terça-feira, 11 de outubro de 2011

Azul.CA.11.10

Daily News

Heringer sobe com devolução de créditos tributários
Valor 11.10.2011 - A devolução de créditos tributários pela União, que pode levar anos, é sempre considerada bem-vinda pelas empresas, mas para a Fertilizantes Heringer poderá representar mais do que isso: será um alívio para o caixa da companhia.
A Heringer informa, em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que recebeu da União no fim de setembro R$ 58 milhões, referente a créditos tributários relativos a Imposto de Renda (IR) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
Essa restituição deverá ser usada no pagamento da primeira parcela, de três anuais, de uma dívida de debêntures, de R$ 80 milhões, que vence em fevereiro de 2012.
A emissão foi feita em agosto de 2010, totalizando R$ 200 milhões, com juros atrelados ao CDI mais 4,5% ao ano, que correspondem a um custo mensal de R$ 3 milhões.
Aparentemente, os investidores gostaram da notícia. As ações da empresa se valorizaram 4,8% desde a divulgação do comunicado, em 29 de setembro. Ontem, o papel encerrou o pregão cotado a R$ 9,60, com alta de 1,8%. "O dinheiro chega em bom momento e representa um valor significativo, quase 13% do valor de mercado da empresa", avalia André Gordon, sócio-fundador da GT Invest, gestora de recursos. "A Heringer poderá aliviar o endividamento num momento em que o preço de fertilizantes e a demanda pelo insumo estão em alta."
O valor de mercado da Heringer é de R$ 465,3 milhões e sua dívida líquida totaliza R$ 660 milhões. A Heringer ainda está aguardando uma apreciação do Tribunal Regional Federal, do Rio de Janeiro, para a liberação do restante do montante - de R$ 78 milhões. Esse valor diz respeito à parte que a União quer compensar da dívida da Heringer parcelada no Refis.
O subsecretário de arrecadação e atendimento da Receita Federal, Carlos Roberto Occaso, diz, no entanto, que os créditos só podem ser restituídos não havendo débitos pendentes. Procurada, a Heringer não concedeu entrevista.

Plano é ter 50% de operação de fast-food
Valor 11.10.2011 - Iniciadas há cerca de seis meses, as negociações da Sapore com uma rede de fast-food internacional caminham para uma sociedade em que a brasileira detenha 50% da operação. A informação é do presidente da Sapore, Daniel Mendez, que mantém o nome do grupo estrangeiro em sigilo. A ideia é trazer a marca para o Brasil e gerenciar sua expansão com lojas próprias e franquias. "Será mais uma linha comercial, um novo braço do nosso negócio", diz Mendez. Se concretizada, a transação vai marcar a estreia da empresa no varejo. Hoje, a companhia tem parcerias com redes conhecidas nas praças de alimentação e corredores dos shoppings, como Montana Grill, Rei do Mate e Grão Expresso, mas com unidades que funcionam dentro seus restaurantes empresariais.
A Sapore não será a primeira empresa do setor de refeições coletivas no país a ter esse tipo de operação. A concorrente GRSA, que pertence ao grupo inglês Compass, tem um braço de varejo, com franquias de redes como Bob's, Vivenda do Camarão e Subway funcionando em aeroportos e rodoviárias. A investida faz parte dos planos de expansão traçados após o processo de reestruturação pelo qual a empresa passou em 2009 e 2010. Em meio a essa reorganização, a busca de um sócio chegou a estar na mesa. O balanço de 2010, fechado em 15 de março, informa que os planos para mudar a situação financeira da companhia abrangem "desde a entrada de novos sócios no negócio à implementação de novos produtos no mercado". Mendez, fundador e controlador da empresa, diz que o cenário mudou a partir do desempenho positivo obtido no primeiro semestre deste ano. "Chegamos a estudar a entrada de um fundo, mas agora não queremos, não precisamos", afirma. "Essa era uma das saídas se este ano repetisse parâmetros similares ao do ano passado."  Por outro lado, segundo ele, a abertura de capital em bolsa, projeto que acabou descartado nos últimos anos, voltou a ser considerada como uma possibilidade futura.

Sapore revê modelo e reverte prejuízo
Valor 11.10.2011 - "Amadurecemos muito em termos de gestão", afirma Daniel Mendez.
A guerra de preços deflagrada no setor de refeições coletivas em consequência da crise mundial de 2008 teve forte impacto sobre a Sapore, uma das maiores fornecedoras do setor no país. Para reverter um prejuízo que chegou a R$ 30 milhões em 2009, a companhia iniciou um processo de reestruturação e revisão de seu modelo de negócio. Agora, começa a colher os frutos dessa reorganização: a receita, que ficou estagnada em 2010, cresceu 17,5% no primeiro semestre, seu Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) avançou 76% e o lucro líquido em seis meses já equivale ao obtido em todo o ano passado. Para impulsionar a nova fase, a companhia negocia sua entrada no varejo, em parceria com uma rede de fast-food internacional, e acaba de contratar Paulo Pires - ex-presidente da GRSA, uma das líderes desse mercado - como consultor interno. "Ele vem para ajudar na criação de processos, na gestão, no desenvolvimento de plataformas de controle", diz Daniel Mendez, presidente e controlador da Sapore, cuja receita líquida foi de R$ 767,4 milhões em 2010. A Sapore sofreu mais os efeitos da crise que suas principais rivais no país em grande parte devido a um de seus diferenciais: a estratégia de uso de alimentos pré-processados, que confere mais padronização e agilidade no preparo das refeições. O desaquecimento global que se seguiu à quebra do Lehman Brothers, em setembro de 2008, derrubou o preço das commodities. Os fornecedores de refeições puderam reduzir custos, mas no caso da Sapore essa diminuição foi limitada, já que os alimentos pré-processados custam mais que os in natura. Ao mesmo tempo, a palavra de ordem entre os clientes era renegociar contratos, para reduzir gastos com fornecedores. "Ficamos sem condição de abaixar preço [na mesma proporção que a concorrência]", conta Mendez.
O baque levou a companhia a um grande ajuste nessa estratégia. "Antes queríamos tudo processado, agora restringimos aos produtos que tem mais volume e geram ganho", diz o empresário. O volume de itens que chegavam prontos às cozinhas corporativas, como carne de porco e frango pré-cozidas, por exemplo, diminuiu.
O trabalho de arrumar a casa se estendeu pelo ano de 2010 e incluiu outras áreas e processos: o setor financeiro e de contabilidade, antes terceirizado, passou a ser autogerido; diretores foram substituídos; parte da carteira de clientes foi revista, com foco na rentabilidade; e houve troca de fornecedores logísticos. Os centros de distribuição foram mantidos com terceiros, mas seu número aumentou. Eram dois, em São Paulo e Curitiba, passaram a quatro, com a inclusão de Manaus e Porto Alegre e a expectativa é ter outros três em funcionamento no Nordeste - pelo menos dois deles ainda este ano.
Voltada para sua reorganização interna, a empresa viu sua receita líquida ter ligeira queda de 0,2% no ano passado. Enquanto isso, com a retomada econômica, a concorrência acelerou. A GRSA, por exemplo, teve aumento de 13,5% na receita líquida; a gaúcha Puras, comprada em setembro pela francesa Sodexo, cresceu 33%, enquanto o setor como um todo faturou 10% mais. Mas os resultados do primeiro semestre deixam Mendez confiante quanto às perspectivas para este ano e o próximo. "Tínhamos projetado um Ebitda de R$ 45 milhões este ano. No ano passado foi de R$ 34 milhões e chegaremos a R$ 60 milhões [neste ano]. Fomos conservadores nas projeções e as soluções que adotamos trouxeram mais impacto do que esperávamos", diz. "Amadurecemos muito em termos de gestão."
A empresa encerrou o primeiro semestre com 80 novas contas e conseguiu trazer de volta para sua carteira a Fiat, que havia migrado para um concorrente há um ano e meio e hoje é seu maior cliente, com 22,5 mil refeições servidas por dia. Ao todo, a Sapore conta com 1,1 mil restaurantes no Brasil, 80 no México e 10 na Colômbia. O empresário espera que, até dezembro, o faturamento atinja R$ 1,1 bilhão (no ano passado, somou R$ 878,4 milhões).

