Daily News
Kirin indica executivo da Tozan para Schincariol
Valor 21.10.2011 - A multinacional japonesa Kirin, que assumiu na semana passada o controle da cervejaria Schincariol, indicou Ryosuke Okahashi como diretor da Aleadri, empresa que detém 50,45% da fabricante de bebidas. Okahashi é vice-presidente da Tozan, fabricante de saquê fundada em 1927 por imigrantes japoneses e comprada pela Kirin em 1972.
Além de Okahashi, a Kirin indicou para a diretoria da Aleadri o advogado Pedro Seraphim, sócio de TozziniFreire na área de fusões e aquisições, que assessorou a Kirin na compra da Aleadri. A controladora da Schincariol tinha como sócios os irmãos Alexandre e Adriano Schincariol. O grupo Schincariol é comandando pelas empresas Aleadri e Jadangil (dona de 49,55% das ações). Depois de comprar a Aleadri, no início de agosto, a Kirin foi impedida de assumir o controle por causa de uma liminar obtida pela Jadangil na Justiça. Agora, a Kirin tenta convencer os minoritários José Augusto, Daniela e Gilberto Schincariol Júnior a vender suas ações na companhia.
Bradespar
Folha 21.10.2011 - A Bradespar (Bradesco) contratou o advogado Saulo Ramos e pedirá nos próximos dias à Justiça a anulação da arbitragem que permite a Daniel Dantas, do Opportunity, aumentar sua participação na Valepar, que controla a Vale. Alega que o árbitro francês Yves Derains não fala português direito e não conhece o sistema jurídico brasileiro para tomar decisão tão importante.
Justiça nega proposta da Caio/Induscar para compra da Busscar
Valor 21.10.2011 - A Justiça indeferiu a proposta da Caio/Induscar para a compra da sede e equipamentos da fabricante de ônibus Busscar em Joinville. A decisão foi comunicada pela 4ª Vara do Trabalho de Joinville na terça-feira. A proposta foi apresentada à Justiça no fim de setembro e previa o pagamento de R$ 40 milhões em dez parcelas de R$ 4 milhões pelo terreno com área total de 331,7 mil metros quadrados e todo o complexo fabril existente com as respectivas máquinas e equipamentos. Segundo o presidente do Sindicato dos Mecânicos de Joinville, João Bruggmann, o valor estimado dos bens é de aproximadamente R$ 98 milhões, conforme balanço apresentado pela Busscar. O juiz determinou a reavaliação patrimonial dos bens da Busscar e deve promover um leilão até o fim do ano. Apesar de ter indeferida a proposta de compra direta, a Caio/Induscar poderá participar do leilão. A Busscar está com a produção paralisada há mais de um ano e deve 18 salários atrasados, além de dois 13º salários. De acordo com Bruggmann, cerca de 900 trabalhadores ainda estão ligados oficialmente à Busscar.
Avianca e Azul planejam expansão para 2012
Valor 21.10.2011 - Enquanto a TAM e a Gol, empresas maduras, refazem para baixo suas contas de crescimento do tráfego de passageiros para o ano que vem, a Avianca e a Azul, companhias em fase de expansão, planejam acelerar sem preocupação com a crise. Na Avianca (antiga Ocean Air), empresa do grupo Sinergy, controlado pelo empresário German Efromovich, a estimativa para este ano é de aumentar o transporte de passageiros em 41%, para 3,4 milhões. Já o faturamento deve chegar a R$ 840 milhões, um aumento de 51% sobre o ano passado.
Segundo o presidente da Avianca, José Efromovich, a diferença entre a variação percentual do transporte de pessoas e o do faturamento deve-se à maior distância voada este ano do que no ano passado, por conta da entrada de rotas mais longas. Para 2012 a empresa só afirma que em janeiro aumentará em 70% o número de passageiros transportados na comparação com janeiro deste ano.
Para o ano de 2012, Efromovich acha cedo para fazer prognósticos, embora o diretor comercial e de marketing da Avianca, Tarcísio Gargioni, concorde que a tendência do mercado como um todo é de crescer duas vezes e meia a três vezes o Produto Interno Bruto (PIB), o que daria algo em torno de 10% - mesma estimativa das líderes do setor.
Com a chegada de quatro aeronaves A-320 este ano, Efromovich avalia que a Avianca poderá entrar efetivamente no transporte de cargas (os porões comportam). Com isso, a carga passaria de uma fatia residual na receita para cerca de 5% no fim de 2012, o que justificará, segundo ele, a criação de uma unidade de negócio específica.
Na Azul, o presidente, Pedro Janot, também afirma que observa "um certo esfriamento" do mercado, mas que a empresa, em fase de "desbravamento de fronteiras", não enfrenta suas consequências. Tanto que de agora até janeiro de 2012 inaugura novas linhas entre Rio de Janeiro e Vitória, Rio e Porto Alegre, Campinas-Sinop (Mato Grosso) e Campinas-Salvador-Paulo Afonso (BA). "Vamos entrar 2012 com o pé no acelerador", diz.
A portuguesa TAP anunciou ontem que a crise europeia fará do Brasil, já em 2012, a sua principal fonte de faturamento, superando o país de origem, um dos focos dos problemas econômicos da Europa. Com um aumento de 221% das frequências entre Lisboa e cidades brasileiras de 2001 a 2011, a TAP obteve do tráfego brasileiro 21% do seu faturamento em 2010 e no primeiro semestre deste ano, contra 29% de Portugal.
Mas o vice-presidente Executivo da empresa, Luiz Gama Mór, avalia que já em 2012 o Brasil assumirá a liderança na estatística da receita. Hoje a TAP realiza 74 voos semanais entre Lisboa e 10 cidades brasileiras, fazendo da capital portuguesa um verdadeiro "hub" (aeroporto concentrador) para conectar o Brasil com mais de 50 destinos na Europa.
Segundo Mór, a empresa deverá aumentar em aproximadamente 6% o total de passageiros transportados em 2012, ante um crescimento de 9% estimado para este ano. Ele disse que a redução no ritmo está relacionada com a conjuntura econômica, mas também com a limitação de frota da empresa.
Panalpina aumenta aposta no país no embalo da Petrobras
Brasil Economico 21.10.2011 - Monika Ribar: possibilidade de aquisições no Brasil. Aquecimento do setor de óleo e gás faz a gigante de logística reforçar sua presença e buscar novos mercados no Brasil.
O aumento da demanda da Petrobras por serviços de transporte de carga e logística, acompanhado da vinda de grandes companhias britânicas para atuar na área de óleo e gás no Brasil, tem incentivado a Panalpina a ampliar a quantidade de fichas apostadas no país.
Esse cenário elevou o Brasil à condição de um dos quatro mercados mais importantes do mundo para a companhia, ao lado de China, Alemanha e Estados Unidos.
"O Brasil passou por muitas mudanças, é sem dúvida o líder na América Latina e tem ganhado cada vez mais importância tanto regional quanto global para a Panalpina", afirma a presidente mundial Monika Ribar. Para responder a esse ganho de visibilidade, o foco principal das novas estratégias a serem adotadas pela subsidiária brasileira está no aumento do trânsito entre a Ásia e América Latina. A rota deverá receber mais voos e ver crescer o movimento de navios a serviço da Panalpina no curto prazo.
No trajeto da China para o Brasil, a Panalpina atende principalmente ao mercado automobilístico e às grandes indústrias voltadas para o consumo varejista. No sentido oposto, o destaque fica para a exportação de grãos.
Em 2010, a companhia assumiu o compromisso de reduzir a dependência do faturamento do mercado europeu. "O crescimento orgânico dos lucros brutos em nossas regiões da América do Norte e da América Latina, além do Pacífico Asiático mostram que estamos no caminho certo", disse Monika sobre o resultado global da companhia no primeiro semestre.
