sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Azul.CA.07.10

Daily News

AB Inbev busca na África alvos para aquisição
Valor 07.10.2011 - A AB Inbev está pesquisando o continente africano em busca de empresas para comprar, segundo apurou o Valor. A maior cervejaria do mundo, cuja estratégia é se fortalecer em mercados emergentes, já tem forte presença na América Latina e comprou uma série de companhias na China, mercado considerado prioritário. Falta, de fato, colocar a África no seu mapa de operações, continente onde ainda não está presente.
A AB Inbev não é a única a prospectar oportunidades na região. Em agosto, a holandesa Heineken adquiriu a Bedele e a Harar, ambas pertencentes ao governo da Etiópia, por US$ 163 milhões. Também a inglesa SABMiller estaria buscando alvos na Nigéria, Sudão, Etiópia, Uganda, Zâmbia e Moçambique. No Brasil, a SABMiller foi uma das cervejarias que disputou o controle da Schincariol este ano, que acabou sendo vendido para a japonesa Kirin.
Entre 2005 e 2010, o consumo de cerveja na África e no Oriente Médio cresceu 32% em volume, segundo a Euromonitor, para 13,7 bilhões de litros. Trata-se do dobro do índice do crescimento mundial, que foi de 16% no período, chegando a 186,7 bilhões de litros no ano passado.
A SABMiller é a maior cervejaria que opera na África. No mês passado, adquiriu a australiana Foster's, o que elevou o seu faturamento anual para US$ 30,6 bilhões.
A belgo-brasileira AB Inbev, com vendas de US$ 36,3 bilhões, ainda está pagando a compra da americana Anheuser-Busch, feita em 2008, por US$ 52 bilhões. O pagamento da dívida para esta aquisição tem sido antecipado, mas ainda deve levar dois anos para ser quitado totalmente. A dívida líquida da AB Inbev é de US$ 40 bilhões, segundo balanço do primeiro semestre. No período, o caixa da empresa somou US$ 4,5 bilhões.
Questionada pelo Valor se estaria em negociações com a SABMiller, a AB Inbev respondeu que "não comenta rumores de mercado ou especulações". A resposta foi a mesma sobre o seu interesse no continente africano. Analistas ouvidos pela agência Bloomberg minimizaram a especulação feita ontem pela imprensa brasileira, de que a AB Inbev teria uma oferta de US$ 80 bilhões pela SABMiller. Para os analistas, tal negócio seria contrário à orientação recente da gestão da AB InBev, de se tornar menos alavancada. Na quarta-feira, o valor de mercado da SABMiller estava em US$ 55 bilhões.
Ontem, as ações da SABMiller subiram 7% na Bolsa de Londres, cotadas a 2,24 libras, enquanto o papel da AB Inbev recuou 0,42% na NYSE Euronext, a 39,46.
Segundo um estudo da consultoria Canadean, referência no setor de bebidas, a África é uma das regiões com maior potencial de crescimento em cervejas no mundo. Entre os anos de 2009 e 2015, o consumo no continente deve crescer 5%, mesmo percentual previsto para a Ásia. A região que engloba o Norte da África e o Oriente Médio é destacada pela Canadean como a de maior crescimento potencial no período, 5,5%. Por outro lado, as vendas nos Estados Unidos devem crescer só 1,5%, enquanto que as da Europa ficarão estagnadas. Na América Latina, a previsão é que o consumo de cerveja suba 3%.
"A África é um mercado que interessa às maiores cervejarias, especialmente a África do Sul, por conta do potencial de crescimento do nível de renda da população", diz o consultor Adalberto Viviane. A África do Sul e a Nigéria se tornaram os principais parceiros comerciais dos chineses no continente. A China tem expandido os seus investimentos na região, nos setores de construção, têxteis, iluminação, petróleo e gás, o que vem incentivando a geração de empregos.
Desbravar a África, assim como outros emergentes, é um caminho natural para as maiores cervejarias, diz Viviane. "Para ganhar market share, os grandes players têm que partir para fusões ou aquisições, o crescimento orgânico é pouco significativo", diz.

OGX assina com Shell seu primeiro contrato de venda de petróleo
Exame 06.10.2011 - A OGX, petrolífera de Eike Batista, assinou seu primeiro contrato de venda de petróleo. O acordo foi fechado com a Shell e prevê a venda de 1,2 milhão de barris, dividido em dois lotes de 600.000 barris.
Segundo comunicado da OGX, o preço acertado terá um desconto médio de 5,5 dólares para o tipo Brent. O óleo será fornecido pelo campo de Waimea, na Bacia de Campos, e será extraído pelo navio-plataforma que o Grupo EBX recebeu nesta quinta-feira.
O óleo será produzido a partir do teste de longa duração do poço OGX-26HP. A OGX e a Shell assinaram também uma carta de intenções para estudar oportunidades de compra e venda de petróleo e gás natural.

Kraft planeja rever parceria com BR Foods
Valor 07.10.2011 - A iminente divisão da multinacional Kraft Foods em duas empresas globais, anunciada há dois meses, deve fazer com que a subsidiária brasileira reveja a joint venture mantida com a BR Foods na produção local do cream cheese Philadelphia. No novo cenário, também não está descartada a possibilidade de licenciamento da marca Royal, que dá nome a sobremesas, gelatinas e fermento em pó.
"Vamos ter que pensar na nossa parceria a partir de agora", disse ao Valor o presidente da Kraft Brasil, Marcos Grasso, referindo-se à BR Foods. Desde o lançamento do queijo Philadelphia no Brasil, em 2003, a Kraft trabalha com parceiros na distribuição. Em 2008, a empresa anunciou a joint venture com a Sadia, que acabou se unindo à Perdigão na BR Foods no ano seguinte. À época, foram investidos R$ 30 milhões na empresa, que tem 51% das suas ações nas mãos da Kraft. Grasso não deixou claro se há a possibilidade de venda. "Ainda vamos definir a forma como a marca vai continuar no mercado", disse o executivo, que promete crescimento de dois dígitos para a Kraft Brasil este ano.
Segundo a nova estrutura de negócios da Kraft, será criada uma empresa só para a divisão de mercearia da América do Norte (bebidas, queijos e refeições prontas), que tem marcas importantes, mas de baixo crescimento. O faturamento anual dessa unidade será da ordem de US$ 16 bilhões, a metade do que deve faturar a outra divisão, que vai reunir chocolates, biscoitos, balas e chicletes. Quase todo o portfólio da Kraft Brasil está nesses segmentos. As exceções são Philadelphia, Royal e Tang.
"A separação das áreas foi definida globalmente, mas produtos específicos de país a país podem até continuar na mesma divisão", disse o diretor de assuntos corporativos e governamentais da Kraft Brasil, Fabio Acerbi. No mundo, a multinacional planeja concluir a cisão ao fim de 2012.