Grupo Accor
Folha 11.10.2011 - O grupo francês Accor comprou 24 hotéis que pertenciam ao Jupiter Hotels, no Reino Unido. Com o acordo, as unidades, que somam 2.664 quartos, passarão a utilizar a bandeira Mercure. O diretor de operações da marca Mercure Accor América Latina, Patrick Vaysse, diz que a aquisição pode ter consequências na estratégia do grupo no Brasil.
"Quanto mais europeus forem em um dos nossos hotéis no Reino Unido, mais chances temos de repetir a estada no Brasil durante os grandes eventos de 2014 e 2016."

Argentina Impsa expande sua área de energia no País
DCI 11.10.2011 - A Impsa quer reforçar sua posição no mercado energético brasileiro. Disposta a se tornar cada vez mais uma empresa "verde-amarela", a empresa argentina vai investir US$ 350 milhões em uma unidade em Pernambuco para atender o aumento da demanda, em função dos leilões de eólicas e grandes projetos hídricos.
E para conquistar um lugar ao sol, a Impsa foi agressiva em busca de uma fatia no fornecimento de turbinas para a usina hidroelétrica de Belo Monte (11,233 mil MW) em construção no rio Xingu. Nessa oportunidade a companhia, entrou muito competitiva na disputa, que contava com a participação de chineses e da francesa Alstom, que em consórcio com a Andritz e a Voith levaram uma parte dos contratos, assim como a Impsa.
Com o acordo para a megausina brasileira assegurado, a empresa viabilizou a construção de sua segunda fábrica, da divisão Impsa Hydro, onde além de Belo Monte fornecerá unidades de geração para Colíder e outros empreendimentos na América Latina. E, para quem olha a área onde será instalada a fábrica - localizada a cerca de um quilômetro da atual planta dedicada à eólica na estrada que liga as indústrias ao Porto de Suape - a obra parece estar em fase inicial, mas de acordo com o presidente da companhia para o Brasil, José Luís Menghini, está tudo dentro do cronograma planejado para atender aos clientes no tempo previsto. Recentemente a companhia decidiu apostar alto no Brasil e trouxe com a nova fábrica a tecnologia para atender ao mercado hidroelétrico.
A unidade Wind elevará a capacidade de produção de 300 para 500 aerogeradores por ano.

State Grid planeja disputar transmissão de Belo Monte
Valor 11.10.2011 - Hongxian, presidente-executivo do grupo: "Não viemos para arruinar a indústria de energia do Brasil. Queremos atuar com parceiros locais e trocar experiências".
Maior empresa de energia elétrica do mundo e sétima maior companhia listada entre as 500 maiores da Fortune, a estatal chinesa State Grid Brazil Holdings fez nova aquisição no país. Acaba de comprar, por R$ 205 milhões, um prédio inteiro e novo na avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro. É mais um passo para a instalação da companhia que já investiu quase R$ 3,5 bilhões no país desde o ano passado. Os valores foram gastos na aquisição de sete empresas de transmissão de energia controlada pela Plena Transmissoras, das espanholas Elecnor, Isolux, Cobra e Abengoa por R$ 1,89 bilhão e a quitação de um empréstimo de R$ 1,338 bilhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Com a aquisição do prédio, do qual serão usados inicialmente apenas os cinco últimos andares, o investimento da State Grid chega a R$ 3,433 bilhões. Mas isso pode ser só o começo. Cai (pronuncia-se Tchai) Hongxian, presidente executivo e do conselho de administração no Brasil, disse que o apetite pelo país não é passageiro.
O executivo, que deixou a China em 2010 para morar no Rio, tem interesse em disputar a concessão para construir o linhão que vai transmitir os 11.223 megawatts (MW) de energia que serão gerados pela hidrelétrica Belo Monte para o resto do Brasil, mas não é só. Enquanto o mercado aguarda definição da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) sobre o desenho e outros detalhes técnicos dessa linha - que será leiloada em 2012 e ainda está em fase de projeto -, a State Grid busca parcerias. Ela tem interesse em sociedades com brasileiras (estatais e privadas) e internacionais para projetos de geração de qualquer fonte, seja hidrelétricas, eólicas, biomassa e solar. A busca por parceiros envolve projetos tanto no Brasil como em outros países da América Latina. Entre as empresas que já tiveram conversas com a chinesa, Hongxian mencionou a Copel, AES, Cemig, Alupar, Eletronorte e o grupo Rede. Com a Eletrobras foi assinado memorando de entendimento para desenvolver projetos em conjunto. Com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) um memorando prevê troca de tecnologia e da filosofia de trabalho da State Grid.
A aquisição do prédio é citado pelo presidente como uma demonstração de que o país está nos planos de longo prazo. "O Brasil está vivendo um boom econômico, vai sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas e, mais importante, é um grande mercado. Foi isso que atraiu nossa atenção. É um dos Brics", responde Hongxian quando questionado sobre o porquê de o Brasil ser alvo da segunda incursão da State Grid ao exterior desde que foi criada pelo governo chinês, em 2002. O primeiro foi as Filipinas, onde tem participação de 40% na empresa que opera a rede de transmissão no país, a National Grid Corporation of Philippines.
Na entrevista, a primeira desde a chegada ao país, o executivo disse que são infundados os temores de desnacionalização da indústria de equipamentos com a entrada chinesa, e também se adianta dizendo que a empresa não tem planos de importar mão de obra barata da China. "Isso não existe. Sairia muito caro trazer pessoas e suas famílias para trabalhar aqui. Queremos brasileiros", disse Hongxian. "Nós não viemos para arruinar a indústria de energia do Brasil. Queremos atuar com parceiros locais e trocar experiências. Ninguém precisa ficar preocupado."
Ele parece conhecer bem as preocupações que cercam a chegada de uma empresa integrada de energia controlada pelo governo chinês e que atende 80% da população do seu país com o espantoso número de 1 bilhão de consumidores (80% da população da China, incluindo o Tibet). A State Grid tem números superlativos: emprega 1,5 milhão de trabalhadores, receitas de US$ 240,6 bilhões em 2010 e atua em 88% da China.
A capacidade de geração em dezembro de 2010 era de 962,19 gigawatts (GW) - oito vezes a capacidade brasileira, de 113,32 GW - e que desde 2002 cresce a espantosa taxa de 12,39% ao ano. Mas não é só. A State Grid Corporation of China (SGCC) opera 618,8 mil quilômetros de linhas de transmissão, sendo que a maior delas, de 1.900 Km em linhas de 800 Kv de corrente contínua, não tem similar no Brasil. Em comparação com esses números, a Eletrobras é uma empresa de médio porte.
Não são poucas as preocupações da concorrência por ter esse poderio chinês. Quando ela adquiriu a Plena, em maio de 2010, alguns executivos ouvidos pelo Valor se disseram preocupados dada a facilidade de acesso da chinesa a capital de baixo custo e a equipamentos muito baratos fabricados em seu próprio país, sem falar no baixíssimo custo da mão de obra.
Hongxian conhece os temores. E fez questão de ressaltar durante as três horas de entrevista que não há o que temer. "Viemos para atuar com parcerias. A State Grid é gigante na China mas no Brasil é uma novata. Não há o que temer."
E fez questão de explicar dois pontos que, a seu ver, precisam ser melhor entendidos sobre a empresa. "Não temos qualquer subsídio. O governo chinês não subsidia empresas no exterior. E ainda que subsidiárias de estatais, elas vão para os países para atuar de acordo com a legislação local e serem competitivas como qualquer outra, de igual para igual", disse.
Quanto à aquisição de equipamentos no país de origem, Hongxian afirma que a conta não é tão simples. "Na China (o equipamento) é mais barato que no Brasil. Mas em função de frete, tarifas alfandegárias e impostos, esses produtos se tornam não tão competitivos quanto seriam se estivessem em território chinês. Isso tudo está sendo estudado. Dependendo do produto, existem tarifas de 70% a 80% que eventualmente inviabilizam esse tipo de estratégia."

