segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Azul.CA.03.10

Daily News


Minoritários concordam em negociar com a Kirin
Valor 03.10.2011 - A Jadangil, sócia minoritária da Schincariol, segunda maior cervejaria do país, aceitou ir para a mesa de negociações com a Kirin. Segundo apurou o Valor, representantes dos primos José Augusto, Daniela e Gilberto Schincariol Júnior, donos da Jadangil, estão em conversas com os japoneses que compraram em agosto a Aleadri, dona de 50,45% da empresa. A Kirin foi impedida de assumir a Schincariol por conta de liminar obtida na Justiça pela Jadangil.
A Kirin está pronta, inclusive, a pagar pelas ações dos minoritários algo semelhante ao que desembolsou pela Aleadri, empresa dos irmãos Alexandre e Adriano Schincariol: R$ 3,95 bilhões. Proporcionalmente, o valor da Jadangil seria de R$ 3,88 milhões. A negociação independe do resultado do julgamento da liminar, marcado para o dia 11, em São Paulo.
"Eles [acionistas da Jadangil] não estavam dispostos a vender mas, se for para negociar, não vão aceitar nada menos do que foi pago aos primos", diz uma fonte próxima à Jadangil. Quando foi a Itu (SP), sede da fabricante, fechar a compra da Aleadri, dos irmãos Adriano e Alexandre Schincariol, a Kirin cogitou pagar R$ 2 bilhões pela Jadangil, mas os primos se recusaram a conversar.
Na compra das ações de minoritários, em que não há prêmio de controle, o valor costuma ser pelo menos 20% inferior ao que é pago aos controladores, segundo especialistas. "Ninguém paga ao minoritário o mesmo que desembolsou ao controlador, se já tem a capacidade de tomar decisões por conta própria na companhia", diz um advogado. Se assumisse a Schincariol, a Kirin levaria os assuntos estratégicos para votar em assembleia, mas poderia decidir sozinha, segundo o estatuto da empresa.
A iniciativa mostra o quanto a Kirin, quinta maior fabricante mundial de cervejas, está ansiosa em assumir seu lugar na Schincariol e impedir que a companhia sofra com a briga societária. Segundo dados da Nielsen divulgados por empresas do setor, a participação em volume das marcas da Schincariol no mercado de cervejas era de 11,1% em abril. Em agosto, caiu para 10,3%. Nesse período, a Ambev, principal concorrente, subiu de 68,8% para 69,8% e, a Heineken, de 8,3% para 8,5%. A Petrópolis, rival mais próxima da Schincariol, saiu de 10,4% para 10,1%.
Foi em abril que Adriano Schincariol, presidente da companhia, avisou o primo Gilberto do valor que desejava pela Aleadri, entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões. Gilberto ficou de arranjar o dinheiro, enquanto Adriano abriu a empresa para que potenciais compradoras, como a Heineken, a Kirin e a SABMiller, fizessem "due dilligence".
"Um conflito societário sempre depõe contra a companhia", diz o advogado Eduardo Boccuzzi, especialista em fusões e aquisições. Nesses casos, diz, é plausível que o comprador pague um valor maior ao minoritário para se ver livre do problema. "Já acompanhei o caso de minoritário em uma fabricante de artefatos de borracha que conseguiu negociar sua parte por 90% do que foi pago ao controlador".
Mesmo porque, um minoritário pode até bater o pé, mas sabe que dificilmente vai acompanhar os aportes de capital de uma multinacional. "A luta é inglória", ressalta. "No primeiro aporte bilionário que o controlador fizer e não for acompanhado pelo minoritário, a participação dele é diluída."

Kirin oferece ao menos R$ 2 bi a minoritários da Schin
Exame 30.09.2011 - A ideia é fazer uma proposta com o valor por ação próximo ao que a Kirin concordou em pagar para os acionistas majoritário.
A proposta pode ajudar a resolver uma disputa judicial que está bloqueando o negócio que daria para a Kirin uma entrada no maior mercado de cervejas da América Latina
A Kirin Holdings Co. está oferecendo ao menos R$ 2 bilhões para comprar a fatia dos acionistas minoritários da Schincariol Participações e Representações SA, segundo uma pessoa a par do assunto.
A ideia é fazer uma proposta com o valor por ação próximo ao que a Kirin concordou em pagar para os acionistas majoritários Adriano e Alexandre Schincariol, os filhos do fundador Nelson Schincariol, disse a pessoa, que pediu para não ser identificar porque a negociação é privada. No mês passado, a Kirin acertou a compra do controle da cervejaria brasileira por R$ 3,95 bilhões da Aleadri-Schinni Participações e Representações SA, que detém 50,45 por cento da Schincariol. No acordo com os majoritários, a Kirin está assumindo metade do R$ 1,1 bilhão em dívidas financeiras da Schincariol como parte da transação. A japonesa está ainda negociando com os acionistas majoritários e minoritários para decidir quem vai assumir a dívida fiscal, civil e trabalhista da Schincariol, que era de R$ 2,1 bilhões no final de 2010.
A proposta pode ajudar a resolver uma disputa na Justiça que está bloqueando o negócio que daria para a Kirin uma entrada no maior mercado de cervejas da América Latina com marcas como a Nova Schin e a Devassa.
José Augusto Schincariol, Daniela Schincariol e Gilberto Schincariol Junior, que possuem 49,55 por cento da Schincariol, entraram na Justiça para bloquear o negócio alegando que têm o direito de preferência na holding
Aleadri-Schinni. A Kirin contratou o UBS AG para negociar com os minoritários da Schincariol. Quem fechou o acordo com os majoritários para a Kirin foi o Citigroup Inc. Nenhum dos bancos quis comentar quando procurados pela reportagem. O Supremo Tribunal de Justiça deve tomar uma decisão final em 11 de outubro.
O escritório Mattos Filho Veiga Filho Marrey Jr. e Quiroga Advogados, que representa os acionistas minoritários, não respondeu aos pedidos de entrevista. O escritório Tozzini e Freire, que representa a Kirin, não se pronunciou. Kan Yamamoto, porta-voz da Kirin Holdings no Japão, não comentou. O escritório Teixeira Martins, que representa a Kirin, não quis comentar.
A Kirin, a segunda maior produtora de cerveja por volume, já fez proposta de pelo menos cinco aquisições em 2011. A compra da Schincariol é a segunda maior na indústria de cervejas neste ano, de valor menor apenas do que a oferta da SabMiller Plc’s de 9,9 bilhões de dólares australianos pela Foster’s Group Ltd.
Ambev supera valor de concorrentes
Valor 03.10.2011 - A crise no mercado acionário não atingiu as cotações da cervejaria brasileira Ambev.
A gestão da empresa é admirada, a geração caixa é robusta e ela é pagadora de dividendos. Além disso, sua ação é considerada "defensiva" em momentos de instabilidade como o atual.
"A Ambev é extremamente eficiente, rentável, possui vantagens competitivas bem definidas e dificílimas de serem replicadas", afirma Bruno Barreto, sócio da Investidor Profissional (IP).
"A empresa tem espaço para crescimento saudável no mercado brasileiro, que ajudou a construir, e que é mais rentável do que outros no mundo, em parte pela eficiência da própria empresa", diz Barreto. A IP investe em ações ordinárias da Ambev e também na controladora Anheuser-Busch Inbev (ABI).
Neste ano, as ações preferenciais da Ambev acumulam alta de 15% e as ordinárias, de 8%. O Ibovespa cai 24,5% no período.
Avaliando a empresa pelo valor cotado para as preferenciais, as mais líquidas na bolsa, os múltiplos mostram que a Ambev está sendo negociada por aqui com um prêmio de 44,7% em relação à média das concorrentes mundiais em termos de P/L (preço dividido pelo lucro).
Olhando para o índice que relaciona o valor da empresa (valor de mercado mais dívida líquida) pelo Ebitda, o prêmio é de 39% em relação aos seus pares.
A brasileira hoje é a cervejaria mais cara do mundo.
O desempenho da empresa no primeiro semestre não foi excepcional - até mesmo porque a base de comparação era forte, uma vez que no mesmo período de 2010 houve a Copa do Mundo.
No entanto, a empresa sinalizou que os resultados deste semestre seriam melhores em termos de margens e volumes.
Mesmo que a ação caia em relação ao atual pico de alta, a tendência é que se recupere, avalia um analista que prefere não ser identificado, porque há muitos compradores para o papel.
"Ninguém espera desaceleração para os negócios. No setor de consumo no Brasil, a empresa é uma excelente opção. É líder de mercado e não é diretamente afetada por questões de crédito e inadimplência", diz.
Pesa ainda a favor de perspectivas favoráveis, o imbróglio envolvendo Kirin e Schincariol.
Os papéis da Ambev também podem estar atraindo investidores que se concentravam nas ações da controladora ABI - o valor de mercado da brasileira já supera o da controladora.
"A ABI deverá continuar a apresentar crescimento de um dígito em vendas orgânicas. Ele será próximo a zero nos Estados Unidos, e de dois dígitos no Brasil", afirmaram os analistas Alice Longley e May Tang, do Buckingham Research Group. A migração de investidores seria para aproveitar as perspectivas maiores na operação brasileira.
Nos Estados Unidos, além das incertezas macroeconômicas, o mercado é mais maduro do que o brasileiro e as perspectivas de crescimento de vendas são menores. Também a Heineken tem exposição mais forte a mercados desenvolvidos. Outra concorrente, a Sab Miller, que também tem presença em emergentes, está neste momento absorvendo a aquisição da Foster.
Os analistas da Buckingham, também destacam que no segundo trimestre a ABI conseguiu reduzir seu índice de dívida líquida em relação ao Ebitda para duas vezes. Quando adquiriu a Budweiser, a alavancagem da empresa ficou em cinco vezes, e reduzi-la era sua meta. A ABI consolida os resultados da Ambev, cuja geração de caixa contribuiu para aliviar o balanço. Para os analistas, se o caixa da Ambev ficar liberado, poderá aumentar a distribuição de dividendos e até mesmo voltar a realizar aquisições.

