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De olho nos vizinhos
Valor 17.10.2011 - A BRF - Brasil Foods pretende realizar novas aquisições na América Latina como parte de sua estratégia de internacionalização, disse à Reuters o vice-presidente de assuntos corporativos Wilson Mello (foto). Após adquirir duas empresas na Argentina, a BRF busca novas oportunidades para produzir e processar nos segmentos de frangos, suínos, bovinos e leite. Conforme o executivo, a empresa conta com R$ 4 bilhões em caixa e baixo nível de endividamento.
A máquina de compras brecou
Estadão 16.10.2011 - Com ações em queda desde o começo do ano, Hypermarcas põe fim à era de aquisições em série e adota postura mais conservadora. Há pelo 15 anos, a Hypermarcas cresce à custa de aquisições. Seu fundador, o empresário João Alves Queiroz Filho - o Júnior, como é conhecido - começou seu negócio fabricando tempero em pasta, em 1969. A companhia, chamada Arisco, cresceu e comprou a Assolan. Em seguida, a Arisco foi vendida por R$ 500 milhões à Bestfoods, que foi comprada pela Unilever. Mas a multinacional não se interessava pelo negócio de lã de aço e quis vendê-lo. A Assolan, então, voltou para as mãos Júnior em 1996. A partir daí, o empresário não parou mais de comprar empresas. Quando mudou o nome da Assolan para Hypermarcas, em 2007, Júnior já tinha adquirido 13 companhias. Nos três anos seguintes (durante os quais a empresa abriu seu capital), a Hypermarcas chegou fechar mais 23 aquisições, que somaram R$ 8,4 bilhões. A última foi a Perfex, da Johnson & Johnson, por R$ 28 milhões - um valor "quase imaterial", como dizem seus executivos. O modesto negócio, porém, marcou o fim de um ciclo. A era das aquisições ficou para trás. Com ações caindo 60% desde o começo do ano, a Hypermarcas precisa arrumar a casa para gerar mais caixa e agradar acionistas. As vendas para o varejo, que cresceram 15% em 2010, agora evoluem em um ritmo mais fraco, por volta de 10%, segundo fonte ligada à empresa. Além disso, a Hypermarcas carrega uma dívida de R$ 2,8 bilhões, conforme relatório do segundo trimestre. Quase metade dela está em dólar - e vem evoluindo conforme a valorização da moeda americana.
A ordem agora é mudar de rumo. Na tentativa de voltar aos trilhos, a Hypermarcas está deixando de ser uma empresa com mais de 4 mil itens, que incluem desde alimentos e artigos de limpeza a higiene pessoal e medicamentos. O foco serão produtos de bem estar, que respondem por 36,9% da receita, e farmacêuticos, que correspondem a 56,3%.
Para isso, foi criado um plano estratégico para 2011 (que deve continuar valendo também no primeiro semestre de 2012). Algumas medidas já foram tomadas. Boa parte dos lançamentos - que chegaram à média de um por dia - vem sendo engavetada para conter gastos. A frenética máquina de compras da Hypermarcas desacelerou. A companhia não pretende gastar mais nenhum centavo com aquisições - pelo menos por enquanto.
Margem. Mas dentre todas as medidas já tomadas, a que mais surpreendeu foi a decisão de vender fábricas e marcas. Pelo menos desde maio, Etti e Assolan estão à venda. "O que a companhia quer é ficar só com os produtos que proporcionem melhores margens de lucro", diz um concorrente. Tanto no setor de limpeza quanto no de alimentos, o número de concorrentes cresceu muito. Na época em que Júnior comprou a Etti, por exemplo, não havia mais do que 30 marcas de molho e extrato de tomate. Hoje, o mercado calcula que elas sejam quase 400.
A Hypermarcas não diz quem são os interessados nos dois negócios, nem qual o preço deles. Mas espera-se que Etti e Assolan sejam vendidas até o fim do ano, por algo entre R$ 370 milhões e R$ 444 milhões, segundo fontes próximas à empresa.
Se concretizadas, as vendas devem dar algum fôlego à companhia. "Na pressa para fechar compras antes de outros concorrentes, a Hypermarcas pagou muito caro por alguns ativos", diz Francisco Kops, analista de investimentos da Planner Corretora. "A companhia acabou ficando muito endividada", acrescenta.
No fim de junho, a dívida da Hypermarcas era 3,5 vezes seu lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, ou Ebitda (na sigla em inglês). "É uma relação muito alta", diz Kops. Quanto maior esse número, menor a folga da empresa para honrar débitos com credores. Daí a ordem dada dentro da empresa: gerar caixa. "Depois de um ano como o de 2010, era preciso parar para respirar", diz uma fonte ligada à fabricante. Só no ano passado, a Hypermarcas fechou dez aquisições, dentre elas a maior de sua história, a do laboratório Mantecorp, por R$ 2,5 bilhões. "A empresa imaginava levar de cinco a sete anos para chegar a esse ponto", diz a fonte. Mas seu crescimento e o ritmo das compras se aceleraram mais do que o planejado.
Gerar caixa, porém, não será fácil. Primeiro, porque boa parte da dívida (US$ 750 milhões) da companhia é em dólar. Só no mês passado, a moeda americana subiu 17,94%. "Como foi feito ‘hedge’ (proteção contra perdas) só para os juros e serviço, o principal da dívida varia conforme o câmbio", diz Daniela Bretthauer, analista-chefe da divisão de bens de consumo e varejo da consultoria Raymond James Brasil. Essa despesa extra por causa da desvalorização do real, segundo ela, está estimada em R$ 220 milhões, levando-se em conta só a variação cambial ocorrida no terceiro trimestre.
Na Hypermarcas, segundo o Estado apurou, os executivos não acreditam que essa despesa irá afetar os resultados. Para eles, a variação gera apenas um "efeito contábil" que não atinge diretamente o caixa. "Isso já aconteceu com outras empresas e o resultado foi bem pior que um simples efeito contábil", diz Daniela. O efeito contábil, segundo ela, ganha corpo e impacta o lucro. "Os acionistas se cansam e acabam vendendo seus papéis."
Preços. O varejo também não anda muito contente com a empresa. Durante o primeiro trimestre, a dona das marcas Bozzano e Monange mudou sua política comercial, diminuindo em 15 dias o prazo que supermercados e farmácias tinham para pagamento. "Isso desagradou a muitos varejistas, que deixaram de comprar marcas da empresa", diz uma fonte do setor.
A empresa também reajustou seus preços no início do ano, temendo uma alta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O IPI continuou igual, mas os valores já haviam subido. O varejo, que acreditava em boas vendas, havia aumentado seus estoques e, portanto, adiou a reposição, fazendo com que a Hypermarcas perdesse vendas. Por isso, de janeiro a março, houve queda de 3,4% na receita líquida da empresa, levando-se em conta as mesmas marcas.
De abril a junho, o panorama continuou ruim para empresa. Os atacadistas, que também estavam estocados, começaram a fazer promoção de seus produtos. Consequentemente, alguns deixaram de comprar direto da Hypermarcas e procuraram os atacados. "Não compro mais direto deles. Prefiro os atacadistas", disse o dono de uma rede de supermercados com 29 lojas no estado de São Paulo.
Resultado: no segundo trimestre, a queda na receita líquida foi de 0,6%, na comparação entre as mesmas marcas. Esse ritmo de desaceleração nas vendas, segundo fontes ligadas à empresa, se intensificou depois de julho.
"Fica difícil gerar caixa em uma situação dessas", disse um analista, que não acredita que a empresa deva se recuperar tão cedo. "Até pelo menos meados do ano que vem, a situação deve continuar a mesma."
No médio prazo, outro projeto deve dar algum fôlego à Hypermarcas. A companhia está fechando fábricas em imóveis alugados e transferindo linhas de produção para Goiás. A nova fábrica de farmacêuticos, em Anápolis, já está funcionando. A unidade deve ser inaugurada no fim de 2012. A economia calculada é de R$ 55 milhões ao ano. Os cosméticos serão transferidos para Senador Canedo, também em Goiás. Pela primeira vez, Júnior terá de deixar de lado a faceta de empresário agressivo que sempre o marcou. Se vai conseguir ou não, só o tempo vai dizer.
Por que não dá para comprar a Osklen, sem ficar com o Oskar
Exame 17.10.2011 - Seja quem for o comprador da grife carioca, a permanência de seu fundador, Oskar Metsavaht, é fundamental para a sua sobrevivência e expansão, segundo especialistas. A Osklen já admitiu publicamente que busca um comprador ou, pelo menos, um parceiro. Interessados em ficar com a grife não faltam, e a própria empresa afirma que conversa com três emissários -- um dos Estados Unidos, um da Europa e um do Brasil. Mas, qualquer que seja o desfecho do negócio, um ponto parece consenso entre os especialistas: a Osklen não seria mais a mesma, sem Oskar Metsavaht, seu fundador e médico de formação.“Ele não é só um estilista, mas também a pessoa que imprimiu uma marca muito particular na empresa”, diz Luciane Robic, diretora de marketing do Instituto Brasileiro de Moda (IBModa). Osklen vai, mas Oskar fica – Um dos ativos mais importantes para uma empresa de moda é a criatividade. Na Osklen, Oskar Metsavat conseguiu transformar o estilo de vida brasileiro – em especial, dos cariocas – numa marca global. Hoje, a Osklen tem 41 lojas no Brasil, três lojas em Portugal, duas lojas em Milão, uma em Nova York, Tóquio, Roma e Genebra, além de showroom na Itália, Espanha, Grécia, Portugal e de exportar para Bélgica, Chile e Oriente Médio.
