 meses - trazem desafios à gestão de risco, especialmente da população com renda familiar de até R$ 2,5 mil. "O encurtamento conjugado com o aumento de preços está exercendo pressão sobre o caixa dos devedores", diz Malieni. Os ajustes na modelagem de risco estão sendo feitos. O banco tem procurado ficar menos exposto aos segmentos em que a cesta de consumo de produtos de sobrevivência é mais justa e não há espaço para flexibilidade. "Há gastos que não podem ser cortados, o indivíduo não tem como pagar meio aluguel", exemplifica. Diferentemente de outros anos, em que a inadimplência crescia ao longo do primeiro trimestre, em 2011 os atrasos avançaram por abril e maio, nota o superintendente de cobrança da Losango, Augusto Mello. Nas operações de consumo do HSBC, o pico foi em maio, mas em junho os números já começam a convergir para o nível observado há um ano, o melhor ponto histórico da a carteira. A interpretação é de que o efeito calendário (com o carnaval em março e a Páscoa em abril) contribuíram para a falta de pontualidade do tomador. Outro fenômeno que vem sendo observado é que as classes menos favorecidas da população agora comprometem parte da sua renda com o financiamento da casa própria, deixando de honrar outros compromissos. Apesar de a taxa de desemprego estar em um nível historicamente baixo, houve um excesso de endividamento no ano passado por causa do crescimento da economia e dos ganhos reais com salários, diz o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges. Para ele, os consumidores exageraram e estão gastando aproximadamente 23% da renda para pagar dívidas. Nos EUA, esse número está perto de 15%, mas a grande diferença ocorre, em parte, porque os juros no Brasil são muito altos e aumentam o peso do endividamento no orçamento pessoal.
Cenário externo: alerta amarelo ou vermelho?
Valor 20.06.2011 - As incertezas do cenário internacional voltaram a inquietar investidores estrangeiros que aterrissaram no Brasil dispostos a colocar alguns bilhões de dólares aqui em projetos de grande porte. "O mundo está esfriando", disse, temeroso, um alto executivo de multinacional durante um almoço de negócios em que discorria sobre os planos de sua empresa de construir uma planta industrial no país, com custo estimado de quase US$ 4 bilhões. "Os Estados Unidos e a China começam a perder velocidade, a Europa está um caos e o câmbio por aqui está complicado. Será que desta vez a crise internacional vai bater no Brasil?", indagava, apreensivo. A resposta a tal questão é considerada uma incógnita pela economista Maria da Conceição Tavares. Ela admite estar preocupada com o mercado internacional, e não descarta outra crise global em 2012. "Em 2008, a crise bateu leve [no Brasil]. Agora, não faço a menor ideia se teremos a mesma capacidade de nos defender. O mundo não está igual ao que era. Fica difícil a gente prever o que vem por aí. Até o momento o investimento privado está subindo, segundo o BNDES, a inflação não se descontrolou, mas o balanço de pagamentos está mal. Estou preocupada com juro, balanço de pagamentos e correção do câmbio". A economista alerta para o fato de que os próprios americanos vão ter que corrigir o câmbio. "Acho que só faremos isso se houver crise. Por enquanto, estamos empurrando com a barriga". Deterioração das contas externas é o maior risco do Brasil.
O maior risco que o Brasil corre, caso haja um aprofundamento da crise global, é de uma deterioração nas contas externas, ampliando o déficit em conta corrente, que no acumulado de 12 meses até maio foi de 2,25% do PIB. Luiz Fernando de Paula, professor de economia da UERJ e presidente da Associação Keynesiana Brasileira, relata que o economista e ex-ministro Mario Henrique Simonsen tinha uma medida para o déficit em conta corrente. "Ele dizia que entre 2% e 4% do PIB o déficit acende uma luz amarela. Mas de 4% em diante é crítico e pode dar crise cambial". Atualmente, o déficit é financiável. "Mas se as exportações de commodities caírem, o déficit pode aumentar, gerando vulnerabilidade externa, principalmente se avançar para 4% a 4,5% do PIB. Aí acende a luz vermelha", alerta. "O real apreciado em algum momento vai dar pau", pressagia. Uma retração no preço das commodities, que hoje respondem por 70% na pauta de exportações brasileiras, não é impossível. "Isso não está afastado em 2012", prevê José Augusto de Castro, presidente em exercício da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Castro teme que a crise europeia e a lenta recuperação dos Estados Unidos, somadas a uma desaceleração moderada da economia chinesa - às voltas com inflação -, possam antecipar o fim do ciclo virtuoso das commodities, que começou há dez anos. Este ano, a AEB trabalha com um superávit comercial de US$ 26 bilhões, semelhante ao de 2010. "O que segura esta performance são produtos como soja, café, açúcar, minério", informa Castro, lamentando a reprimarização da pauta de exportações. A presença dos manufaturados vem encolhendo e hoje ocupa uma fatia de apenas 28% nas vendas externas do país.