Empresas abertas fecham balanço com dívida em dólar 20% maior
Estadão 30.09.2011 - Segundo calculo da Economática, dívida atingiu o equivalente a R$ 182,3 bilhões em setembro.
Conhecida a taxa de câmbio que será base para os balanços no terceiro trimestre, as empresas começam a fazer as contas e ver o efeito da alta do dólar em seus resultados do período. A expectativa é que os números sejam impactados negativamente pela variação brusca do câmbio no final do trimestre.
O maior reflexo será no endividamento das empresas, que cresceu 20% na parcela de dívida em moeda estrangeira desde o fechamento dos balanços do segundo trimestre, em junho, segundo estudo da Economática com 241 companhias listadas na Bovespa. Essa dívida atingiu o equivalente a R$ 182,3 bilhões em setembro, tendo como base o dólar fechado nesta sexta-feira, 30, a R$ 1,8455.
Ter dívidas maiores em seus balanços pode representar também alta de custo. Com a alavancagem maior (relação da dívida líquida sobre o Ebitda), muitas empresas podem descumprir cláusulas de compromissos financeiros, conhecidas como covenants, e ter de pagar mais para renegociar a dívida.
Algumas empresas até já anteciparam o resgate de debêntures esta semana. A Providência, fabricante de não tecidos, fez o movimento exatamente para não ver seus covenants descumpridos. O mercado gostou da iniciativa acreditando que, com isso, a empresa se antecipou ao desgaste de renegociação com credores.
Fibria e Suzano, fabricantes de papel e celulose, são dois exemplos de companhias que devem ver suas alavancagens subirem. A relação dívida líquida/Ebitda da Fibria deverá se aproximar de 4 vezes. Já o indicador na Suzano pode se aproximar de 3,5 vezes, números considerados elevados para duas companhias cujas metas são manter essa relação abaixo de 3,5 vezes.
No caso da Fibria, a companhia tem cláusulas contratuais vinculadas a operações de financiamento que determinam que a alavancagem não poderá superar 4,25 vezes ao final do terceiro trimestre de 2011 e 4 vezes entre dezembro de 2011 e setembro de 2012. A Suzano não divulga as condições de cláusulas semelhantes feitas com as instituições financeiras.
Benefícios. Se o impacto da alta do dólar mostra efeitos negativos na dívida, empresas exportadoras, como as próprias Fibria e Suzano, podem se beneficiar com o aumento da receita. O setor de açúcar e álcool mostra bem isso. O impacto da valorização do dólar é minimizado pelo fato de que as dívidas em moeda estrangeira são vinculadas aos contratos de exportação.
"As dívidas são feitas em Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC) ou pré-pagamentos de exportação, o que transforma a exportação em um hedge natural, não impactando o setor", explicou Alexandre Figliolino, diretor do Itaú BBA. Na Cosan, por exemplo, a valorização do dólar deve gerar saldo líquido positivo de R$ 758 milhões, segundo a analista do Itaú BBA Giovana Araujo.
Lógica parecida vale para a indústria de alimentos e bebida, que tem entre os seus representantes diversas companhias com grande peso nas exportações brasileiras. Luiz Fernando Furlan, membro do conselho de administração da BRF Brasil Foods, lembra que as exportações representam 40% das vendas do grupo. Isso proporciona um hedge natural da ordem de US$ 500 milhões por mês, suavizando os impactos da variação cambial na linha da dívida.
O risco cambial recai mesmo é sobre companhias que têm um descasamento entre despesas e receitas, por faturarem em reais e se endividarem e terem despesas em moeda estrangeira, como ocorre nos setores de saneamento e de aviação civil. Enquanto o primeiro setor tem como característica utilizar recursos de organismos multilaterais para financiar os seus projetos de expansão, o segundo tem parte de seus custos operacionais e financeiros em dólar.
Gol e TAM terão impacto negativo do câmbio nos resultados do terceiro trimestre, já que algo entre 50% e 60% dos custos estão direta ou indiretamente atrelados ao dólar. O que salva as empresas, segundo analistas ouvidos pela Agência Estado, é a queda do preço internacional do petróleo e o movimento, já iniciado, de aumento das passagens. Com isso, a expectativa é de melhora nos resultados no segundo semestre, apesar do câmbio.
Para a Sabesp, do setor de saneamento, a alta do dólar tem impacto relevante, tendo em vista que a estatal recorre aos bancos multilaterais para financiar os seus projetos. Hoje, 30% da dívida são denominadas em moeda estrangeira. "Sob este aspecto, não tem como não sermos afetados. Como o dólar não recuou para o patamar antigo na virada do trimestre, é inevitável o impacto da variação cambial", afirma o superintendente de Captação de Recursos e Relações com Investidores da Sabesp, Mario Sampaio. Segundo o estudo da Economática, a empresa fechou setembro de 2011 com uma dívida em moeda estrangeira de R$ 2,89 bilhões, alta de 18,7%. A estratégia para minimizar esse problema é diluir os vencimentos das dívidas em moeda estrangeira no longo prazo, o que diminui a pressão sobre o caixa da companhia.
O levantamento produzido pela Economática não considera as estratégias de hedge adotadas pelas empresas para minimizar os efeitos da variação cambial em seus resultados, nem o hedge natural que companhias com receitas em dólares possuem, como as exportadoras e a holding federal Eletrobras. Além disso, 76 empresas não participaram do estudo por não publicarem em seus ITR as informações sobre as dívidas em moedas estrangeiras, entre elas a Vale, a CSN, a Gerdau, a CCR e a Usiminas. Nesses casos, os dados constam nas notas explicativas dos balanços, cujas informações não são processadas e acompanhadas pela Economática.

Nova norma incentiva comércio a bordo
Valor 03.10.2011 - Uma norma do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), publicada no início de agosto, deve incentivar o aumento de vendas a bordo de voo nacionais, já em curso na Gol e Webjet, com lanches, e na TAM, que testa um projeto piloto pioneiro de comercialização de produtos como relógios e perfumes em voos domésticos.
Esse tipo de comércio que, até então, não tinha qualquer tipo de regulamentação, conta agora com autorização de todos os Estados do país para ser promovido. A anuência está no Ajuste Sinief número 7 do Confaz - órgão que reune representantes de todas a Secretarias de Fazenda dos Estados.
A medida traz mais segurança para as empresas, pois sem previsão legal para as vendas, qualquer operação realizada a bordo estaria sujeita a questionamento dos Fiscos estaduais, que poderiam multar as companhias aéreas.
A TAM iniciou um projeto piloto em setembro do ano passado para a venda de mercadorias em cinco voos, três para Fortaleza e cinco para Recife, com partidas do Aeroporto Internacional de Guarulhos (Cumbica). Como esse serviço foi implementado antes do ajuste do Confaz, a TAM informa que se adequou a uma norma dos anos 70 que regula a venda de mercadorias "fora do estabelecimento".
Batizado de "Fly Shopping", essa novidade oferece aos passageiros 30 produtos, como perfumes, relógios, canetas, doces e artigos infantis. A TAM informou que "estuda a ampliação deste serviço" e que os resultados dele "estão de acordo com as nossas expectativas". Nos voos internacionais, a TAM oferece "duty free" - venda de produtos livres de impostos - desde 2002.
A Gol informou que ainda não tomou a decisão de vender mercadorias nos voos domésticos, mas acrescentou que essa pode ser uma possibilidade no futuro, já que "está sempre avaliando oportunidades que agreguem benefícios aos clientes e resultado ao negócio".
A venda de perfumes e relógios, entre outros produtos na TAM, faz parte das chamadas receitas auxiliares, que incluem também transporte de cargas e de janeiro a junho somaram R$ 1,06 bilhão, ou 26% da receita bruta da empresa. No mesmo período do ano passado, o faturamento com outros tipos de receitas, que não a venda de passagens, foi de R$ 965 milhões. Na maioria das empresas aéreas, a tendência é a de aumentar os ganhos com outros tipos de produtos, garantia de mais rentabilidade diante da intensa disputa por passagens mais baratas.
A TAM iniciou esse projeto antes do ajuste Sinief, em parceria com uma terceira empresa que é a dona dos produtos. Segundo a TAM, a emissão de documentos fiscais fica a cargo dessa empresa e a TAM recebe uma comissão.
Os advogados tributaristas Paulo Sigaud e Enrique Abreu Lewandowski, sócio e advogado associado ao Aidar SBZ, respectivamente, afirmam que a norma prevê a tributação do ICMS dos produtos vendidos a bordo para o Estado de origem do voo.
A discussão sobre a qual Estado pertenceria o imposto das vendas aéreas era uma das principais questões sobre o tema, agora solucionada pelo Confaz. Outro ponto da discussão, de acordo com Sigaud, seria a necessidade de um sistema de emissão de notas fiscais seguro para uso no espaço aéreo. O problema, como afirma, foi resolvido. A norma do Confaz autoriza as companhias a utilizarem equipamentos eletrônicos portáteis acoplados a uma impressora térmica para a emissão do documento fiscal.
Segundo ele, esses equipamentos devem ser reconhecidos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pelas secretarias de fazenda dos Estados.
"Essa é uma situação adaptada à atualidade", comenta o advogado Marcelo Jabour, diretor da Lex Legis Consultoria tributária. Ele explica que o sistema estabelecido para as vendas aéreas é muito parecido com o que já existe para as vendas "porta a porta", cujo convênio do Confaz que trata do tema é de 1970.
O advogado tributarista Carlos Eduardo de Arruda Navarro, do escritório Machado Associados, diz que a norma do Confaz só começa a valer nos Estados que publicarem um decreto nos respectivos Diários Oficiais. Segundo ele, apenas o Espírito Santo fez essa publicação.
Navarro lembra do convênio do Confaz de 1970 e diz que as empresas que já fazem a venda de mercadorias a bordo buscaram respaldo nessa norma. "Neste caso, emite-se a nota fiscal de todas as mercadorias no local de origem delas. Quanto o voo retorna, deve haver uma emissão de nota fiscal de entrada dos produtos que não foram vendidos", diz ele.
A Gol iniciou a venda de lanches a bordo em junho de 2009. Em outubro de 2010, esse serviço foi ampliado para 37 voos, todos com origem no Aeroporto de Cumbica. Atualmente, são 84 frequências por dia. A venda de lanches a bordo faz parte das receitas auxiliares da Gol, que no segundo trimestre responderam por 12% da receita líquida total da companhia.

Lampe Berger Paris
Folha 03.10.2011 - A marca francesa Lampe Berger Paris, de lamparinas aromatizadoras, chega ao Brasil com escritório em São Paulo e começa a vender seus produtos neste mês.
Fundada em 1898 por um farmacêutico, como antisséptico para hospitais, ganhou perfume e tornou-se produto de luxo em 1930, com peças manufaturadas por Baccarat, René Lalique, entre outros, segundo Philippe Carasso, presidente da empresa no Brasil.
"Antes, eram só produtos para destruir moléculas de cheiro ruim e purificar o ar; depois, se tornaram peças colecionáveis. Uma peça antiga alcança US$ 70 mil hoje em leilão", diz.
Para o lançamento no Brasil estão previstos 70 modelos. O primeiro preço é R$ 200, mas uma peça de arte em edição limitada poderá custar R$ 10 mil no Brasil.
Cerca de 85% do faturamento atual no mundo tem origem fora da França. Há 15 anos, eram só 10% de fora, segundo Carasso. "Vendemos 5 milhões de litros de perfume por ano", diz.

Para grandes redes de varejo, abrir loja vale mais que cortar custos
Valor 03.10.2011 - As maiores redes varejistas do mundo consideram a expansão para novos países - inclusive Brasil - mais importante do que, por exemplo, a ampliação da margem de lucro ou a redução de custos internos. A urgência em buscar territórios não explorados ficou evidente em um relatório apresentado na semana passada no "World Retail Congress", em Berlim, na Alemanha, o mais importante evento global do setor.
Levantamento da organização realizado com os 100 presidentes ou diretores dessas varejistas - incluindo Walmart, Carrefour, Casino, Metro, Tesco e Ikea (estas últimas três ainda não tem lojas no Brasil) - mostra que 56% das companhias acreditam que a expansão internacional é fundamental para o futuro crescimento. A ampliação de margens é citada por 47% e a redução de gastos por 26%. As respostas são de múltipla escolha.
"É quase uma questão de sobrevivência. As grandes varejistas crescem devagar em seus países e precisam de novos consumidores", disse o consultor Mauricio Morgado, ligado ao GVcev, o Centro de Excelência em Varejo da FGV-Eaesp. "Lojas recém inauguradas em mercados emergentes crescem a uma velocidade muito maior do que as lojas antigas em qualquer país", disse Antonio Coriolano, sócio da RetailConsulting.
Segundo o material, entre aqueles que priorizam a busca por novos mercados, 58% pensam em fazê-lo por meio da abertura de lojas físicas, 28% preferem se expandir internacionalmente pela criação de sites de venda on-line e 14% por meio de outra estratégia (não especificada no relatório).
A necessidade de avaliar novos mercados no exterior só tem uma importância menor do que o desenvolvimento do comércio eletrônico (67%) e o aprimoramento do portfólio de produtos nas lojas (63%). Alguns líderes desse segmento têm deixado claro essa questão nos últimos tempos - e citado o Brasil nesse contexto. O Walmart mencionou diversas vezes o país em encontro com analistas estrangeiros em setembro. "Nós temos o grupo dos 'big three' [formado por México, Canadá e Reino Unido] que são uma grande parte da nossa venda {...}. E o que nós temos de fazer é mudar o "big three" para "big five" tão rápido quanto nós pudermos, com China e Brasil atingindo níveis mais elevados de lucro operacional nos próximos anos", disse aos analistas Doug McMillon, presidente do Walmart International.
Segundo o material publicado no congresso, entre os 100 executivos ouvidos, 10 escolheram a China como o país com as maiores oportunidades de expansão. Em seguida estão, nessa ordem, Rússia, India, Egito e Brasil. Três por cento dos executivos citaram o Brasil como foco de investimento. Aparentemente não é uma taxa alta (Rússia aparece com 5% e Índia, 4%), mas diversos países são citados e as escolhas se pulverizaram.
Apesar da expectativa de chegada de novas redes no país (a cadeia de vestuário Topshop e a pizzaria Papa John's chegam a partir de 2011) ainda há resistências. A GAP nunca veio, a H&M pensou e desisitiu, assim como a Tesco. "As barreiras de importação ainda assustam as lojas. Além disso, a China ainda ganha pelo tamanho do mercado consumidor", disse Morgado.

