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Avon contrata executivo da Unilever para comandar América Latina
Exame 20.10.2011 - Fernando Acosta trabalhou na Unilever por 19 anos e, mais recentemente, foi vice-presidente sênior da empresa de bens de consumo para a América Central.
A CEO Andrea Jung já tinha avisado que a empresa procuraria um diretor para a América Latina que viesse de fora da companhia
Chicago - A Avon anunciou na terça-feira a contratação do ex-executivo da Unilever Fernando Acosta para assumir a presidência da empresa na América Latina - executiva Andrea Jung disse que a empresa procuraria um diretor para a América Latina que viesse de fora da companhia. Charles Herington, que havia sido vice-presidente executivo para a América Latina, Europa Central e Oriental, ficou encarregado da unidade de mercados em desenvolvimento. Acosta trabalhou na Unilever por 19 anos e, mais recentemente, foi vice-presidente sênior da empresa de bens de consumo para a América Central, sediado na Colômbia, sendo responsável pelas áreas de cuidados pessoais, atendimento domiciliar, alimentos e bebidas em nove países na América Latina.
Cadore, de massas, anuncia lançamentos de linha de biscoitos
MonitorMercantil 20.10.2011 - Pasquale (com a bailarina Ana Botafogo, representante do Inca, ajudado pelo setor) diz pagar ‘cerca de R$ 4 milhões de impostos’.
A Cadore Produtos Alimentícios S.A. está investindo cerca de R$ 20 milhões para lançar, em janeiro de 2012, sua linha completa de biscoitos no país. Na primeira fase, a empresa lança, em novembro os waffles de morango, chocolate e limão. Com estes lançamentos, a fabricante de massas espera aumentar seu marketing share total, passando dos atuais 19% para cerca de 30%, conforme disse nesta quinta-feira ao MONITOR MERCANTIL, Pasquale Scofaro, diretor-presidente da Cadore, acrescentando que, com o lançamento da linha de biscoitos a empresa irá aumentar o seu quadro de funcionários em cerca de 500 profissionais. Atualmente, a empresa gera cerca de 500 empregos diretos e outros 700 indiretos.
Fundada em 1945 e com faturamento de R$ 60 milhões em 2010 e previsão de crescimento de 20% para este ano, a Cadore tem o mercado do Estado do Rio de Janeiro como principal fonte de vendas, onde cerca de 80% de seus produtos são vendidos. O restante é dividido entre São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Nordeste. Além disso, também opera com produtos de marca própria em redes como Carrefour e outras, isso sem mencionar sua linha de massas: espaguete, talharim, penne fuzili entre outros, além da linha com ovos e sêmola.
- Nos próximos cinco anos, com o lançamento de novos produtos (biscoito) deveremos crescer em torno de 200% - disse, salientando que os investimentos na linha de biscoitos foram financiados pelo Bndes (Finame) em 10 anos - "o nosso principal produto de vendas é o espaguete, lasanha e o macarrão instantâneo, que cresce 7% ao ano. Estes três produtos representam cerca de 60% do faturamento. O grão duro representa 2% no Estado do Rio e 15% em São Paulo" - disse, informando que as massas atuais são melhores do que as do passado em função da fabrica poder escolher a qualidade do trigo.
Pasquale fez questão de frisar que a empresa, bem como o setor, luta junto ao Governo Federal para a desoneração do PIS e Cofins para as massas. Com isso, os produtos ficariam mais competitivos e baratos para o consumidor.
- Nós pagamos cerca de R$ 4 milhões de impostos. Se a desoneração for feita, o setor se tornará mais competitivo no mercado na comparação com os demais produtos da cesta básica. Isso sem mencionar que também ficará mais barato para o consumidor. Com um quilo de macarrão se alimenta oito pessoas e bem ao custo de R$ 1 por cabeça - disse, enfatizando que o macarrão não engorda - "estudos científicos afirmam que as massas não engordam. Mas, se você colocar muito queijo ralado e molho com muita gordura, aí as coisas mudam. É possível fazer dietas para o emagrecimento a base de massas".
Pasquale fez questão de afirmar que um dos gargalos que o setor enfrenta é disponibilidade de profissionais preparados. Segundo ele, está cada vez mais difícil de se achar bons profissionais.
- É importante o setor se preparar para qualificar a mão-de-obra, caso contrário, não teremos profissionais para atender a demanda - disse, informando ainda que a Cadore exporta seus produtos para a África do Sul, Angola e países árabes.
Anatel aprova reorganização societária da Nextel
Valor 20.10.2011 - O conselho diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou hoje a reorganização societária da Nextel. Com a decisão, fica autorizada a incorporação da Nextel Serviços de Telecomunicações por sua controladora, a Nextel Telecomunicações.
O conselheiro da Anatel, Jarbas Valente, informou que a Nextel Serviços de Telecomunicações havia sido criada para adquirir outorgas do serviço de telefonia móvel (SMP). Concluída a operação, as licenças serão transferidas para a Nextel Telecomunicações, que já detém autorização para ofertar os serviços de radio pessoal (trunking), denominado pela Anatel de Serviço Móvel Especializado (SME), e conexão à internet (SCM).
Valente, o relator do processo, explicou que a exigência de criação de uma nova empresa para prestar outras modalidades de serviços é feita geralmente às concessionárias públicas que atuam no mercado de telefonia fixa. A obrigação, segundo ele, não se aplica às empresas como a Nextel que ofertam serviços em regime privado. Outra questão que simplificou a análise feita pelo órgão regulador é o fato da operação não envolver outras empresas, já que o controle da Nextel Telecomunicações é de 100%.
Ao ser procurada, a Nextel informou, por meio de sua assessoria, que a incorporação não produz qualquer impactos sobre serviços e negócios da companhia.
Repsol vende unidade de GLP para a Ultragaz
Valor 20.10.2011 - A Repsol vendeu por 20 milhões de euros sua filial de distribuição de gás liquefeito de petróleo (GLP) Repsol Gás Brasil para a Ultragaz, líder desse setor no Brasil.
A Repsol Gás Brasil tem vendas anuais de 22 mil toneladas de produto para 2.400 clientes, fundamentalmente industriais, nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. A Ultragaz faz parte do grupo brasileiro Ultrapar, que tem também negócios de distribuição de combustíveis e de petroquímica derivada e que é cotada nas bolsas de São Paulo e Nova York.