Na crise de 2008, o Brasil escapou quase ileso do tsunami financeiro que abalou o planeta e passou a ser visto como um locus privilegiado para investimentos estrangeiros. A política anticíclica aplicada pela equipe econômica do então presidente Lula, incluindo o BNDES e o Banco Central, deu certo. De meados de 2009 e em 2010 os dólares correram para cá, não apenas atraídos pelas operações de arbitragem por conta do juro alto, mas também para financiar inversões diretas. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu vigorosos 7,5%, puxado pelo consumo das famílias e pelo investimento. Karl Marx escreveu que "a história se repete como farsa". Se isso de fato acontece, os investidores têm razão ao se questionar sobre o tipo de impacto que uma nova crise internacional teria sobre a economia no governo Dilma. A última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada pelo BC na quinta-feira já sinalizou que a autoridade monetária está ligada na questão "das incertezas crescentes no cenário externo, "com efeitos ambíguos sobre a inflação doméstica". No mercado, alguns analistas já projetam que a taxa Selic poderia chegar a 13% até o fim do ano, mas a ata do Copom indica que o movimento pode ser diferente caso ocorra uma deterioração da economia global no curto prazo. Para o BC isso se configuraria com um movimento do câmbio para cima (desvalorização cambial) e preços das commodities para baixo, aumento de spread e encurtamento de prazos decorrentes de redução da liquidez internacional para o crédito doméstico, com consequente esfriamento da economia. Na sexta-feira, o FMI divulgou as novas projeções de crescimento em 2011. O mundo deve crescer 4,3% ante 4,4% projetados em abril. A taxa de expansão da economia americana encolheu para 2,5% contra 2,8% em abril e a Zona do Euro teve a estimativa revista para cima: 2% ante 1,6% projetados no início do segundo trimestre. A previsão para a China se manteve em 9,6%.Para o Brasil declinou para 4,1% ante 4,5%.
Novo critério de classificação para exigência de capital agita bancos
Valor 20.06.2011 - Banqueiros graduados alertaram na sexta-feira que haverá uma disputa prolongada sobre as exigências adicionais de capital para cerca de 30 dos maiores bancos do mundo, uma vez que as autoridades reguladoras globais pretendem agrupar as instituições por tamanho e complexidade estrutural, na esperança de evitar outras crises financeiras.
As autoridades reguladoras deverão colocar os grandes bancos em camadas, ou "cestas", separadas, com as instituições maiores e mais complexas sofrendo uma sobretaxa de capital de 2,5% dos ativos, ajustada ao risco, além da relação de capital mínima de 7% acertada no novo modelo global de capital bancário, conhecido como o Acordo da Basileia III. O "Financial Times" revelou na quinta-feira que pelo menos oito bancos - Citigroup, JP Morgan Chase, Bank of America, Deutsche Bank, HSBC, BNP Paribas, Royal Bank of Scotland e Barclays - estão sendo considerados para a camada mais alta, o que significa que eles terão de manter uma relação de capital "Tier 1" mínima de 9,5%. Os bancos que deverão ser colocados na camada imediatamente inferior, que incluem o Goldman Sachs, Morgan Stanley, UBS e Crédit Suisse, terão uma sobretaxa de 2%, segundo profissionais que acompanham as discussões das autoridades reguladoras. Outros 10 a 15 bancos teriam uma sobretaxa que iria de 0,5% a 2% ao longo de uma escala decrescente, ainda segundo as fontes. De acordo com essas pessoas, uma proposta formal anterior de impor uma sobretaxa de 3% sobre os bancos maiores e mais arriscados, levou a um impasse entre funcionários de governos e foi descartada. O nível geral das sobretaxas está dentro da faixa que era esperada pelos bancos, mas alguns analistas e banqueiros demonstraram surpresa com a maneira como as chamadas "instituições financeiras globais sistemicamente importantes" foram classificadas. As autoridades reguladoras podem estar dando muita importância ao tamanho, falhando ao não considerar suficientemente os perfis de risco de algumas instituições, disseram vários executivos de bancos. "Por essa lista, o Lehman Brothers provavelmente teria sido colocado na terceira camada", disse um deles. "Mas ele foi o primeiro banco a cair quando a crise estourou." Pessoas familiarizadas com o processo afirmaram que a lista continua elástica e que os bancos ainda poderão se mover entre as categorias na medida em que encolherem seus balanços e reduzirem o risco. Muitos grandes bancos já possuem relações de capital que se encontram na ponta mais alta da sobretaxa planejada. As autoridades reguladoras deverão se reunir na Suíça nesta semana para discutir as sobretaxas. A versão final do Acordo da Basileia terá de ser ratificada pelos líderes do G-20 em novembro. Banqueiros estão esperando um lobby intenso quanto a inclusão do Société Générale e do Crédit Agricole, os dois maiores bancos franceses em ativos, depois do BNP Paribas, na primeira ou segunda camada, por causa das composições de seus negócios e relevância sistêmicas em certos mercados. Alguns bancos fizeram um último pedido a legisladores e autoridades para que sejam lenientes. O JP Morgan e a Securities Industry and Financial Markets Association alertaram o Congresso dos Estados Unidos na semana passada, de que qualquer exigências de capital além dos 7% acertados representaria uma ameaça à recuperação da economia americana. Os bancos que estão na camada mais alta deverão fazer um lobby intenso para a inclusão de outros bancos no mesmo nível.
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