Eike Batista amplia participação na sua petroleira OGX
Exame 10.10.2011 - Eike, por meio da Centennial Asset Mining Fund, da qual é o único acionista, contratou notas que poderão aumentar sua fatia dos atuais 61% para cerca de 62,5%. Eike Batista teria optado pelo aumento de capital por acreditar que as ações da empresa estão baratas frente ao potencial da empresa.
Eike Batista, magnata que controla várias empresas nas áreas de recursos naturais e infra-estrutura no Brasil, realizou uma operação no mercado financeiro pela qual ampliou sua participação na empresa de petróleo OGX , da qual já é controlador.
De acordo com comunicado enviado ao regulador do mercado brasileiro, Eike, por meio da Centennial Asset Mining Fund, da qual é o único acionista, contratou notas estruturadas que poderão aumentar sua fatia na petroleira dos atuais 61 por cento para cerca de 62,5 por cento, informou uma fonte familiarizada com a operação.
"O Presidente do Conselho de Administração e Diretor Presidente, Sr. Eike Batista, por meio de sua controlada, Centennial Asset Mining Fund, LLC, promoveu a contratação de notas estruturadas vinculadas ao desempenho de 46.812.700 ações ordinárias de emissão da Companhia representando uma exposição financeira sobre 1,45% do capital social da OGX", informou a OGX em comunicado.
Eike Batista teria optado pelo aumento de capital por acreditar que as ações da empresa estão baratas frente ao potencial da empresa, que desenvolve grande campanha exploratória no país, acrescentou a fonte.

PetroChina vai abrir fábrica de sondas na Bahia
Brasil Economico 10.10.2011 - "Uma sonda para perfurar de 3 mil a 4 mil metros de profundidade custa de US$ 10 milhões a US$ 12 milhões".
Com investimento de R$ 130 milhões, estatal asiática anuncia hoje a Bomcobras, subsidiária de máquinas de perfuração de petróleo.
A projeção do mercado petrolífero para o Brasil não atrai apenas companhia de exploração de óleo e gás de olho no pré-sal. Fabricantes de equipamentos também esperam lucrar com as perspectivas desenhadas para os próximos anos.
Caso da gigante chinesa de sondas para perfuração poços de petróleo Baoji Oilfield Machinery (Bomco). A subsidiária de máquinas e equipamentos das estatais PetroChina e China National Petroleum Corporation (CNPC) anuncia nesta segunda-feira (10/10) a construção da fábrica em Simões Filho, região metropolitana de Salvador.
"A instalação da fábrica será feita em seis meses. Estaremos operando no segundo semestre de 2012", antecipa ao Brasil Econômico o vice-presidente Francisco Colnaghi.
Ele é um dos sócios da Bomcobras, joint-venture criada pela sua Aspebras e a Brasil China Petróleo (BRCP). As brasileiras terão 33% de participação do capital da companhia, enquanto a Bomco fica com 34%. "Todo aumento ou redução de capital tem de ser uma decisão unânime do conselho", diz o executivo.
"Estamos jogando de igual para igual com um gigante chinês", afirma. A fábrica é parte do caixa de R$ 130 milhões programado para estruturar a criação da Bomcobras em dois anos.
O passo deve incluir a instalação de unidades de serviços e reposição de peças em Manaus, Santos e Macaé, além de escritório comercial no Rio de Janeiro.
O foco inicial será produzir sondas para perfuração de poços em terra (onshore). A meta é vender entre 15 e 20 unidades por ano.
"Uma sonda para perfurar de 3 mil a 4 mil metros de profundidade custa de US$ 10 milhões a US$ 12 milhões", diz.
Colnaghi ressalta que a previsão é conservadora ante o surgimento de novas operadoras onshore. "Esse mercado vai ser grande nos próximos anos. Estamos falando de 2 mil, 3 mil poços que serão perfurados", projeta.
"A HRT, a OGX, a Petra e outras empresas têm prazo para cumprir com a ANP (Agência Nacional do Petróleo) e vão precisar de sondas", confia.
Estratégia chinesa: A entrada da Bomco no Brasil pode ser um passo estratégico de petrolíferas chinesas dispostas a disputar blocos no 11ª leilão da ANP - programado para 2012. Entre elas, Sinopec e Sinochem, que já detêm blocos no país e são atendidas pela Bomco por meio da ChinA-ogpe - rede de equipamentos e serviços formada pelas indústrias de suprimentos chinesas.
A Bomco é uma principais fabricantes de sondas para águas profundas do globo - com máquinas que podem atingir 12 mil metros. Ela opera em cerca de 70 países e vende em média 140 unidades por ano.
"Os chineses estão muito animados em vir trabalhar no Brasil. Era um dos objetivos de crescimento deles", afirma.
Colnaghi assegura, contudo, que não está no planejamento de curto prazo da Bomcobras investir agora em sondas para águas profundas.
"Temos o sonho de produzir esse equipamento em outra etapa. Por enquanto, precisamos estruturar o arroz com feijão no mercado para receber esta tecnologia."

