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Kirin assume Schin e negocia com minoritários
Valor 13.10.2011 - Até sexta-feira da semana passada, os irmãos José Augusto, Daniela e Gilberto Schincariol Júnior, sócios da Jadangil, dona de 49,55% da fabricante de bebidas Schincariol, tinham R$ 2,5 bilhões nas mãos. Esse era o valor proposto pela Kirin para tomar de vez o controle da empresa, depois de ter pago R$ 3,95 bilhões em agosto pela Aleadri (dona de 50,45% da Schincariol) e ser impedida de assumir o negócio, por conta de liminar obtida pela Jadangil. Mas veio o fim de semana e, segundo apurou o Valor, os minoritários fizeram outros pleitos que acabaram por minar a negociação. Na terça-feira, a liminar que barrava a Kirin foi cassada e a múlti japonesa pode rever as bases da sua oferta à Jadangil.
Uma equipe da Kirin está no Brasil para assumir o controle da Schincariol ainda nesta semana. Oficialmente, a defesa da Jadangil, representada pelo escritório Teixeira Martins Advogados, diz que vai recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, instância onde o caso deve demorar bem mais tempo para ser julgado. Mas os minoritários ficaram em posição bastante delicada na negociação com a Kirin: a Câmara de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo negou, por unanimidade, a anulação da venda da Aleadri aos japoneses, que não aceitaram as novas condições impostas pela Jadangil para vender sua participação.
Segundo apurou o Valor, Gilberto Schincariol Júnior, atual diretor financeiro da fabricante, queria que a Kirin pagasse os honorários dos seus advogados e que fosse retirada do acordo a cláusula de não concorrência por cinco anos (o que lhe daria direito de voltar ao mercado de bebidas). O primo de Adriano e Alexandre também pleiteou uma lista de imóveis da fabricante, entre eles, fazendas onde estão as principais fontes de água da Schincariol.
A Kirin negou e as negociações pararam. O anúncio do acordo seria feito na segunda-feira, o que dispensaria o julgamento da liminar na terça. No início de agosto, quando comprou a Aleadri, a Kirin chegou a oferecer R$ 2 bilhões pela Jadangil, que não aceitou negociar. Agora, segundo fontes, pode ser que a Kirin não volte aos R$ 2,5 bilhões da semana passada.
Em nota divulgada pela sua assessoria de imprensa, a Kirin mandou uma mensagem de paz à Jadangil. A múlti japonesa afirmou estar "satisfeita pelo pedido [de derrubada da liminar] ter sido aceito". De acordo com a nota, a Kirin não tem intenção de afastar os minoritários e espera que possa desenvolver com eles um "relacionamento favorável".
No julgamento do caso, dois dos três desembargadores afirmaram que determinar uma indenização aos minoritários seria mais viável do que anular o negócio caso seja provado que o direito de preferência foi violado.
Em relação à violação do direito de preferência dos minoritários, o relator Enio Zuliani afirmou que a venda do controle da companhia não poderia ter passado despercebida entre os interessados. "Como se alega desconhecimento se a ação judicial [para suspender a venda] foi proposta um dia depois à concretização do negócio, com detalhes?", questionou. Os desembargadores também ressaltaram que, se a Jadangil queria exercer a preferência, deveria ter depositado o valor em juízo.
"Eles [Jadangil] nunca demonstraram capacidade para exercer a preferência", diz Eduardo Munhoz, advogado do Mattos Filho, que defendeu a Aleadri e elogiou a atuação da Câmara, órgão criado há apenas quatro meses. "Tomaram uma decisão rápida e prudente, preservando os interesses da empresa", disse. Na ação, a Kirin foi defendida pelo Tozzini Freire.
Para manter a transação suspensa, os minoritários alegavam que o preço pago pela Aleadri tinha ágil. O desembargador Pereira Calças considerou o argumento "frágil". "O pagamento do prêmio de controle aos majoritários é o que ensinamos aos alunos do terceiro ano de Direito", disse Calças, ressaltando que o montante também envolvia valores intangíveis, como a entrada no mercado brasileiro e as possibilidades de crescimento e futuros investimentos.
Brasil ajuda a melhorar vendas do francês Casino
Folha 13.10.2011 - O grupo francês Casino, sócio do Pão de Açúcar no Brasil, registrou crescimento de 21,2% nas vendas do terceiro trimestre. Seus resultados têm sido influenciados pelo robusto desempenho de mercados emergentes e aquisições no Brasil e na Tailândia. O Casino, que compete na França com o Carrefour e as redes privadas de varejo Leclerc, Intermarche e Auchan, manteve a sua previsão de crescimento anual de vendas de mais de 10% nos próximos três anos. O forte crescimento no exterior foi combinado a um ritmo mais moderado na França.
Com Casas Bahia, GPA vai a R$ 50 bi
Valor 13.10.2011 - Bethlem, vice-presidente do Grupo Pão de Açúcar: "O ano tem sido muito bom". A inclusão dos resultados da Casas Bahia no Grupo Pão de Açúcar fez com a companhia conseguisse faturar em nove meses quase R$ 1,5 bilhão a mais do que o faturado pelo grupo em todo o ano passado. De janeiro a setembro, a venda bruta do GPA foi de R$ 37,5 bilhões 59,5% superior ao mesmo período de 2010, segundo números publicados na terça-feira. No acumulado do ano passado, a receita bruta atingiu R$ 36,1 bilhões. Esses números podem ser melhor analisados agora porque o GPA passou a contabilizar a operação da Casas Bahia, da família Klein, em seus negócios em novembro de 2010.
Com os resultados divulgados nesta semana, cresce a possibilidade de a empresa fechar o ano de 2011 com vendas brutas na faixa dos R$ 50 bilhões e vendas líquidas em torno de R$ 45 bilhões. Após a divulgação dos dados na terça-feira, os relatórios com novas estimativas ainda estão sendo feitos pelos analistas, mas se o GPA repetir a venda bruta registrada no quarto trimestre de 2010 (R$ 12,6 bilhões), ou seja, não crescer nada, a companhia atinge receita bruta de R$ 50,1 bilhões em 2011.