Com a União Europeia em lentidão econômica, uma das metas da companhia baseia-se no crescimento de atuação nos países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), com destaque para os mercados brasileiro e chinês. Não estão descartados investimentos ou, tampouco, a possibilidade de aquisições no Brasil.
Se o interesse nas atividades relacionadas ao petróleo é grande, ele não é o único no qual a companhia quer se desenvolver no mercado brasileiro. "Há muito a fazer no Brasil. Temos boas perspectivas para as áreas de telecomunicações, farmacêutica, de transporte de perecíveis, entre outras", diz Monika.
Em telecom, o objetivo está em ampliar a oferta para serviços de distribuição de torres e antenas para todo o país. "Temos condições de transportar absolutamente tudo e o mercado brasileiro oferece demanda para isso", afirma Monika.
Incorporadora construirá 12 hotéis no interior do RJ
Folha 21.10.2011 - A NEP Incorporadora investirá R$ 400 milhões na construção de 12 hotéis em nove cidades do interior do Rio de Janeiro. Todas as obras serão lançadas nos próximos dois anos. Depois de anunciado, cada hotel deverá ser concluído em três anos.
Em janeiro de 2011, a empresa já havia divulgado a construção de outros 11 hotéis -um ainda não foi lançado. Todos esses empreendimentos da incorporadora no segmento hoteleiro devem somar um aporte entre R$ 650 milhões e R$ 700 milhões. Os hotéis serão voltados para o turismo de negócios e devem atender à crescente demanda da região originada pelas atividades do petróleo e da mineração, diz o o sócio da empresa Cyro Fidalgo. Duque de Caxias, Itaguaí, Itaboraí, Campos dos Goytacazes e Nova Iguaçu são algumas das cidades que receberão os empreendimentos. "O mercado percebeu que o interior do Estado nunca recebeu a devida atenção das incorporadoras, diferentemente do que ocorreu em São Paulo", afirma Fidalgo.
Segundo ele, cidades como Itaguaí e Duque de Caxias não tinham hotéis de luxo até o ano passado. O primeiro dessa série de empreendimentos será inaugurado no final do ano que vem. Terá dois hotéis e uma torre comercial. Outras duas obras serão concluídas em 2013 e mais duas em 2014. Números: R$ 150 mi é o faturamento estimado da empresa para este ano 1.300 funcionários diretos; R$ 400 mi será o investimento em 12 novos hotéis; 5 obras em andamento.
Telefônica anuncia interesse na compra de ações da Lemotree e GTR-T
Valor 21.10.2011 - A Telefônica emitiu fato relevante hoje para comunicar que notificou à GTR Participações a intenção de adquirir as ações ordinárias da Lemontree Participações e da GTR-T Participações e Empreendimentos, companhias que controlam a TVA. Com a aquisição da totalidade das ações dessas companhias, o negócio dará à Telefônica o controle das operações da operadora de TV a cabo TVA em São Paulo e no Paraná, de acordo com o comunicado. A companhia não informou valores envolvidos. Em 30 de setembro, a operadora havia anunciado a compra de fatia de 49% na Lemontree.
Esse movimento será possível por causa da aprovação, em agosto, da nova legislação de TV por assinatura – que permite o controle de operadoras de cabo por grupos estrangeiros.
A conclusão do negócio depende de autorização da Anatel. O pedido de anuência já foi enviado à Agência.
Cemig e Eletrobras vão disputar a portuguesa EDP
Valor 21.10.2011 - Os brasileiros e os chineses devem ser os protagonistas da disputa em torno da privatização da EDP, companhia elétrica de Portugal que vale cerca de € 10 bilhões no mercado acionário. Além da Eletrobras, que já anunciou oficialmente seu interesse, o Valor apurou que também a Cemig vai apresentar proposta para a compra de 21,35% do capital da companhia portuguesa. A expectativa é de que a State Grid, elétrica chinesa que recentemente entrou no negócio de transmissão no Brasil, e ainda a Three Gorges Corporation também participem da negociação. O prazo para entrega das propostas termina hoje.
As elétricas europeias não estão com muito apetite pelo negócio em função da falta de liquidez do mercado financeiro da região em função da crise que assola o continente. Ontem, por exemplo, um porta voz da EDF disse à agência de notícias Bloomberg que a companhia francesa não fará propostas. Segundo fontes do mercado financeiro que estão assessorando o processo, entretanto, há expectativa de que a alemã EoN participe mesmo assim.
A franco belga GDF Suez, a espanhola Iberdrola e a brasileira CPFL Energia também foram convidadas para analisar o negócio. Os sócios da CPFL decidiram, na quarta-feira à noite, que não vão entregar propostas, pois o interesse estaria muito focado na distribuidora Bandeirante, que tem sua área de concessão próximo à CPFL e não nos negócios internacionais da empresa. Já o grupo Iberdrola estaria mais motivado nos negócios da Neoenergia e não na EDP, onde já tem uma participação acionária de cerca de 6%. A Cemig não quis se manifestar.
O governo português está vendendo também sua participação na REN, empresa de transmissão do país, mas as companhias brasileiras só estão interessadas na EDP em função da grande posição que a empresa tem no Brasil, sendo dona de mais de 1.400 MW em capacidade de geração de energia instalada e das distribuidoras do Estado do Espírito Santo e da Bandeirante Energia.
As empresas que tiverem interesse na aquisição devem entregar três propostas hoje ao governo português. Uma parte financeira, outra com um projeto de operação do setor e a terceira com um modelo de governança para a companhia. O capital da empresa é pulverizado e, portanto, o comprador passará a ser o maior acionista, mas terá de firmar acordos se quiser ser majoritário. Depois de entregue as propostas, poderá ser feita uma segunda rodada de negociação. A EDP é hoje a maior empresa portuguesa não-financeira, uma espécie de Petrobras do país. Por isso mesmo, segundo conta um dos assessores financeiros do governo português que não quis se identificar, a proposta de governança e de compromisso com o país terá forte peso.
No mundo, a estatal elétrica portuguesa tem uma capacidade instalada de quase 22 mil MW. O faturamento da companhia chegou a € 14,2 bilhões em 2010 e o lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês) foi de € 3,6 bilhões. Cerca de 20% da capacidade de geração de caixa da empresa é gerada pelo negócio brasileiro. A Eletrobras é tida como uma das mais fortes concorrentes já que o ativo lhe dará estatura para se internacionalizar.
BTG Pactual diminui ritmo no varejo
Valor 21.10.2011 - Os negócios do BTG Pactual na área de varejo perderam força nos últimos tempos, numa visível mudança de rumo. O banco não fechou a compra da rede Casa & Vídeo e com a BR Pharma, a holding de farmácias do grupo e principal negócio no setor, o banco fez tímidas movimentações de fusões e aquisições no último ano. Desde a oferta inicial de ações (IPO), há quatro meses, a BR Pharma não fechou novas associações com redes varejistas na área de farmácias. A palavra de ordem agora é integrar o que já foi comprado.
Com a Casa & Video, as partes não se entenderam em relação às pendências financeiras da cadeia. E em relação às farmácias, só têm avançado conversas em que a parte vendedora aceita o formato de gestão proposto pelo BTG: o dono fica por tempo, mas depois a BR Pharma assume. Apesar do momento de consolidação do varejo, o BTG adotou postura comedida pois não quer tomar risco desnecessário, segundo fontes próximas ao banco. "Eles não vão fazer qualquer negócio a qualquer preço porque têm caixa ou porque está todo mundo se unindo", diz uma fonte ligada ao banco. Além disso, segundo a fonte, "nem sempre o que é bom para eles, pode ser negociado e, muitas vezes, o que está longe de ser bom, é oferecido dia e noite", conta. Um bom exemplo é a rede Panvel, da família Mottin, que tem como acionista minoritário um gestor de fundos, a Investidor Profissional. O negócio é bem avaliado pelo setor, mas as partes não aceitam novos parceiros.