“Com a venda, a Repsol finaliza o desinvestimento em ativos não estratégicos de downstream no Brasil, para concentrar sua atividade no desenvolvimento de projetos de exploração e produção através da Repsol Sinopec Brasil”, diz a nota divulgada pela petroleira espanhola, acrescentando que, desde o ano de 2007, a companhia realizou desinvestimentos na América Latina de cerca de US$ 1,2 bilhão, dentro da estratégia de gestão da carteira de ativos.
A Repsol tem no Brasil um campo produtivo (Albacora Leste), um bloco em desenvolvimento (BM-S-7: Piracucá SP), dois projetos-piloto planejados (BM-S-9: Guará e Carioca) e 14 blocos exploratórios.
Atualmente, a Repsol Sinopec Brasil, que tem 60% de participação da espanhola e 40% da chinesa Sinopec e valor estimado em US$ 17,773 bilhões, participa de 14 blocos exploratórios no Brasil, operando sete deles.
Polivitamínico da EMS registra recorde de vendas
Valor 20.10.2011 - As vendas do polivitamínico Gerovital, polimineral com ginseng promovido pela divisão EMS Marcas, do laboratório nacional EMS, devem encerrar este ano com receita recorde. Líder em seu segmento, a demanda pelo produto foi recorde no período de setembro de 2010 a agosto de 2011, com faturamento de R$ 135,7 milhões, de acordo com dados da consultoria IMS Health. O produto registrou crescimento de 53% em faturamento, enquanto o mercado de polivitamínicos e poliminerais apresentou aumento de cerca de 30%, movimentando cerca de R$ 499 milhões no mesmo período. Em unidades, o incremento também foi de 53%, enquanto o mercado registrou 20%. No mês de agosto, as vendas foram de cerca de R$ 13 milhões, um recorde para o produto.
Segundo a farmacêutica EMS, esse produto é comercializado em uma única apresentação e concorre com outros que possuem até 14 itens em sua linha de polivitamínicos e poliminerais.
Operadora Oi negocia satélite com o governo brasileiro
Brasil Economico 20.10.2011 - Valim pediu que a operadora seja uma parceira privada do governo. Enquanto todas as atenções em Brasília estavam voltadas para a crise no ministério do Esporte, o presidente da Oi, Francisco Valim, teve uma discreta reunião essa semana com o ministro Paulo Bernardo, das Comunicações. A conversa foi longa e abordou um tema considerado estratégico no Palácio do Planalto: a criação de um satélite brasileiro.
Valim pediu que a operadora seja uma parceira privada do governo. Bernardo ficou de pensar, mas adiantou que Dilma ainda não decidiu se o projeto terá parceiros.
A ideia no Palácio do Planalto é que o aparato decole em 2014, junto com a campanha de reeleição de Dilma Rousseff e a tempo da Copa do Mundo.
Os recursos giram em torno de R$ 716 milhões, conforme previsto no Plano Plurianual que em agosto foi enviado para votação do Congresso.
Os primeiros passos práticos da Kirin na Schincariol
Exame 20.10.2011 - Novo presidente será escolhido em novembro, mas diretorias operacionais da empresa continuam as mesmas. Nova Schin, uma das marcas da Schincariol.
Depois da conturbada negociação para assumir o controle da Schincariol, a japonesa Kirin começa a dar seus primeiros passos práticos na cervejaria brasileira. Na semana passada, executivos da Kirin foram até a sede da Schincariol, em Itu, no interior paulista, para uma apresentação formal. Era o primeiro ato da tomada de controle da Kirin, que adquiriu os 50,5% dos irmãos Adriano e Alexandre Schincariol, por 4 bilhões de reais.
E já há um roteiro traçado para os próximos capítulos. Adriano Schincariol, atual presidente da companhia, fica no cargo até janeiro. Depois, permanecerá mais nove meses como consultor para ajudar no processo de transição. Segundo apurou EXAME.com, a Kirin decidirá já em novembro quem comandará a Schincariol. E há a possibilidade – ainda que remota – de que o controle seja dividido por dois executivos indicados pela empresa japonesa. Os diretores operacionais – entre eles, Gilberto Schincariol Junior, que junto com seus irmãos José Augusto e Daniela tem 49,5% da empresa e desaprovam a compra – continuarão em seus cargos (desde que queiram). E não haverá uma “invasão japonesa” na administração da Schincariol. Apenas um pequeno grupo de dois ou três executivos deve ficar no Brasil. “Apesar das brigas na família, a boa administração da empresa chamou a atenção da Kirin. Por isso as diretorias serão mantidas”, diz uma fonte envolvida na transição.
Situação favorável. A redação de um acordo de acionistas – documento que poderia ter minimizado as querelas entre os sócios – está fora dos planos da Kirin. Então, a tomada de decisões continua a favor da maioria, no caso, os japoneses.
“Gilberto deu muito atenção à briga e deixou de lado a operação comercial, que é onde a Schincariol mais perdeu”, diz a fonte, sobre a perda da vice-liderança para a cervejaria Petrópolis. A concorrente, aliás, já anunciou que pretende instalar uma fábrica na região nordeste nos próximos dois anos. Atualmente o grupo concentra suas vendas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
Para despistar concorrentes e a imprensa, as negociações entre Kirin e Schincariol foram conduzidas em Nova York, um local no meio do caminho para brasileiros e japoneses. Todo o processo aconteceu em pouco mais de um mês, em meio a especulações sobre o apetite de concorrentes como Heineken, SAB Miller e Carlsberg em abocanhar a Schincariol.
BNDES vai financiar investimentos em aeroportos licitados
Valor 20.10.2011 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai financiar os investimentos das empresas que ganharem as concessões dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília. A tendência, segundo informou ao Valor o ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Wagner Bittencourt, é que o banco financie de 50% a 70% do investimento total, estimado em R$ 13,2 bilhões. "O BNDES vai oferecer suas linhas normais. O custo deve ficar em torno de 3% reais", observou Bittencourt, que antes de assumir a SAC era diretor de infraestrutura do BNDES. "Não precisa de aporte específico para essas operações. Os valores não são muita coisa para o banco", destacou.
A Infraero, que ficará com até 49% do capital de cada aeroporto licitado, fará aportes relativamente pequenos. Hoje, quando investe nos aeroportos, a estatal é obrigada a bancar 100% dos recursos. Com a concessão, isso pode cair para menos de 15%.