Com independentes, debates no conselho ficam enriquecidos
Valor 11.10.2011 - Há dez, vinte anos, as reuniões de conselho de administração eram quase formalidades. "Os números da empresa eram passados, eu fazia uma apresentação sobre o cenário macroeconômico, naquela época muito mais imprescindível do que hoje. Em seguida saíamos todos para almoçar, em clima de rever amigos, sempre acompanhados por um bom vinho", conta o ex-ministro Maílson da Nóbrega, atualmente no conselho de sete empresas abertas. "Já hoje, existe cada 'chato' participando dessas reuniões", diverte-se Maílson, que se apressa em explicar que não usa o termo chato no sentido pejorativo.
"A presença de muitos conselheiros que representam investidores ou ligados a fundos de investimento trouxe uma imensa melhora aos debates", diz.
Segundo ele, como esse representante está olhando o interesse do cotista dele, ele "mergulha mais nos números, busca mais informações, faz mais questionamentos, traz mais demandas".
Guilherme Affonso Ferreira, diretor da Bahema Participações e hoje em seis conselhos, pode ser considerado um desses representantes que vêm de fundos e são chamados de independentes. Atuando no mercado já há trinta anos, ele conta que, na década de 80, as assembleias e reuniões de conselho eram "mera ficção".
"Naquela época, a maioria das companhias possuía um controle familiar marcante e o acionista sequer era visto como um sócio. Era muito mais comum ver parentes distantes, tias e primos, muitas vezes constrangidos, que pouco entendiam do negócio, mas tinham vaga no conselho", conta Ferreira.
Agora, ele diz que as reuniões estão muito mais dinâmicas e atraentes, uma vez que os participantes pedem muitas informações e cobram mais do que antes.
Ferreira tem uma atuação ativista no mercado doméstico, com uma primeira experiência marcante na Eternit, que se transformou em uma companhia sem controle definido nos anos 90 e passou a ser gerenciada por um grupo de conselheiros, que juntaram suas participações.
Ele destaca também que nos últimos anos a profissionalização tem marcado a vida das empresas e a participação da família, embora ainda seja marcante, diminuiu.
"O mercado amadureceu, a legislação conspirou a favor, as companhias ficaram mais fracionadas e agora o investidor tem capacidade de ser mais ativista, mas precisa de recursos comprometidos com o longo prazo."
Ferreira só discorda de conselheiros que representam cotistas serem classificados como independentes.
"Estou nas companhias porque investi dinheiro nelas através dos fundos que administro. Se eu não tivesse recursos aplicados, não teria interesse legítimo de estar participando e atuando junto à administração", afirma. Ele ressalta que, para ter voz nas empresas é necessário uma participação acionária relevante.
"Pode haver simpatia entre os conselheiros, mas isso não é garantia de que votarão juntos."
O professor Wesley Mendes da Silva, da FGV, a pedido do Valor, elencou os conselheiros que acumulavam mais postos em 2010. Maílson manteve a liderança, embora dividida com outros três executivos. O professor não fez análises sobre a atuação dos conselheiros, apenas as identificou as ligações entre os componentes. Mas, na avaliação de Mendes da Silva, seria importante que as companhias avaliassem não apenas a parcela de independentes em seus conselhos, mas que também acompanhassem a forma como esse órgão estabelece laços com outros órgãos.
Ferreira afirma que consegue tempo para se dedicar aos diversos conselhos exatamente porque tem participação nas empresas. "O que pode acontecer é em algum momento mais delicado, ter de dedicar tempo maior a uma companhia", diz, citando como exemplo recente o episódio entre Pão de Açúcar, do qual é conselheiro, e o Casino.
O ex-ministro Alcides Tápias afirma que hoje dedica-se praticamente integralmente às atividades de conselheiro.
"Se eu não conhecer o negócio, não vou para um conselho. Tenho que saber fazer as perguntas certas ", resume Tápias.
"Eu sou um chato. Eu pergunto o que percebo que não será questionado. Quero aprender todos os dias. Quando faço uma pergunta, sei quatro respostas possíveis para ela. Dependendo da explicação, posso fazer outras 12."
Já Maílson esclarece que assim que recebe um convite deixa claro que sua contribuição como conselheiro se dá na análise de cenário macroeconômico, que procura adaptar ao segmento de atuação de cada empresa.
Ele tem para seu trabalho os estudos realizado pela sua consultoria, a Tendências.
"No começo as pessoas me convidavam pelo meu nome e reputação e também em função da minha experiência no governo e de vida. Até mesmo porque, naquela época, conhecer o ambiente político e entender o cenário macro era crucial, pois a situação econômica era outra", afirma o ex- ministro.
Ainda hoje, ele avalia que a compreensão do cenário macroeconômico é considerada muito valiosa em alguns casos. "Uma empresa estrangeira, por exemplo, ou aquela ligada ao setor de commodities."

Western Union começa a operar como banco e corretora de câmbio no Brasil
GPdeLondrina 10.10.2011 - Ideia não é instalar um grande número de agências, como ocorre em outras instituições financeiras, mas montar uma rede de agentes.
A empresa americana Western Union começou a operar nesta segunda-feira (10) no Brasil como banco comercial e corretora de câmbio. A formação da instituição foi aprovada no ano passado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e autorizada em maio desde ano pelo Banco Central (BC). A ideia não é instalar um grande número de agências, como ocorre em outras instituições financeiras, mas montar uma rede de agentes.
Além do pagamento de contas, os clientes poderão fazer transferência de pequenos volumes de dinheiro dentro do Brasil ou para o exterior. Não há necessidade da pessoa envolvida na operação ter conta em banco para realizar a operação. O investimento chega a R$ 54 milhões, com a instalação de infra-estrutura, tecnologia e contratação de pessoal.
"Temos atualmente 10 mil pontos de atendimento em todo o país. Queremos chegar a 30 mil em menos de 5 anos", disse o vice-presidente sênior e diretor para a America Latina e Caribe da Western Union, Odilon Almeida.
De acordo com ele, o banco vai abrir duas lojas próprias em São Paulo até o início do ano que vem. Além da transferência de recursos, a instituição pretende lançar um cartão pré-pago para viagens e operar na transferência de recursos entre empresas. No mercado doméstico, para pessoas físicas, a Western Union vai trabalhar com remessas de até R$ 1 mil.
Para uma remessa de R$ 100, por exemplo, o banco vai cobrar uma taxa de R$ 4,90. Os que fizerem remessa de R$ 500 pagarão R$ 7 pelo serviço. Quem enviar R$ 1.000 para qualquer localidade do país pagará R$ 9,90. A remessa para o exterior estará limitada a US$ 3 mil por operação, com taxa em torno de 5% do valor enviado.
"Queremos atender as pessoas que não têm contas em banco ou que não são bem servidas pelo sistema financeiro. Estima-se que 75 milhões de brasileiros, ou 40% da população, não possuem conta bancária. Quem quiser, é só ir a um posto de atendimento e enviar o dinheiro em minutos para outra localidade apresentando o registro geral (RG) e o CPF", disse Almeida.
Especializada em serviços de pagamento e transferência de recursos, a Western Union opera no país desde 1997 por meio de parcerias, entre elas com o Banco do Brasil, Bradesco e algumas redes de varejo, como Riachuelo. Um acordo com o Magazine Luiza está sendo fechado. Segundo Almeida, as remessas do exterior para o Brasil feitas pela Western Union chegam a US$ 4 bilhões por ano. No sentido contrário, do Brasil para o exterior, o volume chega a US$ 1,6 bilhão. O serviço, geralmente, é muito usado por pessoas que residem em outros países e que enviam dinheiro para os seus familiares no Brasil.
Os serviços da empresa são oferecidos por meio de uma rede de mais de 470 mil pontos de atendimento em mais de 200 países. Em 2010, a Western Union Company realizou 214 milhões de transações em todo o mundo, movimentando um capital de US$ 76 bilhões.

Cristália
Folha 11.10.2011 - O laboratório Cristália vai investir R$ 60 milhões na expansão da sua unidade farmoquímica e na construção de uma planta-piloto de produção biotecnológica, em Itapira (SP). As duas obras devem ficar prontas no primeiro semestre de 2012, segundo o presidente da companhia, Ogari Pacheco. Com o investimento, o laboratório passará a produzir quase 50% dos insumos necessários para seus medicamentos. Hoje esse índice é de cerca de 30%. "O Brasil produz genéricos com matéria-prima importada. Com o funcionamento dessas plantas, o país adquire independência na produção de substâncias para medicamentos oncológicos, antirretrovirais e para o sistema nervoso central", afirma Pacheco.
O governo é o principal comprador desses medicamentos, de acordo com a companhia. "Com a fabricação, aliviaremos a balança de pagamentos", diz o presidente. O excedente da produção de insumos do Cristália é exportada para países da América Latina, Oriente Médio, Ásia e África.