"Os números apresentados pelo grupo foram bons em nossa avaliação, principalmente quando verificamos o desempenho das vendas nas mesmas lojas, que inclusive superou os índices de inflação", informou em relatório Leonardo Zanfelicio e Karina Freitas, da corretora Concórdia. Expansão na renda, queda no desemprego e ampliação no crédito favorecem o resultado e têm ampliado, ao mesmo tempo, a demanda por produtos alimentícios e eletrônicos nos últimos três anos, segundo resultados do grupo.
Com esse volume de vendas estimado pelo mercado para 2011, a empresa passa a ocupar a 31ª posição no ranking do setor no mundo, segundo relatório das 100 maiores cadeias realizado pela Deloitte Touche Tohmatsu Limited publicado no ano passado. Em 2010, a rede ocupava a 75ª colocação. Como as outras varejistas do ranking também têm se expandido, ainda que a taxas mais tímidas - visto que estão em mercados maduros, com baixo crescimento -, se o GPA ficar entre as 40 maiores do setor, a rede ultrapassa a AS Watson & Company, cadeia de Hong Kong e a maior varejista de país emergente no mundo em 2010, pelo relatório da Deloitte.
Apenas 11 empresas das 150 maiores varejistas do mundo estão em países emergentes, como Brasil, Chile, China e África do Sul, segundo relatório da Deloitte.
De acordo com os dados divulgados na terça-feira, as vendas brutas do GPA totalizaram pouco mais de R$ 37,5 bilhões de janeiro a setembro, alta de 59,5% em relação a 2010. Já as vendas líquidas alcançaram R$ 33,2 bilhões no período, um aumento de 57,8%. "O ano tem sido muito bom. Não sentimos [mais] desaquecimento nas vendas, finalizamos o processo de conversão nas lojas [CompreBem e Sendas para Extra, Pão de Açúcar e Assaí] e a pressão inflacionária perdeu força", diz Hugo Bethlem, vice-presidente executivo do GPA.
Na disputa entre os Peralta, o caixa do grupo encolheu
Valor 13.10.2011 - Os herdeiros do grupo Peralta, fundado nos anos 60 em Cubatão (SP) e que chegou a liderar o varejo de supermercados na Baixada Santista, travam uma disputa judicial há nove anos e no lance mais recente, no fim de agosto, a Justiça determinou a penhora de R$ 86 milhões nas contas das empresas que estão em apuração de haveres (avaliação do montante devido a sócio que se retira de uma sociedade). Foram encontrados menos de R$ 5 milhões.
A rede Peralta chegou a ter 37 lojas no litoral e interior de São Paulo. Ao longo do tempo, a família Peralta ampliou e diversificou os negócios. Criou outra rede de supermercados, o Paulistão; construiu shoppings centers; e comprou fazendas de rebanhos de gado. Em 1999, o Grupo Pão de Açúcar comprou o fundo de comércio dos supermercado Peralta.
Com a venda para o Grupo Pão de Açúcar, o maior grupo varejista do país, atualmente, a bandeira do supermercado Peralta deixou de existir. A rede Paulistão permaneceu ativa. Segundo o site da empresa, o supermercado conta hoje com 33 lojas espalhadas por 20 cidades do interior do Estado de São Paulo. A cidade que concentra o maior número de lojas é Bauru, com cinco endereços.
Herdeiros do grupo que chegou a liderar o setor de supermercados na Baixada Santista estão na Justiça há nove anos.
A partir da venda do Pão de Açúcar, as desavenças entre os quatro herdeiros - já existentes desde a morte do pai e fundador do grupo Joaquim Peralta, em 1992 - acentuaram-se, culminando com a saída do primogênito Armando Peralta do comando dos negócios.
Em 2001, ele entregou aos irmãos um pedido formal de retirada das sociedades do grupo, por meio da cisão dos bens das empresas. O pedido foi aceito, mas o patrimônio não foi dividido nos termos propostos por Armando, considerados "absurdos e leoninos" pelos outros filhos Antonio, Basílio e Fernando. Os três entraram na Justiça com uma ação de apuração de haveres para definir o valor correspondente aos herdeiros.
Os três irmãos disseram, por e-mail, que a saída de Armando "foi o resultado de um prolongado processo de distensões entre os sócios, provocado substancialmente pela postura egocêntrica e autoritária do Armando, que, mesmo na condição de sócio com 27,5% de participação, agia como se tivesse 100% dos votos nas decisões das empresas". "Sempre tive, não oficialmente, o gerenciamento geral do grupo. Eu era aquela pessoa que criava mais atrito porque não tinha como deixar de ser exigente. Ninguém consegue, a partir de uma mercearia, fazer um patrimônio desses sem muita austeridade", diz Armando. Segundo ele, a decisão dos irmãos de recorrer à Justiça ao invés de dividir o patrimônio no ato de seu desligamento foi estratégica, já que o embate nos tribunais costuma levar anos, esgotando as partes. "Com isso, buscavam forçar um acordo em condições menos favoráveis", explica um dos advogados de Armando, Marcelo Guimarães da Rocha e Silva.
No início de julho, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo ratificou decisão da 3ª Vara Cível de Santos e concedeu antecipação de tutela determinando o pagamento de R$ 86.385.039,06 a Armando. O montante corresponde a 27,5% do valor de R$ 314.127.414,76, apresentado pelo assistente dos autores da ação como sendo o total dos bens imóveis (ativos) das dez empresas do grupo em apuração de haveres, com base em outubro de 2002. O valor é um quarto do apresentado pelo perito assistente de Armando, que computou um patrimônio imobilizado quando ele deixou o grupo avaliado em R$ 1.283.807.800,00. A perícia do juiz estimou em R$ 649.090.504,00.
"Com base nisso, foi pedido que o juiz determinasse o pagamento de 27,5% sobre o valor incontroverso (incontestável, já reconhecido), ignorando por ora o valor do perito judicial e do nosso assistente", diz Sérgio Luiz A. Marcondes, outro advogado que representa Armando. Em 19 de agosto, o juiz Gustavo Antonio Louzada, da 3ª Vara Cível de Santos, determinou o bloqueio online nas contas das empresas, para resgatar o valor de R$ 86 milhões mais a correção monetária. Foram encontrados menos de R$ 5 milhões.