A BR Pharma chegou a analisar alguns negócios na área de farmácias neste ano, mas até o momento nada foi adiante. Ainda há possibilidade de uma associação com uma rede de drogarias, a ser anunciada até dezembro, apurou o Valor.
O banco tem consciência de que, com a união de Drogasil e DrogaRaia e da Drogarias Pacheco com a Drogaria São Paulo, o jogo mudou. No ranking geral de número de lojas, a BR Pharma passou da primeira posição para a terceira em apenas dois meses. "Ficamos menores e com as últimas fusões, passamos a ter mais dificuldade de tentar qualquer coisa no Sudeste. Mas isso abriu espaço para focarmos parte do nosso tempo em integrar nossas operações adquiridas", conta um executivo ligado à BR Pharma.
A rede contratou o executivo Flavio Sanchez, que coordenou, a integração entre a Brahma e a Antarctica, para liderar esse projeto na empresa.
Um dos pontos mais delicados nesse processo é a padronização dos sistemas de informática das lojas e a união de estruturas com formatos de operação diferentes: há franquias e lojas próprias no portfólio da BR Phamra. São mais de 660 pontos em operação.
Um cartão de fidelidade já foi lançado para todas as lojas e a empresa estuda a hipótese de lançar, até o Natal, uma marca própria para ser vendida nas farmácias. Desde 2009, a BR Pharma se uniu ou comprou quatro redes: Farmais, Guararapes, Rosário Distrital e Mais Econômica. Essa última foi a única negociação da empresa neste ano.
"Eles [o BTG] sempre quiserem estar entre os principais consolidadores. Mas com as últimas associações no varejo de drogarias, ficaram pequenos. A dúvida é se não podem acabar se tornando vendedores a curto prazo", diz um analista. Não é algo que esteja na mesa de discussão do banco. A BR Pharma descarta a ideia de se desfazer de suas operações no curto e médio prazos. "Esse não é o plano, mas se eles não ganharam musculatura, não sei até que ponto, sendo um 'private equity', [o BTG] não pode mudar de lado", pondera esse analista.
Britânico RBS desiste de subsidiária no Brasil
Brasil Economico 21.10.2011 - RBS planejava banco no país com capital inicial de R$ 140 milhões. Instituição aportaria R$ 140 milhões como capital inicial, mas passa por reestruturação na matriz. Ainda longe de finalizar sua reestruturação financeira no Reino Unido, o Royal Bank of Scotland (RBS) desistiu do plano de abrir um banco de investimento no Brasil.
Em comunicado, a instituição financeira informou que não seria "prudente" se comprometer com o investimento necessário para a operação. Só o capital inicial para a abertura do banco no país seria de R$ 140 milhões. A desistência ocorre menos de um mês após o RBS receber a última autorização do governo brasileiro para iniciar as atividades no Brasil.
Em 26 de setembro, foi publicado um decreto da presidente Dilma Rousseff no Diário Oficial, permitindo a instalação da subsidiária. Há mais de um ano o banco buscava essa permissão.
Com a autorização, a expectativa é que fossem feitos testes operacionais até o final do ano e que no início de 2012 o RBS Brasil entrasse formalmente em atividade, segundo informou o responsável pela operação brasileira, Carlos Braga, ao Brasil Econômico no início de outubro.
No entanto, o plano não foi adiante. Na quinta-feira (20/10), o RBS informou que a desistência era a melhor opção no momento.
"Após cuidadosa análise, concluímos que não é prudente nos comprometermos com o investimento que seria necessário para estabelecermos uma presença bem sucedida no Brasil. Essa é a decisão certa para a região nesse momento", disse em comunicado.
Além de desistir de investimentos, o RBS também já se desfez de alguns negócios. Só neste ano, vendeu a plataforma de operações de commodities na Europa e Ásia, a empresa de pagamentos de cartões World Pay e cerca de 300 agências para o Santander. Além disso, estão previstas outras vendas de ativos que podem chegar a 113 bilhões de libras. Os problemas tiveram início em 2008, quando o RBS se viu em dificuldades após a quebra do Lehman Brothers e recebeu ajuda de 45,5 bilhões de libras do governo britânico. Atualmente, a instituição tem 1,4 trilhão de libras em ativos.
Brasil: O RBS já mantinha um escritório no país e não informou quantos funcionários serão demitidos ou se irá transferir para outras unidades os principais executivos - como o próprio Braga e a economista-chefe Zeina Latif. Segundo informação da agência Bloomberg, os dois não fazem mais parte do quadro de funcionários do banco. O RBS informou ainda que continuará a atender clientes que tenham como objetivo realizar operações financeiras com o Brasil, com a oferta de financiamento ao comércio exterior e soluções de gerenciamento de risco, entre outros produtos.
RBS comprou parte do ABN em 2007 O RBS liderou, junto com Santander e Fortis, a compra do holandês ABN Amro, em 2007. Na divisão do negócio, a operação brasileira e italiana ficou com o banco espanhol. O Fortis ficou com os negócios na Holanda e Bélgica, e o RBS com a divisão de atacado e demais operações do ABN no mundo. No entanto, decidiu ter uma subsidiária também no Brasil. A princípio, solicitou a licença para ser banco múltiplo, mas repensou o projeto e solicitou a autorização para uma unidade de investimento.
Produto popular deve responder por 20% da receita global da Nestlé
Valor 21.10.2011 - Bulcke, da Nestlé: após forte crescimento, vendas no Brasil estão "dando uma respirada, em parte por causa da inflação".
Para driblar o cenário de desaceleração da economia mundial, a gigante suíça Nestlé, líder mundial do setor de alimentos, vai ampliar uma estratégia iniciada no Brasil e que vem ganhando espaço nos países ricos desde a crise financeira de 2008: a linha de produtos populares, com preços mais baixos, que a empresa batizou de "PPP".
Afinal, como disse ao Valor o presidente da Nestlé, o belga Paul Bulcke, em países desenvolvidos como os Estados Unidos e a França, os maiores mercados do grupo, "também há consumidores emergentes". E nesses tempos de crise e desemprego alto na Europa, eles estão cada vez mais numerosos.
A gama desses produtos destinados a pessoas de baixa renda, com embalagens menores e mais simples, já representa entre 12% e 13% do faturamento global do grupo suíço. "Nosso objetivo é que os PPPs representem 20% das vendas no médio prazo", diz Bulcke, que fala português fluentemente.
Segundo ele, 15% da população francesa pode ser considerada "emergente". O mesmo ocorre com os milhões de hispânicos que residem nos Estados Unidos, afirma. A experiência brasileira, realizada no Nordeste, de criar produtos a preços populares e com um marketing específico para esse consumidor "serviu como exemplo para o resto do mundo", diz Bulcke.
A recessão mundial em 2009 levou a Nestlé a acelerar a ampliação da linha desses produtos, sobretudo nos países ricos. Neste ano, as vendas dos chamados PPPs já cresceram 12,7% e a Europa contribuiu para o desempenho. A Nestlé apresentou ontem em Paris, no luxuosíssimo hotel Shangri-La, de uma rede de Hong-Kong, seus resultados financeiros nos primeiros nove meses do ano. Os países emergentes, que já representam quase 40% do faturamento global (em 2009 essa participação era de 35%), continuam representando o motor de crescimento do grupo suíço.