Pão de Açúcar quer lançar 25 prédios com construtoras
Estadão 06.10.2011 - Está em estudo dentro do Grupo Pão de Açúcar o lançamento, nos próximos dois anos, de 25 empreendimentos imobiliários em parceria com construtoras, nos Estados de Goiás, do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Mato Grosso, Pernambuco e do Ceará, informou o CEO da GPA Malls & Properties, braço imobiliário da varejista, Caio Mattar. "Nossa ideia é comprar grandes terrenos, fazer as lojas e lançar os prédios. Em sete, oito ou dez anos, teremos vários projetos em construção", disse Mattar, em entrevista à Agência Estado.
Dos 25 empreendimentos, nove estão em fase final para lançamento. Além do Thera Faria Lima Pinheiros, em parceria com a Cyrela, mais dois podem sair ainda em 2011. O executivo destacou que a intenção da varejista, com a criação do GPA Malls & Properties, é ampliar a rentabilidade dos terrenos do grupo, que soma atualmente algo em torno de 1,5 milhão de metros quadrados.
O executivo acrescentou que a empresa busca parcerias, principalmente, com construtoras listadas em bolsa e "com forte estrutura de capital". Sobre a expansão regional, ele afirmou que a empresa sempre analisa ao menos três propostas de projeto. Ele evitou comentar as empresas com as quais estuda parceria.
Mattar destacou que, para dar maior transparência aos investidores sobre os negócios imobiliários do grupo, a GPA Malls & Properties se transformará em 2012 em uma subsidiária integral da companhia. "No início de 2012, começa a operar como empresa. Hoje, ela é um centro de custos, mas estamos caminhando, até o final de 2012, para a criação da subsidiária", disse Mattar, ressaltando que a criação do braço imobiliário é para dar um foco maior à área. "Mas nossa prioridade continua sendo o varejo".
O Grupo Pão de Açúcar também a abertura de 80 lojas em 2012, segundo Mattar. O plano orgânico da empresa é abrir 120 lojas anualmente, a partir de 2013. "Nessas 120 lojas, calculamos que entre 20% e 30% dos empreendimentos caibam parcerias com construtoras, para levantar nos nossos terrenos prédios comerciais, residenciais e hotéis", afirmou.
Outro filão a ser explorado nas áreas dos hipermercados e supermercados são as galerias comerciais, que atualmente geram uma receita com locação de R$ 100 milhões anualmente. A varejista conta hoje com 180 mil metros quadrados de área bruta local nas suas lojas e um total de quatro mil lojas de prestadores de serviços, como alimentação, banco, drogaria ou lotérica. "Começamos a desenvolver as galerias para potencializar a expansão do varejo, agregando soluções imobiliárias e, assim, elevando o giro dos ativos", afirmou.

Credit Suisse avalia grupo Odebrecht em US$ 14,6 bi
Valor 07.10.2011 - Considerando as demonstrações financeiras da Odebrecht Investimentos (Odbinv) de 31 de dezembro de 2010 e os eventos e projeções da companhia feitos até maio de 2011, as ações do grupo, um dos maiores do país, valem hoje US$ 14,62 bilhões. Esse é o valor encontrado pelo banco de investimentos Credit Suisse First Boston ao avaliar, pela 11ª vez, as ações da companhia.
A nova avaliação da Odebrecht não estava prevista para ser realizada neste ano, por decisão da holding Odbinv. Diante do pedido da Graal Participações, que reúne a família Gradin, para ter acesso ao documento, a Odbinv informou que dispensou a realização da avaliação de 2011 "por considerá-la supérflua". A informação consta no processo travado na Justiça entre a Graal e a Kieppe Participações, holding dos Odebrecht que controla a Odbinv. Em uma petição anexada pela Odbinv ao processo em 5 de julho deste ano, a defesa da empresa afirma que "no ano passado foram exercidos todos os direitos de opção de compra e venda recíproca consagrados no acordo de acionistas". A Odbinv ainda informa no processo que restaria uma única operação a ser finalizada, o que tornou desnecessária a realização da avaliação, "que importaria dispêndios de elevados custos, superiores a US$ 1 milhão".A operação ainda não finalizada a que a Odbinv se refere é a compra dos 20,6% de ações da Graal em meados de 2010. O exercício de opção de compra dos papéis teve sua validade contestada pela Graal, que pediu a instauração de um procedimento de arbitragem para resolver o impasse. Diante da negativa da Kieppe em instaurar a arbitragem, o caso foi parar na Justiça da Bahia e ainda está pendente de julgamento.
Mesmo assim, a avaliação foi realizada pelo Credit Suisse e apresentada em agosto em uma reunião na Odebrecht S.A., controlada da Odbinv e holding das empresas operacionais do grupo. O Valor tomou conhecimento dos valores atribuídos em 2011 ao conglomerado. De acordo com a avaliação, as ações da Odbinv valem hoje US$ 14,62 bilhões, valor 48% superior ao apontado no ano passado pelo banco. As maiores valorizações, segundo o relatório do Credit Suisse, ocorreram na Braskem, cujo valor das ações cresceu 126,93%, e na ETH, com valorização de 78,16%. À Odbinv ainda foi atribuída uma dívida de US$ 1,94 bilhão, referente ao devido pela compra, em 2010, das ações dos minoritários - entre eles a Graal.
Procurado pelo Valor, o Credit Suisse informou que não faz comentários sobre serviços prestados a clientes. A Odbinv, em nota enviada à reportagem, informou que "a Organização Odebrecht não teve seus ativos avaliados no ano de 2011 para efeitos do seu acordo de acionistas, porque tal avaliação se tornou desnecessária em razão dos exercícios de opção de compra e venda ocorridos em 2010". A empresa ainda afirma que, "como amplamente divulgado, a Odebrecht implantou, neste ano, planos de incentivo de longo prazo, cujo acompanhamento pressupõe a realização de avaliações anuais" e que "os dados relativos às avaliações destinadas ao conhecimento dos sócios participantes dos planos são do exclusivo interesse destes e, portanto, confidenciais".
Ao contrário das avaliações feitas desde 2001 pelo Credit Suisse, que tinham como escopo apurar o valor da participação dos acionistas minoritários para eventuais negociações com o controlador, a avaliação de 2011 teve o objetivo de apurar o valor das ações para definir o preço de aquisição e de saída do plano de incentivo de longo prazo. Mas, para a defesa da Graal, realizar a avaliação com o argumento de que ela foi feita para outros fins significaria dizer que ela não é feita de forma independente. "A existência de uma avaliação de Odbinv em 2011 desmente afirmações feitas pela controladora em juízo", diz o advogado da Graal, Luís André de Moura Azevedo.
A avaliação realizada em 2010 pelo Credit Suisse é contestada pela Graal. Segundo sua defesa, enquanto o banco calculou o valor do grupo em US$ 9,8 bilhões em 2010, seu valor real seria de ao menos US$ 25,4 bilhões. A diferença teria reduzido o valor atribuído pela Kieppe às ações da família Gradin. Nas contas da Kieppe, os 20,6% da Graal valeriam US$ 1,5 bilhão, já deduzidos os 25% de desconto na compra de participações minoritárias ilíquidas. Nas contas da Graal, sua participação valeria no mínimo o dobro. Pela nova avaliação, suas ações valeriam US$ 3,01 bilhões.