“É essencial que ele fique no negócio para não descaracterizar a marca”, diz Silvio Passarelli, diretor do MBA de Gestão de Luxo da FAAP. “O risco é tornar a empresa apenas focada em resultados financeiros; na moda, há outros valores também.” Um dos exemplos recentes mais catastróficos do risco de buscar apenas o lucro é a saída da marca Isabela Capeto do portfólio da InBrands, em abril deste ano, depois de três anos de associação.
A estilista que dá nome à marca chegou a afirmar: “Estou arrasada. Quero meu negócio de volta”. Isso porque Isabela cedeu apenas a marca, que acabou sendo prejudicada sem ter a presença constante de sua criadora, tendo até que fechar as duas lojas em São Paulo, ficando apenas com uma unidade no Rio de Janeiro. “A Osklen é sedutora por conta de seu processo criativo”, diz Luciane, da IBModa.
Todo mundo de olho - O assédio à grife carioca acontece há tempos, mas só agora a empresa confirma que está, de fato, em negociação. Entre os possíveis compradores, estão o conglomerado francês PPR e a brasileira Alpargatas. Dono de marcas de luxo como Gucci, Yves Saint-Laurent e Balenciaga, a PPR já teve conversas com a empresa tempos atrás. Na opinião de Luciane, do IBModa, a associação seria interessante. “É um grupo internacional com fortes marcas de luxo, e esse é o objetivo da Osklen” diz. Além disso, o grupo tem dinheiro suficiente. Em 2010, o PPR teve receita de 14,6 bilhões de dólares.
Pela mesma lógica, entraria na disputa pela empresa carioca o grupo LVMH, dono da Louis Vuitton, que começou como oficina de malas no subúrbio parisiense e se transformou no maior conglomerado de marcas de luxo do mundo, com faturamento de 20 bilhões de euros em 2010. Ficariam de fora fundos como o europeu Cofra, controlador da C&A, e a brasileira InBrands, que já pôs no bolso marcas como a Ellus, além de Isabela Capeto, e os fundos americanos. “O mercado dos Estados Unidos é muito diferente. Os fundos americanos são muito conservadores e não conduzem suas marcas para o luxo”, diz Passarelli, da FAAP.
A brasileira Alpargatas já tem experiência no mercado. “Ela conseguiu fazer da Havaianas um produto premium. É uma experiência concreta de qualificação”, avalia Passarelli. Obviamente, quando comparadas às de gigantes mundiais, as finanças da Alpargatas são muito mais modestas. No segundo trimestre deste ano, a empresa teve lucro líquido de 73,9 milhões de reais – um salto de 28% em relação a lucro líquido ajustado em igual período de 2010.
A Osklen não divulga seu faturamento, mas parece improvável que ela esteja com problemas financeiros. Estimativas apontam que a empresa faturou 280 milhões de reais no ano passado – um salto de 30% em relação a 2009. Ainda assim, a associação com um grupo significará uma injeção de capital maior para expandir a empresa. “Os novos investimentos seriam para reforçar o foco no luxo, para desenvolver novos produtos, abrir novas lojas, tudo com um marketing pesado” avalia Luciane. A depender da parceria traçada, a Osklen tem a chance de se tornar a mais bem sucedida marca de luxo brasileira.
Em ano fraco, Marabraz prepara Mappin
Valor 17.10.2011 - O comando da rede de móveis Marabraz começou a desenhar o plano de reabertura da lojas Mappin em São Paulo. Algumas questões já estão decididas e outras em fase de análise, diz a empresa. O portfólio de produtos à venda e o quadro de executivos que devem comandar o negócio, por exemplo, estão no centro da discussão agora. Deve haver mudanças em relação ao antigo modelo da loja de departamentos.
A Marabraz é uma das maiores redes de móveis populares do país, comandada pela família Fares, e adquiriu o direito de uso da marca Mappin em leilão público realizado em dezembro de 2009. Desde então, não falou mais do negócio. A empresa pagou R$ 5 milhões pela marca, bem abaixo dos R$ 12,1 milhões avaliados na época.
"Posso dizer que queremos relançar a marca com glamour. Não podemos errar, estamos pensando em detalhe por detalhe", conta o diretor-geral da Marabraz, Nasser Fares, um dos cinco filhos do fundador da varejista, Abdul Fares.
Questionado sobre rumores que circulam o mercado a respeito da hipótese de a rede ter desistido do projeto, Fares disse que essa discussão não existe. "Nós não desistimos de nada. O projeto continua de pé", afirma. Quando adquiriu a marca, o comando da Marabraz comentou que poderia abrir novas lojas Mappin até o ano de 2013. Sobre esse prazo, Fares prefere não fazer comentários. "Temos 50 anos de mercado, temos história e por isso queremos fazer bem feito."
O Valor apurou com pessoas próximas à rede que está em aberto a possibilidade de o novo Mappin ter algumas lojas menores daquelas que tinha na década de 90, por conta da falta de terrenos grandes e bem localizados em São Paulo. O mix de produtos deve se adaptar ao espaço reduzindo. Eletrodomésticos e portáteis devem ser vendidos. A companhia não confirma essas informações.
O Mappin terá uma gestão independente da Marabraz. O que pode acontecer, por exemplo, em termos de sinergia entre as duas operações é o fornecimento de móveis da fábrica da rede Marabraz para o Mappin, conforme informações apuradas pelo Valor.
A discussão sobre a abertura de uma nova rede de varejo controlada pelos donos da Marabraz acontece num momento difícil para a cadeia. As vendas da Marabraz registram queda de 7% de janeiro a outubro, diz Nasser Fares.
A estimativa é que essa retração perca um pouco a força no fim do ano e a rede termine com queda de 4% a 5% nas vendas em 2011. "O ano está bem fraco. Acho que a alta da inadimplência e a contenção dos gastos afetaram alguns setores, como o nosso", diz Fares. "Nesse cenário, ao longo do ano optamos por fazer investimentos internos, em capacitação e em sistemas, e discutimos o projeto Mappin".
Para Eugenio Foganholo, diretor da consultoria Mixxer, com os ganhos de renda, as classes C e D deixaram de comprar em lojas populares e passaram a frequentar redes especializadas em móveis e a comprar itens mais caros, parcelando o pagamento. "Isso pode ter afetado a rede", diz Foganholo.
Com 120 lojas, a Marabraz abriu 5 pontos este ano e planeja abrir outros 5 até dezembro. Em 2012, o plano é inaugurar 12 lojas. Segundo estimativa do mercado, a rede teria faturado R$ 700 milhões em 2010. A empresa não informa números.
Após esmaltes, Bonyplus vai lançar maquiagem
Valor 17.10.2011 - "Dei chance para o azar e a concorrência avançou", diz o fundador Newton Bonin. A paranaense Bonyplus, dona da marca de tinturas Beauty Color, estreou no segmento de esmaltes em maio e este mês vai começar a vender também maquiagens. A intenção é aproveitar o bom momento do mercado de beleza e diversificar a atuação. Criada no fim dos anos 80, a marca ficou conhecida na área de coloração e tratamento de cabelos, que responde por 85% do faturamento. Depois de adiar planos para investir em uma usina de cana no interior do Estado, seu fundador, Newton Bonin, voltou novamente o foco para a empresa e investiu US$ 20 milhões em equipamentos e em um centro de distribuição.
"Dei chance para o azar e a concorrência avançou. Podia ter crescido mais", diz o empresário, em referência aos três anos em que apostou no segmento de açúcar e álcool. Na crise econômica de 2008 ele teve problemas com capital de giro e, em meados de 2009, vendeu a usina e retomou os planos da Bonyplus.
Com as novas linhas e um aviso de que está voltando, o empresário planeja crescer 15% em 2011 e atingir no ano que vem o faturamento que era esperado para 2007, de R$ 240 milhões. "Nossa meta é ousada. Vamos lutar pela primeira posição em coloração e esmaltes", diz. Segundo ele, a marca Beauty Color é líder no Sul e possui 8% do mercado de coloração.