O faturamento nos mercados emergentes aumentou 13,1% no acumulado até setembro. Na Europa, o crescimento orgânico foi de 3,8%. Na região "Américas", que inclui a América Latina, a ampliação das vendas foi de 5,6%. Bulcke preferiu não comentar se o desempenho do Brasil, que continua registrando crescimento, teria ficado acima ou abaixo da performance dos emergentes. No primeiro semestre do ano, o aumento das vendas no Brasil havia ficado na faixa de um dígito.
"O Brasil teve um crescimento muito acelerado nos últimos anos. Neste ano, o país está dando uma respirada, em parte por causa da inflação, que teve efeitos sobre nossas vendas. Mas também faz bem para a companhia tomar um pouco de ar", afirma Bulcke. Ele afirma que um "crescimento exponencial" longo exige adaptações da empresa em termos de estrutura das operações.
O Brasil estava entre os dez primeiros mercados do grupo há cerca de dez anos e agora está entre os cinco maiores, também em parte pela valorização do real, diz Bulcke. "Mas talvez possa perder um pouco a posição devido à recente desvalorização. Mas o mais importante é que é um país onde temos uma forte posição", afirma.
As vendas globais da Nestlé atingiram 60,9 bilhões de francos suíços (US$ 68,1 bilhões) até o terceiro trimestre, com crescimento orgânico de 7,3%. Os efeitos do câmbio diminuíram as vendas em 15,1%, como também as cessões de ativos, sobretudo a Alcon, que contribuía com cerca de 5 bilhões de francos suíços para o faturamento do grupo. Apesar do "contexto econômico difícil e da pressão nos custos das matérias-primas", a multinacional elevou a previsão de crescimento neste ano, que deverá ser "levemente superior à faixa de crescimento orgânico a longo prazo de 5% a 6%". "Temos senso de realidade. Mas nos comprometemos a aumentar a rentabilidade e ir além de 5% a 6%. Vamos ver o que vai acontecer [na economia mundial], mas temos confiança", afirmou o presidente.
GSK firma parceria no Brasil para investir em pesquisas
Valor 21.10.2011 - Conforme Isro Gloger, diretor de mercados emergentes da GSK, o Brasil é um mercado importante para pesquisa. A farmacêutica britânica GlaxoSmithKline (GSK) oficializa hoje em São Paulo seu programa de apoio a pesquisas no Brasil voltadas para a descoberta de novos medicamentos e vacinas para o controle de doenças consideradas prioritárias pelo governo brasileiro. O acordo de cooperação científica da GSK será em parceria com o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CNPq) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Esse acordo faz parte de um projeto global da GSK, o "Trust in Science", voltado para os países da América Latina. As parcerias preveem investimentos compartilhados. Ou seja, a GSK vai investir o mesmo que as instituições de pesquisas aplicarem até o teto de R$ 3 milhões. Os recursos serão liberados à medida que as pesquisas avancem e tragam resultados. O Brasil encabeçará o programa, afirmou ao Valor Isro Gloger, diretor de mercados emergentes da GSK, e coordenador desse projeto global. Na Argentina já foi assinada uma carta de intenções para dar andamentos a esse programa, mas o Brasil ganhou maior prioridade.
"O programa pretende estabelecer uma cooperação de longo prazo na área de saúde com instituições locais, com foco em grupos de doenças infecciosas, metabólicas [como diabetes] e respiratórias [como asma]", disse Gloger. Além disso, o programa destinará bolsas de estudo à formação de pesquisadores e inclui a possibilidade de intercâmbio de pesquisadores das instituições brasileiras e da GSK. "O Brasil tem um quadro de cientistas excelente", afirmou o executivo. Gloger acredita que os primeiros resultados não deverão demorar a sair. "Entre dois e três anos poderemos obter os primeiros retornos."
O primeiro acordo firmado dentro da iniciativa do "Trust in Science" pela GSK foi no ano passado com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A GSK e a instituição fecharam uma parceria de cooperação para pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos para o tratamento de doenças tropicais negligenciadas. Neste ano, a farmacêutica britânica também fechou parceria com o Instituto Nacional do Câncer (INCA) para a realização de cursos e pesquisas para o desenvolvimento de novos tratamentos e medicamentos na área de oncologia. A meta é que, no longo prazo, o instituto possa não só fazer mais pesquisas clínicas em parceria com a GSK, como também desenvolver novas moléculas em colaboração, tornando-se uma referência em pesquisa e desenvolvimento tecnológico. O acordo prevê que médicos e pesquisadores do Inca e da GSK compartilhem conhecimentos na área de oncologia, contribuindo para a formação de profissionais brasileiros dentro do próprio país.
Novo aeroporto de SP custaria R$ 5 bi
Valor 21.10.2011 - Depois de quatro anos e R$ 30 milhões investidos em estudos, além de um "não" do governo federal, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa ainda acreditam no projeto de um novo aeroporto na região metropolitana de São Paulo. Para subsidiar a argumentação, os grupos encomendaram um novo conjunto de estudos à Boeing sobre o tráfego aéreo da cidade. Paralelamente ao projeto, ambos estão firmes no propósito de disputar as concessões de aeroportos programadas para o início de 2012. Em entrevista ao Valor, José Henrique Braga Polido Lopes, diretor de novos negócios da Andrade Gutierrez Concessões, e Roberto Deutsch, diretor da Camargo Corrêa Investimentos em Infraestrutura, disseram que a ideia é construir o aeroporto em fases, de acordo com o crescimento da demanda. Em um primeiro momento, fazer o aeroporto alcançar capacidade operacional tomará R$ 3 bilhões ao longo de cinco a seis anos, para atender 20 milhões de passageiros. O faturamento esperado é de R$ 700 milhões anuais. Para os executivos, o projeto se justifica pela demanda futura. "Mesmo com o terceiro terminal de Guarulhos, a capacidade daquele aeroporto se esgotaria em cerca de cinco anos", diz Deutsch. O projeto é temido por outros grupos que disputarão as concessões de aeroportos federais - por terem o receio de que o terminal "sugue" a demanda de cargas e passageiros (e, consequentemente, o faturamento) de Guarulhos e, principalmente, Viracopos (por este ser mais distante). Por conta do risco do novo concorrente, a alemã Fraport e o parceiro brasileiro EcoRodovias já declararam ao Valor, em outubro, que vão concentrar os esforços em Guarulhos no leilão de aeroportos. Mas a possibilidade do projeto sair do papel pode se tornar um quebra-cabeça para as duas empreiteiras - Andrade e Camargo. Isso porque, paralelamente ao projeto do Nasp (Novo Aeroporto de São Paulo), os dois grupos continuam firmes no intuito de participar do projeto de concessões dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília. O primeiro problema seriam os investimentos necessários. "Claro que para tocar dois projetos como esse precisaríamos de mais parceiros, como operadores internacionais e fundos de investimento", diz Polido. Parte dos recursos, diz, seriam buscados via financiamento do BNDES. Mas o maior entrave decorrente da participação desses grupos em aeroportos viria do governo federal. Caso saiam vencedores de um aeroporto, principalmente no Estado de São Paulo, o governo federal poderia barrar de vez as construtoras de erguerem o Nasp - já que o Planalto quer concorrência entre os aeroportos. Independentemente de os dois grupos saírem vencedores de uma concessão, o governo federal não é simpático à ideia do novo aeroporto. Segundo o vice-governador do Estado de São Paulo, Guiherme Afif Domingos, o Planalto prefere que os terminais já existentes atraiam os investimentos da iniciativa privada. Além disso, para o governo federal, os investimentos realizados depois das concessões de Guarulhos e Viracopos darão conta da demanda na região. Em julho deste ano, o projeto foi entregue ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), que depois de analisar os estudos entregues pelas duas empresas, chegou à conclusão que os pousos e decolagens do Nasp interfeririam na operação do espaço aéreo de Congonhas, Guarulhos, Viracopos e Jundiaí. Agora, as duas construtoras encomendaram mais um conjunto de estudos à Jeppesen, subsidiária do grupo Boeing, sobre o tráfego que poderia sofrer interferência do Nasp, como o de helicópteros e de aviação executiva.