Frigobar desaparece nos EUA e na Europa, mas resiste no Brasil
Valor 20.10.2011 - Monegaglia, da Allia Hotels: "A gente viu que o hóspede solicitava muito. Os novos (hotéis) já vão nascer com frigobar". O frigobar, aquela geladeirinha que costumava ser abastecida de minigarrafas de uísque, vodca, água e salgadinhos, desaparece de alguns hotéis nos Estados Unidos e na Europa. Mas no Brasil as redes não conseguem tirar o equipamento do quarto. Empresas que atuam no mercado nacional disseram ao Valor que perderam clientes quando testaram modelos de hotéis econômicos sem esse luxo no quarto.
No exterior, máquinas de autoatendimento, as "vending machines", são instaladas nos corredores dos hotéis. No Brasil, esse tipo de máquina é considerado um investimento alto. E o aspecto cultural fala mais alto: o brasileiro valoriza o frigobar. O fato de moradores de países desenvolvidos terem o hábito de beber água da torneira também torna o eletrodoméstico menos necessário nesses locais. "No frigobar, o item mais vendido é a água mineral", diz Vanessa Martins, diretora de quartos do Renaissance São Paulo Hotel, do grupo Marriott.
A rede ibis, bandeira do grupo Accor, tem 919 hotéis em 51 países, e o Brasil é o único que mantém geladeira em seus quartos. Vazia, mas está lá. A Accor fez testes para enquadrar o ibis Brasil no padrão mundial, mas chegou à conclusão de que seria uma decisão muito agressiva tirar o eletrodoméstico. O grupo optou por manter a bandeira Formule 1, de padrão supereconômico, sem o frigobar, seguindo a política global do grupo.
Guilherme Kuntze, gerente de operações das marcas ibis e Formule 1 para a América Latina, diz que a meta é o menor preço possível. "Um frigobar não vai sair caro. Mas em hotéis com 200, 400 apartamentos, torna-se um investimento razoável. Atrelado a outros pontos, dá um investimento alto".
O custo de um minibar varia, diz Christina Munte, diretora de integridade e identidade de marcas da Atlantica Hotels. Os modelos mais simples podem sair por R$ 300 ou R$ 400, afirma, e há aqueles com troca de calor e porta de vidro, que chegam a R$ 800.
O presidente da Allia Hotels, André Monegaglia, afirma que é difícil tirar a minigeladeira dos quartos. Há cerca de cinco anos, quando seu grupo inaugurou o Soft Inn em São Luís (MA), a ideia era oferecer um hotel econômico, diz ele, com proposta de autosserviço e preço baixo. Mas logo nos primeiros meses de operação, a direção percebeu que o frigobar era item essencial para os hóspedes e instalou as máquinas. Agora, há entre seis e oito unidades sendo desenvolvidas com a bandeira Soft Inn, em diferentes cidades, e todas terão o eletrodoméstico. "A gente viu que o hóspede gostava e solicitava muito. Os novos [hotéis] já vão nascer com frigobar", afirma Monegaglia.
A rede Atlantica passou por um movimento semelhante. O Sleep Inn, da linha "midclass" nasceu há 12 anos sem frigobar nos apartamentos. No primeiro ano de operação, a empresa voltou atrás e instalou as geladeirinhas. "Na prática, o público que frequentava demandou o minibar", afirma a diretora Christina.
Ela diz que algumas empresas que possuíam contas corporativas passaram a mostrar resistência em fazer reservas por causa da falta de frigobar. "As próprias secretárias e os agentes que faziam a reserva no hotel diziam: 'A gente continua com a conta se vocês tiverem minibar'".
Hoje, a Atlantica Hotels oferece a geladeira em todas as categorias de apartamentos. Nas unidades do Go Inn, o mais econômico, o frigobar tem apenas duas águas, oferecidas de cortesia ao cliente.
A rede curitibana Slaviero Hotéis também fez uma experiência numa unidade de sua bandeira econômica Slim, na capital do Paraná. Durante três meses, em 2009, o empreendimento retirou o frigobar dos quartos e, nesse período, fez pesquisas com os hóspedes e avaliou a redução de custos. "Não valia a pena pela percepção de perda de serviço por parte dos hóspedes", diz Eduardo Campos, diretor geral da empresa. O grupo tem 20 hotéis no país, sendo cinco da categoria Slim.
O conceito de autosserviço funciona nos Estados Unidos. Lá, a maioria dos hotéis tem mais de uma "vending machine" por corredor. Se o cliente fizer questão de um frigobar, pode pedir na recepção, mas vai sentir no bolso: no Sheraton de Los Angeles e no Hilton de São Francisco, por exemplo, é preciso desembolsar US$ 25 a mais para colocar uma geladeira no quarto.
No Brasil, o custo de compra ou de locação de uma "vending machine" é considerado alto pelo setor hoteleiro, em função da quantidade de produtos vendida. Cada máquina nova com um mix variado de produtos pode sair por R$ 20 mil, fora os gastos de manutenção.
Para não deixar o hóspede com fome e sede no meio da noite, tanto o Formule 1 quanto o ibis têm um bar no térreo que funciona 24 horas. Kuntze diz que compensa mais pagar salário para esses funcionários do que comprar máquinas para os corredores. Outros empreendimentos oferecem serviço de quarto em tempo integral.
Aliado a isso, a percepção de perda de serviços pelos clientes é muito alta. "Com o passar do tempo, o consumidor vai sendo mais exigente", diz José Ernesto Marino Neto, CEO da consultoria BSH, especializada em hotelaria. Segundo Christina, da Atlantica Hotels, esse ponto é crucial, e a opção pelo frigobar não é uma decisão para cobrar tarifa mais alta, mas sim, segurar as contas corporativas: "Quando as empresas vêm de fora, têm a impressão de que vão conseguir reproduzir o conceito [de autosserviço]. A gente viu que ia perder cliente, que é uma questão cultural", diz.Voltar
Rhodia encontra nova rota para produzir acrílico "verde" no Brasil
DCI 20.10.2011 - A Rhodia Coatis deu o primeiro passo para a criação do "acrílico verde". A companhia fechou um acordo com a norte-americana Cobalt Technologies, especializada em bioquímicos, para a produção de butanol, insumo usado na produção de acrílico e solventes de fonte renovável na América Latina, a partir do bagaço de cana-de-açúcar, segundo o presidente da companhia, Vincent Kamel. Assim, a Rhodia prepara-se para substituir o butanol feito do propeno pelo produto biológico até 2015, com estimativa de produção de 200 mil toneladas.