Conasa
Folha 07.10.2011 - A construtora Conasa investirá R$ 160 milhões em um empreendimento com hotel, apart-hotel e salas comerciais. Serão erguidas três torres na via Dutra, entre São João de Meriti e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Essa é a primeira investida da empresa em um projeto que reúne hotelaria e negócios. Até então, a construtora se dedicava a edifícios residenciais ou comerciais.
Outras duas obras semelhantes à da via Dutra estão em estudo. Elas devem ser realizadas em cidades próximas ao Rio de Janeiro. "Estamos mudando um pouco nosso foco. A Copa e a Olimpíada alavancaram às áreas de comércio e de hotéis", diz o sócio da empresa, Roberto Antunes. As obras devem começar entre maio e junho de 2012, e a previsão é que durem 30 meses. As três torres serão comercializadas. A Conasa ficará como incorporadora apenas de um espaço que incluirá academia, restaurantes e centro de convenções.

Governo pretende desonerar construção de salas de cinema
Valor 07.10.2011 - O empresário que quiser construir uma sala de cinema gastará 30% menos a partir do mês que vem. O governo deve publicar um decreto nas próximas semanas que regulamenta a Medida Provisória (MP) 545, editada na semana passada, que isenta de PIS/Cofins, IPI e do Imposto de Importação as despesas com equipamentos, instrumentos, máquinas e materiais de construção, nacionais ou importados, para a criação de salas de cinema. A criação do Regime Especial de Tributação para Desenvolvimento da Atividade de Exibição Cinematográfica (Recine) é considerada como a primeira grande iniciativa da gestão Dilma Rousseff para a área da cultura.
As medidas de incentivo tributário complementam o programa Cinema Perto de Você, lançado no ano passado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até então, o programa contava somente com o financiamento subsidiado para a construção de salas. Os recursos, de R$ 500 milhões, vêm do Fundo Setorial do Audiovisual (R$ 300 milhões) e o restante do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As taxas de juros dos empréstimos variam de 1,5% a 5% ao ano, dependendo da região em que será instalada a sala.
A avaliação dos técnicos do setor da cultura no governo é que os financiamentos, mesmo subsidiados, não garantiriam a meta de construir 600 salas até o fim de 2014 - em pouco mais de um ano apenas 12 salas foram construídas. A forte desoneração de impostos funcionará, então, como "incentivo na veia", segundo Manoel Rangel, presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine), subordinada ao Ministério da Cultura e coordenadora do Cinema Perto de Você.
Construir uma sala de cinema custa entre R$ 800 mil e R$ 1,1 milhão, dinheiro que é gasto desde com obras de construção civil até à importação de equipamentos, como projetores digitais, lentes e sistema de som, que não contam com similares nacionais. Apenas com o Recine, os custos totais cairão para valores entre R$ 560 mil e R$ 770 mil.
O objetivo do governo é levar o cinema para municípios com mais de 100 mil habitantes que não contam com salas de exibição e também para as periferias de grandes cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, cuja área central conta com boa infraestrutura. "O governo entendeu que precisamos levar o cinema justamente para aqueles que ascenderam nos últimos anos, que são as quase 40 milhões de pessoas que atingiram a classe média", diz Rangel.
O país conta com cerca de 2,2 mil salas de cinema, mas elas estão "muito concentradas" em poucos municípios, segundo o presidente da Ancine. São 87 mil habitantes por sala - eram 27 mil por sala no início dos anos 1970, quando o país contava com a Embrafilme, estatal que se encarregava de financiar a produção cinematográfica.
"O custo para se construir uma sala de cinema é o mesmo na Avenida Paulista (SP) e na Barra da Tijuca (RJ) ou em Parauapebas (PA) e Irajá (RJ) na Barra da Tijuca ou no Irajá (RJ), e com o Recine damos a chance do empresário obter lucro com os ingressos mais baratos cobrados nas salas instaladas em regiões de renda mais baixa", afirma Rangel.
Segundo o empresário Adhemar Oliveira, diretor de um dos maiores grupos de exibição do país, a Inovação Cinemas, a desoneração proposta pelo governo é "fortíssima" e deve impulsionar os empresários do setor. "O Brasil tem pouquíssimas salas e uma imensa demanda reprimida por cinema, o que deixa qualquer empresário atraído", afirma Oliveira. O exibidor é sócio de 120 salas de cinema pelo país, entre elas o Espaço Unibanco e o Cine TAM, em São Paulo.
O decreto que o governo Dilma editará nas próximas semanas deve ser aprovado pelo Ministério da Cultura na semana que vem, quando chegará à Casa Civil. Os termos da MP também servirão ao programa "gêmeo" Cinema da Cidade, que concede os mesmos incentivos fiscais a Estados e municípios para investirem em salas que poderão ser concedidas à iniciativa privada.

PanAmericano pede resgate de R$ 660 milhões de fundo de crédito
Valor 07.10.2011 - O banco PanAmericano solicitou, em 21 de setembro, o resgate no valor de R$ 660 milhões, com o objetivo de reduzir sua participação em cotas subordinadas do Caixa Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Master CDC Veículos (FIDC), composto por recebíveis de financiamentos de veículos originados pela instituição.
Em agosto, as cotas subordinadas representavam 55% do patrimônio líquido do fundo, que somava R$ 1,55 bilhão. O objetivo do banco, atualmente controlado pelo BTG Pactual e pela Caixa, é reduzir essa participação para o mínimo exigido pelo regulamento do portfólio, que é de 23% do patrimônio, segundo o diretor de relações com investidores do PanAmericano, Willy Jordan. "A participação atual está muito acima da exigida pelas regras, o que gera custos para o banco."
No final de 2010, o PanAmericano aumentou sua participação no fundo em função da necessidade de liquidez para pagamento dos resgates solicitados pelos investidores detentores de cotas seniores - aquelas com maior grau de garantia e que foram vendidas a investidores - depois da descoberta do rombo contábil no banco, em novembro. Só nos dois últimos dois meses de 2010 houve saída de R$ 748 milhões do total aplicado em cotas seniores, segundo relatório de classificação de risco da Austin Rating.
Os resgates efetuados reduziram a quantidade de cotistas seniores do fundo, que caiu de novembro de 2010 para agosto deste ano de 399 para 277 investidores.
Com o pedido de resgate parcial das cotas subordinadas pelo PanAmericano, os cotistas seniores têm o direito de solicitar o saque de suas cotas, que poderá ser realizado no prazo de 60 dias, até 21 de novembro, embora a carteira seja aberta para resgates. "Os cotistas seniores têm a preferência no pagamento, que será realizado conforme o caixa do fundo", diz Vitor Hugo dos Santos Pinto, gerente nacional de fundos para o setor imobiliário da Caixa, responsável pela gestão da carteira.
O FIDC do PanAmericano conta com R$ 80 milhões em caixa. Resgates superiores a esse valor serão pagos à medida que houver a amortização dos recebíveis, explica Pinto, da Caixa. Só depois do pagamento dos possíveis saques solicitados por esses investidores que o banco poderá começar a receber o valor solicitado.
Até 30 de setembro, o fundo não havia registrado nenhum pedido de resgate de cotistas seniores em função do comunicado a mercado. "Não achamos que haverá resgates significativos, pois a decisão faz parte de um aperfeiçoamento da gestão do fundo" diz Jordan.
Após a mudança de controle do banco e o aporte de R$ 2,5 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) houve uma redução dos pedidos de resgates. No segundo trimestre de 2011, as cotas seniores tiveram saques líquido de R$ 40,4 milhões.
A presença de cotas subordinadas na estrutura do fundo é uma forma de proteção para os cotistas seniores, pois funciona como uma colchão que absorve primeiro as perdas em caso de inadimplência.
O fundo, lançado em outubro de 2003, oferece rentabilidade de 112% do Certificado de Depósito Interfinanceiro. O fundo tem conseguido bater essa meta nas cotas seniores nos últimos 12 meses encerrados em agosto. O retorno das cotas subordinadas, detidas pelo PanAmericano, no entanto, estava negativo desde fevereiro, em parte, segundo a Austin, devido à participação expressiva do banco no fundo, o que torna mais difícil dar rentabilidade.
O PanAmericano tem recomprado os créditos em atraso para melhorar o risco da carteira. O banco recomprou R$ 10,2 milhões de créditos em atraso no segundo trimestre. O volume, no entanto, tem caído em relação ao final de 2010, quando foram recomprados R$ 360 milhões, para dar liquidez aos cotistas seniores.