Caso o projeto do Nasp não possa ser concretizado, as empresas perderiam os R$ 30 milhões investidos nos estudos. Os executivos dizem ainda não haver planos para a venda do projeto, nem mesmo nessa situação. Por outro lado, caso não faturem nenhum dos terminais que passarão por concessão, os executivos apostarão suas fichas no Nasp.
O projeto é de um aeroporto comercial de escalas nacional e internacional. Os grupos já firmaram uma parceria com Flughafen Zürich AG, operadora do aeroporto de Zurique, na Suíça, para a administração do terminal. Com custo total de R$ 5,3 bilhões e previsão de demanda para 40 milhões de passageiros quando estiver 100% concluído, o empreendimento, caso saia do papel, ficará no município de Caieiras - a 30 km do centro de São Paulo - num terreno de 9 milhões de metros quadrados. Atualmente, há um contrato de direito de uso com a proprietária da área, a editora Melhoramentos. Segundo o acordo, os sócios podem adquirir o terreno quando quiserem.
O aeroporto ficaria entre as rodovias Anhanguera e dos Bandeirantes - pouco a norte do Rodoanel. A distância em relação ao centro da capital paulista é parecida ao do aeroporto de Guarulhos (que fica a 25 km do marco zero). Apesar de fácil acesso para automóveis, não está prevista uma estação de metrô no aeroporto. As empresas aguardam também decisão da CCR, da qual cada uma possui 17% (somando a participação de todas suas subsidiárias), sobre a inclusão do setor aeroportuário no objeto social da companhia e sobre a compra dos ativos dos dois grupos no setor - o que inclui o projeto do Nasp. "Caso a CCR decida entrar em aeroportos, Andrade e Camargo passam a ela todas as atividades no setor", diz Polido.
RBS suspende plano de montar operação no Brasil
Estadão 20.10.2011 - O Royal Bank of Scotland (RBS) informou a funcionários que suspendeu os planos para montar uma unidade de banco de investimentos no Brasil, segundo informações do Wall Street Journal. A decisão se dá em meio a um terceiro trimestre negativo para o setor financeiro e as possíveis medidas de cortes de custo no próprio RBS, entre elas demissões.
"Nós concluímos que não é prudente comprometer o investimento necessário para estabelecer com sucesso nossa presença no Brasil", disse um porta-voz do banco. "Nós continuaremos trabalhando de perto com nossos clientes, usando nossa capacidade offshore para ajudá-los a atingir seus objetivos finais" no país, acrescentou. Segundo uma fonte próxima aos planos de expansão do RBS no Brasil, funcionários do banco teriam passado cerca de dois anos tentando obter a licença para operar aqui.
O RBS, controlado pelo governo do Reino Unido, recebeu a licença em setembro, mas decidiu que não aumentará a presença no Brasil por causa do período turbulento para a economia.
Scotiabank compra banco na Colômbia e mira o Brasil
GPdeLondrina 20.10.2011 - Chefe da divisão internacional do grupo disse que banco também quer expandir seus negócios no Brasil e no Chile. Scotiabank é o terceiro maior banco do Canadá por ativos
O Scotiabank fechou acordo para comprar uma participação de 51% no Banco Colpatria, da Colômbia, num negócio estimado em cerca de US$ 1 bilhão, dos quais US$ 500 milhões serão pagos em dinheiro e o restante em ações. Brian Porter, chefe da divisão internacional do grupo, disse que o Scotiabank também quer expandir seus negócios no Brasil e no Chile.
"Cada um destes países tem sua própria dinâmica", ele disse. "Nós olhamos para diferentes oportunidades nestes países de tempos em tempos e, em certos aspectos, achamos as valuations muito elevadas ou organizações com culturas diferentes, que não se encaixam na forma como queremos administrá-las. Somos compradores disciplinados e seletivos", afirmou em entrevista à Dow Jones.
O Scotiabank é o terceiro maior banco do Canadá por ativos e já tem operações no Peru, Panamá, Brasil, Uruguai, Costa Rica, Guatemala, Chile, El Salvador, Guiana, Nicarágua, Belize e Venezuela. Em 2010, entrou na Colômbia com a compra da divisão de negócios corporativos do Royal Bank of Scotland. Com o Colpatria, o Scotiabank agora entra no varejo bancário no país. O Colpatria é o quinto maior grupo financeiro da Colômbia, com ativos de US$ 6,2 bilhões e depósitos de US$ 4,2 bilhões. O acordo vinha sendo trabalhado há pelo menos seis meses, mas o Scotiabank já avaliava o mercado colombiano antes, disse Porter. O banco vai olhar as novas oportunidades de investimento ou aquisição na Colômbia, se elas surgirem, acrescentou.
Leite Nilza fecha acordo para dívida trabalhista de R$ 5,2 mi
Folha 20.10.2011 - Ex-funcionários da indústria de laticínios Leite Nilza, em Ribeirão Preto (313 km de SP), que teve a falência decretada em janeiro deste ano, querem que a dívida trabalhista de R$ 5,2 milhões seja paga em 24 parcelas, em vez de serem amortizadas a partir do lucro da empresa, que pretende voltar a funcionar em dezembro.
A proposta foi apresentada por funcionários ao dono da Airex Trading, Sergio Alambert, que controla a indústria. Antes, Alambert queria recontratar funcionários e reverter 50% do lucro para eles e outros 50% aos credores. De acordo com os ex-funcionários, essa proposta era vaga, porque se a empresa não apresentasse lucro eles não receberiam a dívida.
Alambert acatou a proposta e apresentou um plano de pagamento com valores que aumentam conforme a empresa produza. Ele disse que poderia pagar R$ 40 mil em dezembro, R$ 80 mil em fevereiro e março, R$ 85 em abril e R$ 120 mil de maio a julho, até que as parcelas chegassem a R$ 300 mil. Caso a empresa apresente mais lucro que o previsto no plano de retomada, os valores das parcelas poderão ter um incremento. O plano será apresentado em assembleia a todos os funcionários da Nilza e também aos credores. A Nilza enfrenta um processo judicial contra a decretação de falência. Segundo Alambert, ele deveria depositar judicialmente os R$ 5,2 milhões referentes às dívidas trabalhistas, mas como corre um recurso no Superior Tribunal de Justiça propondo a falência, Alambert propôs retomar as atividadades e mostrar que a empresa é viável.
A Nilza chegou a responder por 15% do leite consumido no Estado.
Eletrobras capta US$ 1,75 bilhão no mercado externo
Brasil Economico 20.10.2011 - Eletrobras não emitia títulos de dívida externos desde julho de 2009.
A Eletrobras (Centrais Elétricas Brasileiras) concluiu uma captação externa de US$ 1,75 bilhão pelo prazo de dez anos. Pelos títulos precificados nesta quinta-feira (20/10), a companhia irá pagar uma taxa de 5,75% ao ano. A operação foi coordenada pelos bancos Credit Suisse e Santander.
A operação representa a retomada de um processo iniciado em agosto e que não foi adiante em função da piora das condições externas. Os recursos serão utilizado para atender o aumento da demanda.