Sete BR e Ocean Rig acirram briga por pedido da Petrobras
Valor 20.10.2011 - A licitação internacional aberta pela Petrobras para contratar serviços de afretamento de 21 sondas de perfuração marítima a serem construídas no Brasil tende a tornar-se alvo de um embate entre os dois concorrentes envolvidos no certame: a Sete Brasil, empresa da qual a Petrobras é sócia junto com bancos e fundos de pensão, e a operadora Ocean Rig do Brasil. A Sete BR entrou com recurso na Petrobras pedindo que a Ocean Rig seja desclassificada. Mas a Ocean Rig deve entrar até segunda-feira com pedido de impugnação do recurso apresentado pela Sete BR, segundo apurou o Valor. No início do mês, a Ocean Rig apresentou as melhores propostas para construir e afretar cinco das 21 sondas à Petrobras. Na ocasião, a Ocean Rig ofereceu as taxas de afretamento mais baixas na concorrência, na faixa de US$ 584 mil por unidade por dia. Na sexta-feira, a Sete BR entrou com recurso junto à comissão de licitação da Petrobras pedindo que a Ocean Rig fosse desclassificada. E que a Sete fosse declarada ganhadora do certame. Na licitação, a Sete BR apresentou duas propostas em parceria com vários operadores de plataformas: uma para construir 15 navios-sonda e outra para fazer seis unidades do tipo semi-submersível. As operadoras associadas à Sete BR são Queiroz Galvão Óleo e Gás, Odebrecht Óleo e Gás, Etesco / OAS, Petroserv, Odjfells e Seadrill. A Ocean Rig entrou na licitação de forma independente da Sete BR, o que surpreendeu parte do mercado. O Valor apurou que o recurso da Sete BR se apoia em um tripé. A empresa questionou a ausência de CNPJ da Ocean Rig quando do envio, pela Petrobras, da carta-convite para as empresas participarem da concorrência, em 3 de junho (a inscrição cadastral da empresa é de 7 de junho). Também foram levantadas dúvidas em relação ao funcionamento do sistema de perfuração apresentado pela Ocean Rig, baseado em uma nova tecnologia chamada "dual drilling", que aumenta a velocidade de operação da sonda.
Esse projeto, desenvolvido pela empresa Huisman, tornou a proposta da Ocean Rig mais competitiva, segundo disseram fontes do setor. Por fim, a Sete BR discute no recurso a capacidade econômica da Ocean Rig de levar adiante o projeto de construção das cinco sondas em estaleiros nacionais. Quando da divulgação das propostas, no início do mês, noticiou-se que a Ocean Rig tem acordo com os estaleiros do grupo Synergy (Eisa e Mauá, no Rio) para construir as sondas. A reportagem procurou ontem a Sete BR para falar sobre o recurso apresentado pela empresa à Petrobras, mas não obteve retorno. O jornal também tentou contato com a Ocean Rig, mas não foi possível localizar seus representantes. Procurada, a Petrobras disse que não comenta licitações em andamento.
Fontes que acompanham a licitação disseram que a Ocean Rig deve tentar impugnar o pedido de reconsideração da licitação feito pela Sete BR para que seja declarada vencedora das cinco sondas. Para a fonte, somente a Petrobras pode definir a capacidade do participante em executar o serviço licitado. Nesse sentido caberia à própria Petrobras solicitar esclarecimentos à Ocean Rig, se considerar necessário. Uma fonte da indústria naval afirmou que a própria Sete BR foi criada há pouco tempo.
Segundo a fonte, as condições apresentadas pela Ocean Rig atenderiam as exigências feitas no convite da Petrobras. E disse que a estatal utiliza critérios próprios e aqueles previstos no convite para averiguar a capacidade financeira do licitante. De acordo com um executivo do setor, no recurso apresentado à Petrobras a Sete BR alegou que a controladora da Ocean Rig, a empresa de navegação grega Dryship, enfrentaria supostas dificuldades financeiras, em especial depois do agravamento da crise econômica na Grécia.
BNDES deve financiar R$ 8 bi para eólicas
Folhapress 20.10.2011 - Valor é de pedidos de financiamento para a energia a partir do vento; empréstimos em 2011 chegarão a R$ 4,5 bi. Brasil tem grande potencial por ventos bons e constantes; crise nos EUA e Europa atrai fabricantes para o país. Os investimentos em energia eólica no país estão em franca expansão. Um dos termômetros desse comportamento, a carteira de pedidos de financiamento junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), disparou neste ano e atingiu R$ 8 bilhões. Os desembolsos do banco para parques eólicos em 2011 devem chegar a R$ 4,5 bilhões, segundo estimativa da chefe do departamento de energia elétrica do banco, Márcia Leal. A carteira representa os pedidos de empréstimo, enquanto os desembolsos são os recursos efetivamente liberados.
Se a expectativa do banco se concretizar, representará um crescimento de mais de 14.000% sobre as liberações de empréstimo do ano passado -de R$ 649 milhões. Nos nove primeiros meses de 2011, esse valor já quase triplicou e atingiu R$ 1,6 bilhão. A explicação para a explosão dos investimentos em energia eólica está em dois pilares. O primeiro é o potencial efetivo do Brasil, com ventos bons e constantes. O segundo é a crise na economia mundial, especialmente com a retração dos investimentos de EUA e Europa em energia eólica, que fez com que o Brasil atraísse grandes fabricantes de equipamentos de aerogeração. "Há seis anos havia apenas três fabricantes de equipamentos eólicos no país. Hoje eles são 13", diz o diretor-executivo da Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), Pedro Perrelli. Agora empresas como Impsa, Wobben, GE , Vestas, Suzlon , Gamesa, Alstom e Siemens têm fábricas de equipamentos e aerogeradores em solo brasileiro.
A possibilidade de nacionalização dos componentes e o interesse de grupos multinacionais em produzir esse tipo de energia alternativa no país acirraram a competição nos leilões de energia promovidos pelo governo e jogou os preços para baixo. "Há uma redução de 20% a 25% em média nos preços da energia eólica a cada ano, e isso está fazendo com que ela seja mais competitiva ante outras fontes energéticas", diz o gerente de energias alternativas do BNDES, Luis André Sá d'Oliveira. Nos últimos cinco leilões de energia realizados desde 2009, foram contratados 5.785 MW (megawatts) de potência instalada. Hoje a energia eólica representa menos de 1% da matriz de geração nacional, mas, até 2014, quando todos esses projetos estiverem concluídos, chegará a 5% da capacidade instalada de geração no país. O número de investidores interessados em instalar parques eólicos não para de crescer. Hoje são 27 empresas: desde Petrobras e Eletrobras, como construtoras como Odebrecht e Queiroz Galvão, a grupos privados de energia como CPFL e Neoenergia.