"Tudo indica que eles estejam desviando altos valores do grupo para não pagar o que devem. Eles criaram seis outras empresas paralelas com as mesmas atividades para investir os recursos advindos dos shoppings, dos aluguéis e do próprio Paulistão", diz Armando. "Se uma empresa tinha um patrimônio de R$ 1 bilhão em 2002 e hoje só tem R$ 5 milhões na conta corrente, está mais do que caracterizada a fraude à execução", diz Marcondes. No dia 5 de setembro, os advogados de Armando entraram com uma petição solicitando a nomeação de um administrador judicial. "É um pedido de intervenção. Chegamos a uma fase extrema, essa é a razão do pedido de um administrador judicial, porque eles não têm mais condição de administrar, eles estão desviando o patrimônio, dilapidando", diz Marcondes. A Justiça ainda analisa o pedido.
Antonio, Basílio e Fernando recorreram da ordem de penhora online. Responderam que o valor de R$ 86 milhões foi fixado apenas com base nos valores dos bens imóveis, apurados pela perícia de engenharia, "sem computar, portanto, como seria de rigor, os passivos sociais". Estes ainda estão em análise por uma outra perícia, de natureza contábil. "Tal questão, relacionada à necessidade do cômputo dos passivos, foi objeto de recurso e ainda está sub judice. Não se trata, portanto, de um valor incontroverso", sustentam.
Segundo eles, a ausência de montantes de vulto em caixa deve-se ao fato de a quase totalidade do patrimônio das sociedades ser representada por "aplicações no ativo permanente". Negaram qualquer desvio de bens para frustrar o pagamento de haveres de Armando. Informaram que "já existe um bem caucionado judicialmente para permitir o pagamento dos haveres, escolhido pelo próprio Armando, cujo valor, conforme reconhecido por ele na ocasião, é mais do que suficiente para garantir o pagamento que foi agora determinado, sem a necessidade da constrição de outros bens imóveis e/ou de dinheiro".
Armando diz temer se haverá dinheiro suficiente para receber sua fatia ao fim do processo. "Dependendo do prazo que demorar a ser finalizado, todo o patrimônio das empresas que estão em apuração de haveres e das pessoas físicas talvez não sejam suficientes para pagar os 27,5%, porque os juros contam desde aquela época".
Desde 2007, Armando e os filhos recebem uma pensão mensal de quase R$ 280 mil que será abatida do valor objeto da antecipação de tutela, conforme despacho do Tribunal. Ele ressente-se da forma como saiu do grupo. Após seu pedido de desligamento, diz, os irmãos o teriam excluído das empresas por meio de uma assembleia para a qual não foi convocado: "No dia seguinte fui trabalhar normalmente e tinham 12 seguranças armados à minha espera e dos meus filhos, quatro supervisores do grupo, e mais dois detetives à paisana". Os irmãos negam a expulsão, classificando-a de falsa.
Rio Grande do Sul negocia novo aeroporto
Estadão 12.10.2011 - Governo estadual busca apoio federal para licitar a construção e a gestão de um aeroporto pela iniciativa privada, a 25 quilômetros de Porto Alegre
O governo do Rio Grande do Sul quer aproveitar o bom humor da iniciativa privada com o setor aeroportuário para viabilizar a construção de um novo aeroporto na região metropolitana de Porto Alegre. O projeto prevê a utilização de uma área de 25 quilômetros quadrados entre os municípios de Portão e Nova Santa Rita, a cerca de 25 quilômetros da capital gaúcha.
Batizado provisoriamente de 20 de Setembro, a data de celebração da Revolução Farroupilha, o novo aeroporto pode ser uma alternativa para a expansão do transporte aéreo no Estado.
A Secretaria de Aviação Civil (SAC) participou de reuniões sobre o tema com representantes do governo do Rio Grande do Sul e deu o aval para a realização de estudos de viabilidade técnica e econômica. O governo estadual quer apresentar uma proposta para a SAC até o fim do ano.
"Queremos que o governo tenha no Rio Grande do Sul o mesmo olhar que teve com o aeroporto do Rio Grande do Norte, de fazer um projeto e convidar a iniciativa privada para participar", diz o secretário de Infraestrutura do Estado, Beto Albuquerque. O aeroporto de São Gonçalo do Amarante (RN), na região metropolitana de Natal, foi leiloado em agosto e será construído e administrado por um consórcio da brasileira Engevix com a argentina Corporación América.
Módulos. A proposta do governo gaúcho é que o Aeroporto 20 de Setembro seja construído em módulos, de acordo com a expansão da demanda. Apenas a primeira fase da obra deve custar, no mínimo, R$ 400 milhões, segundo Albuquerque. "Se o governo federal não se interessar pelo projeto, o estadual vai procurar a iniciativa privada."
Procurada pelo Estado, a SAC disse que ainda não definiu se fará uma concessão do novo aeroporto gaúcho, mas que o projeto entrará "em breve" na pauta de discussões sobre investimentos no setor. A Infraero não se pronunciou.
A criação de um novo aeroporto no Rio Grande do Sul é uma alternativa para suprir as necessidades de expansão do tráfego aéreo no Estado. O Aeroporto Salgado Filho, que atende a capital gaúcha, já opera acima da capacidade máxima e sua expansão é limitada. "Ele não tem como crescer. A cidade já o cercou", diz o professor de Ciências Aeronáuticas da PUC-RS, Enio Dexheimer .
O Aeroporto Salgado Filho tem capacidade para receber 6,5 milhões de passageiros por ano, segundo dados da Infraero. No ano passado, 6,6 milhões de pessoas embarcaram ou desembarcaram no local. E, neste ano, o movimento deve ser maior. Somente nos oito primeiros meses, as companhias aéreas transportaram 5 milhões de passageiros de/ou para Porto Alegre.
Águas do Brasil aposta em licitação no Rio para manter expansão
Valor 13.10.2011 - Abduche, diretor-geral da Águas do Brasil, diz que é vergonhoso apenas 20% do esgoto no Brasil ser tratado. Crescer gerando novos negócios, sem descartar oportunidades de aquisições que porventura venham a cruzar seu caminho. Com essa estratégia, a empresa carioca Águas do Brasil vem crescendo nos últimos quatro anos a uma taxa de média anual de 15%, segundo seu diretor-geral, Claudio Bechara Abduche, devendo alcançar em 2011 um faturamento de R$ 600 milhões, o que a coloca entre as maiores empresas privadas do país do setor de saneamento básico.