A proposta de emissão, avaliada pela agência de classificação de risco Fitch, referia-se à possibilidade de uma emissão de até US$ 2,5 bilhões. Na avaliação da Fitch, a companhia possui uma posição de caixa elevada. Em 30 de junho, atingia R$ 12,3 bilhões, o suficiente para cobrir em 4,1 vezes o endividamento de curto prazo. A agência de avaliação de risco admite que os investimentos a serem feitos e a distribuição de dividendos até 2013 reduzirão a liquidez da companhia, mas ainda assim a distribuidora de energia não deverá enfrentar desafios de refinanciamento. Os recursos captados ajudarão a compor o plano de investimentos do ano que vem, estimado em R$ 13 bilhões, valor 30% acima do programado para 2011.
A Eletrobras não emitia títulos de dívida externos desde julho de 2009. Além disso, essa é a primeira emissão de uma empresa brasileira desde julho.
Segundo a agência de notícias Bloomberg, as companhias do país não fazem captações externas desde 20 de julho, o que representa o período mais longo desde janeiro de 2009.
A volatilidade nos mercados externos tem afetado não só os planos de captação das companhias brasileiras, mas também de outras empresas de países emergentes. Em setembro, esse grupo conseguiu levantar US$ 2,6 bilhões em títulos em moeda estrangeira, ante US$ 43 bilhões em dívida nos mercados locais.
Petrobras concede desconto de 18,6% no gás para distribuidoras
Folha 20.10.2011 - A Petrobras decidiu dar um desconto de 18,6%, a partir de 1º de novembro, para os clientes que possuem contrato de fornecimento do gás natural nacional firme.
Pelo reajuste trimestral previsto no contrato, o preço do insumo deveria passar, na média, para R$ 0,844 por metro cúbico, mas com o desconto, concedido pela estatal "a seu exclusivo critério", o valor pago pelas distribuidoras pelo produto será, na média, de R$ 0,69 por metro cúbico. Em nota, a estatal lembrou que nos trimestres anteriores os descontos haviam sido de 9,7%, em 1º de maio; e de 14,3%, em 1º de agosto. Segundo a empresa, o desconto de 18,6% tem por objetivo "manter a atual competitividade do energético no mercado".
"A decisão levou em conta o cenário recente de evolução dos preços dos energéticos e suas consequências sobre os valores estipulados nos contratos de gás natural de origem nacional. O desconto não constitui mudança nas fórmulas de precificação dos contratos de gás ou novo acordo, mantendo-se, portanto, inalterados todos os instrumentos contratuais vigentes", diz a nota divulgada pela empresa.
LLX assina contrato de tubos para plataformas de petróleo
Brasil Economico 20.10.2011 - Superporto do Açu é um empreendimento em fase pré-operacional que vem sendo construído pela LLX. A LLX Logística fechou um contrato de arrendamento de área no TX2 do Superporto do Açu para a instalação de uma unidade de produção de tubos flexíveis para apoio à indústria de plataformas marítimas (offshore). Por meio do acordo firmado nesta quinta-feira (20/10) junto a uma subsidiária da NKT Flexibles, a LLX prevê uma receita de cerca de R$ 8 milhões por ano com tarifas portuárias e aluguel de área."Com início de produção previsto para o ano de 2013, a unidade terá uma capacidade de produção de 250 km de tubos flexíveis por ano", afirma o comunicado divulgado ao mercado.
NKTF fabrica tubos flexíveis para a indústria offshore de petróleo e gás, assim como para a indústria química. Com apenas 150 km de distância da Bacia de Campos, responsável por 85% da produção atual de petróleo no Brasil, e localizado no ponto mais próximo dos novos blocos de exploração de petróleo, o Superporto do Açu é hoje o quintal do Pré-Sal", segundo Otávio Lazcano, diretor presidente da LLX. O Superporto do Açu é um empreendimento em fase pré-operacional que vem sendo construído pela LLX. A construção, no norte do estado do Rio de Janeiro, foi iniciada no final de 2007, e o início das operações está previsto para o segundo semestre de 2012.
Estima-se que movimentará até 350 milhões de toneladas de carga por ano.
Bresco nasce com meta de atingir portfólio de R$ 1 bi
Valor 21.10.2011 - "Existe um pouco de euforia no segmento corporativo, e investidores têm de olhar além desse ciclo". Depois da conclusão do ciclo de investimentos da Bracor, o presidente da empresa, Carlos Betancourt, se associou aos controladores da Natura, Guilherme Leal, Pedro Passos e Antônio Luiz Seabra, e montou a Bresco, a mais nova participante do segmento de imóveis para renda do mercado brasileiro. Constituída, juridicamente, há duas semanas, a Bresco nasce com a meta de ter portfólio de R$ 1 bilhão em ativos no prazo de três a cinco anos. A nova empresa pretende desenvolver projetos e comprar ativos nos segmentos de escritórios comerciais, galpões, imóveis industriais, varejo de rua e hotelaria. A atuação vai abranger também construção sob medida. A prospecção de mercado para o início da composição da carteira de ativos já começou. Mas, segundo Betancourt, presidente da nova empresa, o foco das atenções será a qualidade dos ativos e não a velocidade de montagem do portfólio. Quando foi ao mercado buscar sócios para a nova empresa que pretendia montar, Betancourt, que tem quase 30 anos de experiência no setor, quis parceiros que tivessem perfil de investidores de longo prazo. Na outra ponta, segundo ele, Leal, Passos e Seabra pretendiam entrar no setor em parceria com profissionais com experiência na área. As conversas duraram alguns meses e evoluíram para a constituição de empresa em que Leal, Passos e Seabra são majoritários, e em que Betancourt e outros investidores, cujos nomes não são divulgados, também são sócios. Parte dos executivos dos quadros da Bracor também foi convidada a fazer parte da Bresco e a deter participação na empresa, que possui 100% de capital nacional. Nova participante do setor ingressa no mercado ao mesmo tempo em que Bracor encerra suas atividades. Os controladores da Natura participarão das decisões da Bresco por meio da gestora de patrimônio Pragma. Os recursos para financiar o portfólio de R$ 1 bilhão terão origem em capital próprio dos sócios e em instrumentos do mercado de dívida, como certificados de recebíveis imobiliários (CRIs). Não existe nenhuma previsão de abertura de capital da empresa.
Betancourt optou por não tirar um período sabático, e a constituição da Bresco praticamente coincidiu com o fim das atividades da Bracor, que deixou de operar em setembro. No fim de janeiro, a Bracor anunciou a venda de 30 de 45 imóveis de seu portfólio à Prosperitas. A empresa deu continuidade ao processo de venda dos outros ativos nos meses seguintes e, atualmente, a comercialização dos dois restantes está em fase final. A Bracor, que ainda existe juridicamente, tem como sócios, Betancourt; a Equity (do megainvestidor americano Sam Zell); a família real de Abu Dhabi, a família real saudita; o Morgan Stanley; a Bercley; e o Itaú BBA. Não há empecilhos, por parte da Bresco, para que, futuramente, algum dos demais sócios da Bracor também venha a fazer parte da composição da empresa.
A Bresco está entrando em cena num mercado liderado pela BR Properties. Em meados de setembro, BR Properties e WTorre Properties anunciaram a combinação de ativos, que resultou em portfólio de R$ 10 bilhões em imóveis para escritórios comerciais, varejo e galpões.
Segundo Betancourt, em qualquer grande economia, o setor de imóveis para renda é bastante fragmentado e, no Brasil, há espaço para Bresco a atuar num segmento em que as barreiras de entrada são conhecimento, capital e relação com ocupantes. O executivo descarta que o país esteja vivendo um momento de "bolha imobiliária", mas espera que haja correção de preços. "Existe um pouco de euforia no segmento corporativo, e qualquer investidor tem de olhar além desse ciclo", afirma. Foi constituída há duas semanas e já começou a prospectar mercado na busca de imóveis para compor sua carteira.