CEEE renegocia dívida de R$ 400 mi
Valor 20.10.2011 - A Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica (CEEE -D), controlada pelo governo do Rio Grande do Sul, está negociando uma dívida de R$ 400 milhões com a Eletrobras, acumulada desde o início do ano. O débito corresponde a encargos setoriais recolhidos e não repassados pela estatal gaúcha, como a Reserva Global de Reversão (RGR), a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), além da cota compulsória da energia comprada de Itaipu. A solução do caso é condição imposta pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para autorizar a aplicação de um reajuste médio de 7,82% nas tarifas cobradas pela CEEE-D, prevista inicialmente para o dia 25 deste mês. A estatal tem quase 1,5 milhão de clientes em 72 municípios, incluindo Porto Alegre, parte da região metropolitana, litoral, sul e centro do Estado e no primeiro semestre apurou receita líquida de R$ 980,5 milhões.
Segundo o presidente do grupo CEEE, que inclui ainda a CEEE-GT (geração e transmissão), Sérgio Dias, a empresa vem negociando há alguns meses com a Eletrobras. Até o fim de outubro haverá nova reunião com a direção da estatal federal, que detém 32,6% do capital total da companhia gaúcha, para tentar um acordo. Uma apresentação sobre o caso já foi feita até para o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, informou o executivo, que assumiu o cargo no início deste ano. As dívidas financeiras da CEEE-D somavam R$ 545,5 milhões no fim do primeiro semestre deste ano.
A proposta da CEEE-D inclui o parcelamento da dívida acumulada, em prazo a ser definido, com seis meses de carência e retomada dos pagamentos dos débitos correntes em novembro. De acordo com Dias, a distribuidora deve outros R$ 70 milhões para a Aneel em multas por descumprimento de índices de qualidade dos serviços e também está negociando a conversão do passivo em realização de obras, sem a incidência no valor no cálculo do reajuste tarifário. Conforme o executivo, as dificuldades são fruto de prejuízos acumulados (foram R$ 210,8 milhões em 2010 e R$ 18 milhões no primeiro semestre de 2011) e da falta de investimentos na expansão da rede de distribuição, o que limita a capacidade de geração de receita. O volume de aportes tem ficado entre R$ 80 milhões e R$ 90 milhões por ano, metade do que é considerado necessário.
Numa perspectiva de longo prazo, Dias entende que a crise também está relacionada ao modelo de privatização parcial adotado pelo governo gaúcho em 1997. Na época, quando a estatal ainda era verticalizada, dois terços da área de distribuição foram desmembrados e vendidos para os grupos AES e CPFL. "A privatização reduziu à metade o faturamento do grupo, mas 90% dos passivos trabalhistas e cíveis ficaram com a parte estatal", explica o presidente. No fim do primeiro semestre, a CEEE-D acumulava provisões de R$ 319 milhões para contingências trabalhistas e cíveis e mais R$ 714,9 milhões para planos de previdência e complementação de aposentadorias de funcionários e ex-empregados. As dívidas financeiras, incluindo dois fundos de investimentos em direitos creditórios (FIDC) emitidos em 2006 e 2008, somavam outros R$ 545,5 milhões em 30 de junho. No terceiro trimestre foi lançado outro FIDC, de R$ 200 milhões. Agora, a empresa está negociando um empréstimo de R$ 1,2 bilhão com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) com juros reduzidos, cinco anos de carência e 20 anos para pagamento. O objetivo é garantir os investimentos nos próximos três anos. A distribuidora também está promovendo uma reestruturação interna, incluindo um plano de demissão voluntária para reduzir os gastos com salários, que alcançam R$ 29 milhões por mês, incluindo aposentados. A CEEE-D tem 3 mil funcionários e até o fim da gestão atual, em 2014, Dias pretende deixar "encaminhada" uma redução de 20% no quadro.
WEG adquire controle da Cestari e amplia áreas de atuação
Valor 20.10.2011 - A fabricante mundial de motores elétricos WEG anunciou ontem a aquisição do controle acionário da Cestari, fabricante brasileira de redutores e motorredutores com sede em Monte Alto, em São Paulo. O negócio envolveu a compra de 50% mais uma ação da empresa paulista, que tem previsão de encerrar 2011 com faturamento de R$ 70 milhões. Os redutores são itens acoplados aos motores elétricos que ajustam a velocidade de rotação em relação a um determinado equipamento e garantem mais eficiência e economia de energia. O item pode ser agregado, por exemplo, junto ao motor que faz funcionar uma esteira de produtos. Segundo o presidente da WEG, Harry Schmelzer Jr, cerca de 20% das aplicações de motores elétricos em equipamentos exigem o uso de um redutor.
De acordo com Schmelzer, a Cestari mantém a segunda posição no mercado nacional de redutores, mas há potencial de crescimento. "Com a força de vendas da WEG iremos ampliar a participação de mercado", disse. Com o negócio, a Cestari passa de cliente a controlada da WEG. Segundo Schmelzer, a fabricante de redutores comprava motores da companhia para entregar ao mercado os motorredutores.
A associação entre as duas empresas vai combinar as soluções em motores elétricos e sistemas de automação industrial da WEG aos redutores da Cestari em pacotes de soluções integradas. A fábrica em Monte Alto tem uma estrutura verticalizada de produção, com fundição em ferro, bronze e alumínio, além de usinagem em centros computadorizados.