Com dez concessionárias em 12 municípios dos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, até agora a única aquisição feita pela empresa foi dos serviços de água e esgoto de Nova Friburgo, na região serrana do Rio, em janeiro de 2009.
A empresa avalia a possibilidade de um salto maior, a concessão para construir e explorar a rede de esgoto da zona Oeste da capital fluminense (exceto Barra da Tijuca e Jacarepaguá), com investimentos previstos de R$ 1,675 bilhão em 30 anos para construir 19 estações de tratamento e 221 elevatórias.
Uma das regiões mais pobres da cidade, a chamada Área de Planejamento 5 (AP-5) do município do Rio de Janeiro inclui os grandes e problemáticos bairros de Bangu, Campo Grande e Santa Cruz. Com 48% da área total da cidade, sua população de 1,8 milhão de habitantes corresponde a aproximadamente 30% da população carioca.
Segundo dados da prefeitura, a região possui hoje apenas 4% de esgoto tratado. A meta estipulada na licitação é de alcançar 36% de tratamento (65% de coleta) em 2016, ano dos Jogos Olímpicos na cidade, e 90% em 30 anos, o prazo da concessão. Segundo a prefeitura, 38 empresas, sendo duas estrangeiras, retiraram material da licitação.
Segundo o Valor apurou, a tendência da Águas do Brasil é concorrer em parceria com a Foz do Brasil, empresa do grupo Odebrecht, outra grande do setor, com faturamento na casa dos R$ 900 milhões anuais. Além do interesse no esgoto da zona Oeste do Rio, a Águas do Brasil disputa concessão plena (água e esgoto) para saneamento no município gaúcho de Santa Cruz do Sul, com cerca de 130 mil habitantes, e deverá disputar também a concessão plena para Votorantim (SP), município com cerca de 120 mil habitantes cuja entrega de envelopes estava prevista para hoje, mas acabou adiada a pedido do Ministério Público estadual.
A Águas do Brasil é uma associação das empresas Developer, do grupo Carioca Engenharia (45%), Queiróz Galvão (24%), Trana (17%) e Cowan (14%). A primeira outorga obtida foi a de Petrópolis (RJ), em 1998. De acordo com Abduche, os acionistas não têm até o momento intenção de abrir o capital da empresa que vem investindo com recursos próprios ou com financiamento do BNDES, tendo atualmente uma dívida total de apenas R$ 80 milhões, correspondente a aproximadamente 13% do faturamento bruto previsto para este ano.
O executivo disse que, além das concessões públicas para saneamento, a Águas do Brasil aposta em projetos privados de tratamento de efluentes, como nas grandes empresas. Ela já tem contrato com uma fábrica de sardinhas da marca Coqueiro do grupo Pepsico em São Gonçalo (RJ), está em negociações com mineradoras, incluindo a Vale, e com empresas do setor sucroalcooleiro. Ela criou também um grupo-tarefa para estudar a entrada no tratamento de água para reuso.
Na avaliação de Abduche, se os entraves legais forem superados, 2013 deverá ser o ano no qual o saneamento básico no Brasil irá deslanchar. Ele não acredita que esse "boom" ocorra em 2012 por ser ano de eleições municipais. Como são projetos de longa maturação, a tendência dos políticos seria de não começá-los no final das suas gestões, evitando deixar, eventualmente, que um rival fature com a obra que ele começou.
O diretor da Águas do Brasil classifica como "vergonhoso" o percentual de apenas 20% de esgoto tratado hoje no país. Ressaltando que "o privado não é solução para tudo", Abduche afirma que o setor conta hoje com apenas 7% do saneamento básico do país e considera que há espaço para chegar a 30% em 2016.
Americana vai oferecer internet via satélite no Brasil
Folha 13.10.2011 - Empresa Hughes ganhou leilão da Anatel e tem cinco anos para lançar ao espaço o primeiro de dois satélites. O grupo norte-americano Hughes confirmou planos de oferecer internet em banda larga, com acesso via satélite, no Brasil a consumidores residenciais. A empresa foi uma das vencedoras, em agosto, do leilão da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para exploração comercial de posições orbitais brasileiras.
A Hughes surpreendeu o mercado ao oferecer R$ 145 milhões por uma posição orbital, após acirrada disputa com a Sky. O preço significou um ágio de 3.500% sobre o valor mínimo definido pela agência reguladora. A licitação ainda está em fase de recurso administrativo. A Anatel licitou quatro posições orbitais: duas foram arrematadas pela Hughes e duas pela Star One. Os vencedores têm prazo de cinco anos para lançar o primeiro satélite, a partir da assinatura do contrato com a Anatel, e seis anos para lançar o segundo.
Durante o Congresso Latino-Americano de Satélites, encerrado na sexta-feira no Rio, o dirigente da Hughes no Brasil, Délio Morais, disse que a empresa -que hoje só atende clientes corporativos no país- pagou o preço necessário para entrar no mercado de consumo. "A charada está decifrada", disse o executivo ao ser questionado sobre os motivos que levaram a Hughes a elevar sucessivamente o preço. Ele não esclareceu, porém, qual o leque de serviços que a empresa pretende oferecer.
Há expectativa de que a Hughes vá concorrer com a Sky na oferta de TV paga via satélite. O acesso à internet para usuários finais, via satélite, ainda é escasso e caro no Brasil. Segundo as próprias empresas, ele atende basicamente grandes propriedades rurais em áreas remotas.
A Hughes pertence à Echostar, do magnata norte-americano Charles Ergen. Ele também é acionista da Dish, uma das principais empresas de TV paga via satélite dos Estados Unidos. A Dish, por sua vez, é concorrente da DirecTV, que no Brasil opera com a marca Sky. Há um aspecto curioso na entrada agressiva da Hughes no mercado de satélite brasileiro: Charles Ergen tem como sócio, na Dish, o mexicano Carlos Slim, dono da Embratel e da Claro, grande acionista da Net e controlador da Star One, principal operadora de satélite no Brasil.