Captações locais seguem ativas e se tornam opção para empresas
Valor 07.10.2011 - Perspectiva de queda de juros deve aumentar a demanda por papéis privados, diz Ignacio Lorenzo, do Santander.
Com o mercado restrito para captações de recursos no exterior em consequência da crise, as empresas brasileiras começaram a recorrer ao mercado de capitais local, que até aqui tem se mostrado resistente ao aumento da aversão a risco. Em um primeiro momento, as emissões têm servido como opção temporária à espera de uma melhora do cenário internacional. Mas caso a crise persista, as captações domésticas devem absorver também parte da demanda por recursos de prazo mais longo.
Pelo menos duas empresas com planos de emitir dívida no exterior recuaram e agora estudam captar no país, conforme apurou o Valor. A transmissora de energia Taesa, controlada pela Cemig, pretende lançar R$ 1,4 bilhão em notas promissórias para financiar a compra dos ativos da espanhola Abengoa, enquanto a concessionária de rodovias Autoban, da CCR, deve captar R$ 1 bilhão nas próximas semanas, também em notas.
Enquanto o mercado externo patina, as operações domésticas têm mostrado vigor. Um teste importante ocorreu na semana passada, com a captação da empresa de shopping centers Multiplan, que obteve R$ 300 milhões em uma oferta de debêntures com prazo de cinco anos. Com forte procura, a companhia conseguiu reduzir a taxa proposta na operação de CDI mais 1,15% para CDI mais 1,01%, apesar das incertezas sobre a crise europeia.
A fila de emissores locais conta ainda com a locadora de veículos Unidas, a Companhia Energética do Ceará (Coelce) e a Cachoeira Paulista, de transmissão de energia. A expectativa do mercado é de que novas operações venham a público nas próximas semanas. As captações de outras modalidades de renda fixa, como Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), também estão em alta, principalmente por parte de bancos de médio porte.
O agravamento da crise externa tornou as emissões locais mais competitivas para as empresas, de acordo com o diretor da área de renda fixa do Bradesco BBI, Leandro Miranda. "Com o aumento da volatilidade, a diferença entre as taxas obtidas nos mercados doméstico e externo caiu bastante", afirma. Para o executivo, o mercado brasileiro tem condições de suprir a necessidade de recursos da maioria das empresas que pretendia captar recursos lá fora.
Entre janeiro e agosto, as emissões de debêntures atingiram R$ 34,6 bilhões, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A maior parte desse valor, contudo, não foi distribuída entre os investidores. Com folga de capital, os próprios bancos se tornam os principais compradores dos papéis.
Para o superintendente executivo de mercado de capitais do HSBC, Antonio Oliveira, a grande presença dos bancos nas emissões não é, necessariamente, um problema. "Ao contrário do que se vê lá fora, as instituições concedem garantia firme de demanda nas operações e podem vender ao menos parte dos papéis no mercado secundário a qualquer tempo", diz. Do lado das empresas, a emissão de debêntures representa um ganho fiscal, já que os títulos não estão sujeitos ao IOF, ao contrário de um empréstimo tradicional.
A perspectiva de queda da taxa básica de juros (Selic) deve aumentar a demanda dos investidores por papéis privados, segundo Ignacio Lorenzo, responsável pela área de distribuição do Santander. "Com o fraco desempenho da bolsa, houve uma migração de recursos para a renda fixa, que agora precisam ser alocados", afirma. No acumulado deste ano, os fundos DI e renda fixa captaram quase R$ 66 bilhões, enquanto os multimercados e ações registraram resgates da ordem de R$ 40 bilhões.
Em um ano difícil para a indústria de fundos, a procura por produtos com risco de crédito tem sido grande, segundo o diretor da área de gestão de recursos do Itaú, Paulo Corchaki. Ele afirma que os fundos do banco com essas características passam a maior parte do tempo fechados, à espera de boas oportunidades. "Em apenas um dia, fechamos a captação de um fundo de R$ 700 milhões", diz.
Ao contrário do mercado externo, as emissões de títulos privados locais estão ativas e sem reflexos da crise, destaca Luís Guido, responsável pela área de distribuição do Itaú BBA. "Em geral, as operações têm boa procura e custos bastante adequados", avalia.
Embora o mercado doméstico tenha condições de atender a maior parte das operações, ele pondera que as empresas que desejam realizar emissões mais longas, acima de dez anos, ainda precisam acessar o investidor externo. No país, as operações têm saído com prazos de 5 a 7 anos. Por isso, as companhias hoje têm estudado os dois mercados, de acordo com o executivo. "Existe sempre a possibilidade de abertura de uma janela de oportunidade lá fora", diz.

Bioagri x Mérieux NutriSciences
Folha 07.10.2011 - O laboratório brasileiro Bioagri está com sotaque francês. O grupo Mérieux NutriSciences desembolsou R$ 70 milhões para adquirir 70% da empresa brasileira. O Bioagri atua com análises para setores como farmacêutico e de agronegócio. O laboratório nacional dobrou de tamanho nos últimos quatro anos. Hoje tem 16 unidades e 1.000 funcionários, com faturamento de R$ 100 milhões ao ano.
A expectativa é que, com a entrada dos franceses, a expansão se acelere. Segundo o presidente do Bioagri, Álvaro Vargas, a previsão é fechar a compra de dois laboratórios no Brasil até o fim do ano. Em 2012 e 2013, serão consideradas oportunidades na América Latina, na Europa e nos EUA. O laboratório também espera dobrar o faturamento em seis anos. O endosso europeu deve elevar os contratos internacionais de 8% para 20% da receita total. "O maior lucro da Mérieux NutriSciences virá do Brasil e dos EUA [nos próximos anos]", diz Vargas.