A disputa com a concorrência tem ido além das prateleiras do varejo. A multinacional L'Oréal já moveu quatro ações judiciais contra a Bonyplus por acusação de plágio em propaganda, em embalagem e nome de produto. Num dos casos, o motivo foi um comercial da Beauty Color estrelado pela apresentadora Ana Hickmann, garota-propaganda da fabricante paranaense, que era parecido com outro da L'Oréal, com a atriz Charlize Theron. No fim de agosto, segundo o advogado da multinacional Pedro Frankovsky Barroso, do escritório Barbosa, Mussnich & Aragão, a L'Oréal obteve decisão favorável no Tribunal de Justiça do Paraná. A Bonyplus foi condenada a pagar indenização de R$ 200 mil, mas pode recorrer. Em outra ação, já encerrada, a Bonyplus foi inocentada da acusação de copiar embalagem de coloração. "Somos do bem. Fazemos nosso trabalho sem nos incomodar com os outros", afirma Newton Bonin.
Ana Hickmann continua a divulgar produtos da Bonyplus. Ela está no novo catálogo de maquiagem e em comerciais gravados em Paris. A apresentação de esmaltes da marca coube à sua irmã, Isabel Hickmann. A empresa planeja investir R$ 25 milhões em propaganda este ano, por causa dos lançamentos, e R$ 15 milhões em 2012. No caso da linha de maquiagem, vai produzir batons em Pinhais, onde fica sua sede, e importar pós e pincéis da Alemanha. Os esmaltes, com 59 opções de cores, estão sendo produzidos em um imóvel que fica três quadras distante da unidade de tinturas.
Hoje, o forte da Bonyplus é a venda por meio de distribuidores para pequenos e médios varejistas. No próximo ano, a intenção é entrar em grandes redes de supermercados e farmácias.
Com a estrutura fabril que possui, Bonin diz que pode mais que quadruplicar a produção. Ele faz 2 milhões de unidades de coloração por mês e pode chegar a 9 milhões. Em esmaltes, produz 2 milhões de unidades mensalmente, ou 10% da capacidade, e a meta é chegar a 5 milhões/mês em 2012. A empresa tem 500 empregados e opera em um turno para esmaltes e dois turnos em uma das linhas de coloração.
Bonin, que começou a fazer cremes e xampus em casa, é curitibano e tem 51 anos. Atualmente, conta com a ajuda de três filhos, que atuam na vice-presidência, diretoria de compras e de marketing. Também tem fazendas arrendadas no Paraná e atua com pecuária.
RioFilme aprende a arte de fechar as contas no azul
Valor 17.10.2011 - Sérgio Sá Leitão, é diretor-presidente da RioFilme: "Estamos provando que o cinema brasileiro é viável e é interessante para o investimento privado".
"Se se ganha dinheiro, o cinema é uma indústria. Se se perde, é uma arte". A julgar pela frase do escritor Millôr Fernandes, o trabalho da RioFilme deverá passar de artístico a industrial até o fim do ano. Vinculada à Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura do Rio de Janeiro, a RioFilme é uma empresa de distribuição e de investimento na atividade audiovisual carioca.
Embalada pelas receitas de filmes como "Tropa de Elite 2" e "Cilada.com", que juntos levaram mais de 14 milhões de pessoas aos cinemas, a RioFilme deverá encerrar 2011 com o resultado no azul pela primeira vez em 19 anos de história da companhia, segundo seu diretor-presidente, Sérgio Sá Leitão. O lucro da empresa aparecerá nos 13 filmes em que teve coparticipação e foram lançados entre 2009 e 2011, diz Leitão. Ao todo, a RioFilme investiu R$ 8,377 milhões nas obras, com retorno financeiro até agora de 89%, ou R$ 7,458 milhões. O percentual poderá ultrapassar 100% em breve, configurando a partir daí o lucro da companhia, uma vez que a vida comercial de um filme dura em média três anos.
Dos 13 projetos que receberam recursos da RioFilme, quatro registraram mais de 100% de retorno: "Cilada.com", "Muita calma nessa hora", "Bruna Surfistinha" e "Tropa de elite 2". Mais cinco filmes obtiveram taxas de retorno entre 50% e 100%, e outros quatro sequer reembolsaram a metade do aporte inicial realizado. Entre as obras que não se pagaram estão "5x Favela - Agora por nós mesmos" e "Simonal - Ninguém sabe o duro que dei".
O resultado é comemorado pelo presidente da empresa, pois a taxa de retorno financeiro da RioFilme em pouco tempo superou a do UK Film Council, organismo estatal de fomento à atividade audiovisual da Grã-Bretanha, utilizado como referência de mercado na reformulação da companhia carioca em 2009. "É como um aluno que supera seu mestre", afirma Leitão.
Em julho, o UK Film Council informou que seu retorno financeiro com produções cinematográficas foi de 20% entre 2006 e 2010, com 58 títulos que chegaram aos cinemas. O aporte de recursos nesse período chegou a €15 milhões, em média anual, enquanto 99 filmes foram contratados.
Nem mesmo "O Discurso do Rei" - grande vencedor do Oscar 2011, ao levar os prêmios de melhor filme, ator, diretor e roteiro original - foi capaz de prover lucros ao UK Film Council. A taxa de retorno do filme foi de 95%. Com isso, a estatal britânica teve prejuízo de 5% com a obra.
Das 58 produções com fomento da companhia britânica veiculadas nos cinemas, apenas duas - "Escola Para Garotas Bonitas e Piradas" e "O Equilibrista" - se pagaram. O lucro foi de 1% em cada filme.
A RioFilme, por outro lado, entre 2009 e 2011 investiu R$ 60 milhões em 42 filmes, dos quais 29 ainda não chegaram aos cinemas. No mesmo período, foram produzidos em torno de 80 filmes por empresas do Rio de Janeiro.
A receita líquida da RioFilme deverá chegar próximo a R$ 11 milhões neste ano, segundo estimativas de Leitão. Se confirmada a previsão, o número representará um aumento de mais de 1.000% em relação à receita líquida de 2008, de R$ 1,3 milhão. Os investimentos, que em 2011 somaram R$ 20 milhões, deverão ser de R$ 25 milhões no ano que vem.
As próximas apostas da RioFilme para aumentar sua arrecadação são títulos como "Heleno", sobre o ex-jogador do Botafogo Heleno de Freitas e estrelado por Rodrigo Santoro, previsto para 2012, e "De pernas pro ar 2", que deverá ser lançado em 2013.
O presidente da companhia carioca espera que até o fim de 2013 a RioFilme se torne autofinanciável, ou seja independente dos R$ 15 milhões repassados anualmente pela Prefeitura do Rio, para investimento e custeio da empresa.
"Estamos provando que o cinema brasileiro é viável e é interessante para o investimento privado", afirma.
Uma vez no azul, a RioFilme poderá até considerar a entrada de capital privado na empresa, por meio de fundos de investimentos e private equity, a fim de aumentar o poder de investimentos da companhia, diz Leitão: "Na hora em que entrarmos no azul, qualquer investidor privado poderá ter o mesmo desempenho que nós".
O custeio da companhia, que inclui despesas administrativas e impostos, vem caindo aos poucos, passou de R$ 3,2 milhões em 2009 para R$ 2,9 milhões neste ano.
Leitão vê o mercado de cinema nacional em expansão, em uma fase de injeção de recursos públicos, com o objetivo de viabilizar a indústria cinematográfica brasileira, que poderá estar independente do fomento governamental em dez anos. A maior dificuldade, relata ele, é a forte presença de filmes americanos no mercado nacional.
Leitão considera o setor audiovisual estratégico para a geração de emprego e renda, e defende o investimento público para impulsionar o segmento, sem gerar dependência dos recursos governamentais.
"A indústria audiovisual precisa deixar de se financiar no investimento para financiar-se na receita própria", diz Leitão.
"Estamos empenhados na busca de sócios"
Valor 17.10.2011 - A direção da Ferrous Resources do Brasil não quis comentar notícias de que a BHP Billiton estaria interessada em fazer uma oferta por seus ativos. A Ferrous tem como sócios fundos de investimento estrangeiros e investidores brasileiros. Em 2010, interrompeu um processo de abertura de capital na bolsa de Londres por falta de ambiente de negócios no mercado de capitais global. O presidente do conselho de administração da Ferrous, Jório Dauster, disse ao Valor que "estamos há algum tempo empenhados na busca de sócios estratégicos e temos conversado com alguns candidatos em potencial. Mas não posso falar sobre estes sócios potenciais". Desde 2010, a Ferrous delegou ao Deutsche Bank buscar um comprador para seus ativos ou um sócio estratégico para ajudar a tocar um plano de investimento ambicioso de US$ 5 bilhões.
Em recente entrevista ao Valor, Mozart Litwinski, presidente da Ferrous, previu que a entrada de um novo sócio poderia ocorrer ainda neste ano. Dauster preferiu não falar em prazo.
Dauster afirmou que a Ferrous "já saiu do papel". Em 2011, segundo ele, deve produzir 2,5 milhões de toneladas de minério, dos quais exportará 1,5 milhão para a China. "As vendas externas vão nos garantir uma receita de pelo menos US$ 250 milhões".