Os dois grupos, parceiros no exterior, foram concorrentes na licitação da Anatel e cada um comprou o direito de usar duas posições orbitais brasileiras.
Mercado aquecido: No Congresso Latino-Americano de Satélites, ficou evidente que, a médio prazo, a oferta de capacidade satelital no Brasil será menor do que a procura.
O diretor da Intelsat para a América Latina, Estevão Ghizoni, disse que a empresa deslocou satélite da África para o Brasil. O satélite que a Hispamar (cujos acionistas são a Oi e a Telefônica) lançará em 2013 já está com sua capacidade vendida. A demanda é turbinada pela expansão da internet e das operações de TV paga.
Areva perto de ganhar contrato de 1 bi de euros para Angra 3
France Presse 12.10.2011 - O grupo nuclear francês Areva considera "muito provável" que ganhe um contrato na faixa de um bilhão de euros para a conclusão da central nuclear de Angra 3, anunciou nesta quarta-feira à AFP seu presidente Luc Oursel.
"Concluímos as negociações, existe agora um procedimento para validar o valor deste projeto pelos brasileiros. Mas consideramos que é muito provável que possamos realizar esta atividade no Brasil, que necessitará de um grande número de engenheiros (...) para um valor próximo de um bilhão de euros", disse Oursel.
"É um contrato de engenharia que permite ajudar a concluir esta central", disse Oursel à AFP, durante uma audiência aos deputados na Assembleia Nacional.
Os trabalhos de Angra 3, a cargo da Eletronuclear, são estimados no total em cerca de 4,9 bilhões de dólares (3,6 bilhões de euros).
A construção desse reator, com uma potência de quase 1.400 gigawatts, foi interrompida em 1985. O projeto foi retomado no ano passado e a central deve entrar em operação em 2015.
O reator é vizinho dos dois únicos reatores brasileiros em operação, Angra 1 e Angra 2, que produzem hoje cerca de 5% da energia elétrica do país. O Brasil tem planos para a construção de novos reatores.
A Areva ganhou recentemente um contrato semelhante nos Estados Unidos para a central inacabada de Bellefonte, no Alabama, por um valor de cerca de um bilhão de dólares.
Localiza anuncia lucro de R$ 75,3 milhões no 3º trimestre
Brasil Econômico 11.10.2011 - A receita líquida de aluguéis aumentou 19,1% no terceiro trimestre, somando R$ 362,9 milhões. A Localiza reportou nesta terça-feira (11/10) que seu lucro líquido no terceiro trimestre alcançou R$ 75,3 milhões, um incremento de 0,5% em relação ao mesmo período de 2010. No acumulado do ano, o lucro teve aumento de 17,6%, saindo de R$ 181,1 milhões no período entre janeiro e setembro de 2010 para R$ 212,9 milhões neste ano. A receita líquida de aluguéis aumentou 19,1% no trimestre - somando R$ 362,9 milhões -, sendo 15,9% no aluguel de carros e 26,4% no aluguel de frotas.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) consolidado no terceiro trimestre foi de R$ 216,2 milhões, alta de 21% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.
As despesas financeiras do trimestre passaram de R$ 31,4 milhões em 2010 para R$ 49,8 milhões neste ano, causadas pelo aumento de 1,25 ponto percentual na taxa básica de juros e aumento de R$ 329,1 milhões na dívida líquida média.
No terceiro trimestre, a companhia anunciou uma captação de US$ 75 milhões junto ao Bank of America, com vencimento final em seis anos.
Banco latino-americano está ao largo da crise
Valor 13.10.2011 - Se nos bancos da União Europeia o clima está mais para um longo inverno russo, nas instituições financeiras da América Latina o humor é de verão carioca. Enquanto a União Europeia corre para blindar o sistema financeiro contra os efeitos de um calote grego, a expectativa é que os bancos latinos escapem de solavancos mais graves com a crise que se avizinha e entrem de vez no radar dos investimentos de bancos estrangeiros.
Para Franklin Santarelli, diretor-executivo da Fitch e responsável por instituições financeiras na América Latina, na medida em que as instituições financeiras internacionais deixam de lado seus braços de banco de investimento e passam a se focar em operações de consumo, a América Latina, com uma série de países em franco crescimento de crédito, fica mais atraente.
Na opinião dele, há uma tendência de que grandes bancos internacionais busquem oportunidades de aquisição em países latinos com menor concentração bancária. Ele cita a disputa entre Scotiabank, Itaú Unibanco e Banco do Brasil pelo colombiano Copatria como exemplo desse caso.
Oscar Rivera, presidente da Federação Latino-Americana de Bancos (Felaban), também acredita que os bancos latinos estão em alta. "As economias da América Latina são as mais quentes entre os emergentes", diz. Contudo, para ele, o crescimento maior não virá tanto de investimentos estrangeiros. "Os bancos latinos estão crescendo dentro da América Latina".
Santarelli também descarta que os bancos latinos passem por problemas de captação de recursos, algo que já afeta instituições da Europa. "Há uma dependência menor de recursos vindos de mercados de capital no funding dos bancos da América Latina".
Para a Standard & Poor's, que nesta semana rebaixou o sistema financeiro espanhol, não há razões para alterar a perspectiva sobre a classificação de risco dos bancos brasileiros. Segundo a diretora-executiva responsável pela área de análise da agência no Brasil, Milena Zaniboni, os bancos de varejo estão atrelados à perspectiva positiva para o rating do próprio país. "O sistema brasileiro é muito voltado para o mercado doméstico, a exposição a passivos externos é baixa", disse Milena.
Nos bancos médios, a dependência das fontes de recursos de mercado já pesam sobre o rating, em média alguns graus abaixo da nota conferida aos bancos maiores. Para esses, lembrou Sergio Garibian, analista de bancos da S&P, o custo de captação está mais caro desde a crise do banco PanAmericano, no ano passado. No início deste ano, ele frisou, alguns bancos aproveitaram o momento mais tranquilo no mercado para captar no exterior e se calçaram. Também não há alteração em vista nesse grupo, as perspectivas se mantêm as mesmas que já vigoram.