PepsiCo
Valor 03.10.2011 - Toddynho I: A venda do achocolatado Toddynho, fabricado pela PepsiCo, está suspensa no Rio Grande do Sul por ordem da Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual de Saúde. O órgão recebeu denúncias de crianças que queimaram a boca após ingerir o produto. De acordo com a Secretaria da Saúde, o PH (medida de acidez e alcalinidade) do achocolatado, que deveria estar em torno de 7, em uma escala de 1 a 14, estava em 13,3. Os técnicos da Vigilância Sanitária suspeitam que a elevação da alcalinidade se deu por conta de resquícios de produtos de limpeza nos equipamentos da fábrica, localizada em Guarulhos (SP).
Toddynho II: Na sexta-feira, a Anvisa solicitou que a Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo faça imediatamente uma inspeção na fábrica do Toddynho. A PepsiCo divulgou nota informando que já "tomou as ações cabíveis para retirar as unidades de circulação" e que os consumidores podem obter informações por meio do telefone 0800-703-2222. A empresa afirmou que se trata de um lote restrito com 80 unidades, de numeração de L4 32 05:30 a 06:30, com validade de 19 de fevereiro de 2012. Mas a Secretaria Estadual de Saúde informou que o problema foi verificado em diferentes lotes do produto, daí a proibição da venda em todo o Rio Grande do Sul.

Dilma recua e muda concessão de rodovia
Folha 02.10.2011 - Presidente modifica modelo criado por ela quando ministra; prazo de obra em estrada privatizada será mais longo. Os novos editais eliminam grandes obras obrigatórias nos primeiros anos; pedágio sobe o dobro da inflação.
O governo federal modificou o modelo de privatização de rodovias executado pela presidente Dilma Rousseff quando ela era ministra da Casa Civil, em 2007.
A então ministra conduziu a privatização de sete lotes de estradas -a chamada 2ª fase da desestatização.
O modelo Dilma, explorado fartamente na campanha eleitoral de 2010, conseguiu obter contratos com baixos preços de pedágio e cronogramas curtos na entrega de grandes obras.
Mas a fórmula não deu certo e resultou em sucessivos atrasos nas obras obrigatórias, protestos de usuários e ações do Ministério Público Federal contra a demora na melhoria das estradas.
A mudança veio neste mês, quando a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) lançou a concessão dos 475,9 km da BR-101 que cortam o Espírito Santo.
Ao contrário dos editais anteriores, o da BR-101/ES elimina grandes obras nos primeiros anos de concessão. A concessionária terá até 23 anos para entregar a duplicação de 418 km da estrada.
Até 2022, precisam ficar prontos somente 207 km de duplicação. Um trecho de 35 km só precisa estar concluído por volta de 2035.
Na rodada anterior dos leilões, os prazos eram bens mais enxutos. O prazo para o contorno de Florianópolis (SC) foi de quatro anos. Porém, até hoje a obra não saiu.
Outras três estradas em Minas Gerais (BR-040, 116 e 381) também fazem parte da nova fase, mas seus editais estão travados no TCU (Tribunal de Contas da União), que encontrou problemas como prazos excessivos para a conclusão das obras.
Pedágio político: No início das concessões (anos 1990), o pedágio ficou caro, mas as obras eram feitas rapidamente.
Na campanha eleitoral, a comparação das tarifas das rodovias privatizadas por Dilma e das estaduais paulistas, mais caras e parecidas com as da primeira fase do governo federal, foram tema de ataques do PT.
No mercado se diz que as empresas que venceram as concessões da segunda etapa não arrecadam o suficiente para fazer obras de grande porte e que o prazo para a emissão de licenças ambientais foi subestimado.
O TCU, segundo a Folha apurou, já constatou graves problemas na execução desses contratos.
Em um dos casos, o da BR-101 em Santa Catarina, o Ministério Público Federal obteve liminar contra o reajuste do pedágio, pois obras emergenciais não foram feitas. Outras ações do órgão tramitam na Justiça pelo não cumprimento do contrato.
"Todos os anos eu entro com ação, porque mando fazer perícia e verifico que não foram feitas obras previstas para aquele período", disse o procurador Mário Sérgio Ghannagé Barbosa.
Já houve adiamentos também em obras da BR-101 no Rio de Janeiro e na BR-116 entre Curitiba e a divisa de SC/RS nos últimos dois anos.
Outro atraso significativo está nas obras de duplicação da Serra do Cafezal, na rodovia Régis Bittencourt (BR-116), entre São Paulo e Paraná. Pelo cronograma original, a duplicação já deveria estar concluída, mas a parte mais difícil está sendo iniciada somente agora.
Pelo atraso, a ANTT ameaçou multar as concessionárias e incluir o descumprimento no cálculo dos reajustes da tarifa.
Mas o pedágio do modelo Dilma subiu quase o dobro da inflação no período. Na Régis e na Fernão Dias, o pedágio aumentou 25% e 30%, respectivamente; a inflação do período foi de 19,3%.

Vaccarezza defende aporte em infraestrutura
DCI 03.10.2011 - O Brasil vive um momento histórico: nunca se fizeram tantos investimentos em infraestrutura e educação quanto nos governo de Lula e de Dilma. A avaliação é do líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP).
"Eles governaram o Brasil por oito anos e não fizeram nada de infraestrutura", afirmou o líder. "Hoje estamos construindo as três maiores hidroelétricas e as três maiores refinarias de petróleo em construção no mundo."
Não teme atraso nas obras para a Copa e as Olimpíadas. Adianta que a reforma tributária está andando, ainda que fatiada, citando o SuperSimples e o Brasil Maior.
"Essa crise [econômica] é um aprofundamento da crise de 2008. Em 2008 o crédito desapareceu em consequência da quebra de bancos nos EUA e da bolha imobiliária. O mais grave é que a crise continuou porque o trilhão de dólares que foi gasto pelos países centrais não resolveu o problema da crise, e hoje nós temos uma crise aprofundada na Europa [Grécia, Portugal e Espanha] e já começa a abalar os bancos franceses porque boa parte desses bancos tem negócio direto com esses países. E a cada dia os EUA vivem tanto crescimento para trás como crescimento para a frente. É uma situação delicada, mas o Brasil está bem."

Contratos sem licitação com Visa Vale são investigados
Exame 02.010.2011 - Boa parte dos negócios da prefeitura foi intermediada pelo Banco do Brasil, dona da empresa de vale-refeição.
Dezenas de prefeituras do interior de São Paulo deram contratos sem licitação à administradora de vale-refeição Visa Vale, empresa do Banco do Brasil (BB) e do Bradesco. Boa parte desses negócios foi intermediada pelo BB, que tinha um parecer de seu departamento jurídico para embasar a dispensa de concorrência pública.
Essas transações agora estão sendo questionadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e pelo Ministério Público (MP) paulista. Para evitar a licitação, os municípios empacotaram operações que chegam a movimentar milhões de reais como se fossem contratos de no máximo R$ 8 mil, que não precisam passar por concorrência.
As prefeituras contrataram a Visa Vale para administrar os cartões magnéticos que seus funcionários usam nos pagamentos em restaurantes e supermercados. É um filão muito disputado pelas empresas do setor. Em geral, prefeituras e órgãos públicos escolhem os fornecedores por meio de concorrência, seguindo a Lei de Licitações. O TCE e o MP já intimaram vários municípios a explicar por que pularam a regra no caso da Visa Vale.
Essas operações devem movimentar pelo menos R$ 40 milhões este ano, segundo é possível apurar no Portal do Cidadão, site do TCE em que os municípios registram suas prestações de contas. A Visa Vale foi contratada com dispensa de licitação por mais de 30 municípios, além de Câmaras de Vereadores e órgãos municipais.
Procurada, a administradora enviou nota para dizer que segue a Lei de Licitações e é uma empresa ética e transparente, mas não quis dar explicações.
Polêmica: O centro da polêmica está na definição do valor dos contratos: deve-se contar o valor total do benefício, que pode movimentar milhões de reais, ou apenas a taxa de administração da empresa, que não passa de R$ 8 mil? Nesse caso, a operação se enquadra numa brecha que prevê dispensa de licitação nos contratos abaixo desse teto.
A reportagem conversou com as prefeituras de Bragança Paulista, Americana, Jacareí, Cruzeiro, Cerquilho, Capela do Alto e Castilho - apenas Osasco, dona do maior contrato de todos (R$ 2 milhões por mês), não quis dar informações. Todos os outros afirmam considerar como contrato apenas a taxa de administração, já que o dinheiro dos benefícios vai direto para os cartões dos servidores. Como a Visa Vale geralmente não cobra a taxa - ou cobra menos de R$ 8 mil -, não fizeram licitação.
Os concorrentes dizem que o argumento seria uma manobra para escapar da Lei de Licitações. Alegam que a taxa de administração é a parte menos importante do negócio e que as administradoras ganham dinheiro mesmo é com as comissões de 2% a 4% cobradas dos restaurantes e supermercados onde os servidores usam os cartões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Abril Educação compra Maxiprint por R$ 43 milhões
Exame 01.10.2011 - Maxiprint atua no segmento de criação, desenvolvimento e comercialização de sistemas de ensino voltados à educação.
A Abril Educação informou hoje que sua subsidiária Central Abril Educação e Participações Ltda. (Caep) celebrou contrato particular de compra e venda para aquisição da totalidade do capital da Maxiprint Gráfica e Editora Ltda, que atua no segmento de criação, desenvolvimento e comercialização de sistemas de ensino voltados à educação infantil, ensino fundamental e médio, cursos pré-vestibulares e educação de jovens e adultos.
O valor total da aquisição é de R$ 43 milhões, dos quais R$ 33 milhões serão liquidados no dia 3 de outubro de 2011 e o saldo será pago em duas parcelas de R$ 5 milhões, no prazo de 12 e 24 meses contados de hoje.
Em fato relevante divulgado ao mercado, a empresa detalha que com a aquisição passará a atender mais 85 mil alunos através das 343 escolas usuárias do Sistema Maxi de Ensino em todo o território nacional e fortalece a sua atuação no mercado de sistema de ensino com um produto didático complementar aos que já oferece hoje através dos sistemas Anglo e SER.
A empresa informa ainda que a Caep e os vendedores tomarão todas as medidas necessárias para proceder às devidas notificações aos órgãos integrantes do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência. "Esta aquisição representa mais um passo importante na consolidação dos negócios da companhia no setor de ensino infantil, fundamental e médio no Brasil, estando alinhada à sua estratégia de crescimento e de criação de valor para os seus acionistas, fornecedores e clientes", conclui a empresa.

Vale analisa condições para projeto bilionário na Guiné
Valor 03.10.2011 - A Vale está em processo de avaliação do projeto Simandou à luz das novas condições regulatórias do setor de mineração na Guiné, país da Africa Ocidental. Lá, está desenvolvendo duas jazidas de minério de ferro de primeira linha, com produção estimada de 50 milhões de toneladas anuais a partir de 2020, envolvendo investimentos na faixa de US$ 7 bilhões.
O novo código de mineração aprovado mês passado pelo governo do presidente Condé, o qual entra em vigor em dezembro e tem como exigência a participação de 15% do Estado nos projetos de mineração em curso no país e a opção de compra futura de mais 20% a preço de mercado. A Vale pretende se debruçar nos próximos 60 dias sobre as novas normas de regulação e costurar propostas de negociação amigável que permita à empresa fechar um bom acordo com o governo local, sem ter de ceder 35% de seu negócio, apurou o Valor. Procurada, a Vale não quis comentar o assunto.
Há informações de que o governo da Guiné pode criar dispositivo para flexibilizar esses direitos instituindo um imposto especial sobre o lucro das mineradoras que investem no país. Ou ele (governo) opta por ser sócio entre 15% e 35% do investidor estrangeiro, como parece ser o caso da australiana Rio Tinto, concorrente da Vale, ou pode converter isso em dinheiro, recebendo o pagamento do imposto sobre o lucro. A Vale já paga isso em algumas províncias onde desenvolve operações de níquel, no Canadá.
O novo Código de Mineração da Guiné não alterou a questão da propriedade e manteve a validade dos direitos de concessão, seja de lavra, seja de licença de exploração de quem já os possui. A Vale, no ano passado, adquiriu por US$ 2,5 bilhões, já tendo pago US$ 500 milhões, participação de 51% na BSG Resources, por concessões de minério de ferro em Zogota (Simandou Sul) e por licenças de exploração nos blocos 1 e 2 em Simandou Norte. Os US$ 2 bilhões restantes serão pagos em etapas, durante desenvolvimento do projeto.
O projeto da mina de Zogota já tem direito de lavra e estudo de viabilidade e está sendo tocado. Tem serviços importantes adiantados, como a terraplenagem. A Vale trabalha com a projeção de produzir um milhão de toneladas de minério de ferro em Zogota em 2012, com expectativa de chegar a 15 milhões de toneladas até 2014, conforme era previsto no início deste ano. Com a produção dos blocos 1 e 2 de Simandou Norte, o total subiria até 50 milhões de toneladas ano. "É um projeto gigante", admitiu Murilo Ferreira, novo presidente da Vale, em entrevista recente ao Valor. Na época, ele já aguardava a nova regulamentação do setor no país para fechar um novo acordo com o governo da Guiné.
A Vale pretende erguer na Guiné um complexo que terá ferrovia e porto, como todo negócio de mineração. A princípio, estava prevista a construção de uma ferrovia para escoamento do minério no litoral da Libéria, país vizinho. A ideia, que chegou a ser negociada na gestão de Roger Agnelli, era construir um sistema integrado para transporte do minério de Simandou até o terminal marítimo da costa atlântica do país vizinho. Ferreira, indagado sobre a logística do projeto, disse que "era absolutamente mandatório ter uma logística suficiente para o escoamento do minério. O que prevalece no acordo é que seria escoado pela Libéria". Entretanto, como o acordo será refeito, o governo Condé, com forte viés nacionalista, poderá exigir nova solução logística que não passe por um país estrangeiro.
Uma das benesses das novas regras do setor na Guiné é que isenta de impostos as importações de máquinas e equipamentos para os projetos de mineração. Também foi reduzido de 15% para 10% o imposto de renda cobrado sobre os dividendos pagos sobre o lucro do projeto. Na nova regulação, o direito de lavra terá 25 anos de duração, podendo ser renovado a cada 10 anos. Outros pontos importantes envolvem programas de responsabilidade social, emprego e anticorrupção.