A Cestari mantém além da unidade de redutores, uma unidade automotiva, que desenvolve, fabrica e comercializa peças para o setor, e de serviços de manutenção, reparo e consertos de redutores e motorredutores em geral. Schmelzer explica que com a aquisição a empresa busca o complemento mecânico para a solução eletro-eletrônica desenvolvida pela WEG. Em negociações passadas, a companhia que tem sede em Jaraguá do Sul buscou parceiros com expertise na parte mecânica para os negócios de aerogeradores, com a associação ao grupo espanhol M. Torres Olvega Industrial (MTOI), e de turbinas hidráulicas, em que houve uma joint-venture com a Hidráulica Industrial (HISA), na qual a WEG detém 60%. A aquisição se alinha à estratégia da WEG de complementar o mix de produtos por meio de aquisições ou associações com sinergia com a área que atua. No ano passado, a empresa avançou no segmento de automação com a aquisição da Equisul, especializada em sistemas de fornecimento ininterrupto de energia, e da Instrutech, brasileira fabricante de produtos e sistemas de automação industrial e comercial e de segurança homem/máquina. No primeiro semestre, a WEG apurou um resultado líquido de vendas de R$ 2,4 bilhões, um crescimento de 23,6% sobre o mesmo período de 2010. A receita operacional bruta alcançada foi de R$ 2,8 bilhões, aumento de 21% sobre o ano anterior. A companhia divulga os resultados do terceiro trimestre deste ano na quarta-feira da próxima semana.
Fracassa fusão no setor de crédito imobiliário
Folha 20.10.2011 - Divergências de visão e de estilo de negócio inviabilizam associação. Ideia era formar empresa capaz de padronizar contratos e virar alternativa para financiar a habitação. Fracassou a tentativa de fusão das três maiores empresas de infraestrutura de crédito imobiliário -BFRE (Brazilian Finance & Real Estate), BS (Brazilian Securities) e Cibrasec- no país. Ontem, as empresas anunciaram que desistiram do negócio por falta de "sinergias estratégicas".
As empresas são líderes na securitização de crédito imobiliário, negócio que consiste em transformar títulos de dívida imobiliária em aplicações financeiras. O modelo é visto como alternativa para complementar os recursos do financiamento imobiliário, que depende da poupança.
A ideia era criar uma grande securitizadora capaz de padronizar contratos, ganhar escala e tornar o mercado de capitais um financiador da expansão imobiliária.
"O receio era que a fusão colocasse em risco dois modelos diferentes, mas de sucesso. A Cibrasec tem DNA de banco, modelo operacional e princípios bancários. A Brazilian também tem modelo de sucesso, mas com visão de empresa independente e com acionistas estrangeiros", disse Fernando Brasileiro, presidente da Cibrasec.
Entre os acionistas da Cibrasec, estão os 17 maiores bancos do país, que têm interesse em continuar dando as cartas do setor imobiliário.
Já a Brazilian tem acionistas independentes dos grandes bancos e investidores estrangeiros, que defendiam um modelo com participação do mercado de capitais.
Cibrasec e Brazilian desistem de fusão
Valor 20.10.2011 - Em andamento desde o fim do ano passado, o processo de fusão das securitizadoras de créditos imobiliários Cibrasec, que tem como acionistas os maiores bancos do país, e Brazilian Securities, controlada pelo grupo Ourinvest, não vai mais acontecer. As companhias atribuem a desistência a diferenças de "práticas e modelos operacionais", sem detalhar o significado disso. Embora reconheça uma certa frustração, o presidente da Cibrasec, Fernando Brasileiro, diz que a complexidade encontrada para unir as operações não compensaria os ganhos potenciais do negócio. "A dificuldade na implementação da fusão poderia colocar em risco dois modelos de sucesso", argumenta. Procurada, a Brazilian, que também tem o megainvestidor imobiliário dos Estados Unidos Sam Zell entre seus sócios, não se manifestou.
O objetivo da operação era formar uma grande companhia securitizadora, que tivesse capacidade de transformar os créditos imobiliários dos bancos em títulos para investidores. A capacidade de vender esses papéis no mercado de capitais seria importante para gerar novos recursos para o financiamento imobiliário num momento em que se discute a possível escassez de recursos da poupança.
As emissões de certificados de recebíveis imobiliários (CRI) atingiram R$ 7,7 bilhões entre janeiro e setembro deste ano, um crescimento de 45% em relação ao mesmo período de 2010.
Em tese, a fusão faria todo o sentido, já que a Brazilian Securities tem forte presença no mercado residencial, o que daria vazão aos financiamentos originados pelas instituições financeiras. Internamente, porém, a avaliação foi a de que o negócio não traria a complementaridade esperada. O revés na união pegou o mercado de surpresa. Apesar de nenhum compromisso formal ter sido assinado, as negociações estavam em fase avançada, a ponto de as companhias discutirem o nome que seria dado à nova marca e, em atas públicas de assembleias, terem revelado que apresentariam a operação ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
O processo já havia, inclusive, chegado à fase de auditoria, a chamada "due diligence", quando foi interrompido. O executivo da Cibrasec nega, contudo, qualquer divergência nos números das companhias. "O potencial do mercado é espetacular. A fusão seria um catalisador, mas as empresas têm uma posição tão boa que podem crescer de forma independente."
Com a desistência da fusão, a Cibrasec continua com um dilema societário. Com o processo de fusão no setor financeiro, vários bancos passaram a deter uma participação acionária superior a 10%, o que os impede de operar com a companhia, conforme norma do Banco Central. Brasileiro diz que a empresa estuda alternativas, inclusive internamente com os sócios, embora nenhum mostre disposição em se desfazer de sua posição. Ele considera, porém, que esse problema tende a ser minimizado com a tendência de crescimento das carteiras imobiliárias, que reduz a necessidade de compra de créditos pelos bancos para o cumprimento da aplicação dos recursos da poupança. "Queremos resolver a questão, mas não há estresse.