Os ativos da Ferrous, envolvidos no negócio, somam cinco minas de minério de ferro no quadrilátero ferrífero de Minas Gerais (Serrinha, Esperança, Santanense, Viga do Norte e Viga), perto de Belo Horizonte. A mina de Viga, próxima à mina de Casa de Pedra, da CSN, já recebeu licença de instalação. A meta da Ferrous é produzir 25 milhões de toneladas de minério até 2016, numa primeira etapa.
O plano de investimento prevê a construção de um mineroduto de 400 quilômetros para transportar o minério até um terminal portuário no município de Presidente Kennedy (ES). O mineroduto e o porto já têm licença prévia.
Fontes do setor de mineração disseram que há fortes rumores do negócio da Ferrous com a BHP Billiton no mercado, mas não conseguiram confirmar a operação. Os interlocutores estão surpresos com a notícia. A BHP Billiton tem no Brasil uma sociedade com a Vale na mineradora Samarco, produtora de pelotas de minério, com ativos em Minas e Espírito Santo.
Analistas não descartam o interesse da BHP pela Ferrous. A BHP já teve planos de crescer no Brasil. Chegou a apresentar um projeto de terminal portuário ao governo do Rio de Janeiro, na região de Itacuruçá, perto da Ilha Grande, no litoral sul do Estado, que foi recusado por problemas ambientais. A Ferrous tem mina, mineroduto e porto a oferecer à BHP Billiton. Definir o preço da operação parece ser o maior desafio.
Rio Tinto reestrutura divisão de alumínio
GPdeLondrina 16.10.2011 - A mineradora anglo-australiana Rio Tinto anunciou nesta segunda-feira (horário local) que colocou 13 ativos à venda, numa estratégia de reestruturação de sua divisão de alumínio. A companhia afirmou que o movimento e vai permitir à sua unidade Alcan se concentrar no crescimento das atividades principais e na melhoria de seu desempenho financeiro. O executivo-chefe da Rio Tinto, Tom Albanese, afirmou em comunicado que "os ativos identificados para desinvestimento são negócios confiáveis e que estão bem gerenciados, com forças de trabalho produtivas". Entretanto, ele justificou que esses ativos "não estão mais alinhados com nossa estratégia e acreditamos que terão um futuro brilhante sob nova propriedade". Enquanto a venda dos 13 ativos não for concluída, alguns deles serão administrados separadamente, segundo a Rio Tinto. Seis ativos na Austrália e na Nova Zelândia serão transferidos para uma nova unidade de negócios, chamada Pacific Aluminium, e passarão a ser gerenciados separadamente do grupo de produtos da Rio Tinto Alcan. O executivo-chefe da Pacific Aluminium será Sandeep Biswas, enquanto a CEO da Rio Tinto Alcan é Jacynthe Côté. Na Austrália, o desinvestimento da Rio Tinto inclui a mina de bauxita Gove, a refinaria de alumínio Boyne Smelters e a estação de energia associada Gladstone Power Station, além das fundidoras Tomago e Bell Bay. Na Nova Zelândia, será vendida a fundidora de alumínio New Zealand Aluminium Smelters.
De acordo com o comunicado, um segundo grupo de sete ativos considerados menos centrais para a companhia continuarão sendo administrados pela Rio Tinto Alcan enquanto forem avaliadas as opções de desinvestimento. Esses ativos incluem: na França e na Alemanha, três fábricas da Specialty Alumina e a refinaria Gardanne; nos Estados Unidos, a fundidora Sebree; no Reino Unido a fundidora Lynemouth e a estação de energia associada, para a qual uma das opções é o fechamento.
Segundo Albanese, a ideia é "escolher o método e o momento mais oportunos para nos desfazermos desses ativos, o que pode não ocorrer até que o clima econômico melhore. Enquanto isso, continuaremos executando essas operações seguramente e eficientemente". A Rio Tinto já iniciou consultas junto às partes afetadas pela venda dos ativos e vai trabalhar com governos e reguladores responsáveis para alcançar seus objetivos.
BHP avalia oferta pela Ferrous Resources
Valor 17.10.2011 - Dauster, presidente do conselho da Ferrous: "Na busca de sócios estratégicos". A BHP Billiton está considerando fazer uma oferta pela Ferrous Resources do Brasil, uma companhia mineira de pesquisa, prospecção e exploração de minério de ferro. Maior companhia de mineração do mundo em valor de mercado, a BHP usa a atual queda nos preços das empresas para buscar projetos mais baratos.
As negociações começam depois que a Ferrous Resources contratou o Deutsche Bank para encontrar um comprador ou um parceiro estratégico, na sequência de uma tentativa fracassada de listar suas ações na bolsa de Londres, em 2010, de acordo com pessoas familiarizadas com a negociação. No entanto, um acordo é improvável no curto prazo, enquanto a BHP Billiton e a Ferrous Resources permanecem sem acordo sobre o preço, afirmaram fontes que acompanham as negociações. A Ferrous, sediada em Belo Horizonte, pressiona para obter uma avaliação igual ou superior a US$ 3 bilhões, enquanto a BHP tenta um valor mais baixo. Com a oferta pública inicial de ações (IPO) em Londres, esperava-se que a Ferrous seria avaliada em US$ 4 bilhões. A Ferrous arquivou seu plano de IPO no ano passado, alegando alta volatilidade no mercado financeiro global. A companhia buscava US$ 400 milhões em recursos para financiar uma mina de minério de ferro que deve entrar em operação em 2013. Muitos acionistas da Ferrous, liderados pelo fundo americano Harbinger Capital, buscavam uma alternativa para esse aporte.
A Ferrous Resources é um alvo pequeno para a BHP Billiton, que poderia financiar a aquisição usando o equivalente a alguns dias do seu fluxo de caixa anual.
A BHP registrou lucro líquido de US$ 23,6 bilhões no seu último ano fiscal, encerrado em junho, 85% acima do verificado no ano fiscal de 2010. Mais recentemente, a BHP adquiriu a produtora americana de gás natural Petrohawk Energy em uma transação em dinheiro, avaliada em US$ 15,1 bilhão.
O acordo com a Petrohawk marcou uma mudança na história recente da BHP Billiton, que falhou nos acordos de fusões e aquisições, enfurecendo investidores. A companhia abandonou suas grandes aquisições anteriores, incluindo uma oferta hostil feita no ano passado, de aproximadamente US$ 40 bilhões, pela produtora canadense de fertilizantes Potash Corporation of Saskatchewan, e a proposta à Rio Tinto para fundir suas operações de minério de ferro.
A recente queda nos preços das mineradoras em meio a temores crescentes sobre uma economia em duplo mergulho expulsou do mercado os predadores corporativos, com executivos de mineração e banqueiros antecipando uma aceleração dos acordos.
O setor de mineração registrou acordos no valor de US$ 84,5 bilhões nos primeiros nove meses do ano, conforme dados da consultoria Mergermarket, colocando a indústria no caminho certo para bater o recorde anual de US$ 111,4 bilhões em operações, registrado em 2006. A mineração respondeu por 5% do total de fusões e aquisições realizadas neste ano, o maior valor desde 2005. As conversas entre BHP Billiton e Ferrous Resources foram reportadas inicialmente pelo diário britânico "The Sunday Times".
Kinder Morgan compra El Paso por US$ 21,1 bi
Estadão 16.10.2011 - A companhia norte-americana de dutos Kinder Morgan anunciou neste domingo que acertou a compra da também norte-americana El Paso em um acordo de US$ 21,1 bilhões em dinheiro e ações, criando a maior operadora de dutos de gás natural da América do Norte. A oferta avalia as ações da El Paso, sediada em Houston, em US$ 26,87 com base no preço de fechamento das ações do Kinder Morgan em 14 de outubro - um prêmio de 37% sobre o preço de fechamento da El Paso na sexta-feira. A Kinder Morgan também assumirá US$ 16,7 bilhões em dívidas existentes da El Paso.
O acordo, um dos maiores vistos neste ano, ocorre em meio a grandes mudanças nas operações com dutos dos Estados Unidos, causadas por um boom na produção de gás natural em reservas de gás não convencional e ainda não exploradas no Texas, em Louisiana e no nordeste do país. Companhias de dutos vêm tentando reestruturar suas rotas para conectar mercados que crescem rapidamente no sul dos Estados Unidos a regiões emergentes na produção de energia ao longo da América do Norte.
"Essa transação que acontece uma vez na vida é uma oportunidade de ganhos para ambas as companhias", disse o presidente e CEO do Kinder Morgan, Richard D. Kinder. "Acreditamos que o gás natural vai representar um papel cada vez mais integral na América do Norte."
O acordo deve ser concluído no segundo trimestre de 2012. Depois da finalização, os acionistas da Kinder Morgan devem ter 68% da companhia resultante, enquanto os acionistas da El Paso ficarão com a participação remanescente. A Kinder Morgan espera vender os ativos de produção de óleo e gás da El Paso depois que a transação for realizada e usar os recursos para pagar a dívida assumida ao financiar a parcela em dinheiro do acordo.