Santarelli, da Fitch, e Rivera, da Felaban, destacam o cenário especialmente positivo para bancos de Peru e Colômbia. Ambos têm baixos índices de bancarização, o que cria oportunidades para crescimento, e passarão por grandes obras de infraestrutura, com espaço para se oferecer crédito.
Apesar de todo o ânimo, Rivera acredita que o crescimento dos bancos latinos deve desacelerar em 2012, em especial no 1º trimestre. Porém ele afirma que esse será um fenômeno global, não exclusivo da região.
Lucro da Pepsi aumenta 4,1% no terceiro trimestre
GPdeLondrina 12.10.2011 - Chairman da companhia, Indra Nooyi, disse que a Pepsi conseguiu elevar preços para compensar em parte o aumento do custo com commodities, ao mesmo tempo em que estimulou a demanda do consumidor por seus produto.
A Pepsico teve um aumento em seu lucro de 4,1% no terceiro trimestre, em comparação com o mesmo período de 2010 crescendo em volume de vendas mesmo com o aumento de preços para compensar um salto de 21% em seus custos. Às 10h38 (de Brasília), as ações da companhia subiam 2,77% em Nova York, após a divulgação do balanço trimestral.
O chairman da companhia, Indra Nooyi, disse que a Pepsi conseguiu elevar preços para compensar em parte o aumento do custo com commodities, ao mesmo tempo em que estimulou a demanda do consumidor por seus produtos. Os resultados de lucros e vendas bateram as estimativas de Wall Street.
A Pepsi registrou um lucro de US$ 2 bilhões, ou US$ 1,25 por ação, acima do US$ 1,92 bilhão registrado no mesmo trimestre do ano anterior. As vendas saltaram 13% no terceiro trimestre, para US$ 17,58 bilhões.
A margem de operação da companhia caiu de 18% para 16,5%, e o custo das vendas subiu 21%, para US$ 8,45 bilhões.
Estatal chinesa avalia investir na exploração de petróleo no Brasil
EFE 12.10.2011 - Empresa CNPC Manufacturing, subsidiária da estatal China National Petroleum Corporation (CNPC), iniciou as gestões para a exploração de petróleo no pré-sal de São Paulo. A empresa CNPC Manufacturing, subsidiária da estatal China National Petroleum Corporation (CNPC), iniciou as gestões para a exploração de petróleo no pré-sal de São Paulo. O vice-presidente da filial da maior exploradora asiática de petróleo e gás, Zhang Hanliang, reuniu-se na terça-feira com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para definir pautas e regras dos investimentos chineses, cujo montante não foi informado. "China tem claro interesse no petróleo da Bacia de Santos. Já temos alguns aliados que ajudarão no índice de nacionalização de peças e equipamentos para tornar viável a exploração do Brasil", assinalou Zhang em entrevista ao site do jornal "Folha de S.Paulo".
CNPC Manufacturing tem acordo com as brasileiras Asperbras e Brasil China Petróleo e com a chinesa Baoji Oilfield Machinery para criar o consórcio Bomcobras, uma empresa especializada em guindastes, andaimes, torres de perfuração, bombas, sondas e estruturas para exploração petrolífera. O consórcio definiu R$ 130 milhões para a construção de uma fábrica em Simões Filho, na Bahia, que deverá gerar 200 empregos e entrar em operação no segundo semestre de 2012. Na primeira reunião entre a companhia e o Governo de São Paulo as partes chegaram a um princípio de acordo para capacitação de mão de obra qualificada através de centros públicos de educação técnica profissional.
O avanço da participação da China é elevado na economia brasileira
DCI 13.10.2011 - Os chineses promovem uma verdadeira invasão do Brasil, por diversos flancos. Mineração, petróleo, agronegócio, produtos eletrônicos e mercado financeiro: em todos estes segmentos da economia é cada vez mais visível a presença dos asiáticos. Desde 2003, as importações brasileiras de produtos chineses foram multiplicadas por dez, passando de US$ 2,147 bilhões para R$ 20,948 neste ano (de janeiro a agosto). As exportações seguiram o mesmo caminho, e passaram de US$ 4,533 bilhões no primeiro ano de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para US$ 29,050 bilhões no acumulado dos oito primeiros meses deste ano. Um dos principais alvos dos chineses é a mineração. O objetivo é produzir aqui e exportar à China a preços mais baixos que os praticados pela Vale. Welber Barral, ex-secretário do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) e sócio da Barral M. Jorge Consultores Associados, indica que uma grande dependência de recursos oriundos da China pode ser maléfica para o País. "É arriscado para o Brasil depender da China para exportar commodities. Embora se fale muito, ela ainda não tem condições de salvar o mundo em um período de crise", diz.
No mercado financeiro, os fundos de investimentos chineses têm demonstrado interesse por títulos públicos brasileiros de curto prazo, inclusive com o poder de influenciar a cotação do real frente ao dólar, segundo especialistas ouvidos pelo DCI.
Enquanto isso, na economia real, empresas chinesas de diversos setores anunciam planos de iniciar ou ampliar seus negócios em território brasileiro. Huawei e ZTE vão abrir mais duas fábricas no País. A perspectiva de duplicar a produção aqui vem do aumento da demanda por celulares e tablets. Este movimento conta com o apoio do governo federal, que se esforça em conceder isenção fiscal a fabricantes de tecnologia que queiram explorar o segmento. Segundo o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, Charles Tang, que esteve com representantes das empresas naquele país asiático, essas possibilidades eram faladas abertamente na ocasião.
Embora deva perder fôlego com a valorização do dólar e as medidas de proteção ao mercado interno, o impacto dos produtos chineses no varejo nacional, que sempre foi expressivo, tende a crescer puxado por eletroeletrônicos e eletrodomésticos, como celulares e CDs virgens. A China está cada vez mais atenta também ao setor automotivo local. Prova disso são os investimentos da chinesa Baoji Oilfield Machinery Company (Bomco), fabricante de máquinas e equipamentos para prospecção e extração de petróleo e gás, na Bahia. Inicialmente, o aporte será de R$ 130 milhões para a abertura de fábrica em Salvador, em joint venture entre a asiática e as brasileiras Asperbras e Brasil China Petróleo. "O Brasil é um País muito rico em petróleo", diz Zhang Yongze, presidente da Bomco.