Iochpe-Maxion acelera internacionalização
Valor 20.10.2011 - Nos últimos 15 dias, a companhia brasileira Iochpe-Maxion deu mostras de agressividade em sua estratégia de internacionalização. No intervalo, a fabricante de rodas e chassis automotivos e de vagões de carga empenhou quase US$ 1 bilhão na compra de duas empresas, uma com sede nos Estados Unidos e outra no México, a preços considerados "atraentes" por analistas de investimentos. Sacramentadas as transações, a Iochpe terá dobrado de tamanho em termos de receita líquida. Com as operações, a companhia garantiu ainda o posto de principal fornecedora de rodas para veículos leves e pesados também no mercado americano - a empresa já é líder em rodas de aço para pesados no Brasil - e deu início ao processo de internacionalização na área de chassis, cuja produção estava concentrada no país. O sinal emitido pela Iochpe foi claro: interessa expandir os negócios no mercado americano - porém não de forma restrita a essa região - e a estratégia é produzir fora do país a mesma linha de produtos que saem das fábricas brasileiras. O apetite por compras, contudo, deve ser reduzido no curto prazo em razão do nível de alavancagem atingido com as transações recentes. Pelos cálculos do analista Artur Delorme, da Ativa Corretora, a alavancagem da empresa medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda (sigla em inglês para resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização) deve ficar um pouco acima de 2,5 vezes com as duas aquisições. Hoje, esse indicador está em uma vez. "Num primeiro momento, é elevado, porém aceitável", avalia o analista. "Isso reduz a possibilidade de uma nova compra no curtíssimo prazo." Ontem, a companhia anunciou a aquisição de 100% das ações do grupo mexicano Galaz, ao preço de US$ 195 milhões, por meio das subsidiárias Iochpe Sistemas Automotivos de México e Maxion Fumagalli de México. Conforme Delorme, da Ativa, o múltiplo EV/Ebitda (valor de mercado da empresa mais dívida/Ebitda) da operação foi de 5,2 vezes, abaixo do indicador de 6,3 vezes exibido atualmente pela própria Iochpe. "Não é tão barato, mas está abaixo do seu múltiplo", avalia o analista. No dia 5, a brasileira já havia firmado acordo de compra com a americana Hayes Lemmerz International, por US$ 725 milhões, incluindo a assunção de US$ 23 milhões em dívida líquida. Nessa transação, de acordo com Delorme, o múltiplo EV/Ebitda foi de 3,2 vezes. "A Iochpe pagou barato por uma empresa que tem praticamente o seu tamanho e é a principal 'player' daquele mercado", diz o analista da Ativa.
As duas operações de compra serão totalmente financiadas por instituições financeiras nacionais e a combinação das receitas líquidas anuais das três empresas gira em torno de R$ 6 bilhões, considerando-se as estimativas da Ativa para 2011. Para este ano, se consideradas as operações da Iochpe antes das compras, a receita líquida estimada é de R$ 2,72 bilhões.
A aquisição da Hayes Lemmerz alçou a Iochpe à liderança no mercado de rodas para veículos leves e pesados nos Estados Unidos. Até então, a companhia brasileira atuava apenas no segmento americano de veículos leves, por meio da Fumagalli, adquirida da ArvinMeritor em 2009.
Com 17 unidades industriais, a Hayes tem capacidade de produção anual de 63,4 milhões de rodas, das quais 44,2 milhões de rodas de aço para veículos leves, 7,8 milhões de rodas de aço para veículos comerciais e 11,4 milhões de rodas de alumínio para veículos leves - a Iochpe, por sua vez, tem capacidade total em rodas de 23,3 milhões por ano.
A aquisição também abre portas à Iochpe em mercados não explorados, como por exemplo a Turquia, ao mesmo tempo em que amplia a exposição da empresa brasileira a regiões que têm sido mais afetadas pela crise econômica. "São mercados com perspectivas piores do que as oferecidas pelos emergentes", pondera o analista da Ativa.
Já a companhia mexicana Galaz fabrica longarinas de aço (componente estrutural de um chassi) para veículos comerciais em uma unidade instalada em Monclova, no norte daquele país. Da fábrica, abastece sobretudo montadoras instaladas no mercado americano.
Segundo a Iochpe, o grupo conta com 1,45 mil funcionários e, entre janeiro e agosto, registrou receita líquida de US$ 133,7 milhões e Ebitda de US$ 24,9 milhões. O lucro líquido no intervalo foi de US$ 14,5 milhões. No mesmo período, a companhia brasileira registrou receita líquida de R$ 1,36 bilhão, com alta de 27,6% na comparação com igual intervalo de 2010.
Procurada, a Iochpe-Maxion não forneceu mais informações sobre a sua estratégia de internacionalização.
AVG mantém produção e prevê recorde este ano
Valor 20.10.2011 - "Somos uma das únicas empresas do setor siderúrgico de Minas Gerais e talvez do Brasil que está operando com praticamente 100% de sua capacidade." A frase, em tom de vitória, é de Fernando Coura, sócio-diretor da AVG Siderurgia. A empresa pertence ao grupo familiar e produz ferro-gusa em Sete Lagoas.
"Batemos recorde de produção em 2010, com 260 mil toneladas e este ano vamos estabelecer outro recorde, com 280 mil toneladas. Estamos trabalhando à plena carga nos dois alto-fornos e a nossa meta é chegar a 300 mil toneladas nos próximos anos", diz Coura, que é também vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
Num momento em que parece só se ouvir queixas do setor de ferro-gusa, a AVG é mesmo uma das poucas que falam em crescimento. A mágica do grupo é estar muito capitalizado. Em 2008, antes da crise estourar, a família que controla a empresa vendeu sua mina de minério de ferro de Serra Azul, em Minas, para Eike Batista. Um negócio de US$ 245 milhões.
Com a recessão, a usina de gusa fechou as portas por alguns meses. Quando voltou, passou a trabalhar com margens de lucro muito pequenas. "Margens só para sobreviver, em parte até pagamos para trabalhar", diz Coura. A empresa tinha capital para isso a aproveitou para atender à demanda que, mesmo aos trancos e barrancos, ainda existe.
"O mercado não acabou", diz. "É claro que o que há hoje não é suficiente para toda capacidade instalada da indústria de ferro-gusa", diz ele. O grupo mostra que tem fôlego financeiro para se manter e olhar para frente. A empresa está, segundo Coura, a caminho de se tornar autossuficiente em carvão vegetal, o que espera ocorrer daqui a seis anos. A AVG tem hoje 18 mil hectares de florestas próprias e parcerias com terceiros. Investe R$ 12 milhões na formação de florestas de eucaliptos e na compra de novas áreas. Mais R$ 30 milhões estão sendo investidos em duas termelétricas e num sistema para aproveitar melhor o carvão usado na fabricação do gusa. "Tudo isso para tornar o negócio viável. Nós estamos investindo e acreditando.
Dicico, Leroy Merlin, Telhanorte e C&C
Folha 20.10.2011 - Mesmo com a desaceleração da economia, o setor de construção civil continua em crescimento. A empresa Dicico prevê aumento de 18% neste ano, de acordo com o copresidente Jorge Letra. Enquanto isso, o segmento deve ter alta de 6% nas vendas.
A rede de lojas de material de construção abrirá cinco unidades no Estado de São Paulo em 2012. O investimento em cada uma delas varia de R$ 3 milhões a R$ 5 milhões. Os tamanhos das filiais ficarão entre 1.500 m2 e 4.000 m2, segundo Letra. "Além das novas unidades próprias, também faremos grandes reformas em três lojas, que receberão investimento semelhante, e uma mudança de ponto."