O caminho sinuoso para exportar doces à Argentina
Para atravessar a ponte e chegar à Argentina, é preciso "comprar" algo.  A Vonpar Alimentos, dona dos chocolates Neugebauer, decidiu comprar cerca de 40 mil palitos de pirulito argentinos. Não que o item esteja em falta no Brasil, pelo contrário, o país é autossuficiente nesse quesito. Mas a importação de palitos foi a saída encontrada pela fabricante de doces para liberar a carga de quatro caminhões de produtos que está parada há quase um ano em depósitos do país vizinho.
Os doces brasileiros não podem ser vendidos localmente enquanto a Vonpar não tiver o certificado livre circulação. A Argentina só libera o documento se o importador do produto brasileiro exportar algo feito no país. Daí a opção pelos palitos, o único item vendido pelo importador da Vonpar que interessa à fabricante.
O exemplo ilustra a mais recente disputa com os "hermanos" que vem tirando o sono de parte da indústria brasileira de alimentos - especialmente dos pequenos e médios fabricantes. A Argentina é o principal destino das exportações dos doces nacionais. As empresas e a Associação Brasileira da Indústria de Chocolate, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) não falam abertamente sobre o assunto.
Mas, segundo apurou o Valor, desde março, o impasse provocou perdas de US$ 8 milhões em vendas, com compras canceladas, produtos armazenados ou até passando da validade. O valor do prejuízo poderia ser bem maior - cerca de US$ 18 milhões, se não fossem as alternativas de importação de itens argentinos buscadas pelos fabricantes e seus parceiros comerciais no país.
A Dori, por exemplo, sugeriu a um dos seus fornecedores de embalagens, a Iberia, a compra de amido de milho argentino, usado na fabricação de chapas de papelão ondulado, que formam as caixas para armazenar produtos. A empresa de Marília (SP), maior fabricante brasileira de balas e gomas, teve que qualificar o seu importador para que ele se tornasse também um exportador argentino. Enquanto isso, 138 toneladas de balas, pirulitos e gomas ficaram paradas no depósito do importador argentino, com a indicação "sem direito a uso". Só no mês passado a carga começou a ser liberada, quando a Iberia passou a comprar amido de milho. A gaúcha Docile, de Lajeado (RS), ficou com uma carga de US$ 200 mil em balas de gomas, pastilhas e chicletes parada durante três meses, entre março e maio, por conta do impasse. O seu importador passou a revender para a fabricante embalagens cartonadas, usadas como display de produtos. Mas agora, com a recente alta do dólar, a empresa avalia se é interessante manter a compra das embalagens, que ficaram mais caras que os similares nacionais.
As barreiras do governo argentino para produtos brasileiros não fazem parte de uma política oficial. Desenvolver a indústria local e equilibrar da balança comercial são justificativas do governo argentino. Se dependesse do setor de alimentos, no entanto, o governo de Cristina Kirchner estaria reclamando de barriga cheia.
A balança comercial é favorável para eles: o Brasil importou US$ 1,15 bilhão em produtos alimentícios da Argentina em 2010. Nossos vizinhos, por sua vez, compraram US$ 437 milhões em alimentos "made in Brazil" em 2010. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), as vendas de chocolates, balas e confeitos para a Argentina somaram US$ 150 milhões em 2010. É a categoria brasileira que mais vende no país vizinho, mais até do que carnes (US$ 110 milhões).
Não é só a indústria de doces que vive maus bocados com os argentinos. Os produtos da fabricante de conservas Brasfrigo, dona da marca Jurema, ficaram cinco meses parados no mercado argentino neste ano. A empresa é a principal fornecedora de marca própria de grandes redes como Makro e Dosantos, e começou a faltar produtos nas gôndolas. Foi a desculpa que o varejo precisava para pressionar. O governo liberou a carga em julho.

Sara Lee vende operações para o Grupo Bimbo
Exame 10.10.2011 - A Sara Lee, que já teve participação em segmentos de produtos domésticos e marcas de alimentos, vem trabalhando para vender operações e estreitar seu foco de atuação
O acordo, que envolve todas as marcas de panificação da Sara Lee na Espanha e em Portugal, assim como sete unidades de produção, deve ser concluído em 60 dias
A companhia norte-americana de alimentos Sara Lee fechou a venda de suas operações com pães frescos na Espanha e em Portugal para o mexicano Grupo Bimbo por 115 milhões de euros à vista. A Sara Lee, que já teve participação em diferentes segmentos de produtos domésticos e marcas de alimentos, vem trabalhando para vender algumas operações e estreitar seu foco de atuação. Atualmente, a companhia está no processo de separação entre os negócios na América do Norte, que incluem as marcas Jimmy Dean e Hillshire Farms, e as operações internacionais com café e chá.
O acordo, que envolve todas as marcas de panificação da Sara Lee na Espanha e em Portugal, assim como sete unidades de produção, deve ser concluído em 60 dias. A Sara Lee afirmou que suas operações com panificação na Espanha registrou receita com vendas de US$ 408 milhões no ano fiscal 2011 e emprega 2 mil pessoas.
"A mudança para o Grupo Bimbo é um próximo passo natural que pode beneficiar a equipe de panificação da Sara Lee e as marcas na Espanha e em Portugal, já que eles farão parte de uma organização totalmente dedicada à categoria de panificação", afirmou o presidente da Sara Lee, Jan Bennink. "O desinvestimento em panificação permite que o portfólio internacional da Sara Lee se torne mais simples e mais concentrado em café e chá, categorias em torno das quais estamos construindo uma companhia internacional com um único foco."
A companhia ainda está explorando o processo de venda ou as opções para suas demais operações internacionais em panificação na França e na Austrália. Os dois negócios registraram receita de cerca de US$ 318 milhões no ano fiscal 2011. A Sara Lee afirmou na semana passada que está concluindo discussões com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre a venda de seus negócios com pães frescos na América do Norte, um acordo que era esperado para o fim de setembro.

Rede Quero-Quero estuda entrada em São Paulo
Valor 11.10.2011 - Desde que foi adquirida pela gestora de fundos americana Advent, em setembro de 2008, a varejista gaúcha Quero-Quero, com foco em material de construção, móveis e eletrodomésticos, aumentou de 170 para 199 o número de lojas, avançou para além do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e já chegou ao Paraná. Os próximos passos da rede, que prevê receita líquida de R$ 620 milhões em 2011, incluem a entrada nos mercados de São Paulo e do Mato Grosso.
As informações foram dadas ontem por Peter Furukawa, presidente da empresa. Ele fez uma apresentação durante seminário promovido pela seccional sul da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec-Sul). Furukawa não comentou as informações após a apresentação.
A receita líquida não inclui os ganhos com serviços financeiros (como crédito direto ao consumidor, empréstimos pessoais, consórcios e seguros), assim como as operações com o cartão de crédito VerdeCard, com uma base de 1,8 milhão de plásticos emitidos e rede própria de captura de transações com 21 mil afiliados.
Conforme Furukawa, os produtos financeiros e os cartões próprios garantem a rentabilidade da empresa, porque sozinhas as "lojas não se rentabilizam".
O executivo confirmou que a gestora pretende vender ou abrir o capital da empresa no futuro, mas afirmou que a apresentação de ontem não era um "road show" para oferecer a varejista ao mercado. De acordo com ele, neste momento a estratégia da Quero-Quero é abrir novas lojas e comprar pequenas operações de varejo, "sem grandes aquisições no curto prazo".
Focada em cidades de pequeno e de médio porte, com até 300 mil habitantes, a rede concentra a maior parte das lojas no Rio Grande do Sul, enquanto em Santa Catarina há cerca de 15 unidades. No Paraná já foram abertas duas filiais, mas a empresa ainda deve reinaugurar outras seis recém-adquiridas e negocia a aquisição de mais oito. "E daqui a pouco vamos para o Mato Grosso e São Paulo. E queremos subir", disse o executivo.
A expansão da Quero-Quero depois da chegada da Advent acelerou-se a partir de agosto de 2010. Desde então, já foram abertas 24 lojas e até o fim do ano serão inauguradas mais 12 no Sul no país.

Dados econômicos de aeroportos em leilão serão divulgados na 5a
Reuters 10.10.2011 - A Secretaria de Aviação Civil vai encaminhar na quinta-feira ao Tribunal de Contas da União (TCU) as informações econômico-financeiras da concessão dos aeroportos de Guarulhos e Campinas (SP) e Brasília (DF) para que seja emitido um parecer antes da publicação do edital definitivo de concessão dos empreendimentos.
"Iremos entregar na quinta-feira as informações econômico-financeiras e as demais necessárias (ao TCU)", disse o ministro da secretaria, Wagner Bittencourt, nesta segunda-feira.
O edital final tem que ser publicado em no máximo 45 dias antes do leilão, que está previsto para 22 de dezembro.
"Não gostaria de usar isso (o prazo) como instrumento de pressão sobre outras instituições. Essa é uma possibilidade (leilão em 22 de dezembro). Nós fizemos nosso compromisso, edital para consulta, minuta do contrato e do acordo de acionistas. Nosso trabalho foi feito", disse Bittencourt a jornalistas após participar de evento na Câmara de Comércio Americana (Amcham) do Rio de Janeiro.
No final de setembro, o ministro havia afirmado que os valores mínimos a serem pagos ao governo pelos futuros concessionários dos três aeroportos seriam divulgados na segunda semana de outubro.
Bittencourt acredita que a minuta do edital que está em consulta pública passará por poucas modificações uma vez que, segundo ele, houve muitas conversas e negociações com o setor privado e sindicatos antes da publicação.
"Acho que daqui a uma, duas semanas tenhamos algo mais claro", disso o ministro, que garantiu ainda que o número de interessados nos aeroportos é "enorme".