OGX x Sea Explorer
Folha 03.10.2011 - A OGX renovou por dois anos os contratos das sondas Sea Explorer e Pride Venezuela, fornecidas pela Ensco e que operam na bacia de Campos.
O valor ficará entre US$ 220 mil e US$ 235 mil por dia. A empresa diz que começa a produzir óleo em novembro.

Exploração de petróleo amplia a carteira de encomendas da ABB
Valor 03.10.2011 - A ABB - uma das principais fornecedoras de tecnologia no sistema de transmissão das hidrelétricas do rio Madeira - também está engordando sua carteira de pedidos com projetos de exploração de petróleo.
A companhia informa que nos últimos dois anos venceu oito de nove concorrências que enfrentou para fornecer equipamentos usados pela Petrobras. Isso inclui encomendas de US$ 45 milhões relacionadas ao fornecimento de módulos de distribuição, proteção e gestão de energia elétrica - as chamadas e-houses - para duas plataformas que estão sendo construídas pelos grupos Queiroz Galvão e Camargo Corrêa para a estatal: a P-58 e a P-62, a serem usadas na extração de petróleo na bacia de Campos, no Rio de Janeiro. A ABB já tinha levado no ano passado um contrato de fornecer um módulo similar para a plataforma P-63. Com isso, os projetos offshore já respondem por 70% das receitas na divisão que atende à indústria de exploração e produção de óleo e gás.
"São poucos projetos, mas com valor elevado", comenta o gerente de vendas da ABB Paulo Sales, acrescentando, sem dar detalhes, que a companhia está perto de conquistar dois novos projetos na área.
No módulo que será usado nas plataformas, todos os equipamentos são instalados em uma estrutura de aço de aproximadamente 600 toneladas: a sala elétrica. O sistema permite gerenciar de forma segura a energia de toda a plataforma, cuja potência total de 100 megawatts (MW) será gerada por quatro turbinas geradoras.
Sales diz que os módulos das três plataformas estão sendo fornecidos diretamente pela filial brasileira com índice de nacionalização superior a 60%. Os componentes são produzidos localmente pela própria ABB ou supridos por fornecedores instalados no país. Segundo Sales, a depender do projeto, a empresa pode fornecer sistemas com 100% de conteúdo nacional.
Para expandir a produção e a capacidade tecnológica, a ABB toca no Brasil um programa de investimento que prevê aportes de US$ 200 milhões. Em agosto do ano passado, inaugurou na fábrica de Guarulhos (SP) uma linha de relés, com produção inicial de 2,4 mil peças ao ano - antes importadas da Suécia.
Também em Guarulhos, a empresa abriu neste ano uma linha de painéis de baixa tensão, após iniciar na unidade de Blumenau (SC) a produção de transformadores de distribuição a seco.
Em outra frente, a companhia comprou um terreno de 125 mil metros quadrados em Sorocaba (SP) para instalar uma nova fábrica de produtos de baixa tensão, motores e automação.
Os projetos têm como foco atender às necessidades nos setores de infraestrutura, energia e indústria. A expectativa da ABB é dobrar para cerca de 8 mil pessoas o quadro de funcionários no Brasil até 2015.

Marfinite avança em novos mercados
Valor 03.10.2011 - Alexandre Pimentel, sócio-presidente: estádios para Copa abrem oportunidade para venda de 1,2 milhão de assentos.
Marca tradicional no mercado de móveis e uma das maiores transformadoras de termoplásticos do país, a Marfinite quer conquistar espaço nos estádios e automóveis brasileiros. Nos próximos dois anos, assentos esportivos e autopeças devem ser os principais motores para expansão do faturamento consolidado da empresa, que no ano passado alcançou R$ 162 milhões. Até 2013, a expectativa é a de que as receitas praticamente dobrem, chegando a R$ 310 milhões se consideradas as vendas da Marfinite e da Pladip, braço da empresa para o mercado de componentes automotivos.
Parte do crescimento virá na esteira da realização da Copa do Mundo no país em 2014. De olho no potencial de negócios gerados a partir do evento, a companhia lançou a Marfinite Arenas, cuja divulgação está a cargo da 9Nine, agência de marketing que tem como sócio o craque Ronaldo Nazário. Junto com a marca, a Marfinite apresentou uma nova linha de assentos esportivos - hoje, peças da empresa já podem ser encontradas nos estádios do Engenhão e da Vila Belmiro -, em conformidade com as normas atualizadas da ABNT e que poderão levar como matéria-prima o polietileno produzido a partir de etanol de cana-de-açúcar da Braskem.
"A Copa no país abre oportunidade de fornecimento de 1,2 milhão de assentos considerando-se estádios que serão sede e os de suporte", diz o sócio-presidente da Marfinite, Alexandre Pimentel. Segundo o empresário, a fábrica da empresa, em Itaquaquecetuba, na Região Metropolitana de São Paulo, tem capacidade instalada para absorver a demanda adicional, em razão dos investimentos em modernização executados nos últimos anos. "Talvez os novos aportes alcancem R$ 10 milhões, porque os investimentos mais pesados já foram feitos", explica.
De acordo com Pimentel, a preparação da Marfinite com vistas à Copa começou há dois anos. "Estivemos na Europa para pesquisar portfólio, acompanhamos a atualização das normas da ABNT e, agora, estamos em fase de negociação de preços", conta. Os primeiros contratos devem ser firmados entre janeiro e fevereiro do ano que vem.
No segmento automotivo, a Marfinite também quer desempenhar papel de destaque. Neste momento, por meio da Pladip, está trabalhando na homologação de componentes automotivos de plástico junto às grandes montadoras instaladas no país e, em breve, pode se transformar em fornecedora OEM (de componentes originais) dessas empresas. "Hoje já fornecemos peças de plástico para sistemistas. Esses clientes seguirão na nossa carteira", ressalta o empresário.
A entrada da empresa no segmento de componentes automotivos tornou-se possível em 2009, com a compra do parque industrial da Sedna, em Mairinque, voltada à fabricação de móveis. "O maquinário nos interessava", conta Pimentel. De lá para cá, a Sedna foi transformada em Pladip e a Marfinite saiu em busca das certificações necessárias e exigidas pelas montadoras.
Hoje, a unidade fabril tem capacidade de transformação de 800 toneladas de resinas plásticas por mês e é fornecedora também de peças para linha branca. Neste ano, a operação deve gerar receitas de R$ 18,5 milhões, uma alta de 29% na comparação com o verificado em 2010. No ano que vem, as receitas devem subir a R$ 38 milhões e alcançar R$ 47 milhões em 2012 na esteira da conquista de novos clientes.
Apesar da aposta nos segmentos esportivo e de autopeças, o negócio tradicional de móveis e caixas de plástico para movimentação de carga e o fornecimento de esferas para a indústria de higiene e beleza (usadas em embalagens de desodorante roll-on) também deve contribuir para o avanço dos negócios da empresa nos próximos dois anos. "O negócio de lixo também representa oportunidade, por conta da Política Nacional de Resíduos Sólidos", diz. A empresa produz lixeiras com capacidade de 15 litros até 1,1 mil litros.
Na fábrica de Itaquaquecetuba, a Marfinite transforma mensalmente 1,2 mil toneladas de resinas plásticas, mas tem capacidade para 1,7 mil ao mês. Esse volume instalado resultou de investimentos de R$ 28 milhões realizados nos dois últimos anos. Fundada pelos italianos Vitaliano Raiola e Giulio Frascari, em 1961, e inicialmente focada na produção de bolas de bilhar e boliche, a Marfinite produziu sua primeira cadeira em polipropileno (PP), com armação de ferro, em 1967. Hoje, a empresa utiliza como matérias-primas polietileno e PP, além de reutilizar produtos que retornam à fábrica.
Em 1991, deu início à produção de pallets de plástico, que substituem as tradicionais peças de madeira. Em 2008, a Marfinite foi comprada pela A2DP, que tem como sócios Pimentel e Artur Dian. A holding controla ainda negócios de injeção de plástico, distribuição de aço e de serviços de segurança.

Fusão cria companhia com sites voltados ao público feminino
Valor 03.10.2011 - O grupo de mídia digital Bolsa de Mulher e a e-Mídia anunciam, hoje, a fusão de suas operações. Juntas, as companhias formarão o GrupoMulher, que nasce com audiência de 17,5 milhões de usuárias mensais.
A e-Mídia foi fundada há 14 anos e administra os sites Vila Mulher, Cyber Cook e Cyber Diet. Os dois últimos são responsáveis por 70% do negócio. Já a empresa Bolsa de Mulher, que pertence à IdeiasNet - com participações em várias companhias de tecnologia e internet - existe desde 2000 e tem como carro-chefe o portal de mesmo nome.
Detalhes financeiros do negócio, incluindo a divisão societária, não foram divulgados, mas Carla Esteves, até então executiva-chefe do Bolsa de Mulher, vai assumir a presidência da empresa resultante da fusão. Alexandre Canatella, presidente da e-Mídia, vai assumir o posto de principal executivo de operações do GrupoMulher.
Com o novo negócio, a expectativa é elevar a audiência dos sites do grupo em 40% no ano que vem, diz Canatella. Juntos, o Bolsa de Mulher e a e-Mídia preveem uma receita de aproximadamente R$ 18 milhões neste ano. Em 2012, a expectativa da companhia é mais que dobrar o faturamento, atingindo a marca de R$ 40 milhões.
"As negociações sobre a fusão surgiram a partir de conversas da e-Mídia e da IdeiasNet sobre as boas perspectivas para a área de negócios digitais no país", afirma Canatella.
As companhias estudaram a fusão de suas operações durante quatro meses. Nesse período foram realizadas pesquisas para medir até que ponto elas disputavam o mesmo público. Segundo Carla Esteves, o índice de duplicidade foi de 20%, ou seja, a cada 100 pessoas, apenas 20 acessavam os sites pertencentes às duas companhias.
Inicialmente, o GrupoMulher não prevê receber aportes financeiros. Em 2012, a empresa pretende intensificar o processo de integração das operações. A expectativa é de que a área tecnológica seja uma das que rendam mais ganhos para a companhia. "Pretendemos integrar a infraestrutura de tecnologia da informação (TI) e o desenvolvimento de aplicativos", diz Canatella.
O progressivo crescimento da audiência brasileira na internet e a expansão das conexões rápidas, por meio do acesso em banda larga, foram fatores que influenciaram positivamente a fusão das duas companhias, de acordo com o executivo. "Há muitas oportunidades de fusões e aquisições no mercado digital brasileiro", afirma Canatella.