Santa Terezinha pode retomar usina em MS
Valor 07.10.2011 - O grupo paranaense Santa Terezinha, que faturou R$ 1,49 bilhão em 2010, estuda retomar a construção da usina Paraná, localizada no município de Eldorado (MS). A unidade, projetada para produzir apenas etanol, está com 70% das obras industriais concluídas e com parte dos canaviais implantados. O grupo calcula que serão necessários investimentos na indústria de cerca de R$ 100 milhões, além dos aportes na área agrícola.
O "greenfield" Paraná foi adquirido em 2009 junto com a usina Usaciga, localizada no Paraná. Ambas pertenciam à Agrocana Participações Ltda.
Na época, a usina sul-mato-grossense foi colocada à venda, pois estava fora da estratégia da Santa Terezinha que tem logística consolidada para operar no Paraná. No entanto, a empresa não encontrou um comprador que oferecesse um "valor justo" pelo ativo, conta Paulo Meneguetti, diretor da Santa Terezinha. "Por isso, estamos revendo a possibilidade de concluir o projeto", completa.
A decisão será tomada no primeiro bimestre de 2012, segundo ele. A unidade foi projetada para moer inicialmente 2,5 milhões de toneladas de cana, mas por enquanto, só tem 500 mil toneladas da matéria-prima disponíveis no campo. A expectativa do grupo é de que seja possível preencher essa capacidade a partir de 2014/15.
Neste momento, a Santa Terezinha toca o projeto de elevar a oferta de cana nas suas oito usinas já em operação, todas no Paraná. Em torno de R$ 200 milhões estão sendo aplicados neste ano para renovar 44 mil hectares e expandir outros 13 mil hectares. Esses aportes devem ajudar a empresa a alcançar moagem de 19 milhões de toneladas daqui a três anos.
As duas geadas deste segundo semestre contribuíram para que a moagem desta temporada nas oito usinas caísse para 15,1 milhões de toneladas, queda de 8% em relação às 16,5 milhões de toneladas previstas inicialmente. A produção de açúcar da companhia deve alcançar 1,4 milhão de toneladas, 100% para exportação. A fabricação de etanol deve variar entre 370 milhões e 380 milhões de litros.
O investimento no canavial vai ajudar a empresa a elevar a moagem para 16,5 milhões de toneladas no ciclo que vem, o 2012/13. A produção de açúcar deve alcançar no próximo ano 1,5 milhão de toneladas e a de etanol, de 450 milhões de litros, prevê Meneguetti.
Todo recurso investido no campo, diz o executivo, vem de capital próprio da empresa. "Ouvimos há meses que o governo lançará programa de renovação de canaviais, mas nada acontece", lamenta.

TCU aponta teto para lucro em obra pública
Valor 07.10.2011 - Luciano Amadio, presidente da Apeop e da construtora CVS: empresa não participa mais de concorrências federais.
O Tribunal de Contas da União (TCU) baixou um acórdão estabelecendo o teto de Bonificação e Despesas Indiretas (BDI) para serviços e obras públicas de engenharia. O BDI é a soma do lucro, dos impostos e das despesas indiretas que um empreendedor tem na obra. Junto com os custos diretos, ele compõe o preço global do empreendimento. A decisão, publicada no dia 20 de setembro, no acórdão 2.369/2011, pegou de surpresa o setor de construção, que vê na medida uma tentativa de tutelar o lucro privado.
O TCU informou, em nota, que as tabelas são apenas referências de "parâmetros aceitáveis". Fontes ouvidas pelo Valor, entretanto, acreditam que, a partir de agora, dificilmente um edital de licitação será publicado com percentuais de BDI fora das margens recomendadas pelo tribunal, para evitar fiscalizações e atrasos no futuro. Devido à decisão, editais de obras federais estão sendo recolhidos para adaptação aos novos percentuais. No setor portuário, três processos licitatórios para reforma ou construção de terminais de passageiros, dentro do PAC Copa, foram suspensos nos portos de Santos (SP), Natal (RN) e Rio.
"Recomendar 'parâmetros aceitáveis' é um eufemismo para dizer que se está tutelando o lucro", afirma o diretor-executivo da Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop), Carlos Eduardo Jorge. "O TCU nunca teve ingerência nisso, era uma relação entre contratante e contratado. O tribunal tem ampliado não só o poder de fiscalização, que lhe é devido, mas de normatização, que, acredito, não seja sua função, alcançando questões de orçamento e lucro", diz.
O acórdão estabelece percentuais mínimos e máximos de BDI, de acordo com o valor do empreendimento e por segmento: saneamento, edificações, irrigação e canais, redes adutoras e estações elevatórias e de tratamento, estruturas portuárias, pátios e pistas aeroportuários, terminais de passageiros aeroportuários e fornecimento de materiais e equipamentos.
No caso de obras de saneamento estimadas em até R$ 150 mil, o BDI mínimo é de 25,3%, e o máximo, 31,8%. Se o valor da obra for superior a R$ 150 milhões, os percentuais ficam entre 20,8% e 27%. Em obras aeroportuárias (pátios e pistas de pouso) com valor até R$ 150 mil, o BDI mínimo é de 21,5% e o teto, 22,7%. Para valores acima de R$ 150 milhões, os percentuais são 17% e 23%,
Os empresários criticam a imposição de BDIs de acordo com os valores do empreendimento, pois cada obra tem uma especificidade. Por exemplo, quanto mais afastada do centro urbano, mais problemas de locomoção e mobilidade.
"Essas despesas indiretas incidem no preço da prestação de serviço. É muito mais caro fazer uma rede de saneamento na Amazônia ou num lugar inóspito do que numa capital. As empresas levam isso em consideração ao fazer os orçamentos", diz o presidente da Apeop e diretor da construtora CVS, Luciano Amadio.
Segundo Amadio, a CVS não participa mais de concorrências públicas federais por não aceitar os preços da tabela do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi), monitorados pelo TCU e que recaem sobre os custos diretos. "São inexequíveis", diz.
Segundo o Ministério do Planejamento, os órgãos do governo estão avaliando caso a caso se há necessidade de revisão de editais. A estatal Valec, vinculada ao Ministério dos Transportes, disse que "como os processos licitatórios estão suspensos, desde julho, por determinação ministerial, não houve readequação de nenhum edital de licitação". O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) também informou que nenhum edital foi suspenso.
No setor portuário, os novos editais de Santos, Natal e Rio de Janeiro podem sair hoje. A estimativa é que as intervenções sofram atraso de pelo menos um mês em relação ao cronograma original.
"Vamos tirar a diferença no tempo da obra", afirmou o presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), José Roberto Serra. Ontem foram publicadas as novas regras para o alinhamento do chamado cais de Outeirinhos no porto de Santos, em frente ao terminal de cruzeiros marítimos. Mais de 40 empresas tinham comprado o primeiro edital. O preço máximo, de R$ 325 milhões, caiu para R$ 319 milhões por conta da revisão do BDI. No caso da nova instalação para turistas no porto de Natal, a variação será quase nula, porque o percentual de BDI oscila pouco na faixa de preço em que a obra está orçada.
Questionado sobre a razão da medida, o TCU disse, por e-mail, que os órgãos públicos precisam adotar valores referenciais de BDI "para poder avaliar se as propostas de preço oferecidas pelas empresas licitantes estão de acordo com os preços praticados no mercado, como manda a lei".
Na resposta encaminhada à reportagem, o tribunal afirmou que a decisão não cria obrigações nem limita a atuação das empresas. "O fato de o TCU estabelecer uma faixa referencial de BDI não significa que as circunstâncias e particularidades presentes na execução de uma obra serão desconsideradas. Cada obra deve ter um BDI distinto, adaptado ao caso concreto."
O órgão explica ainda que o acórdão estabelece referenciais de BDI para serem adotados pelo próprio TCU na análise do preço de obras públicas, "uma vez que uma das parcelas que compõem o preço é o BDI (a outra parcela é o custo direto). Portanto, o TCU não pretende estabelecer o BDI a ser adotado pelas empresas".