Estrangeiros voltam aos imóveis no Brasil
DCI 11.10.2011 - A venda de imóveis a estrangeiros disparou este ano, e imobiliárias como a Coelho da Fonseca resolveram inovar para lidar especificamente com este grupo de compradores. A empresa criou uma diretoria para mediar essas negociações, e registrou alta de 35% do número de clientes estrangeiros - 50% dos quais são norte-americanos. "Em São Paulo os bairros mais procurados são Jardins, Itaim Bibi e Brooklin. Já no Rio de Janeiro, a procura é maior por imóveis em Ipanema e no Leblon", disse Gabriela Duva, diretora de Negócios Internacionais da empresa. Para ela, em geral os clientes de outras nacionalidades procuram casas de R$ 1 milhão a R$ 3 milhões, "como forma de investimento ou casa para morar." Na Sotheby's International Realty, braço imobiliário da casa de leilões inglesa, a projeção é quadruplicar as vendas neste ano, e chegar a R$ 400 milhões no País. Já Michael Bamberg, presidente da empresa que leva seu nome, afirma que, no Brasil, a taxa de retorno média de um imóvel é de 12% ao ano, o dobro da da Alemanha. Outro fator de atração é o preço. "Um apartamento médio em Londres, por exemplo, custa por metro quadrado cerca de US$ 15 mil, e isso ainda está a cima do valor médio em São Paulo e Rio de Janeiro, que já estão mais caros que a média nacional", declarou.
Na companhia Itaplan Imóveis, o volume de vendas de imóveis para estrangeiros neste ano deve chegar a R$ 150 milhões, o que representará um crescimento de 32% em relação a 2010, estima Fábio Rossi Filho, diretor presidente da empresa.
Outro segmento que surfa na onda da venda aquecida de apartamentos e casas de luxo é o design de interiores, que movimentou R$ 60 bilhões ano passado. Com a procura elevada por decoração para as classes A e B, polos de consumo de luxo, como a Alameda Gabriel Monteiro da Silva, no bairro Jardim Paulistano, na capital, atraem investidores, tanto que a região acaba de receber a terceira unidade da Skitsch, marca de design italiano. Foi investido um milhão de euros para a instalação da loja em São Paulo, diz o distribuidor exclusivo da marca no Brasil, Pedro Franco. A bandeira Skitsch está presente também em Milão e Londres.

Siderúrgicas podem ficar no vermelho neste trimestre
Valor 11.10.2011 - As siderúrgicas brasileiras devem apresentar resultados muito ruins no terceiro trimestre, principalmente as produtoras de aços planos. As expectativas do mercado são que Usiminas, CSN e Arcelor Mittal fechem o trimestre no vermelho. O prejuízo pode decorrer da perda de margem devido à concorrência das importações, direta e indireta de aço, impacto da variação cambial na dívida e até queda do valor das ações.
A Gerdau, fabricante que tem foco nos segmentos de aços longos e especiais, é a que sofre menos nesse cenário, destaca Pedro Galdi, analista-chefe da SLW Corretora.
Segundo Galdi, a Gerdau tem ativo e passivo dolarizados e os mercados em que atua, como o automotivo e o de construção civil, ainda continuam aquecidos. O setor automotivo teve crescimento até agosto e a construção civil ainda mantém o fôlego.
Já a Usiminas, na sua avaliação, vai sofrer o impacto da variação cambial no período. "A siderúrgica mineira tem 40% de sua dívida atrelada ao dólar e haverá um impacto negativo no resultado financeiro, o que pode levá-la a ter prejuízo", afirma o analista.
A CSN também tem dívida em dólar, mas tem hedge, o que neutraliza o impacto negativo sobre seu resultado. Entretanto, como observa o analista, a siderúrgica de Benjamin Steinbruch passou a ter um risco adicional por conta do movimento de compra de ações da Usiminas, na tentativa de incorporar a concorrente à sua empresa.
"A CSN pode ter uma surpresa negativa no resultado se seus acionistas forem marcar a mercado a posição que têm na Usiminas. O prejuízo pode ser grande no resultado financeiro da empresa", avalia Max Bueno, da Corretora Spinelli.
A Arcelor Mittal do Brasil, como as outras do segmento de aço plano, sofreu o forte impacto da concorrência das importações e deve encerrar o trimestre no vermelho, adiantou uma fonte do setor siderúrgico. Como é de capital fechado no país, o desempenho deverá estar informado no balanço global do grupo.
Nesse cenário, as notícias de que a Gerdau e a CSN estariam para anunciar um reajuste de preço, a vigorar em novembro, foram vistas como pouco prováveis pelos analistas. Eles não veem ambiente para as usinas brasileiras darem aumentos no momento em que o preço do aço lá fora caiu em média 5% e as importações ainda competem com a produção doméstica.
Outro fator que anula esta probabilidade é o recente movimento de queda do dólar, depois de ir a R$ 1,95 em agosto. A moeda baixou para níveis de R$ 1,77 na semana passada e pode chegar a R$ 1,73, indica o Boletim Focus, do Banco Central. Essa tendência de queda frente ao real e a retração dos preços do aço no exterior praticamente impedem um reajuste do preço no mercado doméstico com vistas a repor as margens das siderúrgicas.
"Isso até teria sido possível se o dólar tivesse se mantido em R$ 1,90", observam os analistas. A valorização da moeda americana no terceiro trimestre foi de 18,8%, com a Ptax encerrando o período em R$ 1,8544, ante R$ 1,5611 do segundo trimestre.
"Qualquer reajuste que for dado agora, mesmo na faixa de 4% a 5%, pode estimular as importações", aponta uma fonte do setor. A boa notícia é que em setembro o nível de estoques na distribuição voltou a cair, baixando de 2,9 meses de vendas para 2,7 meses, segundo números a serem divulgados pelo INDA, entidade dos distribuidores de aços planos.
Mas se o prêmio entre o importado e o aço nacional voltar a subir, as compras externas do produto voltam a ganhar força, já que há uma superoferta de aço no mercado global acima de 500 milhões de toneladas.
Com os preços vigentes no mercado internacional por conta da crise nos Estados Unidos, Europa e Japão, também reduz-se o espaço de exportação do aço brasileiro. A retração do consumo nos países desenvolvidos afrouxa cada vez mais o preço de bens siderúrgicos. Até mesmo na China, onde a demanda ainda é forte, uma bobina a quente baixou de US$ 710/705 a tonelada para US$ 660, uma queda 7% a 8%.
O viés de preço para os produtos siderúrgicos é de baixa no mercado mundial, por causa da retração da demanda, conforme revelam os números da World Steel Association (WSA). As usinas europeias começam a cortar a produção fechando alto-fornos na Europa, caso da Arcelor Mittal, maior produtora de aço do mundo, na semana passada.
A expectativa dos analistas é que o Instituto Aço Brasil (IABr), entidade dos fabricantes nacionais de aço, reveja novamente para baixo suas previsões de produção e consumo aparente do produto deste ano no país. De janeiro a setembro, a retração prevista era de 13% no consumo de aço plano.
Em agosto, o IABr reviu para 36,3 milhões de toneladas o volume de produção de aço bruto no Brasil em 2011,10,5% maior que o total do ano passado, mas com queda de 8% ante a projeção de 39,4 milhões de toneladas do início do ano.
Para o IABr, isso se deveu "à expectativa de menor crescimento do mercado interno devido ao desaquecimento da economia, à persistência de estoques elevados e à acirrada competição das importações, particularmente por setores consumidores intensivos em aço".
O que pode sinalizar uma perspectiva de melhora para a siderurgia, não só no Brasil, mas no mundo, é a tendência de baixa que já se manifesta nos preços do minério de ferro e do carvão, as duas principais matérias-primas do aço, em decorrência da crise que afeta os países desenvolvidos. Na semana passada, o preço do minério no mercado "spot" chinês bateu em US$ 169 por tonelada, depois de ter chegado a US$ 180/179 em setembro. "A queda de preços das matérias-primas pode ajudar as siderúrgicas a recuperar margem operacional", avalia um consultor do setor. Mas ele é cético quanto a uma recuperação no curto prazo, levando as empresas a engavetar projetos de investimento.