Telefônica vai pedir aval da Anatel para ter toda a TVA
Valor 03.10.2011 - Gilmar Camurra, da Telefônica: novas regras vão permitir controle da TVA.
A Telefônica pretende solicitar, nesta semana, a autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para a fatia da TVA que ainda não detém. Esse movimento será possível por causa da aprovação, em agosto, da nova legislação de TV por assinatura - que permite o controle de operadoras de cabo por estrangeiros.
O vice-presidente de finanças da Telefônica, Gilmar Camurra, afirmou ao Valor que o departamento jurídico da companhia está finalizando os documentos necessários para apresentar o pedido. "Não vamos assumir o controle sem o aval da Anatel", disse.
Nos próximos meses, a Telefônica vai adquirir os 51% restantes da operação de TV a cabo da TVA. A operadora tem a opção de compra desses ativos desde outubro de 2006, quando firmou acordo com o Grupo Abril para adquirir parte da empresa de TV por assinatura. Naquela época, a companhia espanhola estava impedida legalmente de comprar a totalidade da TVA e pagou pouco menos de R$ 1 bilhão pelos ativos que podia deter.
A Telefônica já começou a adquirir a participação remanescente. Na sexta-feira, anunciou a compra de 49% das ações ordinárias da empresa Lemontree, que por sua vez detém 80,1% das ONs da Comercial Cabo TV São Paulo.
O fato relevante divulgado pela companhia dava a entender que a operadora estava assumindo o controle total da TVA. No entanto, Camurra esclareceu que parte das ações continua nas mãos da Abril e só deve ser transferida à companhia espanhola num próximo passo.
Como efeito prático dessa transação, a Telefônica elevou de 19,9% para 49% sua participação direta e indireta nos ativos de TV a cabo da TVA no Estado de São Paulo. O valor não foi revelado.
A operadora tinha amparo legal para dar esse passo desde o fim de junho, quando foi firmada a renovação dos contratos de concessão da telefonia fixa. A nova versão do documento acabou com o limite de 20% para a participação das concessionárias em empresas de TV cabo nas suas respectivas áreas de concessão. No caso da Telefônica, a regra valia para o Estado de São Paulo.
Sozinha, a renovação dos contratos de concessão seria insuficiente para a Telefônica assumir a totalidade da TVA. Isso porque a operadora pertence a um grupo estrangeiro e a Lei do Cabo exigia que o controle das empresas de cabo fosse de empresas nacionais. Porém, esse impedimento caiu por terra, em agosto, com a aprovação do projeto de lei 116 (PLC 116), que uniformizou as regras para o segmento de TV por assinatura. É com base na nova legislação que, agora, a companhia vai pedir a o aval da Anatel para deter toda a empresa.
A Telefônica acertou com a Abril, em 2006, a compra das participações da TVA que poderia ter naquele momento: 19,9% dos ativos de TV a cabo no Estado de São Paulo, 49% da operação de cabo fora do mercado paulista e 100% dos ativos de MMDS (televisão transmitida por radiofrequência).
No acordo, já ficou definido que a Telefônica teria a opção de compra das ações restantes quando as regras o permitissem. A América Móvil, de Carlos Slim, tem acordo parecido para assumir o controle da Net, que hoje pertence às Organizações Globo.
Além da TVA, a Telefônica atua no mercado de TV paga de duas outras maneiras: por meio de uma operação de satélite (DTH) e da oferta de vídeos sob demanda em sua rede de fibra óptica. No fim do segundo trimestre, a companhia tinha 682 mil assinantes de TV.

Canadenses avaliam troca de suas ações da Multiplan
Valor 03.10.2011 - O Fundo de Pensão dos Professores de Ontário, um dos maiores do Canadá, está estudando converter as ações preferenciais (sem direito a voto) em ordinárias (com voto) que detém na Multiplan, um dos principais grupos de shopping centers do Brasil.
A conversão representaria para a Multiplan a possibilidade de concretizar seu antigo projeto, que é o de ingressar no Novo Mercado, patamar mais alto de governança da BM&FBovespa.
No Novo Mercado, as companhias possuem apenas uma classe de ações, as ordinárias, pelo menos 25% de papéis em circulação no mercado e preveem prêmio de controle de 100%.
Atualmente, a Multiplan é listada no Nível 2. Esse segmento exige das companhias aceitar e cumprir todas as obrigações previstas no regulamento do Novo Mercado, com algumas exceções - como o direito de manter ações preferenciais.
O fundo de Ontário é o único detentor das PNs na Multiplan. A participação do fundo canadense no capital da companhia é de 29,1%, que correspondem a 22,5% de ordinárias e 6,6% de preferenciais. O empresário e fundador da companhia, José Isaac Peres, detém 31,4%. Outros 38,9% estão em circulação no mercado e 0,6%, em tesouraria.
Segundo Rodrigo Krause, superintendente de relações com investidores da Multiplan, o fundo canadense avalia o impacto das mudanças das novas regras para as empresas listadas nos segmentos de governança diferenciada na bolsa (Níveis 1 e 2 e Novo Mercado) - que entraram em vigor em maio deste ano - para decidir sobre a conversão.
De acordo com Krause, as preferenciais existem por causa de uma questão técnica. A Multiplan precisava ajustar a participação acionária do fundo de Ontário na ocasião da oferta pública, realizada em 2007, respeitando uma obrigatoriedade prevista na legislação canadense, que não permite às fundações ter mais do que 30% das ações com direito a voto das empresas.
O fundo tornou-se sócio de Peres em 2006, quando adquiriu 46,3% do capital da Multiplan. Na oferta pública, a participação do fundo foi diluída para 34,7%. Em 2009, numa oferta subsequente, sua fatia caiu para 29,1%. Desde então, portanto, o fundo está alinhado às regras canadenses.
As ações preferenciais já emitidas são livremente conversíveis em ordinárias, na proporção de um por um. Segundo a Multiplan, a conversão poder ser solicitada a qualquer tempo, em uma ou mais oportunidades, por meio de mera solicitação, feita pelo fundo de pensão.

Cury aguarda preço de faixa de renda mais baixa do Minha Casa, Minha Vida
Valor 03.10.2011 - O setor de construção civil aguarda a publicação, pelo governo, de portaria com a regulamentação do novo preço transitório das unidades do programa Minha Casa, Minha Vida destinadas à faixa de renda de até R$ 1,6 mil. A Cury, por exemplo, empresa da qual a Cyrela Brazil Realty possui 50%, tem dois projetos para o segmento em fase final de aprovação pela Caixa Econômica Federal (CEF), mas pretende assinar os contratos somente quando os novos valores transitórios forem oficializados. Os projetos serão desenvolvidos nos municípios paulistas de Sumaré e São Vicente, com Valor Global de Vendas (VGV) de R$ 50 milhões e R$ 40 milhões, respectivamente. Essa faixa do programa representa 30% da produção da Cury.
Há duas semanas, em reunião de representantes dos ministérios das Cidades e do Planejamento, da Caixa e do setor, foi definida a elevação de R$ 2 mil a R$ 3 mil no valor transitório por unidade nesse segmento. Em julho, o governo publicou portaria com os preços transitórios inicialmente previstos para unidades da faixa com contratação até dezembro, de R$ 43 mil a R$ 59 mil para apartamentos e de R$ 43 mil a R$ 57 mil para casas, conforme o tamanho do município. Os projetos para o segmento submetidos à aprovação da Caixa na etapa de transição precisam oferecer pisos na sala e nos quartos, e azulejos na cozinha e no banheiro até 1,5 metro de altura.
Após a fase de transição, os projetos terão de apresentar área maior do que a exigida na primeira fase, para atender às exigências de acessibilidade. A Cury tem um formato de projeto definido para esta fase, validado pela área técnica da Caixa, e está desenvolvendo outras opções em que seja possível ter maior margem. Segundo o presidente da empresa, Fábio Cury, os empreendimentos para a segunda fase serão submetidos à aprovação da Caixa no quarto trimestre.
A faixa seguinte do programa é destinada ao público com renda de R$ 1,6 mil até R$ 3,1 mil. Para famílias com renda principalmente de três e quatro salários mínimos, ou seja, abrangendo parte das duas faixas, a Cury vai lançar, em outubro, três empreendimentos. Em Mogi das Cruzes (SP), a empresa lançará um projeto com VGV de R$ 9 milhões e outro, com VGV de R$ 15,3 milhões. O terceiro será em Suzano (SP), com VGV de R$ 36 milhões. Os compradores poderão ter pré-aprovação do crédito por seis meses pela Caixa, antes da assinatura dos contratos.
Outra empresa do setor com atuação na baixa renda, a Direcional já formatou o desenho dos projetos da primeira faixa para a segunda fase do programa e começou a submetê-los à aprovação da Caixa, conforme o diretor comercial, Ricardo Ribeiro. As unidades dos projetos destinados à nova etapa têm área 8% maior. Outras adaptações foram feitas para o período transitório, em que a Direcional lançou 5,384 mil unidades em Manaus, em setembro, com VGV de R$ 313 milhões.

Aluguel de máquina para construção registra queda
Folha 02.10.2011 - Os preços praticados pelas locadoras de equipamentos para construção, como empilhadeiras, andaimes e escavadeiras, registraram queda neste ano no Brasil.
"Houve uma redução dos preços em torno de 15% em valor real no mercado em geral", diz Eurimilson Daniel, da Sobratema (associação de tecnologia para equipamentos) e presidente da empresa de locação Escad.
À elevação no custo de crédito e manutenção das máquinas soma-se a entrada de asiáticos, que aumentou a oferta no país.
Além disso, o setor investiu muito na compra de máquinas nos últimos anos, de acordo com o presidente da Alec (Associação dos Locadores de Equipamentos para a Construção Civil), Durval Gasparetti.
Entre 2008 e 2010, o número de locadoras cresceu 30% no país. Hoje são cerca de 2.400. Além disso, as empresas que já existiam dobraram seus quadros de funcionários, afirma Gasparetti.
O setor de construção, porém, diminuiu o ritmo de expansão. Em 2010, o PIB do segmento cresceu 12%. Para este ano, a previsão é de 5%.
"Como resultado dos investimentos, atualmente temos máquinas ociosas. Quem tem uma posição favorável, pode fazer promoção e depois se recuperar", diz.
Gasparetti afirma que não tem como quantificar a queda de demanda, mas afirma que foi um declínio lento, que se iniciou em fevereiro e que foi até junho.
"Agora está estabilizado."
Pressão na margem: A Eleva Brasil, locadora de equipamentos motorizados para construção civil, registrou queda de 15% a 20% nos preços que cobra de seus clientes.
"No terceiro trimestre, deu uma desacelerada. O mercado financeiro já prevê menores lucros para as construtoras, que são um dos setores que mais sofrem no mercado acionário em 2011", afirma Guilherme Bueno, sócio da Eleva, empresa do grupo Emit Brasil.
O empresário cita empilhadeiras e manipuladores telescópicos entre as máquinas que perderam preço.
As margens das vendas também foram pressionadas pela entrada de produtos de empresas chinesas e indianas, que passaram a vender diretamente para construtoras, o que atrapalha o mercado de locação.
A pressão foi sentida pela Emit Equipamentos, que importa e vende escoramentos metálicos e acessórios para andaimes.
"Com a subida do dólar, é provável que os preços se reajustem para cima, mas não por um aumento de margem, é meramente câmbio", afirma Murilo Santos, sócio da Emit.