Revisão de custos tem impacto de R$ 88,7 milhões na Trisul
Valor 17.10.2011 - A revisão do orçamento das obras da Trisul originou um impacto negativo de R$ 88,7 milhões sobre o resultado líquido da construtora no primeiro semestre do ano, período em que a companhia apurou prejuízo de R$ 46,8 milhões. No total, a atualização dos custos somou R$ 106,2 milhões. Com atraso de dois meses, as demonstrações financeiras auditadas da empresa referentes aos meses de abril a junho deste ano só foram divulgadas na sexta-feira. Segundo o calendário da Trisul, o resultado do terceiro trimestre deverá ser apresentados ao mercado no dia 9 de novembro. Os números do segundo trimestre batem precisamente com os que a companhia já tinha divulgado em setembro - mesmo sem a conclusão da revisão da auditoria responsável, a Ernst & Young Terco - devido a pressões dos investidores.
Em relação ao segundo trimestre do ano passado, a receita líquida caiu 7,7%, para R$ 193 milhões. Com a alta dos custos, o lucro bruto ficou em R$ 6,3 milhões, em queda de 89%. Com isso, a margem bruta recuou 24 pontos percentuais, para 3,3%.
O resultado operacional antes da linha financeira e dos impostos foi um prejuízo de R$ 18 milhões, contra lucro de R$ 29 milhões em igual trimestre de 2010. Na última linha, a Trisul registrou resultado negativo de R$ 33,6 milhões.
A revisão orçamentária, motivo pelo qual a companhia alega não ter entregado seu demonstrativo em tempo hábil para que a auditoria fizesse o seu trabalho, foi destacada em uma "ênfase" no relatório do auditor independente.
O estouro nos custos das obras atingiu também outras construtoras listadas na bolsa, como Cyrela, Gafisa, MRV e Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário, no segundo trimestre. No caso da Trisul, as notas explicativas do balanço informam que o fenômeno ocorreu devido às renegociações e novos aditivos de contratos com parceiros e subempreiteiros, à necessidade de refazimento de serviços que não estavam em conformidade com os controles de qualidade e, por fim, à escassez e alta dos custos com mão de obra, insumos e locação de equipamentos.
Governo estuda criar 'nova Imigrantes'
Folha 17.10.2011 - Projeto prevê concessão de estrada entre Parelheiros, em SP, e Itanhaém, no litoral sul; custo pode chegar a R$ 648 milhões.
Para o Estado, sistema Anchieta-Imigrantes já está com sobrecarga de veículos; nova rodovia dará suporte ao pré-sal.
O governo de SP iniciou estudo para uma nova ligação rodoviária entre o planalto e o litoral sul, que servirá para aliviar o sistema Anchieta-Imigrantes e dar suporte à exploração de petróleo e gás. A via deve ligar Itanhaém a Parelheiros, no extremo sul da capital, ou ao Rodoanel, cortando a serra do Mar. Embora não haja definição de traçado, a distância média é de 15 km -de Marsilac, distrito vizinho a Parelheiros, já é possível avistar Itanhaém. A Imigrantes tem 70 km. O governo avalia incluir a obra em uma concessão abrangendo a maior parte da rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP-55), de Mongaguá à Régis Bittencourt (BR-116).
Hoje, a SP-55 é o principal acesso a cidades como Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe e se tornou um gargalo, tanto para os turistas quanto para a economia, com o pré-sal.
No total, a concessão teria 153 km de rodovia, incluindo a nova ligação. Cálculos iniciais apontam para um investimento de R$ 648 milhões.
Com a nova concessão, haverá pedágios tanto na nova rodovia quanto no trecho da Padre Manoel da Nóbrega, entre Mongaguá e Peruíbe.
O número de praças e a tarifa ainda serão definidos. O governo não fixou prazo para concluir o estudo. Nos últimos dez anos, as maiores obras na conexão planalto-litoral sul foram a segunda pista da Imigrantes, inaugurada em 2002, e o Rodoanel sul, no ano passado.
Entre 2009 e 2010, o sistema Anchieta-Imigrantes ganhou 2,1 milhões de veículos, passando de 33,8 milhões 35,9 milhões por ano.
A nova rodovia integraria um amplo projeto de terceirização da infraestrutura de transportes do litoral, que inclui a concessão das rodovias dos Tamoios, Rio-Santos e Mogi-Bertioga e de dois contornos viários em Caraguatatuba e São Sebastião.
Também serão entregues à iniciativa privada as balsas e o túnel Santos-Guarujá.
Projeto antigo: A rodovia Parelheiros-Itanhaém é uma reivindicação histórica do litoral sul e chegou a virar lei em 1997, com o governador Mario Covas.
O ato de Alckmin atende a políticos aliados, como deputados estaduais da região e o prefeito de Itanhaém, João Carlos Forssell (PSDB).
Atende ainda entidades de empresários e de turismo e a Petrobras, que tem em Itanhaém um ponto estratégico na exploração do pré-sal.
Segundo Edson Aparecido, secretário de Desenvolvimento Metropolitano, Alckmin autorizou o estudo porque a "demanda é grande". "Perto de 53% do movimento do sistema Anchieta-Imigrantes é para o litoral sul", afirma.
Na Secretaria de Logística e Transportes, a rodovia está sendo estudada pelo mesmo grupo que delineou o túnel que ligará Santos a Guarujá.
"A Imigrantes está no limite. Nos feriados e férias, a pessoa demora seis, sete horas para andar um trecho da Padre Manoel da Nóbrega", afirma Silvio Lousada, secretário de Governo de Itanhaém. Embora diga que isso "dificulta o turismo", ele ressalta que o foco é o pré-sal. "A rodovia cria uma logística para o transporte de cargas."
Obras na Amazônia atraem 7 'trens-bala'
Folha 16.10.2011 - Investimentos somam, pelo menos, R$ 212 bilhões e criam novo ciclo de expansão econômica na região. Plano cria saída para o agronegócio exportador e uma nova estrutura para geração de energia e exploração mineral. O governo federal e o setor privado inauguraram um novo ciclo de desenvolvimento e ocupação da Amazônia Legal, onde vivem 24,4 milhões de pessoas e que representa só 8% do PIB brasileiro.
O pacote de investimento para os nove Estados da região até 2020 já soma R$ 212 bilhões. Parte já foi realizada. O valor deverá subir quando a totalidade dos projetos tiver orçamentos definidos. Esse volume de recursos equivale a sete projetos do TAV (Trem de Alta Velocidade), pouco mais de quatro vezes o total de capital estrangeiro atraído pelo Brasil em 2010 e duas vezes o investimento da Petrobras para o pré-sal até 2015. Excluindo o total do investimento do país no pré-sal, os recursos a serem aportados na Amazônia praticamente vão se equiparar aos do Sudeste, principal polo industrial do país.
É o que indica levantamento feito pela Folha com base no PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) e nos principais projetos privados em andamento.
Basicamente, são obras de infraestrutura (energia, transporte e mineração). Juntas, elas criarão condições para a instalação de indústrias e darão origem a um corredor de exportação pelo "arco Norte", que vai de Porto Velho (RO), passando por Amazonas, Pará, até o Maranhão. Essa movimentação de cargas será feita por uma malha logística integrada por rodovias, ferrovias e hidrovias que reduzirão custos de exportação, principalmente para o agronegócio, que hoje basicamente utiliza os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR).
Energia Amazonica: O setor elétrico é a força motriz dessa onda de investimento. As principais hidrelétricas planejadas pelo governo serão instaladas na região e, com elas, também se viabilizarão as hidrovias. Projetos como Belo Monte (PA), Jirau e Santo Antônio (RO), Teles Pires e o complexo do Tapajós (PA) fazem parte desse novo ciclo de ocupação, acelerando o processo que se iniciou ainda sob a batuta do governo militar. A Amazônia, que hoje participa com 10% da geração de energia no país, passará a 23%, até 2020. Em uma década, ela será responsável por 45% do aumento da oferta de energia no sistema elétrico brasileiro e se tornará um dos motores do crescimento. Cintrovérsias: Para acelerar a implantação dos projetos, o governo federal estuda uma série de mudanças legais. Entre elas estão a concessão expressa de licenças ambientais, a criação de leis que permitam a exploração mineral em áreas indígenas e a alteração do regime de administração de áreas de preservação ambiental.
Há ainda no Congresso um projeto de lei que, caso seja aprovado, tornará obrigatória a construção de hidrelétricas juntamente com as eclusas, viabilizando o transporte hidroviário.
O atual modelo prevê a construção das usinas e somente a apresentação do projeto da eclusa, obra que deve ser feita pelo governo. O avanço sobre a Amazônia gera controvérsias entre ambientalistas, que acusam o governo de repetir um modelo de desenvolvimento não sustentável e que conduz a região ao colapso social. Para os ambientalistas, as obras das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, em Porto Velho (RO), e de Belo Monte, em Altamira (PA) são exemplos.