A rede também implementará um plano de expansão por meio de franquias. Nos próximos quatro anos, serão abertas cem unidades. "O setor não se expande muito por franquias devido à dificuldade de ter todos os produtos em estoque. Nos preparamos por quatro anos para garantir a logística adequada a partir dos centros de distribuição", diz Letra. Os principais concorrentes da Dicico são Leroy Merlin, Telhanorte e C&C.
Comércio eletrônico é nova frente de batalha para Google
Valor 20.10.2011 - O Google estreou ontem no Brasil o Google Shopping, serviço de busca e comparação de preços de produtos. O lançamento faz parte da estratégia da companhia de reforçar a sua oferta de serviços voltados para o comércio eletrônico. A companhia vem empreendendo esforços nos últimos anos para reduzir a sua dependência em relação à publicidade digital, que atualmente representa 96% de sua receita global.
O Google Shopping já havia sido lançado nos Estados Unidos, na Alemanha, Inglaterra, França, Itália, Espanha, Holanda, Austrália e no Japão. Além do Brasil, o serviço também foi inaugurado ontem na Suíça. "Atualmente, o comércio eletrônico está no centro da nossa estratégia", afirma Lucia Tahara Le Menn, gerente global de parcerias estratégicas de varejo do Google. Outra divisão em que a companhia tem investido fortemente é a de serviços voltados à mobilidade. O Google não divulga o número de empresas cadastradas no Brasil. Lucia diz que grandes varejistas já ofertam produtos no site, entre elas o grupo Nova Pontocom, criado a partir da associação entre Grupo Pão de Açúcar e Casas Bahia, Carrefour, Magazine Luiza, Netshoes, Marisa, Fnac e B2W, dona de marcas como Submarino, Americanas.com e Shoptime.
"O objetivo do lançamento é atrair também os sites de comércio eletrônico pequenos e médios", diz Lucia. No mundo, pouco mais de 200 mil empresas já se cadastraram no Google Shopping, totalizando uma oferta de 1 bilhão de produtos. O serviço foi lançado gratuitamente para as varejistas. De acordo com Lucia, a expectativa é que o Google Shopping atraia um número maior de internautas, o que vai se reverter, futuramente, em ganhos nas vendas de anúncios e links patrocinados no site de buscas.
As redes de varejo fazem o cadastro em um site específico e inscrevem os produtos com preço, foto, descrição, código de barras, entre outros dados. A empresa decide com que frequência pretende fazer a atualização de produtos e preços, que pode ser diária ou várias vezes por dia.
Para atender à demanda do mercado brasileiro, companhia acrescentou no comparador dados de vendas a prazo
No caso do Brasil, onde a ferramenta foi desenvolvida por quase dois anos, a companhia também acrescentou informações sobre pagamentos a prazo e valor das parcelas. "Em outros países a informação que importa é o preço à vista, mas depois de pesquisar o mercado, observamos que os dados de parcelamento importam bastante para o internauta brasileiro", diz Lucia.
Para o internauta, o serviço funciona, por enquanto, como uma ferramenta no menu do site de buscas principal do Google, como mapas e imagens. "Em breve a busca por produto se tornará automática", afirma a gerente. Ao fazer a pesquisa por um produto no Google Shopping, o internauta recebe uma lista de ofertas, contendo detalhes do produto, preços e lista de lojas mais próximas. Os resultados são exibidos na página de busca, em vez de abrir novas telas, como é feito em outros sites de comparação.
O desenvolvimento de ferramentas voltadas ao comércio eletrônico é uma das principais frentes de batalha do Google para diversificar as suas fontes de receita. Em setembro, a companhia já havia anunciado um serviço de busca e reserva de passagens aéreas e de hospedagem, lançado nos Estados Unidos e em fase de desenvolvimento no Brasil.
Globalmente, uma das ações mais representativas da companhia na área de comércio eletrônico foi a compra do site compras americano Dealmap, para competir diretamente com o Groupon, que o Google tentou adquirir em 2010, por US$ 6 bilhões. No mês passado, a companhia também adquiriu a empresa Zagat, uma das mais conhecidas e renomadas em avaliação e análise de restaurantes ao redor do mundo. Em 2010, o Google também comprou o site Like.com, por US$ 100 milhões e lançou o Boutiques.com, voltado para a oferta de roupas e acessórios por estilistas de moda. Marcelo Silva, analista de mercado da consultoria Frost & Sullivan, considera que a aquisição de empresas como a estreante de tecnologia NFC Zetawire, em 2010, e o site de compras coletivas alemão DailyDeal "demonstram claramente as agressivas iniciativas tomadas pelo Google para entrar em novos mercados".
O analista ressalta a criação do serviço de pagamento móvel Google Wallet (ainda não lançado no Brasil), do site de buscas para passagens aéreas Flight Search e do serviço de comparação de preços Google Shopping como sinais mais representativos do interesse da companhia em voltar-se para serviços de comércio eletrônico.
Silva observa, no entanto, que os serviços lançados ainda não permitiram à empresa livrar-se da dependência da publicidade on-line. "Mesmo com iniciativas como a plataforma Android, o computador baseado na nuvem Chromebook e a rede social Google+, a variação nas receitas não oriundas de serviços de propaganda não passou de 1% nos últimos três anos", afirma.
Oferta X, site de compras coletivas, tem novo dono
Folha 20.10.2011 - Depois de o site de compras coletivas Ofertas.com.br (que tem como sócio o Grupo Multi) ter anunciado a compra do concorrente Oferta X em agosto passado, outra empresa do ramo, a Groupalia, acabou arrematando o negócio. A companhia espanhola, que entrou no Brasil em agosto de 2010, é o quarto maior site de compras coletivas do país, atrás do Groupon, do Peixe Urbano e do ClickOn. Com o Oferta X, a Groupalia passa de 4 milhões para 5,5 milhões de usuários no país. "Vamos nos consolidar na quarta posição e nos aproximar mais do terceiro colocado", afirma Henrique Iwamoto, diretor-geral da Groupalia no Brasil. Iwamoto diz que negociou com o Oferta X "por vários meses" e que "em nenhum momento" o site disse a ele ter fechado outro negócio. Por e-mail, o Ofertas.com.br informou à Folha que "a aquisição do Oferta X, anunciada ao mercado em 19 de agosto de 2011, não foi concluída em virtude da não concordância, por parte dos sócios, em relação às condições". O valor da operação não foi revelado.
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