BR Aviation planeja investir R$ 500 milhões até 2015
Valor 03.10.2011 - "Até 2020, a projeção é de crescimento do consumo anual de QAV de 4,9%", diz Francelino Paes, gerente-executivo.
A BR Aviation, divisão de combustíveis para aviação da Petrobras Distribuidora, vai investir cerca de R$ 500 milhões até 2015 para ampliar a sua presença e capacidade de fornecimento de querosene de aviação (QAV) nos aeroportos brasileiros.
Hoje, a empresa tem postos de venda de QAV em 100 aeroportos no país e já tem pelo menos nove novas localidades no radar. O investimento da BR Aviation equivale a 10% do total de recursos que a Petrobras Distribuidora terá para investir entre 2011 e 2015, ou um orçamento de R$ 5,2 bilhões para o seu plano de negócios.
A informação é do gerente-executivo da BR Aviation, Francelino Paes. De acordo com ele, parte dos recursos serão aplicados para ampliar a quantidade dos chamados BR Aviation Center para 22 aeroportos até 2015. Atualmente, são 10 centros, que oferecem serviços como salas VIP e hangaragem (estacionamento de aeronaves com serviços de limpeza, por exemplo).
"Estamos atentos ao crescimento da demanda. Até 2020, a projeção de expansão do consumo anual de QAV é de 4,9%. Para até 2015, a previsão é de aumento anual de 6,5%", diz. Segundo ele, durante a realização da Copa do Mundo de Futebol de 2014 e da Olimpíada de 2016, a projeção de alta do consumo de QAV é de 30%.
Paes lembra do crescimento do fluxo de passageiros transportados por companhias aéreas, que tem sustentado o aumento da demanda pelo QAV. A Petrobras Distribuidora respondeu por 61,8% do fornecimento de QAV no país, de janeiro a agosto. Nesse período, a demanda por voos domésticos no país acumula expansão de 20,14%. O fluxo nos voos internacionais das aéreas brasileiras, tem 15,83% de aumento acumulado nos oito primeiros meses do ano.
A empresa lançou há um ano uma linha de produtos para limpeza e conservação de jatos executivos, batizada de BR Aviation Care como parte do seu objetivo de ter um diferencial para reter clientes e conquistar novos consumidores. Foram quatro anos de desenvolvimento em parceria com a Dow Corning, especializada em tecnologia de silicone.
São 20 produtos diferentes para limpeza e conservação de jatos executivos com embalagens muito parecidas com as de produtos de limpeza para o lar, como limpa-vidros e de multiuso. Em um ano, as vendas dessa linha corresponderam a 2% do faturamento da BR.
Paes conta que há duas formas de vender a linha BR Aviation Care. A primeira é a granel, para grandes consumidores. Para pilotos e mecânicos que compram esporadicamente nos postos em aeroportos, foi desenvolvida uma mochila com os principais produtos, a preço médio de R$ 250
"O objetivo é o cliente associar esses produtos com a BR Aviation, para obter a fidelidade dele", diz Paes. Segundo ele, muitos consumidores são os próprios pilotos, que decidem onde comprar combustível ponto a ponto. Clientes de grande porte têm contratos de fornecimento exclusivo e não precisam comprar toda a vez que os aviões se preparam para decolar.
Segundo Paes, o faturamento da divisão de aviação corresponde a 10% do resultado da Petrobras Distribuidora, que ficou em R$ 33,7 bilhões até junho.

RJ pode perder R$ 6,7 bi com partilha de royalties, diz jornal
Exame 02.010.2011 - Segundo jornal O Globo, em 49 municipios do estado, o dinheiro proveniente dos royalties é maior do que arrecadação de tributos próprios.
Se o Congresso derrubar o veto de Lula ao texto que determina o modelo de partilha dos royalties do petróleo, o estado do Rio de Janeiro pode perder 6,7 bilhões de reais.
É o que informa reportagem do jornal O Globo deste domingo. A decisão do ex-presidente com relação à Emenda Ibsen-Simon será votada na próxima quarta-feira.
De acordo com o jornal, dos 92 munícipios do estado, 49 arrecadam menos impostos do que o montante proveniente dos royalties do petróleo. Isso segundo estudo da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro que deve ser divulgado na próxima terça.
Pré-sal: O projeto de lei que trata dos royalties é a última questão pendente do marco regulatório do pré-sal. A tendência é que o Congresso derrube o veto presidencial.
Com isso, passaria a valer emenda do senador Pedro Simon (PMDB-RS) e do deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS).
Segundo a emenda Ibsen-Simon, Estados e munícipios, produtores e não produtores, devem dividir igualitariamente as receitas de royalties e participações especiais das áreas do pré-sal e pós-sal.
Pelo texto, no entanto, a União fica obrigada a compensar as perdas dos Estados e munícipios produtores.
CNI/Ibope: popularidade de Dilma supera a de Lula e FHC
Valor 30.09.2011 - A avaliação positiva da presidente Dilma Rousseff é maior do que as dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) nas terceiras pesquisas de popularidade CNI/Ibope das suas gestões. Enquanto 71% aprovaram Dilma Rousseff à frente do governo neste mês, 69% aprovaram a maneira de governar de Lula na terceira pesquisa do seu primeiro mandato. Em relação a FHC, 57% o aprovaram como presidente em setembro de 1995. A avaliação do governo Dilma também supera a das gestões dos  ex-presidentes. Enquanto a governo da presidente Dilma foi avaliado como ótimo ou bom por 51% dos entrevistados em setembro, em setembro do primeiro ano do governo Lula, o percentual foi de 43%. No mesmo período do primeiro ano de FHC, sua gestão recebeu aprovação de 40%. O gerente-executivo de pesquisa da Confederação Nacional da Indústria, Renato da Fonseca, destacou que a presidente Dilma herdou a popularidade de Lula. Na última pesquisa de popularide do seu governo, em dezembro de 2010, Lula atingiu 87% de aprovação pessoal.

Casino busca crescer na América de língua espanhola
Valor 30.09.2011 -Terceiro maior varejista da França em termos de receita, o Grupo Casino pretende expandir-se na América Latina em língua espanhola por meio de aquisições feiras por sua unidade na Colômbia, o Almacenes Exito. A informação foi passada à Dow Jones Newswires pelo executivo-chefe da divisão, Gonzalo Restrepo. Exito, no qual o Casino tem uma participação de 54,8%, levantou US$ 1,3 bilhão com a venda de novas ações no mercado acionário colombiano na semana passada e agora planeja usar os recursos obtidos para pagar uma aquisição no Uruguai. Também espera abrir até 100 lojas na Colômbia e tem um plano de 3 anos para expandir-se "em países estáveis politicamente" na América Central, Caribe e na região andina, conforme Restrepo.
Casino está usando o Exito como um trampolim para tornar-se um dos principais players na região, onde compete com o francês Carrefour e a americana Walmart e com varejistas locais, como o SACI Falabella, do Chile.
Nos últimos anos, o Casino passou a ser mais agressivo em mercados emergentes, aproveitando o aumento da renda disponível na nova classe média em regiões de rápido crescimento na Ásia e na América Latina.
O grupo também se beneficiou dos problemas sofridos pelo Carrefour. No ano passado, o Casino comprou os ativos tailandeses da rede francesa e, no começo deste ano, bloqueou o Carrefour na intenção de assumir o brasileiro Pão de Açúcar. Restrepo mencionou o Peru, o Equador, o Paraguai, a Bolívia, a República Dominicana, o Panamá e outros países na América Central. Os mercados varejistas no Chile e México já estão saturados, avaliou o executivo, e o Casino já opera na Argentina. "Não descartamos abrir operações do zero, mas preferimos crescer por meio de compras de participações em varejistas locais", sustentou o executivo, acrescentando que o Casino prefere manter os parceiros locais que estão culturalmente ligados com os clientes locais e fornecedores, como o ocorrido na Colômbia com o Exito. Restrepo não quis especificar quanto a companhia está disposta a investir nas aquisições.

Eztec vê receita 26% maior em 2011, mantém foco em SP
Valor 30.09.2011 -Empresa não quer construir para a população de baixa renda, saindo do grupo de construtoras movidas pelo programa do governo "Minha Casa, Minha Vida".
Vivian Pereira, da  São Paulo - O que aos olhos do mercado pode parecer um caminho na contramão do setor imobiliário, para a Eztec é uma estratégia para crescer de forma organizada.
Com atuação exclusivamente no estado de São Paulo, onde a escassez na capital de áreas adequadas para construção fez muitas construtoras partirem para outras direções, a empresa também optou por não construir para a população de baixa renda. Enquanto grande parte das principais construtoras e incorporadoras, movidas pelo programa "Minha Casa, Minha Vida", reformularam seu mix de produtos para aumentar a oferta de unidades no segmento econômico, esse nicho tem participação mínima nas operações da Eztec, que concentrou a atuação nas classes média e alta.
"Entendemos a mentalidade desse público e sabemos nos relacionar com ele", afirmou o diretor financeiro e de relações com investidores da empresa, Emílio Fugazza, à Reuters na quinta-feira. "O número de famílias que demandam imóveis no segmento econômico é maior, mas o valor de demanda gerado é menor, pelo preço mais baixo das unidades", defendeu.
Segundo Fugazza, a Eztec deve fechar 2011 com faturamento de 800 milhões de reais, aumento de 25,7 por cento ante o ano passado, quando a receita líquida foi de 636,4 milhões.
Durante o primeiro semestre, a empresa conseguiu alta de 20 por cento na receita líquida, enquanto empresas de porte maior e com foco mais ampliado como Cyrela e Rossi apresentaram ganhos de 10 e 23 por cento, respectivamente. A atuação exclusiva em São Paulo também não é vista dentro da empresa como um fator limitador. Hoje a Eztec conta com banco de terrenos de 4 bilhões de reais no estado.
"Terreno não é problema", assinalou na entrevista o presidente-executivo da companhia, Silvio Zarzur, que disse receber perto de 350 ofertas de compra de terreno por mês.
"Durante muito tempo fomos criticados pelos investidores por atuar somente em São Paulo, mas é preciso olhar a qualidade do nosso banco", acrescentou.
O estado de São Paulo responde por cerca de 40 por cento do mercado imobiliário nacional. A Eztec detém atualmente 3,5 por cento de participação na região "e temos condições de dobrar", disse o presidente.
"A estratégia de comprar em dinheiro é uma vantagem sobre os concorrentes", defendeu Zarzur. A companhia possui hoje 306 milhões de reais em caixa.
Até setembro, a Eztec cumpriu 70,7 por cento do ponto médio da meta de lançamentos para o ano, que é de 1 bilhão a 1,2 bilhão de reais, contabilizando 778 milhões. Para o próximo ano, Zarzur adiantou que a empresa já possui 12 projetos para serem lançados.
Novas regiões: Embora defenda a atuação exclusivamente em São Paulo como "o foco que outras companhias não têm", Zarzur reconhece que, em algum momento, terá de partir para outra grande cidade.
"Estamos sempre olhando terrenos e oportunidades em regiões com potencial de crescimento como Rio de Janeiro e Brasília. Mas precisamos desenvolver o mesmo controle e processo organizado que temos aqui para chegar em uma nova região com 'market share' relevante", disse Zarzur, acrescentando que o movimento deve ocorrer no médio a longo prazo.
Antes disso, segundo ele, a companhia ainda vê forte potencial para explorar áreas de São Paulo "menos óbvias", como bairros da zona Leste e a região da Serra da Cantareira.
"Enquanto estiver do jeito que está, não tem porque sair daqui, mas estamos preparados se precisar mudar", ponderou.

Telefônica assume controle da operação de TV a cabo da TVA
Valor 30.09.2011 - Com a aquisição da holding Lemontree, anunciada hoje, a Telefônica assume o controle de todos os ativos de TV a cabo da Telefônica no Estado de São Paulo. A medida foi possível por causa da aprovação do projeto de lei 116 (PLC 116), que estabelece novas regras para o setor de televisão por assinatura. A Telefônica tinha a opção de compra desses ativos desde outubro de 2006, quando firmou acordo com o Grupo Abril para adquirir parte da TVA. Naquela época, a companhia espanhola estava impedida legalmente de comprar a totalidade da empresa de TV por assinatura e pagou pouco menos de R$ 1 bilhão pelos ativos que podia deter.
Esse impedimento tinha duas origens. Uma delas era a Lei Geral de Telecomunicações (LGT), que impedia as concessionárias de telefonia de deter mais de 20% de ativos de TV a cabo em suas áreas de concessão. No caso da Telefônica, essa regra valia para o Estado de São Paulo. Ao mesmo tempo, a Lei do Cabo vetava o controle de operadoras de TV a cabo por grupos estrangeiros.
Por causa dessa dupla restrição, a Telefônica firmou um acordo complexo para adquirir parte da TVA em 2006. A operadora comprou 100% dos ativos de MMDS (micro-ondas) da TVA, para os quais não havia impedimento legal; 49% dos ativos de TV a cabo fora do Estado de São Paulo, de forma a cumprir a Lei do Cabo,  e 19,9% dos ativos de cabo dentro do território paulista, de acordo com a LGT.
Porém, desde aquela ocasião, já ficou estabelecido que a Telefônica teria a opção de comprar os demais ativos quando houvesse uma mudança no marco legal e regulatório que permitisse esse movimento. A Telmex tem acordo parecido para adquirir, das Organizações Globo, os 51% da Net que ainda não detém. Provavelmente, o exercício da opção de compra se dará na mesma base de preço negociada entre a Telefônica e a Abril em 2006. As companhias ainda não se manifestaram sobre o assunto.
Além dos ativos da TVA, a Telefônica também atua no mercado de TV paga de duas outras maneiras: por meio de uma operação de satélite (DTH) e por meio da oferta de vídeos sob demanda em sua rede de fibra óptica. No fim do segundo trimestre, a companhia tinha 682 mil assinantes de TV.