Processo sobre controladora da Inepar data do ano 2000
Brasil Economico 20.10.2011 - Operações da Inepar: nos últimos anos, a empresa conseguiu reestruturação e passou a ter lucros.
Na opinião do sócio do fundo Empiricus Gestão, acionista da Inepar, investigação da CVM sobre a controladora da Inepar refere-se a aumentos de capital realizados há mais de dez anos. A recente investigação iniciada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aos controladores da Inepar não está relacionada com a incorporação da subsidiária Inepar Energia.
O mais provável é que o trabalho da autarquia se refira às operações de aumento da capital realizadas pela empresa de engenharia há dez anos. Na quarta-feira (19/10), a CVM informou que iniciou processo contra a IAP, a controladora da Inepar Indústria e Construção. A ação administrativa corre sob sigilo na CVM. De acordo com Marcos Elias, sócio da Empiricus Gestão que detém participação em ações preferenciais da companhia, o processo está relacionado a irregularidades cometidas há cerca de 10 anos. "Tenho a suspeita de que o processo está relacionado com as formas como eles fizeram certos aumentos de capital", diz Elias.
Essa também é a posição de Dionísio Leles, diretor de Relações com Investidores da Inepar. "Acreditamos que não é nada muito importante", diz.
Ele supõe que a investigação se refere também a mudanças na estrutura de capital realizadas pela empresa no início da década passada.
"É um período muito longo, e não sabemos o que está sendo investigado", ressalta.
Dentre os acusados estão os principais executivos da empresa, como o presidente da Inepar Atilano de Oms Sobrinho, o diretor financeiro Cesar Romeu Fiedler e o diretor comercial, Jauvenal de Oms. Além disso, são acusados os membros do conselho, Di Marco Pozzo e o diretor da IAP, Natal Bressan.
A Martinelli Auditores Independentes também é acusada, além de Mario Celso Petraglia, ex-diretor da Inepar. A Inepar, cujas ações chegaram a valer mais de R$ 50,00 nos anos 1990, ficou à beira praticamente da falência no começo dos anos 2000. Nessa época, recorreu a diversos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a aumentos de capital.
Nos últimos quatro anos, contudo, a empresa passou a ter lucros, sobretudo com a força de sua controlada Iesa, que vende equipamentos para o setor petrolífero por meio de sua controlada IESA.
Na opinião de Marcos Elias, a IAP pode estar sendo questionada por ter realizado a emissão de títulos com valor arbitrário, em vez de aportes em dinheiro, durante os processos de aumento de capital.
"É um processo antigo, mas pertinente. Suspeito que sejam questões a respeito da forma como a IAP aumentou o capital", diz.
O processo iniciado pela CVM sobre a controladora da Inepar é uma boa notícia para a empresa, na opinião de Marcos Elias. "Vejo com bons olhos a CVM mais interessada na Inepar".
Crítico da atual gestão da controladora, Elias acredita que a Inepar é uma boa oportunidade de investimento, mas que a empresa precisa se profissionalizar. "Há uma grande distância entre a IAP e a Inepar", afirma. "A Inepar é uma empresa excelente, tem uma carteira de pedidos grande, uma engenharia muito boa e uma planta industrial única no país, e precisa se equipar mais", afirma.
Inepar Energia: No contexto de reestruturação, a Inepar anunciou, em setembro deste ano, a incorporação de uma de suas subsidiárias, a Inepar Energia, uma vez que deixou de atuar no setor.
A empresa pretende se desfazer da Inepar Energia visando abater parte da dívida de cerca de R$ 620 milhões que possui com o BNDES, transferindo a fatia que a IE detém na Centrais Elétricas Matogrossense (Cemat) para o banco de fomento.
Para Marcos Elias, o processo da CVM não está relacionado a essa operação, embora não descarte que existam irregularidades nisso.
A Empiricus Gestão (antiga Galleas) já teve uma participação de 25% das ações preferenciais da companhia, mas hoje reduziu essa posição a menos de 10%.
Segundo Marcos Elias, o motivo foi diversificação rotineira do portfólio. "Foi diversificação, mas também temos requisitado uma cadeira no Conselho da empresa", diz.
Dividendos: Segundo Dionísio Leles, a Inepar está prestes a obter um acordo com seus debenturistas para regularizar sua dívida.
A empresa possui dívidas em default há mais de 10 anos, e por isso não está autorizada a pagar dividendos aos acionistas. A maioria da dívida foi convertida em aberturas de capital realizadas em 2009 e 2010, mas alguns credores resistiram. "São dois debenturistas e estamos com um processo bem adiantado de renegociação", diz.
A situação gera conflito com os acionistas preferenciais, uma vez que, caso uma empresa fique mais de três anos sem pagar dividendos, os detentores desses papéis podem exigir direito a voto nas decisões da companhia. "Como não teve dividendos, os acionistas preferenciais vão começar a pleitear voto", diz Elias. "Os controladores estão tentando pagar para se defender.
ALL Logística registra R$ 428,9 milhões de Ebitda no terceiro trimestre
JCRJ 20.10.2011 - A ALL Logística registrou um Ebitda (geração operacional de caixa) consolidado de R$ 428,9 milhões no terceiro trimestre deste ano, um montante 16,3% superior àquele de igual período do ano passado, segundo dados prévios e não-auditados.
Já que a criação da Brado Logística se deu em primeiro de abril e, da Ritmo Logística em primeiro de julho, os números são apresentados de maneira pro-forma. O volume transportado também mostrou evolução no período, de 9,6%, aos 13,1 bilhões de TKU (toneladas por quilômetro útil), sendo 12,2 bilhões provenientes do Brasil e 969 milhões da Argentina.
No Brasil, destacou a empresa, o incremento no volume se deu por conta de ganhos de participação nos mercados agrícola e industrial, assim como pela melhora na produtividade do material rodante.
União planeja instalar polo de defesa no ABC
Valor 21.10.2011 - O governo federal tem planos de incentivar a instalação de empresas ligadas à indústria da defesa no ABC paulista. O assunto foi discutido ontem, em seminário sobre o tema, do qual participaram José Genoino, assessor especial do Ministério da Defesa, Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT). A intenção do governo é oferecer linhas de crédito do banco estatal para as empresas. Para atrair investimentos, um dos primeiros passos foi a Medida Provisória nº 544, publicada no fim de setembro, que prevê a desoneração do setor e acelera licitações públicas. A existência de uma forte base industrial coloca o ABC como um local atrativo às novas empresas, disse o coronel Alexandre Lemos, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde). "Temos indústrias de plásticos, química, autopeças e automobilísticas. Já temos uma infraestrutura." Enquanto o Ministério da Defesa terá a função de coordenar os projetos, caberá ao BNDES liberar as linhas de crédito. Outro suporte serão as universidades da região. Um passo foi dado em maio com a inauguração do Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro (CISB), em São Bernardo do Campo, que já reúne 30 projetos ligados à indústria da defesa. A iniciativa é fruto de um acordo entre a prefeitura e a sueca Saab, fabricante do caça Gripen, um dos concorrentes na licitação da Força Aérea Brasileira.
STF suspende aumento de IPI em carros importados
Reuters 20.10.2011 - O Supremo Tribunal Federal suspendeu, por decisão unânime, o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros importados.
O STF entende que a medida só pode ser implementada depois de transcorrido o prazo de 90 dias da edição da norma. O governo entendia que a medida vigorava desde o decreto publicado no Diário Oficial da União, em 16 de setembro. A elevação de 30 pontos percentuais no IPI teve como alvo carros importados de fora do Mercosul e do México até dezembro de 2012, o que poderia provocar um aumento no preço de até 28 por cento.