Os asiáticos também estão interessados em produzir alimentos. Dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) indica que cerca de 35 mil propriedades rurais pertencem a estrangeiros. À frente estão japoneses (23%), norte-americanos, argentinos e chineses (cada um com 1%). Por isso o Congresso quer restringir a compra de terras por parte de estrangeiros.
Pequim reforça crédito a pequena empresa
Valor 13.10.2011 - Governo de Wen Jiabao está preocupado com a saúde de empresa menor.
A China anunciou planos para dar apoio emergencial a empresas privadas com problemas, em meio a temores de que falências num setor crucial, que tem sofrido com a queda nas exportações, podem ameaçar o sistema financeiro do país.
Um número crescente de empresas privadas chinesas está à beira da falência porque não consegue pagar credores do mercado negro que assumiram o lugar do crédito estatal depois que o governo restringiu os empréstimos bancários para coibir a inflação. Os analistas dizem que o risco é que essa fonte ilegal de crédito seque e consequentemente quebre até mesmo empresas sadias, com graves consequências no sistema bancário formal.
O principal motivo de preocupação é o crescimento vertiginoso do crédito "sombra". São empréstimos de curto prazo no mercado negro que ameaçam levar as pequenas empresas chinesas à falência, criando por sua vez uma ameaça imediata à economia, e também empréstimos fora de balanço dos grandes bancos, que criam perigo no longo prazo. Esse sistema financeiro subterrâneo cresceu o suficiente para atrapalhar o firme controle governamental sobre o crédito e as taxas de juros, duas ferramentas fundamentais para conduzir a segunda maior economia do mundo.
Depois de uma reunião presidida pelo premiê Wen Jiabao, o conselho de estado, que é o gabinete de governo da China, anunciou na noite de quarta um conjunto de medidas para oferecer mais crédito para pequenas empresas. "É preciso dar muita atenção a essas firmas", afirmou o conselho estatal num comunicado no site do governo, acrescentando também que as pequenas empresas têm um "papel insubstituível" na economia e no emprego do país.
As pequenas e médias empresas do setor privado chinês respondem por 80% dos empregos do país e por mais da metade do PIB, segundo algumas estimativas.
O comunicado foi feito dois dias depois de o fundo soberano da China intervir na Bolsa de Xangai para conter a queda das ações de vários bancos, o que evidencia como a possibilidade de deterioração do sistema financeiro está recebendo cada vez mais atenção dos líderes chineses.
Foi o primeiro resultado concreto de uma visita feita por Wen semana passada à cidade costeira de Wenzhou, famosa pelo espírito empreendedor e onde várias pequenas empresas fecharam as portas porque não conseguiram pagar os juros anuais de até 50% cobrados pelo mercado negro.
As grandes estatais chinesas continuam com acesso a empréstimos bancários, apesar do aperto de crédito iniciado pelo governo ano passado, mas as firmas privadas, geralmente pequenas, muitas vezes ficam de fora e são forçadas a buscar fontes alternativas de financiamento. O mercado negro, onde há pouca regulamentação, tem recursos de incorporadoras imobiliárias, mineradoras de carvão e pessoas físicas ricas em busca de retorno maior. Boa parte dos recursos desses credores vem dos próprios bancos.
Num indício de quão grande é o volume de empréstimos que não é contabilizado pelos bancos, o crédito que fica fora do balanço das instituições financeiras é de cerca de 12 trilhões de yuans (US$ 1,9 trilhões), dizem economistas do UBS. O total de empréstimos a receber, tanto dentro como fora do balanço dos bancos, era de 55,7 trilhões de yuans em agosto.
Quase 100 donos de fábricas em Wenzhou fugiram da cidade desde abril depois de não conseguir pagar empréstimos com juros elevados, segundo a imprensa estatal. Problemas como esses, alertam economistas, podem significar que há desafios ainda maiores para o vasto setor bancário chinês e para o resto da economia, com potencial de causar inadimplência até em empréstimos bancários a juros normais. Isso pode forçar os bancos a cortar linhas de crédito mesmo para empresas sadias e seus fornecedores.
A crise no setor privado chinês também alimenta novas dúvidas sobre a capacidade do país de usar o crédito bancário para impulsionar a economia, como fez durante a crise financeira mundial de dois anos atrás. "Achamos que os riscos maiores são a retirada do crédito tanto no mercado informal como no formal e o contágio", afirmou numa nota recente Wang Tao, economista do UBS especializado na China.
O comunicado do gabinete chinês reconheceu as possíveis ameaças e enfatizou que os canais de financiamento privados e informais só serão permitidos "nos limites da lei". O gabinete afirmou também que o governo vai reprimir práticas ilegais como esquemas de pirâmide ou crédito a juros excessivamente altos. O governo também vai proibir empregados de empresas financeiras de qualquer envolvimento com o crédito informal, afirmou o gabinete.
O gabinete afirmou também que a China permitirá que pequenos bancos continuem desfrutando de exigências de compulsório "relativamente baixas", em comparação com os grandes bancos, para que os pequenos bancos possam emprestar mais para as empresas menores. Os compulsórios precisam ser depositadas no banco central, limitando a capacidade de crédito dos bancos. As autoridades anunciaram também que vão reduzir os impostos das pequenas empresas.
Os analistas dizem que as novas políticas representam o que eles chamam de "afrouxamento direcionado" em áreas específicas em que as empresas enfrentam pressão, mas que não significam um relaxamento geral da política monetária do governo. "Essa política é voltada principalmente para aliviar a situação financeira de pequenas empresas [...] já que elas têm enfrentado muita pressão", disse o economista Ma Xiaoping, do HSBC.
O mercado negro de crédito existe há anos na China, mas o recente crescimento não tem precedente, dizem analistas.
O resultado dessa expansão é que a China tem um "nível inusitadamente alto" de dívida bruta em comparação com outros países em desenvolvimento, segundo um relatório recente do Fundo Monetário Internacional sobre estabilidade financeira mundial. O FMI calcula que os empréstimos domésticos dentro e fora do balanço dos bancos atingiram 173% do PIB da China no fim de junho.