Alpargatas mira crescimento externo e destaca Topper
Folha 30.09.2011 - A Alpargatas, mais conhecida pela marca Havaianas, considera estar na reta final para alavancar seu processo de internacionalização.
Com a entrada em novos mercados e expansão naqueles onde já opera, a companhia tem como meta elevar a participação das vendas externas na receita do grupo nos próximos três anos. Atualmente, a Alpargatas tem 32% do faturamento em moeda estrangeira, percentual que, segundo o diretor-presidente da companhia, Márcio Utsch, deve chegar a 40% em 2014, ano em que espera atingir entre R$ 5,5 bilhões e R$ 6 bilhões em vendas.  "Já estamos em 82 países, não faltam muitos para continuar crescendo. Crescer no mercado internacional é nosso objetivo, mas sem abandonar o Brasil", disse ele à Reuters na quinta-feira.  Do total de países onde a empresa atua, nove contam com operações próprias e o restante com distribuidores. Mais recentemente, a companhia avançou para Índia e Paquistão.
Mas, ainda que a expansão internacional esteja no foco da Alpargatas, Utsch descarta a possibilidade de a empresa passar a produzir fora do Brasil.
"A fabricação no Brasil faz uma diferença enorme lá fora, principalmente no caso de Havaianas... Quanto mais concentrar a produção, mais escala eu tenho. Resisto a abrir novas fábricas."
É por essa razão que a Alpargatas tem adotado o movimento de redução do número de fábricas, que passam a ter porte maior, sem reduzir o volume de produção. A empresa tem quatro fábricas de grande porte e 13 satélites, e conta com dois centros para montagem, preparo e customização de produtos, um nos Estados Unidos e outro na Espanha.
Além de explorar novos mercados e novas categorias de produtos, o plano de crescimento da Alpargatas está apoiado em crescimento orgânico e fusões ou aquisições de concorrentes.
"Estamos sempre observando o movimento de concorrentes... Mas olhamos aqueles que estão mais vulneráveis. Vamos focar onde podemos ganhar", disse o executivo, sem dar mais detalhes sobre possíveis negociações em andamento.  Para suportar tais planos, Utsch considera a possibilidade de se capitalizar por meio da emissão de dívida no mercado local. "Temos bastante caixa e, mais do que isso, nosso endividamento é negativo. Temos capacidade enorme de alavancagem por divida."  A Alpargatas encerrou junho com R$ 666,4 milhões em caixa e endividamento de R$ 284,3 milhões.
Foco na marca Topper: A Alpargatas elegeu a marca Topper como destaque para os próximos anos. A Topper responde por 32% do mercado de artigos esportivos na Argentina e por 25% do segmento de futebol no Brasil, e também deve passar um processo de internacionalização.  Entre os planos da companhia está a abertura de lojas próprias sob a bandeira Topper, hoje presentes apenas na Argentina, onde existem 30 unidades. Utsch, entretanto, não quis comentar sobre a previsão de abertura dessas lojas no Brasil.  "Queremos elevar a percepção de valor da marca e fazer com que a Topper tenha a mesma relação custo/benefício imbatível da Havaianas", disse ele, acrescentando que a Topper acaba de ser inserida na Colômbia e no Peru.  O movimento focado na América do Sul, segundo o executivo, tem uma razão mais forte: aproveitar a realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014.  "A Topper terá de estar consolidada pelo menos um ano antes da Copa para termos participação de mercado interessante contando com as pessoas que virão para cá assistir os jogos", afirmou.
Em 2011 até agora, a Alpargatas apurou ganho de quase 4 pontos percentuais em participação de mercado, contabilizando 54% em sandálias e cerca de 7% em calçados esportivos, número que tende a aumentar até o fim do ano, segundo Utsch.