Com nova lei, Cade vai julgar menos processos de fusão
Valor 07.10.2011 - O presidente do Cade, Fernando Furlan, que estava em férias quando recebeu a notícia da aprovação da lei: desafios.
As férias do presidente do Cade, Fernando Furlan, e o passeio de carro que ele fazia com a mulher entre o Himalaia e o Tibete, na China, foram interrompidos por uma notícia inesperada: o Congresso aprovou o projeto da nova lei antitruste.
"Acho que foram minhas orações a Buda", afirmou Furlan ao Valor, por telefone. O projeto de lei tramitou por mais de seis anos no Congresso, o que deixou muitos integrantes do Cade céticos quanto à possibilidade de aprovação. Agora, com o texto aprovado na noite do dia 5, eles trocaram o ceticismo pelo trabalho de criar um novo órgão enquanto o atual tem que continuar em funcionamento. Será algo como trocar o pneu com o carro andando.
"Temos muitos desafios pela frente", admitiu Furlan. O primeiro será o de obter uma nova sede para receber os 200 técnicos que serão necessários para que o Super Cade cumpra a função de analisar fusões e aquisições previamente - o principal ponto da nova lei.
Uma vez alojado, o Super Cade será dividido em dois. Haverá um tribunal com sete conselheiros, como ocorre hoje, e uma superintendência-geral, que terá duas funções. A primeira será a de conduzir as investigações de cartel - hoje feitas pela Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça. Para cumprir essa função, todo o Departamento de Proteção e Defesa Econômica - equivalente a mais da metade da SDE - será transferido para o Super Cade.
A SDE será substituída por uma Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor, segundo confirmou, ontem, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Ele enfatizou que, como o projeto passou pelo Ministério do Planejamento, os 200 cargos serão criados, mesmo com o governo em fase de contenção de gastos. "Teremos um órgão aparelhado e bem estruturado em suas competências", disse Cardozo. "Será bom para o mercado, para os brasileiros e para o país", resumiu.
A segunda tarefa da superintendência-geral será a de analisar os negócios das empresas em tempo hábil para evitar que eles fiquem travados, à espera de uma decisão. As fusões simples, por exemplo, vão receber um pedido de aprovação imediata. Já os casos complexos vão ter uma tramitação que pode se alongar até o máximo de 330 dias. Hoje, o Cade demora até dois anos para julgar esses processos, a exemplo do que aconteceu com a compra da Sadia pela Perdigão ou a aquisição da Garoto pela Nestlé.
Agora, as empresas vão ter que ser ágeis para prestar todas as informações possíveis para que o Cade possa julgar os seus negócios rapidamente. "A análise prévia das fusões evitará problemas como os que aconteceram com a compra da Garoto pela Nestlé", avaliou o advogado José Del Chiaro, referindo-se ao negócio que foi fechado pelas empresas, em 2002, vetado pelo Cade, em 2004, e, até hoje, aguarda decisão do Judiciário.
O número de negócios que o Cade analisa hoje deve diminuir, pois, hoje, as empresas que faturam mais de R$ 400 milhões são obrigadas a submeter todos os seus negócios para o órgão antitruste julgar, inclusive a compra de pequenas companhias. Isso inunda o Cade de pequenos processos e tira o tempo necessário para decidir sobre grandes fusões. Já a nova lei estabelece que só vão ser julgadas as fusões e aquisições envolvendo uma empresa que faturar R$ 400 milhões e outra que obtenha R$ 30 milhões. Ou seja, apenas negócios de porte médio para grande serão de fato apresentados.
A transição do Cade atual para o Super Cade terá seis meses contados a partir da sanção da nova lei pela presidente Dilma Rousseff. "Nesse meio tempo, a Lei Antitruste atual (nº 8.884) continua em vigor", afirmou o secretário de Direito Econômico, Vinícius Carvalho. Ele disse que foram organizados grupos específicos envolvendo o Cade, a SDE e a Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda para fazer a transição.
O conselheiro Olavo Chinaglia explicou que o prazo de transição pode ser ampliado, caso as empresas peçam que a sua fusão seja analisada pela lei anterior. As fusões que estão em análise no órgão antitruste, como a união entre Pão de Açúcar e as Casas Bahia, ou a compra da Webjet pela Gol, também permanecem sob a Lei nº 8.884. OU seja, não podem ser aprovadas de imediato ou no prazo máximo de 330 dias que foi previsto pela nova lei.
Outra mudança importante foi a previsão de que a multa máxima por cartel seja de 30% do faturamento da empresa no setor em que houve a infração, e não mais do faturamento total da empresa, como é hoje. Carvalho disse que isso não vai implicar em redução de pena, pois o Super Cade vai poder aplicar multas equivalentes aos danos causados pelas empresas nos consumidores. "Se o dano for superior a 30% do faturamento, poderemos aplicar multas ainda maiores", enfatizou Carvalho.