Bolsas dos Brics unem sistemas e devem gerar US$ 9 trilhões em negócios
Correio Braziliense 12.10.2011 - Em meio as turbulências financeiras que assolam o mundo, os países emergentes que formam a sigla Brics (Brasil, Rússia, Índia, África e China) lançaram nesta quarta-feira (12/10) uma parceria estratégica que deve movimentar US$ 9 trilhões por mês. O projeto vai reunir seis bolsas dessas economias em um sistema que irá cruzar dados de contratos de valores mobiliários a partir do primeiro semestre de 2012. A meta é criar um índice, semelhante ao Ibovespa, para os Brics.
"Não necessariamente vai ser um big bang, mas com o tempo vai trazer muitos interesses para os investidores", avaliou Charles Li, presidente executivo da Hong Kong Stock Exchanges and Clearing Limited (HKEx). "Brics, hoje, é uma grande commoditie (produtos básicos com cotação internacional)", concluiu. Para Ruben Aganbegyan, presidente da MICEX (Russia), essa união é um processo importante que vai trazer vantagens para os países, para a comunidade (Brics) e para os investidores.
Edemir Pinto, presidente da Bolsa de Valores de São Paulo (BMF&Bovespa), afirmou que o passo dados pelos Brics é importante principalmente por ocorrer em um momento no qual o mundo passar por uma situação grave de crise e, o Brasil, assim como o restante do Brics, vive o oposto de tudo isso. "A segunda fase do projeto terá o desenvolvimento de produtos que oferecem acesso aos índices combinados de todas as ações", disse.
Inadimplência para pessoa física pode ter chegado ao pico
Valor 13.10.2011 - Tingas, economista da Acrefi: "O problema já não é mais a inadimplência, que deve se acomodar, e sim como fica 2012".
A inadimplência nas operações de crédito para pessoas físicas pode estar próxima do pico ou mesmo já ter alcançado o teto, em agosto. Embora os atrasos superiores a 90 dias sigam apresentando crescimento desde o início de 2011, a velocidade de subida começa a diminuir, observam economistas. O cenário, ainda assim, parece não entusiasmar as instituições financeiras a acelerarem as concessões de empréstimos no fim de ano. Paralelamente às incertezas provocadas pela crise financeira na Europa, a inflação e o nível de endividamento das famílias brasileiras preocupam.
"Vamos manter firme nossa política de crédito [mais restritiva] para evitar um aumento ainda maior da inadimplência", diz Décio Carbonari de Almeida, presidente do Banco Volkswagen. O índice de inadimplência da carteira de R$ 19,5 bilhões do banco encerrou agosto em 2,77% e, segundo o executivo, em setembro o indicador já havia mostrado piora, subindo para 2,84%.
Almeida atribui o aumento do número de devedores à qualidade dos novos proponentes, que caiu. Por isso, o Banco Volkswagen atualmente mais reprova do que aprova concessões de crédito. "Se até o primeiro trimestre do ano cerca de 60% das propostas eram aprovadas, hoje essa fatia é de 45%", afirma.
Mas a própria desaceleração do crédito pode ajudar a conter a inadimplência. No segmento de varejo, muitos consumidores colocaram o pé no freio no terceiro trimestre para pôr parte das contas em dia, ressalta Carlos Henrique de Almeida, economista da Serasa Experian.
Amanhã será divulgada a pesquisa de inadimplência do consumidor da Serasa para o mês de setembro. "A possibilidade de uma queda é grande", diz Almeida. "O varejo já percebe a inadimplência crescendo menos."
A depender de como a situação dos países - e bancos - da zona do euro se desenrolar, a tendência, daqui para frente, é de melhora no índice total de inadimplência das pessoas físicas. Os atrasos podem cair ou, na pior das hipóteses, crescer menos.
Os dados do Banco Central referentes a agosto mostram um sinal de recuo no índice de contratos vencidos entre 15 e 90 dias, de 6,4% para 6,2%. "Apesar de a inadimplência ter subido [de 6,6% para 6,7%], o indicador de vencimentos, que serve como um antecedente, melhorou", observa Jayme Alves, economista da Federação Brasileira de Bancos.
Dissídios trabalhistas e pagamento do 13º salário são fatores que também estimulam a quitação de pendências financeiras no fim do ano. A redução da taxa de juro pode ainda ajudar alguns consumidores a saírem de linhas emergenciais (e caras) como cheque especial e o rotativo do cartão, dois grandes "vilões" da inadimplência para a pessoa física.
O momento, portanto, pode ser considerado de transição. "A trajetória da inadimplência está dada, devendo se acomodar até o fim do ano", avalia Nicolas Tingas, economista da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi). "O problema já não é mais esse, e sim como ficam os negócios em 2012."
Tingas consultou nas últimas duas semanas executivos de diversas financeiras para tentar captar o sentimento de confiança do setor, e a resposta não foi das mais animadoras. Mais do que o nível de inadimplência, que está longe das máximas históricas observadas ao longo de 2009, o que vem inibindo o apetite para novas operações de crédito é a preocupação com o aumento da inflação e o impacto disso na faixa de renda mais baixa, principalmente.
"A inflação começa a corroer a renda do trabalhador brasileiro, que não está conseguindo saldar contas antigas", avalia Roque Pellizzaro Junior, presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Segundo ele, cerca de 70% das prestações em atraso não ultrapassam o valor de R$ 100. "São justamente as classes que estão entrando no mercado de consumo por meio do crédito, que consomem num prazo mais longo e querem parcelas mais baixas."
Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Economia da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e pela Boa Vista Serviços (BVS), em setembro, mostra que homens e mulheres de 26 a 30 anos, que ganham até dois salários e devem até R$ 1 mil, são maioria entre os inadimplentes.
A piora de perfil que o novo tomador de crédito vem exibindo, obviamente, já está sendo incorporada aos modelos de avaliação de risco de crédito dos bancos. O conservadorismo na aprovação de empréstimos para esse público deverá, pois, ser mantido.
Tal cautela já se reflete na desaceleração das concessões diárias, no ano, em comparação com 2010. "O rumo que a inadimplência vai tomar, a partir de agora, dependerá muito do cenário externo, da velocidade com que a economia vai desacelerar e como tudo isso vai afetar mercado de trabalho", diz Alves, da Febraban.
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