Recesso pode ser financeiramente atrativo para algumas ações
Valor 17.10.2011 - A demora na concretização da operação e a queda das ações na bolsa farão com que haja exercício do direito de recesso em dois dos sete tipos de ações do grupo Oi: nas ordinárias da Tele Norte Leste Participações (TNL) e nas preferenciais classe A da Telemar Norte Leste (TMAR). Quando a transação foi anunciada, a expectativa era que somente o direito de retirada da TMAR 5 fosse atrativo. A queda dos papéis, contudo, levou as ordinárias da TNL a ficarem abaixo do valor patrimonial - referência para o pagamento.
Na sexta-feira, as ordinárias encerraram o pregão a R$ 20,08. No fim de junho, o valor patrimonial de cada papel estava em R$ 28,92 - indicando, portanto, que será vantajoso vender as ações a esse preço.
No caso da TMAR 5, o estatuto social da empresa determina que o recesso seja pago com base no valor econômico da companhia, ou seja, determinado pela projeção do fluxo de caixa do negócio - mesma metodologia usada pelos analistas para calcular o preço-alvo das ações.
As projeções de analistas cadastrados na Bloomberg apontavam uma média de R$ 56,16 para os preços-alvo projetados. Na bolsa, as ações estavam valendo R$ 36,97.
A companhia está, neste momento, justamente na fase de confecção do laudo que balizará o valor de TMAR. O Citibank foi contratado para essa avaliação. Não está descartado que esse seja mais um ponto polêmico da transação, devido à subjetividade de um estudo desse porte.
Embora utilizados para outra finalidade, os laudos que auxiliaram os comitês independentes que avaliaram a relação de troca das ações dão uma ideia da variação que pode haver. Em um dos laudos, o valor alcançado para os papéis da TMAR ficou na casa dos R$ 70 e em outro chegou a R$ 118.
O presidente da Oi, Francisco Valim, não quis estimar quanto o grupo pode gastar com esses pagamentos ao mercado. Contudo, analistas calculam que o gasto pode ficar próximo de R$ 2 bilhões - tudo dependerá do percentual de acionistas que preferirá vender pelo valor do recesso ou ficar e trocar na incorporação.
Ainda que a companhia tenha um gasto considerável com essa etapa, o investimento terá benefícios para o controlador. Essa compra de papéis para pagamento do recesso ajudará o controle a recompor sua posição majoritária sem a necessidade de grande rearranjo de participações entre eles.
Isso porque sem os recessos e sem ajuste entre os sócios o grupo controlador perderia a maioria absoluta no capital da Brasil Telecom, ficando na faixa dos 45%.
Copel planeja elevar em 38% a capacidade de geração até 2014
Valor 17.10.2011 - Zimmer, presidente da Copel: "Já tivemos participação de 7% no mercado nacional (de geração) e hoje temos menos de 5%". A direção da Copel planeja oferecer propostas para pelo menos três usinas no leilão A-5, em dezembro. Ela está de olho na São Manoel e na Sinop, no Rio Teles Pires, no Mato Grosso; e na São Roque, do Rio Canoas, em Santa Catarina. A estatal paranaense pode entrar sozinha ou em parceria com outras empresas, com participações majoritárias ou minoritárias. "Estamos com as mangas arregaçadas", diz o presidente da companhia, Lindolfo Zimmer, que até 2014, ainda na atual gestão, pretende incrementar o parque gerador em pelo menos 2 mil megawatts (MW). Isso significa um aumento de 38,7% em relação aos 5.158 MW atuais. O executivo não descarta aquisições e, como acredita na consolidação do setor, garante que fará parte do grupo "que vai dar as cartas".
A meta inclui projetos em andamento, como as usinas de Mauá e Colíder, e outras que planeja iniciar, como a São Jerônimo (da qual possui 41,2% dos 331 MW e negocia aumento de participação) e a pequena central hidrelétrica (PCH) Cavernoso II (19 MW). Ele também já conta com a compra de 30% de participação na usina Baixo Iguaçu, arrematada pela Neonergia em 2008 e cujas obras ainda não foram iniciadas. "Estamos reestruturando o projeto", conta Zimmer, adiantando que a ideia é reduzir o custo previsto de R$ 1,4 bilhão para R$ 1,2 bilhão, "para que a usina fique economicamente atraente". Parte da redução dos gastos pode vir da decisão de usar outra hidrelétrica da Copel, a José Richa, distante 15 quilômetros, como base logística para a construção e, depois, para a operação.
Tanto no caso da São Jerônimo como no da Baixo Iguaçu, a intenção é resolver as questões que estão pendentes ainda em 2011 e, em 2012, iniciar as construções. O reforço na área de geração, na opinião do executivo, que é engenheiro aposentado da Copel, tem relação com o histórico da companhia. "Já tivemos participação de 7% no mercado nacional e hoje temos menos de 5%", reclama. Zimmer lembra que acompanhou algumas negociações para a construção de usinas no Estado, no passado. Ele conta, por exemplo, que a concessão da usina de Segredo (1.260 MW) foi conseguida pelo ex-governador Ney Braga durante viagem de avião para Foz do Iguaçu com o ex-presidente João Batista Figueiredo.
Sobre as obras em andamento e as futuras, o executivo diz ter preocupação com a segurança jurídica, com exigências posteriores que atrasam e oneram os projetos. "Para corrigir possíveis distorções, não é preciso parar a obra", defende. "Atraso custa cerca de R$ 300 mil por dia." Recentemente, a companhia teve de resolver problemas ambientais na construção da usina de Colíder, mas as obras foram retomadas. "Ela vai sair no prazo. Até antes", prevê, sobre o interesse de que o atual governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), inaugure a hidrelétrica. Mauá, por exemplo, vai ser inaugurada com um ano de atraso, no começo de 2012.
A Copel tem R$ 1,5 bilhão em caixa e, além dos futuros leilões, está em busca de outros negócios. A empresa fez edital de chamada pública no começo do ano e mais de uma centena de projetos apareceram. "Todos estão em análise", conta Zimmer. Foi assim que a estatal comprou participação em eólicas no Nordeste, em junho. Na semana passada, outra negociação de eólicas, também do Nordeste, estava sendo analisada na sede da companhia, em Curitiba. "Há empresas à disposição", afirma o presidente, que entre as opções em estudo cita participações do grupo Rede e também da Celg, de Goiás, além de pequenas distribuidoras e cooperativas de eletrificação rural.
A previsão de investimento de 2011 da Copel era de R$ 2 bilhões, sendo R$ 930 milhões em distribuição, mas o executivo explica que a velocidade foi menor no começo de governo e a soma deve chegar a R$ 1,7 bilhão no exercício. A empresa recebeu R$ 300 milhões em estoques e está reduzindo para pouco menos de R$ 50 milhões. O executivo reclama da falta de investimentos em distribuição nos últimos anos devido ao não repasse de aumentos nas tarifas de energia do governo anterior, que geraram multas por falta de qualidade.
obre as concessões que estão vencendo, o executivo defende que elas sejam renovadas e diz que vai "prevalecer o bom senso". "Já imaginou se o governo faz licitação, vem uma empresa chinesa e compra?"
China assume fianças da PDVSA para refinaria em PE
Agência Estado 14.10.2011 - Instituição assumiu toda a cota que antes do BB e 50% do que fora assumido pelo português BES como garantia para que a estatal venezuelana integre sociedade com a Petrobrás. O China Development Bank Corporation assumiu 75% das fianças bancárias apresentadas pela petroleira venezuelana PDVSA ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), como garantia para integrar a sociedade empresarial que constrói em Pernambuco a Refinaria Abreu e Lima.
Pelo arranjo apresentado inicialmente, o Banco do Brasil (BB) tinha 25% das garantias e o Banco Espírito Santo (BES), de Portugal, os demais 75%. Segundo fontes, o BNDES considerou perigosa a participação do banco português como líder da fiança, em razão da crise financeira que assola a Europa. Portugal é um dos países mais afetados.
Na reformulação do projeto de garantias, motivada pela contrariedade do BNDES em aceitar a proposta, a PDVSA baixou o percentual do BES. O BB se afastou do grupo de fiadores. Parceiro do BES em acordos que envolvem US$ 300 milhões, o banco de desenvolvimento chinês assumiu a cota do BB e 50% da instituição portuguesa.
As garantias da companhia venezuelana somam R$ 4 bilhões, correspondentes a 40% do empréstimo de R$ 10 bilhões contraído pela Petrobrás há quatro anos junto ao BNDES para a obra da refinaria.
Além deste valor, a PDVSA terá que ressarcir a Petrobrás dos gastos que teve antes da captação do empréstimo. A quantia, não-divulgada pela estatal, começou a ser discutida hoje entre representantes das petroleiras brasileira e venezuelana.
Century 21 representará fundos no país
Valor 17.10.2011 - A Century 21 Brasil vai representar fundos estrangeiros na compra de participações em sociedades de propósito específico (SPEs) de projetos enquadrados no programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. A empresa fechou acordo com fundo de private equity do Reino Unido, formado principalmente por investidores irlandeses, que investirá US$ 200 milhões em compra de participações em SPEs com foco no segmento. Segundo o presidente da Century 21 Brasil, Ernani Assis, o fundo espera ter retorno em até oito anos.