Arrecadação cresce e carga tributária deve bater recorde no país
GPdeLondrina 02.09.2011 - O recorde parece contraditório com o atual momento de esfriamento da economia. Mas o que está puxando é a receita federal clássica.
A carga tributária - relação entre arrecadação de impostos e a produção econômica- deve fechar o ano em 36,5% do Produto Interno Bruto (PIB), calculam os economistas José Roberto Afonso e Marcia Monteiro Matos no estudo "Termômetro Tributário Brasileiro", concluído esta semana. Trata-se de um recorde. Pela mesma base de cálculos, em 2010, quando a economia e a arrecadação cresceram muito, a carga ficou em 35,16% em 2010. Em 2009, havia sido de 34,68% do PIB.
O recorde parece contraditório com o atual momento de esfriamento da economia, quando muitas empresas diminuem a produção, os ganhos e a arrecadação de impostos. E vai na contramão do discurso governamental, de cortar impostos para elevar a competitividade das empresas e reduzir a alta carga de tributos que pesa sobre os consumidores.
A alta da carga tributária pode ser explicada em grande parte por um crescimento excepcional dos ganhos de dez segmentos que respondem, este ano, por 72% do aumento da receita de arrecadação federal de impostos. O grupo inclui comércio atacadista e varejista, fabricação de veículos, construção de edifícios e telecomunicações.
No topo da lista, está o setor financeiro (bancos, seguradoras e entidades de previdência privada), que, sozinho, explicou 27,5% do ganho total de receita. O segundo setor que mais contribuiu, o de extração mineral, chegou a recolher na primeira metade deste ano o dobro do que fez no início do ano passado, mostra o levantamento. Juntos, os dez setores cresceram 26%, contra 8% nos demais segmentos.
"Este desempenho tão díspar da arrecadação federal refletiria uma economia dual: um lado cresce em ritmo chinês, outro cresce em padrão latino tradicional", diz o trabalho. Excetuando-se o grupo dos "dez mais", a grande maioria dos contribuintes teve crescimento de receita em torno de metade da expansão geral.
"O que está puxando a carga tributária em 2011 é a receita federal clássica. Mas não é uma coisa homogênea, igualmente distribuída na economia", diz Afonso, especialista em finanças e economista do BNDES. O "termômetro tributário" foi elaborado com base em estatísticas de arrecadação, até agosto, divulgadas pela Receita, pela Previdência e pelo Confaz, e no acompanhamento do PIB pelo Banco Central.
Dilma quer baixar taxa Selic a 9% no ano que vem
Exame 02.010.2011 - Segundo fontes do governo, a presidente quer evitar que a inflação coloque em risco o consumo da nova classe média.
A estratégia embute o risco de os preços continuarem elevados, com a inflação rodando acima da meta do governo por mais tempo.
A presidente Dilma Rousseff quer aproveitar a crise internacional para reduzir a taxa básica de juros para pelo menos 9% no ano que vem, mas com cautela, segundo fontes do governo, para evitar que a inflação coloque em risco o consumo da nova classe média. A estratégia embute o risco de os preços continuarem elevados, com a inflação rodando acima da meta do governo por mais tempo que o desejado, o que corrói o poder de compra do consumidor.
O plano de voo traçado pelo Planalto e relatado à reportagem por dois ministros e um secretário de governo, prevê uma queda de 3 pontos porcentuais na taxa Selic, hoje em 12%. O corte seria possível, na avaliação do governo, porque a crise internacional provocaria queda de preços. A ordem é cortar juros, mas sempre dizendo que o ritmo vai ser determinado com "prudência".
Para o Planalto, ainda há "margem de manobra" para que a Selic caia, depois que o BC cortou a taxa preventivamente, em agosto, em meio ponto porcentual. "Estamos tomando todo o cuidado para que o excesso de remédio não prejudique o paciente", resumiu o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. "O governo vai zelar para que aqueles que ascenderam a um nível de consumo maior não percam isso de jeito nenhum." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Recrutadores se lançam em voo solo
Valor 03.10.2011 - Joseph Teperman abriu a Flow com quatro ex-colegas da Michael Page, para fazer seleções no mercado financeiro.
Com o aquecimento do mercado de contratação de executivos, especialmente na média gerência, especialistas deixam grandes empresas de recursos humanos para montar suas próprias butiques de recrutamento. As companhias geralmente atendem nichos específicos como a área financeira, indústria, tecnologia e agronegócios.
Para atrair a atenção de grandes clientes, elas desenham novos serviços, fazem coaching e avaliações de funcionários. Também já existem planos de abertura de filiais, contratação de profissionais de RH para novas áreas de negócios e alianças com grupos internacionais de recrutamento. "Depois de trabalhar durante anos no setor de RH, notamos que a maioria das empresas tem uma postura generalista. Por isso, focamos em um atendimento segmentado para vagas estratégicas, de alta especialização", explica Joseph Teperman, que abriu a Flow este ano. "A meta é fechar 2011 com 110 colocações preenchidas."
Depois de ocupar uma das cadeiras da diretoria da Michael Page, Teperman decidiu iniciar o próprio negócio com mais quatro sócios - todos egressos da multinacional de recrutamento. A nova empresa, com 12 funcionários, especializou-se em garimpar talentos para a área de finanças. A experiência anterior da equipe foi decisiva para a escolha. Além de Teperman, que trabalhou no Citibank, todos os diretores da Flow passaram pelo segmento antes de virarem headhunters em instituições como HSBC, Pactual, Morgan Stanley, Banco Fator e Merrill Lynch.
Recentemente, a Flow ajudou a contratar um diretor de fusões e aquisições para uma empresa internacional do segmento de educação. "Foi uma operação importante para o cliente, pois o Brasil é peça estratégica no crescimento da organização". Com foco principal em São Paulo, os sócios pretendem espalhar novos escritórios no país e nos Estados Unidos em 2012. "Vamos fazer a conexão entre o mercado financeiro de lá e o daqui."
A Search Consultoria em Recursos Humanos, fundada por Marcelo Braga em 2007, também tem planos de expansão. Ex-sócio da Fesa Global Recruiters, Braga aposta em operações de RH mais exclusivas. "Eu sabia que, por meio do modelo de butique, poderia conquistar uma fatia de mercado que deseja assertividade e parcerias de longo prazo", explica.
Antes de entrar no universo do recrutamento, Braga trabalhou durante seis anos no setor automotivo em empresas como Plascar e General Motors do Brasil. "Começamos na Search atendendo indústria e mercado financeiro. Hoje atendemos também áreas como automotiva, bens de consumo, tecnologia, telecomunicações, logística, construção civil, mineração e óleo & gás." A empresa tem 38 funcionários e uma cartela de 70 clientes atendidos. No ano passado, concluiu mais de 500 contratações e, em 2011, o crescimento estimado nos negócios é de 30%. Quatro novos sócios já entraram para reforçar a equipe.
Entre os projetos mais importantes da Search, de acordo com Braga, estão a montagem do corpo gerencial de uma fabricante de autopeças, que iniciava atividades no Brasil, e a escolha do presidente para a América Latina de uma companhia de TI. Este ano, ele investe em um novo serviço batizado de recrutamento proativo. O objetivo é desenvolver candidatos para posições que ainda não foram abertas dentro das empresas. "Assim, vamos reduzir o tempo gasto nos processos de seleção."
Nem o fantasma da recessão mundial parece assustar as butiques de recrutamento. Na veterana A2Z Consultores, empresa de 12 funcionários criada em 2004, a expectativa é de aumento de contratos. "Os negócios vão continuar em alta este ano", assegura o sócio Felipe Assumpção. "Passamos pela crise de 2009 com a ampliação do nosso quadro de profissionais, entrada de consultores associados e de novos sócios como o Philippe Bouteaud (ex-presidente da Johnson& Johnson)", lembra o executivo, que foi 'country manager' da empresa de recrutamento Spencer Stuart antes de criar a própria companhia com as sócias Gladys Zrncevich e Giselle Zaha - ambas ex- Korn/Ferry International.
Hoje, 80% do faturamento da A2Z vêm da busca de executivos e o restante é captado em ações de assessment (avaliação das competências do quadro). Na área de recrutamento, 50% da demanda é para cargos de diretoria, 40% envolvem a gerência e 10% do volume recaem em presidências.
Os segmentos que mais alimentaram contratos foram agronegócios e energia. Finanças, indústria, varejo, construção civil e infraestrutura completam a lista. "Desde a abertura, 85% dos clientes atendidos foram multinacionais", diz Assumpção. "Isso mostra que as empresas que vêm para o Brasil reconhecem as vantagens de contratar uma consultoria local". Desde 2006, a A2Z tem parceria com a Alto Partners, rede internacional de empresas independentes de seleção.
Companhias estrangeiras que desembarcam no país também recheiam os contratos da DNA Hunter, aberta em 2008 por Celso Malachias, que desenvolveu carreira em RH em empresas como Goodyear do Brasil e grupo Pão de Açúcar. "Saí por duas vezes do mercado corporativo para ser headhunter", lembra ele, que hoje comanda dez funcionários. Além de multinacionais, ele trabalha para pequenas, médias empresas e fundos de investimento. No ano passado, ajudou a preencher mais de 100 vagas e a expectativa este ano é ultrapassar 150 posições. "Em 2012, vamos contratar novos profissionais para a DNA Hunter."
Na Ascend, de Andréa de Paula Santos, o projeto para o próximo ano é aumentar o número de parceiros de executive search na América Latina. A empresa de sete funcionários, fundada em 2007, é especializada em recrutamento para média e alta gerências e já tem alianças com escritórios de RH na Argentina, Colômbia e América do Norte. "Somos fortes nas áreas automotiva, de biotecnologia, saúde e tecnologia", explica Andréa, que era gerente de recursos humanos da Promon Telecom antes de se tornar empresária.
No ano passado, a Ascend iniciou atividades de coaching e, recentemente, fechou uma parceria com a Synthese-Reciprhocal, para projetos de mudança organizacional e planejamento estratégico de RH. "Vivemos uma escassez da oferta de talentos, aliada a uma inflação de salários para atrair e reter profissionais. Isso tornou o nosso trabalho mais difícil e mais apreciado pelos clientes."
Para Rodrigo Foz Forte e Carlos Eduardo Altona, diretores da Exec, desenvolver pessoas leva tempo e custa caro. "Nossa meta não é somente recrutar, mas ajudar a reter executivos", dizem os sócios, que se desligaram da Michael Page para fundar a empresa, há dois anos. Com 15 funcionários, a Exec atende organizações como o Grupo Votorantim, British Petroleum (BP) e Walmart. No primeiro ano de atuação, contratou cerca de 60 executivos, de gerentes juniores a presidentes. "Em 2011, devemos preencher cerca de 120 postos", diz Altona. Um dos projetos mais importantes foi a contratação de membros da diretoria da Univen Petróleo, do setor petroquímico.
Até 2012, será realizada a implementação de sistemas de avaliação, pautados em competências, metas e remuneração variável. "Reforçaremos a equipe com especialistas da área" afirma Forte. A Exec também ganhará uma nova sede em São Paulo até o fim do ano e estuda instalar filiais em Campinas (SP) e no Rio de Janeiro.
Investidor foge de renda fixa e limita emissões externas
Valor 03.10.2011 - Alexei Remizov, diretor do HSBC: investidores ainda estão pedindo um prêmio alto para as novas operações.
Se já estava difícil captar no exterior, a forte fuga de investidores de títulos de renda fixa de países emergentes, algo que não vinha ocorrendo com tanta intensidade, derrubou o preço dos papéis corporativos e soberanos desses países nos mercados internacionais, tornando o investidor ainda mais avesso à novas emissões de empresas brasileiras neste momento.
No dia 23 de setembro, o preço dos papéis da República denominados em reais com vencimento em 2022 recuou 10,6%. O rendimento subiu mais de 100 pontos básicos, para 9,8%, o maior desde o início do ano. O título do Tesouro em dólares com prazo semelhante sofreu menos, mas o rendimento subiu 60 pontos básicos desde o início de setembro.
O movimento coincidiu com a reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, em Washington, de onde muitos executivos de mercado voltaram com a certeza de que o calote grego é inevitável.
Segundo Pedro Bianchi, diretor de Debt Capital Markets do Bank of America Merrill Lynch, a saída dos fundos de renda fixa para mercados emergentes foi expressivo. "Nada que não dê para se reverter", pondera. "Mas a volta para as condições anteriores deve demorar." Alguns setores, como o de carne, sofreram mais, com os rendimento dos papéis subindo mais de 10%. Outros sofreram apenas correções momentâneas, como as empresas com grau de investimento.
No Brasil, entre os dias 21 e 23 de setembro, último dado disponível, o Banco Central registrou uma saída líquida de recursos do país de pouco mais de US$ 2 bilhões, com o maior volume de vendas de dólares do mês no dia 22. "Os investidores estrangeiros preferem manter o dinheiro no Brasil, nos bancos locais, para evitar o pagamento do IOF caso voltem no curto prazo", diz um especialista.
Eduardo Freitas, co-head de Debt Capital Market para o Brasil do Citi, avalia que a queda dos preços reflete o cenário de maior cautela dos investidores, mas a volta para os patamares anteriores está condicionada a uma melhora das condições internacionais.
Com o aumento da aversão ao risco, as companhias brasileiras que estavam preparadas para captar recursos estão em compasso de espera, aguardando o melhor momento para voltar ao mercado.
Como explica Alexei Remizov, diretor-gerente de Mercado de Capitais do HSBC, os investidores estão pedindo um prêmio maior para as novas operações, como mostram as captações de empresas com boa avaliação de risco que têm saído nos Estados Unidos. Em compensação, como o rendimento dos títulos do governo americano está historicamente baixo, o juro nominal pode se manter atrativo para as companhias.
Michael Schoen, chefe da área de dívida na América Latina do Credit Suisse, acredita que os problemas não são relacionados ao Brasil, mas sim ao cenário internacional. Os chamados "new issue premium" - prêmio cobrado para novas emissões acima do preço negociado no secundário - subiram para todas as companhias. "Tenho certeza de que empresas brasileiras com elevadas notas de risco poderiam emitir, mas o prêmio para uma nova emissão provavelmente está acima do que elas querem pagar", diz.
Dada a volatilidade, a expectativa é por janelas de oportunidade mais curtas. Por conta disso, os bancos fazem um acompanhamento diário e esperam por uma sequência de pelo menos três a cinco dias sem grandes oscilações para dar início ao processo de visita aos investidores, diz Leandro Miranda, diretor de renda fixa do BBI, banco de investimento do Bradesco.
"Estamos monitorando o mercado diariamente. Muitas emissões estão prontas e as empresas estão com a documentação preparada. Tudo depende de um período de calmaria. Se for continuo, poderá emitir", diz Miranda. "Não há problema de demanda. O Brasil continua atrativo. O que não há é clareza de preço", completa.
Nadine Cavusoglu, diretora de Internacional Debt Capital Markets do Itaú BBA, acredita que algumas empresas com grau de investimento poderão acessar o mercado em outubro, mas não imediatamente. Será preciso que algumas operações bem sucedidas venham à mercado para que se conheça de fato o apetite dos investidores.
Há também uma certa ordem à seguir, diz Gisele Luna de Mello, diretora de Debt Capital Markets do Standard Bank. "Provavelmente vai haver uma janela, mas num primeiro momento veremos empresas e bancos com grau de investimento e muito atentos ao preço."
Via de regra, quem abre o caminho é uma emissão da República. Na sexta-feira, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, reafirmou que planeja uma operação ainda este ano, mesmo que tenha que pagar um preço mais alto. A moeda ainda não está definida.
Novas emissões em reais devem demorar um pouco mais, diz Eduardo Nascimento, diretor do BB Securities, braço do Banco do Brasil em Londres. "Não esperamos ver novas emissões em reais até que a taxa de câmbio encontre um patamar mais estável", diz.
Custos de projetos
Folha 02.10.2011 - A implementação de projetos costuma estourar em 66% o valor previsto no orçamento, na média mundial, segundo estudo da consultoria americana A.T. Kearney.
Entre as empresas de telecomunicação, os gastos chegam a ser o dobro do estimado inicialmente. "É um setor que utiliza muito os novos recursos tecnológicos", afirma Dario Gaspar, sócio da consultoria que atua em mais de 30 países.
O valor dos orçamentos de obras de infraestrutura, por sua vez, é superado em 67%.
Na América do Sul, o montante desembolsado para viabilização de projetos é 67% superior ao orçado. Nos países da América do Norte, esse número é de 33%.
Sem opção, o mundo se volta para o dólar
Valor 03.10.2011 - Al Saad, do Kuwait: frustração com a responsabilidade dos EUA de preservar única moeda de reserva do mundo.
Reunidos na conferência de investimento alternativo da gestora de grandes fortunas Pictet em Zurique recentemente, alguns dos mais inteligentes administradores de fundos de hedge do mundo concordaram que, em breve, o euro deverá cair para o mesmo valor do dólar americano.
Se o euro despencar como o previsto, isso se deverá, em grande medida, a um destes dois motivos: ou os investidores preveem que o Banco Central Europeu (BCE) começará a imprimir dinheiro de forma muito mais agressiva ou que ele adotará uma política indireta de afrouxamento ao fazer empréstimos ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira (EFSF, em inglês) de forma que essa linha de crédito de socorro financeiro possa, por sua vez, comprar os bônus dos governos dos membros mais frágeis da zona do euro.
Embora as autoridades americanas devam deplorar valorização ainda maior do dólar, esse desdobramento será tomado como prova de que a moeda americana e os próprios Estados Unidos são refúgios seguros e de que, em tempos de tensão, o mundo ganha um apetite voraz pela divisa americana.
Na semana anterior, autoridades do governo dos EUA criticaram abertamente seus colegas europeus por seu fracasso em prover uma solução para as dificuldades dos países da União Europeia em apuros. Embora o contágio gerado por esse problema em processo de agravamento deva atingir os próprios EUA sob todas as formas imprevisíveis, a incapacidade dos europeus de formular uma solução permitiu com que os americanos voltassem a se sentir excessivamente autoconfiantes quanto às suas próprias condições.
Há poucos motivos, no entanto, que justifiquem esse sentimento. A força do dólar americano não se deve ao fato de os próprios EUA estarem fortes, e sim ao fato de que os outros tradicionais refúgios seguros, notadamente o iene japonês e o franco suíço, terem sido tirados do páreo pelas autoridades japonesas e suíças, como observa o estrategista David Bloom, do HSBC de Londres, em seus comentários.
O mundo se voltou para os EUA mais por falta de opção do que por qualquer motivo positivo. Além disso, a maioria dos dados econômicos continua a se mostrar sombria. Por exemplo, o índice de novos pedidos do Goldman Sachs registrou sua maior queda de todos os tempos, enquanto a demanda tende a permanecer fraca diante da queda da renda dos trabalhadores.
Mas, por mais inquietante que seja o acúmulo de nuvens negras nas áreas econômica e financeira, são a política e a política do Banco Central que representam, atualmente, os piores prenúncios.
Um indicador de como o resto do mundo encara os Estados Unidos veio de Bader Al Saad, diretor da Kuwait Investment Authority, o fundo soberano do país. Em discurso pronunciado em Nova York na segunda-feira passada, Al Saad expressou uma frustração compartilhada em amplos círculos, mas pouco manifestada tanto na Ásia quanto no Golfo Pérsico.
"No passado, tomávamos decisões com base nos fundamentos econômicos", disse ele. "Agora temos de tomar decisões de investimento com base nas reações dos políticos. Ficamos reféns do comportamento irresponsável dos políticos. Pensávamos que os Estados Unidos cumpririam sua responsabilidade com a única moeda de reserva do mundo. Em vez disso, descobrimos que o objetivo era a reeleição."
Al Saad, que iniciou sua vida profissional como operador de câmbio, observou que lhe ensinaram a encarar os títulos dos EUA como os únicos ativos verdadeiramente isentos de risco do mundo, o referencial em relação ao qual todo e qualquer outro ativo era mensurado. Atualmente, concluiu ele, os bônus do Tesouro dos EUA não são mais isentos de risco, em grande medida devido ao comportamento dos políticos. Muitos dirigentes dos BCs da Ásia compartilham as ressalvas de Al Saad, que foram moldadas por suas reações às disputas no Congresso dos EUA em torno da elevação do teto de endividamento.
Com a intensificação das preocupações com a situação do mundo e a capacidade dos governos de tomar medidas construtivas, a aversão ao risco tende a crescer proporcionalmente. Hoje em dia, muitos administradores de fundos de hedge estão pessimistas quanto às perspectivas do crescimento mundial e estão fazendo apostas contra tudo, desde o dólar australiano até o cobre, passando por outros metais industriais. Muitos apostam contra a Bolsa Nasdaq (e alguns deles, especialmente corajosos, têm transações sobre o valor relativo, pelas quais apostam ao mesmo tempo favoravelmente ao índice de ações alemão).
Por outro lado, uma das lições da crise da zona do euro é a de que nem todos os bônus soberanos em euros são iguais - a de que um bônus soberano alemão é muito diferente de um grego. Mas os investidores estão só começando a enfrentar um mundo em que não há verdadeiros refúgios seguros ou ativos isentos de risco, principalmente para aqueles cuja moeda nacional não é o dólar americano.

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