Casino e Rallye passam a ter 48,1% do Pão de Açúcar
Folha 06.10.2011 - A Rallye, controladora do Casino, anunciou nesta quinta-feira que elevou sua participação no Grupo Pão de Açúcar para 48,1%.
O movimento é o mais recente do varejista francês para aumentar sua presença na companhia brasileira, após o fracasso da tentativa do empresário Abilio Diniz de unir a empresa às operações do rival Carrefour no Brasil.  A Rallye informou ter adquirido ações preferenciais, ADRs e opções de compra, garantindo à holding 5% do capital do Pão de Açúcar. Além de 600 mil ações preferenciais, a Rallye adquiriu 5 milhões de opções de compra que permitem a aquisição de 5 milhões de ADRs.  Com o movimento, a participação conjunta de Rallye e Casino na maior varejista brasileira passou a ser de 48,1%, contra 45,9% no final de agosto.  Às 7h15 (horário de Brasília), as ações do Casino subiam 1,38%.

Casino eleva participação no Pão de Açúcar para 48,1%
Brasil Economico 06.10.2011 - Casino passou a elevar sua participação no Pão de Açúcar após início das negociações de fusão com o Carrefour.
Por meio de sua controladora, a Rallye, Casino eleva participação no Pão de Açúcar para 48,1%.  O francês Casino aumentou a participação no Grupo Pão de Açúcar para 48,1%, após sua controladora, a Rallye, adquirir ações da companhia.
"Essa aquisição reafirma a confiança e o envolvimento que a Rallye, assim como o Casino, depositam no Brasil e no Grupo Pão de Açúcar", afirmou a empresa em comunicado.
No total, a Rallye comprou 600 milhões de ações preferenciais (sem direito a voto), e 5 milhões de opções de compra - que permitem a aquisição do mesmo número de ações preferenciais.
Em setembro, a Rallye havia comprado 3,3 milhões de ações do Pão de Açúcar, elevando a participação conjunta da Rallye e Casino de 43,1% para 45,9%.
O Casino passou a elevar sua fatia no Grupo Pão de Açúcar depois que, em junho, a imprensa francesa passou a noticiar rumores de que poderia ocorrer uma fusão entre o Pão de Açúcar e o grupo francês Carrefour.
Em julho, a empresa brasileira Gama, controlada pelo BTG Pactual, ofereceu uma proposta para fundir os negócios do Carrefour e do Pão de Açúcar no Brasil, em uma negociação envolvendo o empresário Abilio Diniz e o Banco Nacional para o Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Na ocasião, o Casino bloqueou a fusão.

Produção de grãos deve cair até 3,7% na safra 2011/2012, aponta Conab
Valor 06.10.2011 - A safra 2011/2012, segundo previsões da Conab, deve ser menor do que a passada. A produção de grãos deve ser de 157 a 160,5 milhões de toneladas de grãos, queda de 3,7% e 1,5%, respectivamente frente aos 162,9 milhões de tobeladas da safra passada. A primeira estimativa da próxima safra consta no levantamento de Intenção de Plantio divulgado nesta quinta-feira pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Apesar da diminuição do total produzido, há a expectativa de ampliação da área plantada. A previsão para a Safra 2011/2012 é de 50,4 a 51,3 milhões de hectares. A safra anterior registrou uma área de cultivo de 49,9 milhões de hectares. O aumento está relacionado ao milho 1ª safra, que deve ter um crescimento entre 4,2% e 7,2%, e à soja, para a qual está previsto um incremento entre 2% e 3,5%. Entre as culturas que devem sofrer redução de área plantada está o arroz, que deve perder entre 2,7% e 0,6% em relação a área cultivada na safra anterior, quando chegou a 2,8 milhões de hectares. O mesmo deve ocorrer com o feijão 1ª safra que deve perder de 8% a 5% da área total de 1,4 milhão de hectares da última safra.

Nissan investirá R$ 2,6 bi na construção de nova fábrica em Resende
Valor 06.10.2011 - O presidente da Renault/Nissan Carlos Ghosn acaba de anunciar investimento de R$ 2,6 bilhões para a construção da nova fábrica da montadora em Resende, no interior do Estado do Rio de Janeiro. Segundo Ghosn, a planta deverá entrar em operação na primeira metade de 2014, com capacidade de produção inicial de 200 mil unidades anuais e gerando dois mil empregos diretos e pelo menos outros dois mil indiretos.
Com a planta, a Nissan - que hoje produz dois modelos no Brasil dentro da área da Renault, sua associada, - espera passar de uma fatia de 1,7% no mercado brasileiro hoje para pelo menos 5% em 2016, elevando a cobertura do mercado nacional de 23% para 90% no mesmo período. Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado do Rio de Janeiro, Júlio Bueno, para a construção da fábrica, o Estado está doando o terreno e colocou à disposição um incentivo de ICMS permitindo que a Nissan pague apenas 25% do imposto devido ao longo do tempo. O incentivo ainda depende de aprovação da Assembleia Legislativa  do Estado.
Durante a solenidade de anúncio, foram apresentados os modelos Nissan March, próximo lançamento da montadora no Brasil, e o carro elétrico Nissan Leaf, modelo sem emissão que a empresa está produzindo mundialmente.

Ternium obtém licença prévia para usina em Açu
Brasil Econômico 06.10.2011 - O porto do Açu, quando concluído, deve alcançar capacidade de movimentar até 350 milhões de toneladas de carga por ano.
A LLX Logística, pertencente a Eike Batista, divulgou nesta quinta-feira (6/10) que a empresa Ternium obteve licença prévia para a instalação de uma siderúrgica no complexo portuário do Açu.
A licença prévia, concedida pela Comissão Estadual de Controle Ambiental, autoriza a produção de até 8,4 milhões de toneladas de aço bruto por ano.
Em setembro, as duas empresas celebraram 2 contratos de longo prazo para serviços portuários, sendo um deles para embarque de produtos siderúrgicos e outro para desembarque de carvão, ambos com taxa de retorno de 15% ao ano. O porto do Açu, que está em construção no norte do estado do Rio de Janeiro, deve alcançar capacidade de movimentar até 350 milhões de toneladas de carga por ano.

OGX fecha primeiro contrato de venda de petróleo
Valor 06.10.2011 - A OGX ainda não começou a produção, mas já conseguiu fechar o primeiro contrato de venda de petróleo para uma petrolífera internacional, que será anunciado oficialmente hoje depois do fechamento do mercado. Segundo o diretor geral e diretor de exploração e produção da OGX, Paulo Mendonça, serão duas cargas de 600 mil barris.
Com a chegada da primeira unidade de produção, armazenamento e descarga de óleo e gás da companhia, o FPSO OSX-1, nesta manhã, na Baía de Guanabara, Rio de Janeiro, a OGX tem expectativa de começar a produção em Waimea, na bacia de Campos, entre novembro e dezembro deste ano. Mendonça afirmou que a OGX prevê a média diária de produção de 33 a 40 mil barris de óleo, para 2012. “De janeiro a maio de 2012, a média diária de produção deve ser de15 a 20 mil barris por dia. Já no restante do ano, esperamos produzir de 45 a 50 mil barris”, destacou. O executivo participou de coletiva no Offshore Technology Conference (OTC), no Rio de Janeiro, ao lado do diretor de produção da OGX , Reinaldo Belotti. Segundo Belotti, as principais licenças para o início da produção já foram concebidas. "Já estamos cravando as estacas no poço que já está perfurado, depois vai faltar apenas a boia e poderemos instalar o FPSO”, explicou Belotti. O aumento gradativo da produção será proporcionado com o programa contínuo traçado pela companhia, argumentou o Belotti. Segundo ele, o indicador de qualidade das descobertas da empresa é muito alto. “Na bacia de Santos furamos oito poços e tivemos cinco descobertas. Na bacia de Campos, concluímos 42 poços, todos com descobertas e, na bacia do Parnaíba, oito poços, sendo seis com gás”, afirmou. No momento, a OGX está com duas avaliações de comercialidade e três planos de avaliação. “Novas descobertas certamente virão”, afirmou Belotti, que não descarta novidades ainda este ano. Segundo ele, a companhia acredita estar “no meio do caminho” na bacia de Santos e de Campos e ainda ter muito ainda para descobrir nos Estados de Pará e Maranhão. “Na bacia do Parnaíba fizemos apenas 10% do que prevemos fazer”, avaliou. “Se alguém tinha dúvidas do potencial de produção da OGX, agora não tem mais”, afirmou Mendonça. Ele ressaltou que entre a descoberta e o início da produção, passaram apenas dois anos. “Eu não conheço uma história como essa”, completou.