Outro acordo está em vias de ser fechado com um fundo da Índia. Os investidores desse fundo também pretendem comprar participações em projetos voltados para o Minha Casa, Minha Vida. Os aportes dos investidores indianos nessas aquisições somarão US$ 100 milhões. A Century 21 deve começar a comprar participações em SPEs para os dois fundos em novembro. A intenção é procurar todas as incorporadoras que atuam nos moldes do programa.
A Century 21 terá exclusividade na venda dos imóveis produzidos pelas parcerias fechadas por meio de sua intermediação. Ainda não está definido se a venda será feita pela própria Century 21 ou pela rede franqueada.
A 50ª franquia da Century 21 entra em operação hoje, em Brasília. O total de contratos assinados com franqueados, incluindo os referentes a operações ainda não iniciadas, é de 127. A meta para 2011 é chegar a 150. Em média, a Century 21 tem fechado nove por mês. "Queremos ter 580 agências operando no fim de 2015", diz Assis.
Desde fevereiro, o modelo de remuneração da empresa mudou do sistema de pagamento de royalties para desembolsos fixos mensais de R$ 1 mil por franqueado. Mas a maior parte da receita da Century 21 resulta da remuneração por serviços de terceiros oferecidos por meio dos franqueados. No primeiro semestre, os franqueados começaram a oferecer financiamento do Santander. A expectativa é que o financiamento do banco distribuído pelos franqueados chegue a R$ 60 bilhões em dez anos.
O modelo de oferta de serviços começou a ser adotado no fim de outubro de 2010. Recentemente, a Century 21 fechou parceria com a Mapfre Seguros para a distribuição dos produtos fiança locatícia, seguro residencial e assistência 24 horas. As duas empresas constituíram a joint venture Protec 21 Seguros, com 50% cada uma. Por dois anos, a Mapfre não poderá ter outra parceria em formato semelhante, segundo Assis.
Os franqueados da Century 21 vendem imóveis novos e usados. O tíquete médio das unidades é de R$ 417 mil, mas a média dos imóveis vendidos pelos franqueados que atuam no bairro do Itaim, em São Paulo, chega a R$ 1,150 milhão. Em 2010, o Valor Global de Vendas (VGV) dos franqueados foi de R$ 1,2 bilhão. De janeiro a julho de 2011, chegou a R$ 2,8 bilhões.
Para ganhar espaço, pequenos reforçam aposta nos portáteis
Valor 17.10.2011 - Hélio Rotenberg, presidente da Positivo Informática: poucos produtos e linhas sofisticadas são saída para pequenos.
O mercado brasileiro de computadores mais que dobrou de tamanho nos últimos cinco anos, saindo de 6,5 milhões de unidades vendidas em 2006 para 14 milhões projetados para este ano, segundo dados da consultoria IDC. Mas essa expansão não contemplou todos os participantes do setor.
Fabricantes como Megaware, Microboard, Kelow, Qbex, SpaceBR, Netbox, Intelbras, CCE e STI (da Semp Toshiba) enfrentaram dificuldades diante das disputas acirradas de preço promovidas pelas multinacionais. Parte deles vê nos notebooks uma alternativa para conquistar uma participação maior no mercado doméstico.
A Microboard foi uma das fabricantes que deixou de lado a produção de computadores de mesa (desktops) para se dedicar aos notebooks. A empresa importa componentes da Ásia e faz a montagem dos equipamentos em uma unidade fabril, em Minas Gerais. Para Ivan Lukasevicius, diretor comercial da Microboard, o principal fator que motivou a saída da companhia do mercado de computadores de mesa foi a baixa rentabilidade. "Os distribuidores não têm critério para calcular margens e acabaram prejudicando várias empresas", afirma o executivo. Indústria local pode substituir parte do mercado ilegal, que vende 3 milhões de PCs por ano, em média A Megaware decidiu segmentar suas linhas de produção para reduzir custos e elevar a produtividade. A empresa investiu R$ 2,5 milhões em 2010 na construção de uma fábrica em Curitiba, voltada exclusivamente à produção de desktops. Sua primeira unidade fabril, localizada em Belo Horizonte, passou a dedicar-se à fabricação de notebooks e netbooks, além de placas-mãe e memórias.
"Nossa expectativa é fechar o ano com um crescimento de 18% e o que vem puxando esse número é a mobilidade", diz Germano Couy, presidente da Megaware. De acordo com o executivo, do total de computadores vendidos atualmente pela empresa, 45% são notebooks e 55% são desktops. Há um ano, essa relação estava na faixa de 25% e 75%, respectivamente.
Há outros fabricantes nacionais que estão apostando também nos tablets. É o caso da STI, CCE, MXT, AIOX, Compalead Eletrônica do Brasil, Teikon Tecnologia Industrial, Ilha Service e Leadership. Hélio Rotenberg, presidente da Positivo Informática, considera que a melhor opção para pequenos fabricantes é apostar em poucos produtos, mas sofisticados. "Sem escala, não dá para ter um portfólio grande, porque o custo fica muito alto", diz o executivo. Fernando Meirelles, professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), considera que a fabricação de equipamentos de preços mais altos que o desktop têm sido uma alternativa para os fabricantes de pequeno e médio portes. Para ele, o mercado de PCs opera com uma margem apertada, de 7% (incluindo a margem do varejo) e o real valorizado faz com que o preço de importados fique semelhante ao praticado pelos fabricantes nacionais, que são favorecidos por carga tributária reduzida. "Com exceção da Dell e da Apple, que conseguem vender produtos com preços mais altos, para as demais empresas fica mais difícil manter a operação rentável", diz. Para Meirelles, os pequenos fabricantes têm chance de expandir as vendas sobre o mercado cinza (entrada ilegal de máquinas no país). Há cinco anos, esse segmento representava em torno de 50% das vendas totais de PCs no país, ou cerca de 3 milhões de unidades. Essa participação caiu para 22% das vendas de PCs em 2011, mas o volume manteve-se equivalente. Martim Juacida, analista de mercado da IDC Brasil, afirma que o mercado cinza tende a encolher, devido à pouca diferença de preço em relação ao mercado formal e à dificuldade para se montar um modelo de vendas a prazo, como é feito no varejo. "Pequenos integradores compravam bastante do mercado cinza, mas como os preços são parecidos e eles não conseguem parcelar as vendas, as compras sem nota tornam-se menos interessantes", diz o analista.
Alex Ivanov, gerente da unidade de negócios de TI da GfK Retail & Technology, diz que uma das opções dos fabricantes de menor porte para se sobressair tem sido os sites de comércio eletrônico. Por exigirem estoques menores para as lojas, as vendas para sites tornam-se menos onerosas para esses produtores de PCs.
Olympus demite presidente em meio a troca de acusações
The Wall Street Journal 17.10.2011 - Em um caso raro de demonstração pública de tensões dentro da administração de uma firma japonesa, a Olympus Corp. informou na sexta-feira quet demitiu Michael C. Woodford do cargo de diretor de operações e diretor-presidente da empresa, depois de apenas seis meses no comando, citando um confronto no seu estilo de gestão com o de outros executivos do alto escalão.
O anúncio, feito logo após a abertura do pregão na bolsa de Tóquio, surpreendeu os investidores, muitos dos quais consideravam Woodford um reformador muito importante e necessário na combalida empresa, fabricante de câmeras e instrumentos de precisão.
A ação da Olympus despencou 18% no fechamento do pregão, aniquilando cerca de um quinto do valor de mercado da empresa. No início da semana, analistas da Goldman Sachs tinham elevado a classificação da ação da Olympus de "neutro" para "comprar", dizendo que a nova gestão, sob comando de Woodford, era "uma das principais razões da fé na Olympus".
Woodford, de 51 anos, cidadão britânico que foi o primeiro presidente não-japonês da Olympus, passou a ser membro do conselho sem direitos de representação, informou a empresa em um comunicado, embora não esteja claro se ele vai permanecer na firma. O presidente do conselho de administração, Tsuyoshi Kikukawa, assumiu a presidência executiva. Woodford "ignorou nossa estrutura organizacional e tomou decisões baseadas inteiramente no seu próprio discernimento", disse Kikukawa em entrevista coletiva após o anúncio. Acrescentou que Woodford muitas vezes ignorava algum chefe de divisão e dava ordens diretamente aos empregados.
"Eu lhe disse repetidas vezes que não podia fazer isso, mas ele não me dava ouvidos", disse Kikukawa. O presidente do conselho, de 70 anos, disse que uma das razões para a nomeação de Woodford, que assumiu a chefia da empresa em 1º de abril, foi que ele seria capaz de efetuar mudanças que os executivos japoneses não podiam fazer. Mas mesmo assim, "nossa administração precisa levar em conta a cultura da empresa, o seu estilo especial de gestão, que vem sendo cultivado ao longo dos anos, e mais amplamente, levar em conta a cultura japonesa", disse ele. Woodford, explicou Kikukawa, "não passou muito tempo no Japão e não conseguiu superar vários obstáculos, tais como a comunicação e a cultura".