O Supremo acatou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade protocolada pelo Democratas (DEM). O relator da ação, ministro Marco Aurélio Mello, disse que os três meses de prazo é "uma garantia ao contribuinte contra o poder de tributar do ente público." O governo aproveitou o decreto para incluir uma série de imposições para estimular a produção nacional. Entre elas, liberou do IPI maior veículos que tenham no mínimo 65 por cento de conteúdo nacional e regional em seus processos de fabricação. Além disso, determinou que as empresas investissem em inovação e pesquisa de desenvolvimento tecnológico no Brasil o valor equivalente ao mínimo de 0,5 por cento da receita bruta total das vendas. O ministro Marco Aurélio Mello disse, aos jornalistas, segundo a assessoria de imprensa, que quem comprou carro com imposto maior pode buscar à Justiça para pedir a devolução da diferença de valor.
O ministro Gilmar Mendes sustentou que ao passar por cima da noventena o governo afrontou a Constituição. "É um caso patente de inconstitucionalidade aritmética, de afronta frontal ao texto da Constituição," sustentou Mendes. O Ministério da Fazenda informou que não vai comentar a decisão do Supremo. A decisão do governo de elevar o IPI despertou reações de indústrias e até de países. A instalação de montadoras asiáticas, como a JAC e a Chery, passou a ser questionada após a elevação do IPI, enquanto Japão e Coreia do Sul alertaram a um comitê da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre o tratamento dado pelo Brasil aos carros importados.
Por outro lado, no fim de setembro, o governo se disse aberto a propostas de montadoras sobre o IPI, ao mesmo tempo que isentou o Uruguai do aumento do imposto --lá estão instaladas as montadoras chinesas Lifan e Chery, e a montadora de caminhões Bongo, que de lá exportam para o Brasil.
"Algumas empresas têm nos procurado para que alteremos os índices de nacionalização (de autopeças) para as empresas entrantes, estamos abertos a essas propostas", disse, no fim de setembro, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, a jornalistas.
A Chery obteve uma liminar contra a medida e vinha vendendo seus carros sem a alíquota aumentada em 30 pontos percentuais.
Áreas de RH devem ganhar reforço nos orçamentos em 2012
Valor 21.10.2011 - Em evento realizado ontem, executivos das empresas premiadas afirmaram que a busca por talentos continua no ano que vem.
Cada vez mais estratégica e conectada aos negócios, a área de recursos humanos vem ganhando importância também nos orçamentos das empresas, que devem reforçar seus investimentos em gestão de pessoas em 2012. Essa é a avaliação de representantes do setor ouvidos ontem, em São Paulo, na cerimônia de premiação das empresas eleitas como "As Melhores na Gestão de Pessoas", da revista "Valor Carreira".
De acordo com Marcelo Munerato, líder regional para a América Latina da AON Hewitt, o fato de muitas das melhores empresas pretenderem manter e até aumentar seus investimentos em RH, mesmo com a ameaça de uma nova crise, é um indicativo de que essas companhias estão no caminho certo. "O país vive um ótimo momento e uma das consequências disso é a escassez de talentos", afirma. Na opinião dele, os profissionais devem ser treinados, desenvolvidos e mantidos mesmo com a aproximação de um período de turbulência, para otimizar os resultados. "Nem todas as empresas, porém, têm lucidez para entender esse momento", complementa.
Enxergar uma potencial crise como oportunidade, no entanto, faz parte da estratégia do Itaú Unibanco. Segundo o diretor Marcelo Orticelli, apesar de o Brasil viver um bom momento, o país não está imune ao cenário externo. A percepção para o futuro, contudo, é positiva. "Estamos atentos à possibilidade de trazer talentos dos mercados atualmente mais instáveis", afirma o diretor, que tem feito visitas ao exterior em busca de brasileiros nas melhores escolas de MBA. "O curioso é que estou sendo abordado, em português, por estrangeiros interessados em trabalhar no banco", conta.
Na UTC Engenharia, a capacidade de adaptação é considerada um dos ativos da companhia. "Nos últimos 37 anos, a empresa passou com êxito por diversos cenários, mantendo sempre um sólido ritmo de crescimento ", ressalta Fernando Monteiro, líder executivo de suporte corporativo. Segundo ele, investir em formação profissional será prioridade em 2012.
O aprendizado com a crise global também ajudou as ganhadoras a se prepararem para possíveis ameaças externas. Na Ticket, por exemplo, a participação do RH nas decisões estratégicas já é realidade. "Adotamos medidas para proteger empregos e reestruturamos alguns programas. Hoje, o foco é capacitar, atrair e reter bons profissionais", diz Eliane Aere, diretora de RH e responsabilidade social.
Na Sama Minerações Associadas, a estratégia é apostar na parceria com os colaboradores para obter melhorias nos processos, aumento da produtividade e redução de custos. "O RH precisa olhar tanto as pessoas quanto os resultados dos negócios. O sucesso depende de confiança e comprometimento de ambas as partes", afirma o gerente Moacyr de Melo Júnior.
O alinhamento com a alta direção também explica o fato de muitas das ganhadoras já terem acionado seus departamentos de gestão de pessoas sobre uma possível mudança de cenário econômico brasileiro. Na Zanzini Móveis, a primeira medida foi informar os colaboradores sobre o panorama mundial e os riscos que o país poderá correr. "Reduzimos custos, mas sem cortes de pessoal e de benefícios", diz Paulo Grael, coordenador de sistemas de gestão. A despeito da instabilidade global, uma das maiores preocupações das companhias vencedoras continua ser a de encontrar talentos. Na ADM, do setor agrícola, uma equipe especializada é responsável por recrutar em universidades de todo o Brasil. "Também temos parcerias locais para buscar técnicos qualificados", complementa Márcio Muchão, diretor de RH para América do Sul. O desafio é o mesmo na Teleperformance. O presidente Paulo César Salles Vasques afirma que a empresa mapeia profissionais em faculdades, ONGs e associações. "Estamos preparados para um cenário de muita demanda por mão de obra e concorrência em diversas áreas", afirma. A Belagrícola também está otimista em relação aos investimentos previstos em RH para o próximo ano, que deverão crescer 30%. "Estamos intensificando a qualificação dos profissionais, principalmente nas funções de liderança. Temos de prepará-los para lidar com possíveis mudanças no cenário econômico", explica a gerente de RH Adilséia Batista.
O desenvolvimento de pessoas está no centro das estratégias das companhias que atuam em áreas onde a disputa por talentos é mais acirrada, como na Iesa Óleo & Gás. "Apostamos no programa de estágio e em um plano de capacitação para todos os funcionários", afirma o gerente João Carlos Moreira, que calcula em 15% o aumento da verba na área para 2012. Também nesse segmento, a GDK reforçou seus programas de desenvolvimento de líderes. "Levávamos até 20 anos para formar um gestor. Hoje, o prazo é de cinco", diz a gerente Leide Queiroz.
Na São Bernardo Saúde, uma das preocupações é manter a satisfação dos colaboradores, o que levou a empresa a reforçar os benefícios e a participação nos lucros. "Nosso desafio é crescer de forma sustentável, o que só é possível com pessoas comprometidas", diz a diretora Karina Santana. Outros atrativos como possibilidade de crescimento na carreira também fazem parte das metas e até mesmo da cultura de algumas das ganhadoras. Segundo o diretor de RH do Bradesco, José Luiz Rodrigues Bueno, o banco não tem tradição de buscar executivos no mercado. "Admitimos profissionais em início de carreira e abrimos as possibilidades de crescimento a todos. Esse é um importante fator de retenção."
Hermínia Schreinir, diretora de RH da Pormade, explica que a companhia trabalha fortemente no alinhamento dos profissionais à cultura corporativa. "Nosso desafio é acompanhar as expectativas dos funcionários e criar um ambiente saudável para fazê-los permanecer na empresa", diz.
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