SABMiller avança com especulação de aquisição pela AB InBev
Exame 06.10.2011 - Analistas questionam a especulação, dizendo que tal acordo seria contrário às recentes sinalizações da administração da AB InBev.
A SABMiller Plc, segunda maior cervejaria do mundo, teve a maior alta em quase três anos na bolsa de Londres depois que o site IG noticiou que a companhia pode ser comprada pela concorrente Anheuser-Busch InBev NV. A ação subia 5,6 por cento às 10:32, depois que o colunista Guilherme Barros, do website localizado em São Paulo, dizer que um acordo poderia ser fechado por cerca de US$ 80 bilhões. Ele não disse como obteve a informação. O papel chegou a avançar 11 por cento, maior alta intradiária desde 24 de novembro de 2008.
Nigel Fairbrass, porta-voz da SABMiller, e Marianne Amssoms, porta-voz da AB InBev, se recusaram a comentar a informação. Analistas questionam a especulação, dizendo que tal acordo seria contrário às recentes sinalizações da administração da AB InBev. A fabricante da Budweiser está “no tamanho certo” e com foco no crescimento orgânico, disse o presidente Carlos Brito em entrevista ao jornal holandês De Tijd em julho. A AB InBev, formada quando a InBev NV comprou a Anheuser-Busch Cos. em 2008 por US$ 52 bilhões, tinha uma dívida líquida de US$ 40,1 bilhões em 30 de junho. “Levantar US$ 80 bilhões em um momento de mercado tão volátil parece uma tarefa difícil e tal acordo estratégico parece contradizer os comentários da administração da AB InBev”, disse Andy Smith, analista da MF Global,  em e-mail hoje. Pelo valor negociado hoje, a SABMiller tem um valor de mercado de 35,6 bilhões de libras esterlinas (US$ 54,5 bilhões). A AB InBev chegou a cair 2,2 por cento em Bruxelas e estava em queda de 1,2 por cento, a 39,13  euros. A InBev adquiriu a brasileira AmBev, líder no mercado nacional de cervejas. O Brasil é o segundo mercado mais importante para a companhia e a terra natal da maioria dos membros de seu conselho de administração. A SABMiller, fabricante das cervejas Grolsch e Peroni, acertou a compra da australiana Foster’s Group Ltd. por cerca de 9,9 bilhões de dólares australianos em 21 de setembro.

Vivo anuncia telefone fixo e integração com Telefônica
Folha 06.10.2011 - As operadoras Vivo e Telefônica anunciaram nesta quinta-feira suas ofertas de serviços convergentes, primeiro resultado da união das duas empresas.
Entre os serviços estão o Vivo Fixo, serviço de voz, e o Vivo Box, oferta de telefonia fixa, internet e wi-fi. O serviço começa apenas na capital e região metropolitana de Porto Alegre (RS) e prevê pacotes a partir de R$ 19,90 no Vivo Fixo com 60 minutos de conversação.  O plano mais completo custará R$ 89,90 com 1.000 minutos.  Para o Vivo Box, o serviço básico custará R$ 44,80 com 500 MB de internet e 60 minutos de telefonia fixa. O plano completo, com 10 GB de internet e 1.000 minutos de conversação custará R$ 195,00 por mês.
Dois aparelhos estarão disponíveis para o serviço de telefonia fixa, om preços entre R$ 29,90 e R$ 149,90. Brasil: Ainda não há datas exatas para a expansão geográfica do serviço.  "Hoje existem 52,6 milhões de domicílios fora de São Paulo e por isso vimos que existiam oportunidades importantes para explorar outras regiões", disse Paulo Cesar Teixeira, diretor-geral da Telefônica/Vivo. No Rio Grande do Sul, as empresas têm 5,7 milhões de clientes.  O Vivo Box e o Vivo Fixo marcam a fase de integração das operações entre Vivo e Telefônica, após mais de um ano do anúncio de fusão das duas empresas.  Os trabalhos de integração começaram em julho de 2010 e terminaram na última segunda-feira, 3 de outubro.  Juntas, as empresas chegam a 3.680 municípios e têm 80 milhões de usuários. As receitas conjuntas são de R$ 30 bilhões ao ano.  O anúncio dos serviços combinados de Vivo e Telefônica vem um dia após o lançamento dos pacotes de voz, internet e TV por assinatura de Claro, NET e Embratel.  As ofertas estarão disponíveis para as cidades cobertas pelas empresas em todo o Brasil.

Serasa: pedidos de falência são os menores desde 2005
IstoéDinheiro 06.10.2011 - O mês de setembro registrou 108 pedidos de falência em todo o País, o menor número desde janeiro de 2005, informou hoje a Serasa Experian. Destes, 76 foram requeridas por micro e pequenas empresas, 20 por médias e 12 por grandes companhias. Os números de setembro representam uma redução de 36,4% em relação a agosto, quando foram registrados 170 pedidos, e de 43,7% ante setembro de 2010, quando houve 192 requerimentos. O Indicador Serasa Experian de Falências e Recuperações mostra, porém, que o número de falências decretadas aumentou em setembro, para 82, ante 65 em agosto e 57 no mesmo mês do ano passado. O número de pedidos de recuperação judicial em setembro foi de 34, enquanto em agosto o total foi de 59 e em setembro de 2010, de 32.
Segundo a Serasa Experian, as empresas reforçam o caixa com as encomendas para o Dia da Criança e as festas de fim de ano, abrindo a possibilidade de os indicadores de insolvência caírem no último trimestre do ano. "Com maior confiança, alavancada pelo início de um novo ciclo de redução dos juros, com a inadimplência sob controle e a certeza de que o mercado interno será novamente utilizado para contornar os impactos da crise global, as empresas apostam no consumo", afirma comunicado da Serasa.

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