Em uma entrevista por vídeoconferência com The Wall Street Journal no sábado, Woodford respondeu à acusasão dizendo: "Isso é absurdo. Não se trata de nacionalidades". E acrescentou que pouco antes de ser demitido, exortou o presidente do conselho a demitir-se, devido a "sérias questões de governança".
Woodford disse que nas últimas três semanas comunicou repetidamente sua preocupação, por escrito, ao presidente Tsuyoshi Kikukawa, bem como ao vice-presidente executivo Hisashi Mori, sobre vultosos pagamentos que a Olympus fez a um consultor de negócios, cuja identidade, segundo Woodford, é desconhecida. Os pagamentos se relacionam à aquisição, feita em 2008, da Gyrus, fabricante britânica de equipamentos médicos.
"Não recebi nenhuma resposta clara para essas perguntas", disse Woodford, falando de sua casa em Londres, para onde voou de imediato, assim que sua demissão foi divulgada ao público. Suas perguntas também se relacionavam com as aquisições, que ele chamou de grosseiramente supervalorizadas, de três pequenas empresas no Japão há vários anos.
Um porta-voz da Olympus, disse no sábado: "Como explicamos ontem, a razão para (a decisão do conselho) são as grandes diferenças no estilo de gestão e direção".
"Cortes de custos certamente são necessários, mas (Woodford) tinha pontos de vista diferentes sobre onde fazê-los", disse Mori, o vice-presidente executivo da Olympus, insistindo que a mudança na liderança não vai atrasar a realização das metas de médio prazo definidos antes de Woodford assumir o comando.
Nos três meses encerrados em junho, ou seja, o primeiro trimestre da empresa sob a direção de Woodford, a Olympus registrou prejuízo líquido de 2,15 bilhões de ienes (US$ 27,9 milhões), uma queda de 60% no lucro operacional, para 4,46 bilhões de ienes, e um declínio de 3,6% na receita, para 198,57 bilhões de ienes.
Woodford rejeitou as alegações feitas por Kikukawa na sexta-feira de que ele "ignorava a estrutura organizacional (da empresa) e tomava decisões baseadas inteiramente no seu próprio discernimento".
Woodford, de 51 anos, estava entre um punhado de líderes não-japoneses no mundo empresarial relativamente homogêneo do país, juntamente com os diretores-presidentes Howard Stringer, da Sony Corp., Carlos Ghosn, da Nissan Motor Co. e Craig Naylor, da Nippon Sheet Glass Co. Woodford entrou em uma filial britânica da Olympus em 1981 e ocupou uma série de cargos de comando em unidades no exterior, até ser nomeado um alto executivo da controladora japonesa já em 2008.
A demissão, que teve caráter particularmente público, provocou reflexões entre executivos de outras empresas, alguns prevendo um impacto negativo na imagem do "Japão S.A." no exterior.
"Tenho medo de que o Japão, como país, possa ser considerado um país problemático para executivos estrangeiros", disse Toshiyuki Shiga, diretor de operações da Nissan. "Isso significa que as pessoas vão hesitar antes de vir para o Japão... O Japão vai perder (oportunidades) de recrutar gente talentosa do mundo todo, o que é uma pena."
'Bancos suíços estão bem capitalizados'
Valor 17.10.2011 - Johann Schneider-Ammann: decisão do BC suíço de definir piso para moeda foi "histórica", mas taxa em relação ao euro ainda está sobrevalorizada.
Os dois bancos gigantes suíços, o UBS e o Credit Suisse, estão bem mais capitalizados que outras instituições financeiras internacionais, tendo em carteira um "volume digerível" de títulos dos chamados PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha), disse o conselheiro federal da Suíça Johann Schneider-Ammann, que comanda a economia do país.
"Eu não sou o chefe dos bancos suíços, mas tenho certeza de que eles estão alertas e se preparando totalmente para qualquer cenário que possa surgir [como deterioração da crise da dívida europeia]. Eu tenho muita confiança em relação aos nossos bancos", afirmou ele, em entrevista ao Valor, na sexta-feira, depois de participar de um seminário sobre câmbio na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Além de falar da saúde do sistema financeiro de seu país, Schneider-Ammann apoiou enfaticamente a recente decisão do banco central suíço de definir um piso para a taxa de câmbio - uma "decisão histórica"- e comentou os efeitos da crise da dívida europeia sobre o seu país - o impacto negativo sobre o crescimento se dará especialmente em 2012.
Schneider-Ammann lembrou que, em recentes discussões no parlamento suíço, a decisão foi a de forçar os bancos a elevar seu patamar de capitalização, inclusive acima do exigido pelas regras definidas pelo acordo de Basileia III. Como o sistema financeiro têm um peso grande em relação ao tamanho da economia suíça, os suíços têm mostrando grande preocupação em evitar que o sistema financeiro provoque problemas para o restante do país.
"Há três anos, a Suíça teve que resgatar o UBS. O banco tornou-se uma companhia pública novamente. Nós não temos definitivamente nenhuma intenção em fazer o mesmo outra vez", afirmou ele. Recentemente, o UBS amargou prejuízos de US$ 2,3 bilhões, por conta de prejuízos causados por transações não autorizadas feitas por um operador da instituição.
A sólida economia da Suíça tem sofrido com a crise da dívida de países da zona do euro. A turbulência contribui para a forte sobrevalorização da moeda local, tendência que fez o banco central surpreender os mercados financeiros em 6 de setembro ao definir um piso para a taxa de câmbio, de 1,20 francos suíços por euro.
Tomada de forma independente pelo BC suíço, a decisão ganhou logo o apoio de Schneider-Ammann, que antes de integrar o governo presidia o Grupo Ammann (do setor de máquinas e equipamentos para construção) e a Swissman (entidade suíça equivalente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).
Como as exportações representam 50% do Produto Interno Bruto (PIB) suíço, a moeda valorizada causa estragos à economia, prejudicando a competitividade das empresas no cenário internacional, disse ele. Uma preocupação é a possibilidade de que as companhias transfiram parte de sua produção para outros países. Ao tomar a medida, o banco central suíço alertou também para os riscos de um processo deflacionário no país.
Schneider-Ammann considera bem sucedida a estratégia do banco central suíço, embora ainda veja o franco suíço sobrevalorizado na comparação com a moeda única europeia. A divisa da Suíça tem sido negociada pouco acima de 1,23 por euro. Segundo ele, em termos de paridade de poder de compra, o valor do franco suíço em relação à moeda europeia é de algo como 1,35 a 1,40. Schneider-Ammann disse que a decisão do BC suíço foi "histórica", mas espera que ela tenha um caráter transitório.
Para ele, a forte incerteza na zona do euro acentuou a tendência de valorização do franco suíço, também provocada pela estabilidade política e pela eficiência da economia do país.
O outro efeito negativo da crise europeia sobre a Suíça é uma desaceleração do crescimento. Em 2010, o país cresceu 2,7%, acima da média de 2% registrada ao longo dos anos 2000. Para 2011, a previsão no começo do ano era de uma expansão de 2,1%, expectativa que hoje está em 1,9%. Segundo Schneider-Ammann, a redução da estimativa é pequena porque o primeiro semestre deste ano ainda foi positivo para a atividade econômica - a segunda metade do ano é que mostra um quadro mais complicado.
O estrago maior deverá ocorrer no ano que vem. Em vez de uma expansão de 1,5%, a economia deverá crescer apenas 0,9%, um efeito em grande parte provocado pelas perspectivas piores de expansão para a zona do euro. Dois terços das exportações suíças vão para a Eurolândia, lembrou Schneider-Ammann.
De acordo com ele, um fator que pode impedir uma desaceleração mais forte da Suíça é se a China continuar a crescer a um ritmo expressivo. O suíço chama a atenção para uma ligação indireta entre a economia dos dois países. Se o país asiático avançar com força, na casa de 8% ao ano, vai demandar um volume significativo de produtos da indústria alemã, que tem muitas empresas suíças como fornecedoras.
Schneider-Ammann mostrou preocupação com a situação da zona do euro, mas disse não acreditar que a crise da dívida piore a ponto de se tornar um evento das proporções da quebra do Lehman Brothers, em 2008.
Segundo ele, a primeira ministra da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, não podem se permitir um erro dessas proporções, devendo tentar tudo para estabilizar o sistema financeiro europeu. "E cedo ou tarde, será necessário voltar à virtude, o que significa que não se pode gastar mais do que se têm como receita."
Ao falar do Brasil, Schneider-Ammann destacou a importância do país na economia global, elogiando o progresso realizado nos últimos anos. "É um grande mercado, com grande potencial", disse ele, interessado também num acordo de livre comércio com o Mercosul.
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