Brasil se torna referência em transgênicos
GPdeLondrina 10.10.2011 - Pesquisadores e representantes das indústrias que mais criticavam a falta de organização do governo agora citam o Brasil como exemplo para Europa, Ásia e África. Em cinco anos, o Brasil se consolidou como segundo maior produtor de grãos transgênicos do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, e se transformou em um centro de negócios para as indústrias de sementes geneticamente modificadas (GMs). Destravou o sistema de avaliação dos organismos GMs e passou a ser citado pelo setor como exemplo para Europa, Ásia e África. Quem elogia as mudanças que fizeram da produção transgênica uma bandeira nacional são os representantes das indústrias e os pesquisadores que mais criticavam a lentidão na aprovação das sementes. Eles comemoram o quadro atual como uma vitória de organizações como o Conselho de Infor­­mações sobre Biotecnologia (CIB), que completou 10 anos e tem entre seus 29 associados as indústrias multinacionais Monsanto, Syngenta, Basf e Bayer, principais investidores do setor.
A última semente aprovada pela CTNBio foi o feijão transgênico da Embrapa. A liberação ocorreu em setembro, nove meses depois de ter sido solicitada. A semente pode estar disponível aos produtores em apenas dois anos
A relação do consumidor com os organismos geneticamente mo­­dificados (OGM) na Ásia e na Áfri­ca segue curso diferente do observado nas Américas e na Eu­­ropa, relata Andrea M. Besley, integrante do Programa de Suporte à Biotecnologia na Agricultura (PSBA) II. O projeto é uma parceria da Universidade de Cornell e do governo dos Estados Unidos e defende que a biotecnologia pode ser usada no combate à fome.
Conforme Andrea, alimentos tradicionais consumidos pela população de países como Índia, Bangladesh, Indonésia, Mali e Filipinas e Uganda podem ter a produção ampliada ao serem modificados e permitirem melhor controle de ervas daninhas e insetos. As pesquisas do PSBA envolvem alimentos básicos, consumidos sem processamento ou transformação – como deve ocorrer com o feijão transgênico no Brasil. Atualmente, os brasileiros consomem soja e milho transgênicos em derivados como margarina, óleo, biscoito e uma série de outros alimentos. Apesar de ser obrigatória por lei, essa informação nem sempre está nas embalagens.
A berinjela resistente a um inseto capaz de destruir 50% da produção na Índia ainda depende de aprovação do governo. Caso semelhante é o do arroz dourado, que foi geneticamente modificado e concentra o elemento beta-caroteno, que é convertido no organismo em vitamina A. O alimento poderia suprir carências de 190 milhões de crianças e 20 milhões de grávidas na Índia e também espera aprovação, relata Adrian Dubock, coordenador do projeto do cereal. “As pessoas em geral têm pouco acesso à informação, mas quando são apresentadas à biotecnologia de forma simples, não apresentam resistência”, observa. (JR)
O país aprovou 33 sementes GMs desde 1998 – 23 delas nos últimos três anos. O sistema de avaliação deslanchou depois da criação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), em 2005. Os 27 membros da organização estão levando menos de um ano para liberar a produção comercial de organismos geneticamente modificados.
“O Brasil vive um novo mo­­mento desde 2005. A CTNBio tem feito um trabalho exemplar na avaliação e liberação de sementes seguras para o consumidor e o meio ambiente”, disse a diretora-executiva do CIB, Adriana Brondani. Ela defende que o país se tornou referência não apenas por tomar decisões mais rapidamente, mas também por ter adotado um marco regulatório estruturado.
Apesar de ter aprovado a importação de 36 tipos de transgênicos – para consumo humano e produção de ração animal –, a maior parte da União Europeia proíbe o cultivo de transgênicos, disse Sylvia Burs­­sens, pesquisadora da Univer­­sidade de Gent (Bélgica). Milho e batata geneticamente modificados foram autorizados isoladamente por seis países que integram a UE, relata. Ela traçou o panorama no seminário dos 10 anos do CIB, comemorados há uma semana. A plateia se manifestou criticando a postura europeia, que aceita consumir mas não libera a produção, pela pressão de organizações de defesa do ambiente e dos direitos do consumidor.
Os problemas que travam a adoção de transgênicos na Ásia vão além da resistência oficial. “Temos dois grupos diferentes de produtores, o que tem acesso a comunicação e o que não tem. Esses agricultores mais isolados estão com 58 anos de idade em média. Como chegar a eles e falar sobre biotecnologia?”, indagou Siang Hee Tan, Ph.D em Biologia Molecular pela Universidade de Ikayama (Japão).
Embates mantêm a CTNBio sob cobrança constante: A atuação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) vem sendo fortemente questionada por pesquisadores e representantes de organizações que defendem o ambiente e os direitos dos consumidores. Nu­­ma verdadeira guerra de argumentos, em que saem derrotados ou não chegam a ser ouvidos, eles alertam que as liberações incorrem em falta de rigor científico e descumprimento de exigências legais.
“A CTNBio nunca negou um pedido de liberação comercial de um transgênico”, questiona Ana Carolina Brolo de Almeida, advogada da Terra de Direitos, organização que estuda entrar na Justiça Federal contra a liberação do feijão transgênico da Embrapa, que ocorreu em 15 de setembro. “Estamos aguardando prazo de 30 dias que as entidades de registro e fiscalização possuem para possível apresentação de recurso junto ao CNB (Conselho Nacional de Biossegurança)”.
O próprio Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea) colocou em xeque a liberação do feijão. Para o presidente do Consea, Renato Maluf, faltam es­­tudos para provar que a semente resistente ao mosaico dourado – principal doença do feijoeiro – é segura para a saúde e o ambiente.
Na votação da CTNBio, 15 membros foram favoráveis, dois se abstiveram e cinco disseram que faltavam estudos, pedindo diligências. Mesmo assim, a liberação foi considerada válida. Na interpretação da comissão, pedido de diligência não é voto contrário. E, para derrubar a liberação, seriam necessários 14 votos contrários (maioria entre os 27 membros).
A CTNBio já está acostumada a “preconceitos e equívocos relacionados à ciência por entidades da sociedade civil e por profissionais dos órgãos de imprensa”, respondeu o presidente da comissão, Edilson Paiva. Ele afirma estar do lado do avanço da biotecnologia.
As 33 liberações de sementes permitiram que os transgênicos passassem a cobrir mais da metade dos 50 milhões de hectares destinados pelo país à produção de grãos (dois terços da área da soja e dois terços do plantio de milho de inverno, além de metade da área do milho de verão). A tecnologia facilita o controle de ervas daninhas e insetos, mas não implica necessariamente em redução de custos ou no uso de agrotóxicos.
O embate ideológico parece ocorrer num plano diferente daquele em que trabalha o pesquisador Francisco Aragão, um dos líderes do projeto do feijão transgênico da Embrapa. Ele relata que foram realizados testes inclusive além do necessário para se comprovar que a alternativa é segura. “O feijão transgênico não interfere na vida de insetos nem na de micro-organismos do solo, e tem as mesmas propriedades do alimento tradicional.” “As proteínas produzidas pelo feijão Embrapa 5.1 são as mesmas”, acrescenta Josias Faria, que desenvolveu a pesquisa com Aragão.
A Embrapa planeja exportar a tecnologia para países como Argentina e Estados Unidos. Se isso ocorrer, o Brasil poderá cobrar pelo uso das sementes. Por enquanto, os pesquisadores se dedicam à produção da semente transgênica em duas variedades: pontal e pérola, ambas cariocas. Depois dessa fase é que ocorrerá a multiplicação em larga escala.

Citi projeta Ibovespa aos 70.000 pontos em 2012
Brasil Econômico 10.10.2011 - Para se beneficiar da recuperação do mercado, Citi sugere carteira com alta exposição em bancos no Brasil.
Analistas da Citi Corretora acreditam que, mesmo com tendência de volatilidade no curto prazo, a bolsa brasileira deve obter retornos de 40% até o final do próximo ano.
"As coisas provavelmente devem piorar antes de melhorar", segundo análise de Fernando Siqueira e Hugo Rosa, da Citi Corretora.
Olhando para a América Latina, Brasil e Chile são os mercados mais atrativamente avaliados pelos analistas.
"Estamos recomendando um portfólio que se beneficie da esperada recuperação do mercado. Nosso maior 'overweight' (recomendação de peso acima da média do mercado) no Brasil está nos bancos. Também recomendamos um hedge (proteção) por meio de um 'overweight' no setor de consumo."
Em tempos de crise, o cenário base da corretora considera uma probabilidade de 60% de assistirmos a um crescimento moderado no qual a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) global ficará entre 2,5% e 3,0%, enquanto o aumento dos lucros corporativos ficará entre 0% e 5%.
"Neste cenário, os EUA apresentariam um crescimento econômico, lento enquanto a crise das dívidas soberanas na Europa resultaria em recessão naquela região."
Ao final do pregão desta segunda-feira (10/10), o Ibovespa, principal índice de ações do país, fechou em alta de 3,96%, aos 53.273 pontos.

China socorre seus 4 maiores bancos
Injeção de capital foi feita por meio do fundo soberano do país; operação semelhante foi realizada em 2008, após a quebra do Lehman Brothers.
O governo de Pequim anunciou nesta segunda-feira, 10, que injetou capital nos quatro maiores bancos chineses, que emprestaram volumes recordes nos últimos dois anos e agora enfrentam o risco de aumento dos créditos podres em seus balanços. Os recursos foram transferidos às instituições financeiras por meio de compra de suas ações no mercado secundário pela Central Huijin Investment, o fundo soberano do país que atua no mercado doméstico.
A última vez em que o fundo realizou operação semelhante foi em setembro de 2008, logo depois que a quebra do Lehman Brothers desencadeou a crise financeira global. Segundo a agência oficial de notícias Xinhua, a injeção de capital tem o objetivo de "apoiar a estável operação e desenvolvimento das principais instituições financeiras e estabilizar o preço de suas ações". O governo não revelou o valor do socorro aos bancos.
O anúncio foi realizado no fim da tarde desta segunda, depois de a Bolsa de Xangai fechar no mais baixo patamar em 30 meses, influenciada em grande parte pela má performance das quatro grandes instituições estatais beneficiadas pela medida -Industrial and Commercial Bank of China (ICBC), Bank of China, China Construction Bank e Agricultural Bank of China.
O mercado de Hong Kong ainda estava em operação e reagiu com a compra de ações das quatro empresas, cujas cotações subiram rapidamente nos últimos minutos do pregão.
O aumento dos empréstimos concedidos pelos bancos chineses foi o principal combustível para a explosão de investimentos que garantiu crescimento de 9,2% e 10,4% em 2009 e 2010, respectivamente, em meio à estagnação dos países ricos. Um terço do PIB. No ano seguinte ao início da crise, as instituições locais liberaram financiamentos no valor de US$ 1,4 trilhão, o equivalente a quase 30% do PIB naquele período. Em 2010, a cifra diminuiu para US$ 1,2 trilhão -ou 20% do PIB -, mas continuou bem acima da média registrada em anos anteriores.
A maior parte desses recursos foi canalizada para milhares de obras iniciadas em todo o país, em um esforço para manter o ritmo de crescimento acima dos 8% considerados o piso abaixo do qual o governo não consegue criar empregos suficientes para os trabalhadores urbanos.
O problema é que muitos desses projetos não são viáveis economicamente e não darão o retorno financeiro necessário para o pagamento dos empréstimos, o que ameaça a saúde dos bancos.
Outra fonte de estresse para o sistema financeiro é a dívida dos governos locais, grande parte da qual contraída nos últimos dois anos. Levantamento do Escritório Nacional de Auditoria concluiu que esse débito estava em US$ 1,65 trilhão no fim de 2010 -o equivalente a 25% do PIB - e que alguns governos locais não conseguirão pagar o que devem.

Mantega diz que a desaceleração da China seria um risco para o Brasil
Estadão 10.10.2011 - Como a China importa muita matéria-prima brasileira, um menor ritmo do gigante asiático pode reduzir o dinamismo da economia nacional.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, advertiu hoje que, embora o epicentro da crise esteja na Europa, o maior "perigo" para o Brasil vem da Ásia. Ao avaliar o cenário de "crise crônica" no exterior, durante reunião de coordenação política no Palácio do Planalto, com a presidente Dilma Rousseff, Mantega afirmou, em entrevista, que está "torcendo" para que não haja uma desaceleração da economia da China.
Segundo ele, o comércio exterior é o caminho mais provável por onde pode haver contágio da crise internacional para o País. Como a China é o maior parceiro comercial do Brasil, um menor ritmo do gigante asiático pode reduzir o dinamismo da economia nacional.
Mantega afirmou que o crédito internacional "secou" e, embora ainda não atinja o Brasil, que "infelizmente exporta mais commodities", já afeta países exportadores de bens manufaturados, como é o caso chinês.
"Até agora não fomos afetados no comércio exterior, que é por onde aconteceria o contágio", disse. "O perigo é que, com a contração da economia mundial, que vai suceder essa crise, países emergentes dinâmicos, como a China, sejam afetados. Temos de torcer para que a economia chinesa não tenha uma desaceleração. Essa é a nossa preocupação, porque aí sim nos afeta", argumentou. "O nosso temor é que isso acabe comprometendo o comércio entre países emergentes, que se mantém em patamar elevado", acrescentou.
Europa: Mantega participou da reunião de coordenação política no Palácio do Planalto. O ministro destacou como positivo o fato de a primeira-ministra alemã, Ângela Merkel, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, terem se comprometido com um programa de ajuda aos bancos e à Grécia, mas criticou o fato de os dois países sinalizarem com uma solução apenas em 20 dias.
"Os europeus sempre demoram para dar as soluções e quando elas vêm, já chegaram tarde e eles precisam tomar mais medidas para dar conta deste problema", afirmou o ministro. Mantega deu ainda outra cutucada nos europeus, ao falar da atuação política econômica brasileira: "O Brasil nunca está parado, quem está parado são eles".
Mantega salientou que é preciso evitar que o atual quadro de crise se "agudize", trazendo de volta turbulências tão fortes quanto às vividas em 2008, na quebra do banco americano Lehman Brothers. "É preciso evitar que bancos e países quebrem", advertiu o ministro. Ele disse que o Brasil pode ajudar a Europa por meio do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Mantega disse que, embora o mercado financeiro tenha se acalmado, o momento é de volatilidade, demandando cautela. "Não acredito que tenhamos superado a crise", afirmou, destacando ser necessário que se aprove o fundo europeu de estabilização.
 

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